Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra

Por Fernando Augusto Botelho

 

Para Luiza Bairros, da Igualdade Racial, o melhor caminho não é impor as ações às universidades federais

Socióloga defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, a serem adotadas por meio de incentivos

JOHANNA NUBLAT – FOLHA SP

DE BRASÍLIA

Gaúcha radicada em Salvador há 31 anos, atual secretária de promoção da igualdade da Bahia, a socióloga Luiza Bairros, 57, assumirá a Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), órgão vinculado à Presidência da República.
À Folha ela defende as cotas raciais, em contraposição às sociais, e diz que o melhor não é impor ações às universidades federais -posição que se opõe ao atual entendimento da pasta.
“Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos.”

Folha – Há uma ação que a sra. sabe que precisa ser feita?
Luiza Bairros -
 A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra.

E como isso seria alcançado?
A partir de medidas coordenadas e articuladas. As questões mais específicas são muito importantes. Quer dizer, tanto é importante o acesso ao Bolsa Família como viabilizar que os que já o recebem saiam do programa.
A questão da educação é extremamente importante, porque temos uma evasão escolar bastante grande, o que é particularmente grave na população negra.
Também a saúde. De novo, entre os negros é que se registram mortes mais precoces e em maior número.

O Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado neste ano sob críticas de retirada de pontos importantes. A sra. concorda?
Não. O estatuto gerou no movimento negro uma expectativa alta. Na discussão no Congresso, foi perdendo aspectos considerados fundamentais pelo movimento, como a questão das cotas.
Boa parte da insatisfação se deve à percepção de que foi retirado um instrumento eficiente na redução das desigualdades raciais. Agora, deve ser ressaltado que, no ensino universitário, as cotas foram implantadas independentemente de legislação.

Todas as universidades federais deveriam ter cotas?
O êxito da iniciativa nas que adotaram é tão evidente que deveria ser um indicador importante para as que ainda não estão convencidas.

De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza.

Ou seja, não é cota por estrato social, mas para negro?
Não é mesmo. Mesmo quando você analisa as estatísticas de desigualdade racial, é importante observar que, nas informações por renda entre brancos e negros, as diferenças continuam.

Há gestores que defendem a imposição. E a sra.?
Tenho dificuldade de responder isso. A imposição é dada pelas mudanças que a sociedade vai provocando nos valores. Chega num ponto em que a sociedade muda tanto que as instituições são obrigadas a mudar com ela.

Mas, talvez, elas sozinhas não façam esse movimento…
Elas têm de ser, em algum nível, levadas a isso. Há várias formas possíveis, usadas em outros países, que podemos estudar num futuro próximo. Por exemplo, oferecendo incentivos para que universidades ou outras instituições adotem essa medida.

Mesmo as públicas?
Sim, é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.
Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos.

http://blogdofavre.ig.com.br/2010/12/cota-nao-e-da-ou-desce-diz-nova-ministra/

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39 comentários
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Anonimop

{A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra.]

 Já começo a turma da Dilma querendo derrubar o que Lula fez. Eram cerca de 30 milhões, Lula acabou com mais de 22 milhões e, portanto, resta uma quantidade residual de miseráveis apenas. Além disso, o governo Lula criou oportunidades fabulosas para qualquer um que quiser até ficar milionário. E é direito que algum nem queira tentar isso.

 
 
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AnonimoC

 

ERRADA!!!! Cota não é mais coisa de universidade pública querer o não. É uma necessidade para própria subrevivência e exigência da moralidade pública. Posto que, todos os estudos científicos provam que cotista não tem rendimento acadêmico inferior aos demiais e o futuro impõe que universidades pública priorize radicalmente os melhores. Casos, como da UnB/Unicamp mostram que essas teriam qualidades cerca de 20% superior ao que apresentam hoje, caso fosse tivesse todas as suas vagas preenchidas só por aluno da  rede pública. Além disso, os dados do ENADE provam que rede privada, via ProUni e outros programas de financiamento, gradua com qualidade não inferior as pública e, portanto, não há prejuízo algum se cota em pública for 100%.

 
 
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Gesil Amarante II

Isso de classificar cotas raciais como "exigência da moralidade pública" é forçar a barra, no mínimo!

 
 
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Luiz Lima

O subtexto desse discurso é o seguinte: com desigualdade, dá pra conviver numa boa, desde que a distribuição de cores seja uniforme. O que importa não são os pobres, e sim os pobres pretos.

 
 
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AnonimoC

Calma que há dados escondidos. Acho que o passado pelos os seus ancestrais,  negro quando melhora de vida tende a ser mais lutador pelas melhorias dos demais. Um dado ainda obscuro é que, por exemplo, negro cotista em curso de medicina tende estudar mais o que será útil em posto médico da periferia, ao invés dos demais que tende mais querer medicina estética e  coisa do genéro que rende muita grana e emprego em clínicas de luxo. É fato que isso ainda não se reflete no currículo ao ponto de haver diferenciação, mas secretarias como essa existem exatamente para estudar esses casos e construir essas diferenciações atuando em conjunto com o MEC e outras instâncias governamentais. 

 
 
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roluppi

Nossa Luiz, desculpa, mas você viajou total.

 

Rodrigo Luppi - Gestão de Políticas Públicas machadoluppi@gmail.com @luppirodrigo www.namesadebar.wordpress.com

 
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Luiz Lima

Gostaria de que assim fosse, mas outra não tem sido a tônica do discurso de "promoção de igualdade racial", companheiro. D. Luiza o repercute. Leia com "olhos para ver". Da entrevista:

"Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza."

Ou seja: a simples existência de pobres não é em si suficiente para que desejemos erradicar a pobreza; "independentemente" desta constatação, há que estratificá-la, "demonstrar" que ela atinge preferencialmente negros - e a estes, sim, direcionar as tais "políticas públicas". 

Que a pobreza atinge "preferencialmente" negros deveria ser bastante óbvio num país em que a maioria da população é negra. Daí decorrem as "diferenças na inserção", e não do fato de que esta é seletiva por cores. Esta seletividade - que sim, existe e tem que ser exposta para que possamos combatê-la - é instrumentalizada de forma a mascarar a questão de classe, apresentando-a como uma questão de raça. O que conduz à tese de que se resolvermos o problema do racismo, estaremos resolvendo a questão de classe. Não tem funcionado dessa forma em lugar nenhum do mundo. Os EUA não se tornaram menos racistas porque um negro foi eleito presidente da República, ou porque as cotas deram origem a gente como Thomas Sowell, Colin Powell e Condoleezza Rice. Em outras palavras, não devemos lutar por cotas raciais para que um dia tenhamos mais CEOs negros. Temos de lutar por cotas sociais para que possamos deslocar a classe dominante de lugares que ela julga lhes pertencer por direito divino. 

 
 
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José Roberto X

"Que a pobreza atinge "preferencialmente" negros deveria ser bastante óbvio num país em que a maioria da população é negra. Daí decorrem as "diferenças na inserção", e não do fato de que esta é seletiva por cores. Esta seletividade - que sim, existe e tem que ser exposta para que possamos combatê-la - é instrumentalizada de forma a mascarar a questão de classe, apresentando-a como uma questão de raça. O que conduz à tese de que se resolvermos o problema do racismo, estaremos resolvendo a questão de classe."

 Você colocou muito bem, Luiz. Está perfeito, é exatamente isso o que acontece: Uma falácia.

 

"Não tem funcionado dessa forma em lugar nenhum do mundo. Os EUA não se tornaram menos racistas porque um negro foi eleito presidente da República, ou porque as cotas deram origem a gente como Thomas Sowell, Colin Powell e Condoleezza Rice. Em outras palavras, não devemos lutar por cotas raciais para que um dia tenhamos mais CEOs negros. Temos de lutar por cotas sociais para que possamos deslocar a classe dominante de lugares que ela julga lhes pertencer por direito divino." 

A grande diferença entre eles e os brasileiros é que nos estados unidos praticamente NÃO HOUVE MISCIGENAÇÃO. Houve imigração, mas não houve a miscigenação.  Lá sim a coisa está bem dividida. Lá quem não é preto é branco.  Já, aqui a coisa muda de figura. Aqui houve uma grande miscigenação, não só de duas etnias, mas de três a princípio e, posteriormente, com o início das imigrações no final do século XIX a miscigenação tomou proporções nunca antes verificas em outros países: Uma mistura de muitas etnias. No mundo não houve em nenhuma outra região, experiências étnicas tão diversificadas e tão intensas como no Brasil.

E podemos nos assegurar que o único motivo deste país, após  500 anos, ainda manter as mesmas fronteiras, num território com dimensões continentais, falando o mesmo idioma, só pode ser a miscigenação.

Quando os portugueses chegaram aqui, encontraram milhares de tribos e cada uma delas falando um dialeto deferente da outra. O território era um verdadeiro campo de guerra tribal. O canibalismo era comum a muitas tribos.

A escravidão de negros não era uma prática exclusivamente de brancos. Negros alforriados possuíram escravos e muitos se tornaram negociantes de escravos.

Os imigrantes brancos que começaram chegar a partir do final do século XIX, que hoje, já miscigenados, constituem a maior parte da população do Sul e Sudeste, que são os Estados mais populosos,  NUNCA escravizaram negros no Brasil e nem em qualquer outro lugar.

Italianos, alemães, lituanos, yugoslávos, búlgaros, libaneses, judeus, japoneses, e muitos outros.

Por isso quando eroneamente se fala em dívida social de um lugar para outro, ou de uma etnia para outra, por causa da escravidão, há que se refletir bem os fatos para não incorrer numa tremenda injustiça.

É isso aí pessoal! 

 
 
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Alberto Cordiviola

Não é "subtexto" é o texto mesmo. E tem que ser assim. Reconhecer e lutar contra a grande diferença social é corretíssimo; mas, dentro dela, a questão racial é mais aguda e urgente. Esse é o texto. Não vi subtexto nenhum. 

E as duas coisas podem ser atacadas conjuntamente, como é o caso da Universidade Federal da Bahia, que determina cotas para alunos oriundos da escola pública e, dentre eles, 85% para negros.

 
 
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Luiz Lima

Ah, então podem ser atacadas conjuntamente?! Então, por que fatiar? É exatamente aí que eu quero chegar, companheiro. Por que invocar "raça" quando o negócio é "classe"?

 
 
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Vera

Fatiar é simplesmente o ò.

Todos os seres humanos que não são tratados como tal sofrem discriminação pelos demais. A pasta da "desiguldadade" deve estar empenhada pelo respeito à diversidade, pela equidade e isonomia de direitos  todos os humanos, para que - uma vez sendo bem tratados pela sociedade humana - possam tratar bem os demais vivos. Transversalmente.

O grau de equidade e justiça se mede pelo grau de egoísmo ou humanismo aplicado pelos políticos que deveriam representar quem os elegeu. Espero que o governo de Dilma, no qual votei, seja o mais próximo possível do humanismo que puder chegar.

 
 
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a

Ora! Porque dentro da exploração de classe há inúmeras diferenças e sutilezas. E a forma mais abjeta de exploração de classe é o racismo; também o sexismo. Explora-se mais por uma suposta inferioridade de raça ou inferioridade de gênero. Minimizar a exploração de classe sem eliminar a sobre exploração por raça ou gênero, é consolidar essa exploração dentro dos próprios explorados. 

Há inúmeros trabalhos no Brasil e nos Estados Unidos sobre esta exploração dentro da exploração. No caso da mulher é mais do que evidente. Os famosos três turnos da mulher empregada.

 
 
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José Roberto X

"Minimizar a exploração de classe sem eliminar a sobre exploração por raça ou gênero, é consolidar essa exploração dentro dos próprios explorados. "

Desculpe mas isso é fantasia!! Quem explora, explora qualquer um!!

O patrão não paga MAIS a alguém, só porque é branco! Isso é balela!!

 

"Há inúmeros trabalhos no Brasil e nos Estados Unidos sobre esta exploração dentro da exploração."

Meu caro, você não percebe a nítida diferença entre os EUA e o Brasil no que tange à miscigenação? Lá simplesmente NÃO HOUVE miscigenação! Houve imigrações, mas não miscigenaram. Já aqui, além das imigrações terem sido bem mais intensas, a grande diferença é que miscigenaram intensamente também!

Olhe as populações pobres do Sul e Sudeste e veja se tem muitos negros lá... São os Estados MAIS populosos! Há muitos pardos e braços e poucos negros. Uma lei implantando cotas raciais na Bahia não pode ter o mesmo resultado que a mesma lei implantada no Rio Grande do Sul!!!

Outra coisa que deve ser observada é a injustiça de se penalizar povos que NUNCA escravizaram negros!!

Vê se os ascendentes da presidente Dilma escravisaram alguém!

La no Estado dela (onde é radicada) tem muitos pobres também... Não tanto quanto em SP e Rio.

 

 
 
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Roberto1

Questão "A":

"Folha – Há uma ação que a sra. sabe que precisa ser feita?
Luiza Bairros -
 A agenda de erradicação da miséria. A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

Traduzindo: a maioria dos pobre é negra MAS não se pode ajudar os pobres em geral  porque também há brancos entre eles.

Questão "B":

"De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza."

Traduzindo: a miséria deve ser erradicada MAS só a miséria dos negros. Os brancos miseráveis que se explodam.

Questão "C":

"Mesmo as públicas?
Sim, é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.
Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos."

Traduzindo: as universidades podem escolher políticas de cotas não-raciais (por exemplo, sociais) MAS as que o fizerem não receberão algumas verbas específicas. Se isso não for chantagem eu não sei o que é. O duro é ler isto numa única resposta.

Mais alguém aí viu as trapaças intelectuais?

 
 
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Jason Baviera

Roberto1, parece clara a sua posição anti-cotas. Suas interpretações infundadas quase descortinam um ponto de vista racista, através do qual busca desqualificar a entrevistada, sem sequer recorrer a argumentos minimamente consistentes. Eu sou favorável a implementação de cotas sociais, pois entendo que, dessa forma, uma maioria negra terá reparada parte da injustiça e discriminação secularmente sofrida, assim como brancos (e outras raças) também serão, com justiça,  incluídos socialmente.  No entanto, não percebo em momento algum segundas intenções no discurso da futura ministra ao defender cotas raciais puras.

 
 
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DanielQuireza

Quase concordo. Acho que cotas sociais devem existir para a redução da miséria e cotas raciais para a reparação de um grande mal que foi a escravidão, que deixou marcas até hoje em nossa sociedade.

 

@DanielQuireza

 
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DanielQuireza

Nada a ver. Ela é ministra da igualdade racial e não da redução da miséria.

 

@DanielQuireza

 
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Roberto1

Caros, simplificadamente: sou a favor de cotas sociais, ponto. Alunos de ensinos fundamental e médio de escolas públicas devem ser favorecidos no ingresso ao ensino superior público, simples não? Neste ponto, Jason, temos a mesmíssima opinião.

Daniel: ela é sim, ministra da igualdade racial e no entanto defende a racialização das relações em nossa sociedade. Isso só exacerba exatamente aquilo que se quer combater: o racismo. Ou alguém aí me aponte como a racialização promove igualdade racial (pergunta retórica). Mas o que realmente me incomoda é o uso dos miseráveis (negros e não-negros) como bucha de canhão numa cruzada racialista. Sobre o ministério de "redução da miséria": às vezes dá a impressão que só não existe tal ministério para possibilitar o uso desta população pela politicagem pequena para pura demagogia. Diferenciar miseráveis negros de não-negros só serve à causa racialista, não à erradicação da miséria. Dá para explorar este recurso ad-infinito para qualquer minoria ou grupo que seja alegadamente defendida por qualquer braço do governo que, no fundo no fundo, só defende sua própria existência.

 
 
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AnonimoC

ERRDA2!!!! [ é comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Por isso, eu não digo imposição.] Acontece que essas dispõem de outros mecanismos para obteção de recursos e, portanto, não precisa seguir diretrizes que o governo gostaria e dispensar os recursos públicos. No caso brasileiros o governo é o provedor de tudo quanto é gasto das públicas. De tudo que universidade pública ganha por iniciativa própria, como taxa de vestibular e venda de cursos de especialização (alguns oferece isso mais até do que os cursos públicos),  nada vai para conta pública, mas de fundação de direito privado, para ser gasto com interesse privado e nada mais. Como comprar lixeira de luxo e outros apretechos para deixar apartamento de reitor nos ¨trinquiiiis¨. A prórpia composição do ministério da Dilma prova ser uma emergência nacional usar todo o potencial dessa para qualificar negros e outros excluídos sociais. Que universidade pública, por exemplo, ofereceu curso de engenharia em reciclagem de lixo e ofereceu cota para esses,  por mais amado que esses sejam por   Lula e pela presidente?

 

 
 
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Orlando

Nassif

Acho importante que leias o texto por inteiro.

[[[[De forma impositiva ou não?
Qualquer pessoa negra desejaria que todas as instituições adotassem um tipo de medida para fazer face a uma coisa real, que são diferenças na inserção social, política, econômica entre brancos e negros, independentemente da questão da pobreza.

Ou seja, não é cota por estrato social, mas para negro?
Não é mesmo. Mesmo quando você analisa as estatísticas de desigualdade racial, é importante observar que, nas informações por renda entre brancos e negros, as diferenças continuam.]]]]

A ministra, é só ler, é totalmente a favor de ações que beneficiem pela cor e não pelo social.

 
 
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Sérgio Lamarca

Está completamente emparedada! Mostra que não está preparada para a luta!

Chega de conciliação!

É cotas sim!

Doa a quem doer... as elites deste país querem manter o domínio ideológico inalterado, via a reprodução de sua ideologia nas universidades ditas "públicas", mas a maioria que tem acesso é a classe média e a classe alta. Somente uma pequena minoria de pobres tem acesso, via muito esforço pessoal. Me admira uma futura ministra de estado dando um "mole" deste. Se a Dilma quer manter o fôlego da luta iniciada pelo Lula, não pode ter ao seu lado "vacilões" como esta aí.

 
 
imagem de Anônimo

"Está completamente emparedada! Mostra que não está preparada para a luta!"

Luta?  Que luta?

 

"Chega de conciliação!"

Sim, amigo, tudo bem...

 

"A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

 Acho que antes da secretaria ressaltar esse quiproquó , deveria primeiro MOSTRAR DADOS que confirmem isso!

É !! Porque se a gente fizer uma BUSCA DE IMAGENS no Google usando o termo de pesquisa “sem terra”, que é pra gente dar uma olhada nas caras dos pobres, a gente vai constatar que a população de negros pobres não só é muuuuito MENOR que a população de brancos pobres, como também é muito menor que a população de pardos pobres.

 

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Pobres miscigenados brasileiros:

Re: Cota não é “dá ou desce”, diz nova ministra
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Orlando

Nassif

A leitura de um negro, Dojival do Afropress, da entrevista da ministra.

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Na 1ª entrevista, nova ministra defende cotas para negros
Por: Redação - Fonte: Afropress - 24/12/2010

Salvador - A nova ministra da Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), socióloga Luiza Bairros, 57 anos, defendeu, em sua primeira entrevista desde que foi indicada pela presidente eleita Dilma Rousseff, a adoção de cotas para negros nas Universidades, e disse que a melhor estratégia é condicionar que as verbas sejam liberadas na medida em que as universidades adotem planos de democratização do acesso.

“É comum em países como os EUA que as universidades só tenham acesso a determinadas verbas federais se adotarem um plano de democratização do acesso. Não é assim, sim ou não, dá ou desce. Existem formas que o próprio Estado pode adotar para criar estímulos”, disse Bairros, em entrevista a repórter Johanna Nublat, da Folha de S. Paulo

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Falando já como ministra, com o cuidado nas palavras, ela evitou responder diretamente se é a favor da imposição de cotas para negros.

 
 
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bernardotorres

O próprio REUNI já inclui isso, com aumento de 20% das verbas federais pras universidades que adotarem políticas de inclusão social e racial, além de outras medidas. Consegue manter a autonomia universitária, mas oferece um estímulo pra que se adequem às medidas do Estado.

 
 
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Edson Joanni

"... e depois de tantos anos, só decepções, desenganos. Dizem que sou um burguês muito privilegiado. Mas burgueses são vocês, eu não passo de um pobre coitado, e quem quiser ser como eu vai ter é que penar um bocado." (O Pequeno Burguês - Martinho da Vila)

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Gesil Amarante II

Forçar por orçamento não é forçar? Bem, talvez não estritamente, mas a questão é: esta verba disponível às instituições que adotarem cotas raciais dizem respeito a ações de inclusão (verbas para bolsas, para moradia estudantil...)? Se a verba condicionada for relacionada com, digamos, infra-estrutura, pesquisa, custeio, isso é forçar da mesma forma. Outra coisa: Algumas pessoas tratam das cotas raciais como um imperativo moral pré-estabelecido, o que é um absurdo. Na minha instituição não há contestação quanto a cotas sociais, mas relativamente poucos docentes concordam com cotas raciais. Mesmo na comunidade que ela assiste, no sul da Bahia, a última vez que vi um debate aberto na TV local a respeito quase todos os comentários, inclusive de um jornalista negro e ativista foram contra. A excessão coube a um membro do movimento por cotas. A tentativa de se estabelecer as cotas raciais como um ponto pacífico não tem sustentação social. O sucesso acadêmico dos eventualmente beneficiados não é um ponto que as justifique (embora reforce a viabilidade das cotas sociais) pois a contestação à ideia diz respeito à iprópria nclusão de um quesito racial (além das óbvias questões práticas que isso levanta, especialmente no Brasil) para a entrada em IES. Não é sequer consenso no próprio movimento negro, é, portantyo, uma imposição.

 
 
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evandro condé de lima

Vou aproveitar o comentário do "AnônimoC"  : "Posto que, todos os estudos científicos provam que cotista não tem rendimento acadêmico inferior aos demiais e o futuro impõe que universidades pública priorize radicalmente os melhores."

Uma vez citado os "estudos científicos" gostaria que o mesmo apontasse onde encontrar os "estudos científicos" que distingue as diferentes raças.

E uma vez que a própria ministra fala em raça, por que não aproveitar que está inicinado e solicitar a qualquer Universidade Pública (ou todas) algo que embasasse a sua fala sobre raça. Pelo menos eliminaria de vez (?) esta eterna discussão.

 
 
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José Robero

"Uma vez citado os "estudos científicos" gostaria que o mesmo apontasse onde encontrar os "estudos científicos" que distingue as diferentes raças."

 hehehe...  Só se a gente ler os livros de eugenia dos nazistas.  Ali eles dizem até como é a cara de um criminoso. Acreditam eles que é possível identificar uma pessoa predisposta a cometer crimes, apenas observando a sua formação óssea facial e craniana. hehehe...  tá bom...

 Num balcão de aeroporto perguntaram a Einstein : Qual a sua raça? Ao que ele respondeu: Raça humana.

 

 
 
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José Roberto

"A secretaria deve ressaltar o fato de que, no Brasil, a maioria das pessoas em situação de pobreza e miséria é negra."

Eu gostaria muito de saber a fonte desta informação. Será que no Paraná ou em Santa Catarina ou em São Paulo ou no Rio Grande do Sul a maioria das pessoas em situação de miséria são negras? Discordo totalmente!

Em primeiro lugar, a maioria dos brasileiros não é branca nem negra e sim pardos.

Em segundo lugar, uma legião de pardos se considera branco.

Em terceiro lugar, o movimento negro discrimina os pardos.

E em quarto lugar, o nosso maior valor enquanto brasileiros que somos não é a “raça negra”  nem a “raça branca”  e sim a miscigenação.

 

 

 

 
 

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