Discursos pessimistas sobre Brasil têm visão de província

O Brasil já deu certo - apesar dos céticos

Do Valor Econômico

Alberto Carlos Almeida

Grande parte da mídia brasileira se especializou em falar mal do Brasil. Graças a isso, a percepção que a sociedade tem de si mesma, em diversos aspectos, é inteiramente equivocada. Vende-se algo que não existe: a visão de que somos piores em quase tudo, quando comparados com a maioria dos países desenvolvidos. Nem mesmo as boas notícias são recebidas de maneira positiva. Por exemplo, a recente informação de que ultrapassamos o Reino Unido quanto ao PIB foi divulgada cheia de ressalvas, afirmando-se que o PIB per capita é um indicador mais relevante e coisas do gênero.

A covardia com o Brasil atinge o ápice quando se tenta comparar nosso sistema político com o dos outros países. Afirma-se que o presidencialismo é pior do que o parlamentarismo, mas não dizem que os países parlamentaristas têm gastos públicos sistematicamente maiores do que os presidencialistas e que é justamente por isso que a Europa se encontra mergulhada na pior crise econômica de sua história recente. Diz-se que o sistema eleitoral distrital é melhor do que o proporcional com lista aberta, mas não dizem que um dos países que melhor escapou da crise mundial é a Suécia, que adota o mesmo sistema eleitoral que o nosso tão criticado Brasil. Como sempre, a lista de críticas ao Brasil é muito longa. É difícil imaginar como um país tão ruim, com tantas coisas negativas, possa ter chegado aonde chegou. Opa, para os críticos ele não chegou a lugar algum, continua lá atrás, sendo um dos países mais problemáticos do mundo.

   

A crítica permanente ao Brasil está fundamentada em excesso de provincianismo: como não se conhece o que acontece em outros lugares, assume-se que aquilo que conhecemos de muito perto, em detalhes, é muito ruim. A greve dos policiais da Bahia e a desordem e criminalidade resultantes é um prato cheio para a frase típica dos que sofrem de complexo de inferioridade: "Isso só acontece no Brasil". É possível ver o outro lado da moeda, o lado positivo. A greve dos policiais baianos será resolvida de uma forma inteiramente diferente de greves congêneres que ocorrem nos Estados Unidos. Ao contrário de nosso vizinho mais rico, aqui não será dado um aumento salarial que comprometa a situação de nossas finanças públicas.

É isso mesmo. Para aqueles que não sabem, vários Estados e municípios americanos estão quebrados porque concederam aumentos salariais a perder de vista para policiais e bombeiros. Esse é o caso, tão bem relatado por Michael Lewis em seu livro "Bumerangue", recentemente publicado no Brasil, da Califórnia e dos municípios de San Jose e Vallejo. Aqueles que idolatram o federalismo americano deveriam saber que justamente por isso lá não há nada que se assemelhe a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Governadores e prefeitos estão livres para exercer sua prerrogativa de gastar muito, endividar o setor público ao ponto de comprometer seu funcionamento para as futuras gerações. Não serve aqui o argumento em abstrato, o princípio teórico, de que descentralizar é necessariamente melhor do que centralizar.

Os policiais da Bahia e de outros Estados estão limitados pela nossa centralização, que se traduz na possibilidade de ter algo como a LRF. Mais do que isso, a simples discussão ora em curso sobre a PEC 300, um sinal evidente de nossa centralização, mostra que jamais nossos Estados ou municípios ficarão na situação, como é o caso de Vallejo, de ter somente um funcionário público, aquele que tem como função pagar os salários, aposentadorias e pensões de policiais e bombeiros. Isso mesmo, em Vallejo, os sinais de trânsito estão todos piscando permanentemente em amarelo. O município, falido, não tem recursos para sustentar uma burocracia que faça valer as leis de trânsito. Isso jamais ocorreu ou ocorrerá no Brasil.

Na Grécia, não há cartões de crédito na grande maioria dos estabelecimentos comerciais. A razão é simples: o pagamento em dinheiro vivo está a serviço da mais fácil e completa sonegação de impostos. Não adianta dizer que os gregos são uma piada e isso e aquilo. Sempre foi assim, desde o momento em que a Alemanha aceitou a entrada da Grécia no acordo que estabeleceu o euro. Os gregos vão muito além de não utilizar cartões de crédito. Em ano eleitoral, o governo relaxa o controle fiscal, faz vista grossa para o não pagamento de impostos. É muito interessante que o Brasil seja tão ruim, mas que um país europeu utilize o (não) pagamento de impostos como moeda de troca eleitoral. Cá entre nós, comprar votos em comunidades pobres é muito mais redistributivo. Nosso sistema de controle fiscal pode não ser germânico, mas certamente temos uma burocracia muito mais avançada do que muitos países europeus. Os críticos contumazes do Brasil não sabem disso, são provincianos demais para imaginar que algum país supostamente desenvolvido possa não controlar o pagamento de impostos, como se faz na nação de Macunaíma.

Aliás, nada mais distante do espírito germânico do que Macunaíma, nosso herói sem caráter. Ele é um retrato da nossa incredulidade. O brasileiro jamais acredita no que se diz. Essa credulidade alemã não faz parte da nossa cultura. Foi graças a isso que os alemães sempre acharam que a Grécia estava cumprido as metas de gastos definidas pelo tratado de Maastricht. Um burocrata ou um ministro da Fazenda brasileiro jamais confiaria na Grécia quanto a isso.

O livro "Bumerangue" é um excelente antídoto para o excesso de pessimismo quanto ao Brasil. Michael Lewis mostra que nos Estados Unidos, Grécia, Islândia, Irlanda e Alemanha aconteceram e acontecem coisas terríveis, que jamais atingiram e provavelmente nunca farão parte de nossa realidade. É claro que temos coisas ruins e abomináveis, mas isso está longe de ser o cenário catastrófico pintado pelos críticos. Todo país e toda sociedade têm problemas, mas também não somos piores do que os outros em tudo ou quase tudo.

Os alemães de Lewis são crédulos ao ponto de serem os únicos que, já com a crise no horizonte, continuavam comprando os papéis do "subprime" em Wall Street. Aliás, quando um "trader" americano tinha dificuldade para vender tais papéis, recebia invariavelmente a seguinte recomendação: "Venda para aqueles otários de Dusseldorf, que eles compram de tudo". Não creio que algum dia será possível trocar otários de Dusseldorf por otários de São Paulo ou do Rio de Janeiro, e muito menos de Brasília.

Os brasileiros acreditam em coisas mágicas como o boto da Amazônia ou o nêgo d'água em Minas Gerais. Ambos cumprem o mesmo papel de justificar, em uma sociedade conservadora, a gravidez de mulheres solteiras ou a traição das casadas. Isso causa muito menos prejuízo aos cofres públicos do que os duendes nos quais acreditam. Isso mesmo, na Islândia se acredita em duendes e quando uma empresa como a Alcoa foi se instalar por lá teve que aguardar por seis meses, até que fosse concluído um estudo que verificaria que em determinada área não havia duendes. É a mesma Islândia que transformou dezenas de pescadores em banqueiros. Isso mesmo, os banqueiros islandeses tinham sido pescadores durante toda sua vida profissional.

Mais do que isso, David Oddsson, que foi primeiro-ministro e presidente do Banco Central islandês, nunca teve experiência alguma com bancos e era poeta de formação. Talvez por isso os bancos alemães tenham colocado US$ 21 bilhões na Islândia, a Holanda tenha apostado US$ 305 milhões, o Reino Unido US$ 30 bilhões e a Universidade de Oxford tenha perdido US$ 50 milhões. No Brasil, é impensável que alguém que não tenha familiaridade com o mercado financeiro assuma a presidência do Banco Central. Mesmo assim, há aqueles que insistem em criticar tudo ou quase tudo.

Trata-se de uma questão de ponto de vista, de como olhamos o Brasil. O exemplo da centralização é emblemático. Não há nada necessariamente melhor em ser tão descentralizados como são os Estados Unidos. Uma postura cética indica que o que melhor e pior, o benéfico e maléfico, dependerão das consequências. A comparação entre os gastos com funcionários públicos estaduais e federais no Brasil e nos Estados Unidos mostra que a centralização política e administrativa tem sido mais efetiva para conter seu descalabro. Indo além, ser um pouco macunaímico quando se trata de comprar papéis do "subprime" teria sido bom para os germânicos. Nada disso se escolhe: são coisas que as nações são ou não são. Ultimamente, temos sido os grandes beneficiários de ser como somos.

Alberto Carlos Almeida, sociólogo e professor universitário, é autor de "A Cabeça do Brasileiro" e "O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo". E-mail: Alberto.almeida@institutoanalise.comwww.twitter.com/albertocalmeida

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68 comentários
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Vânia

3, 2, 1 para chegarem os famosos provincianos do blog (cadastrados ou nao)

 
 
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Jorge Nogueira Rebolla

Você é tão ingênua... basta a embalagem agradar que compra o conteúdo sem pestanejar...

Minha resposta provinciana abaixo...

 
 
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Vânia

E você, carente, né? Bem que o Zorro avisou..

 
 
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Adamastor

Não liga pro mau humor do Rebolla não, Vânia. Assim que terminar o período de jejum e ele rezar o terço da semana isso passa. Até lá ele é intratável :o))

 

 
 
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Vânia

Ligo nada, Adamastor. Estou é me divertindo! hahahhaaa

Re: Discursos pessimistas sobre Brasil têm visão de província
 
 
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Jorge Nogueira Rebolla

Vânia, você leu com atenção o artigo?

Ele une na mesma louvação as mazelas seculares do Brasil, como os municípios totalmente dependentes economicamente e o fisiologismo, com o modo tucano de governar...

A interpretação de texto haddadiana atingiu até quem já tinha se formado quando ele assumiu para deseducar o Brasil.

 
 
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Sérgio Leandro

Para solucionar o "exposto" acima:


Voto distrital, privatização e juros no nosso lombo ... regado à Óia, Fáia e Grobo;

 
 
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AlvaroTadeu

Jorge, você Rebolla de forma brilhante. Para explicar a crise na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália (e quem mais vier), você informa que os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos. Isso é verdade, mas uma coisa não tem a ver nada com a outra. Entendeu? Não? Então vai continuar rebolando o resto da vida.

 
 
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Ivan Pedro

Ora, vá arranjar uma namorada !!!

 
 
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Almerindo

"Diz-se que o sistema eleitoral distrital é melhor do que o proporcional com lista aberta, mas não dizem que um dos países que melhor escapou da crise mundial é a Suécia, que adota o mesmo sistema eleitoral que o nosso tão criticado Brasil."

O sistema eleitoral é o de menos, por favor assistam a esse vídeo http://www.youtube.com/watch?v=3aC4A7bSnXU

Tai a diferença.

 
 
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Heloisa Karlberg

Em primeiro lugar, quero deixar claro que tenho uma visão muito otimista do Brasil, um dos melhores países ¨do futuro¨. Mas ainda não é possível. Precisamos de mais tempo e educação. Tenho alguns comentários: Aqui na Suécia, o voto não é obrigatório. Vota quem quer (mas o índice de abstenção é mínimo). A carga tributária é muito alta, sim, mas os recursos são aplicados corretamente para usufruto da sociedade. São traduzidos em educação, saúde, hospitais, saneamento e higiene progressista, moradia, amparo ao desempregado, empregos, pesquisas científicas, reciclagem de todo e qualquer material em desuso, etc, e tudo é público e aberto à críticas.  Há alguns meses, como um pequeno exemplo, na despedida de um parlamentar por aposentadoria, foi notado por jornalistas, entre outras coisas, a devolução de um lápis que ele usara para anotações no trabalho. Nossos políticos estão muito longe de ter uma atitude dessas, eles não devolveriam o material de trabalho. Aliás, teriam muito mais a devolver. Não há como comparar.

 
 
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Tegularius

Ih! Piscou.

 

Tegularius

 
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Antonio Carlos Alves Pereira

Hahahahaha...


 


Tua percepção é esplêndida, Vânia!


 


E o pior é que os pobrezinhos nem sabem ler. De fato, ao me deparar com as respostas dos pretensos "anti-petralhas", eu percebo que o país conta com um número expressivo de analfabetos funcionais.

 
 
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Andre Araujo

Quer coisa mais provinciana do que a expressão  "" Pais que dá certo"" ?

Exiiste coisa mais micha, mais pobre, mais brega? Dá certo em que? Pode dar certo na economia e não na politica, pode dar certo no futebol e não na educação, pode dar certo na agricultura e não na industria, que simplificação mais ridicula.

Um Pais não dá certo ou errado, um Pais é o que é por sua complexidade, por dar certo em uma época e não em outra. A Alemanha é um pais que dá certo ou errado? Depende da fase de sua historia. A China dá certo ou errado? Deu errado por séculos, depois dá certo em certos aspectos por algumas decadas , contudo  pode dar errado em outras questões e fases.

Mas a Historia é algo complexo e mentes simplorias não tem a aparelhagem mental para sequer comerçar a captar o que é a dinamica de um Pais. Sugiro para inicio a leitura de Eric Hobsbawn em ERA DOS EXTREMOS-O Breve Seculo XX ou Paul Johnson em MODERN TIMES-The World from theTwenties to the Eighties, para não vir aqui falar bobagens de torcedor como esse ""Pais que dá certo"". ou ""discurso pessimista"", uma expressão tão fazia que nem dá para comentar.

 
 
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Doug-SP

Pois é, tem gente que reconhecidamente entende a fundo o sistema de produção de açúcar, é especialista no cultivo de limões e sabe como ninguém o processo de destilação da cachaça, mas não consegue fazer uma caipirinha, não consegue misturar as coisas na dose certa.

 
 
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Sérgio Leandro

Dá-lhe Wikipedia !!!


Wikipedia

 
 
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Tio_Zé

Ensinaram o velho a fazer ctrl+c e ctrl+v na wiki e ferrou totalmente. Ainda acha que só ele domina a técnica.

 
 
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Nedi

Se vc vive no Brasil não esqueça de misturar o Hobsbawm com Nabuco, Caio Prado, Faoro, Darcy, Euclides, e vai por aí...

 
 
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Panambi-II

E disse o professor de Deus...mas a retórica(enviesada e conservadora) já foi menos capenga,não? Tá dando pena...

 
 
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Assis Ribeiro

"Lufa - lufa" que não passa de "bufa - bufa"

Ou seja, vento soprado que apenas demonstra o hálito de quem soprou. Fel puro.

 

Assis Ribeiro

 
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foo

"Afirma-se que o presidencialismo é pior do que o parlamentarismo, mas não dizem que os países parlamentaristas têm gastos públicos sistematicamente maiores do que os presidencialistas e que é justamente por isso que a Europa se encontra mergulhada na pior crise econômica de sua história recente."


COMO É QUE É??? A crise econômica européia se deve ao sistema parlamentarista???


"Diz-se que o sistema eleitoral distrital é melhor do que o proporcional com lista aberta, mas não dizem que um dos países que melhor escapou da crise mundial é a Suécia, que adota o mesmo sistema eleitoral que o nosso tão criticado Brasil."


COMO É QUE É??? A Suécia escapou da crise mundial por causa do voto proporcional em lista aberta???


"Para aqueles que não sabem, vários Estados e municípios americanos estão quebrados porque concederam aumentos salariais a perder de vista para policiais e bombeiros."


COMO É QUE É??? Estados e municípios americanos estão quebrados por causa dos aumentos dados a policiais e bombeiros???


Parei de ler por aqui.



 
 
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severino c. filho

então diz tu, ó Foo:

1-por quê o parlamentarismo é melhor do que o presidencialismo política e econômicamente;

2-se o sistema de escolha dos representantes dos suecos não interferiu em nada para a Ssuécia não estar no barco dos PIGS europeus;

3-se a concessão dos salários a funcionários públicos, inclusive policiais, não está no bojo da debacle econômica do estado e municípios estadunidenses focados pelo articulista.

já que você acredita que o articulista está errado é porque tem conhecimento da verdade. eu gostaria de conhecer também. eu e todos que lerem o artigo, acredito.

por favor, nos repasse essa(s) verdade(s).

 
 
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foo

1) Eu não disse que o parlamentarismo é melhor do que o presidencialismo; eu disse que não há relação de causa entre a adoção do parlamentarismo e a crise econômica.

2) A Suécia tem inúmeras particularidades: é uma monarquia constitucional parlamentarista (o que vai contra a tese de que o parlamentarismo teria sido a causa da crise), não adotou o euro como moeda (o que é um fator bem mais importante).

3) A crise dos EUA teve muito mais a ver com a extrema desregulamentação do sistema financeiro; se você saber para onde foi o dinheiro, olhe para os banqueiros e especuladores, e não para os policiais e bombeiros.

 
 
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Filipe Rodrigues

Concordo que o voto proporcional é melhor que o distrital.

Mas concordo também que o nosso presidencialismo de coalização é muito pior que o parlamentarismo. Como pode o PT, um partido popular, a quase 10 anos no poder e que não consegue chegar a 100 cadeiras na Câmara Federal?

A Venezuela (que não é parlamentarista), tem uma democracia melhor que a nossa (apesar das mentiras da mídia):

- o voto lá é misto (distrital e proporcional).

- Hugo Chávez tem mais da metade do parlamento sem pulverização partidária (enquanto a Dilma tem uns 15 partidos que a apoia), a oposição no parlamento venezuela é mais atuante que no Brasil (40% das cadeiras contra 20% por aqui)

- Chávez extinguiu o Senado, proposta que tem algum apoio aqui no Brasil, mas vai da opinião de cada um.

 
 
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Fábio Peres

Nosso "presidencialismo parlamentarista" seria bem melhor se, por exemplo, tivéssemos menos partidos com assento no Congresso e um sistema que beneficiasse as idéias, ao invés das pessoas (lista fechada, por exemplo, ou a lista aberta sem coligação nas eleições proporcionais). 

E quanto aos bombeiros e policiais, concordo: é facílimo endeusar esses profissionais, e num sistema onde a polícia é municipal (o americano) todo prefeito quer agradar os heróis locais, mesmo sabendo que não há dinheiro para pagar todo mundo e ainda manter as despesas do distrito.

 
 
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Thiago M Silva

Parabéns foo!! Vc chegou mais longe que eu!!! rsrs

 
 
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Mah

Também parei de ler exatamente no mesmo ponto.

E ainda tem gente que se ilude com textos de argumentos vazios, como o aí de cima, só por que não quer ser chamado de "provinciano".

Se ter senso crítico e consciência da politicagem sórdida que destrói o Brasil é ser provicniana, então sou uma. 

 
 
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TExto sob medida para certa pessoa aqui do blog......que adora esculachar o Brasil sempre que tem a oportunidade.  Lula tinha razão ao dizer que brasileiro sofre de baixa estima....tudo devidamente patrocinado pela midia....ela, sempre!!! Claro que algumas criticas que fazemos são até justificadas, como a dívida interna que nos abate pra alegria de alguns rentistas e que tais...mas estamos bem...alias nunca estivemos tão bem!!!  Orgulho de ser brasileiro, apesar do nosso judiciário....rsrrss

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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josé adailton

 

O Brasil já deu certo - apesar dos céticos

Causará (a mim pelo menos)estranheza se o título do post for de autoria do jornalista que publicou o artigo no Valor, pois todo mundo sabe a quem pertence este jornal.E aí fica a curiosa questão: A manchete acima não tem mais a cara da Carta Capital? O VE seria um jornal ético, neutro, apartidário? É possível que haja tal fenômeno?

 
 
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Jose de Almeida Bispo

"N. 29 - CARTA escripta ao conde de Azambuja em 20 de janeiro de 1768, sôbre as precauções que se devem tomar para desconcertar o commercio dos inglezes, segundo o seu cladestino projecto de arruinarem os domínios de Sua Magestade, como consta do extracto das conferências que o almirantada da Inglaterra, e sobre as cautelas para obviar ás prevaricações dos habitantes que estiverem corrompidos.
IN Revista do Instituto Histórico e Geográfico (e Etnográphico do Brasil) Brasileiro, pt. Primeira, p.331 -1870.

Grifo meu.

Em 1768 poder-se-ia alegar que o então suposto complexo de viralata - traidores, para os portugueses - seria defesa nativista; aliar-se a uma potência estrangeira para promover a Independência do Brasil. Hoje, entretanto, conclui-se que de fato já era cultura de viralata mesmo e ponto final. "Elite" de viralatas.

Como diziam meus colegas de Primário: "Vá pra frente, Brasil; com uma ignorância desta!"

 
 

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