Educação: o descompasso entre gasto e qualidade de ensino

Por Erick M

Do Correio Braziliense

Gastos com rede pública triplicaram, mas falta ainda qualidade no ensino 

Rosana Hessel
Gabriel Caprioli

Professor de sociologia, Murilo Mangabeira reclama do descaso com a formação de bons profissionais (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
Professor de sociologia, Murilo Mangabeira reclama do descaso com a formação de bons profissionais

O professor Murilo Mangabeira, 27 anos, sabe o valor de uma boa educação. Por isso, é um defensor contumaz de que o ensino deve começar cedo — e, sobretudo, com muita qualidade. Para ele, não basta apenas abrir as portas das escolas à criançada sem o compromisso de se formarem cidadãos que farão a diferença no mercado de trabalho. Isso vale, principalmente, para os centros públicos de ensino, que, infelizmente, andam despejando no mercado pessoas que mal entendem o que leem e são incapazes de resolver questões mínimas de matemática. 

Não à toa, Murilo repete: “É uma convenção achar que escola pública tem que se contentar com o básico, com uma estrutura mínima. Não adianta montarem bibliotecas, se não colocam livros suficientes. De nada vale fazer uma quadra de esporte, se não colocam cobertura. O básico não é suficiente”. Porém, o que mais assusta o professor, que há três anos leciona sociologia para alunos do ensino médio e fundamental em Samambaia, cidade do Distrito Federal, é o fato de não haver uma preocupação evidente com o aperfeiçoamento dos profissionais da área. “Não basta uma especialização de um ou dois anos. O professor precisa se dedicar a um processo de formação continuada. Senão, corre o risco de se tornar um técnico da educação, com conhecimentos superficiais”, explica.

As palavras de Murilo só reforçam a necessidade de uma revolução no ensino básico do país. Embora, nos últimos anos, tenha havido um avanço no acesso de crianças e adolescentes às escolas, muitos ainda não conseguem notas suficientes para ingressar nas universidades. Mesmo quando entram, há um problema maior: conseguir acompanhar o conteúdo dado em sala de aula.

“O índice de jovens que apresentam falhas no aprendizado é muito alta. Apenas 11% dos que concluem o ensino básico conseguem um nível razoável de absorção do conteúdo de ciências exatas, como matemática”, diz Mozart Neves Ramos, conselheiro da ONG Todos pela Educação. Essa, por sinal, é uma das razões de o país estar na lanterna do desempenho nessa área: 57° lugar de um ranking com 65 países listados pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês).

A situação é alarmante, reconhece Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp). “Como a maioria dos alunos das faculdades privadas acabam vindo das redes públicas, é difícil haver um nivelamento nas turmas, especialmente na área de exatas. Praticamente, 90% das universidades acabam tendo que dar cursos complementares para equiparar os alunos em sala de aula”, revela.

Interesses

Tamanho descalabro não é por falta de dinheiro. O volume de recursos destinado à educação básica triplicou entre 2000 e 2009, passando de R$ 808 por ano, por aluno, para R$ 2,9 mil. O problema é que algumas regiões do Brasil ainda sofrem com uma estrutura física inapropriada para as aulas: falta de material didático, salas sem a mínima estrutura, escassez de carteiras e de professores, principalmente daqueles com formação adequada. “A falta de valorização do professor é um dos principais fatores da baixa qualidade do ensino básico, o que faz com que poucas pessoas se interessem em estudar pedagogia”, afirma Mozart Ramos. “O salário médio no país de um docente é de R$ 1,8 mil, praticamente um terço da média de um recém-formado em qualquer outra profissão”, emenda.

Doutor em educação pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e ex-diretor da Unesco, Jorge Werthein ressalta que, mesmo triplicando em quase uma década, os gastos com a educação básica no país são insuficientes. Nos EUA, o desembolso anual por aluno varia entre US$ 12 mil e US$ 13 mil. “Se o Brasil quiser se manter entre as maiores economias do planeta, precisa acelerar o processo de melhoria da educação. Somente o conhecimento muda a vida das pessoas. Por isso, o acesso a uma escola de qualidade tem de ser uma estratégia de governo. Houve avanços nos últimos anos, mas ainda em ritmo muito lento”, assinala.

Na avaliação de Werthein, o engajamento na melhora da educação precisa ir além das ações do governo federal. É preciso que estados e municípios entrem nessa batalha, que durará anos e anos. “Não se trata de uma questão política. Mas de interesse de todo um país. É preciso colocar o desenvolvimento econômico em primeiro. E isso passa por uma educação melhor. “Há um deficit enorme de professores — entre 200 mil e 300 mil profissionais — nas áreas de matemática, ciência e química, porque outros setores da economia pagam melhor”, destaca.

Gargalos

O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão, explica que as deficiências do ensino básico começam a aparecer logo no início da vida dos alunos. “O primeiro entrave é a falta de acesso à educação infantil, às creches, o que faz as mães perderem um tempo precioso que poderia ser usado para estimular o mais cedo possível a formação da criança. Esse é o pontapé que facilita o ensino básico”, diz. O pesquisador lembra que a herança cultural também pesa sobre os alunos de renda mais baixa. “É mais difícil para os pais com poucos anos de estudo ajudarem os filhos no aprendizado e fiscalizarem o rendimento deles na escola”, completa.

O conteúdo deficiente oferecido na rede pública, somado a uma cultura de desempenho e avaliação mais frouxa, não poderia ter outro resultado. Ao concluir o ensino fundamental e médio, os alunos da rede pública não estão preparados nem para enfrentar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — usado como parâmetro para o ingresso em 95 universidades estatais, por intermédio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Em 2012, serão oferecidas 108 mil vagas.

Aulas on-line

Um método incentivado pelo poder público para formar professores mais bem qualificados é o ensino a distância, frequentado por 15% dos universitários matriculados atualmente. Entre 2005 e 2010, o número de profissionais que concluíram os cursos de licenciatura nas tradicionais salas de aula caiu 3,6%, para 161,3 mil, enquanto os formados a distância cresceu 62%, para 72 mil. Se esse ritmo persistir, em 2015, o país terá mais professores graduados por meio da internet do que presencialmente.

Sintomas do atraso

Os especialistas acreditam que a reforma prevista pelo Programa Nacional de Educação (PNE), cujas discussões pouco avançaram na Câmara dos Deputados, deveria avançar por meio de políticas para valorizar o professor e elevar o piso salarial da categoria. Seria uma iniciativa rumo a um quadro semelhante ao que economias desenvolvidas e em desenvolvimento adotam para se destacarem economicamente.

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67 comentários
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Erick M

E qual é a solução apregoada, hoje, para a educação e, inclusive, ÚNICA matéria que gerou discussões no projeto do PNE? Mais recursos (7, 8 ou 10% do PIB) para a educação, sem nenhuma preocupação, ao menos, de usá-los em prol da qualidade. Atribui-se a Einstein a afirmação segundo a qual “fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes” é insanidade. Que outro nome podemos dar a essa proposta de solução?

 

Erick

 
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Jotavê

A política educacional está excessivamente mesclada às reivindicações sindicais. "Mais dinheiro para a educação" é a reivindicação dos sindicatos. "Como fazer com que o dinheiro aplicado se traduza em melhorias sensíveis" é o assunto de que os sindicatos não querem ouvir nem falar. A mensagem é sempre a mesma: "falta dinheiro, enfiem mais dinheiro..." Aí, vem mais dinheiiro. Resultado: nenhum. E eles continuam repetindo que falta dinheiro.

Enquanto isso, gerações de brasileiros vão sendo atiradas no lixo.

 
 
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jefcandido

“O salário médio no país de um docente é de R$ 1,8 mil, praticamente um terço da média de um recém-formado em qualquer outra profissão”.

 
 
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Ygor C.S.

Sem querer questionar a verdade de que os salários dos docentes é muito baixo, mas tem certeza de que a média dos profissionais recém-formados de outras profissões recebe mais que R$ 5 mil em média? Talvez só um punhado de profissões, pois tenho certeza de que os recém-formados, na média, não recebem mais que R$ 2.000. Advogados, por exemplo, tem uma média inicial de, talvez no máximo, R$ 1.500,00.

 
 
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rogerio marques

A professora e o técnico de futebol.

Desde tempos pré-diluvianos ouço falar nesse descompasso.

Eu já ouvi todas as soluções: desde salários triplicados até mudança do currículo na formação dos professores, duas indicações que concordo, mas, numa semana dessas vi uma reportagem com um técnico de futebol que aposentou e na mesma semana aposentou uma professora com mais de trinta anos de sala de aula. O técnico mostrou ao jornalista as medalhas, os troféus que conquistou, falou dos fracassos também. Mas ele mostrou que com a formação em educação física teve uma carreira vitoriosa. Tinha orgulho dela. E a professora. Aposentou: agora estou em paz, disse. Pegou todos os cursos que fez, passava de 50. Juntou tudo e disse para a filha:  "isso não me serve para mais nada". Foi ao quintal despejou alcool e tacou fogo. Não havia orgulho algum nos trinta anos de docência. Não sentiu que havia nada para comemorar. Aqueles cursos de pró-letramento, pós-graduação, especialização, não tinha nenhum sabor de uma medalha do técnico. Essa professora, não foi uma péssima professora, foi ótima. Tão boa que quem me contou isso foi sua filha, professora também.

 
 
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Marcio TT

Bom dia

 

Minha irmã está contando os dias para se aposentar. Ela é professora universitária e trabalha com a formação de professores. Está decepcionada com os rumos da educação brasileira, com a ligeireza na formação teórica e prática dos alunos que irão assumir depois da graduação uma sala de aula. Ela, uma marxista, que acredita que a educação não está somente nas escolas mas é prática de toda a sociedade teve o desprazer de ver teorias outras que defendem o fim da teoria em sala de aula, com a justificativa de que o aluno não precisa conhecer teoria da história, mas apenas ser um bom técnico. Não queimará o que restar de 30 anos de trabalho, vai doar seus livros para a biblioteca da cidade, mas não pretende nunca mais voltar a exercer a profissão e nem lembrar que um dia foi professora. esse desapontamento não se refere apenas à sala de aula e aos conteíudos da época, mas principalmente ao descaso do governo estadual, sucessivos ao longo do tempo, que vê o professor como um nada, somente lembrado em anos eleitorais. Sem investimentos mais responsáveis, sem projeto para o futuro, as universidades públicas definham ao sabor dos interesses políticos e empresariais.

 
 
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drigoeira

"O volume de recursos destinado à educação básica triplicou entre 2000 e 2009, passando de R$ 808 por ano, por aluno, para R$ 2,9 mil."
Primeiro tem que ver como é esta conta, misturar gasto de custeio junto com investimento, também é uma insanidade deste levantamento.
Perde-se muito tempo discutindo e tentando resolver o problema do Brasil como um todo. Escolha um estado, o mais atrasado por exemplo, e use o modelo de ensino da Coreia do Sul por vinte anos, somente para ver se o país consegue suportar uma qualidade de ensino de alto nível, aí depois transfere o que deu certo estado por estado.
O país é grande demais para suportar uma mudança radical como foi feita na Coreia ou China.

 
 
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Filipe Rodrigues

Esses são países onde a educação é muito espartana, o Brasil tem que encontrar seu modelo, o que não é difícil.

 
 
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drigoeira

O Brasil tem o modelo "molengão", vê se dá certo.
Não coloco meu filho aí, de jeito nenhum.
Tem o modelo do Coluni/UFV, mas vai ver como é o sistema de cobrança lá, além de estar dentro de uma universidade. É um sistema de internato e semi-internato, fica o dia inteiro na universidade. Tem as escolas militares, as técnico agropecuárias. Aí é gestão Federal né.

 
 
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Leonardo Vieira

"O país é grande demais para suportar uma mudança radical como foi feita na Coreia ou China."


A China é bem maior que o Brasil, não?

 
 
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Erick M

Drigoeira, a China é bem maior que o Brasil, ainda com grande população rural e gasta menor porcentagem do PIB e faz uma revolução na educação. Xangai já ultrapassou a Finlândia.

Financeiramente, os gastos com educação sempre são custeio, permanentes ou temporários . Sob uma ótica de política econômica de longo prazo é que se fala em investimento em educação.

 

Erick

 
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drigoeira

Sabia que vcs iriam me cobrar sobre o tamanho entre os dois países, contudo o Brasil não está acostumado com uma ação integrada em seu território nacional.
Lembrando que as campanhas de vacinação e provas do Enem, não mobilizam tanto como uma ação nas escolas em todo o país.
O programa Chinês é, ou era, um tanto ortodoxo, contudo eles estão colhendo os frutos agora.
Uma ação desta magnitude no país, iria contar somente com metade dos servidores públicos envolvidos, porque outra metade está toda comprometida (funcionário público padrão brasileiro).

 
 
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Erick M

A China é uma ditadura fechada, o que facilita a implementação de programa de governo. Além do mais, o sentimento nacionalista é muito forte.  Dizer a um chinês que algo é para o bem do seu País significa muito.

Isso não significa, obviamente, que em democracias não seja possível uma revolução educacional, tal como aconteceu nos demais países asiáticos e Chile, menores que o Brasil, de fato, mas que não me parece ser esse nosso problema, até porque nossa população já é amplamente urbana. O fato é que, pelo menos eu não conheço, nenhum País que tenha ficado rico e, depois, oferecido educação de qualidade, seja de pequenas ou grandes dimensões. O caminho é necessariamente o inverso.

 

Erick

 
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FPD

Tópico interessante. Por coincidência, assisti a um documentário ontem sobre a crise na educação, só que nos Estados Unidos (Waiting for Superman). Percebi pelo filme que há várias semelhanças entre aqui e lá, por exemplo a falta de valorização da profissão de docência, que gera o desprezo pelos professores bons e protege os professores ruins, por falta de opção. O problema é que (tanto aqui quanto lá) qualquer sugestão de avaliação dos professores cai no lugar comum de perseguição, desnivelamento salarial, punição, tucanagem etc. Claro que a briga política entre municípios x estados x Estado para ver quem gerencia a educação não favorece em nada. De nada adianta promover um PNE se cada um está de olho a sua PPE (Propaganda para as Próximas Eleições). Como também de nada adianta investir em NÚMEROS sem o menor controle da QUALIDADE.

 

FPD

 
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Allan Patrick

A conclusão a que chega o subtítulo da reportagem é falsa. Triplicar o valor nominal em 2009 com base no valor de 2000 não representa muita coisa. No mesmo período o salário mínimo mais do que triplicou, tal como diversos outros custos (energia elétrica, para dar um exemplo). Portanto, em termos reais, é errada a conclusão de que os recursos para educação "triplicaram".

 

--- Natal-RN

 
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drigoeira

Isto mesmo Allan.
Mensagem subliminar no texto. Pura maldade.
Quem o lê rapidamente, chega a conclusão que aumento de gasto não resolve nada.
É o PIG atuando, fazendo a cabeça do povo.

 
 
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Jaime Balbino

Não vejo sentido "indexar" o gasto por aluno ao saláio mínimo. Com a inflação faz sentido, mas o investimento no aluno não tem nada a ver com salário (remuneração do professor não entra nessa conta).

Quando foi instituído o Piso Nacional do professor ele já começou valendo mais do que "2 mḿinos", sendo que em muitos estados e municípios o professor ganhava menos da metade o salário mínimo oficial. De lá para cá os rejustes desse Piso Nacional sempre foram maiores do que a inflação e acima do mínimo oficial.

Esse é um tipo de comparação com o salário mínimo que dá para fazer.

Agora, comparar uma política intencional de recomposição do poder aquisitivo via salário mínimo com outra política completamente diversa de ampliação do investimento na educação não tem coerência alguma.

 
 
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Allan Patrick

Caro Jaime, num número expressivo de municípios Brasil afora, os professores ainda recebem salário mínimo (apesar da luta por alcançar o patamar mínimo nacional da categoria). Mas escolas não se fazem apenas com professores, mas com merendeiras, vigilantes, pessoal de limpeza, etc., todos com salários mais ou menos vinculados ao mínimo.

 

--- Natal-RN

 
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Jaime Balbino

Sim, muitos professores (diria a maioria) não recebeo piso nacional. Foi inegável o esforço do MEC para fazer valer o piso e 30% da carga horária para os tempos pedagógicos. Mesmo porque os programas de formação continuada do próprio MEC dependem de estímulos ao professor via secretarias estaduais.

A briga com os governadores chegou ao STF que... a empatou em 5 x 5, esvaziando os argumentos do MEC em benefício de uma suposta autonomia dos estados e municípios para definir salários e carga horária.

Assim fica realmente difícil melhorar a educação.

Mas sua argumentação quer indexar o mínimo ao gasto por aluno. Nesse ponto discordo da compração.

 
 
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Erick M

Só uma correção, Jaime. O STF considerou constitucional a lei do Piso, por 8 votos a 1.

O empate foi referente ao dispositivo que fixa 1/3 para atividades fora de sala de aula. Como empatou, a norma foi considerada constitucional (os governadores queriam sua inconstitucionalidade).

Realmente, o MEC não pode obrigar estados e Municípios ao cumprimento. Mas, dado o impacto orçamentário, deveria dar uma ajuda financeira de verdade - diferente daquela pífia prevista na lei -, pelo menos nesses anos iniciais.

 

Erick

 
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Jaime Balbino

Agradeço a correção. Você tem toda razão. Mas senti que o empate de 5 x 5 frustou as as ações do MEC em cobrar o cumprimento do piso e da carga horária. Acho que o MEC esperava uma vitória completa no STF para começar a cobrar de verdade essa lei.

Sobre a complementação do MEC, ela também está prevista no Piso Nacional exatamente para que os governos locais não reclamassem. Porém nem para ter essa verba extra eles se mexeram, pelo contrário, reclamam do piso e principalmente dos seus reajustes.

 
 
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Erick M

Allan, o salário mínimo não é índice de inflação. Talvez a matéria fosse melhor se falasse do aumento real de 2000 a 2009 que foi de 56%. A matéria poderia, também, ser mais abragente - até para não cair no partidarismo - e observar que o valor mínimo por aluno, desde a criação do Fundef, em 1997 até 2012, é de 100%.

 

Erick

 
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rogerio marques

Eu não sei se mais recursos vai resolver o problema, eu quero que resolva. Mas vamos comparar os emergentes. A India com 1 bilhão de habitantes o orçamento anual para educação deste ano é de 20 bilhões. O Brasil com 200 milhões de habitantes o orçamento deste ano é de 80 bilhões. Lá, sem dúvida, falta dinheiro, aqui não falta. É só consultar o Simec Painel Mec dos municípios para observar isso. Ali estão os dados.

 
 
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Allan Patrick

Comparar valores nominais não tem grande representatividade. O poder de paridade de compra dos dois países é muito diferente.

 

--- Natal-RN

 
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Jaime Balbino

No Brasil, a questão não é dinheiro, realmente. Com os 80 bilhões de reais anuais, a definição de gasto mínimo para estados e municípios, além de uma linha de financiamento permanente via FUNDEF (créditos merecidos a FHC, via Bid), dá para planejar e financiar a educação brasileira.

O que falta são duas coisas: O cumprimento da lei honestamente pelos estados e municípios, principalmente. E PROJETOS NOVOS que usem bem esse dinheiro.

Fala-se em financiamento de 10% do PIB, mas NÃO EXISTEM PROJETOS sérios para gastar esse dinheiro.

Sendo assim, R$ 80 bilhões anuais está de bom tamanho.

 
 
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Erick M

Perfeito, Jorge. Não falaria nem em projetos novos, mas em projetos básicos, como controle eletrônico da presença, avaliação frequente etc.

 

Erick

 
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drigoeira

Isto Jaime falou tudo.
Para corrigir se o problema é dinheiro ou não, minha sugestão de adotar um estado (o Alagoas que é pequeno), usá-lo como "incubadora da educação de alta qualidade" por uns vinte anos, resolveria o problema, sim.
A partir daí os gestores educacionais dos outros estados poderiam usufruir dos resultados positivos.
Outra coisa, pra mim escola de qualidade não fica somente no beabá das disciplinas obrigatórias, tem que ter aulas de artes, esportes, pesquisas. Deste modo somente escolas em tempo integral para absorver estes conteúdos.
Brizola tentou implantar um sistema como este no Rio de Janeiro.
Por isto digo que tem que ser um projeto nacional e blindado das ações de outros governos.

 
 
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Klaus

Collor copiou com os CIACs que depois com Itamar passaram a ser denominados CAICs. Trabalhei na construção dessas escolas aqui em Brasília. Hoje em dia são poucas as que fucionam integralmente.

 
 
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Avelino

Caro Nassif

Então está havendo algum gargalo, pois em SP, o magistério não teve seu salário triplicado.

Será que o Portal da Transparência  tucana explica?!

Saudações

 
 
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glau

Que bom que pelo menos o entrevistado é um professor, dessa vez.

Tornar a carreira do professor mais atrativa é um bom começo. Veja bem, começo. Mas aí vem o Gov de Minas e nao paga o Piso Nacional pros professores do estado e alega que paga (mas nao paga), ou seja, até agora não está funcionando a estratégia federal. Será o caso de criar mais mecanismos para monitorar a atuação dos estados e municípios? Pode ser, mas como?  

Ainda sobre o salário, se por um lado aumentar o salário do professor tornaria (é uma hipotese) a carreira mais atrativa, por outro há que se pensar tambem na criacao de estratégias de promoção na carreira nao so baseando-se no critério temporal, mas no mérito (como em muitas outras carreiras publicas, como a dos diplomatas, por exemplo, que para se tornarem ministros (as) fazem uma tese e defendem)

 Além do professor, há a estrutura: bilbioteca, livros, pontos importantes citados na entrevista, que nao é satisfatória.  Não se sabe se o problema é má-administração de recursos ou a falta dele. 

Além da adminstracao da secreteria do governo ou municipio tem a das próprias escolas, que também nao há uma diretriz muito clara de como deve ser gerida e por quem (se é professor ou funcionario selecionado em concurso específico para o cargo, em SP se faz isso, eu acho).

Sem contar que cada escola tem suas necessidades e particularidades.

Acho que o assunto é complicado demais pra falar que se falar em solucao UNICA a altura do problema. 

 

 

 
 

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