Clipping do dia

As matérias para serem lidas e comentadas.

Nenhum voto
57 comentários
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Da Deutsche Welle

MundoNão há saída militar para o fim da violência na Síria, afirma ONU

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro preside a comissão da Nações Unidas que investiga violações dos direitos humanos na Síria. Em segundo relatório, comissão diz que só diálogo resolverá a crise: "a Síria não é a Líbia".

Em segundo relatório, divulgado nesta quinta-feira (23/02), a Comissão de Inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU afirma que só o diálogo pode acabar com a violência na Síria. O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que presidiu a investigação, conversou com a DW Brasil sobre as conclusões apontadas no documento.

A situação dos direitos humanos no país comandado por Bashar al-Assad piorou drasticamente desde a apresentação do primeiro relatório, em novembro passado, afirma Pinheiro. E as divisões observadas na comunidade internacional dificultam o quadro. "O governo falhou em sua responsabilidade de proteger sua população", afirma o relatório, acrescentando que os grupos anti-Assad também cometeram abusos – "embora em escala e organização incomparáveis àquelas cometidas pelo governo."

 

Brazilian Paulo Sergio Pinheiro, who is mandated by the U.N. Human Rights Council to lead an international investigation of allegations of human rights abuses in Syria, gestures during a press conference at the United Nations headquarters in Geneva, Monday, Nov 28, 2011. Syrian troops have killed hundreds of children and committed other "crimes against humanity" since the government crackdown began in March, the U.N. probe said Monday. (AP Photo/Anja Niedringhaus)

Paulo Sérgio Pinheiro presidiu investigação da ONU

DW Brasil: A comissão concluiu que só o diálogo pode pôr fim à violência na Síria. Não há alternativa?

Paulo Pinheiro: Não existe nenhuma saída militar. Se houvesse saída militar o conflito já tinha terminado. Já faz quase um ano desde a primeira manifestação. É preciso perder essa ilusão sobre no fly zone e outras coisas que funcionaram na Líbia. A Síria não é Líbia.

O que os Estados têm que fazer é trabalhar no sentido de colocarem as várias partes numa mesa virtual. Nós temos uma experiência enorme na América do Sul e na América Central, não é preciso partir do zero sobre como fazer uma negociação. Não devemos esquecer que os franceses negociaram, sem suspender o conflito, na guerra da Argélia, e o Vietnã do Norte negociou com os Estados Unidos sem suspender a guerra.

Não é que eu esteja propondo que a violência não seja suspensa na Síria, ela deve ser. Especialmente agora que estamos vendo o que está acontecendo em Homs. É uma ilusão achar que haverá uma outra solução (que não o diálogo), ou então corredores humanitários impostos à Síria. Isso não vai funcionar. Essa ajuda humanitária só vai ocorrer de forma negociada, como, aliás, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha está tentando fazer de maneira bastante profissional. Não há outra saída. Nós deixamos isso muito claro no relatório.

O fim da violência na Síria seria o fim do regime de Assad?

Não se pode entrar numa negociação dizendo que tem que acabar o governo Assad. Não é assim que as negociações podem ocorrer. Tanto que, se isso fosse possível, a segunda proposta da Liga Árabe teria sido implementada.

É evidente que primeiro é preciso começar a conversar para ver o que vai ocorrer. Eu não tenho a receita de como vai ser essa conversa ou esse debate. A única coisa que a comissão disse com todas as letras é que não há saída militar para essa crise.

Mas essa conversa, até agora, parece que está sendo muito difícil com o governo. A própria comissão presidida pelo senhor, inclusive, não foi recebida na Síria.

Nós temos também o mandato para fazer essa negociação. Para dizer a verdade, nesse ano tivemos um contato fluido com o governo. Não só através de dados, correspondência, mas também através da missão em Genebra. Coisa que não tivemos no relatório passado (divulgado em novembro de 2011).

Há sempre a esperança de que o governo mude essa sua perspectiva.

Sem estar na Síria, como foi feito esse trabalho de coleta de informações?

Não é coisa fácil. Se nós tivéssemos podido ingressar no país teria sido um pouco menos difícil. Mesmo em investigações em situações desse tipo você não irá colocar as vítimas em risco. Nós entrevistamos sírios simpáticos e não-simpáticos ao governo fora do país. Entrevistamos desertores, membros da oposição – fora e dentro do país. Essas entrevistas foram feitas por skype, que não é censurado, e eu não entendo até hoje o porquê.

Usamos informações de organizações internacionais, observações de vídeo, imagens de satélite também foram bastante usadas. Temos assessores militares para nos orientarmos. O relatório tem um corpo sólido de informação para chegar às conclusões que chegamos.

Quem está na lista de perpetradores dos crimes contra a humanidade na Síria, sugerida por vocês?

A lista já foi feita. Depositamos junto ao comissário de Direitos Humanos uma lista de nomes e uma lista de unidades que, nós cremos, são responsáveis por graves violações dos direitos humanos. A lista é confidencial. Quem vai abrir essa lista é um organismo competente, ou o governo da Síria, no futuro, quando quiser fazer uma investigação. Porque a responsabilidade primária por investigar essas violações e crimes é do governo da Síria.

Entrevista: Nádia Pontes
Revisão: Francis França

 
 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Nassif o título correto é:

Não há saída militar para o fim da violência na Síria, afirma ONU

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

23/02/2012

Entre a previsão econômica e mau-humor político


O boletim Focus, do Banco Central, na edição divulgada ontem (22/02) mostra que, como se antecipara semana passada, que não existe nenhuma impossibilidade de que a inflação de 2012, como prevê o Banco Central, se aproxime do centro da meta, ou 4,5% ao ano.
O “núcleo” do mercado financeiro, a esta altura, já sabe disso, embora os economistas e, sobretudo, a mídia ligada a ele ainda relute em admitir.
Embora, como toda previsão, ela só adquira consistência à medida em que se consolida uma linha de tendência, o mercado já a demonstra nas previsões das “top 5″, as instituições que costumam “cravar” com mais exatidão os resultados de suas estimativas de índices.
A linha pontilhada representa um exercício de projeção logarítimica sobre os resultados dos últimos 60 dias, uma tendência que, a partir do mês que vem, pode até mesmo acentuar-se, dependendo da única grande incógnita – há outras, de influência menor – dos grandes indicadores de preços mundiais: o combustível.
Não é à toa que se intensificam as pressões sobre a Petrobras para que ela reajuste o preço da gasolina: por conta das tensões políticas com o Irã, o preço do barril no mercado “spot” sofreu uma brutal elevação.
Fora daí, nada faz crer que o IPCA de fevereiro se afaste muito dos 0,4%. Também aí – e agora já com os dados do IPCA-15 e dos IGP e IGP-M da Fundação Getúlio Vargas como balizadores, o mercado já baixou suas previsões para 0,44%, dos 0,68% previstos para fevereiro, há um mês.
Com a queda da inflação, o mau-humor, agora, vai se concentrar na baixa expectativa de crescimento econômico. Mas, também aí, o tempo vai separar o que é previsão econômica do que é mau-humor político.


 


Por: Fernando Brito


 

 
 
imagem de Alexandre Weber - Santos -SP
Alexandre Weber - Santos -SP

O problema capital no mercado financeiro são as fraudes e quem as comete.

 

The $15 TRILLION Dollar Money-Laundering Mystery (XLF, SKF, GLD, SLV, AGQ, SPXU)


Jeff Nielson: Where did it come from? Where did it go? These are the two principal questions being framed today, after Lord James of Blackheath (a member of the UK House of Lords) unveiled documentation (and accusations) concerning a mounting of illegitimate cash: $15 trillion USD.

At the moment, only Lord James is asking these questions. However, if he gets his way there will be an official inquiry into this massive, money-laundering operation. Already, Lord James possesses documents with the signatures of people like Alan Greenspan and Timothy Geithner on them, as well as massive transfers of funds to virtually every mega-bank in the U.S. and UK.  

While Lord James (himself a former banker) is holding the “paper trail” for all of this dirty money, he himself has no firm ideas about either the source of the money nor the intent of all of these massive transfers (all in the $100’s of billions) to U.S. and UK banks. Perhaps I can help him out?  [Related: ProShares UltraShort Financials ETF (NYSEArca:SKF), Financial Select Sector SPDR ETF (NYSEArca:XLF)]

Regular readers will be familiar with some of my own speculation into U.S. money-laundering (and counterfeiting of its own currency). Of interest, my own theorizing was based on a series of logical deductions which implied that some massive money-laundering operation (of counterfeit currency) must be taking place in the dying U.S. economy. And now we have a detailed paper-trail on the largest (known) money-laundering operation in history.

To refresh the memory of regular readers and to inform new readers, back on January 3rd I published a commentary titled Maximum Fraud in U.S. Treasuries Market. In that commentary, I outlined a series of simple-yet-obvious deductions pointing out the following facts:

1) There are (virtually) no visible buyers for U.S. Treasuries on the planet (at any price).

2) Even if there were interested buyers, there are no sources of capital available to mop-up all the $trillions in supply being dumped onto the market each year.

3) Even if there actually were interested buyers, and even if they could scrounge the $trillions to buy this worthless paper, it is utterly absurd to suggest that these buyers would pay (by far) the highest prices in history for this paper at a time of maximum supply. It defies every basic principle of supply and demand.

4) Taking this scenario from “absurd” to outright insanity, the U.S. economy has never been less solvent in its entire history. This directly implies that U.S. Treasuries should be fetching the lowest prices in history – not the highest – just like the worthless bonds being flogged by Europe’s deadbeat-debtors.

In other words, by process of simple deduction it was totally obvious that a gigantic, money-laundering operation was being conducted, with the primary goal being to prop-up the totally fraudulent U.S. Treasuries market. All that was missing was a paper-trail to prove this fraud, and now Lord James of Blackheath has been kind enough to provide this.

Undoubtedly many readers will be skeptical of this, assuming that there would be no need to get into such a cloak-and-dagger (and blatantly illegal) process to pretend that worthless U.S. Treasuries still have value. Indeed supposedly these bonds have more “value” than at any time in history – despite the issuer of those IOU’s being hopelessly insolvent, and merely delaying its own bankruptcy.

In fact there is a very powerful reason why this fraud had to be conducted in the same, criminal manner in which the Wall Street crime syndicate launders countless $100’s of billions of dirty-money (mostly CIA drug cartel money) every year. The only way in which the Treasuries market could be propped-up in this illegal manner was by counterfeiting the banker-paper used to buy those bonds.

In turn, there are two absolutely compelling reasons why the banksters have been forced to resort to blatant counterfeiting in attempting to prevent their entire paper empire from imploding into nothing. First of all, every fiat-dollar (legitimately) brought into existence is created via inventing new debt. To conjure-up (another) $15 trillion legally would have required piling $15 trillion more in debts onto the insolvent balance sheets of Western governments. In fact it would only require a small portion of that amount to cause all of these debt-dominoes to immediately topple.

However, that is not the only aspect of utter terror which now grips these felonious financiers. The specter of hyperinflation hovers over these Vampires, a second but even more powerful force which can reduce all of this worthless fiat-paper to its real value (zero) in a matter of months/weeks/days.

As I explained in a separate commentary, it is a tautology of both logic and economics that any good which can be produced at zero cost and in infinite quantities (like the bankers’ paper currencies) is worthless. The logic is irrefutable. If such a good was not worthless, then infinite quantities of that good would/could be created (at zero cost) and then exchanged for any/every item of value on the planet. It would be nothing less than an act of total theft.  Indeed, this precisely describes the entire bankster scam known as “fiat currencies”. [Related: iShares Silver ETF (NYSEArca:SLV), SPDR Gold Trust (NYSEArca:GLD), ProShares Ultra Silver ETF (NYSEArca:AGQ)]

Print up ever increasing quantities of their paper, at a lower and lower cost (now zero in the U.S. and Japan), and exchange all of that worthless paper for any/every item of value you can steal. With U.S. dollars now permanently being created at zero cost, the only factor preventing the U.S. dollar from instantly plummeting to zero is that the apathetic dolts in charge of our markets do not yet perceive that U.S. dollars are being created in (effectively) infinite quantities. However, pile another $15 trillion of this worthless paper onto the global market and that perception could change instantly. [Related: ProShares UltraPro Short S&P 500 ETF (NYSEArca:SPXU)]

I understand that for the average reader the mind simply rebels at the thought of our governments and (supposedly) respectable leaders of business demonstrating themselves to be no different (at all) from a Mafia crime-family. So let me once again summarize these parameters altogether:

a) There are no buyers for the $trillions of U.S. Treasuries (i.e. no one wants this paper).

b) There are no sources of (legitimate) capital to finance the purchases of these $trillions.

c) The U.S. government is so close to outright financial collapse that it cannot afford to pay any interest on its massive debts. An increase of U.S. interest rates by even 1% would send the U.S. economy into an immediate, deflationary death-spiral (as I have explained in many previous commentaries).

d) Debt-saturated Western government balance sheets cannot tolerate any further large increases in debt without a series of domino-like debt defaults.

e) Because of the factors above, the only way to prop-up the Treasuries market (and fraudulently maintain prices at the highest levels in history) was to create a mountain of unofficial/illegitimate money (i.e. counterfeit it), and then use that unofficial currency to buy-up these worthless Treasuries.

For those clinging to the belief that there must be some rational/legitimate explanation for the paper-trail uncovered by Lord James, he dispels that with some further observations of his own. To begin with, there are concrete financial protocols which have been created to integrate any/every new large batch of the bankers’ fiat paper into global financial markets. None of those protocols was followed.

Along the way with this scam, Lord James also pointed out that $100’s of billions in profits were generated, with none of those profits ever being recorded let alone reported (and taxed). In short, this is every bit as illegal as the $100’s of billions in heroin-trade profits laundered by Wall Street each year – from the poppy-fields of Afghanistan.  For those pointing out that the fraudulent U.S. Treasuries market hasn’t (yet) required $15 trillion in funny-money to extend this Ponzi-scheme, obviously the banksters can come up with plenty of other uses for their counterfeited/laundered money.

Where do people think that the Plunge Protection Team comes up with its own capital for its daily manipulations of U.S. markets?

Ultra-leveraged Wall Street balance sheets (greater than 30:1) only required a drop in U.S. housing prices of 3% to take their entire paper empires to zero. U.S. housing prices have fallen more than ten times that far. We can only guess at how $trillions (in secret hand-outs) it has taken to delay the implosion of those fraud-factories even this long.

This also explains the fanatical desperation which the Federal Reserve has shown in fighting even the tiniest request for disclosure about its “lending operations”. When you’re secretly counterfeiting $trillions every year, the last thing you want to hear is anything that even faintly resembles the word “audit”.

The U.S. Treasuries market is nothing but a gigantic (and clumsy) fraud. Along with the motive which I have previously supplied for this fraud, Lord James of Blackheath has added “means” and “opportunity” through his own diligent investigations. If the Rule of Law was not already dead in the United States, there is more than enough evidence here to justify a formal (and public) inquiry. Don’t hold your breath!

 

Follow the money, follow the power.

 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Da Radio Nederland Wereldomroep

Retrato de Richard Walker Cortes ameaçam qualidade da defesa no TPI Data de publicação : 22 Fevereiro 2012 - 2:23pm | Por Richard Walker (Foto: TPI) Assuntos relacionados:

Advogados de defesa do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, definem os cortes propostos para seus salários como inaceitáveis e ilegais.

Simpatia por advogados é uma emoção que raramente se vê, mas a Associação Internacional de Advogados de Defesa Criminal (CDAA) argumenta que os cortes propostos pelo TPI no último dia 15 de fevereiro ameaçam a estrutura do projeto de justiça criminal internacional.

A ambição do TPI é reduzir pela metade os gastos com advogados de defesa e assessoria das vítimas numa série de cortes de salário, despesas gerais e de investigação. “Pense em 200 horas por mês para um advogado sênior, o que resultará num salário líquido de 41 euros por hora. Pago mais que isso para o meu encanador”, disse à Radio Nederland o advogado de defesa Jean Flamme, da CDAA.

A proposta é de uma série complicada de cortes para reduzir os custos de escritório de um advogado de defesa, gastos com assistentes, benefícios fiscais, fazendo com que o salário final seja muito menor.

Nada definido
A secretaria do TPI é responsável por implementar o orçamento anual da corte, que é de 100 milhões de euros. O porta-voz Fadi Abdullah disse à Radio Nederland que nada foi decidido ainda em relação ao orçamento da defesa, que o processo está em andamento, e que, portanto, não há nada a comentar.

No entanto, os cortes no orçamento da assistência legal foram aprovados pela assembléia de Estados-membros do TPI em dezembro de 2011. E a comunidade de organizações de advogados de defesa está contestando onde eles ocorrerão. De acordo com a versão deles do que vem ocorrendo nas negociações até o momento, não há sugestão de que os promotores terão seu orçamento reduzido, pelo fato de serem funcionários públicos.

Qualidade em risco
“As taxas atuais [para advogados de defesa] já não são suficientes e eles ainda querem cortar milhões disso... O nível de qualidade vai cair e a independência da assistência jurídica desaparecerá, porque teremos uma espécie de ‘advogado da casa’... e isso significa que eles podem ser ameaçados...Assistência jurídica de boa qualidade não é um assunto ‘sexy’. Nos Estados Unidos, por exemplo, não há defesa de qualidade para casos de pena de morte e ninguém liga”, diz Jean Flamme.

A secretaria do TPI diz que terá um relatório sobre o assunto em torno de abril e que a assembléia de Estados-membros abordará novamente o tema em novembro. Até lá, as tomadas de decisão de longo prazo exigidas de um advogado de defesa experiente terão que pôr na balança a possibilidade de trabalhar por um salário modesto, caso ele ou ela aceitem o emprego no TPI.
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

23 de Fevereiro de 2012 - 16h04 - No Vermelho



 


Alckmin, Sartori e Nahas devem ser presos, afirma procurador

 


Em entrevista à imprensa, nesta quinta-feira (23), o procurador do Estado de São Paulo Marcio Sotelo Felippe afirmou que o governador Geraldo Alckmin, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ivan Sartori, e Naji Nahas devem ser presos pelos crimes cometidos contra a humanidade no Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo.


De acordo com a suadeclaração, o  jurista, que já ocupou o cargo de procurador geral do Estado na gestão do governador Mário Covas, considera que o Tribunal Penal Internacional tem de expedir mandado de prisão contra os três.


Leia também:

Senado discute violência na reintegração de posse em Pinheirinho

Adeus, Pinheirinho: restam só ruínas e um cemitério de lembranças

Moradores do Pinheirinho contradizem explicações da Prefeitura
 

Ele analisou a documentação sobre o processo de falência da empresa Selecta do megaespeculador Naji Nahas e descobriu que toda a ação para expulsar milhares de pessoas no dia 22 de janeiro do Pinheirinho, quando a Tropa de Choque da PM invadiu a área, serviu única e exclusivamente para beneficiar o megaespeculador.

Acompanhe a entrevista dada à Rede Brasil Atual:



Entrevista com o procurador Marcio Sotelo Felippe

 


..
0 comentários



 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

23/02/2012 - Carta Maior


Recessão mundial: o Brasil que se cuide

 



Os dados mais favoráveis exibidos pela economia norte-americana facilitam a vida eleitoral de Obama mas não podem ser confundidos com o fim da crise mundial. Levantamentos da Comissão da UE, divulgados nesta 5ª feira, mostram que na Europa, ao contrário, a dinâmica recessiva predomina e já não se restringe à agonia de países pobres, casos da Grécia e Portugal, tendo se instalado também no coração das maiores potencias do euro, a exemplo da França, Itália e Espanha.

A previsão para este ano é de uma queda de 0,3% no PIB europeu. A maré recessiva, observa Nouriel Roubini, acossa ainda os costados da Ásia, dobrando a espinha dorsal de seu eixo ordenador, a China. O mercado imobiliário chinês está em desaquecimento. Os preços das casas começaram a cair. O investimento do país em infraestrutura perde fôlego. Grandes projetos, a exemplo dos trens de alta velocidade, estão sendo engavetados.

O lento dobrar-se chinês gera ondas que arrebanham o restante do bloco asiático: Singapura teve queda de atividade no último trimestre de 2011; Taiwan entrou em recessão no mesmo período; a economia da Coréia do Sul, segundo Roubini, exibe o ritmo mais lento dos últimos dois anos; o PIB do Japão caiu mais que o esperado em 2011. Diante de tanta fragilidade, os novos picos nos preços do petróleo - US$ 123,2 o barril, nesta 4ª feira - decorrentes da tensão entre Irã/Israel, no Oriente Médio, tendem a restringir o espaço para uma efetiva retomada do crescimento.

Graças à preservação da Petrobrás como instrumento do Estado brasileiro, o mercado nacional mantém-se, há anos, relativamente imune às turbulências originárias do Oriente Médio, blindagem reforçada pela regulação soberana das reservas do pré-sal. Há flancos, porém, e um deles remete a eventual desaceleração das exportações aos mercados asiáticos. Mas não só.

Cada vez mais, o gigantesco mercado interno brasileiro, um dos poucos em expansão no mundo torna-se o alvo cobiçado da ociosidade existente em parques fabris de todas as latitudes. Medidas protecionistas,associadas à maior rapidez no corte dos juros, para desvalorizar o câmbio e inibir as importações, ganham assim contornos de prioridade emergencial.

A demanda de massa, robustecida pelo ganho real do salário mínimo e das aposentadorias - a contrapelo da ladainha ortodoxa - deve ser preservada à produção nacional. Mas se as importações continuarem mais atraentes que o produto local esse trunfo se perderá: em 2011 o varejo brasileiro cresceu quase 7% enquanto a produção industrial avançou 0,3% . Em janeiro de 2012 veio o ajuste: o emprego com registro em carteira caiu 21,8% em relação ao mesmo período de 2011.

É a fatura da ortodoxia monetária só flexibilizada recentemente pelo BC. Se a política econômica se guiasse integralmente por ela não teríamos tampouco o colchão de investimentos públicos do PAC, do pré-sal e das obras associadas à Copa de 2014, com o qual o país afronta a contração mundial. Dados da Abimaq indicam que o investimento em bens de capital no governo Dilma passará de R$ 3 trilhões. Significa que o Brasil hoje está aplicando mais de 11% do PIB em grandes máquinas e equipamentos, constituindo-se no 3º maior investidor do mundo numa área estratégica que gera novas fábricas e obras.

O acerto da estratégia heterodoxa em tantas frentes argui a persistência da bola de chumbo monetária que ainda penaliza áreas essenciais, como a da saúde pública, por exemplo, vítima de corte de gastos para pagar juros aos rentistas do Estado brasileiro. O Brasil tem trunfos para enfrentar a recessão mundial mas, sobretudo, tem lições a aprender com a sua própria experiência. A ver.


Postado por Saul Leblon às 17:18


 

 
 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

De novo a Zara.

Do sol.sapo.pt

Zara Portugal acusada de 'intimidar' trabalhadores inShare
23 de Fevereiro, 2012

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) acusou hoje a Zara Portugal de «intimidar» os trabalhadores de três lojas do Porto a aceitarem reduções nos salários usando como «expediente» a diminuição da carga horária.

Em comunicado, o CESP afirma que, «num clima de intimidação e com ameaças de despedimento», foi proposto aos trabalhadores das lojas de Santa Catarina, Gaia Shopping e Dolce Vita «que solicitassem à empresa, por escrito, a redução dos horários de 40 horas para 35 horas e dos ‘part time de’ 25 horas para 20 horas, com a correspondente redução de salários».

Argumentando que o grupo Zara «tem apresentado lucros altíssimos nos vários exercícios ao longo dos anos e, ainda recentemente, adquiriu a Massimo Dutti por mais de 100 milhões de euros», o sindicato acusa-o de estar a «aproveitar-se da crise que atravessa o país para reduzir os custos com pessoal».

Para o CESP, a Zara estará ainda a «preparar a estratégia de, quando sair a nova legislação, poder despedir mais barato os trabalhadores mais antigos e, assim, mandar para o desemprego mais umas largas dezenas de trabalhadores».

Neste âmbito, o sindicato garante que irá «exigir» a intervenção do ministro da Economia e do Emprego e da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), «dado que a maioria dos trabalhadores foram coagidos para assinarem a carta a solicitarem a redução dos seus horários e salários, com a qual não estão de acordo».

A agência Lusa contactou a Zara Portugal, mas, até ao momento, não foi possível obter um comentário.

Lusa/SOL

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

23 de Fevereiro de 2012 - 18h08 - No Vermelho


Dilma recebe credenciais de 20 novos embaixadores

 


A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quinta-feira (23), em cerimônia no Palácio do Itamaraty, as credenciais de 20 novos embaixadores estrangeiros. Na solenidade, acompanhada pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, Dilma conversou com cada um dos embaixadores.

 

 Presidente Dilma recebe credencial de embaixador argentino

Presidente Dilma recebe credencial de embaixador argentino


Alguns dos cumprimentos foram mais demorados, caso do embaixador da Argentina, Luis Maria Kreckler, que recebeu condolências do governo brasileiro por causa do acidente ferroviário de ontem (22), em Buenos Aires, no qual morreram 50 pessoas e 676 ficaram feridas, 200 dessas, em estado grave.

Dilma também teve uma conversa mais longa com os novos representantes de Honduras, Ava Rossana Guevara Pinto, e da Guiana, Kellawan Lall, que chegou à cerimônia em cadeira de rodas.

Além dos novos embaixadores da Argentina, de Honduras e da Guiana, também entregaram credenciais à presidente os representantes da Hungria, Tunísia, Suécia, Síria, China, Ordem de Malta, Tailândia, Costa do Marfim, República da Guiné e Nova Zelândia, das Ilhas Fiji, de Israel, Burkina Faso, e do Sri Lanka, Irã, Gabão e Peru.

Fontes: Agência Brasil e Blog do Senado


 

 
 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Do dinheirovivo.pt

Como estratégia para reduzir as importações de petróleo, o presidente americano quer desenvolver as energias eólica, solar e nuclearObama vai promover energias renováveis e pôr fim a "um século de subsídios" à indústria petrolífera23/02/2012 | 23:20 | Dinheiro Vivo

O presidente norte-americano, Barack Obama, apresentou  uma nova política energética que vai dedicar mais fundos às energias renováveis e que pretende pôr fim a "um século de subsídios" à indústria petrolífera.

Num ato público em Coral Gables, na Florida, Estados Unidos, um estado que será decisivo nas eleições de novembro, Obama recordou a importância de reduzir a dependência do país de petróleo estrangeiro, apesar de reconhecer que "não há soluções rápidas".

Como estratégia para reduzir as importações de petróleo, o presidente norte-americano propôs desenvolver as fontes energéticas disponíveis a nível nacional, como a exploração de reservas de hidrocarbonetos, a energia eólica, solar, nuclear ou ainda os biocombustíveis.

Barack Obama recordou que o país aumentou a exploração de petróleo e gás dentro das suas fronteiras e que reduziu a dependência de crude estrangeiro para menos de 50% em 2010, o que sucedeu pela primeira vez em 30 anos, quando também se aprovou a construção dos primeiros reatores nucleares em três décadas.

O presidente norte-americano referiu-se ainda à rápida subida dos preços do petróleo para máximos de um ano, uma situação que preocupa a sua administração pelas repercussões que pode ter na recuperação económica e na campanha eleitoral.

O governante reconheceu que o aumento dos preços dos combustíveis configura "um imposto que sai diretamente dos salários" e considerou que, entre as causas, estão "a instabilidade no Médio Oriente, em torno do Irão" e, a longo prazo, o aumento da procura de países como a China, a Índia e o Brasil.

Obama afirmou que, além de aumentar a extração de fontes energéticas como o gás, é preciso fomentar o investimento em energias renováveis para reduzir as emissões, mas também para que esta indústria compita a nível internacional com países com a China ou a Alemanha.

Para Barack Obama, está na altura de pôr fim a "um século de subsídios", a uma indústria petrolífera que já "não é tão lucrativa" e de apostar nas ajudas ao "promissor" setor das energias renováveis, que vai criar postos de trabalho.

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

 

Manipular a realidade é atacar a democracia

Qui, 23 de Fevereiro de 2012 21:56

//
AddThis Social Bookmark Button

Lawrence Davidson, Consortium News
http://consortiumnews.com/2012/02/21/manipulating-reality-undermining-democracy/


Traduzido pela Vila Vudu


Entreouvido na Vila Vudu:

Fato é que os norte-americanos médios são MUITO dignos de pena. 
É como se os coitados vivessem dia e noite sob as metralhadoras de trocentas redes Globo!
Quem pensar que a Folha de S.Paulo é o pior jornal do mundo, não conhece o New York Times, o Wall Street Journal
(E os americanos médios, aqueles infelizes, sempre ameaçados de sem mandados morrer à toa 
no Vietnã, no Iraque, do Afeganistão, no Paquistão, no Irã...)



Em meados de fevereiro, alguns dos principais comandantes da inteligência dos EUA compareceram ante a Comissão de Inteligência do Senado para apresentar seu relatório anual sobre “ameaças mundiais atuais e futuras” à segurança nacional dos EUA. Depuseram naquela Comissão, dentre outros, o diretor da CIA David Petraeus, o Diretor da Inteligência Nacional James Clapper, o diretor da Agência de Inteligência da Defesa tenente-general Ronald Burgess e o diretor do FBI Robert Mueller.

O que disseram sobre o que é e não é ameaça real aos EUA e a reação dos senadores daquela Comissão revelou-se exercício de pensamento unidimensional. O que é fato? Ora, o que concorde com o ponto de vista deles. Aqui, dois exemplos daqueles depoimentos:

1. Sobre o “inimigo interno” – Indivíduos renegados que operam “dentro das fileiras” da comunidade de inteligência e das forças armadas são hoje grave ameaça à segurança dos EUA. Segundo o tenente-general Burgess, são “lobos solitários autorradicalizados”[1]. Falou sobre “vazamentos massivos pelo site WikiLeaks”. 

Todos os presentes envolvidos naquelas audiências concordaram, mesmo sabendo que é ideia baseada no pressoposto duvidoso, mas não questionado, de que o comportamento das forças do governo dos EUA seria modelo de comportamento aceitável normal de militares e agentes de inteligência. Os que trabalham para o governo, mas consideram inaceitável esse comportamento, os que o veem de fato como traição criminosa contra toda a decência humana, e, por isso, trabalham contra aquela pré-condenação, são perigos “autorradicalizados” à segurança nacional.

Mas e se o apoio a regimes opressores e racistas, a invasão de outros países baseada em mentiras, a matança de milhares e mais milhares de civis e o uso oficial de tortura e da prática das “entregas excepcionais” [prisioneiros entregues pelos EUA a outros governos, para serem torturados] for considerado comportamento radical e inadmisível? Nesse caso, os que denunciem esse extremismo não poderiam ser vistos como radicais. Seriam campeões da normalidade mais racional, seriam os heróis dos tempos que vivemos.

Entendo que se trate exatamente disso. A busca em que os EUA se empenham hoje por alegados interesses nacionais está sendo conduzida por uma gangue metida em ternos caros, que tomaram para eles a tarefa de definir como radicais os heróis cidadãos que denunciam aquela gangue e fatos conhecidos de muitos. A gangue teme que mais e mais norte-americanos vejam afinal a natureza bárbara das políticas da gangue e levantem-se contra ela e a acusem. Então, para impedir que assim seja, a gangue criminaliza (e demoniza) os que veem e dizem a verdade.

2. A ameaça iraniana – Segundo James Clapper, diretor da Inteligência Nacional, “apesar do alarido que cerca os movimentos do Irã em busca de tecnologia nuclear, é baixa a probabilidade de os líderes iranianos desenvolverem armas nucleares, se não forem atacados.” E além disso, disse também Clapper, dificilmente os iranianos iniciarão ou provocarão intencionalmente um conflito”. 

Como os senadores da Comissão de Inteligência receberam essa opinião de especialista? A maioria deles recusou-se a acreditar, fazendo eco ao que a maioria do Congresso diz e praticamente toda a imprensa dos EUA repete. A norma, nesse caso, é a que o Sen. Lindsey Graham, Republicano da Carolina do Sul respondeu a “Pessoalmente, estou convencido de que os iranianos estão a caminho de desenvolver uma bomba atômica.” 

Calma lá! Isso, só o senhor e sua gangue, Sen. Graham. Como?! O senhor e sua gangue não vivem dizendo que os serviços de inteligência dos EUA são os melhores do mundo e sabem do que estão falando? E, de repente, o senhor não acredita no que dizem?! Por que não?! Que outras fontes de informação os senhores têm sobre o Irã, que os autoriza a dizer o que dizem? E é fonte mais confiável de informação que a CIA, a DIA, a NSA, etc.?

Ah! É o lobby sionista! A fonte de informação de Graham e dos senadores que o seguem, sobre qualquer coisa que tenha a ver com Israel (e assunto iraniano é caso exemplar, sempre, da paranóia dos israelenses) é a cartilha das declarações do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee).

Esses políticos jamais discordarão desse lobby, nem quando o que dizem contradiz o que diz a inteligência dos EUA. Isso, porque o lobby contribui com dinheiro para suas campanhas eleitorais e ameaça impedir que se reelejam, se os senadores não obedecerem. A comunidade de inteligência dos EUA simplesmente não consegue fazer-se ouvir, contra o lobby.

Assim, mais uma vez, somos todos obrigados a ouvir ‘notícias’ construídas para apoiar as ideias de um grupo. O que significa ser um perigoso “radical”? Ser um perigoso “radical” é denunciar os crimes do governo. E o que é “fato”, quando se trata de Irã? “Fato” será o que o comitê que financia a reeleição de um senador decida que seja “fato”.

E o que é “fato” para o resto dos norte-americanos?

Fato é o que cremos e vemos. E, em vários sentidos importantes, nós sabemos dos fatos. Sabemos que se alguém pula da janela de um prédio, a lei da gravidade cobra seu preço. Em termos gerais, muitos de nós conhecemos os fatos que nos cercam no ambiente imediato no qual vivemos todos os dias. O que quero dizer com isso?

Vivemos a vida de todos os dias em ambiente relativamente limitado, local. Nesse espaço temos experiências diretas, interativas, diárias, a partir das quais conseguimos saber razoavelmente o que esperar. Nossas experiências têm bom valor preditivo. Se alguém aparece dizendo sandices – que quem vive na cidade vizinha está fabricando uma bomba atômica que usará para nos explodir –, sabemos imediatamente que é sandice, loucura.

Mas e quando nos falam de gente que vive longe? Quem de nós conhece o Irã, quantos viveram lá, quantos conversam com iranianos? Nada, na nossa vida diária, nos habilita a emitir julgamentos sobre o que é real é o que não é real, do que se passa por lá.

Fazemos o quê, nesse caso? Em geral, vivemos como se aqueles lugares distantes não existissem, a menos que haja motivo próximo para crer que o que aconteça por lá venha a ter algum impacto em nossas vidas. Para isso, muitos de nós confiam cegamente nos que nos são apresentados como “especialistas”: praticamente sempre são funcionários do estado ou ‘especialistas’ de mídia, “cabeças falantes”.

Aí pode haver um grave problema. O que assegura que sejam especialistas e mereçam confiança? Como se pode saber que aqueles ‘especialistas’ do governo ou da imprensa não trabalham por agendas próprias que nunca nos são expostas e que modelam todos os seus julgamentos? Como sugerem os dois exemplos acima, políticos eleitos também podem perfeitamente trabalhar a partir de pressupostos que, se olhados a frio, são pressupostos anti-humanos. Qualquer deles, aliado a interesses especiais e que jamais se veem com clareza, é perfeitamente capaz de declarar que todas as informações dos serviços de inteligência dos EUA são falsas, não passam de bobagens. ‘Real’ é o que já tinham na cabeça antes de os serviços de inteligência porem-se a trabalhar. E quanto a nós, os que dependemos, para viver, da nossa experiência diária, imediata, acreditaremos em quê, em quem? 

Quando não se consegue saber o que é fato e o que é opinião, o que é fato e o que é ficção, talvez possamos usar algumas regras simples, para assim forçar os políticos a agir de modo a minimizar (em vez de multiplicar por mil) os erros. Por exemplo, em caso de dúvida quanto a em quem ou em que acreditar, os cidadãos podemos começar por:

1. Duvidar sempre, o mais possível, em tudo que digam os políticos e a imprensa. Lembremos os últimos desastres, nos EUA (o maior dos quais foi a invasão do Iraque), quando o que nos diziam sobre o que seria ‘fato’ não passou de mentiras e mais mentiras. Os cidadãos temos o dever, para conosco e para com nosso país, de buscar várias, muitas, fontes de informação.

2. Exigir que os políticos eleitos trabalhem a partir do melhor cenário possível, por mais que se preparem para o pior. Na maior parte das vezes, a opinião dos ‘especialistas’ sobre o que seriam ameaças externas contra nós é opinião ideologicamente distorcida; muitas vezes é exagerada; muitas vezes, também, é simplesmente errada (por exemplo, o que tantos ‘especialistas’ nos diziam sobre o Vietnã); ou é opinião que segue uma ou outra agenda específica, interesses especiais (por exemplo, no caso do Iraque, no caso do Irã e sempre que a imprensa fala sobre o “santificado” estado de Israel e o estado “terrorista” dos palestinos).

3. Exigir que, nas relações exteriores, tente-se primeiro e principalmente, a via diplomática. A guerra deve ser necessariamente o último recurso, recurso extremo, que poucos conhecem de perto e a maioria dos políticos só viu em livros ou no cinema. Se a conhecessem de perto, com certeza não seriam tão rápidos em mandar para o front, na imensa maioria das vezes, só os filhos dos outros.

4. Exigir punição exemplar aos que mintam sabendo que mentem e agridem leis internacionais e direitos humanos (como a Convenção de Genebra e as muitas leis que proíbem a tortura). Há várias boas razões para que aquelas leis existam. Atropelá-las é voltar ao estado de barbárie.

É estranho, mas, nas democracias, os que não se empenhem nas discussões políticas, que não se esforcem para influenciar o curso dos acontecimentos, acabam por ser responsáveis por tudo que seus governos façam. É assim, porque, nas democracias, quem não participa abdica do direito potencial de atuar no mundo. 

Ninguém pode recolher-se completamente à existência privada. Quem o faça, logo verá que a gangue dos ternos caros ganha novas chances de o derrotar. E afinal, a gangue dos ternos caros lá estará, agindo também em nome dos que abdicam do direito de participar e influir.


[1] 7/2/2012, BBC, em http://www.bbc.co.uk/news/mobile/uk-16920643


 


 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

 

“Responsabilidade de Proteger” X “Responsabilidade ao Proteger”

Qui, 23 de Fevereiro de 2012 21:55

//

 

[ing. Responsibility to protectResponsibility while protecting]
Ministro Antonio de Aguiar Patriota, do Brasil 
21/2/2012, Nova York, Debate conceitual, ONU


Da Vila Vudu
http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/pronunciamento-do-ministro-das-relacoes-exteriores-antonio-de-aguiar-patriota-em-debate-sobre-responsabilidade-ao-proteger-na-onu-2013-nova-york-21-de-fevereiro-de-2012


Entreouvido na Vila Vudu:


Mas por quê, porra, isso não foi assunto do Jornal Nacional?! 
Por que o William Waack não faz um daqueles programas dele, no canal Globo News, 
QUE SE PAGA PARA ASSISTIR, sobre isso?!



“Minhas calorosas boas-vindas a todos para esta reunião em que, creio, estamos todos - países, organizações e indivíduos - genuinamente comprometidos tanto com o multilateralismo quanto com a proteção de civis. Tenho o prazer de convidá-los a este debate informal sobre a "Responsabilidade ao Proteger".

Como se sabe, trata-se de uma idéia mencionada pela primeira vez pela Presidenta Dilma Rousseff em seu discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU no último mês de setembro. Em novembro, o Brasil circulou uma nota conceitual que discute a noção de que a comunidade internacional, quando exerce sua responsabilidade de proteger, deve demonstrar um alto nível de responsabilidade ao proteger. Ao longo dos últimos meses temos notado um apoio significativo a este debate. Creio termos hoje uma oportunidade de intercambiar de maneira franca e frutífera ideias sobre as várias dimensões desta questão.

As mudanças políticas de nosso tempo representam um desafio à comunidade internacional. A relação entre a manutenção da paz e da segurança internacionais e a proteção de civis evoluiu significativamente desde a criação das Nações Unidas em 1945. Novos marcos conceituais foram desenvolvidos para lidar com os desafios que enfrentamos.

O trabalho sobre a proteção de civis tem avançado consideravelmente desde os anos 1990, quando as discussões sobre essa questão começaram a receber mais atenção. O sofrimento de civis inocentes e a necessidade de evitar a impunidade dos autores dos crimes mais graves levaram a comunidade internacional a criar o Tribunal Penal Internacional.

Em seu sexagésimo aniversário, a Organização das Nações Unidas adotou o conceito da "responsabilidade de proteger". Este conceito estabeleceu a responsabilidade dos Estados de protegerem suas populações em casos de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade. Decidiu-se também que a comunidade internacional deveria encorajar e ajudar os Estados a exercerem essa responsabilidade. Além disso, estabeleceu-se a responsabilidade da comunidade internacional de agir coletivamente, por intermédio da ONU, caso as autoridades nacionais deixassem de proteger suas populações.

O reconhecimento de que existe uma responsabilidade de proteger foi um marco. Ressalte-se que o mesmo Documento Final da Cúpula Mundial de 2005 que estabeleceu uma fórmula de consenso acerca do conceito da "responsabilidade de proteger" também afirmou claramente que essa responsabilidade deve ser exercida, em primeiro lugar, por meio do uso de meios diplomáticos, humanitários e outros meios pacíficos, e que apenas nos casos em que os meios pacíficos se revelam inadequados deveriam ser cogitadas medidas coercitivas.

Ao longo desse processo, é essencial distinguir entre responsabilidade coletiva - que pode ser plenamente exercida através de medidas não-coercitivas - e segurança coletiva - que envolve uma avaliação política caso-a-caso por parte do Conselho de Segurança.

Antes de se empenhar em uma ação militar, espera-se que a comunidade internacional realize uma análise abrangente e criteriosa de todas as consequências que daí podem decorrer. O uso da força sempre traz consigo o risco de causar mortes involuntárias e de disseminar violência e instabilidade. O fato de que ela seja utilizada com o objetivo de proteger civis não faz das vítimas colaterais ou da desestabilização involuntária eventos menos trágicos.

É por isso que, em nossa opinião, é necessário dar um passo conceitual adicional para lidar com a responsabilidade de proteger, e eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para propor uma nova perspectiva sobre esta questão, uma perspectiva que acreditamos tornou-se essencial na busca de nosso objetivo comum.

A Presidenta Dilma Rousseff, em seu discurso na Assembléia Geral em setembro passado, se referiu a um fato preocupante: o mundo de hoje sofre as dolorosas conseqüências de intervenções militares que agravaram os conflitos existentes, permitiram ao terrorismo penetrar em lugares onde não existia, deram origem a novos ciclos de violência e aumentaram a vulnerabilidade das populações civis.

Na ocasião ela acrescentou: "muito se tem dito sobre a responsabilidade de proteger, mas muito pouco sobre a responsabilidade ao proteger”.

Como a Organização das Nações Unidas pode autorizar o uso da força, ela tem a obrigação de conscientizar-nos dos perigos envolvidos em sua utilização e de criar mecanismos que possam fornecer uma avaliação objetiva e detalhada de tais perigos, bem como formas e meios de evitar danos aos civis.

Nosso ponto de partida em comum deve basear-se no princípio de "primum non nocere" que os médicos conhecem muito bem. Em primeiro lugar, não causar danos - esse deve ser o lema daqueles que são obrigados a proteger os civis. Também seria lamentável, em última análise inaceitável, se uma missão estabelecida sob mandato das Nações Unidas com o objetivo de proteger civis causasse maiores danos do que aqueles que justificaram sua própria criação.

Temos de almejar um maior nível de responsabilidade. Uma vítima civil já é uma vítima em demasia.

Acredito que os conceitos da “responsabilidade de proteger” e da “responsabilidade ao proteger” devem evoluir juntos, com base em um conjunto acordado de princípios fundamentais, parâmetros e procedimentos, dos quais menciono alguns:

- prevenção é sempre a melhor política. É a ênfase na diplomacia preventiva que reduz o risco de conflito armado e os custos humanos a ele associados. Nesse sentido, saudamos a iniciativa do Secretário-Geral Ban Ki-moon de estabelecer o ano de 2012 como o ano da prevenção, que conta com o total apoio do Brasil. Outras iniciativas, como "Amigos da Mediação", podem ser vistas como parte do espírito de promoção do exercício da responsabilidade coletiva na busca da paz, por meio da diplomacia, do diálogo, da negociação, da prevenção;

- a comunidade internacional deve ser rigorosa em seus esforços para exaurir todos os meios pacíficos disponíveis nos casos de proteção de civis sob ameaça de violência, em consonância com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e conforme incorporado no Documento Final da Cúpula Mundial de 2005;

- o uso da força deve produzir o mínimo possível de violência e de instabilidade. Sob nenhuma circunstância podem-se gerar mais danos do que se autorizou evitar;

- no caso de o uso da força ser contemplado, a ação deve ser criteriosa, proporcional e limitada aos objetivos estabelecidos pelo Conselho de Segurança;

- são necessários procedimentos aprimorados no Conselho para monitoramento e avaliação da maneira como as resoluções são interpretadas e aplicadas, para assegurar a responsabilidade ao proteger.

O estabelecimento desses procedimentos não deve ser entendido como meio de impedir, ou atrasar indevidamente, a autorização de ações militares nas situações estabelecidas pelo Documento Final da Cúpula Mundial de 2005. A iniciativa do Brasil deve ser vista como um convite a um debate coletivo sobre a forma de garantir, quando o uso da força for cogitado como alternativa justificável e estiver devidamente autorizado pelo Conselho de Segurança, que seu emprego seja responsável e legítimo. Por essa razão, faz-se necessário assegurar a prestação de contas daqueles autorizados a fazer uso da força.

O Brasil iniciou uma série de discussões com países de todas as regiões, bem como com organizações não-governamentais e especialistas sobre o assunto. Queremos contribuir para um debate crucial para a comunidade internacional sobre a manutenção da paz e da segurança internacionais e a proteção de civis. Em recentes eventos sobre a "responsabilidade de proteger", tivemos a oportunidade de ampliar esse diálogo. O Brasil aprecia o fato de o Secretário-Geral da ONU dar as boas-vindas à iniciativa da "responsabilidade ao proteger".


O evento de hoje é uma oportunidade para o aprofundamento e a ampliação dessa discussão.

Deixe-me brevemente descrever o planejamento do debate informal de hoje. Estamos honrados em ter o professor Edward Luck como co-presidente do evento. O Assessor Especial do Secretário-Geral sobre a "responsabilidade de proteger" é um interlocutor-chave. Prezamos enormemente sua contribuição, em consulta com os Estados-Membros, para o desenvolvimento conceitual, político e operacional da "responsabilidade de proteger". Suas idéias serão muito bem-vindas hoje.

A discussão estará então aberta aos participantes. Convidamos todos os Estados-Membros, bem como ONGs e especialistas que trabalharam nesse tema. Gostaria de encorajar os oradores a serem concisos e a limitarem suas declarações a três minutos, para que possamos nos beneficiar da mais ampla participação.

Concluiremos o debate de hoje com as observações dos co-presidentes.

Dou a palavra ao Professor Edward Luck.”


 


 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

23/02/2012


A 10 dias das eleições, Rússia vê megacomício de apoio a Vladimir Putin
 
No Dia do Protetor da Pátria, 100 mil apoiadores do premiê e candidato à presidência lotaram estádio Por Efe

No dia em que a Rússia celebra o Dia do Protetor da Pátria, mais conhecido como Dia do Homem, e a apenas dez dias das eleições presidenciais, Moscou e outras cidades do país foram marcadas por uma intensa atividade política, principalmente em favor do primeiro-ministro e candidato à presidência Vladimir Putin.
O dia começou com uma passeata no sul da capital russa, organizada pelos movimentos que apóiam o premiê. A marcha teve a presença de aproximadamente 30 mil pessoas, muitos deles usando fitas brancas, azuis e vermelhas, as cores da bandeira russa. Os participantes carregavam cartazes com frases como "Escolha o caminho certo", "Nós escolhemos a estabilidade, nós escolhemos Putin", "A História é escrita por nós", "Putin - o nosso presidente”. Bandeiras do Império Russo também foram vistas.
Sandro Fernandes

Os participantes de passeatas em apoio ao ex-presidente costumam ser alvo de deboche na imprensa independente russa, já que muitos deles sequer sabem o significado das mensagens que exibem.
Um simpatizante de Vladimir Putin carregava um intrigante cartaz com o desenho do globo terrestre, de uma porta e de uma bola de futebol. Perguntado pela reportagem sobre o significado daquele cartaz, o jovem respondeu que o globo terrestre significa os desafios da Rússia no mundo e a porta simboliza as oportunidades que estão por vir. “E a bola de futebol?”, insistimos. “Por que você quer saber sobre a bola de futebol? Você não gosta de futebol?”, respondeu o jovem, pondo um fim à conversa.
Após a passeata, muitos manifestantes seguiram para o Estádio Lujniki, onde teve lugar o maior dos eventos do dia, com cerca de 100 mil pessoas. Na entrada do estádio, uma faixa com os dizeres “Nosso voto para Putin” dividia a atenção com uma estátua de Lênin.
O comício teve a presença de praticamente toda a liderança do partido governista Rússia Unida e incluiu um show de cantores russos populares, discursos de políticos, jornalistas, representantes de sindicatos e do prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin. Nos telões, clipes de celebridades que apóiam o candidato Putin eram mostrados antes que o show começasse.
Medo do passado
O temor de que a Rússia volte à caótica situação dos anos 1990 foi ressaltada mais de uma vez durante os discursos. “Hoje temos uma Rússia forte”, repetiram alguns dos convidados. A eleição da Rússia como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014, e da Copa do Mundo, em 2018, também foi lembrada e houve poucas críticas à oposição.
Sergey Sobyanin, prefeito de Moscou, chamou Putin de “um cara real, um verdadeiro líder, um homem de palavras e ações" e pediu que as pessoas o apóiem nas próximas eleições.
O apresentador Mikhail Leontiev, por sua vez, disse que agora os russos "têm a oportunidade de escolher seu próprio futuro". E acrescentou que o país não precisa de uma revolução.
Os organizadores do comício alegaram que os artistas compareceram ao Estádio Luzhnik sem nenhum cachê. Entre o público, no entanto, especula-se que o partido Rússia Unida tenha mais uma vez pago a milhares de imigrantes da Ásia Central para que participassem do evento governista. Nos anteriores protestos pró-Putin, a oposição divulgou vídeo em que imigrantes faziam fila depois do protesto para receber o pagamento pelo serviço de “manifestante”.
Às 13h30, o candidato Vladimir Putin subiu ao palco e foi ovacionado pelo público, que gravava com suas câmeras digitais o homem que foi o centro da política russa nos últimos 12 anos e que, caso seja eleito e reeleito, pode assumir o poder por outros 12 anos. Putin foi presidente de 2000 a 2008, primeiro-ministro de 2008 a 2012 e, ganhando as eleições de março, assumiria de 2012 a 2018, podendo ser reeleito para ficar no cargo ate 2024.  já que o mandato presidencial na Rússia passou a ser de seis anos em 2008.
"Nós não permitiremos que ninguém interfira nos nossos assuntos internos e imonha sua vontade porque temos nossa própria vontade", disse Putin. "Pedimos a todos aqueles que consideram a nossa Rússia sua própria casa, que a apreciem e que acreditam nela. Estejam conosco, trabalhem para ela e seu povo, para amá-la, com todos os nossos corações”, concluiu.
Citando um poema do romancista Mikhail Lermontov, Putin acrescentou: "A batalha da Rússia continua e a vitória será nossa”. No entanto, ganhar as próximas eleições presidenciais em março não é suficiente, disse o primeiro-ministro. Segundo ele, “é preciso superar muitos problemas – a injustiça, a corrupção, a pobreza e a desigualdade".
Oposição
O Partido Liberal-Democrata (de tendência nacionalista) e o Partido Comunista também organizaram protestos nesta quinta-feira (23/02). Vladimir Jirinovsky, líder do Partido Liberal-Democrata reuniu 1,5 mil pessoas na cêntrica praça Pushkin, em Moscou e falou durante quase uma hora sobre a necessidade de proteger as fronteiras russas.
O Partido Comunista congregou 2,5 mil pessoas em frente ao mítico teatro Bolshoy, bem ao lado da simbólica estátua de Karl Marx e a alguns metros de uma das entradas da Praça Vermelha. Gennady Zyuganov, líder do partido, pediu aos militantes que garantam a presença de pelo menos cinco observadores do Partido Comunista em cada zona eleitoral.
O movimento "União do povo russo" reuniu 200 pessoas na praça Bolotnaya.
A oposição, apesar de muito fragmentada, espera reunir pelo menos 34 mil pessoas no próximo domingo (26/02), exatamente uma semana antes das eleições presidenciais na Rússia.
 

 

Postado por
 
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

“Na Palestina há uma ocupação estrangeira” – Entrevista de Ualid Rabah, diretor de relações institucionais da Federação Árabe Palestina do Brasil
 
Por Pagina 13
Leia a seguir a primeira parte da entrevista que Ualid Rabah, diretor de relações institucionais da Federação Árabe Palestina, concedeu ao Página 13.
Se as forças políticas não-sionistas em Israel tiverem um papel importante na conquista da paz, elas poderiam vencer as eleições e fazer de Israel um país pacífico e integrado à sua região?
UALID RABAH. Indo ao ponto: o conjunto de forças progressistas que integram o tecido político israelense só será capaz de desempenhar este papel, em minha opinião, quando se livrar do pesado legado sionista. É que muitos dos homens e mulheres progressistas de Israel continuam se percebendo como os antigos judeus de esquerda que, embora não concordassem com a ala bárbara do sionismo, também, por outro lado, se viam como “libertadores civilizados” da Palestina, que para ali iriam para libertar os palestinos, e não só do colonialismo, mas de seu obscurantismo oriental e religioso, aí em clara depreciação do islamismo. Feito isto, estas forças não só salvarão a Palestina como espaço vital e democrático para todos que ali vivem, muçulmanos, cristãos e judeus, autóctones ou não, como salvarão o judaísmo do sionismo. E mais: o sionismo conseguiu de tal maneira seqüestrar o judaísmo dos judeus, tornando-os defensores cegos e acríticos de Israel e de seus crimes, que seus espaços religiosos estão, aos poucos, passando a ser sucursais deste Estado e não mais ambientes de orações e outros serviços religiosos. Neste momento a sociedade israelense verá o óbvio, do qual é propositalmente cegada pelo sionismo: do lado palestino e dos árabes em geral sempre houve parceiros para a paz. Mas, em resumo, acredito sim que uma mudança nos ares políticos israelenses, que supere as duas facetas do sionismo que se completam, Likud à direita e trabalhistas à esquerda, permitam uma janela para a paz na Palestina e na região.
O uso de atentados contra civis israelenses já foi repudiado como forma de luta por todas as forças políticas da Palestina. Existe verdade nos rumores de que os serviços secretos de Israel podem provocar atentados, utilizando-se de fanáticos fundamentalistas árabes para executá-los, de maneira a desmoralizar a causa palestina e impedi-la de ganhar apoio da opinião publica mundial e do eleitoral de Israel?
UALID RABAH. É flagrante que os atentados a que você se refere se deram em momentos cruciais, momentos em que a Israel não restava alternativa que não fosse aceitar de uma vez por todas o Estado Palestino, bem como, ao final, resolver os demais problemas, como o dos refugiados, que são perto de 5 milhões, o status de Jerusalém, as fronteiras, o acesso à água e muitos outros.Sem contar os postos de controle – mais de 700 ainda nos dias de hoje – que infernizam e inviabilizam a vida econômica e social dos palestinos, as invasões cotidianas de cidades e vilas palestinas, os massacres de Jenin em 2002, Gaza em 2006/2007 e 2008/2009, Líbano em 2006 etc. E caso alguém tenha alguma dúvida disto, pergunto: qual o governo sério que chegou ao poder em Israel desde então? Para coroar esta percepção, quem assassinou Ytzak Rabin?
O presidente Lula e a presidenta Dilma Roussef, por seu passado de lutadores contra uma ditadura militar, que alcançaram a Presidência da República pela via eleitoral, poderiam servir de exemplo aos povos e forças políticas de esquerda do oriente médio?
UALID RABAH – Bem, seguramente que sim, desde que sejamos capazes de distinguir o que há de diferente e de igual ou, no mínimo, parecido entre as situações. A diferença fundamental é a seguinte: na América Latina tínhamos ditaduras militares, via de regra alimentadas por um anticomunismo doentio que emoldurava o período da chamada guerra fria. Já na Palestina há uma ocupação estrangeira. Mas, há por outro lado, muitas coisas que podem ser tidas como comuns. A primeira delas é que o inimigo é o mesmo: o imperialismo estadunidense, que promoveu todos os golpes de estado na AL, todas as guerras civis do continente e todas as demais mazelas, entre elas a tortura e os milhares e assassinados e desaparecidos, e no Oriente Médio sustenta Israel e ditaduras infames que sufocam suas populações, em geral miseráveis. Uma coisa muito interessante demonstrada pelo Governo Lula, e também pelo atual, é que não há sucesso para a nação que se vergar aos desígnios dos EUA.
A entrada de Brasil, Índia e África do Sul, ou de algum deles, no Conselho Permanente de Segurança das Nações Unidas, poderia ajudar no processo?
UALID RABAH.Primeiro de tudo: se Oslo morreu, idéia já aceita em muitos círculos políticos e diplomáticos, a culpa é única e exclusivamente dos EUA, que perderam toda autoridade moral e ética na mediação do conflito ao apoiarem acriticamente Israel, especialmente em momentos de gravidade ímpar, como nos ataques ao Líbano em 2006 e a Gaza em 2008/2009, sem contar o obsceno cerco a Yasser Arafat, a Mukata, em Ramallah, pelas forças de ocupação de Israel. Foi tão vergonhosa a postura dos EUA que estes vetaram, no Conselho de Segurança da ONU, todas as resoluções que visavam salvaguardar os direitos palestinos. Já o Brasil e demais países citados precisam, para seus sucessos, de um novo mundo, multipolar e no qual os pressupostos e paradigmas sejam diferentes dos atuais. Se nos situarmos apenas no Oriente Médio teremos que este aí vigente, conflagrado, só interessa aos EUA e seus aliados europeus, que vivem da indústria da guerra e da expropriação indecente do petróleo desta região. Como vai o Brasil ter negócios e intercâmbios nesta região se ela é ocupada pelos EUA justamente para que ninguém entre? Por que o Brasil deveria se alienar de um mundo, o árabe, que tem mais de 400 milhões de habitantes e que necessita de muitas das coisas que só o Brasil pode oferecer? Por estas e outras o Brasil mereceria, sim, um assento no Conselho de Segurança da ONU. Seria um meio de equilibrar o cenário internacional, já insuportável sob as hegemonias de hoje, resultantes do pós-guerra.
 

 

Postado por
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

Petrobras confirma petróleo leve no pré-sal
Petrobras confirma petróleo leve no pré-sal Foto: Divulgação
A descoberta foi feita em águas ultraprofundas da Bacia de Santos, no bloco BM-S-9 nos reservatórios do pré-sal

Por Agência Estado


23 de Fevereiro de 2012 às 21:10 Agência Estado


Colunista

Pra não deixar de falar em Obama
Hélio Doyle



A Petrobras afirmou hoje que comprovou a ocorrência de petróleo leve em águas ultraprofundas da Bacia de Santos, no bloco BM-S-9 nos reservatórios do pré-sal.


O novo poço, 3-BRSA-1023 (3-SPS-85), denominado Carioca Sela, localiza-se na área de avaliação do 1-SPS-50 (Carioca), a 4,5 Km do poço descobridor. Nesse novo poço, distante cerca de 270 km da costa do Estado de São Paulo, foi recuperado um óleo de 27 graus API, em lâmina d´água de 2.149 metros. A descoberta foi comprovada por amostragem de petróleo em teste, nos reservatórios localizados na profundidade aproximada de 5.250 m.


O consórcio formado pela Petrobras (45% - operadora), BG Group (30%) e Repsol Sinopec Brasil (25%), dará continuidade às atividades e investimentos necessários para a avaliação das jazidas descobertas nessa área, incluindo a perfuração de novos poços, conforme o Plano de Avaliação aprovado Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


 

 
 
imagem de Osvaldo Ferreira
Osvaldo Ferreira

   

Censura partidária na Folha/UOL aos leitores/assinantes

 

 

 

Meu post na Folha UOL (http://carnaval.uol.com.br/2012/noticias/redacao/2012/02/23/com-fiancas-...):

 

Porque tanto espaço para uma matéria sobre apuração do carnaval em São Paulo? Porque o mesmo espaço a desocupação do Pinheirinho não teve aqui? Porque não comentam que o carnaval de rua voltou ao Rio de Janeiro e atraiu milhões de pessoas pela sensação de segurança após as UPPs? Porque não colocar matérias sobre o carnaval que sejam relevantes como esta do RJ?

 

    Quando criticamos mesmo indiretamente a cobertura da Folha /UOL, aparece sempre a mensagem que significa censura aos comentários dos leitores (leitores e assinantes da Folha/UOL):

 

 

“Atenção

O seu comentário não pode ser publicado automaticamente. Há palavras no seu texto indicando que uma moderação prévia será necessária. Caso queira publicar seu texto assim mesmo, clique em Confirmar. Caso queira editar o seu texto novamente, clique em Cancelar.”

 

 

 

A pergunta que faço é quais palavras no meu texto ofendem a moralidade pública? Sei que o espaço é público e há regras para isso. Mas em qual ponto o meu texto pode receber reparos em relação a esta regra que todo cidadão e leitor sensato conhece?

 

Penso que há um índex eletrônico na Folha/UOL, pois evidentemente a censura prévia não foi feita de forma manual. Este índex eletrônico renovado periodicamente não permite publicações dos leitores com palavras ou termos associados a ações do governo estadual, tais como polícia, pinheirinho, PSDB, Alckmin, Serra, São Paulo dentre outras.

 

Minha manifestação, pouco explorada neste blog, diz respeito a mecanismos partidários de censura vigentes não só na Folha/UOL, mas em todos os periódicos da Velha Mídia  que em tese, apenas em tese, abrem espaços à manifestação de leitores. No meu caso, sou assinante do UOL mais por conveniência em relação à manutenção do email do que por apreciar o nível do noticiário que há anos desce ladeira abaixo, ainda mais que cancelar minha assinatura, coisa que já tentei, é algo quase impossível. Mas a questão é a censura prévia sem razões que não as evidentemente partidárias por parte de um veículo de informação que esbraveja e estribucha quando se toca no tema mais que necessário da regulação da mídia brasileira.

 

Quais são seus critérios Folha/UOL?  É esta a questão fundamental...

 

 

 

 

 

Osvaldo Ferreira

 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

Exército agiliza obras no país e as empreiteiras se queixam

Qua, 22 de Fevereiro de 2012 12:47

//

 
Na transposição do São Francisco os trechos a cargo da instituição estão quase concluídos
A eficiência e a rapidez do Exército na execução de obras de construção e reforma pelo país estão incomodando as empreiteiras, que se queixam de “concorrência desleal” por parte da corporação.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, reclamou esta semana da participação do Exército Brasileiro em obras desenvolvidas pelo governo federal. “O setor da construção civil não vê com bons olhos a atuação do Exército em obras como duplicação de estradas e construção de aeroportos. Não há necessidade de os militares assumirem obras desse tipo”, disse. “O Exército é hoje a maior empreiteira do país”, reclama também João Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias. Segundo ele, poucas construtoras no país têm hoje uma carteira de projetos como a executada pelos batalhões do Exército. No PAC, há 2.989 quilômetros de rodovias federais sob reparos, em construção ou restauração, com gastos previstos em R$ 2 bilhões. Destes, 745 quilômetros – ou R$ 1,8 bilhão – estão a cargo da corporação. “Isso equivale a 16% do orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes neste ano”, disse.
O general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), rebateu as declarações dos representantes das empreiteiras e afirmou que “a atuação dos militares só ocorre quando é bom para o país e para a instituição”. O general declarou que “algumas das obras assumidas pelos militares eram consideradas prioritárias e estavam tendo problemas para serem tocadas pela iniciativa privada”. “A gente não pleiteia obras. Elas são oferecidas e aceitamos quando elas são importantes para o desenvolvimento do país e para nosso treinamento”, destacou. No auge das obras, 12 mil soldados atuaram na construção civil para o governo.
Ele lembra, por exemplo, que havia uma briga no consórcio vencedor da licitação para a duplicação da BR-101 e que as empresas fugiam do início das obras da transposição do São Francisco. A alegação para o retardamento do início das obras era que o canteiro ficava no polígono da maconha. O general conta que o Exército fez um trabalho social na área e que dois hospitais chegaram ser montados na região, para atendimento à população.
Em função de “dificuldades” desse tipo, apresentadas pelas empresas privadas, uma parte expressiva das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sendo conduzidas pelos militares. Graças a convênios com o governo federal, os militares receberam R$ 2 bilhões nos últimos três anos para executar duplicações de estradas, construção de aeroportos, preparar novos gasodutos e iniciar a transposição do Rio São Francisco. No total seriam 80 obras.
A transposição do São Francisco é o caso mais emblemático. Enquanto os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos, a parte que cabe às empresas privadas está atrasada ou paralisada. Tanto assim que em recente visita aos canteiros da obra a presidenta Dilma cobrou melhor desempenho e agilidade. Em Floresta (PE), onde a presidenta esteve, o percentual de execução não passa de 13%. Em outros lugares chega só a 16%. Nos trechos feitos pelo Exército, a obra avançou 3 vezes mais que os das empreiteiras no Eixo Norte (80% está concluída) e 5 vezes mais no Eixo Leste. Por sua vez as empresas privadas estão pedindo mais dinheiro para continuar as obras.
As empresas privadas, algumas delas organizadas em cartéis, depois de retardarem obras importantes para o país, de exigirem reajustes absurdos nos preços, criticam quando o Exército é acionado para garantir as obras prioritárias. Elas alegam uma suposta “concorrência desleal’. Segundo os empreiteiros, a participação expressiva dos militares “inibe o investimento e impede a geração de empregos”.
Para o general Fraxe, “as obras ajudam a formar um contingente de 2.000 a 2.500 rapazes que passam pelo serviço militar obrigatório e que voltam para a sociedade com um ofício, quando são utilizados pela Engenharia dos militares”. Ele diz que também são geradas novas tecnologias: “No fim do ano passado fizemos um boletim técnico que cedemos à Associação Brasileira de Pavimentação sobre novas técnicas na construção de pistas de concreto, que ficaram com qualidade das alemãs”, informou.
Ele diz que o assédio aos cerca de 600 engenheiros do Exército prova que a qualidade do trabalho é reconhecida. Entretanto, ele diz que não há uma debandada generalizada. Ele minimiza o medo das construtoras. “O Exército não é um construtor. Quem pensa que vamos concorrer com as empresas está equivocado. Só atuamos para treinar nosso pessoal”, disse o general, que afirma que contrata empresas privadas para a construção de pontes e viadutos.
Os militares também fizeram obras para estatais - como as clareiras na selva para a construção do gasoduto Coari-Manaus, e para outros níveis de governo, como a atual construção do Caminho da Neve, estrada que Santa Catarina quer abrir para unir Gramado (RS) a São Joaquim (SC), favorecendo o turismo de inverno.
Estima-se que, ao serem concluídas, as obras entregues ao Exército terão um custo até 20% menor para os cofres públicos. “A corporação não pode lucrar com os serviços que presta”. Como emprega os próprios oficiais e soldados, já remunerados pelo soldo, o custo da mão de obra deixa de ser um componente do preço final da empreitada. Por tudo isso, o Exército está desempenhando um papel fundamental na infraestrutura necessária para o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

 
 
imagem de alexis
alexis

Acho isso muito bom para o Brasil!

As FFAA encontram aqui atividades das quais podem se orgulhar!

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

Rússia sai da letargia
 

Por Mauro Santayana, no JB Online
Enganam-se os que viram, na guerra fria, o conflito ideológico entre o sistema socialista e o sistema capitalista. Na verdade, todos os que examinam a história com cautela, sabem que as ideologias podem ser, em certas ocasiões, doutrinas de escolha para conduzir os projetos nacionais estratégicos, mas o sentimento de nação sempre prevalece sobre as idéias de caráter universal. Essa é uma das dificuldades do marxismo aplicado: não é fácil a união internacional dos trabalhadores contra o capital. Quando traduzida, a Internacional, mesmo mantendo a força de seus acordes, não tem o mesmo efeito da versão original de Eugéne Pottier, um participante da Comuna de Paris – nem mesmo em russo, ainda que tenha sido o hino oficial da URSS.
O homem, qualquer homem, é o centro de um universo que se amplia, mas que se distancia, ao ampliar-se. Assim, a percepção do mundo e de nossa existência nele encontra o limite ideal na comunidade cultural e em seu espaço geográfico – enfim, na pátria. A sobrevivência da comunidade nacional prevalece sobre os sistemas sociais que adotemos. Em razão disso, podemos considerar que as revoluções políticas atendem, em primeira urgência, à salvação do povo – a sua liberdade e soberania dentro dos limites nacionais. Sendo assim, podemos dizer que o marxismo foi uma doutrina de ocasião para que o Império Russo fizesse a sua revolução nacional, derrubando uma monarquia enfermiça e alienada e instituindo novo sistema político. A etapa kerensquiana da revolução nada prometia senão uma república tão conservadora quanto o regime dos Romanov – daí a ousadia de Lenine e seus companheiros.
A revolução se estagnou e retrocedeu com Stalin, para se perder com Gobartchev. Ela vinha se esvaziando, por não avançar rumo à utopia de uma sociedade sem classes, que fora a promessa de 1917. A tecnocracia substituíra a nobreza do Império e parcelas da sociedade se cansaram das restrições. Isso possibilitou a Gobartchev capitular, como capitulou, sem a habilidade para promover uma transição mais inteligente para a economia de mercado.
A queda do muro de Berlim foi um desastre para o mundo socialista e, especialmente, para a União Soviética, esquartejada e com sua economia dilacerada, com as empresas do Estado entregues aos favoritos de Ieltsin. As nações, no entanto, são capazes de soerguer-se em pouco tempo, desde que encontrem motivos para isso. Nos últimos 24 anos, com as dificuldades conhecidas, a Rússia vem recuperando a consciência de nação e sua força histórica. O complexo de derrota, que se seguiu à fragmentação do antigo Império e à arrogância dos Estados Unidos como a única potência hegemônica,  foi vencida. A aliança entre os países emergentes, que une o Brasil à Rússia, à Índia, à China e à África do Sul, é um novo espaço de influência na geopolítica, compartilhado por essas potências – e anima os russos.
Eles têm reconstruído seus exércitos, e, a duras penas na fase confusa da reorganização do núcleo mais poderoso do antigo Império, restaurado sua indústria pesada. Setores em que eles haviam sido, e durante muito tempo, superiores, como os da aviação militar e dos mísseis, foram recuperados. Seus aviões de caça, bem como seus foguetes intercontinentais, continuam a ser considerados do mesmo nível (e, em alguns casos, superiores) aos de seus rivais.
Putin pode ter, e tem, grandes defeitos, a par de sua vocação ditatorial, segundo seus desafetos, mas vem devolvendo aos russos o seu orgulho antigo. O nacionalismo russo apelou para a Revolução de Outubro, mesmo contra a opinião de Marx, que via pouca possibilidade de um movimento socialista em uma região geo-econômica que não se libertara de todo da visão medieval da economia e do poder. O nacionalismo russo de nossos dias, não só aceita como prestigia (conforme as pesquisas pré-eleitorais destas horas) o líder político que encarna a recuperação do orgulho do velho país.
A URSS – que ocupava a mais extensa região do globo, com seus quase 25 milhões de quilômetros quadrados – não mais existe, mas a Rússia continua sendo o maior território nacional do mundo (duas vezes o tamanho do Brasil), com seus 17 milhões de quilômetros quadrados.
Com essa presença poderosa, e mais de 1.200.000 homens em armas, a Federação Russa quer ser ouvida e acatada no mundo de hoje. E não há dúvida de que o seu projeto nacional é o de recuperar o espaço político que conquistara na Segunda Guerra Mundial, e que perdeu em 1991. A indústria militar, conforme explicou Putin, irá provocar a aceleração de toda a economia nacional.
Para isso, Putin anunciou que a indústria bélica irá produzir, nos próximos dez anos, mais 400 mísseis balísticos modernos, 8 submarinos estratégicos, 20 submarinos polivalentes, mais de 50 navios de superfície, cerca de cem veículos espaciais com função militar, mais de 600 aviões modernos, mais de 1.000 helicópteros e 28 baterias antiaéreas dotadas de mísseis terra-ar S-400.
 

 

Postado por
 
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

 
 


A falta da voz brasileira na Globo
 


 
Publicado em 23/02/2012  por Urariano Motta
 
Recife (PE)- Mais de uma vez eu já havia notado que os apresentadores de telejornalismo têm uma língua diferente da falada no Brasil. Mas a coisa se tornou mais séria quando percebi que, mesmo fora do trator absoluto do Jornal Nacional, os apresentadores locais, de cada região, também falavam uma outra língua. O que me despertou foi uma reportagem sobre o trânsito na Avenida Beberibe, no bairro de Água Fria, que tão bem conheço. E não sei se foi um despertar ou um escândalo. Assistam em “Falta de sinalização em avenida traz perigo para pedestres”.
 
Na ocasião, o repórter, o apresentador, as chamadas, somente chamavam Beberibe de Bê-Bê-ribe. O que era aquilo? É histórico, desde a mais tenra infância, que essa avenida sempre tenha sido chamada de Bibiribe, ainda que se escrevesse e se escreva Beberibe.        
 
Ligo para a redação da Globo Nordeste. Um jornalista me atende. Falo, na minha forma errada de falar, como aprenderia depois:
 
- Amigo, por que vocês falam bê-bê-ribe, em vez de bibiribe?
- Porque é o certo, senhor. Bé-Bé é Bebê.
- Sério? Quem ensina isso é algum mestre da língua portuguesa?
- Não, senhor. O certo quem nos ensina é uma fonoaudióloga.
 
Ah, bom. Para o certo erram de mestre. Mas daí pude ver que a fonoaudióloga como autoridade da língua portuguesa é uma ignorância que vem da matriz, lá no Rio. Ou seja, assim me falou a pesquisa:    
 
“Em 1974, a Rede Globo iniciou um treinamento dos repórteres de vídeo... Nesse período a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller começou a trabalhar na Globo. Como conta Alice-Maria, uma das idealizadoras do Jornal Nacional: “sentimos a necessidade de alguém que orientasse sua formação para que falassem com naturalidade”.
 
Foi nesta época, que Beuttenmüller, começou a uniformizar a fala dos repórteres e locutores espalhados pelo país, amenizando os sotaques regionais. No seu trabalho de “definição de um padrão nacional, a fonoaudióloga se pautou nas decisões de um congresso de filologia realizado em Salvador,em 1956, no qual ficou acertado que a pronúncia-padrão do português falado no Brasil seria do Rio de Janeiro”. (Destaque meu.)
 
Mas isso é a morte da língua. É um extermínio das falas regionais, na voz dos repórteres e apresentadores. Os falares diversos, certos/errados aos quais Manuel Bandeira já se referia no verso “Vinha da boca do povo na língua errada do povo/ Língua certa do povo”, ganha aqui um status de anulação da identidade, em que os apresentadores nativos se envergonham da própria fala. Assim, repórteres locais, “nativos”, se referem ao pequi do Ceará como “pê-qui”, enquanto os agricultores respondem com um piqui.
 
De um modo geral, as vogais abertas, uma característica do Nordeste, passaram a se pronunciar fechadas: nosso é, de “E”, virou ê. E defunto (difunto, em nossa fala “errada”) se transformou em dê-funto. Coração não é mais córa-ção, é côra-ção. Olinda, que o prefeito da cidade e todo olindense chamam de Ó-linda, nos telejornais virou Ô-linda. Diabo, falar Ó-linda é histórico, desde Duarte Coelho. Coisa mais bela não há que a juventude gritando no carnaval “Ó-linda, quero cantar a ti esta canção”. Já Ô-linda é de uma língua artificial,  que nem é do sudeste nem, muito menos, do Nordeste. É uma outra coisa, um ridículo sem fim, tão risível quanto os nordestinos de telenovela, com os sotaques caricaturais em tipos de físicos europeus.
 
Esse ar “civilizado” de apresentadores regionais mereceria um Molière. Enunciam, sempre sob orientação do fonoaudiólogo, “mê-ninô”, “bô-necÔ”, enquanto o povo, na história viva da língua, continua com miní-nu e buneco. O que antes era uma transformação do sotaque, pois na telinha da sala os apresentadores falariam o português “correto”, atingiu algo mais grave: na sua imensa e inesgotável ignorância, eles passaram a mudar os nomes dos lugares naturais da região.
 
O tão natural Pernambuco, que dizemos Pér-nambuco, se pronuncia agora como Pêr-nambuco. E Petrolina, Pé-tró-lina, uma cidade de referência do desenvolvimento local, virou outra coisa: Pê-trô-lina. E mais este “Nóbel” da ortoépia televisiva: de tal maneira mudaram e mudam até os nomes das cidades nordestinas que, acreditem amigos, eu vi: sabedores que são da tendência regional de transformar o “o” em “u”, um repórter rebatizou a cidade de Juazeiro na Bahia. Virou JÔ-azeiro! O que tem lá a sua lógica: se o povo fala jUazeiro, só podia mesmo ser Jô-azeiro.    
 

*Urariano Motta é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).
 
Enviado por Direto da Redação

 

Postado por Castor Filho às 2/23/2012
 
 

 
 
imagem de Assis Ribeiro
Assis Ribeiro

Beleza de texto.

Vamos perguntar aqueles que pronunciam "Pernambuco" como eles pronunciam "perna".

 

Assis Ribeiro

 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

 


O poder do Carnaval - No Democracia e Política
 


 

 
Publicado em 23/02/2012 por Mair Pena Neto
 
É extraordinário o poder transformador do carnaval, mesmo para quem não pode brincá-lo. Os quatro dias de folia, que se estendem por quase uma semana numa saudável baianização que se alastra pelo país, são capazes de mudar totalmente qualquer estado de espírito. Até o início da festa, o Rio de Janeiro estava mergulhado num baixo astral causado pelo desabamento de três edifícios no coração da cidade, com mortos e feridos, sem falar nos bueiros voadores. Mas os blocos tomando as ruas, o colorido das fantasias e a magnitude do desfile das escolas de samba são capazes de irradiar o melhor do espírito carioca, contagiando de alegria a cidade.
 
Não é apenas o ópio, a ofegante epidemia a que se tinha direito em tempos tenebrosos. A manhã já renasceu e esbanja poesia e otimismo como no samba-enredo da Acadêmicos da Rocinha, comunidade que, antes escondida sob tapumes dos visitantes estrangeiros, se integra cada vez mais à cidade e atrai para suas ruas e vielas os próprios turistas de quem tentavam ocultá-la.
 
“Refúgio de selvas concretas
Pra mentes abertas, livros, paixões e xadrez
Heróis forjados em ferro, ases da história
As damas e reis
Pousei pra ver a meninada
Driblar a tristeza e jogar futebol
A melhor idade mantendo a forma
Um lindo domingo de sol
Voei pra Brasília, esperar não é saber
A voz do povo faz a hora
Rocinha não espera acontecer”.
 
Assim como a Rocinha, os blocos de rua também fizeram a hora e tomaram o carnaval nas mãos. Num tempo, página infeliz da nossa história, a maior festa do Brasil foi transformada, no Rio de Janeiro, num momento de exclusão da folia. Só havia os bailes nos clubes, caros e tendendo cada vez mais à pornografia, e o desfile na avenida, também voltado para o turismo, embora ainda feito pelo povo.
 
Os blocos foram nascendo aqui e ali, nos bairros, nos grupos de esquina, de praia e de bar e multiplicaram-se em expansão geométrica. O crescimento foi tamanho que exigiu um freio de arrumação para que a alegria continuasse sem destruir a cidade e prejudicar os moradores que, mesmo em tempos de carnaval, precisam se deslocar por emergência ou opção.
 
A ideia de organizar a festa causou pânico, pois ninguém quer corda no seu bloco, mas acabou sendo feita com bom senso. A zona sul foi esvaziada do excesso de agremiações, o centro da cidade foi ainda mais retomado e o Aterro revelou-se um lugar excelente para a passagem de grupos que já arrastam 50 mil a 100 mil pessoas. Nada disso tirou o caráter irreverente e antropofágico da festa, que agora engole, além de sambas e marchinhas, o brega, os Beatles, Raul Seixas e o rock’n roll devidamente digeridos e expelidos.
 
A festa no Rio, por muito anos reprimida, levando foliões a buscar as ruas de Salvador ou Olinda, não deve nada a ninguém. O tradicional cordão do Bola Preta leva a cada ano mais gente às ruas e o resto dos blocos faz a cidade cantar durante uma semana. Carnaval não se compara e nem se mede por grandiosidade. E o Rio de Janeiro é como a Vila Isabel, que não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz carnaval também.
 
Mair Pena Neto é jornalista e carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.


Enviado por Direto da Redação
 

Postado por Castor Filho às 2/23/2012
 
 

 
 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Do JB

23/02 às 19h38- Atualizada em 23/02 às 20h10

Vaticano responde a acusações de corrupçãoJornal do Brasil

 

Representantes da Sala de Imprensa do Vaticano emitiram dois comunicados esclarecendo acusações de corrupção feitas pelos jornalistas italianos Gianluigi Nuzzi, no programa “Gli Intoccabili”; e Angela Camuso, autora do artigo “Riciclaggio, quattro preti indagati: I silenzi del Vaticano sui controlli”, publicado no último dia 8.  

Os jornalistas acusam o governo depois  terem acesso a uma suposta carta enviada pelo secretário geral de governança para o papa Bento XVI, reclamando de ações de corrupção e desperdício de dinheiro, que levaram a prejuízos nas contas públicas da cidade-estado.

A Sala de Imprensa negou todas acusações que, segundo a suposta carta, envolviam membros do governo e do IOR (Instituto para as Obras Religiosas), que fiscaliza e administra patrimônios doados à Santa Sé.

O comunicado afirma ainda que o artigo representa “uma notável falta de seriedade” e que “as informações divulgadas no programa não representam a verdade”. O documento esclarece cada ponto abordado pelos jornalistas, e responde apresentando dados e explicações já dadas à Justiça Italiana.

Segundo o documento, o “efeito difamatório das acusações é resultado do uso do termo ‘incriminado’ em relação ao Presidente da IOR, Ettore Gotti Tedeschi, e o Diretor Geral, Paolo Cipriani. Nem um, nem o outro jamais foram incriminados, apenas prestaram esclarecimentos perante a justiça italiana”, conclui. 

Leia parte do comunicado:

"Além disso, o artigo não diz que, a partir dos anos 2006-2007, o IOR está se esforçando com determinação na análise das contas e na verificação de seus clientes para acertar e descobrir a eventualidade de ações suspeitas. O artigo curiosamente preferiu ignorar este esforço do IOR.

A IOR tem cooperado repetidamente com às Autoridades Italianas em todos os níveis. Vale destacar que o IOR sempre forneceu as informações necessárias, até fora dos canais formais. Os fatos mostram que a transmissão (que acusa o Vaticano de corrupção) resulta parcial e não contribui para um quadro objetivo da realidade"

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


Síria: O fiasco dos agentes secretos franceses em Homs
 


por Boris Vian [*]
 

Enquanto Paris acusa Damasco de ter organizado o assassínio do jornalista da France-Télévisions, Gilles Jacquier, em Homs, uma equipe de jornalistas russos acaba de apresentar uma versão diferente dos fatos. Segundo inquérito, o senhor Jacquier comandava, sob a cobertura da imprensa, uma operação dos serviços secretos militares franceses que redundou em fiasco. As acusações francesas não passam de uma forma de mascarar a responsabilidade de Paris nas ações terroristas empreendidas para desestabilizar a Síria.
Réseau Voltaire / Moscou (Rússia) / 17 de janeiro 2012
 

Gilles Jacquier
O jornalista francês Gilles Jacquier foi morto quando fazia uma reportagem em Homs, na quarta-feira, 11 de janeiro. Tinha ido cobrir os acontecimentos na Síria para a revista Envoyé spécial.
 

Persuadido de que não havia grupos terroristas, mas uma revolução reprimida em sangue, tinha recusado proteção dos serviços de segurança e não usava capacete nem colete à prova de balas. Com outros colegas que partilhavam as suas convicções, alugaram três microônibus e encontraram “pontos fixos”, quer dizer, pessoas locais capazes de ajudá-los a encontrar pontos de referência, a marcar encontros e serviços de tradutores.
 
Todos em conjunto tinham pedido para encontrar-se com representantes alawitas antes de se dirigirem para os bairros revoltados de Bab Amr e Bab Sbah.
 
Chegados ao Hotel As-Safir, tinham reencontrado, por acaso, um capitão que lhes propôs acompanhá-los com o seu destacamento até ao bairro alawita de Najha onde eram esperados por um assistente do governo de Homs. Com a sua ajuda, os jornalistas puderam encontrar personalidades e interrogar as pessoas na rua.
 
Às 14:45 horas, a representante do governo tinha-lhes pedido que abandonassem o local o mais depressa possível, pois o cessar-fogo acabava, de fato, todos os dias às 15 horas precisamente. No entanto, os jornalistas da rádio televisão belga flamenga (VRT) tinham-se aventurado mais longe em casas particulares até ao bairro de Akrama, pelo que o grupo demorou mais tempo a sair de lá.
 
Membros da associação das vítimas do terrorismo que tinham previsto manifestar-se em frente de um carro alugado pelo Ministério da Informação para cerca de quarenta jornalistas anglo-saxões, mas que não os tinham encontrado, acharam que seria útil gritarem slogans pelo presidente Bachar em frente das câmaras de televisão que ali se encontravam. Às 15 horas, como todos dias, a batalha de Homs recomeçou.
 
Um projétil explodiu no terraço de um edifício, destruindo um reservatório de óleo lubrificante. Um segundo projétil caiu sobre uma escola, depois um terceiro sobre os manifestantes pró-Assad, matando dois deles.
 
Os jornalistas subiram ao terraço para filmar os estragos. Houve uma calmaria. Gilles Jacquier, pensando que os tiros tinham acabado, desceu com o seu ajudante para ir filmar os cadáveres dos manifestantes. Chegado ao vão da porta foi morto com seis militantes pró-Assad por uma quarta explosão, que o projetou sobre uma moça que lhe servia de guia. Esta jovem foi ferida nas pernas.
 
Na confusão geral, o morto e a ferida foram evacuados em carros para o hospital. Este incidente fez nove mortos no total e vinte e cinco feridos.
 
A batalha de Homs prosseguiu com numerosos outros incidentes durante a tarde e a noite.
 
À primeira vista, tudo era claro: Gilles Jacquier tinha morrido por acaso. Encontrava-se no lugar errado no momento errado. Sobretudo, as suas convicções sobre a natureza dos acontecimentos na Síria levaram-no a acreditar que só devia recear as forças governamentais e que não corria nenhum risco fora das manifestações antirregime. Por isso tinha recusado uma escolta, não tinha usado capacete e colete à prova de balas, não tinha respeitado a hora fatídica do fim do cessar-fogo. Definitivamente, não tinha sabido avaliar a situação, porque foi vítima da diferença entre a propaganda dos seus colegas e a realidade que ele negava.
 
Nestas condições, não se compreende muito bem o porquê, depois de uma primeira reação de cortesia, a França, que tinha legitimamente exigido um inquérito às circunstâncias da morte do seu cidadão nacional, insinuou subitamente que Gilles Jacquier tinha sido assassinado pelos sírios e recusou que a autópsia tivesse lugar no local em presença dos seus especialistas. Estas acusações foram publicamente explicitadas por um dos jornalistas que acompanhavam Jacquier, Jacques Duplessy.
 
Para a imprensa francesa os fatos não foram tão evidentes como parecia: persiste uma dúvida sobre a identificação dos projéteis mortais.
 
Segundo a maior parte dos repórteres, tratava-se de tiros de morteiros. O exército sírio confirma que esta arma é quotidianamente utilizada pelos terroristas em Homs. Mas segundo alguns testemunhos, foram foguetes atirados a partir de um lançador portátil e a televisão privada síria, Ad-Dúnia mostrou as asas do projétil. Há quem se apaixone por este assunto, não sem segundas intenções.
 
Na França, os anti-Assad acreditam no morteiro e acusam o exército sírio de tê-lo atirado. Enquanto que os pró-Assad acreditam no foguete e acusam os terroristas. Em definitivo, este detalhe não prova nada: é certo que o exército sírio utiliza morteiros, mas não deste calibre e os grupos armados utilizam lança-foguetes, mas nada impede cada campo de variar o seu armamento.
 
De resto, se é que se tratou de tiros de morteiro, os dois primeiros permitiram ajustar o tiro do terceiro e quarto para atingir os manifestantes que eram o seu alvo. Mas se se tratava de tiros de foguete, era possível visar com muito mais precisão e matar uma pessoa em particular. A tese do assassínio tornava-se possível.
 
O estudo das imagens e dos vídeos mostra que os corpos das vítimas não estão ensanguentados e crivados de estilhaços, como quando da explosão de um obus (morteiro) que se fragmenta. Pelo contrário, eles estão intactos, correndo o sangue, segundo os casos, pelo nariz e os ouvidos, como quando da explosão de um foguete termobárico, cujo impacto comprime os órgãos provocando hemorragias internas. Da mesma forma, os pontos de impacto sobre o passeio não indicam nenhum traço de fragmentação.
 
Note-se que certos testemunhos falam de granadas, o que não faz de modo nenhum avançar a nossa compreensão, porque existem granadas de sopro e granadas de fragmentação. Em definitivo, só a hipóteses de arma de sopro (RPG ou granada) é compatível com os elementos médico-legais visíveis nas fotos e vídeos. Acorrendo ao local, os investigadores sírios e os observadores da Liga Árabe encontraram caudas de morteiro de 82 mm e uma cauda de foguete de fabricação israelense.
 
Por consequência, as autoridades francesas têm razão para estudar a possibilidade do assassínio, mesmo quando se trata para eles de aproveitar um drama para instrumentalizar e justificar a sua ambição de guerra contra a Síria. Portanto, os diplomatas franceses, se tiverem por objetivo procurar a verdade, têm também manifestamente o objetivo de assegurar-se de que os sírios não a descubram. Assim, impediram todos os francófonos de se aproximarem da fotógrafa Caroline Poiron, companheira do jornalista Gilles Jacquier, que velava o seu corpo durante toda a noite. A jovem, em estado de choque, não conseguia dominar o seu comportamento e teria muito que dizer.
 
Depois, proibiram a autópsia no local e repatriaram o corpo o mais depressa possível. Qual é, portanto, a hipótese por que a França quer verificar sozinha, mas esconder do grande público?
 
Aqui começa o nosso mergulho no mundo dos serviços especiais ocidentais que conduzem na Síria uma “guerra de baixa intensidade”, comparável às que foram organizadas nos anos oitenta na América Central ou, mais recentemente, na Líbia, para preparar e justificar a intervenção da OTAN.
 
Gilles Jacquier era um repórter apreciado pelos seus colegas e premiado profissionalmente (Prêmio Albert Londres, Prêmio dos correspondentes de guerra, etc.). Mas não era só isto…
 
Numa carta com o cabeçalho de France-Télévisions , datada de 1 de dezembro de 2011 , as redatoras chefes da revista Envoyé spécial – a emissão política mais vista no país – tinham solicitado um visto do ministério sírio da informação [1] . Pretendendo querer verificar a versão síria dos acontecimentos segundo a qual “os soldados do exército sírio são vítimas de emboscadas e de grupos armados que grassam pelo país” elas pediam que Jacquier pudesse seguir o quotidiano dos soldados da 4.ª divisão blindada, comandada pelo general Maher-el-Assad (irmão do presidente) e da 18.ª divisão blindada, comandada pelo general Wajih Mahmud. As autoridades sírias ficaram surpreendidas pela arrogância dos franceses: por um lado, enquadram grupos armados que atacam as tropas leais, por outro pretendem infiltrar um agente da informação militar nas suas tropas, para informar os grupos armados das suas deslocações. Não foi dado seguimento a este pedido.
 
Assim, Gilles Jacquier tentou uma outra via. Pediu a intermediação de uma religiosa greco-católica de linguagem franca, estimada e por vezes temida pelo poder, Madre Agnès-Mariam de la Croix, com um cargo de direção no Mosteiro Saint-Jacques de l'Intercis. Ela tinha facilitado a primeira viagem da imprensa aberta aos jornalistas ocidentais. A célebre religiosa pressionou, portanto, o Ministério da Informação, até obtenção de vistos para Jacquier e acompanhante.
 
As coisas aceleraram-se em 20 de Dezembro – outros jornalistas pediram à Madre Agnès-Mariam que lhes obtivesse o mesmo favor.
 
Quanto a Gilles Jacquier, este solicitou outros vistos para a sua companheira, a fotógrafa Caroline Poiron e a repórter Flora Olive, representando, as duas, o Paris-Match. No total, devia ser um grupo de quinze jornalistas franceses, belgas, holandeses e suíços. Com toda a verosimilhança, os franceses e os holandeses eram na maior parte, ou todos, agentes da DGSE [2]. Havia urgência na sua missão.
 
Aqui, é indispensável fazer uma pequena retrospectiva:
 
Para enfraquecer a Síria, os grupos armados pela OTAN empreendem diversas ações de sabotagem. Embora o centro histórico da rebelião da Fraternidade Muçulmana seja Hama, e que só dois quarteirões de Homs os apoiem, a OTAN escolheu esta cidade para concentrar as suas ações secretas. Com efeito, ela está no centro do país e constitui o principal nó de comunicação e de abastecimento. Sucessivamente, os “revolucionários” cortaram o oleoduto, depois os engenheiros canadenses que dirigiam a central elétrica foram repatriados a pedido dos Estados Unidos. Enfim, cinco engenheiros iranianos encarregados de fazer voltar a funcionar a central foram retirados em 20 de Dezembro de 2011.
 

Violando o Direito Internacional a revista Paris-Match publicou
 esta foto dos reféns iranianos (engenheiros) sem cobrir seus rostos.
Este documento constitui “prova de vida” de quatro desses reféns.
Os jornalistas receberam uma reivindicação de uma misteriosa brigada contra a expansão xiita na Síria. Depois, a embaixada confirmou ter iniciado uma negociação com os raptores de reféns. Bastava que estes transmitissem uma “prova de vida”, por exemplo, uma fotografia datada dos reféns de boa saúde. Contra toda a expectativa, esta não foi enviada diretamente à República Islâmica, mas publicada pelo Paris-Match (edição de 5 de Janeiro). Um fotógrafo da revista, dizia-se, tinha conseguido entrar secretamente na Síria e realizar essa foto. Talvez os leitores franceses se tivessem interrogado se esse repórter era realmente humano para tirar fotografias de reféns sem lhes ter prestado auxílio. Pouco importa, a mensagem era clara: os engenheiros estão vivos e os raptores de reféns são controlados pelos serviços franceses. Nenhuma reação oficial nem de um lado nem do outro. Era, portanto, porque as negociações continuavam.
 
Chegados a Damasco, os jornalistas franceses e holandeses foram alojados pelas autoridades em hotéis diferentes, mas Jacquier reagrupou-os imediatamente no Fardos Tower Hotel. O diretor deste estabelecimento não é outro senão Roula Rikbi, a irmã de Bassma Kodmani, porta-voz do Conselho Nacional, com base em Paris. O hotel serve de esconderijo aos serviços secretos franceses.
 
Em resumo, um agente de informação militar, tendo por companhia um fotógrafo cujo colega conseguiu entrar em contacto com os reféns, formou um grupo de “jornalistas” com uma missão ligada aos reféns, provavelmente a sua entrega por franceses aos iranianos. Dirigiram-se a Homs depois de se terem desembaraçado dos serviços de segurança, mas o chefe da missão foi morto antes de poder estabelecer o contato previsto.
 
Compreende-se que, nestas condições, o embaixador da França se tenha tornado nervoso. Ele tinha o direito de considerar que Gilles Jacquier tivesse sido assassinado por membros dos grupos armados, inquietos com a deslocação da aliança militar França-Turquia, e extremistas de uma guerra da OTAN. Hostis à negociação em curso, teriam feito ir por água abaixo a sua conclusão.
 
O embaixador da França, que não tinha tido tempo de reconstituir os acontecimentos, esforçou-se, portanto, para impedir que os sírios o fizessem. Contrariamente às normas internacionais, recusou que a autópsia fosse realizada no local, em presença do especialista francês. Os sírios aceitaram infringir essa regra, com a condição de fazerem uma radiografia. Na realidade, eles aproveitaram para fotografar o cadáver sob todos os ângulos. Segundo as nossas informações, o corpo apresenta vestígios de estilhaços no peito e de cortes na fronte.
 
Depois, o embaixador levou nos seus carros blindados os “jornalistas” franceses e o holandês, além dos restos mortais de Jacquier. Partiu com eles acompanhado por uma forte escolta, deixando no local a Madre superiora estupefata e um jornalista da Agência France Presse: o diplomata apressado tinha recuperado os seus agentes e abandonado os civis.
 
Os carros blindados foram recuperar as bagagens de cada um ao hotel As-Safir de Homs, depois regressaram à embaixada em Damasco. O mais depressa possível, chegaram ao aeroporto, onde um avião especial fretado pelo Ministério francês da Defesa evacuou os agentes para o aeroporto de Paris-Le Bourget.
 
Os agentes secretos não fingiram mais realizar as reportagens na Síria, esqueceram-se de ter obtido um prolongamento do seu visto, e fugiram depressinha antes que os sírios descobrissem o arranjinho desta operação mal sucedida.
 
Chegado à Paris, o corpo de Jacquier foi imediatamente transferido para o instituto médico-legal e autopsiado, antes da chegada dos peritos enviados pela Síria. Violando os processos penais, o governo francês invalidou o relatório da autópsia, que cedo ou tarde seria rejeitado pela Justiça, e afastou definitivamente a possibilidade de se estabelecer a verdade.
 
A fim de impedir os jornalistas franceses (os verdadeiros) de meter o nariz nesta questão, os “jornalistas” (os falsos) que acompanhavam Jacquier, uma vez de volta à França, multiplicaram-se em declarações contraditórias, mentindo de maneira desavergonhada, para criar a confusão e mascarar a verdade.
 
Assim, embora oito manifestantes pró-Assad tenham sido mortos, Jacques Duplessy denuncia “uma cilada montada pelas autoridades sírias” para eliminá-lo com os seus colegas. Verificado isto, o senhor Duplessy trabalhou afincadamente para uma ONG, conhecida por ter servido de biombo …à DGSE!
 
Para os iranianos e sírios, a morte de Jacquier é uma catástrofe. Deixando circular o grupo de espiões franceses e vigiando-o discretamente, esperavam chegar aos raptores e, ao mesmo tempo, libertar os reféns e prender os criminosos.
 
Já há um ano, os serviços secretos militares franceses foram postos ao serviço do imperialismo estadunidense. Organizaram um início de guerra civil na Costa do Marfim. Em seguida, manipularam o separatismo da Cirenaica, para dar a ideia de uma revolução anti-Kadafi e apoderar-se da Líbia. Agora, enquadram os cadastrados recrutados pelo Qatar e a Arábia Saudita para semear o terror, acusar o governo sírio e ameaçar com a sua mudança.
 
Não temos a certeza que o povo francês gostaria de saber que Nicolas Sarkozy rebaixou o seu país ao nível de um vulgar sequestrador e que mantém reféns em cativeiro.
 
Não devemos admirar-nos se um Estado (França) que pratica o terrorismo em terra alheia, se venha a confrontar um dia com ele na sua própria terra.
 
13/Fevereiro/2012
 
Notas dos tradutores
[1] Este documento pode ser visto no final da página do sítio em referência
[2] Direção Geral da Segurança Exterior – serviço do Estado francês, sob a autoridade do poder executivo, que tem por objetivo a proteção dos interesses franceses, designadamente a proteção dos cidadãos franceses em qualquer parte do mundo.
 
[*] Correspondente do Komsomolskaya Pravda em Damasco
 
O artigo original, em russo, encontra-se em: “Французские репортеры в Сирии оказались агентами спецслужб” . A tradução para o francês pode ser lida no New Orient News (Líbano) e na Rede Voltaire em: “Le fiasco des barbouzes français à Homs”. 
A tradução para o português foi realizada por MT para o sítio Pelo Socialismo (em .pdf).

Esta tradução foi extraída do sitio Resistir e adaptada para o português do Brasil pela redecastorphoto
 

 
Postado por Castor Filho às 2/23/2012
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 - No Democracia e Política


EMBRAER APRESENTA O VEÍCULO AÉREO NÃO-TRIPULADO HARPIA
 


O veículo aéreo não-tripulado Harpia, projeto da Embraer em parceria com a israelense Elbit. (Foto: Embraer)
“O site ‘DEW Line’  (http://www.flightglobal.com/blogs/the-dewline/2011/11/brazils-embraer-reveals-new-ha.html) divulgou a imagem do novo UAV (ou VANT- veículo aéreo não-tripulado) Harpia, que está sendo desenvolvido pela Embraer numa parceria com subsidiária da empresa israelense Elbit, a AEL de Porto Alegre, após contrato assinado em setembro do ano passado, no qual foi criado a empresa "Harpia S.A.," com sede em Brasília.

O modelo apresenta características similares ao UAV Heron, projetado pela concorrente da Elbit, a IAI (Israel Aircraft Industries).

A Força Aérea Brasileira já opera uma aeronave não-tripulada, o UAV Hermes 450, da Elbit, e a parceria com a Embraer visa, justamente, ampliar essa capacidade operacional tanto em autonomia de voo como alcance do radar e sensores embarcados no UAV destinado às necessidades da Força Aérea Brasileira.

A imagem foi divulgada pela Embraer na apresentação dos resultados do trimestre [4º trim. 11] e, segundo Stephen Trimble do site “DEW Line”, o UAV Harpia, caso seja fabricado, terá boas chances de conseguir vendas externas para competir com os UAVs Heron da IAI e o Predator A da General Atomics.”

FONTE: blog “Cavok”  (http://www.cavok.com.br/blog/?p=41461) [Postagem por sugestão do leitor Iurikorolev]
 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 - No Sem Juízo


....Sovina....
 

As piores dificuldades são aquelas que nem sequer conhecemos






Sovina




Pretos, pobres e prostitutas.

Costuma-se dizer que os três Ps são os clientes preferenciais da justiça penal no Brasil.

Confesso que passei uma tarde assistindo a audiências no Criminal Courts Building em Nova York e a situação não me pareceu muito diferente por lá. Só vi negros e latinos sentados no banco dos réus.

Não vai aí nenhuma desonestidade atávica de classe ou racial. Tudo isso tem muito mais a ver com as prioridades da lei e a ordem que se escolhe defender, como a gente aprende um pouco na escola, e outro tanto no dia-a-dia.

A propriedade é sem dúvida alguma a pedra de toque da tutela penal, e é mais protegida do que a liberdade, a saúde e, em muitos casos, do que a própria vida. E da fiscalização da polícia, difícil dizer que se distribua igualmente pela população.

A forma como cada um encara e lida com essa pouca neutralidade do sistema muitas vezes define o padrão de comportamento de um juiz criminal, mais rigoroso ou, como a gente costuma dizer, mais liberal. As interpretações da lei dificilmente são separadas do juízo que fazemos dela ou do prestígio que conferimos aos princípios humanitários.

Mas o certo é que todos nós nos acostumamos, uns mais outros menos, a lidar com um público preponderantemente carente e isso tem lá suas consequências.

Poucos dos nossos acusados chegaram a completar o ensino fundamental. Falam mal e compreendem menos ainda. Sem paciência, a comunicação é sempre deficitária. Quando pergunto a um réu se ele entendeu o que eu disse, nove entre dez respondem “entendeu”, sem que isso signifique muito mais do que um erro de concordância.

Presos são sempre trazidos aos fóruns com o uniforme da penitenciária e os indefectíveis chinelos de dedo. Mas, se soltos, não lhe são permitidos chegar às audiências de forma tão precária. Existe toda uma patrulha do pudor que impede o ingresso nos fóruns de chinelos, bermudas e outros adereços assim casuais, reputados como ‘desrespeitosos’.

Eu me lembro de um réu que passou a audiência toda com a mão no peito, o que me afligia enormemente. Ao final, indaguei a ele se estava com algum incômodo e se não era o caso, então, de fazer uma consulta no serviço médico. Ele me disse que estava se sentindo muito bem e respondeu coberto de vergonha:

-Minha camisa falta dois botões, doutor, sua secretária disse que não podia entrar com ela aberta.

Um mecânico, vindo direto do trabalho, recusou-se terminantemente a sentar na cadeira da sala de audiências, porque estava sujo de graxa e tinha medo de ser responsabilizado por estragá-la. Só concordou depois que a cobrimos de papel, e assim mesmo um tanto quanto ressabiado.

Mas as piores dificuldades são aquelas que nem sequer conhecemos.

A mais cruel é supor que o réu pode se ausentar de uma audiência, que muitas vezes provoca até sua prisão, por falta de dinheiro para o transporte ao Fórum. Quem vai nos dizer isso?

Fui apresentado ao problema por Orlando.

Um réu acabrunhado que negava o furto que lhe era imputado com uma dificuldade enorme de comunicação. Narrava como fora “abortado” pela polícia, levado à delegacia só porque tinha “passagens” e clamava de forma meio tosca pela inocência, implorando, enfim, para não ser condenado.

Após o encerramento da audiência, ele já estava na porta da sala, quando resolveu retornar. Olhou para nós por alguns momentos sem nada dizer, como se avaliasse a conveniência de sua pretensão, mas acabou soltando, sem jeito, seu pedido em forma de cobrança:

-E o dinheiro que me prometeram?

Eu não conseguia entender a que exatamente ele se referia, já que estava ali para responder a um processo, não para exigir qualquer crédito. Na situação em que veio, o máximo que podia querer era mesmo sair de mãos abanando, sem algemas.

Diante da incompreensão, demonstrada pela persistência do nosso silêncio, ele não teve outra alternativa, senão se explicar:

-O moço que me chamou para essa audiência. Eu disse a ele que estava sem dinheiro pra vir. Ele me deu a passagem de ida e falou que eu ia receber aqui a passagem de volta.

Foi só nesse momento que eu soube da prática discreta do solidário oficial de justiça, que era quem primeiro tinha contato com réus e testemunhas. Intimando-os em seu próprio habitat, ele devia ter condições de saber que aquilo não era apenas uma desculpa. Só achei estranho que não nos tivesse preparado para essa inusitada situação.

Eu perguntei ao réu quanto precisava para a condução, tirei uma nota de cinco reais e lhe entreguei. Ele ficou meio sem jeito de recebê-la diretamente de mim, mas agradeceu e se foi, para esperar em casa a sentença que viria em duas semanas.

O assunto foi o comentário do dia entre os funcionários, que se dividiram em um misto de respeito e pilhéria pelo oficial e mais ainda por mim.

Só no dia seguinte, o auxiliar judiciário, que tem mesa na porta da sala de audiências, percebeu que no fundo de sua gaveta havia um pequeno envelope com o nome do réu. Ele veio me trazer correndo e contou, displicentemente, que talvez tenha sido o oficial quem deixara, mas não lembrava muito bem.

Quando abri o envelope, estava lá uma nota de dez reais para ser entregue ao réu.

Fiquei com fama de sovina.
 

Postado por às 14:19
 

 
 
imagem de Paulo F.
Paulo F.

Do JT

Consultar SPC vale na hora de contratar

  • 23 de fevereiro de 2012 |
  • 23h12 |

Categoria: Empresas, Trabalho

MARIÂNGELA GALLUCCI
GISELE TAMAMAR

Uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu o direito de uma empresa consultar os serviços de proteção ao crédito antes de contratar seus funcionários. O TST rejeitou um recurso do Ministério Público (MP) do Trabalho em Sergipe que tinha o objetivo de impedir as pesquisas pela G.Barbosa Comercial Ltda, de Aracaju. Para o MP, a conduta da empresa era discriminatória e havia um dano moral coletivo. A decisão, divulgada ontem, é do dia 8 e ainda cabe recurso.

Tomada pelos ministros que compõem a 2ª Turma do TST, a decisão vale só para o caso específico da G.Barbosa. No entanto, abre precedente para outros processos semelhantes que envolvam a consulta por empregadores de entidades como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), a Serasa, órgãos policiais e do Poder Judiciário antes da contratação.

A origem da disputa judicial foi uma denúncia anônima feita em 2002 segundo a qual a empresa teria praticado discriminação ao não contratar pessoas com pendências no SPC. Um inquérito foi aberto. Na audiência, a empresa recusou-se a assinar um termo de compromisso de que não faria mais a pesquisa. Diante desse fato, o Ministério Público protocolou uma ação no Judiciário.

Na Justiça de 1ª Instância foi determinado à empresa que deixasse de fazer as consultas sob pena de multa de R$ 10 mil para cada pesquisa realizada, além do pagamento de indenização de R$ 200 mil por dano moral coletivo. A G.Barbosa recorreu ao TRT argumentando que não havia discriminação. Ao julgar o recurso, o tribunal ressaltou que a administração pública e o próprio processo seletivo do MP fazem exigências em relação à conduta de candidato a postos de trabalho. Os magistrados do TRT concluíram que no caso não ocorreu a discriminação que é proibida pela Constituição e está relacionada a condições pessoais, como sexo e etnia.

Já no TST, o relator do recurso, ministro Renato de Lacerda Paiva, afirmou que os cadastros consultados pela empresa são públicos e de acesso irrestrito. Segundo ele, o empregador tem direito de apurar a conduta do candidato à vaga oferecida na empresa.

“Se a administração pública, em praticamente todos os processos seletivos que faz, exige dos candidatos, além do conhecimento técnico, inúmeros comprovantes de boa conduta e reputação, não há como vedar ao empregador o acesso a cadastros públicos como mais um mecanismo de melhor selecionar candidatos às suas vagas de emprego”, disse o relator.

Na avaliação de Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, professor de direito e processo trabalhista da Pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), a consulta dos serviços de proteção ao crédito no processo de seleção precisa ser amadurecida.

Isso porque muitas vezes o profissional desempregado está com o “nome sujo” por justamente estar sem emprego. “O profissional vai procurar um emprego e não consegue uma recolocação por causa dessa situação. Não é o fato do seu nome constar nos cadastros que ele tem uma índole duvidosa. Ainda haverá muita discussão em torno do assunto.”

 
 
imagem de wilson yoshio.blogspot
wilson yoshio.blogspot

de O GLOBO

Enviado por Graça Magalhães-Ruether-23.02.2012|15h55m

Merkel pede perdão por crimes dos neonazistas

Mais de 21 anos depois da reunificação, os cargos mais importantes do país são ocupados por dois políticos da extinta República Democrática Alemã (RDA). Depois da chanceler federal Angela Merkel, de 58 anos, da União Democrata Cristã (CDU), que governa o país desde 2005, o ex-pastor protestante e ativista de direitos humanos Joachim Gauck, de 72 anos, acaba de ser indicado o candidato dos partidos do governo e da oposição para a Presidência.

Gauck será confirmado presidente, em sucessão a Christian Wulff - forçado a renunciar sob a suspeita de corrupção - no próximo dia 18. Mas não só os dois políticos chamam a atenção como uma herança do passado alemão. Há também os neonazistas, que começaram a cometer atos de violência contra imigrantes logo depois da reunificação.

Ao som da música de Johann Sebastian Bach, os alemães lembraram hoje as dez vítimas da célula terrorista nacional-socialista de Zwickau, que entre 2000 e 2007 matou nove imigrantes turcos e gregos e uma policial alemã. Ao falar para os parentes das vítimas, Merkel pediu perdão pelos crimes dos neonazistas e chamou a série de homicídios de uma “vergonha para a Alemanha”.

Segundo Semiya Simsek, filha de um turco que foi assassinado pelos terroristas em 2000, o pior para os parentes foi ter suportado a perda e a desconfiança da polícia, que no início interpretou a série de homicídios como uma ação da máfia da minoria estrangeira.

 
 
imagem de wilson yoshio.blogspot
wilson yoshio.blogspot

do Jornal da Tarde

Turismo gay elege São Paulo como rota

Categoria: Turismo

FABIANO NUNES

Uma pesquisa feita pelo portal GayCitiescom, em parceria com a empresa de linhas aéreas American Airlines, apontou São Paulo como um dos melhores destinos gay friendly (receptivo ao público LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do mundo. A capital paulista aparece em quarto lugar, com 6% dos votos. Tel Aviv (43%), em Israel, ficou no topo da lista; Nova York (14%), nos Estados Unidos, ficou em segundo. Em seguida vem Toronto (7%), no Canadá. Madri e Londres ficaram em quinto lugar, com 5%.

A pesquisa também avaliou outros oito quesitos, entre eles melhor gastronomia, moda e vida noturna. São Paulo foi citada novamente no item Cidade do Orgulho Gay. Ficou em segundo lugar com 12%, atrás de São Francisco, nos Estados Unidos, que liderou a lista, com 29% das citações.

Para Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, o evento, que este ano terá sua 16ª edição, teve grande importância para a cidade ganhar esse destaque. “Além de trazer um grande número de turistas, a parada fez a cidade discutir um tratamento igualitário para a questão da homossexualidade”, comentou. “O ramo da hotelaria e de alimentação se preparam cada vez melhor para receber esse público. Só no ano passado, cerca de 4 milhões de pessoas estiveram na Paulista para acompanhar o evento.”

Segundo pesquisa do Observatório do Turismo da Cidade feito pela SPTuris, 49,8% dos participantes vieram de outros Estados e 2,1% são estrangeiros. Boa parte dos turistas de outros países, de acordo com a pesquisa, são dos Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul e Itália. “A Parada Gay é um dos grandes eventos da cidade. A semana em que ela ocorre é quando as casas noturnas voltadas a esse público registram seu maior movimento. Isso deve ter influenciado na pesquisa”, disse o presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT.

Estima-se que durante a Parada estiveram em São Paulo cerca de 400 mil turistas. A Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), acredita que o roteiro cultural de São Paulo também é um dos grandes atrativos. “A cidade é repleta de museus, teatros e cinemas. E o público gay tem uma ligação forte com essa vida cultural”, observou Douglas Magri, diretor financeiro da entidade. Ele citou algumas atrações para o público LGBT em São Paulo.

A pesquisa feita pela SPTuris, com o público da parada LGBT 2011, mostra que os turistas gays são atraídos principalmente pelo entretenimento e pelas compras. E apesar de São Paulo ainda não oferecer hotel exclusivo para o segmento LGBT, os participantes avaliaram que a rede hoteleira está bem preparada para recebê-los.

 
 
imagem de wilson yoshio.blogspot
wilson yoshio.blogspot

do Extra

Publicado em 22/02/12 13:12 Atualizado em 22/02/12 21:06   Lei dá desconto de 50% na conta do telefone para quem é gago

Arquivo. Arquivo. Foto: Agência O Globo / Agência O Globo

Extra OnlineTamanho do texto A A A

Os problemas que os gagos enfrentam para falar ao telefone fez com que o Estado do Mato Grosso do Sul criasse uma lei inusitada. Desde 2009, as operadores são obrigadas a dar um desconto de 50% nas tarifas de telefone celular para quem sofre desse problema. A questão é que a regra, que foi apelidada de "Lei do Gago" não agradou nem um pouco as operadoras de telefonia, que estão com uma ação na Justiça para que ela pare de ser seguida.

 

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, as empresas reclamam da dificuldade de fiscalização desse tipo de benefício. O texto da lei determina que é preciso apresentar uma avaliação feita por um fonoaudiólogo para comprovar a gagueira e também que as operadores devem instalar bloqueadores para evitar o uso indevido por outras pessoas, mas as operadoras dizem que é impossível fiscalizar o uso do telefone.

 

Segundo dados da Associação Brasileira de Gagueira, há cerca de 2 milhões de gagos no país, sendo 20 mil em Mato Grosso do Sul.


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/economia/lei-da-desconto-de-50-na-conta-do-telefone-para-quem-gago-4042526.html#ixzz1nGU7ToS4

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!