"Carnaval perde essência para poder lucrar", diz Luiz Caldas

Por Assis Ribeiro

Fevereiro mês do carnaval. Uma boa reflexão do processo de aculturação de um movimento popular. 

Do Terra Magazine

Pai do Axé reconhece "culpa" e lança música contra apartheid

O Pai do Axé, Luiz Caldas, tornou-se um crítico da indústria do Carnaval baiano. Em sua nova música, composta em parceria com César Rasec, lamenta a "chuva de grana" por trás da organização dos foliões de Salvador em camarotes e blocos com abadás. Divisão que, no olhar do músico, arranca a espontaneidade da festa. "O Carnaval perde na essência para poder lucrar na parte financeira", lamenta em entrevista a Terra Magazine.

Saudoso de tempos em que não havia a "farda" que uniformiza os blocos, Caldas se vê como um dos responsáveis pelo mal que ataca. Sua música Fricote, que em 2010 comemorou 25 anos, é considerada o marco inicial do axé. O ritmo passou a embalar trios elétricos e foi o pano de fundo de um processo que tornou o Carnaval mais lucrativo para grandes empresas do entretenimento. Para o músico, tudo terminou por concentrar as atenções da festa em poucos artistas de visibilidade e excluir "profissionais que fazem Carnaval de uma forma tão brilhante".

- Eu tenho claro o meu quinhão de culpa nisso. Porque, afinal de contas, eu sou o criador do Axé Music. Antes de mim, era só o frevo. Eu dei uma música nova pra Bahia. E, claro, trouxe também as gravadoras pra os artistas daqui.

Com gravadoras ele não lida mais. Afirma que se recusou a "baixar a cabeça" e preferiu a liberdade de compor como quer e disponibilizar suas músicas na internet. Recentemente, lançou em seu site 130 músicas inéditas e pretende seguir trabalhando até que 280 canções estejam no ar.

Sobre a "culpa" pelo apartheid carnavalesco, acrescenta que nunca participou das mudanças na festa baiana.

- Eu toquei durante anos em blocos de graça. Eu tocava para o povo mesmo. Hoje em dia seria impossível alguém ir pro Carnaval tocar de graça, esse romantismo ficou lá atrás.

Em 2012, o cantor e compositor deve sair em um trio elétrico independente, ainda sem data para circular por Salvador.

Terra Magazine - O que motivou sua música sobre o apartheid no Carnaval? É uma canção de protesto?

Luiz Caldas - Eu e César Rasec, meu parceiro, começamos a ver a grande transformação que o Carnaval sofreu e vem sofrendo. Vai sofrer outras ainda, nada fica como está. Mas só que a mudança que houve no Carnaval foi muito mais pelo lado financeiro. Não pelo lado da arte, como foi nos anos passados. Antes a coisa modificava pelo jeito de as pessoas dançarem, pelo jeito das pessoas se fantasiarem. Mas de um tempo pra cá virou um grande negócio. E quem realmente criou o Carnaval está sendo deixado de lado. É o folião pipoca. Não chega a ser um protesto, é só um alerta. Não há necessidade de protestar porque eu não sou contra o comércio. Não sou contra ninguém ganhar grana. Mas você não precisa matar a galinha dos ovos de ouro. Porque, neste caso, a galinha dos ovos de ouro pra mim é a alegria, é a espontaneidade do Carnaval. Trocaram a fantasia que a pessoa fazia em casa - como era antigamente - por um pedaço de pano que é o abadá. Ficou todo mundo vestido igual, tipo uma farda. O Carnaval perde na essência para poder lucrar na parte financeira.

Sua música tem um diálogo do folião pipoca com o sujeito do camarote. Você acha que o folião pipoca pode acabar? Está diminuindo a participação do povo?

O Carnaval que mais tem participação popular mesmo é o de Pernambuco, que não modificou seu formato de deixar o folião ele mesmo cuidar da onda, do visual dele. O lance de você cuidar da sua música. Hoje o Carnaval de Salvador é legal, mas eu não consigo compreender muito bem o lance da música eletrônica em cima de um trio elétrico. Você pode ter uma música, mas daí a ter forró em cima do trio... Eu acho interessante quando uma banda que faz Carnaval toca uma música ou outra. Mas trazer assim é uma forma meio estranha. Você acaba tirando profissionais que fazem Carnaval de uma forma tão brilhante.

Você acha que o Carnaval de Salvador deixou de ser espontâneo?

Deixou e está deixando de uma forma muito rápida. A gente tem que ter cuidado porque nossa música sempre teve uma carga de baianidade e negritude muito grande. Aos poucos, eu sinto que isso vem dando espaço pra música norte-americana, com Beyoncé e várias outras. Muitos artistas nossos estão levando por esse lado. Acho que é muito melhor primeiro a gente se preocupar com a música e depois com a coreografia, essas coisas. Porque quem vai dançar mesmo é o povo.

Você faz essa crítica de o Carnaval estar mudando muito e por razões financeiras. Você não acha que também é um dos pais dessa mudança? Com Fricote e o surgimento do Axé, não foi quando a coisa passou a ser mercantilizada de uma certa forma?

Sim, eu tenho claro o meu quinhão de culpa nisso. Porque, afinal de contas, eu sou o criador do Axé Music. Antes de mim, era só o frevo. Era esse Carnaval que estou dizendo. E quando eu cheguei o Carnaval ficou mais democrático musicalmente. Eu vim do baile, por isso que criei o axé. Porque eu queria poder tocar de vez em quando um rock, um samba. E o trio elétrico era basicamente frevo. A gente tinha nossa invenção genuinamente baiana, o trio elétrico, mas utilizava música de outro Estado. Eu dei uma música nova pra Bahia. E, claro, trouxe também as gravadoras pra os artistas daqui. Mas se você for olhar a mudança do Carnaval, eu não participei. Porque eu toquei durante anos em blocos de graça. Eu tocava para o povo mesmo. Hoje em dia seria impossível alguém ir pro Carnaval tocar de graça, esse romantismo ficou lá atrás.

Você também jamais poderia prever isso, não?

É impossível prever esse tipo de coisa. Hoje em dia algumas pessoas fazem esse tipo de trabalho querendo prever no que vai dar, mas não dura. Não serve pra uma carreira, vira um cometa que passa e tchau. Então, é muito difícil pensar isso e encarar o meu trabalho. Pensei sempre em ter uma carreira longa com música. Por esse motivo, nunca baixei minha cabeça em reuniões com gravadoras. Já quiseram modificar o meu estilo, mas eu não podia fazer isso. Eu carregava ali a música da Bahia. Depois de Caetano, Gil, Gal e Bethânia, eu era o grande representante. Graças a Deus eu consegui bater o pé sempre e fazer com que a minha carreira... Poxa, estou fazendo quase 42 anos de música já.

Como você está vendo a construção de um camarote numa praça pública de Salvador? (A obra na orla do bairro de Ondina foi alvo de protestos organizados pela internet contra o prefeito João Henrique).

Eu sou totalmente contra usar qualquer espaço público e torná-lo privado. A praça é do povo. Quem quiser fazer seu camarote, que pegue um lugar fechado, alugue e faça. Usar a ferramenta que o povo tem, a praça, acho uma loucura. Já está tudo apertadinho aqui.

Como vai ser o seu Carnaval este ano?

Estamos homenageando Jorge Amado este ano. E eu faço parte desse universo dele através da novela Tieta, da música. Então, com certeza vou cantar Tieta em homenagem a Jorge Amado num trio independente por aqui. Toco aqui uns três dias, na Barra e no Campo Grande, e depois viajo pra Pernambuco e Rio Grande do Norte.

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25 comentários
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Fuhgeddaboudit™

Prezado irmão Assis,

Carioca que sou, até, hoje, quase 50 anos depois, não consegui esquecer o melhor e mais puro som de um desfile de Escolas de Samba, no Rio., que já ouvi em toda minha vida, quando na Av. Presidente Vargas (no pós-Praça XI).

A acústica formada pela barreira de prédios, da mesma altura, em ambos os lados, ajudado por uma distância, perfeita, na largura perfeita, criavam um clima de apoteose paradisíaca. Não havia Carros de Som, nem a parafernália de recursos tecnológicos de hoje. E, o povo, assistia de poucas arquibancadas e das calçadas e nas pistas da larga avenida. Muitos levavam banquinhos e caixotes de madeira para melhor assistir. E, assim, assisti o Salgueiro, em 1963, faturar com Xica da Silva. Uma lembrança inesquecível.   

“Mar Vermelho e Branco”

Texto de Cláudio Vieira (http://www.salgueiro.com.br/s2008/AR.asp?T1=AR2762)

O desfile estava meio morno até o momento em que o Salgueiro começou a despontar na avenida. Passavam poucos minutos das cinco da manhã. O sol dava os primeiros tons laranjas, recortando a silhueta da igreja. Era um mar vermelho e branco que , lentamente, ia preenchendo o espaço da avenida. O samba de Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho, consagrado no envelope aberto por Arlindo, saía da voz das pastoras para o coração do público, que se emocionava. Apesar / de não possuir grande beleza / Xica da Silva / surgiu no seio / da mais alta nobreza / O contratador / João Fernandes de Oliveira / a comprou / para ser a sua companheira / E a mulata que era escrava / sentiu forte transformação / trocando o gemido da senzala / Pela fidalguia do salão.

O próprio Noel Rosa de Oliveira puxava o samba. Com 200 homens, a bateria sacudia o povo das arquibancadas. Cerca de 2.300 componentes evoluíam com graça e emoção. O Salgueiro investira 40 milhões e 200 mil cruzeiros naquele desfile. Só a fantasia de Xica da Silva, usada por Isabel Valença, custara 1 milhão e 300 mil. A peruca, criação de Paulo Carias, media um metro e dez de altura, ornada de pérolas. A roupa tinha uma cauda de sete metros de comprimento e anáguas com armação de aço, quando o normal seria arame.

Xica seria representada pela atriz Zélia Hoffman, famosa vencedora de concursos de fantasias do Teatro Municipal. Mas, ao ver o figurino, desistiu, optando por fantasia mais leve. Osmar tinha pensado na atriz porque sua mulher, Isabel, primeiro destaque da escola, tinha feito obrigação para Iansã e Omulu, não podendo sair no carnaval. Devido à insistência de Arlindo, Isabel consultou seu pai-de-santo e este permitiu que fizesse nova obrigação. Foi assim que Isabel passou a ser conhecida como Xica da Silva.

Outro destaque do desfile foi a Ala dos Importantes, que representava 12 pares de nobres dançando polca em ritmo de samba, com coreografia de Mercedes Batista. Não faltou quem acusasse Arlindo e Mercedes de estarem violentando o samba. O povo, no entanto, aplaudia, delirava, sacudia as arquibancadas ao som da bateria comendada por Tião da Alda. O Salgueiro nunca estivera tão perto de um título.

Dia 1º de março, aniversário da cidade, a apuração apontou o Salgueiro como campeão, com 95 pontos, oito à frente da Mangueira, em segundo lugar. Ao contrário do que acontecera há 10 anos, quando desceu para protestar e formar nova escola, o Morro do Salgueiro agora descia para festejar, finalmente. A Praça Saenz Peña foi pequena para conter tanta alegria.

O carnaval carioca ganhava novo charme. Agora, além da força da Portela, da Mangueira e do Império Serrano, tinha uma escola que não era melhor, nem pior. Apenas diferente.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Assis Ribeiro

Funghe, grande irmão.

Descupe não ter lido e nem repondido antes o seu comentário.

É que estava tratando de explicar para os que não conhecem o carnaval de Salvador os motivos de Luiz Caldas.

Não dá para comparar o que está acontecendo em Salvador e o seu comentário. O carnaval de Salvador acompanha, aceita e incorpora outras tendências, como o próprio Luiz Caldas confessa.

O grande problema é que DJs., musica eletrônica, Beyoncé e outros não têm absolutamente nada com o carnaval do Brasil e de Salvador.

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

A boa entrevista com Luiz Caldas aborda temas preocupantes.

Quando ele fala que o carnaval de Salvador perde a espontaneidade, ele pontua o absurdo que é trio elétrico fazendo todos os dias de carnaval com música eletrônica, como acontece com um ou dois blocos de carnaval nos últimos anos. É também uma critica a artistas que trazem como atração artistas como Beyoncé e outros do mesmo naipe.

 

Assis Ribeiro

 
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Marcia

Amo  carnaval mas hoje  eu me  ausento. Carnaval em Salavador, para mim, acabou. Virou comércio e desfile de muita mediocridade.

O Carnaval de  Salvador,  dos meus tempos, era muito bom: Encontro de trios na  Praça Castro Alves, Dodô  e Osmar, Novos  Baianos, Caetano e Gil, Bloco do Jacú e Barão, os blocos  dos índios, etc...uma maravilha.

 

 
 
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Assis Ribeiro

Uma outra preocupação expressada é o carnaval ter se mercantilizado, travando o acesso do folião "povão" à folia.

Pesquisas demonstram que, no periodo momesco, chegam à Salvador em torno de 1.000.000 para mais de turistas, ao mesmo tempo que este mesmo número de habitantes fogem principalmente par cidades do interior.

Essa característica tem preocupado uma parcela da população e dos músicos, onde os primeiros cobraram que seus ídolos também tocassem para os "nativos" e alguns artristas atenderam a esse chamado, como foi nposto aqui no blog em um Post que circulou ontem:

O trio de Paulinho Boca

 

Assis Ribeiro

 
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Maria Lucia Zanetti

Assis, no carnaval de Salvador sempre houve violência. Hoje, até chegar nos blocos é uma verdadeira Àfrica. Assaltos, agressões etc. Após os desfiles, até chegar em casa... assaltos, agressõesetc. Graças a Deus, minhas filhas desistiram do carnaval  por mêdo! Muitas pessoas, "armam" verdadeiros esquemas para irem à folia. Acho demais!

 
 
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krishna

 

  Infelizmente o carnaval se mercantilizou por todos os lados.

  É quase tudo, ou tudo, negócio, alguém ganhando dinheiro, alguém da mais baixa vulgaridade aparecendo; a qualidade musical, a diversão sadia, a alegria sincera já foram para o brejo faz tempo.

  O importante é dar lucro, seja para hotéis, bares, cantores de músicas(?) horrorosas, televisões bregas, agências de turismo, donos de espetáculos sejam trios elétricos ou escolas, algumas vagabas profissas de baterias ou trios e demais vagabas, e ainda outros profissionais, todos a trabalho.

  O capitalismo tomou conta da ex-festa popular.

  Agora é só para quem pagar, seja comprando a fantasia de otário da escola ou o abadá de trouxa do trio, ambos caríssimos por sinal, quase tudo classe média branca que nem sabe sambar ou turista sem noção, pois são eles que pagam toda a conta.

  Ou pagam caro para assistir em condições precárias os desfiles, ao lado de camarotes de cervejarias cheias de "famosos".

  Deus me livre, e olha que não sou religioso.

  Para fingir ser uma festa popular, "dão" meia dúzia de trajes "para a comunidade".

  rsssss, me engana que gosto.

  Lógico senão as escolas não teriam percussão nem bahianas.

  É como disse ano passado a jornalista Rachel Sheherazade da TV Tambaú da Paraíba (ainda existem jornalistas corajosos):

  http://youtu.be/RS6oJ9t_0vo

  http://www.youtube.com/watch?v=RS6oJ9t_0vo

 

 
 
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Assis Ribeiro

A mercantilikzaão do carnaval de Salvador chega ao ponto da Prefeitura alugar espaçõs públicos, como praças e outros, para empresas particulares estorquirem parte da população que pode se permitir a este luxo e arrancar da população da sua própria cidade estes espaços, que friso são públicos.

Como a letra dizia, antigamente:

" A praça Castro Alves é do povo
   como o céu é do avião"..

Parece que robaram mais este direito do povo.

 

Assis Ribeiro

 
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Ana Cruzzeli

 Aqui o que a Conceição mostrou me assustou e já me assusta há muito tempo, a falta de democracia na rua. E principalmente no  Carnaval o tal das micares por Salvador e pelo Brasil.

http://mariafro.com/2012/02/03/racismo-e-democracia-racial-desenhados-para-os-cinicos-que-fingem-nao-saber-do-que-se-trata/

 

 
 
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Assis Ribeiro

APARTHEID DA ALEGRIA
(Luiz Caldas e César Rasec)

Chuva de grana, carnaval com capilé
A festa acabou sendo o que é
Estica e puxa na fila pra desfilar
E a pipoca já não brinca sem gastar

No apartheid da alegria
O trio que passa traz a massa
E no camarote, segurança e muito mimo de graça
Dentro do bloco a beijação não traz pirraça
Do outro lado o Pitt Bull só quer brocar
Não se volta no tempo sem respeito à praça
Careta agora é só pra se enfezar
Agora é o abadá, mortalha nunca mais
Pois quando tudo é free sempre se quer mais
E atrás de espaço fica o nobre cidadão
Maluco pra tirar o pé do chão

Ei você aí do camarote, toma uma aí por mim
Porque aqui embaixo é bico seco, agora é assim (bis)
Ei você que tá nessa pipoca, pula um pouco aí por mim
Porque dessa mordomia eu só vou sair no fim

 

Assis Ribeiro

 
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Leo PP

Sou paulista e nos últimos dois anos estive em PE. Sem dúvida que o Carnaval de Recife-Olinda é o mais democrático do país, e é claro, nada mais me agrada do que a mistura de frevo, maracatu e demais ritmos...


Parabéns povo pernambucano por manter intacto este patrimônio...


Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!

 
 
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Assis Ribeiro

Leo.

Ondei indiquei ao blog um artigo do muito bom carnaval de Pernambuco e que Nassif elevou à Post, Vale a pena:

O carnaval de Recife e Olinda

 

Assis Ribeiro

 
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Klaus

O carnaval dos blocos no RJ também é muito democrático! 

 
 
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IV AVATAR

Sobre as gravadoras, é um total absurdo o artista viver à mercê de tais empresas. Estas gravadoras é que deveriam trabalhar para os artistas, se colocar à disposição da criação, respeitar a liberdade de criar, mas não, predomina a lógica da grana.

Que bom se todos os cantores e cantoras pudessem, unidos, exigir respeito destas gravadoras.

Tive a oportunidade de ir a destes carnavais, fora de época, em goiânia, que seguem o padrão do carnaval da BA: Quando cheguei na portaria havia os fardados (abadás) e os não fardados, eu não estava fardado, fiquei no que eles chamam de pipoca. A pipoca é a classe baixa, a classe média ficava protegidas pelas cordas, os escravos puxando aquelas pesadas cordas para evitar a entrada de gente da classe E. A burguesia ficava no camarote.

Uma grande palhaçada, foi esta minha impressão disso que não chega a ser carnaval, tá mais prá pula pula

 
 
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Assis Ribeiro

Spin.

A integridade de Luiz Caldas é de se admirar.

Ele não permitiu ser pautado pelas gravadoras. Conheço a história de perto e confirmo.

 

Assis Ribeiro

 
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Vergetti

Desde que me entendo de gente brinco o carnaval. Há uns 20 anos atrás conseguia seguir as troças pelas ladeiras de Olinda durante toda a manhã e pedaços da tarde. Brincava sozinho, não gostava muito de companhia, pois não tinha tempo para avaliar, discutir que troça seguir. Frevos rasgados tocavam e a valsa seguia. Tinha um certo preconceito com os blocos de pau e corda, achava-os muito parados, passos curtos e músicas de evocação. O tempo passou e a idade me convocou para eles. Hoje, só o Trinca de As me leva às ladeiras de Olinda nos sábados de manhã, alí eu escuto os clarins me convidando a seguir as duas orquestras com quatro tubas indicando o caminho. No domingo, porém, o corpo parece um Judas malhado, já pede descanso e não aguenta mais outra manhã de sol. Os cinquentinhas incompletos pedem que aguarde a tarde noite para sair nos com blocos de pau e corda, os blocos líricos.

O destino de domingo a terça tomou, então, o rumo do Recife, as fantasias mais elaboradas e o encontro com os foliões e foliãs, amigos e amigas, virou a tônica. A cachaça virou uísque, a dobradinha e sarapatel do almoço foram trocados por petiscos bem interessantes regados no azeite... A transição foi feita sem traumas, nas ruas e ladeiras que ainda percorro. Ouço, é verdade, menos metais, mas nunca pensei que os bandolins, violões, clarinetes e percussão fossem tão bonitos, acho que saí ganhando. Meu carnaval continua maravilhoso, sempre melhor que o dos anos anteriores! 

 

Vergetti

 
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mello

Quando  falam  do  Carnaval  do  Rio  só  mencionam  as  escolas  de samba,  ignorando os  mais  de  400 blocos  que  manteem  a  alegria  do  carnaval  de  rua,  espalhados  por  toda  a cidade.  Sem  falar  nos  tradicionais,  como  o  Bola  Preta...

         Mas  correm  o  risco  de  serem  manietados  pelo  poder  público  ( que  deveria  se  limitar  a  coibir  os  excessos )  e  pelos  "empresários "  ( rádios  e  tv´s,  cervejarias...)  que querem  tomar  conta  e acabar  com  a  espontaneidade  dos  blocos...Torcer  para  não  prevalecerem..

 
 
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Assis Ribeiro

Os blocos do RJ são maravilhosos.

Nassif está dando oprtunidade para informações sobre o carnaval.

Você poderia trazer mais informações sobre essas "bandas".

 

Assis Ribeiro

 
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Vânia

Tenho postado algumas coisas no multimídia sobre o carnaval de rua do Rio. Hoje, foi o seguinte:

"O bloco Exalta Rei! ganhou as ruas da Urca no carnaval de 2009 com arranjos carnavalescos criados especialmente para as canções da majestade da MPB. Mesclando ritmos como samba, marcha-rancho, frevo, rock e funk, o grupo promoveu uma verdadeira serenata com batuque, em pela segunda-feira de carnaval, retribuindo as rosas do Rei com muito confete e serpentina."

Felizmente, os organizadores dos blocos de rua do rio, em sua maioria, são contra as cordas de isolamento e os "abadás". No Rio a festa é totalmente popular. Tem bloco para todos os gostos: samba, marchina,   rancho, entre outros gêneros. O Exalta Rei foi o primeiro bloco com essa vertente de homenagear artistas consagrados e adaptar seus sucessos para os ritmos carnavalescos. O bloco só desfilou um ano, em 2009, no bairro da Urca e terminou seu desfile em frente à mansão do Rei que até apareceu na sacada (ver final do primeiro vídeo). Porém... não desfilou mais. Os moradores do bairro jogaram pesado para barrar o desfile. A Urca é o bairro que abriga o militares de alta patente do Rio. A banda musical, no entanto, continuou se apresentando em casas de shows e festas carnavalescas (demais vídeos).

Depois surgiram outros blocos homenageando ou se inspirando em músicos e bandas que a princípio não têm nada a ver com o carnaval. Um dos blocos é o Sargento Pimenta (Beatles) e outro sai pela primeira vez este ano, o bloco do Wando, que, na verdade, já estava agendado antes do problema de saúde que acometeu o artista.

 

 
 
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Vânia

Sábado, dia 04, desfilou o "imprensa que eu gamo", bloco dos jornalistas. Abaixo reproduzo uma foto de um casal amigo.

Re: "Carnaval perde essência para poder lucrar", diz Luiz Caldas
 
 
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Klaus

Sem contar o encontro na Cobal que é muito legal!

 
 
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zanuja castelo branco

Convido a tds a participar do carnaval de Recife, Olinda e visitar a cidade de Bezerros com seus papangus. Pode brincar a vontade no meio dos blocos sem precisar pagar nada. Os blocos desfilm no chão junto com os foliões. 

 
 
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Humberto Cavalcanti

s/ "O carnaval de Recife e Olinda"
(título de post-matriz por Assis Lima uns dias atrás, de 4/fev.2012)

Subtítulo: "Fevereiro mês do carnaval, uma homenagem a Pernambuco e sua riqueza musical.

Do Pravda.ru

O carnaval multicultural de Recife e Olinda

Embaladas pelo frevo, as multidões vibram durante os cinco dias de folia de uma das festas populares mais famosas do Brasil"

Comento:

Aquele post matriz idealiza e não contextualiza (pelo menos vários aspectos ) dos mil, milhões... de turistas que chegam a Salvador, a Olinda e a Recife. Vende o carnaval popular que só sobrevive longe dos olhos da mídia e dos turistas.

Claro, o povo brinca e quer festa, qualquer que seja, mas, façamos justiça, não chamemos mais de carnaval popular, nem de carnaval multicultural (solgan da prefeitura já há algumas gestões). Até mesmo o conceito do que seja popular , no sentido mais rigoroso, antorpológico e sociológico, é polêmico e até negado por alguns antropólogos - ver em Peter Burke que se detém sobre os carnavais europeu e brasileiro, sua dinâmica, transformações, e também aborda a polêmica do "popular".

Aquele ´post-matriz' anterior, bem parecido com este sobre Salvador, tem um quê de bairrismo ou inocente ou interessado. O de Recife e Olinda são claramente puro marketing oficial ou oficialesco de um carnaval hoje comercialíssimo e que serve pra projetar equivocados que galgam, por um motivo ou por outro, as secretarias de cultura do Recife, as fundações de cultura, e assemelhados, com o vago e não men os polêmico conceito do que é multicultural, do que é multiculturalismo, e a descaracterização dos frevos-música e do frevos-dança (nas 3 modalidades).

Geraldo Azevedo já cantava há muito tempo que "Carnaval está morrendo, cadê meu carnaval?".

Claro, ainda há nichos, ainda há vestígios de carnaval e sua dança ("passos de dança" cuja riqueza se perdeu e se homogeneizou em simplórias caricaturas pra turista ver, ou que viu há 20, 30, 50 anos atrás !) e bairristas a se deslumbrarem pelo "resgate" da "cultura popular": válido e imprescindível é ver o que diz, dizia Valdemar de Oliveira, em "Frevo", pequeno grande artigo facilmente encontrado, p.ex., no Núcleo de Estudos Folclóricos Mário Souto Maior, da FUNDAJ -  Fundação Joaquim Nabuco de Ciências Sociais).

Inventaram-se os novos blocos líricos, e não deixam de merecer aplausos e encantamento, encantamento que logo se desvanece, nessas tentativas de "resgate" (como se fosse possível resgatar uma língua morta ),  - novamente, digo que é claro que há resquícios e que não saem na televisão, nem na imprensa, nem aqui - um ou outro desses novos blocos líricos preferiram se autodissolver ! ), mas, mesmo esses novos blocos líricos, atualizados, pela "dinâmica" das festas e de tudo que muda, mesmo assim, também estão se descaracterizando, surgindo outros, desconhecidos e quase desconhecidos (o que é bonito e um renascimento dos antigos BCM=blocos carnavalescos mistos - por serem compostos, como na sua origem,  por homens e mulheres da classe média, e não do povo, não do povão - daí uma pista de que nem sempre uma festa popular vem, nasce do povão, é como nascer da criança ou do rebelde que, lá no fundo, existe em todos nós - como diz Bakhtin, que recomendo, interessantíssimo e aprofundado, eruditíssimo, apesar de extenso, cansativo até, mais do que este meu comentário...).

Inventou-se também um novo tipo de frevo, nessa dinâmica, o "frevo de palco" (que é a negação da festa popular, também na análise de Bakhtin e o declínio dos carnavais como festa popular, na época burguesa, declínio, mas não morte).

Mas não deixa de ser uma festa. Festa, mas sem a rebeldia e liberdade, o sentido mais libertário dos antigos carnavais - no dizer de Antônio Maria numa bela crônica.

 

_____"Onde está o conhecimento que perdi na informação , e onde está a sabedoria que perdi no conhecimento?" . . . - T.S. Elliot , segundo um post lido num outro blog. ____________

 
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Rafael Bandino

Luiz Caldas esta de parabéns pela visão realista e antropologica do Carnaval de Rua.

Tudo isso vem acontecendo há muito tempo e ninguém do meio tinha a coragem de falar. O melhor exemplo disso é o redescobrimento do Carnaval de Rua no Rio de Janeiro na forma mais primitiva, onde a fantasia pode ser feita em casa, comprada na SAARA ou mesmo sem fantasia se pode brincar e se divertir sem uma corda dividindo os que podem pagar daqueles que não podem, criando a divisão a diferença e tudo isso sendo assitido de camarotes. 

 
 
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Gildson

Por ser um legitimo baiano estou boquiaberto com suas declaraçoes sempre quis saber o motivo de vc ter se afastado do carnaval da bahia e estou muito orgulhoso com seu depoimento concordo com cada palavra sua o que e do povo tem que ser do povo por direito.  parabens pela sua coragem

 
 

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