Caso Bezerra: a arte de desinformar, por Miguel do Rosário

Do Blog O Cafezinho

Viva Petrolina!

8 January 2012 0 comentários

Houve tempo em que a imprensa era uma instituição vinculada à cultura do esclarecimento. Hoje é o contrário. Quanto mais eu estudo os imbróglios midiáticos envolvendo o ministério da Integração Nacional, mais eu fico estupefato com o volume de desinformação disseminado.

O Ministério da Integração Nacional foi criado em 2001, pelo governo Fernando Henrique Cardoso, e tem uma história intimamente ligada ao Nordeste. A eles são vinculadas as principais autarquias e estatais da região: a Sudene, a Dnocs e a Codevasf. Na verdade, ele foi criado para compensar, em parte ao menos, a traumática extinção da Sudene no apagar das luzes do governo FHC, depois ressuscitada no início da gestão Lula. A Integração cuida ainda das obras de transposição do São Francisco, o maior empreendimento de engenharia da história do Nordeste.

Desde sua criação, todos os seus titulares são políticos nordestinos.

A concentração de recursos em áreas nordestinas, portanto, é algo normal para o Ministério da Integração Nacional, já que é lá que suas autarquias atuam e onde está instalada a maior parte da sua infra-estrutura física e humana.

A razão conceitual desse “privilégio” gozado pelo Nordeste se dá porque falamos da região que apresenta os maiores índices de pobreza e subdesenvolvimento econômico. E uma verdadeira “integração nacional” só poderia acontecer a partir da redução das desigualdades regionais.

Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto que devemos analisar é se os titulares privilegiam as suas bases eleitorais. Bem, eu imagino que isso deva acontecer, mas não interpreto a coisa da forma mesquinha como faz a mídia, que mais uma vez procura criminalizar a política.

Fernando Bezerra só é ministro hoje por causa de sua força política, ou seja, por causa de seus votos. Então ele tem uma dívida de gratidão com sua base eleitoral. Isso é um fato. O mínimo que se espera é que o ministro tenha o máximo de boa vontade em relação aos projetos que visam minimizar o sofrimento da população que votou nele. Isso não é falta de ética. É humano. É política.

Entretanto, não temos nenhum privilégio escandaloso aqui, visto que o Ministério da Integração Nacional tem direcionado verbas para todos os Estados.

O que a imprensa descobriu é que, num dos muitos programas tocados pelo ministério, a maioria das verbas foi consumida para execução de duas obras de barragem em Pernambuco. Em junho de 2010, aconteceram trágicas enchentes no estado, que matou muita gente, desabrigou centenas de milhares de pessoas, e afetou severamente uma região já frágil economicamente. Houve, naturalmente, uma grande mobilização política, e foram encaminhados e aprovados projetos para viabilizar obras que evitariam problemas similares no futuro. O Ministério da Integração Nacional usou, então, 25 dos 28 milhões de um de seus programas temáticos, para patrocinar parte dos trabalhos. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, entrou com o resto da verba.

No início de 2011, houve uma tragédia climática no Rio de Janeiro ainda maior. Novamente, houve grande mobilização política. O ministério da Integração Nacional alocou, então, R$ 300 milhões, de outro programa. Outros ministérios entraram em ação. A Caixa aumentou os recursos do programa Minha Casa Minha Vida para a região. Alguém verificou que o diretor da Caixa que fez isso é fluminense? Se o fosse, estaria privilegiando o Rio?

Como vem acontecendo em “crises políticas” similares, a imprensa mobiliza seus exércitos para fuçar tudo que envolve o ministro. Aí descobriu-se que seu irmão é diretor da Codevasf, uma das estatais ligadas ao Ministério. Outro escândalo. Acontece que o irmão do ministro, Clementino Coelho, está na diretoria da empresa desde o governo Lula, e sua nomeação para a presidência seguiu um procedimento interno legal, por ser o diretor mais antigo.

Eu sou contra o nepotismo, e me incomoda ver, orbitando ao redor de um mesmo ministério, mais de um membro da família. Mas esse tipo de coisa acontece, ainda mais no Nordeste, onde ainda existe a tradição de famílias inteiras dedicando-se a carreita política. Não é ilegal. Se as coisas seguem os trâmites corretos, não tem nada demais. Grandes homens públicos, como Joaquim Nabuco, só entraram na política porque pertenciam a clãs enraizados na direção do Estado brasileiro. A direita de hoje, aliás, é o maior exemplo de nepotismo político. Rodrigo Maia, ACM Neto, Covas Neto, estão por aí para provar isso. Mas esse é um nepotismo lícito, do ponto-de-vista constitucional, político ou moral. Se o cara é desonesto ou incompetente, tanto faz se é filhinho-de-papai ou não.

Daí temos mais um problema. O filho do ministro é o deputado Fernando Coelho Filho, que já está em sua segunda legislatura. Tivemos aí uma dessas infelizes coincidências, que são negativas para o país, mas às vezes benéficas para a região natal do clã, se seus membros pertencem àquela espécie de políticos que não esquece as suas origens.

Sim, porque é engraçado. Durante toda a minha vida, eu ouvi as pessoas amaldiçoarem os políticos porque eles “esqueciam” suas promessas depois de eleitos. Agora, eu escuto as pessoas amaldiçoarem os políticos porque eles cumprem as suas promessas. Ou seja, o fato da família Coelho se empenhar em aprovar obras que ajudam a minimizar a seca de sua região se torna um escândalo.

Eu pesquisei o sistema Siga, do Senado Federal, para checar se o Ministério de Integração Nacional realmente beneficiou o filho do titular. Li também a nota do Ministério. Hoje em dia é terrivelmente difícil se informar corretamente.

O deputado Coelho Filho explicou que apresenta emendas ao orçamento da Integração Nacional desde o exercício de 2009: “antes, portanto, da entrada do pai no ministério”, o que ocorreu em janeiro de 2011. E que, “nas gestões anteriores, teve melhor execução de emendas”. Alguém foi conferir a afirmação do garoto? Eu fui. Voltei ao Siga e vi que, em 2010, quando seu pai não era ministro, ele teve 100% de um total de R$ 5,2 milhões aprovados, relativos a uma emenda destinada igualmente ao Codevasf.

É preciso contextualizar e esclarecer. Cada deputado federal tem permissão para encaminhar emendas aos ministérios no valor total de R$ 13 milhões. Tirante essa restrição do valor máximo, eles tem liberdade para escolher o destino dos valores. É uma regra democrática e constitucional que valoriza o mandato parlamentar. Os deputados do Nordeste costumam encaminhar boa parte desses valores ao ministério de Integração Nacional, por causa da já supra-dita relação desta pasta com a região. Os R$ 9 milhões encaminhados pelo deputado Coelho Filho ao ministério presidido por seu pai, portanto, estão dentro da normalidade. Deputados que encaminharam emendas de valor menor à Integração, fizeram-no porque decidiram trabalhar com outras pastas, não porque foram discriminados. No total, todo mundo tem seus R$ 13 milhões aprovados, embora o pagamento efetivo desses recursos muitas vezes demore até mais de 2 anos para ser efetivado.

Mesmo assim, o relatório Siga mostra que inúmeros outros parlamentares tiveram emendas de valor maior aprovado pelo Ministério.  A Folha diz que “sete parlamentares tinha emendas em valor maior do que o apresentado por ele. Contudo nenhum teve liberações acima da registrada para o filho do ministro”.  Bem, eu também examinei o Siga, e descobri, por exemplo, que o deputado Givaldo Carimbão, do PSB de Alagoas, teve uma emenda aprovada no valor de R$ 9,1 milhões em 2011, para um projeto orçado em R$ 13,6 milhões, dos quais exatamente R$ 10,24 milhões foram empenhados. 

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25 comentários
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motoboy

houve um tempo que você e mais um monte de gente acreditava mas hoje pelo menos parece que você acordou, meio tarde mas acordou mesmo porque nunca é tarde portanto arregaça as  manga ai meu.

 
 
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Louzada

O Miguel é 10

 
 
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Adamastor

Por outro lado,

 

A fabulosa doação PESSOAL de R$ 8,25 milhões da socialite para o PSDB! Mensalão do DEM aparece na parada.   http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2010/resumoReceitasByComite.action
(necessário informar o nome da milionária no formulário)
Ana Maria Baeta Valadares Gontijo doou R$ 8 milhões e 250 mil para a campanha tucana de 2010, como PESSOA FÍSICA.
 O valor é comparável a doações de grandes bancos e grandes empreiteiras.

É o recorde entre as pessoas físicas. A lei diz que as pessoas físicas podem doar no máximo 10% de seu rendimento bruto no ano anterior. Significa que ela precisa ter ganho perto de R$ 7 milhões por mês de salário ou renda em 2009 (pelo menos R$ 82,5 milhões de renda anual).

Se o Brasil é capitalista, o dinheiro é dela e a lei permite, ninguém teria nada a ver com isso, ok? Não teria, se seu marido José Celso Valadares Gontijo não tivesse sido gravado por Durval Barbosa entregando pacotes de dinheiro, no mensalão do DEM (Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal).


 Ana Maria Baeta Valadares Gontijo e José Celso Valadares Gontijo, nos salões da alta sociedade brasiliense. O relatório da CPI sobre o mensalão do DEM, feita na Câmara Legislativa do Distrito Federal, dedica um tópico inteiro ao marido da milionária doadora de campanha tucana.

A íntegra deste tópico pode ser lida aqui (arquivo em PDF, 4 páginas).

Chama atenção a parte deste relatório que trata de uma de sua empresas, de telemarketing:

O Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO figura ainda como proprietario da empresa CALL TECNOLOGIA E SERVICOS LTDA., de CNPJ no 05003257/0001-10, empresa citada no  Inquérito n° 650/STJ como financiadora do esquema de corrupção, e que possui contratos com a CODEPLAN e o DEFRAN, totalìzando repasses no valor de R$ 109.347.709,17 (cento e nove milhões, trezentos e quarenta e sete milhões, setecentos e nove reais e dezessete centavos) entre os anos de 2000 a 2010. O Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO aparece em gravação feita pelo Sr. DURVAL BARBOSA, entregando-lhe dois pacotes contendo diversas notas de R$ 100,00 (cem reais). Esse vídeo compõe o inquério nº 650/STJ e foi gravado na gestão do governador José Roberto Arruda, conforme foto do ex­governador disposta na parede oposta da gravação. Segundo o Sr. DURVAL BARBOSA, esse encontro ocorreu no dìa 21 de outubro de 2009 na Secretaria de Assuntos Institucionais (v. 4, p. 528). Ainda segundo o declarante esse encontro tinha como objetivo fazer um “acerto" do recurso arrecadado como propina de um contrato com a empresa CALL TECNOLOGIA E SERVICOS LTDA. (v. 4, p. 529). A propina era entregue diretamente pelo Sr. JOSÉ CELSO GONTIJO, por seus funcionarios, e em uma ocasião peio Sr. LUIS PAULO DA COSTA SAMPAIO. Ressalta ainda o delator que essa propina era paga desde o governo passado, equivalendo a um percentual entre 7% (sete por cento) e 8% (oito por cento) do total pago à empresa, já descontado o valor dos impostos. Esse dinheiro era inclusive arrecadado à época da campanha do Sr. JOSÉ ROBERTO ARRUDA ao governo do DF.
Relações perigosas

Meses antes do mensalão do DEM vir a público, a NaMariaNews já mostrava o fato da empresa citada ter conquistado um contrato  milionário com a Prefeitura de São Paulo, em abril de 2006 (no apagar das luzes da gestão tucana de José Serra antes de passar a faixa ao vice Gilberto Kassab). Em abril de 2009, a CALL TECNOLOGIA conquistou outro contrato, desta vez com o governo estadual de São Paulo, mas o governador era o mesmo José Serra, que era prefeito em 2006, e o mesmo que foi candidato a presidente em 2010 do partido que recebeu os R$ 8,25 milhões da mulher do dono da CALL.

Não é preciso fazer ilações para o leitor perceber o mau cheiro que exala desse sistema de financiamento privado de campanha, e porque seus defensores são a mesma turma da privataria tucana: José Serra, FHC, Aécio Neves, Álvaro Dias, José Roberto Arruda, etc.

 
 
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maurobrasil

Ah se a mídia fosse imparcial e divulgasse também um pouco da corrupção demo-tucana...!!!???

 
 
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Lucinei

Jornalismo chacrinha: "eu vim pra confundir; não pra explicar".

 
 
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Rodney

Pequena ilustração:

José Celso e dono da JC Gontijo que, além de ter conseguido autorização extraordinária para construir um megaempreendimento imobiliário com mais de 20 prédios de alto padrão nos fundos do ParkShopping em Brasília, ainda obteve autorização extraordinária para contruir a Superquadra Brasília, com mais uns 15 prédios às margens da rodovia EPTG, ampliada e reformada por Arruda (deu início, não concluiu pois foi preso) após o início das obras, valorizando-os estupidamente. tudo isso no Governo Arruda.

Também foi o construtor da 3a Ponte de Brasília, a Ponte JK, orçada inicialmente em ¨0 milhões, custou mais de 200 milhões. O aumento do custo foi devido à problemas inesperados com a fundação, ou seja, inauditável. Construída por Joaquim Roriz.

Lembrando, Arruda foi Secretário de Obras de Roriz antes de se tornar senador e ser flagrado bisbilhotando o painel de votações do Senado.

Tem muita coisa pra fuçar aí.

 
 
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M Thereza

Você não sabia que a "casa grande" pode fazer essas coisas? E qual o trabalho da dona gontijo, para ganhar 7 mi/mes, além de ser casada com o "seu" gontijo? Não seria ele que teria que fazer a tal doação?

Em tempo: ótimo artigo e desinformar está se transformando numa arte. Pena (para eles) que cada vez menos considerada... Bom pra nós.

 
 
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José Antônio Araújo

O que o Miguel fez acima deveria ser um dos princípios mais comezinhos, mais elementares, que a mídia deveria fazer, porém não faz: investigar. Claro que é proposital, pois se trata de desinformar e não de informar. É assim que ela entende que deve ser. É uma questão de caráter, de desvio de conduta. Não sei se lamento, ou se torço para que a cada dia ela se desmoralize mais e mais agindo dessa forma. Mas, pelo meu caráter e pela minha formação, eu lamento, como lamento uma má conduta de um policial, mas admiro a sua profissão; lamento a falta de ética de um médico, mas admiro a medicina; lamento o desvio de conduta de um presbítero, mas sei da importância das religiões para um povo sofrido; lamento a má conduta de um psicanalista, pelo mal que pode fazer a um sujeito, pois se havia uma resistência, essa só fez aumentar pelo mau manejo causado; lamento por todos aqueles que não valorizam as éticas próprias de suas profissões.

Parabéns mais uma vez ao Miguel do Rosário, exemplo raro do que é ser um jornalista. Obrigado Miguel!!!

Um abraço,

 

José Antônio

 
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José Maia

Há uma outra questão que ninguém falou ainda. Não para planejar, contratar, executar e pagar obras desse tipo de um ano para o outro. Como o desastre em PE foi em 2010, houve tempo para preparar projetos e executar obras. Os desastres no Rio e SC foram em 2011, logo seria natural que tivesse havido mais investimento em PE (embora, parece que não seja esse o caso). Ou seja, trata-se mesmo de ''desinformação interessada''.

 
 
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Jandui Tupinambás

Quem iremos responsabilizar no futuro próximo quando a grande imprensa estiver totalmente desmoralizada? Será que já não passou da hora de enquadrar essa turma com uma lei semelhante à lei da imprensa argentina? A imprensa é uma instituição que precisa ser preservada e o governo está se omitindo. Pena.

Enquanto isto, os porcos (pig)  estão se chafurdando na lama.

 
 
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Luis Jose Ariosto Pereira Silv ...

APÔIADO!!!!!!! não podemos deixar o PIG sujar o nome da IMPRENSA, dessa forma, temos que fazer algo, tem que agir para impedir que a imprensa seja destruída pela irresponsabilidade de poucos, por isso o gôverno precisa agir, não pode deixar de interver nesses orgãos irresponsáveis, do PIG, que querem apenas apôiar um golpe contra o gôverno de seu próprio país, ok

 
 
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Luis Jose Ariosto Pereira Silv ...

Depois de 500 anos de exploração, eh mais do que hora, do NORDESTE ganhar mais do gôverno federal, chega de ficar pegando as migalhas de SAMPA, que sempre foi previlegiado, temos mesmo eh que permitir, o desenvolvimento do NORDESTE, e não fazer como era até O PRIMEIRO NORDESTINO CHEGAR A PRESIDENCIA, o mesmo sendo o presidente LULA, que era dar dinheiro para SAMPA e deixar os outros estados sem nada, agora o jôgo inverteu, por isso os paulistas ficam instigando o golpe, ok

 
 
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Ritinha

Ariosto,

Então faz 500 anos que SAMPA "recebe" dinheiro?  Acho que você precisa melhorar o seu conhecimento histórico, além de precisar melhorar este teu lado tão amargo. Tem muitos nordestinos que moram em São Paulo, aliás, meu pais foi um deles. Em tempo... Lula é nordestino sim, mas ele virou o Lula que tanto gosta em SAMPA.

 
 
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flaviolmjunior

Desculpe fora de contexto, mas achei interessante demais para esperar o fora de pauta.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/markweisbrot/1029516-apelo-ao-brasi... - só para assinantes

http://planobrasil.com/2012/01/05/o-brasil-precisa-frear-os-eua/ - reproduzido abaixo do Planobrasil.com

 

Colunista do New York Times pede ajuda ao Brasil para conter imbecilidade dos EUAPor Mark Weisbrot - economista, co-diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, de Washington, e destacado colunista do New York Times e do inglês The Guardian.Título original: O Brasil precisa frear os EUA

É como se não tivessem aprendido nada com as mentiras e a sede imperial de poder que nos arrastaram para uma guerra assassina com o Iraque que consumiu trilhões de dólares. Na sexta, o conselho editorial do “New York Times” aplaudiu as ameaças militares dos EUA contra o Irã e pediu “pressão econômica máxima” contra o país.

E esse é o mais influente jornal “progressista” da América. A imprensa de direita, com um discurso de ódio que alcança milhões de pessoas por dia, é ainda pior.

O Irã vem reagindo com ameaças próprias de fechar o estreito de Hormuz -por onde passa um sexto do petróleo do mundo- se os EUA cortarem suas exportações de óleo. Não surpreende, já que o governo americano tenta estrangular economicamente o Irã. O enorme esforço diplomático e de propaganda internacional dos EUA pode não levar imediatamente a uma guerra -como foi o caso com a Guerra do Iraque, o timing de qualquer ataque será sujeito a considerações eleitorais.

O problema é que essas pessoas deitam as bases para uma guerra que ocorrerá quando o presidente decidir que convém. Quando essa hora chegar, é provável que seja tarde demais para impedir a guerra. Foi o que ocorreu no Iraque.

A marcha em direção à guerra acelera-se agora devido às eleições de 2012 nos EUA. A primária presidencial republicana é em sua maior parte um circo, com todos os candidatos, menos o libertário Ron Paul, lançando chamados por guerra e criticando Obama por não ser “suficientemente duro”. Como Obama tenta arrebatar votos dos republicanos, sua reação é mostrar-se o mais aguerrido possível sem de fato iniciar uma guerra real.

Enquanto isso, o Congresso, com a Câmara controlada por republicanos e o Legislativo inteiro fortemente pelo lobby de Israel, soma mais pressão em favor da guerra.

Mas que ninguém se engane, imaginando que essa promoção da guerra em um ano eleitoral reflete a vontade dos eleitores americanos.

Os pré-candidatos republicanos estão competindo na primária pelos votos dos eleitores mais de direita, mais extremistas pró-guerra no mundo, e Obama os está seguindo.

E o lobby de Israel está seguindo o governo israelense de direita, pró-guerra. Mas dados de pesquisas indicam que, a despeito da lavagem cerebral diária, a imensa maioria dos americanos não deseja uma guerra com o Irã.

Como a mídia americana não reconhece a vontade da sociedade civil independente no que tange questões de política externa, a voz do povo americano passa sem ser ouvida. E não ajuda o fato de o governo americano ter usado sua influência na ONU para nomear um chefe submisso da Agência Internacional de Energia Atômica. Isso pode explicar a mudança recente de tom da agência, que adotou discurso mais aceitável pelo lado favorável à guerra.

Por isso tudo, apelamos ao Brasil e a outros governos que não querem essa guerra que nos ajudem a impedi-la. Quando, em maio de 2010, o Brasil e a Turquia propuseram um acordo de troca de combustível nuclear do Irã, isso funcionou como freio temporário da máquina de guerra. Precisamos de mais ajuda diplomática desse tipo. (By: Sintonia Fina)

Fonte: opensanti

 
 
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Ed Döer

Houve tempo em que a imprensa era uma instituição vinculada à cultura do esclarecimento.


Bom artigo, mas vejo um problema com essa afirmação que destaquei acima.


Quando a imprensa era assim?


Em que momento de fato as coisas mudaram?


Supondo, é claro, que realmente houve tal época dourada. Ou então tal frase de não passa de nostalgia inocente.


Pois considerando os editoriais e manchetes de 64 me parece difícil fazer tal afirmação sobre aquele momento histórico.

 
 
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ed.

O que mudou daqueles tempos pra cá foi o equilíbrio na pluralidade de informação e da opinião.

Havia jornais (rádios, revistas, etc.) de diferentes matizes, seja em lados opostos ou do mesmo lado. 

Além disso eles eram concorrentes!

Tentavam dar as notícias antes ou diferentemente dos outros...

Se pudessem, aproveitavam qualquer chance de detonar o concorrente.

Hoje, formam um "consórcio" de opinião, onde um levanta e todos chutam. A mesma bola!

Tirando a Carta Capital, de limitada tiragem (infelizmente) e algumas outras exceções (excluindo blogs), todas mercadologicamente menos relevantes, é como se tivéssemos um único grupo de mídia.

Não é a mera opinião editorial de um jornal ... é um "partido" mesmo. Assumido!

Como uma única marca e seus vários modelos e tipos.

Isto claramente mudou!...

Uma data genérica de início?

1964.

 

 
 
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Paulo Kautscher

A careta e a ética

Por Graça Lago em 03/01/2012 na edição 675

Para quê? Toda notícia que envolve crianças me emociona; toda agressão a crianças me ofende. Por isso, hoje estou profundamente triste. É que os jornalões e sites de notícias de hoje (29/12) dão destaque à foto de uma criança cuja face aparece distorcida em uma careta. Trata-se do filho do sr. Jader Barbalho. O flagrante tem um objetivo óbvio: atingir o pai do garoto, fazendo uma alusão ao comportamento do senador e da justiça que permitiu a sua posse.

Realmente, o destaque dado à foto não é porque o menino mostrou a língua para fotógrafos e cinegrafistas; há milhões de crianças fazendo a mesma careta pelo país afora, a cada minuto. Deve-se reconhecer que o objetivo da mídia foi plenamente atingido. Só que tem um porém: isso foi obtido à custa da imagem, da autoestima e da dignidade de uma criança de apenas nove anos. Porque, mais do que filho de fulano ou beltrano, trata-se de um menino, apenas um menino de nove anos, exposto ao ridículo, ao deboche e ao linchamento moral pelos principais órgãos de comunicação do Brasil. Cometeu o crime de ser filho de fulano e, em algum momento de um dia entediante, fez uma careta!

Mesmo que fosse um menor infrator, a nossa lei impede essa exposição. O tratamento dado ao menino fere a Constituição brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente. É um crime contra a infância perpetrado pela chamada grande imprensa, que submete essa criança a mais do que prováveis danos morais e psicológicos. É bullying, é abuso. Como esse menino será recebido no clube, nas rodas de amigos, na escola? Como enfrentará os coleguinhas? O que ouvirá deles? Os comentários espalhados na internet são de causar vergonha e medo. O menino é xingado de todas as formas; alguns pedem que seja surrado. Os pouquíssimos que tentam defender o garoto são igualmente insultados. Argumenta-se que o erro começou no pai, que não deveria ter levado a criança à cerimônia, que é pública, que... E, já que o pai errou, a imprensa e os comentaristas da internet têm é que lavar as mãos e aproveitar. E pau na criança! Esquecem que a proteção à infância é um dever de toda a sociedade; como em grande parte dos bichos, deveria ser um instinto natural porque é o nosso futuro. Triste é ver que perdemos a compaixão pelas crianças.

Triste é ver que a guerra política corrompeu os nossos melhores sentimentos. Triste é ver que, em nome de uma pauta, a grande imprensa manda às favas os seus códigos de ética, manuais de redação e propaladas políticas de responsabilidade social. A foto não teve qualquer valor para a notícia; não enfatizou ou acrescentou informação, não ajudou a entender melhor o fato, não piorou ou melhorou a imagem do senador. “Apenas” expôs uma criança. E nada, nem o mais alto ideal, justifica colocar em mais do que presumível risco o equilíbrio emocional de uma criança de apenas nove anos (Graça Lago éjornalista, Rio de Janeiro, RJ)

Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_careta_e_a_etica

Re: Caso Bezerra: a arte de desinformar, por Miguel do Rosário
 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

 
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JB Costa

Também fiquei revoltado com mais essa irresponsabilidade da imprensa. 

Nojento!

 
 
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Pedro Ivo

Não duvido nem um pouco que o próprio Jader Barbalho estimulou o menino a fazer as caretas que ele mesmo não poderia fazer.

Aliás, e ainda vindo do Jader, isso me pareceu claro.

Por qual outro motivo um homem público como Jader, após ter seu mandato ameaçado, iria expor o filho dessa forma?

Não era uma imagm tão inocente assim.

 
 
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josé adailton

"Houve tempo em que a imprensa era uma instituição vinculada à cultura do esclarecimento".

Cafezinho, você precisa conhecer melhor a história da imprensa.Estas definições definitivas são furadas.A imprensa sempre foi isso que vocês estão vendo.A imprensa da década 1950 era golpista contra Getúlio. A Folha de São Paulo, por exemplo, dizem que apoiou a "ditabranda" , mas  foi raivosamente chamada de petista na década de 1980, hoje ela é golpista  (segundo os simpatizantes do governo), e por aí vai.A propósito, estou pensando em ler os livros abaixo(fala sério!):

http://www.marketingpoliticoecia.com.br/multimidia/artigos/137-luis-felipe-miguel-unb-os-meios-de-comunicacao-e-a-pratica-politica

http://www.scielo.br/pdf/op/v10n1/20316.pdf

 
 
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esquiber

José,

É um erro nosso achar que a imprensa age assim somente nos dias hoje. Eu lí o livro Chatô o rei do Brasil, de Fernando Moraes e alí mostra um retrato acabado de como se utilizar um poderoso meio de comunicação para achacar, defender interesses escusos, perseguir pessoas por questões privadas, comezinhas, ter um exércitojornalistas sabujos a disposição para praticar os mais ignomiosos assassinatos de reputação e de gente poderosa, não só de cidadãos comuns, como Chatô tentou fazer com a família Matarazo. Na biografia de Nelson Rodrigues, por Ruy Castro, consta este trecho:

"Além disso, Nelson sabia muito bem que os jornais e os jornalistas só eram “objetivos e

imparciais” de araque.

O único jornalista objetivo e imparcial que conhecia era Otto Lara Resende, que,

numa disputa recente entre “O Globo” e o “Diário de Noticias” por causa de umas histórias

em quadrinhos, conseguira ver os dois lados da coisa. E só porque trabalhava nos dois

jornais. Chegava de manhã a “O Globo” e escrevia um editorial desancando o “Diário de

Notícias”. Saía dali, almoçava tranqüilamente no “Reis”, na avenida Almirante Barroso, ia

para o “Diário de Notícias” e respondia ao seu próprio editorial, desancando “O Globo”.

Otto jurava que não fazia isso, mas os amigos, entre os quais Nelson, atribuíam a negação

à sua modéstia mineira." PP 155

A imprensa brasileira no geral sempre foi um lixo. A imprensa americana não, veio a decad~encia na era Bush com surgimento de Mardok.

 

Os homens mais perigosos são aqueles que aparentam muita religiosidade, especialmente quando estão organizados e detêm posições de autoridade, contando com o profundo respeito do povo, o qual ignora seu sórdido jogo pelo poder nos bastidores. Alberto Ríve

 
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Fabio SP

"Na verdade, ele ( o ministério da integração nacional) foi criado para compensar, em parte ao menos, a traumática extinção da Sudene no apagar das luzes do governo FHC, depois ressuscitada no início da gestão Lula. "

Então porque quando ressuscitou a Sudene não extinguiu o Ministério?

 
 
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Anoimku

 Fabio SP. Se o pessoal do sudeste não tiveram força política para criar o seu próprio ministério, paciência.

 
 
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Laura K

Eu pesquisei o sistema Siga, do Senado Federal, para checar se o Ministério de Integração Nacional realmente beneficiou o filho do titular. Li também a nota do Ministério. Hoje em dia é terrivelmente difícil se informar corretamente.  

Seria cômico, se não fosse tragica essa afirmação.


 
 
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bahiaflaneur

Um dos primos do Bezerra que recebi 233.000 é dono da SBR/Aratu da Bahia. Foi pego pela PF para escravidao.
Ele é o irmao do Nilo Augusto Moraes Coelho, 71 anos, ex governador da Bahia (1989-1991), Esse Nilo recebi também 233.000 reais.

vejam aqui  o passado e o presente pesados da familia Coelho na Bahia:
 http://www.bahiaflaneur.net/blog2/2011/09/magnat-de-la-television-bahianaise-et-esclavagiste.html

Cordialmente

BF, em Salvador, 20h13, o dia 14/01/2012

 
 

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