Crônica de tempos bicudos

Por Leilaqdiz

Em 1973, o monstruoso Fleury invadiu nossa casa, só havia minha mãe e meus irmãos.Tudo foi destruído,ninguém podia entrar nem sair.Íamos ao banheiro e a porta tinha que ficar aberta com um soldado de frente.Meu pai preso, ficou 90 dias sem sabermos se estava vivo ou morto.Mamãe tomou de impulso,me puxou pelo braço e resolveu ir ao QG onde possivelmente papi se encontrava.Ficamos mais de um dia sentada na sala de espera com um soldado na nossa frente.

Qdo o coronel resolveu nos atender mame falou: se o senhor não me disser onde está meu marido, eu mato meus filhos e me mato, mas antes deixo uma carta, para quem vou entregar não interessa.Várias discussões se sucederam, mas não me lembro os detalhes pq fiquei horrorizada com que mame tinha resolvido a fazer e fiquei imaginando como ela iria nos matar. Pensei: ela resolveu isso sem nos consultar, mas logo em seguida pensei: mame pode está tentando enganar esse mostro.Lembro que íamos quase todos os dias e ficávamos sentadas por todo um dia.

A foto de nossa casa foi estampada nos jornais e qdo íamos à escola ouvíamos gritos: vc é comunista! sai comunista!Eu tinha 9 anos, minhas irmãs 7 e 6.Mame ficou estranha, pq soube do que fizeram com as esposas dos companheiros de papi.Lembro todas as mulheres da família em prantos.

Minhas avós, minha bisa, minhas tias.Pensava: pq choram tanto? Pai ainda não foi considerado morto.

Mas algum tempo depois fiquei sabendo o pq.

O coronel resolveu nos dar 5 minutos e depois de percorremos alguns corredores sempre com vários soldados a nossa volta armados, vi papi.

Eu pensei de imediato, não é meu querido pai, ele não é assim.....O coronel fez um sinal para que eu ficasse quieta.

Mame chorava aos prantos, beijava-o desesperadamente.

Então com calma perguntava a todos.

O que aconteceu, pq ela estava assim?

Foi então que aos 9 anos fiquei sabendo o que era tortura e o que faz ao seu humano.

Deixei de ser criança naquele momento e tomei uma decisão, se ele foi preso por produzir panfletos, quem vai distribuir sou eu. 

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23 comentários
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Jairo Batista dos Santos

Esta foi a "ditabranda" da Folha de São Paulo. Talvez Ali Kamel que quer reescrever a história da Rede Globo, devesse ler esta crônica.

 

 
 
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interlocutor

E ainda temos que aturar essa mixórdia em que se transformou a classe média dizer que não vota em terrorista. Não tenho mais dúvidas de que é uma geração perdida, cabeça feita pelo individualismo exacerbado por uma imprensa ordinária. Já deixei de conviver com várias pessoas por causa disso.

 
 
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kalango Malatesta

e o zé é a favor desse desmantelo de várias gerações de brasileiros

periga der ser futuramente associado a judas iscariotes, silvériodosreis e caboanselmo

 

Ou o Brasil acaba com os juízes corruptos ou os juízes corruptos acabam com o Brasil

 
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Remindo Sauim

Todos estes depoimentos deviam ser levados a público em sites, livros, rádio, tv e cinema para todo mundo saber o que foram os anos do milagre econômico. Generais e policiais roubaram, torturaram e mataram. Alguns ainda estão aí com altas aposentadorias. Não se trata de revisionismo, mas de justiça.

 
 
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alcides valença

PARABENS PELA BELA DESCRIÇÃO DE UMA SITUAÇÃO APAVORANTE. TAMBÉM PASSEI POR ISSO COM MEU PAI QUE ERA DO PARTIDÃO

A ditabranda foi VIOLENTA e deixou marcas

 
 
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maria nadie rodrigues

 

Por volta de 1975 conheci uma paulista de Sorocaba que chegara dos Estados Unidos, sem saber o que realmente se passava neste país. Segundo ela, foi muito triste rever uma amiga de infância e ouvir o que a coitada sofreu nas mãos de policiais. Para obter informações, a amiga precisou estar com ela no meio dos matos, longe da civilização, com medo de ser seguida. Então contou-lhe esta história:

"- Eu estava dentro de um ônibus seguindo para casa quando alguém que entrara no veículo espalhou uns panfletos, tendo um deles caído no meu colo. Enquanto tentei ler o texto, um policial, que já se encontrava no ônibus, arrancou o papel da minha mãe, perguntando o que era aquilo. Sem que eu pudesse falar nada, o homem me levou com ele até um local desconhecido, onde me obrigou a ficar nua, me estuprando em seguida, e por muitos dias me submeteu a torturas no corpo inteiro, inclusive nos meus órgãos sexuais. Fui liberada apenas quando já não sabia nem mesmo quem eu era, pois sequer tinha forças para caminhar..."

Reproduzo, em parte, uma história horrenda desse período, como foram tantas outras, apenas para colocar que nessa fase negra da vida do povo brasileiro, qualquer um poderia ser torturado e morto, independente de ser comunista ou socialista. Essa moça sequer conhecia ideias comunistas, jamais foi subversiva, ou entendia nada de política. O cara que entrou com o panfleto devia ser amigo do policial. Ou seja, no meio de muitas pegadas certeiras contra os "subversivos", existiram as pegadinhas dos oficiais, maníacos, psicopatas.

 
 
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anonino000

 

Todos aqui deveria lembrar que só temos universidade pública graça ao esforço generoso que a ditadura fez. Pois, como diz o pessoal dilmista, foram  destas o maior número de ¨fugões¨, só UnB foram centenas em menos de um mês, obrigando ter que nomear docente, sem concurso, apenas com uma entrevista com general do sistema. Alguns desses, apenas receberam bilhete anônimo por debaixo de sua porta dizendo que o sistema estava desconfiado que ele seria comunista e esse  nem sequer antes de abandonar os seus alunos procura o general,  toda reitoria tinha gabinete desses, para saber da verdade. E é claro que na pressa terrível de arranjar docente para que a universidade pública não fosse extinta, o general, e na maioria das vezes, errava, posto que, nomeava o cara num dia, depois de uma longa entrevista, e no dia seguinte o cara se apresentava ao aluno como um dos mais extremado comunista e que daria o seu sangue para destruir o regime.  Que alguns ainda hoje continuam atuando e todo aluno de universidade pública que perguntar como foi que esse ingressou corre o risco de levar uns tapas, reprovação e perseguição de tudo quanto é tipo é o de  ¨menas¨, isso é fato. 

 

 
 
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André LB

  Se entendi direito (você escreve muito mal), seu raciocínio é mais ou menos assim: eu meto a mão na sua cara e te expulso da sua casa, coloco outra pessoa pra morar lá e você ainda tem que achar bonito, afinal eu diminuí o déficit habitacional no Brasil. Gostei. Vamos tentar, anônimo?

 
 
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Ivanisa Teitelroit Martins

Leila, que depoimento! Tempos bicudos? Tempos de horror! Violência e brutalidade contra homens, mulheres e crianças por que pais escreviam panfletos? Como estão papi e mame?

"Mame chorava aos prantos, beijava-o desesperadamente. " Sua mãe soube responder ao terror cobrindo seu pai de beijos. Nenhum poeta conseguiria ser tão docemente, tão desesperadamente, tão amorosamente, tão apaixonadamente poético quanto mame. 

 

Ivanisa Teitelroit Martins

 
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João Lucas Gontijo Fraga

E é na cabeça desses torturadores que a mídia passa a mão. E a Dilma é "terrorista" por ter lutado contra isso aí.

Absurdo.

 
 
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Jair Fonseca

Nesta "vida vida de aquém-túmulo", como diria Guimarães Rosa, às vezes, pode rolar isso.: tanto sofrimento injusto. E é contra isso que a gente se volta: tortura, covardia, assassinato impunes.

Se há vida de além-túmulo, é lá que Fleury e outros covardes se danam. Mesmo que seja aqui e agora, e na hora de suas mortes, amém.

 
 
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Leilaqdiz

Obrigada Nassif pela oportunidade de mostrar a algumas pessoas o que acontecia nos anos de chumbo.

Meus pais estão bem agora, estamos sempre acompanhando os acontecimentos e que um dia a verdade seja informada  aos nossos jovens e os responsáveis sejam julgados,para que tais fatos não se repitam

Para quem deseja saber um pouco mais recomendo DOSSIÊ DITADURA mortos e desparecidos políticos no Brasil 1964-1985, editado pelo IEVE.São mais de 700 páginas.Além dos relatos pode -se ver as fotos dos jovens mortos após as torturas. É preciso ter estômago.Pode -se ter uma idéia do que a Dilma passou com apenas 17 anos.Terrorista? HEROÍNA

 
 
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alfredo machado

Cara Marie naide rodrigues:

Tanto este seu impressionante depoimento quanto o de Leilaqdiz deixam à mostra diversos sentimentos possíveis a um ser humano, da crueldade explícita ao amor mais que legítimo, passando pela covardia e pela completa indiferença ao próximo.  

Sempre que tomo conhecimento de situações pungentes como estas, inesquecíveis para quem as viveu na própria pele e impossíveis de serem imaginadas por quem não as viveu, sinto uma sensação de revolta em relação a muitos dos que andam aparentemente sossegados por aí, alguns a tentar o impossível, apagar da memória os seus atos de fraqueza, e outros a conviver, em envergonhado silêncio, com os seus fantasmas.

Um grande abraço   

 
 
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anonimo

E o incrível é que teve gente que estava nas mãos desses bestas feras,  sofrendo das piores torturas e não quis que o seu nome constasse em lista de prisinoneiros a ser trocados por sequestrados.

 
 
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Gabriela Martins

Ruy, Deixei até de ser espírita por causa disso!!

No centro onde frequentava (a matriz ficava no bairoo de classe média alta de SP e os trabalhos sociais na periferia) , sistematicamente diziam que a Dilma era terrorista e a favor do aborto, mesmo no centro da perifa. 

Inclusive, uma colega do  centro em enviou as fotos com os "mortos da dilma." Era aquelaes e-amil de correte. Alguém ja recebeu esse tipo de e-mail? 

Respondi, muito nervosa, pois já estava com o saco cheio. disse-lhe que estava mais preocupada com os vivos caso o candidato dela (advinhe quem é) ganhasse. Expliquei sobre o Jardim Romano., da rampa anti-mendigos, do assassinato de gerações com uma educação medíocre. Sabe o que ela me respondeu?

- As pessoas lá não estavam por acaso, que elas tinham um resgate preterito a cumprir.

Depois disso, além de outros fatores de ordem pessoal, nunca mais pus o pé em um centro espírita!!! Pois tenho certeza de que o centro onde eu frequentava nào seria o único, pois o espiritismo é classicamente religião de classe média.

 
 
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comentador

Que bela narrativa. Pena que se refira a um acontecimento real, que destruia lentamente os nossos irmãos. E ainda há quem defenda a monstruosidade da Ditadura?

 
 
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L

O coronel, se vivo estiver, há de estar curtindo o seu merecido descanso, num apartamentinho ali em Higienópolis, ou naquele sitiozinho maneiro em Vinhedo.  Deve ter tido bastante tempo para abraçar seus netos. O tempo que o pai de Leila não teve para abraçar a própria filha.

O coronel trabalhava para livrar a pátria-mãe da escória subversiva. E foi anistiado pelos bons serviços que prestou! Ordenaram-nos que o esquecêssemos, e que esquecêssemos o que ele fez. Nós o fizemos, e seguimos esquecendo-o todo santo dia em que um zé-ninguém é brutalizado numa delegacia do Brasil. Graças ao bom trabalho do coronel, a tortura segue sendo coisa nossa. Assim, mais ou menos, como a jabuticaba. O brasileiro é cordial. E é torturador. Lembrem-se disso, pelo menos.

 
 
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Rogerio Martins

Me lembro do golpe de 64.

Me lembro dos policiais na minha casa.  Perguntei: o que queriam. Responderam: viemos prender seu pai. Eu tinha 6 anos.   Tomei naquele momento a mina primeira pancada.  Me lembro que uma sensação de não é frio mas fria me subiu dos pés à cabeça.  Para uma criança ,  soldado vem logo depois de bicho papão,  o doido da rua, o homem do saco e outros personagens de medo. Ainda me lembro daquea raiva que não mantinha a boca parada  como  num tique nervoso  e ouço aquela voz dentro da minha cabeça até hoje.

Me lembro que minha mãe corria comigo apavorada pelas ruas em busca da central de telefone para dar interurbano a parentes para avisar que meu pai havia sido preso no Rio de Janeiro.

Me lembro que se falava em bombas plantadas  pela cidade e havia um pânico geral.

Caminhões de soldados do exercito posicionados em pontos da cidade. Soldados com metralhadoras andavam por entre as pessoas assustadas. Governador Valadares sitiada por dentro e por fora. Já se falava em mortos a bala já no primeiro dia da ditadura.

Entramos num Jeep. Eu fui lá trás. Era o Jeep do meu pai.  Iramos para Belo Horizonte. Meu pai estava lá.

Me lembro da minha mãe arrada chegando da prisão.  Um dia ela disse: ele está de pijama e descalso. sem camisa.   Chovia em Belo Horizonte. Helicópteros faziam a ronda.

Meses depois um homem barbudo de terno azul marinho risca de giz chegou ao portão. Me assustei e corri para dentro de casa.  Não reconheci meu Pai...

Aos poucos a prosperidade da minha familia foi sumindo.  Já não dava mais para viajar de avião até o sítio em Teofilo Otoni. As dividas começaram a chegar.  Em 68 uma ordem de despejo bateu  na porta da nossa nova casa. Em 1970 meu pai foi preso novamente.

Acho que posso começar a narrativa dos tempos obscuros que vivi entre 64 até 82 quando fiz a minha ultima apresentação de espetáculo para um infeliz e desgraçado seboso e adiposo que ostentava um anel com uma pedra vermelha  e uma unha grande  no dedo mínimo.  Era agente da Policia Federal e fazia a "previa" a "CENSURA". Na estréia mudamos voltamos ao texto original. Falamos tudo que gostariamos de dizer sem medo e sem raiva.  "REPUBLICA BANANA" . Nesse dia, após a liberação do espetáculo,  começou  o fim daquele meu tempo de medo...

 
 
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antonio rodrigues

O inacreditável é que depois de tanto sofrimento para milhares de brasileiros, ainda tentam pintar como bandidos quem lutou, se arriscando a tudo, contra a brutalidade e a ignorância que tomaram conta do pais naqueles anos sombrios.

O Serra não merecia ganhar essa eleição apenas por esse detalhe.

Ja deveria estar claro para toda a nação que aqueles que lutaram contra a ditadura foram exatamente os brasileiros mais corajosos e generosos.

 
 
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melcart

Sem querer ser chato, mas já sendo: sua mãe usar a história que iria matar vcs se não visse seu pai é de uma falta de noção.

Eu sei que foi falando num momento de desespero e raiva, mas matar os filhos porque não pode ver o marido, oi né? É a Medéia que não pode ter o seu Jasão de volta descontando o ódio nos filhos. 

No mais, não acredito em céu e inferno, mas pra certas pessoas como os torturadores e quem foi conivente com a Ditadura Militar, espero que existe um inferno só pra eles. Mesmo que Satanás não mereça companhia tão desagradável. 

 
 
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evandro condé de lima

Eu fico pensando como se sentem hoje, já mais velhos, não necessariamente mais sábios, estes, hoje, senhores e/ou anciões? Comentam com as esposas? Contam para os netos? Reunem-se com antigos companheiros e riem das porradas que deram e dos estrupos realizados? Vá entender raça humana.

 
 
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Rodrigo Dias

Sempre que leio esta narrativas o meu coração fica apertado. Sempre que policia ia em casa eu e meus irmãos iamos para debaixo da cama e de lá a gente só via os coturnos da PM. Cresci sempre ouvindo o seu pai da preso, eu nem sabia porque, mas acustumei a dizer: É o meu pai assaltou um banco. Quando vejo a Dilma vejo uma geração chegando ao poder para realizar seus sonhos com mais maturidade, mas ainda com sonhos. Então eu fico com a sensação, e a mesma do meu pai, que valeu a pena.

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

"Pensei: ela resolveu isso sem nos consultar, mas logo em seguida pensei: mame pode está tentando enganar esse monstro"

Eu diria mais. Ela estava tentando sensibilizar um insensível.

 
 

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