Editoriais: Quem levará o "Panfletão do Ano"?

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Ler editoriais era para poucos. Mas, há até alguns anos, os apreciadores de editorais, mesmo que não concordassem com a opinião do veículo, tinham pelo menos o prazer de se deparar com um vocabulário mais rico, um estilo mais refinado, uma argumentação mais precisa. Os grandes jornais brasileiros se diferenciavam dos panfletos partidários, de associações, de facções seja do que for, pelo primor estilístico.

Hoje, para citar apenas três jornalões, Estadão e Globo principalmente, e por vezes a Folha, não fazem questão de esmero textual, nem da admiração do leitor mais exigente e qualificado.

Repetem o linguajar agressivo e chulo dos pasquins do século XIX, ou dos frequentadores mais fanáticos dos seus portais, sem perceberem que o editorial ainda é a imagem do jornal enquanto instituição.

Aliás, a agressividade nem sempre foi sinônimo de pobreza textual. Até hoje há admiradores, mesmo entre os mais progressistas, dos textos de Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro. Admiradores da escrita, do estilo, da capacidade de brilhar com as palavras.

Diferentemente, temos hoje exemplos como o editorial do Estadão abaixo transcrito: agressividade sem brilho, puro panfleto.

Observem a repetição de palavras na maioria dos parágrafos (repetições por deficiência vocabular e não pela busca do efeito literário), as frases em cascata, o uso demasiado de intercaladas quebrando o ritmo do período, e o seguinte nonsense: no lugar de "...a imagem pública que...Dilma tenta construir", o autor opta por "a imagem que...Dilma tenta construir para si".

Textos cono estes são criticáveis não propriamente por manifestarem um despudorado engajamento partidário, o que todos já conhecem, mas pelo intuito, materializado em palavras apressadas, sem vergonha nem inibição, de agredir, de forma chula, os adversários daquelas facções com as quais estes jornais mantêm afinidades, suspeitosamente, eletivas.

Poderíamos atribuir um prêmio anual ao pior editorial com o troféu Panfletão do Ano. O que acham?

O transcrito abaixo já é um bom candidato.

  

Corrupção e incompetência
O Estado de S.Paulo (01/02/2012)

O tempo está sendo implacável com a imagem que arduamente a presidente Dilma Rousseff tenta construir para si - como fez durante a campanha eleitoral de 2010, com a inestimável colaboração de seu patrono político, o ex-presidente Lula -, de administradora capaz, tecnicamente competente e defensora da lisura e da moralidade dos atos públicos. É cada vez mais claro que tudo não passa da construção de uma personagem de feitio exclusivamente eleitoral.

As trocas de ministros no primeiro ano de mandato por suspeitas de irregularidades são a face mais visível dos malefícios de um governo baseado não na competência de seus integrantes - como seria de esperar da equipe de uma gestora eficiente dos recursos públicos -, mas em acordos de conveniência político-partidárias que levaram ao loteamento dos principais postos da administração federal. O resultado não poderia ser diferente do que revelam os fatos que vão chegando ao conhecimento do público.

A amostra mais recente dos prejuízos que essa forma de montar equipes e administrar a coisa pública pode causar ao erário é o contrato assinado em 2010 pelo Ministério do Esporte com a Fundação Instituto de Administração (FIA) para a criação de uma estatal natimorta. O caso, relatado pelos repórteres do Estado Fábio Fabrini e Iuri Dantas (30/1), espanta pelo valor gasto para que rigorosamente nada fosse feito de prático e porque o contrato não tinha nenhuma utilidade.

A FIA foi contratada para ajudar na constituição da Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016, legalmente constituída em agosto de 2010 para executar projetos ligados à Olimpíada de 2016. De acordo com o contrato, a FIA deveria "apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividade da estatal". A empresa não chegou a ser constituída formalmente - não foi inscrita no CNPJ nem teve sede, diretoria ou empregados -, pois, em agosto do ano passado, foi incluída no Programa Nacional de Desestatização, para ser liquidada. E por que, apenas um ano depois de a constituir, o governo decidiu extingui-la? Porque ela não tinha nenhuma função. Mesmo assim, a fundação contratada recebeu quase R$ 5 milhões - uma parte, aliás, paga depois de o governo ter decidido extinguir a empresa, cuja criação fora objeto do contrato com a FIA.

Em sua defesa, o Ministério do Esporte afirma que a contratação se baseou na legislação. É risível, no entanto, a alegação de que "os estudos subsidiaram decisões, sugeriram alternativas para contribuir com os debates que ocorreram nos governos federal, estadual e municipal e deram apoio aos gestores dos três entes para a tomada de decisões mais adequadas".

Mas tem mais. Pela leitura da mesma edição do Estado em que saiu a história acima, o público fica sabendo que, de 10 contratos na área de habitação popular firmados pela União com Estados e municípios, 7 não saíram do papel. Pode-se alegar, como fez a responsável pela área de habitação do Ministério das Cidades, que alguns Estados e prefeituras não estavam tecnicamente capacitados para executar as obras ou realizar as licitações previstas nos contratos de repasse de verbas federais. Isso significa que o governo federal se comprometeu, por contrato, a transferir recursos a quem não estava em condições de utilizá-los adequadamente, o que mostra no mínimo falta de critério.

Além disso, o programa que assegurou boa parte dos votos da candidata do PT em 2010, o Minha Casa, Minha Vida, sobre o qual Dilma falou maravilhas, na Bahia, antes de partir para Cuba, praticamente não saiu do papel no ano passado, e continuará parado em 2012, se não for mudado em alguns aspectos essenciais, alertam empresários do setor de construção civil.

E muitos outros programas considerados prioritários pelo governo Dilma se arrastam. Os investimentos efetivos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), outra grande fonte de votos para Dilma em 2010, são bem inferiores aos programados, e boa parte se refere a contratos assinados em exercícios passados.

O problema não é novo. A má qualidade da gestão é marca da administração do PT. E Dilma tem tudo a ver com isso, pois desempenha papel central nessa administração desde 2003.

 

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18 comentários
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Ivan Moraes
 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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ali hosni

Pelo jeito, todos nós, contribuintes.

Só quem se deu bem foi o Orlandão.

 

ali

 
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josé adailton
 
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Remindo Sauim

Até agora o tempo consagrou o Lula e frá o mesmo com a Dilma. Báh, como está por fora este editorialista.  Para agradar o patrão escrevem qualquer besteira, e como não assinam escapam da exposição pública ao ridículo.

 
 
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marcelo

daqui a pouco o estdão estará sendo distribuido "de grátis" nas saídas das igrejas.

 
 
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ed.

Já ganhei vários de "degustação" e é comum distribuirem em alguns postos de gasolina.

Minha vizinha gosta, pois tem 2 gatinhos...

 
 
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Marcelo Neto

A "baba" do Estadão e do Globo é mai fácil de ler já a Folha acho sinistra. Ali hosni se é o Orlando Silva que estou pensando digo que é boi rufião, o boi do qual se faz um desvio no canal do pinto, ele monta na vaca mas o troço sai de revesguete - é neste momento que o reprodutor sai do estábulo, no caso a "vaca" são os milhões deviados e os reprodutores segredários.

 
 
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João Aguiar

não duvide que aparece um pior.

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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João Maria Fernandes de Sousa

Nassif, vejo de outra forma; na minha modesta opinião (já que não sou especialista em psicologia ou linguística) esse uso de palavras chulas somadas à agressividade ("llulopetismo", "aparelhamento petista", "corrupção desenfreada", "opção preferencial por regimes totalitários", etc) tem também o intúito de tornar mais coeso e fiel seus (ainda) milhões de leitores e seguidores. O editorial, para um leitor assíduo e cegamente crédulo de O Globo, por ex, é um momento de catarse completa, é quando ele vê reproduzida na opinião do jornal as palavras e expressões que ele mesmo usa quando se aventura a opinar nas "cartas dos leitores"... pra mim é também uma inflexão: a big-press adotou em peso o efeito manada nos editoriais, e no caso está usando e abusando das técnicas de invasão não autorizada do inconsciente de seus ávidos consumidores para sacramentar cada vez mais o "corpo teórico" da massa-cheirosa (5%, 9%, 15% da população politicamente ativa do Brasil, não sabemos ao certo) do exército que marcha contra o Governo Federal desde o 1° de Janeiro de 2003.

 
 
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urbano

O mais dificil nessa premiação sera o juri conseguir chegar ate o final da leitura de um unico desses editoriais. Eu desisti  no segundo parágrafo mas os profissionais estão acostumados a tapar o nariz e seguir em frente. Eu imagino!

 
 
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rique

Que tal, "LuloVarguismo",ou," LuloJanguismo",DilmoLulismo,Lulodilmismo,Lulocastrismo,Lulochavismo, é a derradeira  tentativa. Gostei mesmo foi da alusão  ao "Estadão", nos seus primórdios, como anunciante   de venda e compra de escravos.Combina   bem  com "espirito de   32",de que tanto   se orgulham. Há uma decadencia  visivel, um estertor ou  como     aludia  , Nelson Rodrigues:" arrancos de   cachorro atropelado".

 

rique

 
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felipe3

Acho assustador que esses tres jornais mais a Ed Abril tenham tanto poder na politica nacional.

Nao sao mais os partidos de oposicao que usam a grande imprensa. É essa grande imprensa que controla os partidos de oposicao. Ela publica e a oposição repete. Ela acusa e a oposiçao sai atacando. Ela se cala e a oposicao some. Os ataque que vemos (como esse editorial) nao partiu de alguma estrategia do comando do PSDB com os editores do jornal. Ela partiu do jornal. Amanha o editorial sera lido por algum deputado na tribuna (como planejado pelo estadao). e , no dia seguinte, o jornal publicara uma materia sobre a repercursao do editorial.

E o pior: os lideres da oposicao SOMENTE criticam o governo APOS alguma materia pauta-los. Se  nao sai nada no jornal, eles ficam sem assunto. Nada de investigar, sugerir melhorias, propor alternativas, criticar algo que antes nao pessou pelas prensas. A oposição esta acomodada e parou de pensar. Ou, assim como fez quando governava, terceirizou o seu pensamento e planejamento.

o maior culpado pelo declinio dos partidos de direita nao foi o governo Lula. Foram esses jornais, que na esfera federal, transformaram os lideres do PSDB em garotos de recados. E o PSDB so aceita isso pq esses jornais ainda governam Sao Paulo.

 
 
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Luis Fraga

"O problema não é novo. A má qualidade da gestão é marca da administração do PT. E Dilma tem tudo a ver com isso, pois desempenha papel central nessa administração desde 2003."

Legal! Boa qualidade de gestão seria a do canditato do jornalão derrotado nas ultimas eleições, né..... ?

Os caras pensam que escrevem para imbecis e mal informados. ...Ah! é verdade, quem vai ler são os leitores do Estadão, sedentos de críticas ao PT eao governo federal...devem gostar.

 

"Tudo que é demais, é muito meu filho" - Uma senhora muito velhinha do interior de Goias.

 
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Juliano Santos

Para o pig a gestão do PT é de má qualidade porque não dá porrada em preto e pobre o suficiente.

"Jestão" boa é a dos tucanos paulistas onde não falta cassetete no lombo da gentalha!

Weden, a idéia é boa, mas eu não posso fazer parte do júri do trófeu "panfletão". Não lia editorial do pig nem quando era bem escrito, agora então..

 

Juliano Santos

 
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Maria Luisa

 De fato os editorais perderam muito do brilho e do peso que tinham outrora. Talvez, e por isso mesmo, os editores tentam, com a pena cada vez mais torta, conter o rebanho (ainda) fiel; sabendo-se que Dilma Rousseff tem altos indices de popularidade e muita gente ja se deu conta de que o PT sabe, e muito bem, administrar.

 
 
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Thiagol

Gente, esse que escrveu o editorial nem no ENEM passa... Pobre leitores do jornal...

 
 
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isaac

Se os jornais já são panfretos imagine os editoriais.

 
 
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estevo pinto

 

O Premio poderia ser um divã em miniatura. A cegueira dos ditos editoriais encontra explicaçoes no estudo das patologias mentais. Subcultura.

 

 
 

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