Escolaridade reduziu desigualdades no Brasil

Por Erik M

Sua excelência, a educação

Publicação: 22 de Janeiro de 2012 às 00:00

ANTÔNIO GOIS
Da Folha/Rio
Dinheiro e posse de bens de consumo podem ser sinais exteriores de prosperidade, mas o que realmente distingue com clareza a classe social à qual o brasileiro pertence é a escolaridade.

O levantamento Datafolha mostra que no topo da pirâmide, por exemplo, a maioria possui nível superior. Descendo um degrau, no que seria uma classe média alta, esta proporção cai significativamente, e o nível de instrução da maioria passa a ser o ensino médio completo.

Assim vai até chegarmos à base da pirâmide, em que o mais comum é ser analfabeto ou nem sequer ter completado o primário, equivalente hoje ao quinto ano do ensino fundamental.

Estudar é, portanto, o melhor passaporte para a mobilidade social. E, apesar de muitos brasileiros ainda terem uma escolaridade precária, a boa notícia foi que a distância entre pobres e ricos no que diz respeito ao acesso à escola diminuiu.

Há dez anos, o Datafolha registrava que havia mais brasileiros que não tinham completado o ensino fundamental do que aqueles que possuíam ao menos o nível médio completo.

Hoje, a situação se inverteu, e esse movimento teve papel fundamental na redução da desigualdade e no crescimento da classe média no país, como comprovam alguns estudos.

O mais recente deles, dos pesquisadores Naércio Menezes Filho e Alison Pablo de Oliveira, ambos da USP (Universidade de São Paulo) e do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), mostra que 40% da queda da desigualdade no mercado de trabalho na década passada é explicada pela melhoria da escolaridade dos mais pobres.

O economista Marcelo Neri, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que chegou a conclusão semelhante em estudo divulgado em maio, lembra que a educação no Brasil nem sempre jogou a favor da redução da desigualdade.

Nos anos 1970, durante o chamado "milagre econômico", o avanço pífio da escolaridade fez com que os poucos brasileiros mais instruídos se beneficiassem muito mais do bom momento econômico do que os aqueles que estudaram menos tempo.

Na década passada, mesmo sem taxas tão altas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), foram os mais pobres que registraram maior aumento na renda, permitindo que muitos mudassem de classe econômica, em boa parte devido à melhoria de sua escolaridade.

"A educação teve papel fundamental para explicar essa fantástica queda da desigualdade. E, nesse campo, muito do que foi colhido na década passada começou a ser plantado nos anos 1990", afirma o economista.

Neri se diz otimista com a continuidade desse processo. "Muitos, inclusive eu, acreditavam que o crescimento dessas classes era sustentado mais na oferta de crédito e de programas sociais. Mas hoje entendo que as pessoas estão ascendendo também porque estudaram mais e tiveram menos filhos."

MENOS RISCOS

Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, lembra que quanto menor a escolaridade, menor a proteção contra crises econômicas.

"Se a economia desaquece, muitos dos brasileiros que migraram para a classe C beneficiados só pelo crescimento podem voltar para as classes D ou E. Com mais instrução, a pessoa tem mais força para reagir às adversidades e capacidade de migrar de um setor para outro." 

Para ela, no entanto, à medida que as diferenças em termos de acesso diminuem, aumenta a importância da qualidade do ensino.

"Cada vez mais, o que diferenciará as classes não será tanto o nível de ensino ao qual cada um chegou, mas a qualidade da educação recebida", afirma.

Cruz avalia ainda que será um erro se boa parte dessa nova classe média fugir da escola pública em busca de mais qualidade nos colégios particulares.

Seu argumento é que essa migração teria efeito prejudicial para a educação na rede pública e não seria garantia de melhor ensino, já que muitas escolas privadas, especialmente as que oferecem cursos mais baratos, têm também qualidade muito ruim.

Estudar e subir na vida ganham mais importância do que casar e ter filhos
Mesmo separados por um hiato grande de renda familiar e de escolaridade, os brasileiros compartilham o desejo de subir na vida. A realização profissional é considerada um valor muito mais importante do que casamento por integrantes de todas as classes sociais. Segundo o Datafolha, também prevalece a percepção de que a educação é o principal instrumento para a felicidade.

Para o cientista político Amaury de Souza, da MCM Consultores, com a universalização do acesso ao ensino fundamental, os trabalhadores precisam "ir além" para conseguir destaque no mercado de trabalho. "Hoje não é mais possível ascender sem investimento em educação", diz.

Já a importância atribuída à realização profissional, na opinião de Souza, está ligada "ao desejo de conquistar uma renda alta e estável". Escaldados pelo histórico de altos e baixos da economia do país, os brasileiros também passaram a valorizar a "estabilidade no trabalho".

"Para ter uma família estruturada, poder dar aos filhos o que acho que eles vão precisar, preciso ser uma profissional completa", diz a médica Denise Torejane, 28. Ela está acabando a especialização em cirurgia plástica e trabalha ao menos 12 horas por dia.

Casado e à espera da primeira filha, o professor universitário Leonardo Pio, 28, também diz que realização profissional é o que mais importa na sua vida hoje. "Talvez eu passe a pensar de forma diferente com a chegada da minha filha, mas acho que realização profissional é importante tanto pelo retorno financeiro como pela conquista pessoal."

Em Natal, Antônio Lailson Filho, 45, é filho de pedreiro. Há pouco mais de dez anos ganhava menos de R$ 1.000,00. Viu a vida mudar nos últimos quatros anos, quando começou o programa Minha Casa, Minha Vida, e ele apostou no ramo da construção civil. O rendimento cresceu em quase 15 vezes.

"Hoje a economia está fluindo melhor, mas não se consegue nada sem profissionalização. O estudo é a base para alcançar uma posição melhor; para ter destaque, seja em que profissão for".

Embora brasileiros de diferentes estratos sociais pareçam concordar sobre que aspectos são mais importantes para a felicidade, o grau de consenso é menor nas classes mais baixas. Metade dos excluídos citou o estudo como aspecto muito importante para a felicidade - na classe alta, o índice foi de 80%.

Segundo especialistas, isso pode indicar um grau maior de desilusão entre as camadas de renda menor. O desinteresse pela política parece confirmar essa leitura. A falta de preferência por algum partido atinge 70% entre os excluídos, contra 54% na classe alta.

CLASSE MÉDIA ALTA

O comerciante Antônio Lailson Filho, 45, tem apenas o ensino médio. Já trabalhou como pedreiro e no comércio. Hoje, mora em casa própria no bairro de Igapó, zona norte de Natal; tem carro importado, casa de praia, em Graçandu; e plano de saúde para a família e investe em boas escolas para as filhas Lorena, 14 anos, e Lorrane, 2 anos e meio, por acreditar que o estudo é a chave para galgar uma posição melhor.

 

http://tribunadonorte.com.br/noticia/sua-excelencia-a-educacao/209743

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11 comentários
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Luís CPPrudente

Governador Geraldo Alckimim autoriza a tropa de choque da PM a ignorar a Justiça Federal (que impediu provisoriamente a desapropriação do Pinheirinho).

Geraldo Alckimim obedece as leis que lhe interessam, as que não o satisfaz o genocida Geraldo Alckimim as ignora.

 
 
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Alexandre Rodrigues Vianna

Temos ainda um grande problema. As pesquisas registram o número ou a proporção de pessoas com "diploma". No entanto, dos que tem o papel é uma minoria que possui realmente as competências e habilidades desejadas para seu grau de instrução.

Não me recordo onde li, recentemente, que há um projeto para que em 20 (vinte) anos - uma geração - o Brasil tenha a nota média de seus alunos igual a 700 em exames como o ENEM.

Se não quisermos nos enganar, proponho que seja sempre divulgado, juntamente com o número de pessoas com diploma de nível médio, a quantidade ou proporção destes que tem nível "abaixo do básico", "básico", "adequado" e "avançado".

Em suma, não basta universalizar, pois o que precisamos é que o maior número de brasileiros tenha educação de qualidade - até porque trata-se de um DIREITO FUNDAMENTAL.

 

 
 
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Roberto Locatelli

De alguma forma, as coisas não podem estar tão ruins. Afinal, houve EFETIVA melhora econômica e social dos mais pobres.

Mas, realmente, agora que consertamos o terrível estrago que foi cometido por FHC na Educação, e que nos custou uma década perdida, sim, o próximo passo é melhorarmos o nível educacional. O ENEM é fundamental para essa melhora. Justamente por isso os demotucanos são contra ele.

 
 
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Gilson AS

Era isso que a elite temia.

Perder o controle das rédeas.

 

gAS

Cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é guiada pelos seus pensamentos. Salomão

 
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Josaphat

Nem vou ler tudo para saber que o que se propõe é que basta o mínimo.

É o PT. O mínimo. Não tem ambição.

Se o mínino faz o que faz, porque não mais que o mínimo?

Porque aí é o desconhecido.

 
 
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Leo V

Incrível como não desistiram de empurrar goela abaixo de que a escola diminui as desigualdades sociais.

Ideologia liberal, que no meio sociológico já foi extirpada pelo menos há 40 anos, com aobra A Reprodução, de Bourdieu e Passeron.

 
 
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Josaphat

É.

Escola é JUSTAMENTE para MANTER as desigualdades.

 
 
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silv

Politica Pública de Educação Inclusiva.

Bolsa "Esmola" para quem mantem filho na escola.

Notas de Enem para cursos de graduação, não é mais só o funil do vestibular elitista.

Cota de Minorias.

Bolsa Prouni para custear o estudante.

É o  porque dos T kanalhas não voltarem ao poder e as Zelites não digerirem "o analfabeto"

Se fosse o Haddad assim que fosse eleito mudava de partido, tem o perfil e ainda é bonito vai ser uma grande opção política.

 
 
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Roberto Baginski

Sempre fico impressionado com a dificuldade que as pessoas parecem ter de distinguir correlação de relação causal. No primeiro parágrafo, o repórter estabelece uma boa correlação: olhe para a escolaridade da pessoa e você terá uma boa chance de acertar a qual classe social ela pertence:  

Dinheiro e posse de bens de consumo podem ser sinais exteriores de prosperidade, mas o que realmente distingue com clareza a classe social à qual o brasileiro pertence é a escolaridade.

 

Nos dois parágrafos seguintes, a correlação é bem exemplificada:

O levantamento Datafolha mostra que no topo da pirâmide, por exemplo, a maioria possui nível superior. Descendo um degrau, no que seria uma classe média alta, esta proporção cai significativamente, e o nível de instrução da maioria passa a ser o ensino médio completo.


Assim vai até chegarmos à base da pirâmide, em que o mais comum é ser analfabeto ou nem sequer ter completado o primário, equivalente hoje ao quinto ano do ensino fundamental. 

 

Finalmente, para fechar a introdução da matéria, o repórter decide inverter as bolas:


Estudar é, portanto, o melhor passaporte para a mobilidade social.


Eu gostaria de acreditar que estudar seja o melhor passaporte para a mobilidade social. Infelizmente,  os dados apresentados permitem concluir apenas que aqueles que têm mais dinheiro também possuem maior nível de instrução (será que é porque seus pais, com nível social elevado, puderam pagar pela sua instrução?) Os dados apresentados não permitem concluir que aqueles que têm maior nível de instrução (mantidas outras condições como renda dos pais, por exemplo, inalteradas) ascendem socialmente.


Quanto a este ponto, uma leitura cuidadosa do estudo (http://www.fgv.br/cps/bd/DD/DD_Neri_Fgv_TextoFim3.pdf) do CPS da FGV é muito mais elucidativo. Segundo o trabalho coordenado por Marcelo Neri com dados da PNAD, a renda dos 10% mais pobres cresceu 69% entre 2001 e 2009 enquanto a renda dos 10% mais ricos cresceu apenas 13% no mesmo período. O que produziu mobilidade social no Brasil recente? No trabalho da FGV, temos uma quantificação do efeito da educação na redução da desigualdade: apenas pelo efeito da educação (redução na desigualdade dos anos de estudo), a renda dos 10% mais pobres cresceria 55% no período e a dos 10% mais ricos cresceria 8%. 

 
 
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Alipoipio

[a renda dos 10% mais pobres cresceu 69% entre 2001 e 2009 enquanto a renda dos 10% mais ricos cresceu apenas 13% no mesmo período.]


Deveria ter tido apenas que o pobre que ganhava R$ 100 passou a ganhar R$ 169,00 e quem ganhava R$ 10.000,00 passou a ganhar apenas R$ 11.300,00. Mas tudo isso é inútil, pois o Brasil já mais rico do que a Inglaterra.

 
 
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Alipoipio

[O levantamento Datafolha mostra que no topo da pirâmide, por exemplo, a maioria possui nível superior ]E o quê disse Dilma; quer um Brasil de classe média remediada e não de milionários. Logo, não precisa de nível superior. De fato, quem precisa de educação é país que não tem recursos naturais, caso em que baixa escoliridade ajuda bastante. Afinal, como seria possível encontrar, por exemplo, quem queira trabalhar cortando árvores para se vender na europa, quando precisa passar uma semana dentro do mato cortando isso de dia e... de noite também, para ganhar R$ 30,00? Quando o pré-sal começar não sobrará um só pobre no Brasil para contar lamunirias

 
 

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