Ensino superior parou de crescer, diz diretor da Fapesp

Da Folha de S. Paulo

CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ

TENDÊNCIAS/DEBATES

A parada no crescimento do ensino superior

Em SP, a chance de um jovem ir a uma universidade federal é de 0,7%, contra 10% no país e 70% no Acre; tal diferença atrapalha a expansão do ensino superior

A velocidade do crescimento do ensino superior brasileiro diminuiu fortemente a partir de 2005, revelam os últimos números do Inep. A tendência preocupa, pois é um momento em que a economia brasileira cresce, aumentando a demanda por pessoal qualificado.

Em 2010, as instituições de ensino superior públicas formaram 178.407 estudantes, 24 mil a menos do que os 202.262 de 2004.

Nesses seis anos, a queda no número de concluintes foi de 1,8% ao ano. O freio é generalizado e atinge menos intensamente as instituições privadas. Nestas, o crescimento desde 2005 tem sido de 4,5% ao ano, contra uma taxa três vezes mais alta, de 13% ao ano, entre 1995 e 2005.

A queda na taxa de crescimento é mais intensa justamente nas instituições de ensino superior classificadas como universidades, onde se espera aliar ensino e pesquisa para formar melhor os estudantes.

De 1995 a 2005, a taxa média de crescimento foi de 11% por ano. A partir de 2005, o crescimento tem sido pífio, de somente 0,2% ao ano. Resultado: em 2010, menos estudantes se graduaram em universidades do que em 2007.

Os efeitos do freio no crescimento graduados se propagam para a pós-graduação, uma das joias da coroa do ensino superior brasileiro.

De 1995 a 2004, o número de doutores formados cresceu ao ritmo de 15% por ano. De 2005 a 2010, o ritmo de crescimento caiu para um terço, 5% por ano. Em 2010, titularam-se menos doutores do que em 2009.

Com o fim do crescimento no sistema público, a privatização do ensino superior após 2003 avançou como nunca antes. Em 1995, 37% dos concluintes no ensino superior completaram seus estudos em instituições públicas. Em 2003, foram 32%; e em 2010, o percentual despencou para apenas 22%.

Dois fatores ajudam a entender as razões da parada generalizada.

Primeiro, a política recente do MEC privilegia a expansão do número de instituições do ensino superior federal sem levar em conta a distribuição no território nacional do número de estudantes que concluem o ensino médio.

Um dos resultados dessa política é que, no Estado de São Paulo, o jovem que conclui o ensino médio tem 0,7% de chance de frequentar uma universidade federal, enquanto na Bahia (por exemplo), o segundo estado mais desassistido pela União em ensino superior, essa chance é de 7,3%. No Acre, a chance é de 70%. A média geral do Brasil é 10%.

O investimento em ensino superior precisa levar em conta, em alguma medida, o número de jovens que concluem o ensino médio em cada região, buscando a equidade entre as regiões do país.

O outro fator é o fraco desempenho do ensino médio no país. A universalização do acesso ao ensino fundamental, nos anos 1990, trouxe a expectativa de um aumento forte no ensino médio, mas em 2010 houve menos concluintes do que em 2003, com um decréscimo anual de 0,5% ao ano.

Em 2010, 2,5 milhões de alunos concluíram o ensino fundamental. Como os concluintes no ensino superior são 829 mil, anualmente o Brasil deixa de qualificar 1,7 milhões de brasileiros. Contando com eles, o país iria muito mais longe.

CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ, 53, é diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Foi reitor da Unicamp e presidente da Fapesp

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17 comentários
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Funny Valentine

"O outro fator é o fraco desempenho do ensino médio no país. A universalização do acesso ao ensino fundamental, nos anos 1990, trouxe a expectativa de um aumento forte no ensino médio, mas em 2010 houve menos concluintes do que em 2003, com um decréscimo anual de 0,5% ao ano."


Bingo!

 
 
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augusto2

Aqui nao cabe a pergunta se, em numeros absolutos  e depois nos relativos o numero de formados nao iria cair de qualquer maneira, pela simples reduçao da taxa de natalidade e fecundidade nos ultimos periodos? 

 
 
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IV AVATAR

O Nassif desmontou rapidinho a farsa da Folha Tucana:

Brito Cruz analisou Educação de Lula com números de FHC

Enviado por luisnassif, qui, 23/02/2012 - 10:33

Autor:  

Tenho muita consideração pelo Brito Cruz, notável físico, diretor científico da Fapesp e pessoa que ajudou a definir os papéis dos agentes do sistema de tecnologia e de inovação no país no final dos anos 90.

Mas seu artigo no Tendências e Debate da Folha de hoje - "A parada no crescimento do ensino superior" -  padece de um engano lógico. Ele analisa o governo Lula com números do governo FHC. Inverteu a análise.

Confira o seguinte parágrafo (que sintetiza todo o artigo dele) e descubra qual o erro que ele cometeu:

 “Com o fim do crescimento no sistema público, a privatização do ensino superior após 2003 avançou como nunca antes. Em 1995, 37% dos concluintes no ensino superior completaram seus estudos em instituições públicas. Em 2003, foram 32%; e em 2010, o percentual despencou para apenas 22%”.

Um estudante universitário leva, em média, 6 anos para se formar. Portanto, os formandos de 2010 entraram na universidade (em média) em 2004. Se quiser analisar números de governo, a medida correta são os ingressantes e não os concluintes. Os concluintes refletem o que ocorria até 6 anos antes.

A partir dessa inversão, releia o artigo de Britto:

“Nesses seis anos, a queda no número de concluintes foi de 1,8% ao ano. O freio é generalizado e atinge menos intensamente as instituições privadas. Nestas, o crescimento desde 2005 tem sido de 4,5% ao ano, contra uma taxa três vezes mais alta, de 13% ao ano, entre 1995 e 2005”.

A leitura correta é: no período de 6 anos antes (isto é, de 1995 a 2005) a oferta de vagas nas universidades federais foi de apenas 4,5% ao ano, contra um aumento de oferta de 13% ao ano entre 1989 e 1998. Qual a razão? A política de Paulo Renato de Souza, de privilegiar o ensino universitário privado em detrimento do ensino público.

2005 aparece várias vezes porque é o ano em que foi lançado o Plano de Expansão do Ensino Universitário. Os dois anos anteriores haviam sido tomados pelo orçamento de crise, em função da crise fiscal de 2003 e 2004.

Se for analisar o ensino superior sob o prisma dos ingressantes, o número de vagas saltou de 148 mil em 2002 para 302 mil em 2010, permitindo a Lula cumprir a promessa acertada com a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições de Ensino Superior) de dobrar o número de vagas até o final do segundo mandato.

 
 
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Marco Antonio L.

Essa matéria está mostrando o que acontece em São Paulo, só isso. Quer dizer que o ensino superior está pior hoje, do que nos anos 90 ? E na USP ?

 
 
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Paulo Athaydes

O "veículo" é a FSP, o autor é de SP, logo a confiabilidade não é grande.

Deve ser coincidência o fato de que o ex-ministro da educação é candidato em SP.

É possível confirmar ou desmentir essas informações ?

Acho estranho pois pelo que se sabe o número de vagas duplicou na era Lula.

Será que as vagas criadas não foram ocupadas ou não completaram o curso ?

 
 
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Daniel Augusto

Muito desonesto esse texto do Brito. Foi justamente com essa constatação, de que o ensino superior público estava sucateado, que o governo federal revitalizou as universidades federais a partir de 2008 com o Reuni. As vagas praticamente dobraram, as federais estão cheias de prédios novos e cursos novos. Os alunos beneficiados por esses novos cursos e novas vagas em cursos já existentes ainda não se formaram! Ações em educação demoram algum tempo para darem resultado. E esses dados que o Brito mostra só comprovam que o abandono das universidades federais de 95 até 2008 gerou reflexos nos dados de 2010. Mas por que o Brito não diz quais são as projeções de formandos para os próximos anos? Porque ele sabe que esse processo já começou a ser revertido, que o investimento no ensino superior federal tem aumentado muito. Esse texto serve apenas para atacar o Haddad.

 
 
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João Aguiar

artigo calhorda e desonesto, esses mesmos tucanóides não se cansam de arrotar que a USP é a maior universidade do país e diz que em "SP, a chance de um jovem ir a uma universidade federal é de 0,7%, contra 10% no país e 70% no Acre; tal diferença atrapalha a expansão do ensino superior". E a rede estadual, palhaço, onde é que fica?

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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João Aguiar

óia aí outra matéria explicando porque os jovens (sic) de São Paulo não são iguais aos do Acre.

Enviado por luisnassif, qui, 23/02/2012 - 07:00

Da Agência Fapesp

USP é universidade que mais forma doutores no mundo

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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Concordo

Basta dizer que na UFABC há centenas de vagas sobrando.

 
 
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Carlos SP

Números tratados de forma confusa. Parece crítica endereçada.

Por que a citação abaixo?

"Em SP, a chance de um jovem ir a uma universidade federal é de 0,7%, contra 10% no país e 70% no Acre; tal diferença atrapalha a expansão do ensino superior." Sem considerar a USP e a Unicamp, que seriam as mais prestigiosas do país? E grandes? Poderia considerar universiaddes públicas e não apenas federais. Porque a expansão de vagas em universidades estaduais em São Paulo foi muito pequena? Parece que sim.

Não trata de dados como o afluxo de estudantes por causa do Prouni.

E dizer que "Com o fim do crescimento no sistema público, a privatização do ensino superior após 2003 avançou como nunca antes." é muito estranho. A época do Ministro Paulo Renato foi a de maior expansão do ensino superior privado do país, a UNIP virou um império e a política era deliberada de ensino superior privado.

Teriam que se cruzar dados e avaliar melhor as tendências, vivemos um momento de retração de demanda, após uma enorme expansão de grupos privados e aumento de universidades federais. Em São Paulo houve um aumento de escolas técnicas de nível superior (do Estado e Federais). Esses dados constam do levantamento e ratificam a conclusão? Para não ficarmos em platitudes (e temos munitos problemas, claro) como o grande problema da baixa qualidade do ensino médio, que em São Paulo, diga-se de passagem, tornou-se um negócio enorme para grupos privados. A escola fundamental e média pública aqui é muito ruim.

Bem, é isso, parece uma análise simplista e tendenciosa, confusa.

Abraços

 
 
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drigoeira

Este texto é o "Ó do borogodó".

 
 
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Adriano Martins

Acho que vale lembrar algumas coisas em relação ao texto do presidente da FAPESP.

(1) O chamado "Ciclo de Ouro" (cunho meu) do crescimento do ensino público, que engloba o período de 1995-2005, foi o período áureo da expansão desenfreada das universidades particulares. Aqui no estado do Rio de Janeiro, a Estácio de Sá e a Univercidade cresceram a olhos vistos, mas com o tempo não puderam suportar a expansão e tiveram que fechar várias de suas unidades. Havia, para exemplificar, uma unidade em Duque de Caxias que se comunicava com o Shopping da cidade.

(2) O Diretor da FAPESP não contabilizou o período de 2008 para cá onde, sob a alcunha de REUNI (programa de restruturação das universidades federais), o governo ampliou grandemente o número de vagas nestas universidades. Sou professor da UFF, campus de Volta Redonda, e me orgulho de ter participado do projeto de expansão do campus aqui, que por sua vez já está em pleno funcionamento.

Portanto, discordo com a tese de que o ensino superior parou de crescer. Ele cresceu sim, e muito, nos últimos anos. O que pode ter acontecido, e que é mencionado brevemente no texto, é que o número absoluto de vagas tenha diminuído em virtude da EXPANSÃO DESCONTROLADA das universidades privadas no periodo de 1995-2005, que ofereceram (ainda oferecem) cursos de baixa qualidade e sempre nas mesmas áreas: aquelas que são baratas para se formar um curso. Praticamente não se abriu cursos de engenharia ou cursos que demandassem investimentos altos em laboratórios (exceção feita ao curso de medicina, sempre muito valorizado).

Um abraço a todos.

Adriano

 
 
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urbano

A primeira vista uma má noticia mas na verdade esconde uma coisa boa. Menos cursos fajutos de direito, administração, pedagogia ,etc, etc. Ainda bem que o Brasil esta acordando a para o ensino que traz beneficios ao progresso e não essa Universidade embolorada vendedora de diplomas para futuros burocratas.

Na Alemanha as escolas de engenharia nem sequer estão nas Universidades que por la é coisa de Padres e Teologos.

 

 
 
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Adriano Martins

Olá a todos,

depois de enviar meu comentário, vi que havia esquecido de ponderar alguns pontos. Vamos nessa!

(3) Misturar os assuntos da diminuição do ritmo da expansão do nível superior com a questão da conclusão do ensino médio é meio complicado. São questões até relacionadas, mas a princípio a segunda não afeta a primeira, pois dependem de ações distintas do estado.

 

(4) Com relação à diminuição do ritmo de formação dos doutores, arrisco um palpite (seria interessante investigar isso): agora as pessoas têm acesso ao emprego. Entrei no mestrado em 1997 e terminei o doutorado em 2003, exatamente dentro do "período áureo" citado pelo autor do texto. O fato é: naquela época não havia emprego, no sentido de haver concurso público para absorver os mestres e doutores da época. Assim, viramos estudantes profissionais: mestrado para o doutorado e do doutorado emendávamos em post-docs, em geral fora do país. Havia um enorme contingente de doutores sem emprego, post-docs profissionais. Agora tenho visto que muita gente ainda no doutorado está passando em concursos, e talvez daí venha a diminuição do número de pessoas que terminam o doutorado. NASSIF: pode ser interessante averiguar isso melhor.

 

Um abraço,

 

Adriano

 
 
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Samuel Rodrigues

 


          O texto é absolutamente mentiroso, muito provavelmente não reflete a realidade de São Paulo também, varias pessoas da minha família se formaram nos últimos 5 anos, e não havia ninguém com curso superior (Rio Grande do Sul), existem inúmeros Institutos Federais de Educação atualmente, o prouni inseriu mais de 500 mil pessoas em instituições privadas. Ora 0.7 % de chances de estudar em universidade federal, estude na USP. Hoje temos com certeza a maior expanção do ensino superior no país, seja ele privado ou em instituições públicas, bom quanto a qualidade, ai é bem mais complicado.

 

Samuel Rodrigues

 
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ThiagoS

"Em SP, a chance de um jovem ir a uma universidade federal é de 0,7%, contra 10% no país e 70% no Acre"

Desonestamente desconsiderou os institutos federais, que Lula e Haddad espalharam pelo interior do Brasil, inclusive de SP, com centenas de cursos superiores.

 
 
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Ex-combatente

Os cursos técnicos também melhoraram bastante. Para muitos, não é interessante a graduação.

 
 

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