Contas externas perto do limite

Do Estadão.com

Déficit nas contas externas é de US$ 24 bi

Rombo no primeiro semestre já é praticamente igual ao do ano todo de 2009; Banco Central espera compensá-lo com entrada de investimentos

Fernando Nakagawa, Fabio Graner BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A crescente remessa de lucros feita por multinacionais e a compra de produtos e serviços internacionais aceleraram a saída de dólares do Brasil em junho por meio da conta corrente do País, que registra todas as operações de comércio exterior, serviços e rendas do Brasil com o exterior.

O saldo negativo do primeiro semestre, de US$ 23,76 bilhões, é comparável ao déficit de todo o ano de 2009, que somou US$ 24,302 bilhões, e equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). No mês passado, pelos dados divulgados ontem pelo Banco Central, o saldo da entrada e saída de recursos nessa conta ficou negativo em US$ 5,18 bilhões, o pior junho da série iniciada em 1947.

Tentando não mostrar preocupação com a deterioração, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, sustenta que o rombo será financiado com dólares que entram no País para investimento produtivo e no mercado financeiro. No semestre, de fato, a conta fechou. Em junho, porém, a soma do Investimento Estrangeiro Direto (IED) - voltado à produção - e das aplicações financeiras (ações e renda fixa) cobriu apenas 71% do déficit. Por isso, Altamir fez uma inflexão no discurso e admitiu o uso de uma terceira fonte para fechar a conta: o aumento da dívida externa.

A incerteza econômica nos países desenvolvidos foi decisiva na nova piora das contas externas. No mês passado, empresas estrangeiras instaladas no Brasil remeteram US$ 4,15 bilhões às sedes como lucros e dividendos, o maior valor para junho da história. O resultado do mês equivale a um terço das transferências do semestre, que somaram US$ 14,96 bilhões e foram concentrados em três setores: automotivo, químico e eletricidade e gás.

"As filiais mandam dólares para cobrir prejuízos das sedes ou até para se precaver de uma situação que ainda pode piorar", disse a professora de economia da Unicamp Daniela Prates.

Em outra frente, os dólares têm saído em ritmo cada vez mais rápido para pagar serviços relacionados ao nível de atividade econômica acelerado. A despesa total com a contratação de aluguel de equipamentos, informática e transportes cresceu 42% em junho ante igual mês de 2009 e saltou 71% no semestre. Em seis meses, o Brasil usou US$ 13,86 bilhões para pagar essas contas. Em tendência semelhante, a importação de mercadorias cresceu 45,1% no semestre.

Para o professor de economia da PUC-SP Antônio Corrêa de Lacerda, o câmbio valorizado é importante para explicar a piora da conta corrente, mais até do que o nível de atividade elevado. "Hoje, há um processo de substituição da produção nacional por importados."

A fragilidade das contas externas em junho foi acentuada porque a principal fonte de ingresso de dólares, o IED, secou. No mês passado entraram por essa conta US$ 708 milhões, metade do que entrou em junho de 2009. 

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17 comentários
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marcccio

A matéria aborda diversas questões relacionadas ao déficit das contas externas.

Na verdade, a manchete utuilizada: "Contas externas perto do limite", poderia ser utilizadá há mais de um ano que continuaria sendo verdade.

Minha opinião é que ainda passaremos um bom tempo sob o fio da navalha. Ou seja, com as contas externas perto do limite.

Dando uma olhada nos números, obaserva-se que o principal problema não é a balança comercial. Essa está equilibrada, mantendo um ritmo cíclico aceitável.

A matéria aponta o real problema: a remesse de lucros das multinacionais para o exterior e a redução de investimentos externos diretos.

A própria matéria explica o motivo dessa redução: as incertezas econômicas nos países desenvolvidos, que estão pegando cada vez mais dinheiro em suas filiais e estão reduzindo o seu investimento em outros mercados.

Qual a ação mais indicada? No curto prazo criar incentivos locais para a exportação de excedentes e incentivos locais para a redução de improtações. No médio e longo prazo, o Brasil já está atuando por meio do BNDES com incentivo a criação de grandes empresas multinacionais brasileiras que passam a operar no mercado externo e que no médio e longo prazo passarão a remeter os lucros de suas filiais para a matriz brasileira.

 

 
 
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vladcamp

Quais são as grandes multinacionais?

Tem a Petrobras e a Vale.  Dentre as outras não há nenhuma de peso como tem na Coréia, no Japão...

No longo prazo o governo está é destruindo oportunidades ao manter a taxa de juros muito alta e deixar o real valorizar.

 
 
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Com US$ 300 bi em reservas, e sem uma conta petróleo a pressionar, é difícil falar que "estamos no limite"

Agora  ..que o desequilíbrio é flagrante, é

Que o câmbio esta fora do lugar esta  ..trazê-lo artificialmente a um patamar seria outro erro  ..melhor mesmo, primeiramente, seria eliminarmos os estímulos dados a artifícos hoje mantidos ..por exemplo, adotando uma política firme pra investimento especulativo, um patamar de JUROS mais realistas com a realidade do mundo, e com o nosso risco, enfim

 ..e claro tb, pra tanto o GOVERNO precisaria enquadra o BC, e de quebra chamar pra si a função de desenvolver outras ações (que não o juros) que visem manter a atividade, inflação, emprego, contas públicas etc, no lugar

equação difícil

HOJE Lula deve estar pensando  ..a coisa não pega muito  ..pois se "eu" estimulasse  muito a nossa industria (digo no CP), muito provavelmente faltaria MÃO de OBRA especializada pra mantê-la 

..mas, mas, mas presidente (eu diria) o problema não é hoje  ..se Deus quiser, é o amanhã  ..o amanhã que (quem sabe?), quando o BRASIL for capaz de "erradicar-se" do analfabetismo e da informalidade (parece, 40% do PIB, ainda)  ..mas é lá que o bicho vai pegar ?!

..triste mesmo será viver pra ver um presidente qq no futuro dizer que com a pré-sal, mesmo se for pra manter todos em casa, ninguém vai passar mal

 
 
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valter vidal

Nassif qual sua opiniao sobre qual presidenciavel vai mudar esse absurda situação cambial do real? Eu vi uma entrevista da Dilma dizendo que esta tudo bem, que o cambio é este mesmo, o juros é essse mesmo....... sei que vc tem resistencias ao Serra mas em relaçao ao cambio e juros ele é o candidato mais critico e com posicoes claras tanto em relaçao ao cambio como em relaçao a essa politica de juros mafiosa do banco central. Eu acho a Dilma muito dubia em relação esses dois itens vitais para o Brasil, me pareçe que ela não quer aborrecer o establishment do mercado financeiro brasilieiro(Mafia financeira do Brasil), o que vc pensa a respeito?

 
 
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Roberto São Paulo-SP 2012

Os erros do copom

Creio que o problema das contas externas é o atual patamar da taxa de câmbio sustentado pelo Bancen por meio de elevadíssimo diferencial de juros.

Com uma taxa de câmbio maior as importações e a remessa de lucros seriam menores.

O que temos que fazer é eliminar o diferencial de juros, e preservar as Reservas cambiais para garantir uma estabilidade cambial, ja que a substiuições da importações não pode ser feita de uma hora para outra.

É apenas mais um dos erros fundamentais dos membros do Copom.

 

2010

 
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Miguel A. E. Corgosinho

Quem sabe desvendar essa enrascada?

Eu acho essa questão de "rombo" um tremendo papo de economista perdido no meio do furação - a própria realidade do sistema.

Ora temos empresas estrangeiras no pais, um mercado em efervecente crescimento, e o dinheiro ganho não e do governo e sim entre quem faz a roda da economia girar reais por dolares. Toma lá dá cá. Uma nota substitui a outra. Simples assim.

Não há rombo se a moeda nacional dispensa o custo de rolagem da outra...

Não é ai que entram as reservas soberanas???

 
 
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Leal

Sempre ouvi dizer que o problema não é o déficit, mas a capacidade de seu financiamento.

Acho que não deve ser medido em valores, mas na sua porcentagem no PIB.

A qualidade do déficit é que é preocupante: remessa de lucros das empresas transnacionais e de especulações nas nossas exorbitantes taxas de juros. No câmbio, me lembro da empregada doméstica do FHC fazendo turismo na Grécia. Tinha um amigo, na época, que fazia compras de supermercado em Nova Iorque. Mais um pouco e estamos lá. O índice Big Mac é o mais alto do mundo.

Comprar quinquilharias é muito ruim. O Brasil no final da II Guerra, no governo Dutra, tinha reservas que foram queimadas na compra de bobagens consumistas. Estamos comprando muita quinquilharia eletrônica nos dias de hoje, descartamos com pouco uso, celulares e todo tipo de eletrônicos e eletrodomésticos com baixos índices de componentes nacionais. Principalmente os de conteúdo tecnológico.

O Brasil tornou-se a Meca da indústria automobilística internacional.

Todas as montadoras têm suas filiais aqui. Não temos nenhuma marca nacional. No meu ponto de vista, um fenômeno a ser explicado pelos nossos empresários ansiosos pelas reservas de mercado. Com incentivos fiscais, financiamentos do BNDES e  financiamentos para o consumo, estamos aumentando a remessa de lucros destas empresas.

Incentivos para a exportação neste setor já existem. Gostaria de saber qual o déficit ou superávit nas transações correntes deste setor. Se isto é possível?

 
 
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bene

Luis,

 

   Como a Dilma (ou Serra) deverão lidar com esse problema? O que a gente, pessoa comum, pode fazer para se precaver das consequências? Aliás, quais as consequências práticas desse rombo?

 
 
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Túlio Carvalho

tá aí: 12 bn é a metade de 24 bn. agora eu pergunto ao Nassif, a internacionalização não é uma vantagem competitiva para a Gerdau?

Não é interessante comprar empresas em mercados maduros agora?

Quer dizer, defender dólar mais alto para favorecer exportadores é uma parte da industrialização. Mas e se contarmos a industrialização transnacional? Isto certamente existe faz tempo nos países desenvolvidos.

27/07/2010 - 09h38 Investimento de multinacionais brasileiras no exterior bate recorde Fabrícia Peixoto Da BBC Brasil, em Brasília

 

A participação de empresas brasileiras no mercado externo, processo também conhecido como internacionalização, bateu recorde no primeiro semestre deste ano, com negócios que somaram US$ 12 bilhões.

Esse é o melhor resultado para um semestre desde que o Banco Central começou a fazer o levantamento, em 1968.

No conceito de participação, a autoridade monetária considera a compra total ou parcial de uma empresa no exterior, inclusive por meio de uma maior participação acionária.

O resultado reflete uma forte recuperação em relação ao ano passado, quando os negócios somaram apenas US$ 1,1 bilhão, em função principalmente da crise econômica internacional.

Causas

Para especialistas, a retomada dos investimentos brasileiros no exterior é consequência, dentre outros fatores, da desvalorização de empresas estrangeiras, que ainda não se recuperaram da crise.

"Empresas americanas e europeias ainda não recuperaram seu valor de mercado. E como as brasileiras estão com dinheiro em caixa, puderam avançar no exterior", diz o professor Jase Ramsey, da Fundação Dom Cabral.

Outra razão, segundo ele, está em uma "vantagem artificial": a valorização do real frente ao dólar, que dá maior poder de compra às empresas brasileiras.

"Sem dúvida, o artíficio cambial ajuda. Mas ao mesmo tempo, precisamos reconhecer que as companhias brasileiras conseguiram passar pela crise com dinheiro em caixa. É mérito delas também, que saíram da turbulência relativamente mais fortes", diz Ramsey.

Na avaliação do professor de comércio internacional da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Roberto Araújo Cunha, a internacionalização das empresas brasileiras, além de ser uma questão de "sobrevivência" em certos setores, também traz "benefícios" para a economia interna.

"Aquele pensamento de que estaríamos exportando empregos é parte do passado. As empresas que vão para o exterior ganham competitividade e, assim, conseguem praticar preços interessantes para o consumidor brasileiro", diz.

Oportunidade A lógica é a da "perda de oportunidade". Ou seja, se a empresa brasileira não entrar no mercado americano, por exemplo, companhias de outras nacionalidades - como chinesas e coreanas - vão ocupar esse espaço.

"E quando isso acontece, elas ganham escala e podem praticar preços menores. Já as brasileiras perdem espaço lá fora e ainda correm o risco de ter seu produto com competidores mais baratos inclusive no mercado doméstico", diz.

Cunha cita o setor de autopeças brasileiro como um exemplo de setor que já foi forte, mas que deixou de se internacionalizar e acabou perdendo competitividade.

Uma das empresas brasileiras que mais se internacionalizaram nos últimos anos, a Gerdau também está entre aquelas que aproveiram para fazer negócios no semestre, com um investimento de US$ 1,6 bilhão na Ameristeel, baseada nos Estados Unidos, onde já era majoritária.

O professor da FIA diz que as empresas buscam espaço em outros mercados não apenas para ampliar seus lucros, mas também para ter acesso direto ao consumor - especialmente quando existem barreiras comerciais.

"Vários países impõem barreiras tarifárias ou não-tarifárias à importação de certos produtos. Muitas vezes, as empresas estrangeiras não conseguem exportar e acabam abrindo unidades nesses mercados", diz.

"As empresas brasileiras estão fazendo o que as asiáticas fizeram há 30 anos", diz.

 
 
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André LB

  Ah, mas só matando essa quadrilha que manda no BC! Isso é fruto dos maiores juros reais do mundo, que por sua vez sobrevalorizam o câmbio e desatam a sangria... bando de canalhas!

 
 
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cleber"tomaz"tomaz

Alguma coisa não esta certa quando voce vai comprar ate um cabide , e la esta o "made china" , compram nossas madeiras , e nos vendem o cabide, isso para eles é uma mina , e nós continuamos vendendo produtos primário , sem nenhum valor agregado , no minério o máximo que se consegue é quando é vendido em pelotas, , nossas reservas estratégicas estão se esvaindo , ficando aqui a paisagem lunar , e um projeto de deserto , esperamos que o novo governo recupere o tempo os oito anos perdido nesta área .

 
 
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Ricardo Pereira

Estava lendo seu comentario e concordando, mas na sua frase final,vc reduziu o tempo aos ultimos 8 anos. Meu caro, seja mais honesto: até as pedras estao calvas de saber que o desmonte da produçao nacional e o começo da importaçao desenfreada de bugigangas made in China começou nos anos 90.  E,se vc procurar se informar, vai perceber que a atividade industrial está em ritmo mais intenso que nos anos anteriores. Na minha modesta opiniao, o que deveria ser feito é uma seleçao do que é importante na pauta de importaçoes e limitar o superfluo. Os cabides, por exemplo, podem ser fabricados aqui mesmo...

 
 
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Ivan Moraes

"Rombo no primeiro semestre já é praticamente igual ao do ano todo de 2009; Banco Central espera compensá-lo com entrada de investimentos":

A causalidade da sentenca esta errada:  eh mentira do bc, que fez um rombo exatamente pra deixar o Brasil dependente de "entrada" de "investimentos".  Os tais "investimentos" do exterior sao GOLPE, gente.  EH TUDO GOLPE.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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André LB

  Pois é!!! QUANDO vai surgir um "CANSEI do BC"??? Irei me juntar no primeiro momento!!!

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Nada disso importa, na minha humilde opinião, a coisa começa a ficar preta quando a bolsa baixar de 60.000 este ano ainda, neste dia veremos o tamanho da encrenca em que nos metemos.

O negócio é rezar para não baixar, mas se baixar....

 

Acorda Lula, chegou a hora !!!

 

Follow the money, follow the power.

 
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Rodrigo Medeiros

O BC brasileiro aposta na entrada de “investimentos”? Quais tipos de investimentos? Alguém sensato acredita que se investirá pesadamente do ponto de vista produtivo num país com infraestrutura precária, burocracia esquizofrênica e que ainda eleva artificialmente o custo da produção nacional?

 

Segundo The Economist publicou recentemente, o real está sobrevalorizado em 31%. Alguém já ouviu falar em desindustrialização e na perda de intensidade tecnológica?  

 
 
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Hugo Albuquerque

Um avião que decola, uma hora pára no chão, seja pousando ou caindo. O mesmo ocorre com o câmbio livre, ele vai se reequilibrar, mas a custa de que? Não faz sentido insistir nessa política. Mais do que isso, subir os juros quando eles deveriam ser mantidos baixos para gerar recursos para o Estado intervir nisso.

 
 

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