Como funciona a usina de Fukushima

Por RRodrigo

Como funciona a usina nuclear de Fukushima? O que deu errado? Qual é a situação atual?

Como funciona a usina nuclear de Fukushima?

Por Carlos Hotta

http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2011/03/fukushima.php

Por incrível que pareça, a eletricidade na usina nuclear de Fukushima é gerada por vapor de água. A energia liberada pelo combustível nuclear, o radioativo óxido de urânio, ferve a água e o vapor gerado move turbinas, que geram a eletricidade.

O óxido de urânio está na forma de cerâmica, em pequenos cilindros. Estes cilindros não estão em contato com a água, evitando desta forma que a água fique radioativa. Eles são colocados em tubos de Zircaloy. Centenas de tubos de Zircaloy formam o reator nuclear. Os átomos de urânio se quebram em átomos menores, liberando calor e nêutrons. O calor aquece a água, que só está em contato com o Zincaloy, os nêutrons podem atingir outros átomos de urânio, ocasionando novas fissões (quebras). O ciclo da água líquida entrando e vapor saindo retira o calor do reator. Um detalhe que vai ser importante depois: os tubos de Zircaloy se oxidam a 1200oC e o óxido de urânio se derrete a 2800oC.

O reator é mantido encapsulado sob pressão em uma estrutura com paredes grossas de aço que servem para resistir a explosões. Esta estrutura está fechada hermeticamente em uma segunda estrutura, esta de aço e concreto. Uma terceira camada de concreto cobre tudo. Tudo isso atuando como uma proteção contra vazamento do combustível radiotivo para o ambiente (muito, muito ruim). Por fim, há o prédio da usina, que protege todo o aparato das intempéries.

É necessário notar que o design de um reator nuclear é compleatmente diferente de uma bomba nuclear. Por isso qualquer explosão que tenha acontecido ou venha a acontecer na usina de Fukushima NÃO vai ser uma explosão nuclear!

O que deu errado?

Quando há uma emergência, a usina nuclear pode diminuir a taxa de fissão de urânio mesclando-se cilindros de bóro - que absorve nêutrons - entre os cilindros de Zincaloy. Desta forma consegue-se reduzir a taxa de fissão do urânio em mais de 90% mas calor ainda é produzido. Por isso ainda é necessário continuar a resfriar o reator com água. Veja bem, se o reator ficar sem água, sua temperatura interna pode levar à oxidaçaõ dos cilindros e ao derretimento do urânio (o tal de meltdown). Quando ocorre o meltdown, o risco de haver vazamento de combustível radioativo aumenta consideravelmente, pricipalmente por se tornar mais difícil o controle das reações que ocorrem no reator.

Bem, a usina de Fukushima foi criada para aguentar terremotos de um certo grau: 1) o prédio não desabou; 2) quando foi detectado o terremoto, o maior da história do Japão (que tem um currículo considerável neste sentido), os cilindros de bóro foram ativados automaticamente, 3) o terremoto destruiu o acesso da usina à fotnes externas de eletricidade, necessária para o sistema de refrigeração, mas a usina possuía muitos geradores de eletricidade de reserva.

A usina possuía, inclusive, altas paredes que a protegiam da maré, caso houvesse um tsunami. A confiança nestas paredes era tanta que os geradores de emergência foram colocados no subsolo, protegidos de desabamentos. Os geradores funcionaram perfeitamente por cerca de uma hora quando veio um tsunami com uma intensidade muito maior do que a imaginada pelos engenheiros da usina. A água logo sobrepujou os muros da usina e chegou aos geradores, parando-os. A usina ainda contava com baterias de backup mas suas 8 horas de duração foram insuficientes para retornar a energia elétrica para os geradores. Quando a energia das baterias acabou a temperatura dentro do reator começou a subir. Eventualmente, geradores foram levados ao local: o grande desafio era, então, fazer a temperatura do reator diminuir.

O aumento da temperatura dentro dos reatores aumenta a sua pressão interna, o que pode danificar os sistemas de contenção de radiação. A solução é soltar parte dos vapores na atmosfera. Quando a temperatura dos reatores chega a 1200oC, o Zincaloy começa a oxidar, liberando o gás hidrogênio - altamente combustível. O problema é que não era possível estimar a quantidade de gás de hidrogênio que estava sendo liberado junto com o vapor o que ocasional as explosões vistas pela televisão (nota: neste momento houve uma terceira explosão cujas causas ainda estão incertas). Estas explosões destruíram o prédio da usina mas, até onde se sabe, não afetou as estruturas de contenção dos reatores. A degradação do Zincaloy também permite que alguns elementos radioativos saiam junto com os vapores, césio e iodo. Este material é o suficiente para aumentar a radioatividade da região mas não para ser letal a seres vivos.

Os engenheiros ainda começaram a bombear água do mar com ácido bórico nos reatores para ajudar no resfriamento do reator. Esta decisão acelera a oxidação do Zincaloy mas a prioridade era abaixar a temperatura. O ácido bórico também captura nêutrons, de forma a evitar que os reatores tornem-se ativo noavmente. Uma vantagem extra do ácido bórico é capturar parte do iodo radioativo gerado. A água do mar inutiliza os reatores por isso só é usada como último recurso. Parte da dificuldade em se resfriar os reatores é a pressão. Um dos especialistas coemntou que é o equivalente a tentar colocar água em uma bexiga cheia de ar.

Qual é a situação atual?

É difícil saber ao certo a situação atual dos reatores. Há muito boato e muita análise falsa rolando por aí. Apesar dos reatores estarem inativos faz muitas horas, ainda há uma certa dificuldade de se controlar a temperatura de alguns deles. Não é possível ter certeza mas acredita-se que dois dos reatores da usina ficaram sem água por um período de tempo devido a falhas nas válvulas de liberação da pressão. Este tempo pode ter sido o suficiente para que tenha ocorrido um meltdown. Se isto aconteceu, é necessário torcer para que os demais sistemas de contenção ainda estejam intactos. Certamente o Zincaloy de pelo menos um reator foi danificado, uma vez que foram detectadas pequenas quantidades de césio e iodo ao redor da usina.

A situação ainda é um tanto tensa, ainda mais porque não sabemos a extensão dos estragos nos reatores. O que se sabe é que não teremos um acidente do nível de Chernobyl. Os russos subestimaram o estrago que o gás hidrogênio poderia causar, não possuíam estruturas de contenção do reator e ocorreu uma explosão enorme causada pelo acúmulo de hidrogênio que levou junto o reator nuclear, espalhando o urânio na atmosfera. Os diversos níveis de contenção ao redor dos reatores servem exatamente para evitar que isso aconteça.

Nota: no momento em que escrevo há sinais de fogo em um dos reatores da usina e há indícios que a terceira explosão atingiu um das estruturas de contenção de um outro reator. Há relatos de que grandes quantidades de radioatividade estão sendo liberadas (a verificar). Há ainda boatos de que estão evacuando a usina, sinal péssimo que levaria ao o meltdown de pelo menos três reatores. No momento é impossível saber ao certo o que está acontecendo e a magnitude do problema.

A mídia adora falar em níveis de radiação X vezes acima do normal ou Y vezes a quantidade que permitida pela regulação ambiental. Quando ouvirem isso considerem que: 1) os níveis de radiação no ambiente são baixíssimos, 2) os níveis perimitidos por lei são baixíssimos e 3) a radiação letal para seres vivos tanto no curto quanto no longo prazo é muito mais alta!

A usina de Fukushima tem quase 40 anos. Nas usinas modernas, por exemplo, não é necessário energia elétrica para bombear água para os reatores. Ainda sim a usina resistiu a um mega-terremoto e um super-tsunami. Para se ter uma ideia dos "perigos das usinas nucleares": as usinas termoelétricas de carvão geram mais radiotividade que as usinas nucleares e usinas nucleares mataram menos por terawatt que qualquer outra fonte de energia, incluindo energia solar e eólica.

UPDATE1 (01:05 am 15/03): o fogo no reator 4 se extinguiu. Este reator estava desativado mas continha células de combustível nuclear usadas. O fogo pode ter espalhado radioatividade destas células. Os trabalhadores foram evacuados porque os níveis de radiação subiram demais, tornando-se danosos a seres vivos. O sistema de bombeamento de água do mar para os reatores 1, 2 e 3 continua ativo.

UPDATE2 (08:01 am 15/03): A atenção dada aos reatores 1, 2, 3 fez com que o reator 4 fosse negligenciado. Isto levou à evaporação da água dos contâiners de combustível radioativo usado, provocando o acúmulo de gás hidrogênio e o fogo. Durante o incêndio houve um pico de liberação de radioatividade que chegou (em baixos níveis) até Tóquio. Os reatores 5 e 6, também desligados, também apresentam altas temperaturas. 

Fontes:

MIT Department of Nuclear Science and Engineering 
Slate - Nuclear Overreactors 
The Market Ticker - On The Japanese Quake and Tsunami 
Boing Boing - Nuclear energy 101: Inside the "black box" of power plants
BBC News - Uncertainty surrounds Japan's nuclear picture

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14 comentários
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Marcelo Alencar

Como assim por incrível que pareça a eletricidade é gerada por vapor? Nada de anormal nisso.

O ciclo de Rankine (vapor) é o mais utilizado para geração de eletricidade em termelétricas. E a usina de Fukushima nada mais é do que uma termelétrica cujo combustível é radioativo.

 

 
 
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José A. Matelli

É verdade. Nada menos que 85% da eletrecidade gerada no mundo em 2009 veio de turbo-geradores acionados por vapor d'água. Essa informação pode ser aferida a partir de dados disponíveis no site da Agência Internacional de Energia (http://www.iea.org/).

 
 
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Casagrande

"Por incrível que pareça"? Por incrível que pareça é com o vapor que se produz a força que tocará as turbinas que movem os geradores de eletricidade. Como numa locomotiva Maria Fumaça. Só que o combustível é urânio, esta praga.

 
 
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Guga - o nao registrado

É incrível para nós leigos, Marcelo. Para os leigos, imagina-se que a energia é retirada diretamente da fusão, fissão, ou o que quer que seja que ocorre com os átomos em tais circunstâncias.

E só se colocar na posição de um leigo para entender.

 
 
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ruyacquaviva

Nanomaterial transforma radiação nuclear diretamente em eletricidade

 

Cientistas pedem renascimento global da energia nuclear

Colin Smith - 01/09/2010

[...]No passado, havia a percepção do público de que a tecnologia nuclear não era segura. Entretanto, o que a maioria das pessoas não sabe é quanta ênfase a indústria nuclear coloca na segurança. Na verdade, a segurança está no coração da indústria.[...]

 

Mundo repensa energia nuclear depois de 2ª explosão de reator no Japão

 
 
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daSilvaEdison

 

Uai sô!

Eu sempre soube que essa atômica, e todas as outras, são máquinas a vapor.

Exatamente como as velhas "Maria Fumaça".

Térmicas são todas iguais.
O que as diferenciam é o combustível.
Lenha, carvão, óleo combustível, gas, ou prótons inconcontroláveis.

 

Nassif,

Caberia abrir discussão sobre a técnica BWR empregada nas máquinas de Fukushima e o sistema ABWR empregado na nossa termonuclear de Angra.

O sistema de Angra, onde a água que aciona as turbinas é independente e isolado do circuito de água que capta o calor do Reator Atômico, é realmente mais seguro?

Quanto?

 

 

 
 
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luismalheiro

Acho que Angra é PWR, isto é, a água é pressurizada. É a mesma coisa que ABWR?

 
 
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Marcos Roberto

Sistema PWR e ABWR são diferentes.

O ABWR é a terceira geração do sistema BWR usado em Fukushima, essa nova geração possui um sistema mais simples, permite que opere 100% sem eletricidade externa.

A vantagem do BWR sobre o PWR está na simplicidade, usa água para refrigerar o núcleo, enquanto o PWR usa bório, que é altamente corrosivo.

O PWR tem como vantagem o tamanho, exige menos espaço para construir, logo é usado em todos os submarinos nucleares no mundo.

Teoricamente ambos são seguros, o Japão tem usinas em PWR como BWR, além de ABWR.

 
 
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Marcos Ribamar

Sistema PWR e ABWR são diferentes.

O ABWR é a terceira geração do sistema BWR usado em Fukushima, essa nova geração possui um sistema mais simples, permite que opere 100% sem eletricidade externa.

A vantagem do BWR sobre o PWR está na simplicidade, usa água para refrigerar o núcleo, enquanto o PWR usa bório, que é altamente corrosivo.

O PWR tem como vantagem o tamanho, exige menos espaço para construir, logo é usado em todos os submarinos nucleares no mundo.

Teoricamente ambos são seguros, o Japão tem usinas em PWR como BWR, além de ABWR.

 
 
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Diego Verissimo Lakatos

O texto é bem interessante, só acho que deveria ser dado o crédito para o Carlos Hotta que publicou esse post no seu blog (que vc linkou)

 
 
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Ogino

Pergunta curiosa: Depois do reator desligado, por quanto tempo ainda acontece reação e calor que possa causar um meltdown?

 
 
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MARCIA GOMES

PRESS RELEASE, 24/03/2011

  

URÂNIO EM MOVI(E)MENTO

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE FILMES SOBRE ENERGIA NUCLEAR

RIO DE JANEIRO 21 A 28 MAIO 2011

Urânio em Movi(e)mento, o 1º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear, convida a imprensa para seus eventos no Rio de Janeiro, nos dias 21 a 28 de Maio de 2011. O festival acontecerá em dois centros culturais históricos do Rio de Janeiro, Parque das Ruínas e Laurinda Santos Lobo, ambos em Santa Teresa. Com entrada franca.

Foram selecionados 15 documentários e filmes de longa metragem e 19 de curta metragem: 7 filmes dos EUA, 5 do Brasil, 5 da Alemanha, 4 da Austrália, 3 da França, 2 da África do Sul, 1 da Costa Rica, 1 da Suécia, 1 da Rússia, 1 da Índia, 1 da Dinamarca, 1 da Geórgia/Holanda, 1 do Canadá e 1 do Reino Unido.

O Festival vai exibir 18 premières latino-americanas e 2 premières mundiais. Os filmes mostram o mundo nuclear e os riscos nucleares. Desde a mineração de urânio às usinas nucleares, do transporte do lixo radioativo (Castor) aos acidentes com navios nucleares, de Chernobyl e ao acidente com o Césio 137 em Goiânia; de Hiroshima ao escândalo da munição radioativa dos Estados Unidos nas guerras no Iraque.

Será um festival de revelações como: “A Bomba Suja do Pentágono”, do diretor costa riquenho Pablo Ortega e a produção alemã “Der Uranberg”, sobre a história da mineração de urânio na Alemanha Oriental para a fabricação da bomba atômica soviética. Importante para a discussão atual sobre a segurança das usinas nucleares vai ser o filme "Pedra Podre", que fala sobre as problemas das usinas nucleares Angra 1 e 2, no Sul do Rio de Janeiro.

O Festival contará com uma exposição fotográfica, durante todo o mês de Maio, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, sobre o acidente com o Césio 137 em Goiânia, em 1987, o maior acidente nuclear da América Latina. E uma exposição, no Centro Cultural Parque das Ruínas, com a coleção de cartazes do movimento mundial anti-nuclear, organizada pela Fundação Laka (Holanda).

“No começo de 2010, quando nós planejamos o Festival, pensamos sobre o acidente nuclear de Goiânia de 1987, e sobre o desastre de Chernobyl, em 1986. Nós não imaginávamos que 25 anos depois de Chernobyl iria acontecer Fukushima", fala o Diretor do Festival Norbert Suchanek.

Depois do Rio de Janeiro, o 1º Festival de Filmes sobre Energia Nuclear viajará para São Paulo (3 a 5 de junho) e para as cidades de Recife, Natal, João Pessoa e Fortaleza (agosto). Em setembro, o Festival chegará à Salvador, a capital da Bahia, o Estado que recebeu a segunda mineração de urânio no Brasil, em Caetité/Lagoa Real.

Gratos pela atenção

Nos encontramos em maio em Santa Teresa

Marcia Gomes de Oliveira

Coordenadora

1º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear

 

Para maiores informações, por favor entre em contato: URÂNIO EM MOVI(E)MENTO
Telefone: 0055-21-2507 6704info@uraniumfilmfestival.orgwww.uraniumfilmfestival.org
Rua Monte Alegre 356/ 301 Santa TeresaRio de Janeiro / RJ CEP 20240-190 URÂNIO EM MOVI(E)MENTO / Uranium Film Festival é um projeto em cooperação com a Ong Baobá - www.ongbaoba.org

 
 
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Fabiana Santos da Silva

Pra mim gastar milhões pra construir uma usina nuclear é bobagem por que além de gastar dinheiro,desmatar e destruir ñ é necessariamente o que precisamos e nem queremos...Sou totalmente contra a possibilidade de Usinas nuclera eu acho bem melhor usar energia renovavel que gasta menos e ajuda mais...

PRA MIM COISA DE USINA NUCLEAR É SÓ PRA QUEM PENÇA POUCO...>.<

 
 
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Julia

Começe a pensar um pouco que a palavra "pensa"  é escrita com S, nao com Ç...

 
 

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