Discos de vinil voltam à moda

Do Blog Adir Tavares

Discos de vinil voltam à moda e atraem aficionados de todas as idades

Quando o CD chegou ao mercado, o disco de vinil foi declarado como extinto. Mas o vinil ainda está vivo entre colecionadores, fãs de música e DJs. Popular na Europa, a mania do disco também é sucesso no Brasil.

 

 

Já na entrada pode-se ver um grande cartaz com a placa "compra e venda de discos". De uma porta aberta, ouvem-se vozes e, é claro, música. Dentro da loja, cercado por discos, está Uwe, o proprietário; Philip, seu funcionário e Bruno, um cliente. Bem-vindo a Nunk Musik, um sebo num bairro cool de Colônia.
 
Com o boom do CD o vinil foi considerado mortoCom o boom do CD o vinil foi considerado mortoNaturalmente a conversa gira em torno de música. "Jazz não dá", diz Phillip antes de desaparecer para atender novos clientes que acabaram de entrar. Bruno não precisa de ajuda. Cliente regular, ele conhece a loja como a palma da mão. Ele tira um disco do toca-discos e o substitui por outro: "Este é um sete polegadas, lançado pela gravadora Brunswick." Ele coloca para tocar. Primeiro escutam-se estalos antes de serem ouvidos os primeiros acordes de uma big band tocando um swing. "Sly Oliver e sua orquestra acompanhados por Louis Armstrong cantando um dos seus maiores sucessos C'est si bon!",diz o feliz cliente.
 
Discos são uma paixão
 
Bruno (49) é um apaixonado por discos de vinil. Um freak como ele próprio se define. Sua coleção conta com mais de 5 mil LPs – Jazz, trilhas sonoras e música clássica de diferentes eras. Mas por que ele não tem essa coleção tão importante em CD ou mp3? "Não há nada como a sensação tátil do LP. Por exemplo, a trilha sonora deSpartacus é como um livro. A capa com Kirk Douglas em technicolor é como uma obra de arte. Você não tem esse efeito em um CD."
 
O design da capa é um ponto importante. Outra vantagem do vinil em relação ao CD é o tempo que os dados ficam registrados. Quando um LP é bem cuidado ele pode durar para sempre. Para os aficionados em vinil, também há uma grande diferença no som. O LP tem um som cheio, já o CD soa frio.
 
Preciosidades por pouco dinheiro
 
Hoje pessoas de todas as idades vasculham sebos, mercados de pulgas e a internet atrás de preciosidades em vinil. O proprietário Uwe consegue avaliar os discos pela música, gravadora e diferentes edições. Ela sabe também reconhecer quando se depara com uma coleção de discos realmente completa e valiosa. Quando um cliente vem oferecer sua coleção completa de jazz, por exemplo, Uwe sabe exatamente quais são os pontos fortes e o que está faltando. Na hora ele percebe se as preciosidades não estão mais na coleção. “Sem os discos raros, as coleções não valem muito", completou.
 
A loja Nunk Musik é um dos redutos dos colecionadores de vinil em ColôniaA loja Nunk Musik é um dos redutos dos colecionadores de vinil em Colônia
 
Ele segura um disco de Oscar Peterson da MPS, a primeira gravadora de jazz da Alemanha, famosa por suas gravações de alta qualidade. "Quando encontramos um disco da MPS dos anos 60 ou 70 o preço é de até 20 euros". O valor de um LP usado varia de acordo com o estado de conservação do disco e também da capa. Em seguida Uwe pega outro clássico do jazz: "Aqui está a gravação de um show que Keith Jarrett fez aqui em Colônia. A primeira edição tinha uma capa texturizada. Essa é uma edição dupla com a capa comum. Vai custar 15 euros, porque o disco está em ótimas condições."
 
Colecionadores obcecados
 
Uwe dificilmente pode descrever seus clientes. Sua loja é frequentada por DJs de 20 anos de idade até amantes endinheirados de jazz. Tem cliente que vem apenas olhar e não compra nada. Uns vêm se vangloriar de suas coleções. "Faz parte da conversa da loja, e falamos com prazer", disse Uwe.
 
Outros vêm procurar a pechincha de sua vida. "Esse são realmente obcecados, como colecionadores de selos. Os discos vão diretos para vitrines. Para colecionadores profissionais, eles são como um investimento. Quando a crise financeira começou, alguns colecionadores, que não perderam todo o dinheiro, vieram como loucos comprar discos."
 
Capa do clássico disco de Velvet Underground & NicoCapa do clássico disco de Velvet Underground & NicoInformações sobre o mercado do disco podem ser encontradas na internet. Os valores podem variar de acordo com o interesse e a procura. Não existe um valor máximo. Um disco raro pode custar 500 euros, ou também alguns milhares. Pelo que se sabe, o maior preço já pago por um disco foi por uma edição tida como perdida de um disco do Velvet Underground & Nico. A versão original do clássico cult de 1966 produzido por Andy Wahhol foi vendida por 155.401 dólares no site de leilões e-bay.
 
Clube do Bolinha
 
A Nunk Musik em Colônia tem se tornado cada vez mais popular. Uwe e Phillip sempre recebem os clientes para auxiliar, conversar, beber uma cerveja ou fumar um cigarro. Dois jovens desaparecem entre os discos de música eletrônica da loja. Eles são DJs e procuram discos para tocar em festas e clubes. Uwe os observa com benevolência. "Alguns jovens nem sabem que um disco tem dois lados. Eles olham os discos como algo que nunca viram antes." Esses são os clientes favoritos de Uwe. Ele adora poder encantar os jovens com seus discos de vinil.
 
Mulheres não são geralmente vistas na loja. Aparentemente colecionar discos é mais uma paixão masculina. A obsessão de muitos amantes da música pelo vinil já criou sérios problemas conjugais. Geralmente isso acontece quando os discos começam a tomar muito espaço na casa depois de visitas constantes ao mercado de pulgas. Apesar de não se saber ao certo quantos casamentos acabaram por causa das bolachas pretas, uma coisa que não se deve dizer a um colecionador é: ou eles ou eu.
 
Mania também no Brasil
 
No Brasil o disco de vinil também vem ganhando popularidade. Em São Paulo a galeria Nova Barão no centro da cidade é o reduto dos colecionadores e fãs de vinil. No ultimo ano a galeria, antes dominada por lojas de cosméticos, viveu um boom de novas lojas. Hoje são 14 lojas que vendem majoritariamente vinil.
 
O charmoso formato também está se tornando popular no BrasilO charmoso formato também está se tornando popular no Brasil
 
Segundo Marcio Custódio, da Locomotiva discos, a popularidade do vinil na cidade vem crescendo com o aquecimento do mercado e a mobilização de DJs, lojistas e produtores de festas para popularizar e celebrar novamente o formato. "Apesar de a grande mídia ignorar o disco, estamos vivendo uma 'vinilmania'", empolga-se o proprietário que acredita que o vinil é a maneira mais charmosa de se ouvir música. "Nosso público ainda não está muito definido, mas vejo cada vez mais adolescentes descolados, que nunca compraram sequer um CD, se interessarem cada vez mais por discos em vinil", completa.
 
Para Custódio, a maior dificuldade que os colecionadores e fãs encontram no Brasil é o preço. "Disco ainda é um artigo de luxo por aqui. Os preços ainda são altos e para poucos", conclui.
 
Texto: Silke Wünsch/ Marco Sanchez
Revisão: Carlos Albuquerque
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22 comentários
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Ricardo Cesar

Outr coisa boa demais é fotografar com filme. Espero que haja uma moda dessa também!

 
 
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João Maria Fernandes de Sousa

Tem mais uma coisa: tem uns rifs de Hendrix que somem nos CD's, o vinil mantém direitinho.

O processo de digitalização, infelizmente, rouba algumas cenas das músicas tanto dele quanto de Bach.

 
 
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Klaus

Quando passo os finais de semans com meus filhos, curtimos horas escutando Metallica, Megadeth, Van Halen, e outros monstros do rock em vinil! E depois praticamso um pouco de bateria, uma GOPE bem velhinha, tentando imitar os artistas. É um prazer sem igual! O João Maria tem toda razão! Alguns sons só são perceptíveis no vinil, no meu caso em particular os pratos da bateria! 

 
 
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Jorge Leite Pinto

Na minha modesta visão, cada macaco no seu galho:

O vinil é mais charmoso, mais fácil de pegar e ler os créditos, tem um som mais "real"...

Mas, cá entre nós, nada pior que risco e chiado. E NÃO EXISTE vinil sem essas duas coisas. E ainda tem o "porre" de ficar correndo atrás de agulha pra trocar...

Prefiro CD.

 
 
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Michel

O som quente do analógico vinil é muito superior ao som frio digital do CD. Fato.

E aproveito p/ deixar aqui a capa de álbum clássica: The Dark Side of Moon - do Pink Floyd. Clique AQUI e AQUI para conhecer, no blog, a análise pessoal sobre o sentido desta capa. E AQUI para conhecer o álbum como um todo, com todas as letras traduzidas e analisadas.

 

Re: Discos de vinil voltam à moda
 
 
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aliancaliberal

Ta misturando MP3 com CD, o cd digital e tão "quente" como o vinil.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Michel

Meu velho pickup Marantz com agulha shure não me deixa mentir sozinho rs.

http://lazer.hsw.uol.com.br/qualidade-de-gravacao-do-vinil.htm

 
 
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marcelo

A musica é analógica. Ao se gravar em digital, perde-se fidelidade. Dizem ser imperceptível, mas até eu percebo, imagine os de ouvidos treinados para a música.

E qualquer que seja o formato digital. Obviamente quanto "mais dígitos", mais próximo, mas nunca será igual. por isto a diferença entre o formato de cd e o mp3 (este com "menos digitos").

Quantos aos que se incomodam com chiados, bom a alguns anos lançaram leitores de vinil a laser.

 
 
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Klaus

O Michel tocou num ponto muito legal também! As capas dos discos de vinil, pelo tamanho tinham que ser obras de arte para atrair o consumidor! Sem contar com os Picture Disc, que eram a própria capa impresa no vinil!

 
 
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Luiz Lima

Os selos também não ficavam atrás. Coisa que eu gostava era abrir um bolachão do selo Vertigo ou Charisma:

Re: Discos de vinil voltam à moda
Re: Discos de vinil voltam à moda
 
 
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Luiz Americo Costa

Já lí no site especializado em disco de vinil (foi vc 300?) que na Europa, ao contrário daqui e dos EUA, o disco de vinil é lançado junto com CD/DVD. Consegui conservar os meus (aqueles que dá prazer colocar na "vitrola"). Tenho Simon & Garfunkel, Elis, Milton (+clube da esquina), Woodstock, Chico e  a coleção completa dos Beatles. Não troco, não vendo, não empresto. Meus filhos vão disputar "a herança". Quando eles eram pequenos colocava os discos e eles ficavam calminhos. Agora, já grandões sempre perguntam daquela música dançante: corro na vitrola e coloco o Do you wanna Dance? - Johnny Rivers. É uma questão de prazer.

 
 
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Gilson AS

A única fábrica de vinil da America Latina, fica no Brasil, no estado do RJ, na baixada fluminense no bairro de Belfor Roxo.

Em tempo, Belford Roxo já foi o local mais violento do mundo, superando o Harlem em NY.

Foi em Belford Roxo que surgiu o famoso mão branca,  grupo de extermínio dos anos 70.

 

gAS

Cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é guiada pelos seus pensamentos. Salomão

 
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FelipeAraujo

  Caro Gilson,

 

 

   É isso mesmo, a fábrica chama-se polysom, inclusive esses tem varias novidades em vinil com por exemplo Ptty, Ultraje à Rigor,Nação Zumbi entre outras coisas, estão disponiveis para venda na FNAC e na Livraria Cultura o Preço é um pouco salgado ( em torno de R$ 60,00)  Ma se for para ouvir aqueles bolachões vale apena...

 

As pessoas que nasceram para serem lideres falam de projetos. As pessoas que compõem nossa sociedade em geral falam de fatos. e as pessoas que não nos agregam em nada falam de... pessoas...

 
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Augusto Jose Hoffmann

Respeito os que apreciam e, para isso, o mercado supre demandas. Mas daí achar que clics, pops e chiados da eletricidade estática do vinil são bons, pode ser apenas gosto, subjetivo.O uso de vinil, além de mais trabalhoso me parece mais oneroso, na média. Mas há quem tente provar a melhor qualidade sonora do analógico. Duvido.

Não confundir representação sonora digital com compressão, essa utilizada nas mídias portáteis, música de consumo & pirataria. A representação e armazenamento digital, em formarto puro, com os avanços da amostragem e resolução, é melhor e mais confortável  Hoje ouço meus velhos lps e fitas (até de metal) tudo em um HD em flac ou ape, com muita vantagem. Indexação e busca etodo o ferramental de manipulação, placa de áudio razoável, foobar2000 e pimba. Sou comodista, admito.

Música digital & pc: coisa de preguiçoso.

Re: Discos de vinil voltam à moda
 

"Quomodo adulatores sint fugiendi" Maquiavel (Como evitar os aduladores)

 
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ruyacquaviva

Eu acho que o CD está superado pelo streamer e pelos arquivos digitais online ou em Pendrives, cartões SD e HD's. Somente se surgir uma mídia removível com um salto de capacidade muito acima do Blue-Ray é que esse quadro pode mudar. Isso em arquivos com perda (MP3, OGG) ou formatos sem perda (FLAC).

Já as mídias analógicas como os LP's em vinil tem um charme especial que falta ao CD.

Não concordo que o som do vinil seja de melhor qualidade do que o som digital. Você pode ter arquivos MP3 de péssima qualidade, mas arquivos FLAC bem gravados e com alto bitrate são incomparavelmente mais fiéis ao som original que o vinil, mesmo com s melhores equipamentos. É física básica, os dados gravados em meio analógico deterioram-se a cada reprodução.

Mas a simplicidade do processo de garvação e reprodução do som traz um sentimento e intimidade com a música insubstituível. Os próprios cuidados necessários com a mídia, a forma de manipular o disco, o jeito de limpá-lo, etc, formam quase um ritual que envolve as pessoas e faz parte da experiência de se ouvir a música.

É como a equitação. Um cavalo não pode competir com um carro ou uma motocicleta em termos de velocidade e conforto, mas a experiência de se andar à cavalo não pode ser completamente substituída pelos veículos modernos. Apenas a parte prática do transporte é que pode.

Eu acho que por muito tempo ainda haverá pessoas querendo escutar o som analógico por esses fatores e não porque o som seja melhor.

 
 
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Antonio C.

"Voltou à moda"  para quem? Sou categórico, quase dogmático: quem gosta efetivamente de música e faz disso um"dever pessoal" não se desfaz dos seus discos de vinil. Falo isto a partir das pessoas que conheço - nenhum deles se desfez. Eu nunca me desfiz deles, muito pelo contrário, continuei comprando, ao lado dos CDs. O post rescende à tentativa de trazer algo atual, de mostrar o Ovo de Colombo. Mas seria curioso perguntar a esses "novos consumidores"  os motivos pelos quais estão comprando discos. Se for moda, então, é passageiro. Será apenas um motivo para os vendedores de discos aumentarem os preços.

Apenas a título de esclarecimento: a nova roupagem da "Galeria Nova Barão" deve-se ao desserviço que a mídia faz em torno da "Galeria do 'Rock'". Tornou-se ponto turístico e, por consequência, os proprietários aumentaram os preços dos imóveis, levando os antigos comerciantes a rumarem a outras galerias, inclusive à "Nova Barão". Não "surgiram novas lojas"; são as mesmas lojas, trucidadas pela concorrência e pela estratégia de reescrever a  história da cidade e de suas relações de mercado de um modo mentiroso.

É um post mistificador, quase medíocre. Se música não fosse um mero negócio, não me preocuparia. Mas o problema é maior. É sintoma de exaustão de uma indústria cultural que oferece o mais do mesmo, em que a diferença segue o ritmo de padrões de consumo.

 
 
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marcelo

E para os que se incomodam com chiado, abaixo link e trancrição do toca vinil a laser. Notícia antiga, de 2006. caríssimo. Obviamente que ficaria bem mais em conta com escala. Quem sabe agora com esta moda?

http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI877260-EI12882,00-Aparelho+...

 

  

Aparelho toca discos de vinil como CD
13 de fevereiro de 2006 18h08 atualizado às 18h20

Aparelho reproduz as faixas com melhor fidelidade que a agulha
 

A empresa norte-americana ELP fabrica um tocador de discos de vinil que lê as músicas com um laser. O aparelho, que existe desde 1989, trata o disco como se fosse um CD, permitindo rebobinar e pular faixas.

Segundo o fabricante, o toca-discos consegue ler com muito mais fidelidade, inclusive partes do disco que nunca encostaram na agulha. Quatro lasers fazem uma leitura da superfície do disco e envia os dados analógicos para um conversor digital.

Além de ter uma fidelidade de som excepcional, o Laser Turntable não desgasta o vinil, aumentando sua vida útil. O dispositivo é capaz de reproduzir discos em 33, 45 e 78 rotações, de quaisquer dimensões.

O Laser Turntable custa, nos Estados Unidos, US$ 19 mil. Existe um modelo mais simples, que toca somente discos de 33 e 45 rotações, por US$ 15 mil. A ELP agora possibilita que pessoas testem seu produto por 10 dias antes de comprá-lo.

 

 
 
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Sônia Aranha

            Divido minha vida com um garimpeiro de preciosidades musicais em vinil. Acho que há em casa  uns 4 mil LPs.  Alguns comprados lá no Japão ou em outros países da Europa, via internet, porque é lá fora que as raridades são encontradas. Claro que ao longo da vida ele foi guardando o que comprava, mas  com o advento do CD o vinil ficou de lado e daí muita música boa surgiu nos sebos de discos e mesmo em sites de venda na internet.

       O vinil , a meu ver,  é um modo de resgatar a música brasileira que não está disponível em CD e, tampouco, em arquivos digitais. Há muitos grupos musicais e intérpretes que duraram um curto espaço de tempo, mas que deixaram boa música gravada em vinil.

        Temos desde o disco das 12 músicas finalistas do I Festival Nacional do Choro Brasileirinho de 1977, passando pelo disco Carta à República de Milton Nascimento e Fernando Brant de 1987 até o Carolina Cardoso de Menezes, interpretando Ernesto Nazareth e o disco A Bossa no Paramount com Terra de Ninguém interpretado por Marcos Valle e Ellis Regina.

           Além da música, colecionar vinil envolve a questão da história do próprio objeto disco: a dedicatória, o autógrafo, a arte da capa, as diferenças de gosto gráfico nas diferentes épocas. Enfim, pra quem gosta , comprar vinil é um imenso prazer.

 
 
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Jair Fonseca

A qualidade do som em vinil depende de muitas coisas. Há LPs mal-prensados, etc, com som ruim. O equipamento pra reproduzir os discos também deve ser legal. Mas quando o vinil é bom... Bate qualquer som digital. Já fiz comparações sonoras de alguns de meus LPs de primeira e comparei com os respectivos CDs. Sem comparação... E, como vários falaram, o formato e a qualidade gráfica das capas e encartes, e até dos selos, é grande!

 
 
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Henrique Torres

Concordo com o que foi dito acima: apesar de alguns poucos inconvenientes - a curta duração de cada lado, o chiado (que, garanto, nem incomoda tanto assim: muitos dos meus LPs estão em perfeito estado), a necessidade de limpar a agulha de vez em quando - a qualidade do som, as capas maravilhosas (putz, os discos do Milton... Milagre dos Peixes, com todas aquelas folhas dentro de uma capa-envelope que é um verdadeiro presente em si) e que, ainda por cima, são legíveis, ao contrário de muitos cds, que a gente que passou dos quarenta precisa de lupa para ler os nomes das músicas. 

Uma das coisas que mais me emputeceram com a sociedade da tecnologia descartável foi, depois que tive de me desfazer do meu toca-discos (que não funcionava mais), ficar sem poder ouvir meus LPs. Como pode a indústria decretar que uma nova tecnologia (no caso, o CD) deve decretar o fim de outra?

Qual não foi, portanto, o meu prazer quando, há uns quatro anos, decidi investir num som de qualidade e aproveitei para comprar um ótimo Technics de segunda-mão! Que incrível foi redescobrir, depois de uns vinte anos, coisas maravilhosas de que eu nem mais me lembrava! Apenas alguns exemplos significativos:

- toda a coleção dos discos do Milton, incluindo uma dedicatória no encarte do Clube da Esquina que valeria um capítulo das minhas memórias, se um dia eu resolvesse escrevê-las.

- vários do Miles, incluindo Bitches Brew, que há muito tempo eu não ouvia; Coltrane (A love supreme (!), ....)

- Alberta Hunter, meu Deus!

- os concertos para violino de Bach, numa gravação de David Oistrakh com uma orquestra russa que é de chorar

- dois do grupo D'Alma, um maravilhoso "Cordas Cruzadas" do Heraldo do Monte, um monte do Hermeto, os primeiros do Egberto, alguns do Helio Delmiro

- A música para os funerais da Rainha Mary, de Purcell - a marcha fúnebre mais impressionante que existe

- todos os LPs do Rumo

- a Arte da Fuga de Bach, com o Concerto Köln

- e tantos outros, mas uns em especial: a obra para piano de Bach por Glenn Gould (principalmente os prelúdios do Cravo bem temperado). É a música do deus supremo celebrada pelo seu mais importante sacerdote. Algumas pessoas rezam antes de dormir. Eu coloco todas as noites um lado de um desses discos para poder dormir em paz. É o que vou fazer agora. Boa noite a todos. 

 
 
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Renato Lélis

 

Em Teresina (PI) em 2007 fundamos o Clube do Vinil, funciona as segundas e sextas à noite no Clube dos Diários ao lado do Teatro 4 de setembro no Centro da Capital. Pra nossa surpresa (pensávamos que os frequentadores seriam pessoas da terceira idade) a maioria dos frequentadores são jovens e sempre demonstram bom conhecimento dos discos.

Particularmente gosto de admirar as capas dos discos, verdadeiras obras de arte. Também curto as dedicatórias (menções escritas nas capas de vinil) feitas quando presenteavamos alguem com um disco (encontramos muita coisa bonita, mas também cada pérola). Hoje com o CD pouco se escreve nas capas.

De lá pra cá pelo menos três grupos de jovens se encontram as tardes de sábado pra ouvirem vinil.

 

 
 
imagem de JOÃO CARLOS LIMA
JOÃO CARLOS LIMA

SEM SOMBRA DE DUVIDA, O SOM DO VINIL E MELHOR E DURADOURO. ANOS ATRAS O PRESIDENTE DA

NEC DECLAROU `UM DIA TEREMOS UM CD COM A QUALIDADE DE UM VINIL´.

AINDA SONHO UM COMPRAR NO BRASIL NOVOS DISCOS DE VINIL.

 
 

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