Como Sheldrake desafiou os consensos científicos

Por superperplexo

RUPERT SHELDRAKE: UM CIENTISTA POLÊMICO PARA TEMAS POLÊMICOS

Como o recente debate em torno da mediunidade de Guimarães Rosa e da Glândula que vê o Mundo Espiritual levantou polêmicas e questionamentos científicos aqui no blog, vale colocar mais lenha em busca de um pouquinho de luz. Abaixo pequeno trecho da entrevista do polêmico cientista Rupert Sheldrakre concedida a Daniel S. Hoffmann,  professor da UERGS - Universidade Estadual do Rio Grande do Sul  e membro do Grupo Interdisciplinar em Filosofia e História das Ciências da UFRGS.

Da EPISTEME

CONVERSANDO COM RUPERT SHELDRAKE: OS DESAFIOS DA INOVAÇÃO CIENTÍFICA

EPISTEME - UMA REVISTA BRASILEIRA DE FILOSOFIA E HISTÓRIA DA CIÊNCIA 

Porto Alegre, n. 22, p. 09-17, jul./dez. 2005.

...Tendo sido um pesquisador da Sociedade Real Britânica, Dr. Rupert Sheldrake estudou ciências naturais na Universidade de Cambridge (onde ele era Scholar of Clare College), graduou-se com honras e recebeu o Prêmio de Botânica da universidade. Ele então passou a estudar filosofia na Universidade de Harvard (onde era membro da Frank Knox) antes de retornar à Cambridge.

Foi lá que obteve seu Ph.D. em Bioquímica e se tornou membro do Clare College, no qual realizou pesquisas sobre o desenvolvimento de plantas e envelhecimento celular e foi, também, Diretor de Estudos em Bioquímica e Biologia Celular...

Hoffmann – Quem é Rupert Sheldrake, visto por ele mesmo?

Sheldrake – Sou um biólogo e um dos meus objetivos é tentar abrir o debate científico de forma que este não seja mais limitado por estreitos dogmas materialistas. Na medida em que nos movemos para uma visão mais holística da vida e da natureza, novas possibilidades para diálogo com tradições religiosas surgem, e novas formas de integrar a experiência espiritual com o resto de nossas vidas se abrem também. Porque meu trabalho é radical, isso significa que muito dele é controverso, e é considerado por alguns do meio científico como herético. Entretanto, meu objetivo é expandir a ciência, abrir novos diálogos com a filosofia e com as tradições espirituais e ajudar a encontrar novas maneiras de curar as fissuras na nossa psique causadas pelas teorias materialistas e mecanicistas da natureza.

Hoffmann – Recentemente assisti a um vídeo-documentário da BBC (creio que de 1994) contendo uma dramatização na qual seus livros aparecem sendo queimados e você é acusado de heresia. Isso tem obviamente relação com um editorial da revista Nature, escrito por John Maddox, muitos anos atrás, intitulado Um livro para queimar? Você se sente como um Galileu Galilei do século XXI, ou talvez mesmo um Giordano Bruno?

Sheldrake – Quando Maddox fez a observação sobre meus livros serem bons para se queimar e disse que eu merecia ser condenado pela mesma razão pela qual o Papa condenou Galileu, não penso que estava tentando me comparar com Galileu, mas sim se comparar, ele mesmo, com o Papa. Ele sentiu que devia proteger a ciência da heresia.

Hoffmann – Que cientistas, efetivamente, consideram seu trabalho como heresia?  O  que  eles  costumam  dizer?  Será  a  ofensa  pessoal  comum  em instituições acadêmicas, à parte de quaisquer preocupações éticas? 

Sheldrake – Muitos biólogos consideram meu trabalho herético por diversas razões: (a) Ele sugere que a abordagem corrente da biologia molecular é radicalmente inadequada. Centenas de bilhões de dólares têm sido investidos nessa abordagem e ela agora domina quase todo departamento universitário de Biologia; (b) A ressonância mórfica tolera a herança dos caracteres adquiridos. Essa é uma das grandes heresias clássicas da biologia. (c) Aquilo que estou sugerindo abala a teoria materialista de que a mente não é nada exceto o cérebro ou, para colocar mais precisamente, que a atividade mental não é nada mais que atividade cerebral. Isso significa que muitos psicólogos e filósofos também consideram herético meu trabalho. A resposta usual a ele é geralmente ou ignorá-lo ou depreciá-lo, em vez de lidar com os argumentos que estou oferecendo.

Eu tenho muitos amigos dentro de instituições acadêmicas e muitos cientistas têm de fato a mente aberta. Eles usualmente têm medo de dizer o que pensam a seus colegas. Portanto, é difícil saber quantas pessoas firmemente suportam o paradigma materialista e mecanicista oficial e quantas simplesmente fingem apoiá-lo.  Sou  freqüentemente  atacado  na  mídia  de  uma  forma  pessoal, ad hominen. No entanto, isso usualmente é feito não por acadêmicos mas por “profissionais céticos” da mídia, que agem como “assassinos de aluguel” para o establishment acadêmico.

Hoffmann – Me pergunto o que são essas “fissuras na nossa psique” (às quais você aludiu anteriormente), que foram causadas pelas abordagens materialistas do mundo. 

Sheldrake – Penso que a fissura na nossa psique, que é causada pela abordagem materialista do mundo, é o grande golfo entre nossa experiência subjetiva direta e a teoria materialista de que a mente está no cérebro. De acordo com a teoria materialista, como usualmente entendida, o livre arbítrio é uma ilusão e toda a nossa experiência está localizada dentro de nossas cabeças. Mas da forma com que verdadeiramente experimentamos nossas vidas, o livre arbítrio é considerado como certo e é a base do sistema legal e de como criamos nosso filhos, e nossa experiência subjetiva não parece estar localizada dentro de nossas cabeças. Cada vez que você olha para alguma coisa, as imagens que você vê parecem estar fora de você, onde o objeto realmente está. 

Hoffmann – Quantas e quais tipos de armas intelectuais você utiliza ordinariamente  para  combater  a  concepção  mecanicista  predominante  de mundo, a qual você tão enfaticamente condena? Quantas pedras você encontrou no seu caminho desde que decidiu desafiar o establishment?

Sheldrake  –  Minha  atividade  primária  é  a  pesquisa. Tento  explorar hipóteses  holísticas,  desenvolver  suas  implicações  empíricas  e  fazer experimentos para testá-las. Tanto por inclinação quanto por necessidade, tenho de fazer experimentos que custam muito pouco, logo, parte do desafio consiste em pensar em maneiras simples de fazer pesquisas radicais. Essa idéia subjaz meu livro Seven experiments that could change the world: a do it yourself guide to revolutionary science, o qual delineou o programa de pesquisa no qual estou agora trabalhando. Entretanto, seguir por esse caminho significa que sou freqüentemente atacado por defensores da ortodoxia, os quais às vezes se autoproclamam “céticos”. Sou a favor do ceticismo como uma atitude de investigação,  mas  não  como  um  sistema  de  crenças  dogmático.  Penso  ser necessário realçar a diferença entre ceticismo saudável e dogmatismo insalubre, e fazer oposição à influência de grupos céticos ativistas que largamente buscam influenciar a mídia para esta adotar e disseminar seus pontos de vista. Sou parte de um grupo que ajuda a manter um sítio eletrônico devotado a esse fim (www.skepticalinvestigations.org). Esse sítio eletrônico tem dois lados, um enfatiza a investigação positiva de mente aberta ou ceticismo genuíno. O outro investiga os céticos e expõe as decepções e as desonestidades que alguns deles perpetram por intermédio da mídia em defesa do seu sistema de crenças. É importante engajar jovens nesse debate, e eu freqüentemente dou palestras em escolas aqui na Inglaterra e organizo experimentos dentro das escolas. Tenho encontrado muitos obstáculos nesse caminho, não menos o fato de que eu não tive um salário ou trabalho regular por mais de 25 anos. Apenas ser capaz de sobreviver  e  obter  fundos  para  pesquisar  já  tem  sido  um  desafio.  Mas, felizmente, as coisas sempre se desenrolaram de um modo que me permitiu continuar e sustentar a família. A situação mudou recentemente e eu fui nomeado para  um  posto  de  pesquisa,  financiado  pelo  Trinity  College  (Cambridge), baseado em um financiamento para a pesquisa psíquica erigido na década de 1930, o fundo Perrott-Warrick. Isso agora significa que eu tenho um salário regular, e a conexão com Cambridge está tornando mais fácil levantar verbas para a minha pesquisa. Tenho sido submetido a muito preconceito, injustiça e hostilidade desde que adotei uma via diferente daquela da maioria dos meus colegas no mundo da ciência. Um dos desafios tem sido não me tornar amargo ou hostil, mas sim ver isso como uma conseqüência inevitável de uma mudança importante na nossa visão de mundo. Isso não é particularmente pessoal, já que os mesmos tipos de coisas acontecem com outros que desafiam a ortodoxia.

Mas significa que, quando jovens pedem meu conselho sobre carreiras, devo alertá-los sobre os perigos de se fazer qualquer coisa que possa ser vista como radical demais ou original demais.

Para ver  entrevista completa:  http://dc427.4shared.com/doc/sKg3twIK/preview.html

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27 comentários
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Assis Ribeiro

Os avanços revolucionários exigem uma expansão de perspectiva, de consciência.

A revolução copérnica, que teve inicio no séc. XVI, baseada em uma reconsideração fundamental da estrutura do universo, provocou o surgimento da ciência racional, e subsequentemente, da revolução industrial, que transformou completamente a face da Terra.

É pouco provável que Copérnico tinha a intenção ou fosse capaz de prever os efeitos do seu trabalho. Na realidade ele já estava morto havia 70 anos quando a sua teoria recebeu o seu maior impulso, da parte de Galileu. Ao espiar através do seu novo telescópio, Galileu observou luas girando em torno de Júpiter, o que confirmava uma implicação fundamental da teoria de Copérnico, ou seja, que nem todas as coisa giram em torno da Terra.

Havia ainda outra implicação, muito mais difícil de ser engolida pelas pessoas racionais daquela época. De acordo com a teoria, as 24 horas do dia teriam que ser causadas pela rotação da Terra em torno do seu eixo. Entretanto, os sensatos cientistas da época argumentaram que, se isso fosse verdade, todos sairíamos voando pelo espaço.

Foi preciso que Sir Isaac Newton, cinquenta anos após a morte de Galileu, apresentasse o conceito de gravidade para que o problema pudesse ser resolvido.

Nem sempre obtemos a solução dos problemas processando racionalmente os dados. O químico alemão Friedrich Kekulé descobriu a forma de anel simétrica da molécula de benzeno em um devaneio, solucionando desta maneira o desconcertante problema de como explicar todos os seus componentes moleculares. Ele contou aos seus colegas em uma palestra que visualizara uma cobra mordendo a cauda (imagem esotérica da serpente “Ouroborus”) e compreendeu que esta era a solução para a problemática estrutura da molécula de benzeno: os átomos estavam ligados em um círculo.

Esses são exemplos das dificuldades que os avanços revolucionários radicais precisam enfrentar.

O acúmulo cada vez maior de dados e informações é inexpressivo se a consciência do pesquisador não elaborar o problema corretamente. A estrutura de idéias revolucionárias e a maneira como elas são recebidas e incorporadas pelos guardiões do consenso foi examinada de forma magistral por Thomas Kuhn. Em primeiro lugar, ele observa que, com muita freqüência, os avanços revolucionários são feito por pessoas de fora, que não pertencem ao mundo acadêmico. A razão disso é o fato de que as perspectivas do consenso tendem a reforçar a si mesmas. A perspectiva do consenso avança por si própria para um canto formado pelas suas limitações autodefinidas, de modo que é preciso de alguém de fora, uma pessoa não restrita por preconceitos arraigados, empurre a coisa para a frente.

http://assisprocura.blogspot.com/2012/01/as-mudancas-de-modelo-em-uma-so...

 

Assis Ribeiro

 
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Emilio GF

Gostaria de fazer uma correção, Assis:

"Em primeiro lugar, ele observa que, com muita freqüência, os avanços revolucionários são feito por pessoas de fora, que não pertencem ao mundo acadêmico."

Na verdade, as revoluções científicas são muitas realizadas por pessoas fora do "mainstream" acadêmico. Mas são acadêmicos.

Einstein, como todos sabem, era funcionário de escritório de patentes. Mas seus trabalhos foram puramente acadêmicos. Por isso, foram aceitos para publicação e levados em consideração desde o início.

Também a exemplo, Ostwald, Arrhenius e Van´t Hoff construíram a moderna físico-química fora dos grandes centro dos saber químico da época. Ostwald, particularmente, fez um verdadeiro "bunker" na Universidade de  Riga (Letônia) de onde desferia petardos contra as velhas teorias estabelecidas.

Mas todos as suas teorias eram científicas, tinham capacidade (grande) de previsão e foram confirmadas posteriormante.

Com efeito, receberam os primeiros Nobéis de química.


 
 
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superperplexo

...”Thomas Kuhn...ele observa que, com muita freqüência, os avanços revolucionários são feito por pessoas de fora, que não pertencem ao mundo acadêmico”


 


 


Incrível como o “conhecimento é integrado”: podemos fazer uma ponte/conexão com a Administração Empresarial. Lembrei-me de pensamento convergente nessa linha, mas com outra abordagem (inovação em um campo vem de outro, diferente daquele campo especializado). É o pensamento de uma autoridade da “Ciência da Gestão” ( embora haja controvérsias: Administração seria mais “Arte” que “Ciência”). De qualquer forma, Peter Drucker, teria sido o maior sistematizador dessa ciência social. Na obra “Era de Descontinuidade” (edição dos anos 60), num tópico que trata de “Tecnologias do Conhecimento”,  ele afirma:


 


“Tem sido sempre a regra o fato de as grandes mudanças de uma área se originarem mais provavelmente em um outro campo ou disciplina separado daquela, e não dela mesma.


 


·     Os conceitos de configuração do psicólogo moderno, como “personalidade” ou “Gestalt, originaram-se na “teoria de campo” da física do século XIX.


 


·     O moderno engenheiro eletrônico, por sua vez, teve sua idéia de “engenharia de sistemas” aproveitando as idéias dos psicólogos (auxiliados pelos biólogos).


 


·     Os grandes avanços contemporâneos da genética realizaram-se em parte com a ajuda da química física, com sua descoberta do primado das relações espaciais, e em parte com auxílio da engenharia eletrônica, que descobriu a “teoria das informações” como propriedade geral dos circuitos eletrônicos.”

 
 
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Mauricio Soares

Os cientistas também podem ser dogmáticos!

 
 
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Assis Ribeiro

Senhores moderadores.

É possível melhorar a formatação do post?

 

Assis Ribeiro

 
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IV AVATAR

Quanto a morfogênese li alguma coisa há muito tempo atrás e me chamou a atenção, tem a ver com a sincronicidade, esta singularidade que de uma certa forma liga a mãe aos seus filhos o que as leva a "adivinhar", de longe, o que se passa com eles. A ciência ortodoxa tem que se abrir ao que não lhe é convencional até mesmo para que não se repita com este cientista o que fizeram contra Wihelm Reich, que foi inclusive preso por causa das suas pesquisas, enfim comeu o pão que o diabo amassou por conta das pesquisas com o organom, uma energia que, segundo ele(Reich) permearia a vida, em oposição a uma outra energia, cujo nome me esqueço no momento. Uma ondular(orgone) e outra reta(DOR), esta ligada à morte,,:

(....) Julgamento de Reich Queima de Livros, e Prisão

      

      Seja por ignorância ou arrogância, ou ambos, Reich subestimou o poder do FDA e da campanha contra ele. Em fevereiro de 1954, o FDA emitiu uma liminar proibindo o embarque interestadual de acumuladores de orgone. A liminar também negou a existência da energia orgone, e proclamada todos os livros e publicações de Reich foram materiais promocionais para o acumulador inútil.

      Como é exigido pelos termos da liminar, Reich tolamente se recusou a comparecer em tribunal. Ele foi inflexível seu trabalho científico nunca poderia ser adequadamente avaliados ou argumentou em tribunal. Seu advogado pediu a ele que reconsidere, mas ele permaneceu firme em sua posição. Sua decisão inflexível teve consequências desastrosas. O FDA ganhou a liminar por padrão.

        As manobras legais culminou em um julgamento que teve lugar em Portland, Maine, em maio de 1956. Reich foi preso em Washington, DC, em desprezo de encargos judiciais, e foi violentamente trazidos para Portland em cadeias. Sua recusa em cooperar com o tribunal não augura nada de bom com o juiz.

        O tempo estava acabando para Reich. Anos antes ele havia sido abandonado pelo establishment psicanalítico. Os comunistas drummed-lo para fora do partido, e os nazistas queriam que ele morresse.Ele tinha ofendido os austríacos, dinamarqueses, suecos e noruegueses. Agora os americanos teriam a oportunidade de destruir o psiquiatra louco e seu novo deus de orgone.

      Reich foi finalmente feito dentro Ele tinha jogado nas mãos de seus inimigos, e agora tinham-lhe onde queria. Reich foi condenado a dois anos de prisão federal.

      Antes da prisão, o FDA teve sua vingança final. Em 05 de junho de 1956, funcionários da FDA veio a Organon. Reich eo seu pequeno filho Peter observavam em silêncio enquanto os funcionários federais axed os acumuladores. Em 26 de junho, muitos livros e revistas de Reich no Organon foram queimados pelas autoridades governamentais. Em 23 de agosto em Nova York da destruição final da literatura de Reich ocorreu. Seis toneladas de livros, revistas e papéis foram queimados em um holocausto científica.E não um único jornal importante na Land of the Free protestaram esta ação sem precedentes, tão parecido com a Alemanha nazista.

      No início de março 1957 Reich foi preso em Danbury Prisão Federal. O psiquiatra que examinou Reich registrou o diagnóstico: ". Paranoia manifestada por delírios de grandeza e perseguição e idéias de referência" Algumas semanas depois, Reich foi transferido para a penitenciária federal de Lewisburg, na Pensilvânia.

      O governo dos Estados Unidos venceu. Oficialmente, a energia orgônica não existia. Reich foi certificado como um psiquiatra charlatão doentes mentais, que tentaram impingir uma caixa de sexo e uma cura de câncer no público americano. O caso foi encerrado Reich.

      Em sua cela na prisão no final de outubro, ele começou a se sentir mal, mas ele tinha medo de trazer o assunto à atenção dos funcionários da prisão. Ele disse a amigos que seus carcereiros iria tentar matá-lo na prisão, e acreditava que nunca iria sair vivo. Em 03 de novembro de 1957, Reich foi encontrado morto em sua cela, uma aparente vítima de um ataque cardíaco.(...)"

http://www.heyokamagazine.com/HEYOKA.3.WILHELM%20REICH.htm

Outro texto sobre Reich, outro cientista não convencional

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=191

A terapia orgone

http://www.psychorgone.com/authors/dr-herskowitz

Herskowitz, o sucessor de Reich

http://www.psychorgone.com/author/herskowitz

Videos(inglês): Herskowitz fala sobre Reich

http://www.psychorgone.com/video/wilhelm-reich-and-the-history-of-orgonomy

 
 
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Emilio GF

Eu creio que a perseguição a Reich encaixa-se melhor na categoria religiosa.

Falar demais em orgasmo numa sociedade calvinista que proibia o prazer o levou à prisão.

 
 
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superperplexo

Peço desculpas mas não consegui enviar o texto num formato melhor. Será que os moderadores do blog não conseguiriam corrigir?


 


Talvez possa enviar o arquivo...

 
 
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Erly Ricci

entrevistei Sheldrake em Buenos Aires, em 1998, durante uma palestra sobre ressonância mórfica

Ele mantém um site em que qualquer pessoa pode participar relatando experimentos 

Rupert Sheldrake, biólogo inglês, é conhecido por sua teoria da morfogênese. Pesquisador em bioquímica e fisiologia vegetal, descobriu junto comPhilip Rubery, o mecanismo de transporte da auxina. Participou, na Índia, do desenvolvimento de técnicas de cultivo no semi-árido hoje usadas amplamente.

De volta à Grã-Bretanha, tem-se dedicado a escrever, dar palestras e pesquisar um modelo de desenvolvimento teleológico, do qual faz parte a teoria dos campos morfogenéticos. Entre seus livros estão O renascimento da naturezaCães sabem quando seus donos estão chegando e A sensação de estar sendo observado. E seu mais recente livro The Science Delusion: Freeing the Spirit of Enquiry que já pode ser encomendado pelo seguinte endereço na internet: http://www.bookdepository.co.uk/Science-Delusion-Rupert-Sheldrake/9781444727920

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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maumores

Os cientista também podem ser dogmáticos.

 
 
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Erly Ricci

Descrição completa de um delírio Ciência

Sobre o Livro de Rupert Sheldrake A desilusão da Ciência

  • A ilusão da ciência é a crença de que a ciência já compreende a natureza da realidade. As perguntas fundamentais são respondidas, deixando apenas os detalhes a serem preenchidos Neste livro, o Dr. Rupert Sheldrake, um dos cientistas mais inovadoras do mundo, mostra que a ciência está sendo constrangida por premissas que se enrijeceram em dogmas. A 'visão de mundo científica' tornou-se um sistema de crenças. Toda a realidade é material ou física. O mundo é uma máquina, composta de matéria morta. A natureza é sem propósito. Consciência não é senão a atividade física do cérebro. O livre arbítrio é uma ilusão. Deus existe apenas como uma idéia na mente humana, aprisionado dentro de nossas cabeças. Sheldrake examina esses dogmas cientificamente, e mostra persuasivamente que a ciência seria melhor sem elas: mais divertidas, mais livre, mais interessante, e muito mais.

    O The Book Depository (http://www.bookdepository.co.uk) de onde traduzi este texto acima, faz a entrega o livro em qualquer parte do mundo gratuitamente, ou seja, sem os custos de remessa. 

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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Roberto Takata

Não é desafio, não é heresia. É simplesmente trabalho mal-feito. Os poucos trabalhos publicados (em revistas científicas) por Sheldrake nessa área que supostamente desafiaria os conhecimentos científicos estabelecidos são de pouca validade: quando há, os controles das variáveis são pobres (lembro de um estudo em que ele sugeria que um processo de fusão nuclear a frio ocorreria no interior dos organismos de pintainhos por se desenvolverem em um ambiente teoricamente sem suplementação de cálcio; mas não reconheceu a possibilidade de contaminação das fontes - mais ou menos o mesmo tipo de problema que pode ter ocorrido naquela história de bactérias que usam arsênio).

Sua hipótese dos campos mórficos não se sustenta pela simples constatação de que, se lançarmos uma moeda, há uma chance de mais ou menos 50% de dar cara. Se campos mórficos funcionassem do modo como Sheldrake afirma que funciona, há muito tempo a jogada de moeda teria que ter se consolidado a dar 100% uma das faces em específico. Afinal, os tais campos mórficos, para Sheldrake, teriam fixado a estrutura organizada dos cristais a partir de um processo inicialmente caótico e casual: as poucas vezes em que cristais se formavam no início moldariam o campo mórfico que aumentaria o número de novos cristais que modificariam o campo mórfico até que toda vez a estrutura cristalina se estabelecesse. Em lançamento de moedas também há flutuações casuais que levariam a um maior número de uma das faces do que de outra. Se existissem campos mórficos, isso mudaria a probabilidade do resultado do lançamento. Ao fim, isso levaria a apenas um dos lados ser o resultado de qualquer lançamento de moeda.

Sabemos que isso não ocorre, logo, a hipótese de campos mórficos é refutada.

Essa cultura da iconoclastia não é necessariamente má. Mas a iconoclastia pela iconoclastia sem uma argumentação sólida baseada em fatos (e não em interpretações desviantes de experimentos mal planejados e mal executados) é criticável.

Qualquer pessoa pode contestar o que a ciência (ou outro estabelecimento) diz. A questão não é contestar, mas apresentar os dados que sustentam sua contestação.

Einstein não é Einstein somente por desdizer o que Newton disse sobre tempo e espaços absolutos. Einstein é Einstein por suas predições terem se confirmado - como os dados do eclipse em Sobral e o ajustamento da órbita do planeta Mercúrio.

Sheldrake desdiz o que a ciência diz. E daí? Suas previsões se confirmam? As moedas dizem que não. E não é lance de sorte.

[]s,

Roberto Takata

 
 
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superperplexo

Calma, meu irmão: ele É um cientista. Apenas, como ressalta o post, desafia o consenso, desafia paradigmas dominantes ou "modelos mentais" dominantes...


Cabe inclusive perguntarmos o básico do básico: "O que é ciência? "; "Quem PODE falar em nome da ciência?"


Vejo paralelos entre a velha mídia (consenso) e as novas mídias (como este blog) que inventou um novo jeito participativo de fazer jornalismo, tendo como "fontes" os próprios "leitores", que assumem papel de jornalistas. Desafia-se o "consenso do que seria jornalismo", não?


Vivemos a "era do PROSSUMIDOR" como previsto por Alvin Toffler, em Terceira Onda (1980) e aí todo consenso podera ser questionado. Mas o "corporativismo profissional" desdenha essas tendências emergentes do século 21 porque significa a "perda de poder do especialista": é o médico que fica irritado quando um cliente já chega muito bem informado no consultório; é o estudante que questiona a "verdade empurrada" pelo professor; é a criança que cada vez mais perguntará "por que", "por que", e "por que" deixando os pais e educadores angustiados e impotentes, etc...; são as redes sociai questionando o consenso do BBB e por aí vai...


Voltando a ciência proporiamente dita, Edgar Morin faz excelentes reflexões a respeito na bela obra "Ciência com Consciência" onde lembrando pensamento de Churchill , afirma que "a ciência é importante demais para ficar só nas mãos dos cientistas"...


 


 

 
 
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Roberto Takata

@superperplexo

Sim, Sheldrake é cientista. Não muda o fato de que muitos dos experimentos que ele faz é mal-feito: não controla bem variáveis interferentes. Diga-se de passagem, que não é um problema exclusivo de Sheldrake. Mesmo cientistas conceituados, como Linus Pauling e Luc Montagnier (dois nobelistas, com méritos) caem nessas armadilhas para dar sustenta suas pet ideas - respectivamente, megadosagem de vitamina C na prevenção de cânceres e homeopatia.

Desafiar modelos mentais predominantes (predominantes apenas no mainstream científico, na população em geral, o que predomina são as visões misticoides como de Sheldrake, Goswami, Capra e outros) qualquer um pode fazer. O que é necessário é ter fatos que sustentem o desafio, do contrário é apenas bazófia.

As perguntas sobre a natureza das ciências, dos processos científicos, do conhecimento científico, de seu papel no empoderamento social de certos grupos, etc... é relevante para muito além da discussão a respeito da contribuição de indivíduos como Sheldrake. Mas, qualquer que seja a definição dada, não irá diminuir o ponto que, sem fatos que apoiem uma dada hipótese, sem dados que confirmem uma dada previsão, é tudo questão de gogó.

O respeito que a sociedade dá ao conhecimento científico advém do fato de que ele funciona. Aplicando-se as teorias científicas, suas predições são acertadas: dimensionamos o sistema elétrico de acordo com as leis da eletricidade (p.e., U = Ri), usinas nucleares valem-se da famosa equação einsteniana (E = mc^2), melhoristas genéticos valem-se do conhecimento de como funciona a herança genética e assim por diante.

O teoria que Sheldrake nos propõe falha miseravelmente quando testada. E é isso o que importa aqui.

[]s,

Roberto Takata

 
 
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Erly Ricci

Sheldrake, no campo da biologia, assim como antes dele, Prigogine,  Tomas Kuh, Maturana, James Lovelock, Lynn Margulis, Amit Goswami, entre tantos outros, rompem definitivamente com o método cartesiano/newtoniano. Esse teste da moeda que você cita, não diz nada a respeito da questão mofogênica

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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Emilio GF

De início, gostaria de colocar que não gosto nem um pouquinho dessa terminologia introduzida pelo pós-modernismo - "demonstrou de maneira definitiva...", "os trabalhos fundamentais...", "o rompimento paradigmático essencial..." e outros adjetivos superlativos.

Cientificamente, o único que foi cientista produtivo foi Prigogine. Seus estudos sobre sistemas que não estão em equilíbrio foi científico e importante. Temos até um grande brasileiro que trabalha nesssa área - Konstantino Tsalis - que possui uma honraria que nem Prigogine tem - uma constante com seu nome.

Já as idéias filosóficas de Prigogine são outro babado. Pode-se concordar ou não. Ele, por exemplo, quer reduzir as teorias da gravidade ao campo da entropia.

Pelo que sei, essa não é bem a minha área, nem ele nem ninguém conseguiu extrair nenhum trabalho científico importante daí.

Não vou discutir Newton, pois o próprio Einstein considerava o seu "Principia" a maior obra que um ser humano havia realizado.

Descartes teve aprincipal idéia do mundo moderno, na minha visão. Uniu duas áreas da matemática que estavam a mais de 2 mil anos separadas e criou a geometria analítica.

Muito do que se atribui a ele é injusto. Descartes propôs a divisão das matérias de estudos em "blocos" - a análise - coisa que qualque pessoa de bom senso usa para fazer um bolo, por exemplo.

Mas acaba por ser acusado de todos os males do mundo moderno pelos pós-modernos por que estes são idealistas. Creêm que idéias provém apenas de idéias, desprezando as condições materiais e históricas que as produziram.

Mas isso já outra discussão.

 
 
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Ivan Moraes

Vale a pena ler de novo entao porque essa foi a maior tolice publicada no blog em janeiro:

"Sua hipótese dos campos mórficos não se sustenta pela simples constatação de que, se lançarmos uma moeda, há uma chance de mais ou menos 50% de dar cara. Se campos mórficos funcionassem do modo como Sheldrake afirma que funciona, há muito tempo a jogada de moeda teria que ter se consolidado a dar 100% uma das faces em específico".

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Roberto Takata

@Erly Ricci

Em nenhum momento debati a questão mofogênica. Se o fizesse, provavelmente, eu usaria um pedaço de pão e o deixaria guardado em um local úmido e escuro.

O que apresentei foi o resultado das moedas como contestação aos campos mórficos. Embora vagamente baseado nos campos morfogenéticos da biologia do desenvolvimento, os campos mórficos não se resumem a eles (vale dizer que há uma explicação bem elaborada e testada sobre campos morfogenéticos a partir de padrões de expressão de genes controladores do desenvolvimento).

Para Sheldrake, os campos mórficos explicam desde a morfogênese embrionária à formação de novas estruturas culturais, passando pela formação de cristais, galáxias e basicamente qualquer estrutura - física ou lógica - do universo. O paradigma dos campos mórficos é o do efeito do centésimo macaco: (a história é mais uma lenda urbana do que um fato real) um macaco em uma ilha aprendeu a lavar batatas em água salgada antes de comê-la, lentamente alguns outros macacos, observando o primeiro macaco, também passaram a lavar os alimentos, quando atingiu-se um número crítico (neste caso, 100 indivíduos), instantaneamente todos os macacos da ilha passaram a fazer o mesmo (mesmo os que jamais observaram esse comportamento antes). (A parte real da história é que há mesmo alguns macacos selvagens japoneses que lavam batatas na água salgada, mas jamais foi observado o tal efeito do centésimo macaco.) Para Sheldrake, o primeiro macaco modificou ligeiramente o campo mórfico correspondente ao comportamento de preparo de alimentos dessa população de macacos, aumentando a facilidade com que outros macacos aprendessem o novo comportamento, qdo novos macacos aprenderam, o campo mórfico modificou-se mais, facilitando ainda mais que mais macacos aprendessem; atingindo o limiar, o campo mórfico estaria firmemente conformado (estaria em ressonância) para esse novo comportamento - então todos os demais seriam afetado pela nova configuração do campo mórfico e passariam a exibir o novo comportamento.

Como disse no meu primeiro comentário, isso vale também para a formação de cristais - por que, digamos, o diamante tem a configuração tetraédrica invariante? Para Sheldrake, foi porque de início, os átomos de carbono se organizavam caoticamente. Mas alguns se organizaram casualmente em formato tetraédrico. Isso alterou o campo mórfico da rede cristalina do diamante e o processo seguiu como no modelo do centésimo macaco.

Oras, o mesmo princípio aplicar-se-ia no resultado de lançamento de moedas. Campos mórficos monetários assim determinariam e assim funcionariam. Mas não funcionam.

E não apenas lançamentos de moedas não funcionam assim. Não há casos conhecidos de transmissão de características somáticas adquiridas; se induzirmos a formação de falhas na rede cristalina do diamante, isso não fará com essa falha seja reproduzida em outros eventos de cristalização.

Em outras palavras, campos mórficos são uma hipótese firmemente refutada. Insistir neles, sem um embasamento factual, é um ato não se constitui em um desafio real ao conhecimento científico, muito menos aos processos científicos.

[]s,

Roberto Takata

 
 
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Emilio GF

Seu texto é um raio de luz no obscurantismo. 

Na verdade, cientistas devem (e geralmento o fazem) separar bem a ciência das convicções pessoais e íntimas.

Um físico, por exemplo, pode ser cristão, muçulmano ou espírita. No CERN não é incomum deparar-se com cientistas que retiram seu tapetinho do armário, ajoelham e rezam, voltados para Meca.

O nosso próprio Mário Shenberg tinha crenças bastante incomuns - uma espécie de espiritismo orientalista muito sincrético.

Mas na hora de fazer ciência, a história muda. Teorias devem se comprovadas por experimentos e observações ou mesmo, pela sua capacidade de predição.

Procuro ter a visão mais ampla possível. Nosso amigo Assis citou Kekulé (corretamente) e gostaria de lembrar que sua teoria das valências (cada ligação, um tracinho) foi duramente atacada na época (segunda metade do século XIX) por que tais tracinhos não correspondiam a nenhuma entidade física conhecida.

Mas a teoria vingou, devido à capacidade de previsão e, em 1916, Gilbert Lewis vai fornecer o sentido físico - os tracinhos representam pares de elétrons compartilhados.

Se Sheldrake deseja o mesmo para suas teorias, deve comprová-la através de experimentos, com resultados tratados de forma estatísticamente aceita, ou demonstrar sua capacidade de previsão de fenômenos de forma melhor que as teorias concorrentes.

Se não, é crendice.


 
 
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superperplexo

"Na verdade, cientistas devem (e geralmento o fazem) separar bem a ciência das convicções pessoais e íntimas."


Será que conseguem separar mesmo? Tenho dúvidas.


Certa má vontade e preconceito, por exemplo, em relação às pesquisas da área dita "paranormal" não decorreria exatamente da divergência entre as "convicções pessoais e íntimas explícitas" da maioria dos pesquisadores (valores materialistas) em relação aos "valores implícitos no campo paranormal pesquisado" (supostamente alinhados com valores espiritualistas)? 


Porém, concordo que a separação deve ser buscada (embora conseguir isso 100% é impossível devido a forte influência de fatores inconscientes da mente humana). E exatamente essa separação deveria evitar que as "convicções pessoais materialistas" rejeitassem os esforços de pesquisas em campos não habituais, como os paranormais. 


O caso de Ian Stevenson é exemplar. Ele foi professor e diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virginia. Um artigo seu "Half a Career with the Paranormal" foi publicado em 2006 no "Journal of Scientific Exploration" e em 2007 na Revista de Psquiatria Clínica do Departamento e Instituto de Psquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S.Paulo (USP). Resumirei alguns trechos, mas pode ser visto na íntegra em http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol34/s1/150.html


Antes de dedicar-se a pesquisa paranormal, Stevenson publicou um artigo no Journal of the American Society of Psychical Research focalizando "Casos Sugestivos de Reencarnação" , sobre crianças que lembrariam de suas vidas passadas. O artigo chamou atenção de Chester F.Carlson - o inventor da xerografia (que deu origem a Xerox Corporation). Segundo Stevenson, Carlson era um cientista que "aceditava, como a maioria dos cientistas o fazia, que a mente é só produto do cérebro e que suas propriedades são inteiramente físicas". Apesar disso, Carlson tornou-se um doador de fundos para a pesquisa de Stevenson, segundo este "um doador incomum, talvez único: insistia em fazer doações anonimamente".


Durante 8 anos (1961-68) Stevenson recebeu apoio de Carlson para seus estudos dos fenômenos paranormais mas manteve seu trabalho paralelo em psiquiatria e medicina psicossomática.


Em 1968, faleceu o pai das fotocopiadores Chester Carlson deixando uma doação de um milhão de dólares para a pesquisa de Ian Stevenson, na Universidade de Virgínia, na área dos fenômenos paranormais. O fato surpreendeu Stevenson e muitas pessoas da instituição. Mas o dado mais intrigante é o tamanho do preconceito que este fato revelou, conforme as próprias palavras de Stevenson:


"Não surpreendentemente, isso provocou uma controvérsia entre os administradores universitários. Descobri depois que alguns adversários de minha pesquisa tinham dito que eu poderia levar os milhões de dólares comigo desde que eu deixasse a Universidade (ninguém disse isso diretamente a mim)...."


  


 


 


 


 


 


 

 
 
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maria utt

Grande Mário Schenberg, bela lembrança. 

 
 
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Sanzio

Esse Sheldrake deve ser parente do Mandrake.

 
 
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Arquibaldo de Cali

Sugiro ver artigos científicos e alguns livros de Stanley Krippner (http://stanleykrippner.weebly.com/), que tem centenas de publicações, reputada vida acadêmica e científica e reconhecimento de seus pares, ainda que não gostem de sua temática.

o principal problema é a metodologia científica e a possibilidade de predição, fatos fundamentados mais na física do que na imensidão humana. Ainda está para se encontrar uma metodologia capaz de grande predição e replicação aplicadas aos estudos ligados à subjetividade. O recurso estatístico, como a meta análise, permite que se prove que abuso sexual infantil não é grave (artigo publicado em revista A1 - Psychologcal Bulletin), o que é uma aberração da ciência aceita pelo critério da previsibilidade (meta análise, pois houve estudo pela evolução na linha do tempo).

voltando ao recurso de citar Krippner (e os interessados na grande prescrição de psicotrópicos vejam artigos do Sanua) e ponderar sobre a metodologia, não há dúvida que fenômenos paranormais existem, o que torna comezinho propor que se eles não são explicados eles estão errados e a ciência está certa. As coisas existem a pesar dos recursos científicos. Aliás, o que fez a força da ciência foi sua capacidade de afirmar isso e comprovar. Ainda que depois de muito tempo.

Abraços,

Arq.

 
 
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superperplexo

 


De fato Stanley Krippner tem elevada reputação especialmente no campo da "Psicologia Transpessoal"***. Ele foi presidente da Associação Americana de Psicologia e da Associação de Parapsicologia nos EUA. É dele o prefácio da obra   "Conversas com os Principais Pensadores Transpessoais -Ken Wilber em Diálogo" (2005) -participam  Stanislav Grof, Roger Walsh, Jack Kornfield , Michael Murphy, , e mais dez deles.


Krippner interessou-se especialmente pelos fenômenos paranormais por aqui. Visita frequentemente o Brasil. Inclusive  apoia pesquisadores brasileiros, como foi o caso da psicóloga e médium América P. Marques, cuja obra Psicologia Abissal (baseada na evolução de uma pesquisa de mestrado, incialmente aparesentada na PUC-RJ), teve prefácio dele em 1984.


Em julho de 2008, Krippner já com 75 anos, fez palestra na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sobre "Pesquisa em Dissociação e Estados Alterados de Consciência". O evento foi organizado pelo Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (NUPES) da UFJF. A palestra teve tradução do diretor do NUPES,  Alexandre Moreira de Almeida, que é psiquiatra e professor de medicina da UFJF.


Ness palestra, Krippner explicou os casos mais famosos de pessoas que apresentam tipos de dissociação controlada e não controlada. Um exemplo de dissociação controlada foi o médium brasileiro Chico Xavier. Outro escritor que também desenvolveu sintomas de dissociação é o português Fernando Pessoa, que apresentava sintomas de dissociação em suas poesias, como: amnésia, despersonalização, confusão de personalidade e identidades múltiplas.Krippner enfatiza a importância de estudar os estados alterados de consciência, porque a dissociação já foi considerada uma patologia.


 Já estive com ele algumas vezes: é um homem moderado e de extrema simplicidade, apesar da grande projeção internacional. Um trabalho muito interessante de Krippner foi o Laboratório de Sonhos Precognitivos/Telepáticos do Hospital Maimonides (Brooklyn)


 


 ***pioneiro foi Abraham Maslow -tido como o pai da teoria da pirâmede da motivação/hierarquia de necessidades)

 
 
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maria utt

Vejam este artigo do Umberto Eco, vou publicá-lo no Fora de Pauta:

A falibilidade da ciência

Umberto Eco

http://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/umberto-eco/2010/06/20/a-falibilidade-da-ciencia.htm

Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. O escritor Angelo Panebianco argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade, que sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante. A ciência só se torna dogmática, diz Panebianco, no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas.

Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin, de Einstein ou Copérnico, todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra.

Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento? Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade?

A questão é importante. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados? Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados; é também o resultado da filtragem desses dados. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas.

Em seu conto “Funes el Memorioso” de 1942, Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore, cada rajada de vento, cada sabor, cada sentença, cada palavra. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota, um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. Se temos um problema, sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. Felizmente, todo o resto foi eliminado. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes, seríamos desalmados.

Uma cultura opera de forma semelhante. Seus paradigmas, que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos, resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. Para que uma discussão seja compreendida por todos, precisamos começar a partir dos paradigmas existentes, mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Sem a rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível.

Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente.

Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.”

Tradutor: Eloise De Vylder

 
 
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JarbasPassarão

Prezado Nassif

As pesquisas  sobre o funcionamento  cerebral  ainda estão no começo .Por exemplo : O por quê dos sonhos ainda  não é completamente entendido .Ainda existem muitos mistérios na interação cerébro do indivíduo e Sociedade , etc....

 

Floresta!

 
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GAUDERETO

 


            Gosto deste assunto. O arquivo postado pelo SUPERPERPLEXO está desformatado no Blog. Acho que a solução é acessar o link. Eu acessei e consegui uma leitura fácil. Postarei também no Portal. O link é o seguinte: http://dc427.4shared.com/doc/sKg3twIK/preview.html

 
 

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