Cultura: um dos menores orçamentos da Esplanada

Da Agência Brasil

Ministério da Cultura amplia em mais de R$ 270 milhões recursos para o setor em 2012

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil, em Brasília

Com um dos menores orçamentos da Esplanada dos Ministérios, o Ministério da Cultura informou que terá este ano mais recursos do que em 2011. O  ministro interino da Cultura, Vítor Ortiz, disse à Agência Brasil que a expectativa é de um total de pouco mais de R$ 2 bilhões. No ano passado, a pasta obteve R$ 1,7 bilhão executado (utilizado). Para ele, o salto orçamentário foi gerado pelo fato de 99% do programado para 2011 terem sido utilizados. 

“É, sem dúvida alguma, um dos melhores resultados do governo [no que diz respeito à execução orçamentária]. Também representa um medidor de eficiência de gestão, o que nos capacita a receber cerca de R$ 270 milhões a mais neste ano”, disse Ortiz.

O total bruto de R$ 2,3 bilhões previstos para 2012, segundo o ministro, não inclui os recursos da Lei Rouanet (de incentivo à cultura) – que permite que pessoas físicas ou jurídicas apliquem parte do Imposto de Renda em ações culturais.

A aplicação do orçamento do Ministério da Cultura para 2012 já está definida, com uma série de prioridades. Pelo menos 400 praças de esporte e cultura serão construídas em todo o país, a leitura ganhará incentivos com  programas específicos e serão ampliados os investimentos em artes visuais, dança, teatro, música, além de  melhorias na infraestrutura das casas de espetáculos.

Até o fim do mês, o ministério envia para a Casa Civil o projeto referente ao programa Livro Popular cuja proposta é adotar medidas que levem ao barateamento do preço do livro, que deve ficar em torno de R$ 10,00. O projeto deve envolver bibliotecas, editoras e as parcerias dos governos federal e estadual. Ao mesmo tempo, serão lançados programas de incentivo à leitura.

Também está em fase de elaboração o programa Economia Criativa. Nele, os investidores terão informações sobre como investir em cultura, gerar lucros e valorizar o potencial da economia brasileira.

Paralelamente, em parceria com os estados, serão construídos e reformados teatros em todo o país. Os investimentos iniciais são para a construção do Teatro da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), no Rio Grande do Sul, e das restaurações dos prédios do Teatro de Natal, no Rio Grande do Norte, e do Teatro Brasileiro da Comédia, em São Paulo.

Os projetos organizados pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), a ampliação de pontos culturais inseridos no Plano Nacional de Cultura – que reúne 53 metas a serem executadas até 2020 – e a divulgação de editais para a implementação de trabalhos de artes visuais, teatro, música, fotografia e dança também estão na relação das prioridades do governo até o fim deste ano.

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10 comentários
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Gledson Shiva

A primeira coisa é saber o quanto deste orçamento - tanto o excutado como o previsto para este ano - é mesmo do MinC, pois o órgão está querendo tapear as pessoas informando as contas da ANCINE como sendo sua, quando sabemos que a agência tem fontes de recursos próprias e diretoria diferente da turma Grassi/Hollanda.

 

@gledsonshiva

 
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Gledson Shiva

Este programa Livro Popular é mais uma maneira de injetar recursos nas editoras que já dominam o Ministeiro da Educação com a venda ao maior comprador de livros do mundo. Se quisesse de fato tornar a leitura popular bastava um programa de acesso aos E-Reader (como o da AMAZON) com quantidade de conteúdos já embutidos e alimentação de contepudos com os recursos advindos dos projetos fianciados pela Lei Rouanet, que já seria bastante significativo, mas isso seria para uma gestão profissional e não esse retrocesso na cultura brasileira que vemos no atual MinC.

 

@gledsonshiva

 
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foo

CENÁRIO 1

O Governo compra 100 mil livros por R$ 10. A editora recebe R$ 900 mil, e repassa R$ 100 mil para o autor (se ele tiver sorte).

CENÁRIO 2

O Governo negocia com o autor. Paga R$ 500 mil pelos direitos da obra, e disponibiliza o conteúdo online. Ao invés de 100 mil, 10 milhões de alunos poderão ter acesso aos livros, em seus computadores e e-readers. Pequenas editoras poderão imprimir pequenas tiragens, movimentando a economia local.

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Quantas pessoas no Brasil possuem mais do que 50 livros em casa? Poucos.

Imagine se pudéssemos oferecer uma biblioteca completa, com centenas ou milhares de obras, para cada jovem. Qual o preço disso?

Considerando que o custo dos e-readers está perto dos R$ 140 -- este é o preço de 14 obras pelo esquema antigo, com a diferença de que agora poderemos oferecer uma biblioteca para cada aluno.

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Poderíamos começar com uma seleção como esta:

http://amortescimento.blogspot.com/2009/03/100-livros-essenciais-da-lite...

Ou mesmo esta lista, da Editora Abril:

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/100-livros-essenciais-3989...

(Lembre-se - muitos desses autores morreram antes do início do século XX, e suas obras já se encontram em domínio público; quanto aos demais, o Governo poderia negociar os direitos de distribuição, dando um chapéu na editora. Quem ganha com isso? O próprio autor, e o povo brasileiro.)

 
 
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maria utt

Foo, sua ideia é boa, mas não acho que todos os problemas se resolvam com um e-reader. Se pensarmos na educação de jovens, perfeito, mas acredito que o livro popular deva servir a todas as faixas etárias e não vejo o pessoal mais velho se adaptando a um dispositivo desses.

Claro que a medida depende em grande parte dos critérios de escolha dos livros populares, mas acho que todo incentivo à leitura num país que lê muito pouco como o nosso é bem-vindo. Nasci numa cidade do interior de Minas que hoje deve ter seus 70 mil habitantes, acredita que até hoje nenhuma livraria conseguiu se manter lá?

Sinceramente não vejo uma política dos e-readers e do Livro Popular como excludentes entre si.

 

 
 
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Josaphat
cultura, que é?
 
 
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Roberto Veiga

>>>> Com um dos menores orçamentos da Esplanada dos Ministérios (...)

Qualquer coisa maior do que zero é muito.

 
 
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Carlos Henrique Machado

A EPIDEMIA GERENCIAL NA CULTURA.

Sempre entendi o universo cultural não como criador de riquezas, mas de felicidade. Esse processo constrói uma sociedade em que todos participam, para o bem-estar de todos. Só que os, sempre vigilantes do peso do Estado que hoje são representantes do novo sistema de exploração cultural, principalmente via leis de incentivo, identificam cultura como uso pessoal de u...m proponente com objetivos que falam consigo mesmo. Fazer futuro e, ao mesmo tempo viver a criticidade contemporânea sem biombos, é um desafio que os princípios gerenciais não têm a menor capacidade de, ao menos, experimentar. Por isso nenhuma tarefa em favor da criação, anunciada logo na primeira leitura da ministra Ana, se realizou. O que ela fez foi "racionalizar" os recursos para o povo e tonificar a presença colonizadora das classes dominantes. Trocando em miúdos, o que ela na verdade fez, como uma gerente de loja de departamentos, foi estimular a concentração de recursos públicos nas mãos de editoras, gestores corporativos, institutos e fundações. Enfim, a ministra foi buscar logo a colaboração dos morcegos ligados ao poder do capital. Por isso a cultura institucional no Brasil está a dois passos do fim do mundo.

 
 
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Carlos Henrique Machado

O MERCADO CULTURAL QUE NEM OS CAPITALISTAS ACREDITAM.
Um dos sintomas do fracasso da viagem do MinC rumo às fortunas por meio do mercado cultural, é o próprio mercado que, se não for pela conversão de impostos via renúncia fiscal, as empresas não perdoam e se negam a apoiar minimamente com dinheiro do próprio bolso qualquer iniciativa cultural. Daí os negócios nebulosos invariavelmente arquitetados em seu percurso para arrecadar fortunas dos cofres públicos são a única saída da tal economia criativa, ou seja, mais do mesmo. Mas não é só isso. Se houvesse um plano, por mais irônico que fosse, de recuperação da indústria do entrenenimento, os caminhos já estariam aí se entrecruzando. Por isso, se a gigantesca indústria "cultural" não mais se realimenta e provoca calafrios na bacia das almas, como os nossos gênios da gestão guarany administrarão um mercado que nem as multinacionais conseguem mais vender? No caso do Brasil, entretanto, criamos a palavra oficial das leis de incentivo, Rouanet, que financia os negócios do começo ao fim, custo, lucro e prejuízo, uma ilha cinco estrelas tão concentradora quanto a mídia. O segredo dos gestores é oferecer suas bondades à sociedade, bondades estas custeadas pelos cofres públicos.

 
 
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Gledson Shiva

Daquia pouco a atual "jestão" do MinC vai dizer que este orçamento pertence a ela, quer apostar?

 

http://abpitv.com.br/samba/index.php/br/noticias/destaques/1172-bndes-e-...

 

@gledsonshiva

 
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Walter o primeiro

E olha que é muito, muito para financiar a apresentação da Disney no gelo, filmes que incluem na pretação de contas jantares em restaurantes luxuosos, peça de teatro que ate eu faria melhor com meus recolhecidos dotes de ator, diretor e comentarista do Nassif (sera que da um financiamento???)

 
 

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