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Do Projeto Biosfera 2 ao Gênero "Reality Show"Enviado por luisnassif, dom, 08/01/2012 - 14:30O que há em comum entre o fracasso científico do Projeto Biosfera 2 em 1991 e o atual sucesso do gênero reality show? A chamada "ecologia maléfica" humana. Das baratas e ervas daninhas que destruíram o Biosfera 2 à crueldade, preconceito e violência dos reality shows, ambos mantêm um vínculo secreto: a endocolonização (a colonização interna da mente humana). O gênero reality show transformou-se em laboratório etnográfico para prospectar dados e análise dos comportamentos e motivações. Mais ainda, as dinâmicas, jogos e pegadinhas desses programas acabaram formando um estoque de táticas aplicáveis por técnicos de recursos humanos em seleção e treinamento em empresas. Em 26 de setembro de 1991 quatro homens e quatro mulheres entraram numa gigantesca estrutura geodésica de vidro e metal com 12.000 metros quadrados, em Tucson, Arizona, em pleno deserto, para ali ficarem trancafiados por dois anos. Era o projeto Biosfera 2, abrigando 3.800 espécies animais e vegetais e simulações dos cinco principais biomas do planeta Terra , com o propósito de entender como a biosfera planetária funciona e como o ser humano interage com os ecossistemas. Foram monitorados por dois mil sensores eletrônicos e assistidos por 600 mil pagantes em todo o mundo. Alguns meses depois, em 15 de fevereiro de 1992 sete jovens entre 18 e 25 anos entraram no prédio 565 da Broadway Street, em Nova York, para ali permanecerem por três meses com diversas câmeras acompanhando suas vidas e seus relacionamentos. Era o início daquele que é considerado o primeiro Reality Show da TV mundial, o “The Real World” (Na Real) da MTV norte-americana. Em 16 de setembro de 1999, nove pessoas entraram em uma mansão em Almere, na Holanda, para ficarem também trancafiadas, desta vez por 106 dias, sem nenhum contato com o mundo exterior, acompanhados por uma parafernália de câmeras e microfones. Era a primeira edição do reality Show Big Brother idealizado pela empresa de entretenimentos Endemol. Embora o nome faça alusão a distopia literária de Gorge Orwel, “1984”, na verdade o programa foi explicitamente inspirado na experiência Biosfera 2 de, então, oito anos atrás. O que há em comum entre esses três eventos? Além do fato do produtor de TV holandês John De Mol ter admitido explicitamente que a ideia do formato do Big Brother fora inspirada no projeto Biosfera 2 (segundo ele, a inspiração veio após um considerável número de drinques), custa acreditar que a ideia dos produtores do seminal “The Real World” alguns meses depois do início do Biosfera 2 seja mera coincidência. Há uma profunda ligação entre o projeto técnico científico no deserto do Arizona no início dos anos 90 e a proliferação do gênero reality show na TV mundial. Fracasso científico, sucesso midiático Como experimento científico, o Projeto Biosfera 2 foi um resumo de todas as ideologias ecológicas, climáticas, microcósmicas e biogenéticas. Mas foi muito mais do que isso. Foi uma atração experimental. Bancado por um bilionário texano pela bagatela de 200 milhões de dólares, desde o início havia um implícito senso midiático e de espetáculo. É o momento em que a tecnociência se converte em show. Se não, como explicar a inviabilidade da pesquisa científica em um ambiente onde oito pesquisadores enclausurados e isolados do mundo passavam 95% do tempo lutando pela sobrevivência (fazendo a comida crescer, lutando contra pragas e tentando resolver problemas básicos como higiene e saúde). Não sobrava muito tempo para o trabalho científico. O Projeto foi um fracasso científico, mas um sucesso midiático. Dos objetivos iniciais publicamente divulgados como estudos dos biomas terrestres, dinâmica dos ecossistemas e sustentabilidade do ser humano em ambientes extraterrestres havia outro objetivo secreto: a endocolonização (a colonização interna da mente humana). Os milhares de sensores eletrônicos e câmeras espalhados no interior da gigantesca estrutura geodésica e o monitoramento ao vivo por meio de telas de TVs buscavam outros tipos de dados: o esquadrinhamento do comportamento humano, dessa vez não mais em laboratórios de psicologia, mas, agora, em cenografias controladas onde indivíduos lutam pela sobrevivência. A tecnociência atual perdeu há muito seu interesse por desbravar outros planetas, buscar uma Teoria Unificada do cosmos ou buscar um modelo unificado da biosfera. Hoje ela se volta para o interior da mente humana, indo além do estudo do seu comportamento: quer psicocartografar a consciência e a alma. Por trás dos altruístas e politicamente corretos objetivos (ecologia e sustentabilidade), estavam as origens do projeto tecnognóstico de uma psicocartografia do homem para a elaboração de modelos de simulação para uma não muito distante virtualização da mente e consciência. Em outras palavras mais diretas: contole, monitoramento e engenharia social. Não é à toa que o appeal midiático do projeto Biosfera 2 tenha contaminado o universo televisivo. Mas com uma diferença. Se no projeto tecnocientífico a ecologia e sustentabilidade foram álibis para a iniciativa de endocolonização, na TV, sob o álibi da interatividade, o gênero reality show transformou-se em laboratório etnográfico para prospectar dados e análise dos comportamentos e motivações. Não é à toa que muito dos vencedores desses programas acabam sendo convidados para darem palestras motivacionais em meios corporativos. Mais ainda, as dinâmicas, jogos e pegadinhas desses programas acabaram formando um estoque de táticas aplicáveis por técnicos de recursos humanos em seleção e treinamento em empresas. Numa surreal contaminação, hoje os ambientes corporativos com suas opressivas divisórias e baias não se diferenciam muitos dos realities televisivos. Funcionários (desculpe, “colaboradores”) são avaliados não tanto pelo conhecimento, mas, cada vez mais, por critérios comunicacionais e de relações semelhantes a programas como “No Limite” ou “Big Brother”.
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Comentários + votados
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Mariano S Silva
08/01/2012 - 15:11
Pouca gente consegue perceber estas coisas! É nesta hora em que vemos o quanto a formação "especialista" de cunho norte-americano transforma uma sociedade crítica em dócil. Será que dá para entender...
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Marroni
08/01/2012 - 16:47
O que o texto quer demonstrar é que o animal humano é bem conhecido e, por esta razão, manipulável.
Nada que as religiões não tenham explorado por milênios. A política e publicidade também o fazem...
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em princípio o que é vendido e o que vale é ganhar honestamente os quinhentos ou mais páus. se o evento é oportunista e desonesto é um outro problema que foge das competências dos participantes. seria bom saber alguma coisa sôbre sob quais competências fdp esses eventos rolam na bôa.
Pouca gente consegue perceber estas coisas! É nesta hora em que vemos o quanto a formação "especialista" de cunho norte-americano transforma uma sociedade crítica em dócil. Será que dá para entender o porque da docilidade americana ao seu sistema político controlado de fora e em flagante conflito com os próprios interesses de um povo, que afinal é tão rico e educado?
A engenharia social é uma realidade hoje. Lembram-se das eleições presidenciais de 2010 no Brasil, onde a emoção quase solapou a razão evidente? O que que vocês acham que seria a força do PiG? A massa humana se comporta (em grandes números) como um bóson, ou seja, admite um estado de condensação, como um laser. Curiosamente tal estado: o ritmo alfa, existe em nosso cérebro. Aquele se caracteriza por um sinal senoidal no eletroencefalograma, tal como no estado coerente do laser...
Mariano, sabe o que mais cala-me fundo??? A acensão do "nosso" Brasil - nada mais merecido, claro!-, à uma condição de sociedade de consumo mais figorosa.
No que vai dar? Após os 48, estou cada vez mais me aprofundando nas dicas do Krishnamurti, que é para ver se termino, no tempo que for!, menos ansioso!!!!!!!!
http://www.jkrishnamurti.org/pt/krishnamurti-teachings/daily-quote-archive.php
Ooooooooops... Vigorosa.
O que o texto quer demonstrar é que o animal humano é bem conhecido e, por esta razão, manipulável.
Nada que as religiões não tenham explorado por milênios. A política e publicidade também o fazem hoje com instrumentação científica.
Na sociedade capitalista, a verdade é tóxica, a honestidade dá prejuízos e as fraudes ganham prêmios.
A seleção natural foi substituida pelo seu arremedo, a seleção boçal. Aceitam-se os nécios inofensivos porque não são mais sujeitos. São troféus em exibição na vitrine do sucesso. Do sucesso dos agentes medíocres que detestam os que apontam sua mediocridade auto enaltecida.
Os mitos se sucedem e multiplicam como mercadorias perecíveis, tomates transgênicos gotejantes. O sujeito naufraga em suas próprias expectativas como os navios da Vale. Esvazia-se de si mesmo e do seu valor para acomodar um preço que os outros lhe atribuem. Ou que prometeram pagar, mas não assinaram a carteira. O risco faz parte do negócio.
Na era dos vazamentos, inaugurada pela Biosfera 2.0, vazam informações e fluidos, vazam fraudes do silicone e do aço.
O peito hoje vaza não do leite abundante e amoroso, mas de vaidade desmedida, de um amor que encontra a si mesmo no espelho.
Os segredos vazam, os fluidos vazam, os governos vazam e sangram nos orçamentos. Os navios vazam. Os homens viram suco. O planeta derrete com o vazamento dos gases.
E os sobreviventes choram. Também vazam.
Somos a consequência de nossas escolhas.
Eu bebo e o cara é que escreve:
projeto tecnognóstico de uma psicocartografia do homem para a elaboração de modelos de simulação para uma não muito distante virtualização da mente e consciência. Em outras palavras mais diretas: contole, monitoramento e engenharia social.
É mais ou menos como o cara que diz: MEU VC ACREDITA NA BÍBLIA? Não é a toa que sua aura está tão desequilibrada.
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