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'Economist' pede leis duras contra racismo no BrasilEnviado por luisnassif, sab, 28/01/2012 - 07:32
Por Zero
Do Terra A revista britânica The Economist defende a introdução de leis mais duras no Brasil para combater o racismo. Em uma reportagem sobre o racismo e a situação dos negros no País, a revista diz que "a questão que o Brasil enfrenta hoje é se o melhor jeito de retificar o legado escravocrata é dar direitos extras aos negros e mulatos". Segundo a Economist, essa opção, defendida pelo governo e por ativistas, é válida, mas traz riscos, como a promoção das políticas de divisão racial. "Uma combinação de leis mais duras contra o racismo e cotas para a educação superior para compensar o fraco sistema público educacional pode ser uma melhor opção", afirma a revista. Raízes A revista cita números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que comprovam essa desigualdade, como o fato de mais de metade dos moradores de favelas cariocas serem negros, enquanto em bairros mais ricos, esse percentual não passa de 7%. A questão da classe no Brasil também é tratada pela Economist, que afirma que os brasileiros argumentam há muito tempo que os negros são pobres somente porque estão na base da pirâmide social - em outras palavras, que a sociedade no País é estratificada por classe e não por raça. Cotas Além da manutenção do sistema de cotas em universidades, segundo a Economist, discute-se a introdução de políticas de contratação levando em conta a diversidade racial. Já opositores a esse tipo de medidas afirmam que a história das relações raciais no País é muito diferente da americana e que esse tipo de política apenas criaria novos problemas raciais. "Importar o estilo americano de ações afirmativas cria o risco de forçar os brasileiros a se colocarem em categorias estritamente raciais, em vez de em alguma categoria diferente", diz a publicação, citando o antropólogo britânico naturalizado brasileiro Peter Fry.
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Comentários + votados
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Sergio Saraiva
28/01/2012 - 07:45
Deixa ver se eu entendi:
tem uma publicação britânica tentando discutir o racismo no Brasil?
É isso? Os europeus têm alguma lição a nos ensinar sobre esse tema?
Não, não há um só país no mundo que...
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Claudio Almeida
28/01/2012 - 07:59
Inglês pedindo ao Brasil lei contra racismo ? Só pode ser de sacanagem. Os caras são xenófobos até a alma, odeiam imigrantes, principalmente os negros e mandam uma dessa ? A família de...
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C. Acácio
28/01/2012 - 09:53
Virou rotina a Economist dar lições de comportamento ao Brasil. Agora que ficaram para trás deve piorar , vão tirar o recalque nos dando conselhos civilizatórios com aquele ar de nobreza decadente.
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Alexandre Furtado2
28/01/2012 - 10:29
Quais são as leis anti racismo da Inglaterra? Alguém do "the economist" pode responder?
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Weden
28/01/2012 - 10:34
O artigo do The Economist sobre a frágil criminalização do racismo no Brasil já é um indício importante de que o mundo começa a desconfiar de que o país é negligente em relação a esta questão...
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Alexandre Weber - Santos -SP
28/01/2012 - 11:32
Têm um filosofo Inglês que faleceu recentente, Sir Michael Dummet, que era patrono número um das causas raciais. O assunto sobre escravidão voltou à ordém do dia por lá, tema que considero super...
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Luena Nascimento Nunes Pereira
28/01/2012 - 11:56
Parabéns Weden, mais uma vez, pela precisão do debate.
Continuamos a achar que miscigenação é índice de tolerância racial! É incrível! É o mesmo que achar que o o fato de homens e mulheres casarem-se...
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Fuhgeddaboudit™
28/01/2012 - 13:07
Estou longe de ser um admirador da nobreza inglesa, mas, este cidadão nascido na Jamaica, Sir Willard White,bass-baritone (como "Mephistopheles"), recebeu essas honrarias da Rainha da Inglaterra...
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Cristiano Torres
28/01/2012 - 15:01
Weden, Luena e Mariana, parabéns pelos textos. Gosto do Blog, mas quando o assunto é racismo, já me preocupo, me assusto, antes de ler, tamanha a quantidade de opiniões equívocas que aqui leio.
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Luena Nascimento Nunes Pereira
28/01/2012 - 18:24
Eu sempre tremo quando há post sobre racismo aqui. Em geral leio opiniões dignas do site do Globo e Folha. Não todas, claro, mas no aspecto racismo, neste blog, a maioria dos leitores tem posições na...
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Sebastião Simões
28/01/2012 - 19:13
Parabéns Weden!
Nesta quarta fase acredito como fundamental as políticas afirmativas, faltou tua opinião sobre isso.
Quem pensa que qualquer opinião externa é bobagem, muitas vezes usa o...
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alexis
28/01/2012 - 07:42
Os EUA não são nenhum exemplo neste assunto. Trata-se do lugar onde mais imiscíveis são as raças.
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Rei
28/01/2012 - 09:23
Brasil, uma republica fundamentalista cristã, racista e homofobica
(é, hoje eu não tô bão!)
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Leandro Pereira
28/01/2012 - 11:02
Esse artígo ridículo não é evidÊncia de desconfiança internacional nenhuma. Somos um dos países mais tolerantes do mundo em relação as diferenças de cor, religião, gÊnero, etc. A unica coisa que...
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leonidas
28/01/2012 - 11:21
Devido ao grau de miscigenaçao a maioria esmagadora do racismo ocorre entre negros de diferentes fenotipos
A Inglaterra como qualquer outra naçao naõ tem nada a acrescentar ao debate dessa natureza...
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Reginaldo Gomes
28/01/2012 - 11:48
NAZISTAS britânicos falando de RACISMO no BRASIL????? Dá até pra rir de uma dessa!!! Que esxista um HORENDO e NOCIVO racismo no Brasil até o mundo mineral sabe, mas, o genocida inglês NÃO tem...
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Sergio Saraiva
28/01/2012 - 11:51
Belo texto Waden, mas creio que vai desagradar alguns neste blog.
O racismo é um fenômeno social nas palavras de Mandela : "as crianças não nascem racistas, as crianças apredem a ser racistas". Ele,...
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O Ali Kamel vai protestar veementemente.
Mahabatara
Os EUA não são nenhum exemplo neste assunto. Trata-se do lugar onde mais imiscíveis são as raças.
Deixa ver se eu entendi:
tem uma publicação britânica tentando discutir o racismo no Brasil?
É isso? Os europeus têm alguma lição a nos ensinar sobre esse tema?
Não, não há um só país no mundo que tenha algo a nos ensinar sobre esse assunto.
Só nós podemos resolver isso.
Permita-me discordar, Sérgio. Os EUA, que, ressalte-se, estão muito longes da perfeição, tem muito a nos ensinar.
Compare o Brasil de sempre, que praticamente não avançou na construção de uma democracia racial, com os EUA de 1960. Onde era melhor pra um negro viver? Sem pensar duas vezes: Brasil, sem qualquer histórico, desde a abolição, de segregacionismo racial.
Agora, compare esse mesmo Brasil com os EUA de 2011. O segragacionismo oficial foi abolido, há uma significativa classe média negra, a opinião pública não tolera o racismo e eles tem um Presidente negro. Apenas um simbolismo, você pode dizer, acertadamente. Mas quando poderemos nos dar ao luxo de um simbolismo desses? Não há, hoje, nenhum político negro proeminente, de modo que acho que vai demorar muito para tanto.
Como disse acima, os EUA estão muito longe da perfeição, especialmente em relação àqueles negros que não conseguiram ascender com as affirmative action, mas estão anos luz a nossa frente.
Erick
Inglês pedindo ao Brasil lei contra racismo ? Só pode ser de sacanagem. Os caras são xenófobos até a alma, odeiam imigrantes, principalmente os negros e mandam uma dessa ? A família de Jean Charles não merece ler essa notícia. Simplesmente desprezível.
Estou longe de ser um admirador da nobreza inglesa, mas, este cidadão nascido na Jamaica, Sir Willard White,bass-baritone (como "Mephistopheles"), recebeu essas honrarias da Rainha da Inglaterra: Wikipedia - "In 1995 he was awarded the CBE and he was made "Knight Bachelor in the Queen's Birthday Honours in 2004", assim como Sir. Elton John e a morena "Dame" Kiri Te Kanawa, nascida na Nova Zelandia.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Brasil, uma republica fundamentalista cristã, racista e homofobica
(é, hoje eu não tô bão!)
Virou rotina a Economist dar lições de comportamento ao Brasil. Agora que ficaram para trás deve piorar , vão tirar o recalque nos dando conselhos civilizatórios com aquele ar de nobreza decadente.
Quais são as leis anti racismo da Inglaterra? Alguém do "the economist" pode responder?
O artigo do The Economist sobre a frágil criminalização do racismo no Brasil já é um indício importante de que o mundo começa a desconfiar de que o país é negligente em relação a esta questão. Em outras palavras, não somente aqui dentro, mas também lá fora, a fantasia da democracia racial não se sustenta mais.
Já escrevemos sobre isso, mas não custa repassar a hipótese de que, em relação ao racismo, já vivemos três fases, e precisamos caminhar para a quarta.
A primeira foi a prática do racismo de Estado, durante a escravidão (e mesmo depois da Abolição), quando a discriminação e a violência eram "legitimadas em lei" (ainda que pese a redundância). Naquele momento, o tráfico e a exploração (econônmica, física, sexual) de crianças e mulheres, além dos próprios homens, era vista como natural à sociedade.
Tratar negros como mercadoria, ou tratar religiões afros como casos de polícia enquadram-se nesta etapa das relações raciais brasileiras. Pode-se dizer que esta fase está superada? De um modo geral, sim, mas há ainda traumáticos resquícios de ação discriminatória do Estado em relação aos negros, principalmente (vide a violência policial contra comunidades majoritariamente negras").
A segunda fase, acentuada na primeira metade do século XX, foi da extinção paulatina do racismo de estado (processo que ainda se completa), mas acompanhada de um fenômeno interessante: o da negação sistemática da existência do racismo no país. Como aquela pessoa que, constrangida com a doença, prefere escondê-la dos vizinhos. A negação também era uma maneira de manter o status quo, visto que assumir esta patologia social seria a forma mais imediata de começar a combatê-la.
Por mais que pareça surrealista (um país com passado escravagista transformar-se em democracia racial plena de um dia para outro), parte (minoritária) da opinião pública ainda vocaliza este discurso.
A terceira fase, já pós-60, foi o reconhecimento do racismo no Brasil. Demorou bastante e ainda hoje há quem duvide que exista (como algumas pessoas também duvidam que o homem foi à Lua). Os anos 90 foram importantíssimos, pois foi nesta década que a questão começou a ser discutida mais abertamente, e boa parte da opinião público abdiciou do silêncio constrangedor sobre a questão. Nos 30 anos precedentes (décadas de 60,70 e 80), a questão ganhou a academia, organizações sociais, mas não se expandiu até a opinião pública
A quarta fase está por vir e acredito que seja o legado deste século XXI: considerado como uma patologia social (portanto, não uma patologia do indivíduo, ou do "branco", ou do "negro"), e como crime, há forte resistência à punição dos atos de racismo. E isso tem a ver com uma terceira fase ainda resistente...
O Brasil entrará na quarta fase das relações raciais, quando virmos o país não ter vergonha de punir, seja com prisão, seja com prestações de serviço comunitários, seja com multas e indenizações, a depender da gravidade...não ter vergonha de punir aquele (independente da cor da pele, ou da origem social) que ousar cometer o crime do racismo.
A criminalização do racismo, letra quase-morta da lei, deve virar realidade, e deve ser vista pela sociedade como uma lei de proteção à cidadania e ao republicanismo.
Ao contrário do que pode pensar o senso comum, a condenação pelo crime de racismo não é uma forma de punir brancos. Há racismo também de negros contra negros, mestiços contra negros, brancos e mestiços, negros contra brancos... O racismo mutas vezes se esconde por trás de preconceitos regionais, estéticos, ou de classe e de religião.
E aí é a grande discussão do momento: como tratar judicialmente o crime de racismo "como crime". Porque, até hoje, esta criminalização vem sendo "escondida" por sentenças atenuantes, como a tipificação do racismo no máximo como injúria.
Há obstáculos para esta plena "criminalização do racismo". Uma delas, a prática muito comum na mídia de oferecer, de forma instantãnea, atenuantes para o crime do racismo. Não há uma denúncia de racismo, que não venha acompanhada de vozes em defesa do racista. Não do racismo. Mas tentativas de justificativas do ato. O caso do restaurante paulista foi bem sintomático: razões foram procuradas até no inconsciente daqueles que ofenderam o menino.
O país precisa entender que o racismo é "social", não um "desvio psicológico" de uns e outros, especificidade de uma classe ou outra, de uma etnia ou outra. Não devemos temer um "clima de acertos de conta" com a criminalização do racismo. Devemos considerá-la normal, uma prova de maturidade em nossa sociedade.
Diremos que, do ponto de vista jurídico, o medo da punição ao racismo coloca o país na pré-modernidade.
É hora de acertar os ponteiros.
Esse artígo ridículo não é evidÊncia de desconfiança internacional nenhuma. Somos um dos países mais tolerantes do mundo em relação as diferenças de cor, religião, gÊnero, etc. A unica coisa que esses britânicos estão pretendendo é desviar, a todo o custo e qualquer pretexto, o foco da opiniao publica deles sobre a propria crise que corroi a sua economia.
Não por acaso, esta semana foi divulgado que o PIB britânico teve a segunda retração trimestral em menos de um ano (http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/economia-britanica-se-contrai-02-no-ultimo-trimestre-de-2011.html)
Além disso, é bom lembrar que o Economist é um jornal representativo dos setores mais racistas e anti-progressistas britânicos, os mesmos que desrespeitam os negros abertamente, tal como no episódio recente das manifestações nos suburbios ingleses - em que uma apresentadora britânica, branca, desrespeitou, AO VIVO, um dos intelectuais negros de maior respeito no país, em um jornalistico da BBC!!
http://blogln.ning.com/forum/topics/a-li-o-de-mr-dowe-a-uma-jornalista-da-bbc?xg_source=activity
Moral da história: o que esses retrógrados conservadores e racistas do Economist têm a ensinar ao Brasil em matéria de racismo? NADA
Devido ao grau de miscigenaçao a maioria esmagadora do racismo ocorre entre negros de diferentes fenotipos
A Inglaterra como qualquer outra naçao naõ tem nada a acrescentar ao debate dessa natureza aqui em nosso pais.
Racismo é uma maldiçao, uma pena que muitos negros se deixam levar pelo canto de sereia de movimentos negros radicais e politizados que esploram sob encomenda essa insanidade aceitando inclusive a adotar o conceito apenas pq em tese poderia vir a beneficiar seus interesses.
Como vc ja teve oportunidade de ver , o Militão dá uma aula sobre essa visão " conveniente " por parte desses tais de um assunto sério demais para ser tratado por demagogos ideologicos associados com radicais...
leonidas
Belo texto Waden, mas creio que vai desagradar alguns neste blog.
O racismo é um fenômeno social nas palavras de Mandela : "as crianças não nascem racistas, as crianças apredem a ser racistas". Ele, um eterno otimista ainda acrescenta: "Se é possível ensiná-las a odiar, também é possível ensiná-las a amar".
Temo, no entanto, não ser tão simples assim. O ser humano me causa perplexidade, ao mesmo tempo que é um biófilo, ou seja, é capaz de se afeiçoar a tudo que é vivo, seja uma planta ou um passarinho, ao mesmo tempo que é capaz de acolher como da família um animal de outra espécie como um cachorro, parece ter uma inata e agressiva desconfiança pelos da sua espécie que lhes são diferentes. Daí para o racismo é um pulo.
Minha esperança é que esse mesmo homem incoerente é capaz de construções filosóficas grandiosas, cito uma das que procuro seguir como um guia:
"Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos."
É o artigo I da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ela é sábia, ela não diz que as pessoas são iguais. Somos diferentes em relação ao gênero, a cor, à capacidade física e intelectual. Somos diferentes em relação à nacionalidade, língua, orientação sexual e religiosa.
O que nos iguala é a liberdade, a dignidade e os direitos.
Parabéns Weden!
Nesta quarta fase acredito como fundamental as políticas afirmativas, faltou tua opinião sobre isso.
Quem pensa que qualquer opinião externa é bobagem, muitas vezes usa o nacionalismo como desculpa para se opor ao conteúdo da opinião.
SSBF
Têm um filosofo Inglês que faleceu recentente, Sir Michael Dummet, que era patrono número um das causas raciais. O assunto sobre escravidão voltou à ordém do dia por lá, tema que considero super importante, ainda mais quando os escravos (nós), como bem demonstra os lucros das montadoras estrangeiras, enviam sangue, suor e lágrimas diuturnamente para os açambarcadores, que se apropriaram de nossas riquezas através de um dinheiro fraudulento que não tem futuro.
Estou com a The Economist nesta aqui, que se discuta a escravidão moderna e se estabeleça seus limites, do jeito que está hoje, o Brasil e o seu povo só perdem.
Follow the money, follow the power.
NAZISTAS britânicos falando de RACISMO no BRASIL????? Dá até pra rir de uma dessa!!! Que esxista um HORENDO e NOCIVO racismo no Brasil até o mundo mineral sabe, mas, o genocida inglês NÃO tem autoridade para questionar NINGUÉM.
Gostaria de ser lembrado como um homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos. Amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas. Odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas.
Parabéns Weden, mais uma vez, pela precisão do debate.
Continuamos a achar que miscigenação é índice de tolerância racial! É incrível! É o mesmo que achar que o o fato de homens e mulheres casarem-se é índice de falta de machismo...
E aí, desqualificando os ingleses e o Economist (e pasmem, até a queda relativa do PIB britânico), continuamos a jogar nosso racismo para debaixo do tapete.
"Estrangeiros!, não metam o bedelho, nós mesmo resolvemos os nossos problemas com os nossos pretinhos. Eles são muito bem tratados aliás, dormimos com as pretinhas e damos empregos de baixo nível para eles de vez em quando. Eles são um pouco preguiçosos, por isso continuam pobres e ignorantes, mas nós gostamos muito deles, como também gostamos da religião deles, dos seus batuques e nos divertimos todos juntos no carnaval. Esses pretos radicais e barulhentos é que são os verdadeiros racistas desse país, são complexados e neuróticos e só atrapalham o nosso paraíso racial".
O Brasil quer porque ser europeu e, para ser europeu, quer esconder o negro debaixo do tapete. E o que é pior, esquece que este modelo de homem dominar homem foi trazido pelo próprio europeu. As elites brasileiras nunca viram o negro como ser humano. Tudo foi e é negado a ele: dignidade, justiça, honradez, sua crença. E, olha, falo isto com orientação religiosa protestante.
Pesquisando sobre a cultura nordestina, fiquei pensando, tentando voltar à minha mente a Salvador dos anos seiscentistas. Salvador, pela sua origem cultural, tem uma dualidade incrível: já que possui o maior conjunto arquitetônico barroco fora da Europa, pela riqueza de suas igrejas, a fim de que representasse uma época, é a mais europeia das cidades brasileiras, já que era a capital colonial.
Curiosamente, fiquei pensando nesta situação: a elite baiana indo à igreja carregada pelos negros, para não sujar seus pés e, estes, esperando nas escadarias, já que não podiam entrar. É de impressionar este cristianismo. Por outro lado, Vieira, na sacada da igreja, fazendo seu sermão e falando ao governo-geral sobre esta dualidade.
Enquanto isto, o negro sendo obrigado, no seu cotidiano, a aceitar uma religião que não era sua. Só encontrou uma maneira: adaptar a crença do seu senhor com a sua. Enquanto o baiano de origem europeia se curvava diante de homem. Se verificarmos o Palácio Tomé de Souza, seu teto é igual ao da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Uma demonstração clara da presença da Igreja com o Estado e, curiosamente, Vieira, do próprio clero, defendendo a presença do judeu na Bahia, ou melhor, no Brasil e defendendo um melhor tratamento ao negro.
Mas o erros e acertos ao longo desta história que o sangue do negro criou um rastro na Costa Africana, Atlântico até aqui, no Brasil, para com a força do seu suor erquer isto aqui, não há um um respeito, um reconhecimento. Deixaram-nos na ignorância secular para aniquilar a sua cultura, para fazer crer que eles não soubessem o que é ser livre. Mas a Revolta dos Malês e tantas outras revoltas na Bahia e no NE brasileiro, deixam claro que ele sempre quis ser livre e nunca se curvou diante do seu dominador. Quando se curvou, foi pelo chicote. É da sua cultura, assim como é do judeu e do próprio cristianismo na se curvarem diante de homens. Coisa que a igreja mudou, quando fez o católico se curvar diante do Papa e o próprio europeu se curvou, ao dissimular tudo isto aí em nome do seu próprio interesse.
O resultado de todos estes erros estão aí, o negro com o maior número de pessoas na marginalidade, com baixa escolaridade, preconceito e sua cultura sendo usada para inflar o turismo no carnaval de norte a sul do país. Mas a sua realidade não é permitida ser transformada. O curioso é que tentaram, mas a cultura dele permanece, quer mais negro do samba do Recôncavo que ganhou o país, quando trazido para o Rio, capital federal à época, pela negra baiana do acarajé, Tia Ciata? Pois é, origem negra e chamado de estilo genuinamente brasileiro. Mas a ele não é permitido ter dignidade.
Agora, quanto a Inglaterra querer dar lição de moral no pais, parece ser piada mesmo. Como se eles não tivessem se beneficiado com o tráfico negreiro
Parabéns, Weden. Tocou no ponto.
Weden, Luena e Mariana, parabéns pelos textos. Gosto do Blog, mas quando o assunto é racismo, já me preocupo, me assusto, antes de ler, tamanha a quantidade de opiniões equívocas que aqui leio.
Eu sempre tremo quando há post sobre racismo aqui. Em geral leio opiniões dignas do site do Globo e Folha. Não todas, claro, mas no aspecto racismo, neste blog, a maioria dos leitores tem posições na melhor das hipóteses superficial e desinformada, quando não reacionárias mesmo.
Muito bem! Este artigo da Economist poderia dar origem a uma série de estudos sobre a desigualdade social no Brasil e no Mundo. Temos muito o que aprender com os cavalheiros britânicos. Claro que, caso alguém seja contra a igualdade, já aprendi com a lição sofrida pelo povo Líbio, deve ser atacado e bombardeado sem descanso e sem clemência.
Obs.: Será que melhorar a educação pública gratuita não é uma política melhor do qu criar "cotas" para que pessoas menos capazes tenham preferência no acesso à universidade. A UFRJ lançou um programa de acesso com base na renda familiar do aluno e não na cor.
A Lei 7716/89, de fato, adota penas muito brandas, que, em sua grande maioria, são facilmente substituídas por restritivas de direito. Mas esse não é o principal problema, já que, na prática, nem mesmo essas são aplicadas.
Os principais problemas são dois. De um lado, salvo casos de repercussão, não há ação policial e judicial contra tais crimes. De outro, o legislador absurdamente trata a mais comum forma de racismo no Brasil, a injúria preconceituosa, como crime distinto do que considera como crime de racismo, em clara afronta à Constituição, retirando-se, pois, as características da inafiançabilidade e da imprescritibilidade.
Erick
Prezados,
Preciso dizer a ´The Economist´, as razões pelas quais não precisamos de privilégios de segregação de direitos raciais.
Sobre esse debate ofereço aqui a minha contribuição, imbuído do melhor propósito, o de apresentar argumentos e reflexões a favor do combate ao racismo no cotidiano. Principio criticando a tradução postada - e a maioria dos comentários - como sempre, os veículos de comunicações e os intelectuais brasileiros fazem o uso da linguagem racial ´negro´ e ´raça negra´sem qualquer preocupação com a legitimação do que expressam as palavras, conforme os lingüistas ensinam.
No original de toda a longa matéria da revista ´The Economist´-http://www.econom ist.com/node/21543494 - o texto se refere sempre a designação correta dos afro-brasileiro como humanos de cor - black or brown - porém, o establishement brasileiro (“grupo de indivíduos com poder e influência em determinada organização ou campo de atividade” capaz de impor uma nova “ordem ideológica, econômica, política e legal que constitui uma sociedade ou um Estado. Dicionário Houaiss, 2001), quer a todo custo, até da fidelidade literária nas traduções, como tem feito na literatura acadêmica, trocar a designação de humanos pretos, pela designação racista da ´raça negra´.
Porém, participo desse debate, antecipando razões que são radicalmente contrárias às teses racialistas sugeridas pela revista. Na Inglaterra existia uma Comissão de Igualdade Racial que foi extinta em 2006, para dar vez a um órgão independente de promoção e garantias da Igualdade e Direitos Humanos - The Equality and Human Rights Commission - o que faz muito mais sentido a quem não queira validar o conceito de raças diferentes. A igualdade que devemos buscar é a igualdade de tratamento e de diversidade, jamais a falaciosa igualdade ´racial´. http://www. equalityhumanrights. com/about-us/corporate-reporting/ .
Assim para o Brasil, tal como entende a Presidenta Dilma, basta um Ministério forte e abrangente, sob a liderança de uma personalidade pública indiscutível, do nível, por ex. do professor FÁBIO KONDER COMPARATO, instituindo Secretarias setoriais, cuidando cada uma do combate ao racismo, ao machismo, ao sexismo, à xenofobia, aos direitos das crianças, dos índios e dos idosos, todos, sob o mesmo manto e esforço pela dignidade humana e diversidade ´humana´ já que jamais poderemos almejar ´dignidades raciais´ como não haverá nunca igualdades ´raciais´. Se não há raças, não poderá haver igualdades raciais.
Primeira razão é que para fazer políticas de segregação racial, o estado precisará fazer, como tem feito as universidades, legitimar o conceito da ´raça negra´ que significa dar validade jurídica a essa designação dos pretos e pardos, afro-brasileiros ou índios descendentes, todos serão ´negros´ - uma classificação racial nascida no século 20 – já que a palavra ´negro´ não é sinônimo da cor preta da nossa pele, tal como ´branco´ não é uma ´raça´, mas a cor da pele branca, indo até as teses atuais das ´cotas raciais´, o apelido para a velha segregação de direitos raciais em políticas públicas, fórmula que onde tenha sido empregada somente produziu iniqüidades, tragédias, ódios, guerras e genocídios.
Ora, se repudiamos a classificação racial de ´arianos´ para os humanos da cor branca, devemos também repudiar a classificação racial contemporânea da ´raça negra´, pois ambas foram base nuclear da hierarquia contida na ideologia racista: uma raça superior, íntegra de humanidade; a outra raça base inferior, sub-humana, com as demais intermediárias. Por isso, a luta contra o racismo deve também cuidar com respeito à semântica e à construção etimológica das palavras e não utilizar, repetindo para o inconsciente coletivo, nenhum dos conceitos raciais da construção social do século 18, edificada para oprimir, servindo ao sistema econômico então vigente que foi base primária do sistema capitalista que conhecemos.
A palavra ´negro´, repita-se, não é sinônima da cor preta, tem a mesma raiz etimológica de negrume, necrotério, necrósia, significando conforme os dicionários da língua: “Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz.” Fernando Pessoa.
Como se vê, na maioria das construções não pode ser substituída pela palavra ´negro´ por preto, que a frase perde sentido, exatamente por não significarem a mesma coisa. ´Negro´ significa a raça dos humanos de pele escura, conforme quer o racismo. ´Preto´ é simplesmente a cor da melanina nos humanos. Aliás tem uma campanha racialista que desconhece a lógica da luta contra o racismo. Dizem as Ongs promotoras da campanha, afirmando exatamente o caráter racial de uma e sua ausência na outra: “ Preto é cor. A raça é negra.” . Outra frase em que o emprego de ´negro´ não tem relação com a cor preta. “ É provável que o Senado esteja passando pela mais grave crise de seus quase 200 anos de história. Muita gente fala em crise institucional, como se houvesse a chance iminente de fechamento do Senado ou de desaparecimento num buraco negro de ilegalidades, irregularidades e imoralidades. Folha de São Paulo, 26/06/2009
As expressões com a palavra ´negro´ tem sempre conotação negativa, relativa a sua raíz etmológica, mas nada tem a ver com a cor dos humanos de pele preta: lista negra; buraoc negro; magia negra; ovelha negra; nuvens negras; tempos negros; etc. Disputar a ´negra´ nos remete à violação da dignidade humana corrente na escravidão, em que, numa disputa de jogadores, o vencedor ganhava o direito de ir para a cama com a ´negra´, geralmente a escrava do perdedor.
Assim, que fique bem claro, a palavra ´negro´ é sinônimo de ´escravo´ em primeiro lugar utilizada para designar todos os que podiam ser escravizados, conforme a tese aristotélica da desigualdade natural. O conquistador ´superior´ tinha o direito de submeter à escravidão os povos inferiores: era a concepção do escravo por natureza sustentata por GINÉS DE SEPÚLVEDA no famoso Tribunal de Valladolid, em 1551/1552 com base em ´A Política´, cap. I e II, de Aristóteles. Portanto, os espanhóis foram os primeiros a usar "negros", que eram os índios, como escravos na América.
Por conseguinte, a partir do século 15 o primitivo sentido da palavra negro para humanos era designar os "escravos". Depois, no século 18, com o surgimento da ideologia do racismo, passou a designar a ´raça inferior´, com isso, legitimando o sistema escravista já vigente e ao mesmo tempo servindo à conferir uma lógica às teses do racismo. A ´raça negra´, a dos escravos, na base inferior. A ´raça ariana´ dos senhores, na parte superior da hierarquia racial. Por este motivo, a palavra é considerada ofensiva em diversos países africanos e da Diáspora, como nos Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto, ao invés de niger (negro).
Os fatos históricos comprovam o que todos sabemos: a presença dos afrodescendentes desde a colonização em bases no sistema escravocrata e sua cultura que, segundo Joaquim Nabuco, degradava o escravo e o senhor. Mais ainda, sabemos que o sistema colonial português se diferencia do anglo-saxão e mesmo do espanhol em que recebemos a escória lusitana e os aventureiros na busca da riqueza e não visando fazer a América. E ainda, a imensa quantidade de africanos aprisionados, seqüestrados, traficados para ser vendido como coisa, milhões foram simplesmente assassinados na travessia do atlântico, haviam sido destituídos da inteira humanidade ao mesmo tempo em que nascia a ideologia do racismo no século 18, foi uma trajetória de resistência, de violência, opressão e crueldade, socialmente conflituosa, parte significativa do maior crime de lesa-humanidade.
Devemos conhecer a história. O estado não pode sonegá-la na edificação de nossa trajetória para um ambiente social harmônico e com diversidade humana. Também não adianta, emoldurar e enaltecer as relações raciais históricas. Nem adianta amaldiçoar o passado para justificar a busca de reparações em bases de vingança histórica. O passado é passado, devemos conhecê-lo bem para que não cometam erros por desconhecimento.
Tal época, da degradação de senhores e de escravos, permeia profundamente a construção social e demográfica que conhecemos. O tipo de homens portugueses e seus costumes incivilizados são indícios do tratamento que receberiam os escravos a eles submetidos com poder de vida e morte.
Antes das objeções a políticas públicas de segregação de direitos, cabe uma visita a relatos históricos. No combate ao racismo não há espaço para o discurso da vitimização vinculado a uma reparação do passado longínquo, mas, para edificar a melhor política com vistas ao futuro, cabe conhecer relatos históricos merecedores de crédito, pois emitidos no calor dos acontecimentos, a quem tinha a missão científica de observar e coletar sabedoria nos acontecimentos e comportamentos.
DARWIN, passando pelo Brasil de fevereiro a julho de 1832, nos relata o encanto pelo novo mundo e o horror da escravidão e do nível do colonizador. (As cartas de Charles Darwin – Uma seleta, 1825-1859. Frederick Burkhardt.Ed.Unesp, 1998). Passando por Fernando de Noronha, em fevereiro ancora na Bahia. Ainda embarcado descreve seu encantamento com a beleza que avista em seu primeiro contato com terras tropicais. Após desembarcar, tal encanto fora quebrado pela realidade cruel da escravidão e expressou toda a sua indignação ao ver-se em um país que ainda abrigava “aquele escândalo para as nações cristãs, os escravos” que eram traficados ilegalmente da África. http://pergaminho-cientifico.blogspot.com/2008/ 03/charles-darwin-1809-1882-chega-bahia-ao. html
Em abril chega ao Rio de Janeiro. Fez uma breve viagem pelo interior, indo até Cabo Frio, onde registrou a rusticidade do colonizador e fatos da opressão e heróica resistência dos escravos. Passando por regiões escarpadas, em torno de onde escravos formaram quilombos, a que DARWIN se refere genericamente como refúgio. Dali reproduz um relato que diz ter ouvido de algum guia da viagem: “Um grupo de soldados teria sido enviado para recuperar esses fugitivos e todos se renderam, à exceção de uma mulher, já velha, que se atira contra as rochas.”. Ele faz, então, uma das observações que revelam sua profunda repulsão à escravidão que tem diante dos olhos: “Se praticado por uma matrona romana esse ato seria interpretado e difundido como amor à liberdade, mas da parte de uma pobre negra, se limitaram a dizer que não passou de um gesto bruto”. Sobre o colonizador, registra com pesar que os donos de pousadas “são pouco amáveis, quase sempre bruscos e suas próprias casas e seus parentes com freqüência estão descuidados e sujos. As hospedarias não têm facas, garfos ou colheres, o que o convence de que “seria difícil encontrar na Inglaterra, um abrigo, por mais pobre que fosse tão desprovido das coisas elementares”.
Sobre as condições humanas da escravidão, DARWIN nos relata um episódio pessoal constrangedor. Numa das saídas da fazenda, o grupo cruzava um rio, provavelmente, o rio Macaé, conduzido por um negro, quando uma cena pessoal profundamente constrangedora. O negro tinha alguma dificuldade de comunicação, o que fez com que ele tentasse comunicar-se por mímica e outros sinais. Num desses movimentos, conta ele, suas mãos passaram próximo ao rosto do homem, levando-o a acreditar que o jovem cientista estava enraivecido por alguma razão e iria golpeá-lo. “O negro abaixou imediatamente as mãos, semicerrou os olhos e dirigiu-lhe um olhar temeroso”. Darwin relata o seu profundo sentimento de surpresa, desconforto e vergonha que se apoderara dele e que jamais iria esquecer. Em julho seguiu viagem a Montevidéo no sul do continente. No retorno, contrariando os projetos de viagem, ventos contrário de agosto, o trouxeram de volta ao Brasil, ancorando em Recife. (obs. ´negro´ conforme original já que a palavra na época se refere à condição de ´escravo´).
DARWIN chegou logo após o tratado que proíbe o tráfico, de 1830 que autorizava a Inglaterra patrulhar a costa brasileira para reprimir o desembarque de africanos ilegalmente traficados. O Brasil teimava em descumprir o tratado, fazendo vigilância pró-forma acumpliciado aos crescentes negócios do tráfico. A expressão “para inglês ver” foi então cunhada e tinha curso entre autoridades, negociantes e políticos da época. Circunstancialmente, como observador da natureza animal e da espécie humana, filho de ativistas contra a escravidão na Inglaterra, conheceu na intimidade as piores faces do sistema vigente em grande escala no Brasil: tráfico ilegal realizado em condições abjetas com a tolerância do estado; afogamentos de centenas de transportados quando flagrados antes do desembarque, para impedir a apreensão do navio ou ainda para poupar os custos da obrigação de transporte e alimentação na volta para a África, no caso de apreensão de carga humana ilegal.
As cartas de DARWIN e o Diário de Beagle contêm algumas passagens que expressam a definitiva rejeição do cientista à escravidão. Indignado com o tratamento em geral dado aos escravos no Brasil e com o que assistiu nas casas, na rua e nos Pelourinhos, consignou: “Aos 19 de agosto, nós finalmente deixamos as costas do Brasil. Eu agradecia a Deus se nunca mais tivesse que visitar e pisar um país escravista. Até os dias de hoje, quando escuto um grito distante, recordo-me com dolorosa vividez dos sentimentos que tive passando por uma casa dos arredores de Pernambuco, escutei os mais terríveis gemidos, não podendo nada fazer além de desconfiar de que algum pobre escravo estava sendo torturado, sabendo ainda que eu me encontrava tão desprovido de poder quanto uma criança, para reagir à situação. Eu suspeito que aqueles lamentos vinham de um escravo torturado, isto porque fui informado que era este o caso em outra situação semelhante. Perto do Rio, eu vivia em frente a uma velha senhora, a qual possuía um torno (anjinho) para esmagar os dedos de suas escravas. Eu me hospedei em uma casa na qual um jovem pagem mulato, diariamente e a todas as horas, era insultado, espancado e perseguido tão brutalmente que, mesmo o animal mais vil teria tido seu espírito quebrado. Eu vi um menininho, de 6 ou 7 anos, ser – antes que eu pudesse intervir – por duas vezes espancado na cabeça nua por um chicote de montaria, por ter me oferecido um copo de água não perfeitamente limpo; eu vi seu pai tremer frente a um mero olhar do senhor...” http://www.drclas.harvard.edu/revistaweb/earthsky/discovery/ma chaadoportuguese
Portanto, temos um testemunho de apenas poucos dias, dois meses, de um visitante ilustre, em que, a própria presença dele inibia outros terríveis episódios do ambiente em que se edificaram as relações de brancos e pretos no Brasil. Entrementes, mesmo diante dessa realidade que não precisa nem deve ser aliviada, pelo contrário deverá ser bem contada, tal como se faz com o Holocausto, a questão no Brasil de hoje, é que, a nós afro-brasileiros, interessa alterar as condições em que vivem a maioria que constituem 70% dos mais pobres, com IDH equivalente ao dos países mais pobres do mundo.
Alterar essas condições de imensa desigualdade social nos exige, em vez da pregação do ódio, de vingança histórica ou de reparações tardias, devemos nos empenhar na edificação de uma sociedade mais humana, mais fraterna e mais igualitária. Devemos sim alterar a cultura racista que ainda permeia a nossa sociedade e mas devemos nos empenhar na luta para fazei-lo, a despeito dos racistas, conforme as lições de NELSON MANDELA: “Ninguém nasce odiando outra pessoa em razão da cor da pele, origem ou religião. Se eles aprenderam a odiar, podemos ensiná-los a amar.” Pensamento extraordinário de um homem extraordinário, a que tenho acrescentado: Eles, racistas, também são humanos. Se humanos, então nós podemos ensiná-los a amar.”
Portanto, para o combate ao racismo, não temos o direito de adotar a ´raça´ estatal, aquele conceito que nos sonegava a inteira humanidade. No Brasil, mesmo naquelas condições testemunhadas por DARWIN, os pretos jamais acolheram a identidade racial.
A heróica resistência à escravidão, jamais foi uma resistência racial. Foi uma resistência de humanos da cor preta. Os escravos, os quilombolas e os libertos se organizaram em milhares de Irmandades, Cemitérios e Associações de HOMENS PRETOS, HOMENS PARDOS, ocupando terras de PRETOS, sob a orientação da religiosidade african do PRETO VELHO e reunidos em torno da MÃE PRETA.
Não há notícias de nenhuma organização de resistência da ´raça negra´ que é uma criação artificial da academia e do establishement, a partir do século 20, ancorada na linguagem racialista do passado a designação racial destinada a classificação de uma raça inferior, aquela que o Marquez de Pombal, em 1.755, designou por uma lei denominada ´Directório do Índio´, em cujo art. 10, proibia que os índios – dignatários de distinção por El Rei – fossem chamados por ´negros´ como era costume, determinando que tal designação do que seria a ´raça negra´, uma designação aviltante, indigna e degradante que ficava reservada aos pretos da Costa D´África destinados a escravidão.
No Brasil atual, as políticas públicas raciais com segregação de direitos, na verdade trata-se de uma intervenção imperialista da FORD FOUDACION e outras instituições, antigos braços civis da inteligência norte-americana, visando nos igualar ao que há de pior nos EUA. Milhões de dólares tem sido investido na cooptação e formação de uma elite de ativistas na defesa da segregação de direitos raciais, que implicará no futuro, em ódios raciais.
Para fins de inclusão de afro-brasileiros em igualdade de condições bastariam o critério de 50% das vagas reservadas para COTAS SOCIAIS pelo recorte de renda familiar, amplamente apoiada por 86% dos brasileiros (Datafolha,2008 http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u470649.shtml). É questão de simples exercício da velha aritmética: 70% dos pobres são pretos e pardos, significa que 70% de 50% das cotas sociais ou seja, 35% das vagas beneficiarão os afro-brasileiros.
Entretanto os Fordistas - que recebem financiamentos e bolsas da FF – e estão treinados para fazerem o lobby político e junto à imprensa e aos conselhos universitários, empenhados em políticas públicas raciais visando uma clientela cativa, dependentes e renováveis todos os anos estão retardando em quase dez anos a adoção de cotas sociais, com o pleito de 25% de vagas para pretos e pardos sob a denominação de COTAS RACIAIS.
Portanto, a questão dos entraves não é a inclusão, pois através do critério de cotas sociais, os pretos/pardos dispõem de 35% de vagas, 40% a mais do que os 25% de cotas raciais puras.
Isso significa que o principal objetivo da doutrina FORD não é a inclusão de afro-brasileiros, mas, a introdução na raça na lei, precedente de uma ordem jurídica de leis baseada em privilégios raciais, reproduzindo aqui o mesmo Plano Filadélfia adotado pelo comprovadamente racista Presidente NIXON, em 1969.
Se aprovada em nível federal, serão reproduzidas aos milhares nos estados e municípios, segregando direitos no cotidiano.
Nós afro-brasileiros, em ampla maioria não queremos e não postulamos políticas públicas raciais. Na única pesquisa específica, realizada na semana da consciência negra de 2008, no do Rio de Janeiro, onde tem lei de cotas raciais vigente desde 2002, mais de 2/3 que opinaram, ou, 62,3% de pretos e 64,1% de pardos recusam o privilégio da segregação de direitos em bases raciais: http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83
O privilégio de direitos segregados com menor exigência de mérito em razão da raça, trás consigo, intrínseca, uma presumida inferioridade racial, o que viola a dignidade humana dos afro-brasileiros.
Assim como no Reino Unido, postulamos o combate ao racismo. Desejamos a pedagogia da diversidade humana com garantia de inclusão de todos. Queremos e exigimos as garantias da igualdade de tratamento e de oportunidades. Igualdade não significa a busca por privilégios raciais. A diversidade humana que não significa diversidade racial.
A segregação de direitos raciais não se destina a fazer inclusão de afro-brasileiros. Ela serve a propósitos escusos: o estado legitimando e fazendo a pedagogia da classificação racial dos humanos; a destruição de nossa maior vantagem competitiva em relação aos EUA, no dizer do saudoso professor MILTON SANTOS, um país grande em território e população com relativa cordialidade o que se expressa na total ausência de ódios raciais.
José Roberto F. Militão,
advogado, ativista contra o racismo
e contra a ´raça estatal´.
José Roberto F. Militão, adv. OAB/SP
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