Coalizão e o mito da polarização, por Maria Inês Nassif

Da Carta Maior

A coalizão governamental e as questões de propriedade

A polarização, fora do período eleitoral, não é simplesmente entre PT e PSDB. A direita está longe de se restringir ao PSDB; a esquerda está distante de ser representada simplesmente pelo PT. O país está num momento em que a radicalização na base da sociedade está apartada dos dutos de representação política.

Maria Inês Nassif

Do lado de lá de qualquer política de distribuição de renda e terra, de saúde pública, de moradia popular, existem sempre barreiras a serem transpostas na base da sociedade. Qualquer política de redução de privilégios se encontra e conflita com setores tradicionais acostumados a eles - não necessariamente de oposição ao governo federal - e com enclaves regionais onde o poder de aparelhos públicos e privados de ideologia se impõem aos setores mais fragilizados da população pela força e por decisões de uma Justiça excessivamente ligada ao status quo. Contraditoriamente, em algum momento pode se somar aos grupos hegemônicos locais a ação de determinados setores do governo federal, já que a enorme coalizão a nível institucional confere uma grande multiplicidade a um aparelho público federal que teoricamente deveria ser a representação dos setores à esquerda da sociedade.

A polarização, fora do período eleitoral, não é simplesmente entre PT e PSDB. A direita está longe de se restringir ao PSDB; a esquerda está distante de ser representada simplesmente pelo PT.

Os atores políticos, institucionais e não-institucionais, estão perdidos numa realidade bipartida, onde a mediação institucional entre setores, interesses e frações de classe é cada vez mais ineficiente. Existe um descompasso entre representação democrática e poder econômico, entre partidos políticos e interesses da sociedade civil - e, até por conta dos demais descompassos, essas contradições estão cada vez mais evidentes nas questões que envolvem propriedade. Essa afirmação não nega a realidade de uma desigual e histórica disputa por terras, rurais e urbanas, no país. Apenas a aponta como alvo de excessivas ações sobrepostas do aparelho de Estado - União, Estados, municípios, Justiça e polícia - que resultam em vitórias dos setores conservadores e provocam reações públicas que, por maiores que sejam, têm seu poder reduzido por uma Justiça pouco sensível a questões que envolvem o reconhecimento do uso social da propriedade.

Quando os partidos políticos perdem o seu poder de mediação, a tendência é a de que, regionalmente, se articulem com mais facilidade os agentes de uma política tradicional que sobrevive sem necessariamente estar dentro de um partido, uma Justiça conservadora dos rincões do país - cuja ação têm sido legitimada por tribunais superiores que, ou reiteram os direitos de propriedade concentrada, ou lavam as mãos diante de uma decisão discutível de juízes locais –, governos locais ligados a esses interesses e um aparelho policial de origem autoritária (a Polícia Militar é uma invenção da ditadura de 1964-1985) que impõe os interesses desses setores de forma truculenta.

Pinheirinho não está só. Antes, houve Cracolândia. Na semana passada, uma força policial de 200 homens fardados desalojou os trabalhadores rurais das comunidades Novo Paraíso e Frederico Veiga, no Tarumã, na periferia de Manaus, pela quarta vez. Derrubaram, como das vezes anteriores, as suas casas, e os pequenos agricultores estão ao relento nos terrenos onde plantam suas roças e criam pequenos animais. E literalmente cercados pela polícia. Na quinta-feira, a polícia paulista simplesmente botou na rua 400 moradores que haviam invadido um prédio na esquina da Ipiranga com a São João, na capital paulista. Nos últimos anos, as favelas paulistanas arderam em chamas, uma desocupação indireta resolvida pela prefeitura com uma bolsa-aluguel que cada vez tem menos utilidade, uma vez que os terrenos desocupados pelos expulsos são integrados ao círculo da especulação imobiliária, e a alta demanda de aluguéis para a população de baixa renda se encontra com uma baixíssima oferta que eleva o preço dos imóveis aos céus.

Isso, sem falar nas lutas históricas pela terra em todos os rincões desse país, que se tornam mais desiguais quanto mais se moderniza a grande propriedade rural, que passa a dispor de meios particulares “legais”, as empresas de segurança (que no passado se chamavam jagunços, desempenhavam a mesma função mas matavam à margem da lei).

A presidenta Dilma Rousseff acumula condições altamente favoráveis na política institucional. Nas eleições de 2010, somados os eleitos pelo PSDB, DEM, PSOL e PPS, a oposição dispunha de apenas 21% da Câmara dos Deputados. Criado o PSD, a oposição ficou reduzida a 19% da Câmara. Nas eleições municipais, dada a ampla base de apoio do governo, vai ser um massacre. Essa realidade coloca inclusive a hegemonia tucana do PSDB paulista em profunda crise. Se não acontecer uma crise política, ou econômica, ou ambas, de graves proporções, o DEM será condenado à extinção em outubro e o PSDB vai chegar perto disso.

Todavia, junto com uma base excessivamente ampliada, o partido com mais potencial de crescimento nessas eleições, o PT, é o partido que acumula mais dificuldades de mediação com a sociedade. A ação política junto ao aos setores que teoricamente representa fica extremamente limitada pela coalizão que dá suporte à presidenta Dilma Rousseff no plano institucional. De alguma forma, as tentativas de reaproximação do partido com os movimentos sociais, e a retomada de algumas bandeiras originais do partido, como democratização dos meios de comunicação e redução da jornada de trabalho, que aconteceram já na gestão do deputado Rui Falcão na presidência da legenda, é um reconhecimento do esgarçamento do poder de mediação do PT junto aos setores menos privilegiados. Resta saber se essas tentativas vão sobreviver a eleições que serão o palco de disputa de todos os partidos da base aliada do governo federal.

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27 comentários
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aliancaliberal

Resumo e a mexicanização plena e de fato da politica no Brasil, todos repartindo o orçamento publico em comum acordo, sem conflitos, todos satisfeitos com a sua parte do bolo, todos de bariga cheia com aquele ar de satisfação e felicidade.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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João L.

O povo nunca fez opção pela UDN, conquistaram o poder com o golpe de 64.

A UDN voltou ao poder , com roupa nova(novas siglas), na redemocratização e no embalo do plano Real do Itamar, mas não tomou banho e o corpo continuou  exalando odor de sujeira.

Quem decidiu novamente jogar  no lixo ou destruir a UDN, PSDB, DEM ,  foi o povo, atraves de votos. Que o PSDB, DEM,PFL,ARENA, PPS convençam o povo que, esta união de siglas, tem um programa melhor para o Brasil e retomem o poder, atraves do VOTO. Simples.

 
 
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Remindo Sauim

Não sei não, meu trollzinho perdido, anter vocês achavam o Lula incompetente, a Dilma um poste e os petistas uns analfabetos. Pois eles arrumaram uma boa parte em 9 anos o que esteve desarrumado durante 502 anos. Se sou tu trollzinho errático, não dou mais palpite, enfio o rabo no meio das pernas e saiu bem devagarzinho, sem chamar muita a atenção. 

 
 
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Geraldo Galvão

O AL ratazana gorda tucana de Canoas-RS, lamenta e chora, a perda do orçamento da prefeitura onde eles (os tucanos) saqueavam até serem desalojados pelo PT. Em Canoas está decretado: O orçamento da prefeitura não está mais à disposição de salteadores.

 
 
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ruyacquaviva

Eu acho que essa reaproximação do partido (PT) com os movimentos sociais é fundamental. É natural que por estar a muitos anos no governo federal o partido tenha uma tendência de se institucionalizar e burocratizar, mas isso pode ser evitado e revertido pela forte base social do partido e pela práticas de democracia interna. Nenhum dos dois itens citados são perfeitos, assim como o partido está longe de ser, porém ele ainda reúne condições para reagir à tendência de institucionalização e inflexionar um movimento ao encontro de suas bases históricas.

 
 
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aliancaliberal

Ruy, que movimentos sociais?

Vc esta sendo inocente ou esta de má fé.

Estes movimentos sociais não passam de CCs e funcionarios publicos.

Eu fui no orçamento participativo aqui da cidade de 300 participantes tinha 5 que não eram da prefeitura ou do partido.

Tanto que a "diaria" para ser "militante"  do PT esta em 40 reais.

Os movimentos sociais ea participação popular e o maior blefe do PT.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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noite planetaria azul

Aqui em BH o PT está a caminho da desmoralisação completa!!!! Sou Filiado e me sinto com vergonha em saber que lideranças locais estão passando porcima da vontade popular pra fazer alianças que só beneficiam quadros dentro do partido.... Se essas alianças acontecer será o fim do partido na capitál mineira!!! ISSO É O QUE OS ELEITORES  ESTÃO PROMETENDO!!

 
 
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Geraldo Galvão

 


Não deixe de participar, vale a pena lutar contra os traidores: Virgilio Guimarães, Pimentel, Roberto Carvalho, que de maneira espúria se aliaram ao Aécio Neves, tomaram de assalto o diretório do partido em BH, e se aliaram ao PSDB e PSB no apoio ao Márcio Lacerda, que tinha sido plantado estrategicamente pelo Ciro Gomes e Aécio no PSB. Se o Roberto Carvalho está em rota de colisão com o prefeito, não se iluda, ele continua sendo um traidor.

 
 
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alexis

Geraldo

Os tucanos estão fazendo o mesmo em Campinas!

Ou seja, estão fazendo parceria com o PSB e se preparando para alternativa em 2014.

o PT mineiro deveria reagir rápido e voltar a ser o que foi nos gloriosos tempos do Patrus.

 
 
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Assis Ribeiro

Parece que Maria Inês previu o que aconteceria no Post

O resultado da concessão dos aeroportos

 

Assis Ribeiro

 
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Luiz Gonzaga da Silva

"...e um aparelho policial de origem autoritária (a Polícia Militar é uma invenção da ditadura de 1964-1985)..."

Na verdade foram inventadas bem antes. Na ponta do lápis a história começa no Império. Como a conhecemos hoje na República Velha e a denominação Policia Militar na Constituição de 1946.

http://pessoas.hsw.uol.com.br/policia-militar1.htm

 
 
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Assis Ribeiro

O excelente artigo de Maria Inês retrata a falência dos Estado e serve para todo o mundo.

O Estado, pelo mundo parecem dominados pelos interesses corporativos.

A distância entre os políticos e a população que os elegeram é enorme. Governos eleitos pela esquerda, com propostas de esquerda, fazem governos neoliberais, alguns camuflam com retoques desenvolvimentista, mas, a concentração de riqueza prevalece em todo o mundo.

Decisões políticas, judiciais, informações na grande mídia atendem a esses interesses corporativos, quase sempre em enormes prejuízos à maioria da população.

A representatividade nos congressos, pela eleição favorecida por esses mesmos grupos corporativos, não atende à proporção da população. Um exemplo no Brasil é a enorme bancada ruralista que representa os poucos grandes fazendeiros e não representam aqueles de pequenas propriedades.

O texto mostra de forma brilhante, repito, a falência do modelo, não apenas no Brasil.

 

Assis Ribeiro

 
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Leonardo Ja.

Meu caro, sem qualquer tipo de intenção de provocação, mas o que você diz, Karl Marx já dizia há mais de 150 anos, e depois dele todos os grandes marxistas. O marxismo mostra há mais de um século a imbricação profunda entre capitalismo e estado, e de como a política é um modo de manutenção e organização da opressão.

 
 
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Assis Ribeiro

Um texto que ajuda a reflexão do Post:

Sob o título "Apesar da lei, do Poder e das sentenças dos juízes, eu creio na Justiça!", o artigo a seguir é de autoria do juiz Gerivaldo Neiva, da Bahia; o texto foi publicado originalmente no blog do autor, em 23/1.

Não os perdoem: eles sabem o que fazem!

Para o governador, a culpa é da Justiça.

Para toda imprensa, a Justiça determinou, mandou, decidiu, despejou...

Para o Juiz que assinou a ordem, cumpriu-se a Lei e basta: Dura lex sede lex!

Para catedráticos cheirando a mofo, o Estado de Direito triunfou!

Para o Coronel que comandou, ordens são ordens!

Para o soldado que marchou sobre os iguais, idem!

Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?

Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?

Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?

Tira esta venda, vai!

Veja o que estão fazendo em teu nome! Revolte-se!

E o pior dos absurdos: estão dizendo teus os atos do Juiz e do Poder que ele representa!

Vais continuar impassível?

E mais absurdos: estão te transformando em merdas de leis.

Acorda, vai!

Chama o povo, chama o Direito das ruas e todos os oprimidos do mundo e brada bem alto:

- Não blasfemem mais com meu nome! Não sou o arbítrio e nem a ganância! Não sou violenta, nem cínica e nem hipócrita! Não sou o poder, nem leis, nem sentenças e nem acórdãos de merda!

Diz mais, vai! Brada mais alto ainda:

- Eu sou o sonho, sou a utopia, sou o justo, sou a força que alimenta a vida, sou pão, sou emprego, sou moradia digna, sou educação de qualidade, sou saúde para todos, sou meio ambiente equilibrado, sou cultura, sou alegria, sou prazer, sou liberdade, sou a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária e de uma nação fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana.

Diz mais, vai! Conforta-nos:

- Creiam em mim. Um dia ainda estaremos juntos. Deixarei de ser o horizonte inatingível para reinar no meio de vós! Creiam em mim. Apesar da lei, do Poder Judiciário e das sentenças dos juízes, creiam em mim e não perdoem jamais os que matam e roubam os sonhos em meu nome, pois eles sabem o que fazem!

(*) Juiz de Direito (BA), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD)

http://assisprocura.blogspot.com/2012/01/pinheirinho-o-desabafo-de-um-ju...

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

No mundo atual, do neoliberalismo, as corporações conseguiram unir a esquerda e a direita na defesa dos seus interesses.
A vida se restringiu à economia, tudo é economia,
o que tem importância é apenas o dinheiro, o lucro e então, desta forma, são as grandes corporações que mandam na política e os nossos representantes que financiados por elas, tanto da esquerda como da direita, atendem aos seus interesses quase sempre contra os interesses de uma nação e de seu povo.
O fortalecimento da empresa (lucro) tem que acontecer de qualquer forma, seja fraudulenta, seja com a diminuição do quadro de empregados, da diminuição dos salários e dos direitos trabalhistas, apropriação dos bens públicos e tantas outras expropriações ilícitas.
O “Estado” passou a desempenhar o papel exclusivo de representante das grandes corporações, e a noção de “nação” com os valores da sua população foi praticamente aniquilada pelo próprio “Estado” que deveria ser o seu maior defensor.
O “Estado” se tronou fraco, completamente ausente para resolver os problemas da “nação”, não formulando políticas de emprego, de diminuição das diferenças sociais, de bem estar da vida de sua população. Não zelando pela “nação”.  É o “Estado mínimo”.
Esse modelo traz conseqüências graves nas relações externas como o enfraquecimento da soberania, que passa a ser garantida de acordo com os interesses das corporações, intolerância étnica, concentração de riqueza com o consequente aumento de pobreza, etc.
Nas relações internas faz com que a população tenha que agir por conta própria para resolver os seus problemas de segurança, saúde, entre tantos outros, características de um “Estado” anárquico.

http://assisprocura.blogspot.com/2011/05/ta-tudo-dominado.html

 

Assis Ribeiro

 
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Homero Pavan Filho

"A direita está longe de se restringir ao PSDB; a esquerda está distante de ser representada simplesmente pelo PT."

E nem todos que estão no PT são petistas.

 
 
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JigSawJr

E nem todos que estão no PSDB são tucan... Ah, são sim!

 
 
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Jose de Almeida Bispo

A mexicanização - padrão PRI - é invitável. Nossa direita não desenvolveu o partidarismo político como arena de debates e sim como instrumento de manutenção de tradições horríveis que tanto atrasaram o país e por tabela a eles próprios. Ao não desenvolver uma ideologia de Estado moderno - apenas repete mantras neoliberais dos Chicago Boys - não dota seus partidários de discurso racional e contundente para fazer frente ao lulopetismo. Como resultado, legiões de despeitados encasteladas em instituições de grande valia para o país e muito pouca gente a oferecer alternativa, discutível, óbvio, mas alternativa ao grupamento do atual governo. Também como resultado, os aliados do governo não param de chegar. Engessando esse mesmo governo e ao mesmo tempo dissecando qualquer discussão mais profunda sobre os destinos do país.

Operação cavalo de Tróia, é como se pode observar essa adesão ao governo Dilma. Há algum tempo atrás, comentava com um amigo que, logo depois das eleições - da Dilma - Lula tinha uma grande missão: uma "revolução cultural". O que me levava a pensar sobre isso era porque os próprios petistas - e tenho observado isso na maioria deles - estavam a se acomodar, relativizar, e adaptarem-se ao poder, com os enorme vícios, tais quais aqueles a quem o partido já nasceu combatendo. E eu falava sobre os petistas; não sobre as legiões de viciados que ora pungam o governo na condição de aliados, a maioria deles sem chances de transformações, pra melhor, claro.

A Maria Inês Nassif foi no coração da mosca.

 
 
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Assis Ribeiro

Notícia fresquina, da hora,

Dilma acha que 'exagerou' com movimentos sociais e tenta mudar

Da Carta Maior

Após primeiro ano de pouca conversa direta com movimentos sociais e de governo ter ajudado a criar clima 'anti-ONGs', presidenta começa 2012 disposta a ter nova postura. Caso Pinheirinho foi aproveitado pelo governo para sinalizar inflexão e relação diferenciada com movimentos. Prevista para março, proposta de nova regra de repasse a ONGs manterá financiamento público.

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff acredita que ela e o governo “exageraram” no rigor com movimentos sociais no ano passado e quer remediar a situação em 2012. Menos afeita do que o antecessor a conversar diretamente com os movimentos, Dilma está disposta a tentar abrir-se mais daqui para frente. E não pretende mais colaborar com a demonização deles pelo governo, como aconteceu em 2011 a partir de escândalos a envolver organizações não-governamentais (ONGs).

O primeiro gesto individual da presidenta para tentar melhorar a relação dela com os movimentos foi ter feito uma reunião fechada com cerca de 90 representantes de 35 entidades, durante a passagem dela pelo Fórum Social Temático, em Porto Alegre, no dia 26 de janeiro.

A reunião foi planejada, segundo fonte do Palácio do Planalto que conversou com a reportagem, para que Dilma ouvisse e os movimentos pudessem falar à vontade. E não apenas a respeito do tema que, em tese, era o foco do encontro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil sediará em junho. Mas de tudo.

Pela biografia diferente da do ex-presidente Lula e por estar se acostumando ao cargo, em 2011, Dilma negociou pouco frente a frente com os movimentos, o que irritou líderes de centrais sindicais e entidades campesinas, por exemplo. Para eles, a presidenta preferia sentar e escutar o empresariado.

Como a reunião de Dilma com os movimentos, em um hotel de Porto Alegre, era a aberta a qualquer tema, a presidenta teve a chance de pela primeira vez comentar com gente de fora do governo, mesmo que a portas fechadas, a violenta ação de despejo contra sem-teto em São José dos Campos, que ela chamou de “barbárie”.

O caso Pinheirinho, aliás, está sendo aproveitado pelo governo para mostrar aos movimentos que ele ainda são, sim, aliados. Por isso, desde a primeira hora pós-despejo, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) deu declarações que buscam demarcar a diferença (para ele, “de método”) na forma como o governo lida com os movimentos, comparado ao PSDB.

Verba a ONGs

Principal interlocutor de Dilma e do governo perante os movimentos sociais, Carvalho também tem a responsabilidade de tentar desatar um nó, apertado demais com ajuda do próprio governo, na relação com os movimentos. É a revisão da legislação das ONGs, processo que envolve diversos ministérios, mas que está sob comando da Secretaria Geral.

No ano passado, as ONGs tornaram-se vilãs nacionais por causa de denúncias jornalísticas de corrupção que custariam o cargo de uma série de ministros. Foi assim no Esporte, no Trabalho e no Turismo, por exemplo, todos envolvidos em acusações de que o repasse de verba para ONGs era uma forma de desviar dinheiro público.

Os episódios levaram Dilma a baixar decretos draconianos sobre transferência de verba para ONGs e a pedir à equipe que preparasse novas regras.

O clima anti-ONGs dentro do governo e de suspeição geral contra essas entidades na imprensa deu origem a situações em que, segundo um colaborador direto de Dilma, claramente “nós exageramos”.

O melhor exemplo do “exagero”, de acordo com esta mesma fonte, talvez tenha sido a recusa do ministério do Desenvolvimento Social de firmar convênio de construção de 750 mil cisternas no Nordeste com uma conhecida e poderosa entidade da região, a Articulação do Semi-Árido (ASA).

A ministra Tereza Campello teve receio de que o contrato, por sua dimensão, um dia se voltasse contra ela e evitou autorizá-lo.

A ASA reagiu à postura do governo com um grande protesto em dezembro, para o qual conseguiu mobilizar cerca de 15 mil pessoas em pleno sertão nordestino, a ponto inclusive de bloquear uma ponte importante que liga Juazeiro (BA) a Petrolina (PE).

Um dia depois da reunião de Dilma com os movimentos sociais em Porto Alegre, a Fundação Banco do Brasil divulgou edital para contratar fornecedores de um primeiro lote de 60 mil cisternas, numa licitação que se encerrará dia 27 de fevereiro.

Coordenadora do processo de revisão da legislação das ONGs, a Secretaria Geral deve concluir uma proposta em março. As linhas gerais foram apresentadas a “ongueiros” durante o Fórum Social Temático, em Porto Alegre.

Segundo Gilberto Carvalho, a proposta vai manter a previsão de financiamento público das ONGs, ou seja, o governo não vai acabar com os convênios.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=195...

 

Assis Ribeiro

 
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Durvalino

depois que um jornal em minha cidade Santos/sp publica, de Jose Sarney:

governo se toma com a esquerda e se toca com a direita, dou esse assunto por encerrado !!!

 
 
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josé adailton

De acordo com a autora do post a oposição ficará perto da extinção nas eleições de 2012.Se suas estimativas se concretizarem só podemos dizer que em 2014 teremos só cinzas opositoras.Quero assistir de camarote o momento conjuntural brasileiro com o país com instituições democráticas cada vez mais fortalecidas e sendo governado por uma coalizão formada por partidos com contrastes ideológicos, mas absolutos nas suas prerrogativas de governança.Para muitos será temerário tal fenômeno.

 
 
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aliancaliberal

Veja que é só deixar um esquerdista falar francamente e já entrega que na verdade querem um regime de partido unico(na prática), o discurso democratico é só fachada.

E a ditadura perfeita.

 

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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José Antônio Araújo

Muito oportuno o post da M. Inês Nassif. Destaco o parágrafo abaixo:

Quando os partidos políticos perdem o seu poder de mediação, a tendência é a de que, regionalmente, se articulem com mais facilidade os agentes de uma política tradicional que sobrevive sem necessariamente estar dentro de um partido, uma Justiça conservadora dos rincões do país - cuja ação têm sido legitimada por tribunais superiores que, ou reiteram os direitos de propriedade concentrada, ou lavam as mãos diante de uma decisão discutível de juízes locais –, governos locais ligados a esses interesses e um aparelho policial de origem autoritária (a Polícia Militar é uma invenção da ditadura de 1964-1985) que impõe os interesses desses setores de forma truculenta.

 

 Reproduzo o comentário que fiz no post 08:17 - A Polícia Militar paranaense e os foliões

 

seg, 06/02/2012 - 08:34

José Antônio Araújo

Nassif:

As PM's já passaram da conta faz tempo. Não se pode dizer que os exageros e as agessões contra a população  foram devidas a tal estado, a tal governador, a tal partido político. Elas exacerbaram. O problema é institucional. Proponho que um debate sobre isso seja aberto aqui no blog.

Abraços,

José Antônio

 

José Antônio

 
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Miguel Freitas

A julgar pela vendilhança e privataria de hoje de aeroportos estratégicos e movimentados chamar este governo de esquerda é uma piada de péssimo gosto.

 
 
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Zero

À medida em que o sistema partidário se atrela ao poder econômico, se autonomiza em relação à cidadania. Daí, deixa de refletir as diversas correntes de pensamento da sociedade para advogar a causa do dinheiro, que, como se sabe, não tem ideologia. Os partidos passam a ser indistinguíveis uns dos outros.

 

Zero

 
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Geraldo Galvão

Você escolheu bem o nome "zero". Já imagino você votando no Rio de Janeiro, e diante da urna eletrônica, indeciso entre: votar no Chico Alencar, ou votar no Bolsonaro.

 
 
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Leonidas de Souza

Finalmente alguém que consegue exergar muito além da ponta do seu nariz.


Talvez por isso tenha tão pouco espaço, principalmente na grande Mídia.


O Brasil esta dominado por oligarquias locais que na maioria dos casos conseguiu afastar a esquerda dos centros de poder, se "aliando" ao PT para tentar absorver a popularidade do Lula.


Alguém acredita que um Partido sob o comando de um Kassab e tendo uma Kátia Abreu como expoente tenha alguma coisa a ver com o governo Dilma?


A direita esta tentando se encostar no governo para tentar sobreviver, mas o trairá na primeira oportunidade.


A direita nunca foi o PSDB, ela esta espalhada pelos mais diversos partidos, de acordo com interesses regionais, basta ver como se comportam quando o assunto é o agro-negócio.

 
 

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