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Desabamento e mídia: uma análise do conjuntoEnviado por luisnassif, sab, 28/01/2012 - 13:25
Por Webster Franklin
Do Observatório da Imprensa DESABAMENTO NO RIO: O júbilo, o luto e as liçõesMauro Malin A hipótese mais forte para explicar o desabamento do Edifício Liberdade, no Centro do Rio de Janeiro, tem relação com obras em andamento em dois andares. Remoção de partes estruturais e acúmulo de entulho teriam provocado o colapso da estrutura, segundo engenheiros e professores ouvidos. Um operário da obra, Alexandro da Silva Fonseca, salvou-se voltando instintivamente para o elevador, que despencou. A estrutura da caixa do elevador impediu que ele fosse esmagado por escombros. Alexandro tornou-se o personagem mais conhecido da tragédia. Estava feliz porque acreditava ter nascido outra vez e até pretende comemorar duas datas, a do desabamento e a de seu nascimento biológico, não metafórico, em fevereiro. A nenhum repórter ocorreu perguntar-lhe se, como disseram duas ou três pessoas ouvidas, de fato houvera remoção de algum elemento de sustentação da estrutura. No Jornal Nacional, a apresentadora Patrícia Poeta acabara de dizer: “(...) uma obra no nono andar é uma das causas mais prováveis desse desabamento. Um sobrevivente do desastre trabalhava exatamente naquela obra. E a forma surpreendente como ele escapou da morte a gente vai ver agora na reportagem de Mônica Teixeira”.
Alexandro estava feliz. E os telespectadores mentalmente sãos estavam felizes com ele. Mas isso não exime o operário de ter participado, com sua humilde atividade, de uma obra que pode ter causado a morte de muita gente. Possivelmente, mais gente do que no incêndio no Edifício Andorinha, em 1986 (20 mortos), também um prédio antigo, situado na Avenida Almirante Barroso, a pouco mais de trezentos metros do Edifício Liberdade. Felizardo, mas cidadão O operário não é menos cidadão do que ninguém. Interessa-lhe, como às demais testemunhas próximas ou remotas, entender o que ocorreu, para tirar lições – não foi por implicância malsã que a mídia internacional repercutiu o desastre. O desabamento teria deixado centenas de mortos se tivesse acontecido três horas antes, quando ainda não se havia encerrado o horário rotineiro do dia de trabalho. Teria sido o acidente mais mortífero da história do Brasil, superado apenas pelo desastre de chuva e imprevidência da Região Serrana do estado do Rio, um ano atrás, que deixou milhares de mortos, muitos ainda soterrados em lugares que não foram escavados. O que aconteceu depois da tragédia em Friburgo, Teresópolis e Petrópolis ensina que a vida ainda vale pouco no Brasil, apesar da transição demográfica em curso, da qual resultará uma escassez de braços e cérebros no mundo do trabalho que o país só poderá enfrentar abrindo (muito) mais as portas para imigrantes. Com as consequências que o episódio dos haitianos no Acre deixa entrever. Isso vai ocorrer nos próximos trinta, quarenta anos, que são nada em perspectiva histórica ou em análise demográfica. Luto, emoção, reflexão O noticiário captou também o luto dos parentes e amigos de pessoas mortas. Entre a exibição de lágrimas ou sorrisos, tão própria do infotainement reinante na televisão e alhures, com que ficamos? Com nem um, nem outro, se pretendemos obter jornalismo. Jornalismo não exclui emoção, alvo quase exclusivo do infotainement, mas seu foco é descrever, para informar, e analisar, porque toda informação desperta uma reflexão. A Folha de S. Paulo (27/1) e o Globo (mesma data) cumpriram melhor a missão. Entenderam que se abre um capítulo na história da engenharia brasileira. Que, por exemplo, as chamadas autoridades não poderão mais fazer vista grossa, por negligência ou suborno, como até agora, à vontade dos proprietários de imóveis ou responsáveis por eles. Que a condenação da opinião pública, se não da Justiça, as levará a pensar duas vezes antes de “dar um jeitinho”. Não se entenda que negligência ou suborno vão desaparecer, apenas que serão menos rotineiros, talvez, ou, quem sabe, custarão mais caro, nos dois sentidos (punição mais expedita, no primeiro caso, e somas mais elevadas, no segundo). Principalmente em São Paulo, no Rio e em mais algumas capitais, existem edifícios altos construídos há décadas. Nunca um deles tinha vindo abaixo como o Liberdade. Os incêndios do Andraus (1972, dez anos depois da inauguração) e do Joelma (1974, três anos depois da inauguração), em São Paulo, provocaram mudanças normativas e de rotinas de fiscalização. Aprender com os erros A engenharia vive de sucessos e erros. Henry Petroski (To Engineer Is Human, 1984, não publicado em português) escreveu (em tradução livre): “Acredito que o conceito de falha – mecânica ou estrutural, no caso – é central para entender a engenharia, já que o projeto de engenharia tem como primeiro e mais importante objetivo prevenir a falha. Os desastres colossais que ocorrem são em última instância falhas de projeto. Mas as lições que eles deixam fazem mais para avançar o conhecimento de engenharia do que todas as máquinas e estruturas bem-sucedidas do mundo. Falhas, de fato, parecem ser inevitáveis na esteira do sucesso prolongado, que encoraja margens de segurança menores. Quando ocorrem, levam a aumentos das margens de segurança e, assim, a novos períodos de sucesso. Entender o que é a engenharia e o que fazem os engenheiros é entender como as falhas podem ocorrer e como podem contribuir mais do que o sucesso para fazer avançar a tecnologia.” Um dos episódios tratados por Petroski no livro é o colapso construtivo que provocou, até aquele momento, a maior perda de vidas na história dos Estados Unidos: a queda de passarelas suspensas por cabos do Hyatt Regency Hotel, de Kansas City. Morreram 114 pessoas e cerca de duzentas ficaram feridas. Calculou-se que metade da população da cidade foi direta ou indiretamente atingida pela morte, invalidez ou sofrimento de parentes e amigos. Petroski entra em detalhes sobre as investigações que se seguiram (existe um tópico a respeito na Wikipedia). O fato mais notório é que os hotéis Hyatt nunca mais tiveram as passarelas suspensas que eram uma de suas marcas visuais. Nesse plano, o aprendizado pode ter sido radical e exagerado, mas pelo menos evitou a repetição do mesmo erro.
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Comentários + votados
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Luciano Palma
28/01/2012 - 14:07
A imprensa parece estar bastante despreparada no Brasil. Foca em emoções e não em fatos.
Além disso, investiga pouco. Não sou repórter, mas no dia da tragédia entrei no Google Street View e notei que...
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Ed_milson
28/01/2012 - 14:25
IMPORTANTE:
Matéria do Globo online mostra que o prédio maior que desabou sobre acréscimos nos andares superiores ao longo do tempo. Será que sua estrutura fora projetada para suportar o peso...
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Ed Döer
28/01/2012 - 15:41
Parte do problema é que para grande mídia, o que ocorreu em Pinheirinho teria sido uma vitória do estado democrático de direito dos homens de benz e não uma tragédia, caso contrário, o evento poderia...
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Vânia
28/01/2012 - 15:43
Comparação de imagens mostra que houve acréscimos em andares e aberturas de janelas
Fotos mostram as intervenções que foram feitas ao longo do tempo no Edifício LiberdadeO GLOBO / EDITORIA DE...
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Ex-combatente
28/01/2012 - 17:04
Muitas obras feitas em salas comerciais do Centro do Rio são realizadas por pequenas empresas, que contratam trabalhadores avulsos, alguns são inclusive moradores de rua, como já pude constatar. Tudo...
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Mario Blaya
28/01/2012 - 17:38
olha, eu ví as reportagens feitas pelo bom dia brasil e globo news, me pareceram razoaveis, entrevistaram engenheiros, especialistas em eventos como esse com experiencia em zonas de catastrofe.
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Jose Mayo
28/01/2012 - 19:24
sab, 28/01/2012 - 15:07
Luciano Palma
"O METRÔ passa embaixo do prédio. Isso pode causar intensas vibrações. Pode causar fadiga dos materiais. Exige acompanhamento e manutenção. E novamente, ninguém...
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José Antonio Mesquita.
28/01/2012 - 19:30
Perfeito Luciano, apesar de tantas opiniões contrárias, como arquiteto e conhecendo o sistema estrutural do edifício através das reportagens, custo a acreditar que tais obras tenham sido as...
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Rabuja
28/01/2012 - 22:01
Alguns mapas informam que o metrô passa exatamente embaixo da rua onde os prédio desabaram. CAbe lembrar que houve interdição da linha 1 do metrô naquele dia, após o acidente, que só voltou ao normal...
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Ramalho
29/01/2012 - 08:19
O metrô NÃO passa sob o edifício que ruiu, e sim sob a rua 13 de Maio. Esta é uma rua de pedestres, embora nela seja permitido estacionar. Nesta rua, não há trânsito pesado de veículos.
O edifício...
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Ivan Moraes
29/01/2012 - 11:13
"bode expiatório serão as janelas abertas na lateral do prédio. Ninguém ousará questionar a obra do metrô":
Nao haveria razao tecnica pra isso. Se o edificio tivesse caido comecando de baixo...
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Vânia
28/01/2012 - 13:48
A análise não traz nenhuma grande novidade, ao menos para quem tem acompanhado o acontecido. Discordo veementemente de um ponto:
"... isso não exime o operário de ter participado, com sua humilde...
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Ramalho
28/01/2012 - 15:01
A tragédia do desabamento no Rio arrebatou a mídia grande, diferentemente da atenção que vem tendo na mídia alternativa.A tragédia do Rio, por parte da mídia grande, mobilizou helicópteros, analistas...
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Ramalho
28/01/2012 - 15:27
O prédio caiu dobrando-se sobre a face/parede ao lado da qual estavam os outros dois prédios que ruíram em consequência do desmoronamento do primeiro e na qual estariam embutidas colunas de...
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Jakson Ferreira de Alencar
28/01/2012 - 15:51
A mídia usou esse desastre para abafar a repercursão das violções dos direitos humanos e do nazismo em Pinehirinho.
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Rabuja
28/01/2012 - 22:18
Comentei ali em cima sobre o metrô antes de ler seu comentário. Esta foto diz muito.
Mas realmente o bode expiatório serão as janelas abertas na lateral do prédio. Ninguém ousará questionar a obra do...
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Rabuja
28/01/2012 - 22:32
É curioso o apego da grande imprensa a esta foto e o silêncio sobre o metrô que rasgou os subterrâneos desta rua, conforme foto postada mais abaixo, na década de 70, quase 30 anos após a alteração do...
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Rabuja
29/01/2012 - 13:54
Ivan, não estou dizendo que a razão principal é o metrô. Estou tentando dizer apenas que a obra do metrô não pode ser descartada a priori. Só isto. As reportagens têm citado alterações no prédio que...
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A análise não traz nenhuma grande novidade, ao menos para quem tem acompanhado o acontecido. Discordo veementemente de um ponto:
"... isso não exime o operário de ter participado, com sua humilde atividade, de uma obra que pode ter causado a morte de muita gente."
Alguém acha que um pedreiro (e jovem, diga-se) tem responsabilidade por uma predio desabar desse jeito? O coitado não deve ter nem segundo grau completo.
Ele foi muito espontâneo na entrevista, não escondeu a justificável felicidade por estar vivo. E vejam que a repórter, como sempre, bem que tentou arrancar um choro dele.. Claramente, pelo menos nesse momento em que foi entrevistado, ele sequer supunha que a causa do desabamento seria a obra na qual trabalhava, nem a entrevistadora sabia. Tanto que ainda se questionava a possibilidade de ser algum problema relacionado a explosão de gás.
A imprensa parece estar bastante despreparada no Brasil. Foca em emoções e não em fatos.
Além disso, investiga pouco. Não sou repórter, mas no dia da tragédia entrei no Google Street View e notei que havia placas sinalizando obras naquela rua - http://twitpic.com/8bpcy4
O trânsito era limitado a carros de serviço. Tal obra (decerto não pequena) pode ter sido concluída, mas ninguém foi buscar informações sobre isso, sobre a empresa responsável pela obra, sua dimensão, etc.
O METRÔ passa embaixo do prédio. Isso pode causar intensas vibrações. Pode causar fadiga dos materiais. Exige acompanhamento e manutenção. E novamente, ninguém "atentou" para esse fato.
Este "silêncio" seria falta de competência ou "conveniência"?
olha, eu ví as reportagens feitas pelo bom dia brasil e globo news, me pareceram razoaveis, entrevistaram engenheiros, especialistas em eventos como esse com experiencia em zonas de catastrofe.
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
Perfeito Luciano, apesar de tantas opiniões contrárias, como arquiteto e conhecendo o sistema estrutural do edifício através das reportagens, custo a acreditar que tais obras tenham sido as responsáveis por tal catástrofe. Se não vejamos:
1-Quatro estações do Metrô situam-se nas imediações.
2-esta região do RJ, além de próxima ao mar já foi aterrada por possuir lagoas.
Penso que tal hipótese poderia responsabilizar setores da sociedade civil muito mais importantes, do que uma obra sem responsável técnico.
Alguns mapas informam que o metrô passa exatamente embaixo da rua onde os prédio desabaram. CAbe lembrar que houve interdição da linha 1 do metrô naquele dia, após o acidente, que só voltou ao normal após uma vistoria nos túneis entre as estações Uruguaiana e Glória (cujo percurso inclui as estações Carioca e Cinelândia). O trecho sob a rua dos prédios está entre as estações Carioca e Cinelândia.
IMPORTANTE:
Matéria do Globo online mostra que o prédio maior que desabou sobre acréscimos nos andares superiores ao longo do tempo. Será que sua estrutura fora projetada para suportar o peso adicional?
http://oglobo.globo.com/rio/foto-da-decada-de-50-revela-que-predio-que-desabou-sofreu-muitas-modificacoes-ao-longo-do-tempo-3783498
Corrigindo:
...SOFREU acréscimos...
um bom trabalho de pesquisa por parte d´O Globo!!!
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
A tragédia do desabamento no Rio arrebatou a mídia grande, diferentemente da atenção que vem tendo na mídia alternativa.
A tragédia do Rio, por parte da mídia grande, mobilizou helicópteros, analistas de toda sorte, filmagens de todos os ângulos, reapresentação das matérias, apresentação de fotos antigas e de fotos de satélite; entrevistas de autoridades, de vítimas e de familiares das vítimas; animação do desmoronamento etc. A tragédia do Rio tornou-se espetáculo.
Já a tragédia do Pinheiro teve, por parte da mídia grande, cobertura sucinta, econômica na qual as vítimas – doentes, crianças, velhos – foram criminalizadas em interpretações rasas. Não se viram animações, nem fotos de “antes e depois”, tampouco análises de especialistas sobre o problema (exceto no jornal do Heródoto Barbeiro).
A mídia alternativa noticiou a tragédia carioca, mas comoveu-se e indignou-se com a de Pinheirinho (comportamento semelhante na mídia grande só se viu no excelente jornal comandado pelo Barbeiro). Denunciou a violência estatal absurda.
Para mim, todo este lamentável oba-oba da mídia grande em torno da tragédia carioca tem, também, por propósito, fazer esquecer o que aconteceu em Pinheirinho.
Que contraste. Que tristeza.
Parte do problema é que para grande mídia, o que ocorreu em Pinheirinho teria sido uma vitória do estado democrático de direito dos homens de benz e não uma tragédia, caso contrário, o evento poderia ser explorado da mesma maneira que se explora o que ocorreu no Rio.
O prédio caiu dobrando-se sobre a face/parede ao lado da qual estavam os outros dois prédios que ruíram em consequência do desmoronamento do primeiro e na qual estariam embutidas colunas de sustentação da edificação (segundo entrevista de engenheiro que conduziu outras obras no prédio, todas as colunas do prédio estariam embutidas nas paredes, e as áreas internas seriam constituídas de vãos livres, sem colunas internas). O prédio caiu dobrando-se sobre esta parede pois levou junto dois outros edifícios que estavam ao lado dela. Não caiu para frente, mas para o lado, para o lado desta parede.
Na parede sobre a qual o prédio dobrou-se, foram abertas muitas janelas, e as respecitvas aberturas podem ter danificado as colunas embutidas na parede. Havia muitas janelas nessa parede. Como as colunas desta parede estariam fragilizadas, não suportaram a carga e dobraram-se para fora.
É provável que a fragilização das colunas embutidas na parede que deveria ser cega (mas na qual haviam aberto as janelas) seja a causa do acidente.
O metrô NÃO passa sob o edifício que ruiu, e sim sob a rua 13 de Maio. Esta é uma rua de pedestres, embora nela seja permitido estacionar. Nesta rua, não há trânsito pesado de veículos.
O edifício fica de frente para a rua 13 de Maio. Se as obras do metrô, feitas há muitos anos, tivessem afetado as fundações do prédio que desabou, levando em conta que o metrô está sob a rua 13 de Maio, teria afetado os pilares mais próximos desta rua, e o edifício teria caído para frente, e não para o lado.
A trepidação que os trens do metrô provocam são análogas às que o trânsito pesado provoca e, até, menores em amplitude. Caminhões e ônibus provocam trepidação, e, se houver desniveis na rua, causam mais trepidação do que trens. Trens, por transitarem em via em geral mais nivelada do que a dos demais tipos de veículos terrestres, geram menos trepidação do que os outros tipos de veículos. É totalmente improvável que os trens do metrô sejam a causa do desmoronamento.
Pelas notícias, o colapso começou na parte superior do prédio. Tudo leva a crer que pilar - ou pilares - embutido na parede que dobrou foi fragilizado no nono andar, o andar que estava em obra. A carga dos andares superiores ao nono mudou de posição, provavelmente em razão de acomodação do material constituinte do pilar preenchendo algum vazio feito no pilar na altura do nono andar - por exemplo, para passagem de cabo, ou para abertura de janela - deslocando a estrutura para fora, causando força lateral de dentro do edifício para fora, nas colunas da face lateral, do nono andar para cima. Tais pilares não foram projetados para tais tipos de esforços, e vergaram-se (do nono andar para cima).
Toda a estrutura acima do nono pendeu mais e mais para fora até partir os pilares da parede comprometida e ruir para o lado e sobre a parte debaixo da construção, puxando toda a estrutura para o lado desta parede. Com a carga dos andares superiores puxando a estrutura pra o lado e com o impacto do desmoronamento, toda ela ruiu sobre os prédios que estavam deste lado, destruindo-os.
O que aconteceu foi por aí. Quem viver, verá.
Comparação de imagens mostra que houve acréscimos em andares e aberturas de janelas
Fotos mostram as intervenções que foram feitas ao longo do tempo no Edifício LiberdadeO GLOBO / EDITORIA DE ARTE
RIO - A abertura de janelas na lateral do Edifício Liberdade, o maior dostrês que desabaram no Centro do Rio, na noite da última quarta-feira, ajuda a alimentar a tese de que obras irregulares podem estar na origem da tragédia. Uma imagem da década de 50 em que o prédio aparece revela que ele também passou por mudanças nas suas dimensões. A construção tinha um recuo nos últimos quatro andares. Com o tempo, esses andares foram expandidos, ganharam novas paredes, e o edifício passou a ter outra forma.
Segundo leitores que fotografaram a região recentemente, as janelas — fora do padrão original da edificação e localizadas na chamada empena cega do edifício — evidenciam que reformas foram feitas à margem dos órgãos fiscalizadores, como o Crea-RJ.
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"A foto retrata o prédio recém desabado no Rio de Janeiro. Nele vemos parte da lateral e podemos notar as janelas inexistentes no projeto original e várias outras transformações efetuadas ao arrepio da lei e sem que se tomasse qualquer medida", relata o engenheiro elétrico Ney Limonge.
O presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, disse na sexta-feira ao "Jornal Nacional" que a abertura de janelas na empena cega do Liberdade pode ter ajudado a comprometer a estrutura do prédio, que acabou caindo sobre os outros dois.
— A parede deveria ser inteira, de cima a baixo — disse Guerreiro, ao analisar imagens do prédio antes do acidente.
Um dos condôminos a abrir janelas na lateral do prédio foi a empresa TO Tecnologia Organizacional, que fazia obras em dois andares. Um dos sócios da TO, Sérgio Alves de Oliveira, negou que as janelas possam ter contribuído para o acidente.
— É uma irregularidade estética. Já que muitos no prédio faziam, também fizemos — afirmou o empresário.
Uma outra surpresa sobre a planta do prédio apareceu durante o trabalho de resgate dos mortos no desabamento, na tarde de sexta-feira. O 14º corpo encontrado sob os escombros estava no subsolo do edifício, área que os bombeiros nem sabiam que existia.
Os bombeiros chegaram a interromper as buscas por alguns momentos, para avaliar a segurança no local. O risco de mexer numa área desconhecida era grande, porque uma parte da parede do Edifício Liberdade, que ainda está colada no edifício que fica na esquina das avenidas Treze de Maio e Marechal Floriano, ameaça desabar.
Um bombeiro desceu por um buraco aberto e depois o trabalho foi reiniciado com o uso de pá mecânica. À medida que o andar era vasculhado, muita fumaça começou a sair. Minutos depois, o 15º corpo foi localizado e retirado.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/foto-da-decada-de-50-revela-que-predio-que-desabou-sofreu-muitas-modificacoes-ao-longo-do-tempo-3783498#ixzz1kmOyx0wD
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É curioso o apego da grande imprensa a esta foto e o silêncio sobre o metrô que rasgou os subterrâneos desta rua, conforme foto postada mais abaixo, na década de 70, quase 30 anos após a alteração do prédio.
A mídia usou esse desastre para abafar a repercursão das violções dos direitos humanos e do nazismo em Pinehirinho.
Passadas quase 72 horas do ocorrido, muitas especulações e pouquíssimas pistas do que pode ter causado a tragédia.
Desde o começo especula-se sobre as obra no 9º andar, já que a do terceiro já estava concluida. Comenta-se, também, sobre as janelas abertas na lateral do prédio. Pelo menos, uns dois especialistas descartam que esse procedimento, apesar de ilegal, possam ter contribuido para o desabamento. Anteriormente, tinha se descartado, a possibilidade de explosão ou instabilidade do terreno.
Existe, nesses casos, uma pressão midiática, um "bate cabeça" desencontrado por busca de pista. Pelas informações, a polícia civil já está atuando, interrogando testemunhas. Li hoje que a esposa do dono da empresa disse que a obra no 9º andar era decorativa, já tinha sido feita em outros andares. Um engenheiro que tinha assinado a reforma de outro pavimento afirmou que o prédio era sustentado por vigas laterais. O espaço entre essas vigas era livre. Portanto, na opinião do profissional, não poderia ter causado o desastre.
O senso comum, num país onde grande parte das residências são feitas e reformadas por mestres de obras, diz que o que sustenta uma estrutura são suas fundações, vigas e cintas. Seria absurdo fazer um prédio de vinte andares sustentados por paredes de alvenaria.
Seria básico nessa investigação o acompanhamento, por parte dos responsáveis, da remoção dos entulhos em busca de fragmentos que traga alguma pista, nem que seja uma memória fotográfica passo a passo.
A mídia, de maneira geral, está trabalhando bem. Últimamente, critica-se muito a mídia por transformar tudo em espetáculo, mas nesse caso não dá para ser fleumático. A magnitude do evento requer grande cobertura no local do ocorrido. Ao contrário do noticiário político, grande parte ficção, este é realidade nua e crua. A margem para manipulações é pequena.
As autoridades envolvidas nas investigações sejam elas municipais, policiais ou de entidades de classe têm pela frente um grande desafio. Durante 26 anos transitei pelo local, o tempo em que trabalhei no centro da cidade. O centro do Rio abriga trabalhadores de toda cidade, a sensação é que todos poderiam estar sobre os escombros. A cobrança pela elucidação da ou das causas da tragédia será intensa, espera-se rapidez e competência.
Sobre o desabamento entendo que se devam fazer os paralelos coloquiais:
1) Os Edifícios Andraus e Joelma x Edifício da CESP.
2) O Estádio do Maracanã x O Morumbi e aquele da Bahia.
Os edifícios Andraus e Joelma foram submetidos ao fogo intenso e ainda sim suas estruturas mantiveram sua estabilidade geométrica (não foram à ruína), já o da CESP desmoronou parcialmente.
O Maracanã apesar de mais velho é sólido e íntegro mostrando-se destino bem dos outros dois abobados.
Porque estruturas submetidas aos mesmos esforços conheceram sortes tão diferentes? O que as une? No que elas diferem?
Todas elas projetadas engenheiros e feitas de concreto armado, porém, concebidas sob a égide de diferente$ norma$ técnica$. Os peles-vermelhas deste país têm que voltar seus olhos para os cara$-pálida$ que monopolizam as diretrizes da NB-1.
Pedra, areia, cimento, ferro, aspectos imponderáveis que podem incidir sobre a qualidade da obra apresentam-se constantes desde as pirâmides (eu sei que o aço não existia) se assim , porque nossas normas evoluíram tão rapidamente, sem consulta pública, na moita?
Chegamos ao cúmulo de uma norma vigorar por menos de um ano – graças à Deus, um viaduto nas proximidade do MASP, recém construído, mostrou-se verdadeiro treme-treme, revisados os cálculos ,mostraram-se corretos, chamaram um gringo que apontou falhas gritantes na NB em vigor.
Os cartagineses da construção tem profundas relações com a universidade e a ABNT, assim Lei deve afastá-los das decisões de caráter social. Estas decisões são de caráter social, porque qualquer profissional bem formado chegaria aos poucos pilares de 12cm que os atuais prédios residenciais apresentam, alguns teriam consciência desta temeridade, mas sabe como é, têm que criar os filhos etc.
No prédio alto que desabou, pelo que sei, tinha pilares em seu perímetro externo e não possuia vigas internas de travamento, sob o aspecto comercial é fantástico, o sonho de consumo de qualquer arquiteto ou corretor de imóveis, mas a Cinelândia fica sobre um brejo!
Não podemos esperar nada dos inqualificáveis do CREA e não há nada de moral nesta afirmação – só não sei definir estes caras.
Muitas obras feitas em salas comerciais do Centro do Rio são realizadas por pequenas empresas, que contratam trabalhadores avulsos, alguns são inclusive moradores de rua, como já pude constatar. Tudo para cortar gastos. Sabemos que o Rio vive um momento de excepcionalidade. Os valores dos imóveis seja para compra ou aluguel estão fora da realidade. Nenhum inquilino quer pagar a mais devido a uma obra qualquer. Isto faz com que os administradores procurem reduzir o mais possível as despesas, contratando assim empresas e mão de obra super barata. Trabalho e deambulo pelo Centro do Rio há vinte anos. Qualquer pessoa ligada ao setor com quem converso afirma ser o Centro um barril de pólvora, pois há inúmeros imóveis condenados em sua estrutura mas ainda sendo explorados comercialmente.
sab, 28/01/2012 - 15:07
Luciano Palma
"O METRÔ passa embaixo do prédio. Isso pode causar intensas vibrações. Pode causar fadiga dos materiais. Exige acompanhamento e manutenção. E novamente, ninguém "atentou" para esse fato. Este "silêncio" seria falta de competência ou conveniência?"
Hipótese interessante, Luciano. Desde o ano 1970 ao ano 1977, época em que os edificios em questão já existiam, a construtora CETENCO "rasgou" a avenida Treze de Maio de cima a abaixo (literalmente), para a realização das obras daquele trecho do METRÔ, veja a imagem abaixo:
(link original: http://www.rioquepassou.com.br/2012/01/27/av-13-de-maio-obras-do-metro-anos-70/)
É facil perceber que a escavação da galeria, com cerca de vinte metros de profundidade e a céu aberto, teve que necessariamente passar muito próxima ás fundações destes e de TODOS os edificios dessa avenida. Pior. É provável que a "cortina atirantada", construída em aço e concreto armado para conter as margens dessa galeria, possa ter ficado, em algum trecho, em contato íntimo com alguma das sapatas ou mesmo colunas de sustentação do subsolo de algum desses predios...
O resto é tempo, subpressão do lençol freático, aumento do tráfego (e das vibrações) do metrô, trabalho intenso dos sistemas de sustentação, fadiga dos materiais e... colapso!
É claro que, se for possível colocar a culpa em alguns otários que abriram umas janelas numa parede de tijolos... fica mais fácil. O problema é se acontecerem outras tragédias, pela conveniência inconfesável de ocultar possíveis fatos.
Saudações
Comentei ali em cima sobre o metrô antes de ler seu comentário. Esta foto diz muito.
Mas realmente o bode expiatório serão as janelas abertas na lateral do prédio. Ninguém ousará questionar a obra do metrô.
Quando logo após o desabametno eu mostrei para minha esposa as fotos do monte de entulhos que nos parecia muito baixo para ser referente a um prédio de 20 andares e um de 10, ficamos imaginando que ele tinha afundado durante o desabamento. Com o fechamento da linha do metrô fiquei achando que uma tragédia maior tinha ocorrido. Felizmente não ocorreu, mas estou sem entender a razão pela qual não se fala nunca sobre um possível impacto do metrô ao longo do tempo. Aquelas janelas abertas na lateral do prédio vieram realmente a calhar.
"bode expiatório serão as janelas abertas na lateral do prédio. Ninguém ousará questionar a obra do metrô":
Nao haveria razao tecnica pra isso. Se o edificio tivesse caido comecando de baixo ate daria pra entender, mas o edificio ruiu de la de cima. Nao eh "bode expiatorio", Rabuja, a parede das janelas ruiu.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Ivan, não estou dizendo que a razão principal é o metrô. Estou tentando dizer apenas que a obra do metrô não pode ser descartada a priori. Só isto. As reportagens têm citado alterações no prédio que foram feitas há mais de 50 anos, mas não citam as obras do metrô que foram feitas há menos de 40 anos. Veja o que diz numa entrevista uma mulher que mora na rua desde a época das obras do metrô:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=IdUPbIM0o3M
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