Bethânia e o macartismo cultural

Por Marcos A Felipe

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Blog e macarthismo

SÃO PAULO - Criou-se um escarcéu em torno do blog de poesia de Maria Bethânia. Pessoas reagem com fúria indignada ao fato de que a cantora foi autorizada a captar R$ 1,35 milhão pela Lei Rouanet -segundo a qual as empresas abatem do imposto que pagam a parcela do seu "patrocínio" à cultura.

Parece, pelo menos à primeira vista, sem conhecimento detalhado do projeto, um valor bem elevado para um blog.

Mesmo considerando que os personagens envolvidos sejam Bethânia e o diretor Andrucha Waddington. Até aí eu vou.

Não dá, porém, para embarcar na escandalização barata do episódio, ainda acompanhada pelo prazer grupal de promover o linchamento da artista. Ninguém desviou dinheiro público, não há, rigorosamente, nenhum crime, nenhuma ilegalidade no pleito de Bethânia.

Favorecimento? A lei existe e uma das maiores intérpretes do país busca se beneficiar dela. Não estamos falando de uma espertalhona, de uma charlatã ou de uma mercadista vulgar, mas de alguém, pelo contrário, cuja figura sempre esteve associada a uma atitude de recato e nobreza de espírito.

Devemos discutir os critérios e problemas da Lei Rouanet? Sim, mas não dessa forma, sensacionalista e hipócrita. A própria ministra, Ana de Hollanda, disse numa entrevista recente: "As pessoas vivem muito de produzir eventos pela Lei Rouanet. A lei foi criando certos vícios, não só no mundo artístico, mas também no das empresas".

A reação ao blog de Bethânia, nos termos em que se deu, é, no fundo, só mais um capítulo de um certo macarthismo chulé que vem ganhando expressão no país. A caça às bruxas é capitaneada por uma direita cultural hoje bem estruturada na mídia, quase sempre maledicente e escandalosa.

As baixezas contra Chico Buarque em função do Jabuti são o caso recente mais emblemático do modo de agir dessa tropa do ressentimento fantasiada de exército da salvação da moral e dos bons costumes.

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63 comentários
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André Lima

Leva a mal não mas se fazer de vítima com este papo de macartismo, caça as bruxas, nao cola nao....

Se tem uma coisa que brasileiro, principalmente os mais pobres, sabem identificar sem medo de errar, é malandragem.

50 mil por mes pra cuidar de um blog é um pouquinho demais não é nao?

Ademais, é sobejamente IMORAL num país com os problemas e as deficiências do brasil que um medalhão do porte da Betânia tenha a cara de pau de usar dinheiro de impostos para ficar MAIS rica!

Falam de 1.35 milhão como se fossem trocados! Ontem mesmo passou nos telejosrnais cariocas a reforma do centro cirurgico do Souza Aguiar, a um custo de 1.85 milhão. Pode ter certeza que isso sim é boa aplicação de um recurso público: na saúde, na educação, e não na engorda de algumas gordas vacas sagradas da nossa nova aristocracia!

 
 
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Jotavê

50 mil não é uma quantia exagerada. Toda a ideia do blog é exatamente usar a imagem e o talento de Bethania para atrair uma enorme quantidade de acessos. Essa imagem e esse talento valem tranquilamente 50 mil por mês no mercado. A questão é outra. O Fernando de Barros e Silva foi ao ponto. O problema é a lei Rounet, e não a Bethania. Financiaram a vinda do Cirque du Soleil. Quase todos esses livros de fotografia caríssimos dados de brinde de final de ano pelas empresas são financiados via lei Rouanet. A captação funciona em sistema de máfia. Tem que mudar a lei, todo mundo sabe. Só que a Bethania não tem nada a ver com isso. Apresentou um projeto excelente, com forte impacto na cultura, que foi aprovado. Se quisessem mesmo falar contra a lei, haveria dezenas e dezenas de casos realmente escabrosos para serem explorados. Mas falar em livro de fotografia não dá fama de paladino da justiça, de santo guerreiro investindo contra os "grande e poderosos". Então, pau na Bethania, trantando-a como se fosse uma criminosa. Está certo fazer isso?

 
 
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Mônica Santos

Pois é, e não vejo nem um décimo da mesma indignação aos milhões que serão destinados a empreendimentos do tipo  "Fielzão", por exemplo, e aos milhões que os clubes de futebol devem em impostos. Gentalha hipócrita mesmo.

 
 
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cartelsbuz

Mônica,

não seja generalista!
eu reclamo desta mamata como reclamo de todas mamatas q tomo conhecimento.
(quer ver tretas esportivas denunciadas? http://paulinho.midiasemmedia.com.br/ hj tem uma boa dos deputados do pt - quem diria - tentando dar um "abafa" na solicitação de cpi da cbf do garotinho - PT transparente já elvis - me desculpe o Elvis!)

além disso, procuro denunciar todas tretas (golpes) q minorias aplicam na população, sejam políticas, econômicas ou (de)formadora de opinião.
(e nas horas vagas, dou um salve! pros conhecidos... rsrs)

então, não fale o q não conhece.
use "a maioria", não "todos". obrigado e vamos à luta, SIM!!!

 
 
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ze pinimba

assino embaixo... 100%

 
 
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Marco St.

Engraçado nesse assunto, é que muita gente que fez "brincadeirinhas" com a Bethânia e seu blog, também estão envolvidos na utilização desta mesma lei...

No site Os amigos do presidente Lula

A cantora Maria Bethânia teve um projeto cultural aprovado pela Lei Rouanet, no Ministério da Cultura, que a autoriza a captar R$ 1,3 milhão em deduções do imposto de renda das empresas para produzir 365 vídeos declamando poesias, e veicular na internet em um blog.

A Lei Rouanet precisa mudar, e sua aplicação também em alguns casos. A política cultural de fomento, como regra, deveria privilegiar muitos projetos culturais baratos, ou que empregue muita gente, em vez de concentrar altos valores em poucos artistas consagrados como Maria Bethânia. Não cabe esse tipo mecenato com características de concentração de renda, para gente consagrada, outros com pistolão em empresas privadas, outros com projetos comerciais, disputando dinheiro dos impostos do povo sofrido.

Mas o assunto não envolve só Maria Bethânia.

Todos nós temos o direito de questionar esse valor para esse projeto da Bethânia, menos o blogueiro de "O Globo", Ricardo José Delgado (Noblat), que anda zoando do caso, tendo um enorme telhado de vidro na família.

O filho do blogueiro, André Scatrut Noblat, é vocalista da banda de rock Trampa, de Brasília, e também arrancou R$ 954 mil dos cofres públicos, através desta mesma Lei Rouanet, para "realizar concertos da banda de rock com uma orquestra sinfônica...".

O "talento do prodígio" comoveu a Vale S.A., que achou mais importante aplicar quase R$ 1 milhão no patrocínio à banda de rock, do que recolher este dinheiro aos cofres públicos na forma de impostos que iriam para saúde, educação, segurança pública, erradicação da pobreza, etc.

Foram R$ 154 mil, na primeira tacada, e R$ 800 mil na segunda tacada.

 

"Se você não cuidar, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo." Malcolm X

 
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Clever Mendes de Oliveira

Marco St. (sábado, 19/03/2011 às 13:53),
E há coisas piores envolvendo a própria Vale. A Lei Kandir isentou as exportações de produtos primários e semielaborados. Só aqui em Minas Gerais considerando só dois produtos: café e minério de ferro, o prejuízo aos cofres públicos é superior a 600 milhões por ano. A Lei Kandir é de 1986. No início do governo Lula ela foi constitucionalizada e desde então o benefício só termina com a aprovação de mais de 60% dos deputados e senadores de emenda constitucional voltanto a taxar os produtos primários e semielaborados.
Em 2009, a Vale desenvolveu uma grande campanha institucional. Foi escolhido para a campanha o publicitário Nizan Guanaes. O valor do contrato não foi esclarecido. No endereço a seguir pode-se avaliar o que realmente aconteceu:
http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2009-10-18_2009-10-24.html
Segundo Fernando Rodrigues seriam 178,8 milhões. Segundo anúncio da Vale no jornal O Globo, os gastos para o período de janeiro a setembro foram em 2007, 2008 e 2009 respectivamente 85,058, 74,990 e 50,700 milhões. Segundo Fernando Rodrigues os dados do anúncio da Vale não desmentem os dados dele, pois ele dissera que os gastos de 178,8 milhões foram nos últimos 12 meses.
Não importa. O que eu queria lembrar é que Nizan Guanaes é marketeiro político. A Vale como concessionária de serviços do Estado não pode financiar campanha de políticos, mas ela pode convencer a Nizan Guanaes a ajudar políticos pronto para defender o interesse da mineradora.
Na época dessa notícia ainda se discutia o escândalo dos sangue-sugas. O faturamento da Planam, a empresa que montava as ambulância, no período de 2000 a 2005, fora de 70 milhões. Se se lembra que muitas ambulâncias foram entregues completas é de imaginar que a corrupção que ocorrera teria que representar apenas parte do faturamento, que no todo era pouco superior ao prejuízo só em Minas Gerais só durante um mês e só em dois produtos - café e minério - da pauta de exportação de Minas Gerais.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/03/2011 (Em Pedra Azul)

 
 
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Horridus Bendegó

Enquanto for objetivo dos viventes humanos enriquecer, esta bolotinha de lama nunca passará de um palco para cenários de desdita.

Há muito parei de aclamar (e frequentar) esses superstars.

Prefiro estudar os lances passados do Capablanca do que ir a um show ou cinema.

A arte precisa ser estatizada!

 

 
 
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motoboy

você é pobre. com 1,35milhão enriquecer? precisamos de gente mais rica para polemizar.

 
 
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motoboy

é só 1,35milhão! não dá nem prá comprar uma casinha de praia de político! alem do mais, é prá Bethania e não pro irmão. ela merece muito mais do que isso... só por carcará! ela é demais!

 
 
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André Lima

Então já que você é rico e apreciador das artes da Betânia dê a ela o dinheiro do SEU bolso, não do meu e de muitos outros brasileiros, que muitas vezes amargam na fila de um hospital, não tem acesso a um medicamento ou a uma estrada decente por "falta de dinheiro".

 

 
 
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Anonimo0909

Basta os pobres que já existem e cumprem sua função no mundo.  É absurdo alguém já ter tanto esforço para ficar rico e agora fica pobre   patrocinando blog com poesia para pobre, quando isso é função do governo.

 
 
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motoboy

mas, se ela for no cqc... ciau!

 
 
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Gustao

Abaixo, um texto do Jorge Furtado, com quem concordo quanto à polêmica hipócrita criada em torno do projeto do blog. Lamentável que se faça da desinformação um instrumento de perseguição. Mais ainda, o mundo precisa de poesia.

 

A gritaria contra o blog de Maria Bethânia é uma mistura de ignorância, preconceito e mau-caratismo.


      Ignorância, porque parte de idéia absolutamente falsa de que os produtores do blog - que pretende exercer a tarefa vital de divulgar a poesia - recebeu ou vai receber este dinheiro do governo. Juro que tenho saudade do tempo em que se lia fato ou ficção, hoje o que mais há são equívocos e mentiras, que não são um nem outro. O fato é que a única coisa que os produtores do blog receberam do governo foi a autorização para se humilhar, pedindo a empresários, de porta em porta, que considerem a possibilidade de, ao invés de entregar parte de seus impostos ao governo, patrocinar, com a vantajosa exposição de suas marcas, um blog de uma extraordinária artista brasileira, blog este que tem como objetivo divulgar a poesia, não há tarefa mais nobre. Nada garante que os produtores do blog terão sucesso em sua jornada de mendicância entre a elite empresarial brasileira, frequentemente iletrada. O mais provável é que consigam apenas uma parte desta verba e tenham que redimensionar o projeto, o que seria uma pena. Na minha opinião, o governo brasileiro deveria tirar do seu caixa o dinheiro (1,3 milhões de reais, uma ninharia perto da roubalheira do Detran gaúcho, dos pedágios paulistas, da máfia do governo Roriz/Arruda no DF, etc, etc...) e entregar para a Maria Bethânia, junto com um buquê de rosas e um cartão, pedindo desculpas pela confusão. 

      Preconceito contra a internet, porque - como muito bem lembrou o Andrucha, na Folha: "Se fosse documentário ou filme para ser visto por cinco mil pessoas no cinema, ninguém estaria reclamando. Parece que internet não é um meio válido. Lá [no blog], os vídeos vão ser vistos por milhões, e de graça". A distinção que alguns ainda fazem entre os meios cinema, televisão e internet seria engraçada se não fosse um empecilho ao desenvolvimento do país. Preconceito também contra os nordestinos, nas críticas sobram piadas contra os baianos, quase todas vindas do mesmo gueto branco direitista no enclave paulista, enfim, os eleitores de Kassab e Serra, gente que lê e cita a revista Veja e beija imagens de santo para ganhar voto e acha que poesia é "uma besteira".

      Mau-caratismo, porque a "polêmica" criada pela notinha da Mônica Bergamo assanha, para variar, o furor udenista que almeja - e obtém - manchetes moralizadoras. "Eu sou melhor que você", gritam o lobão e também os três porquinhos, unidos em sua santa cruzada. Um publicitário engraçadinho - mais um - fez um blog que lhe garantiu seus 15 minutos de fama, espinafrando a Bethânia. "Criei o blog porque não recebi uma bolada do MinC e achei injusto", comenta o pândego. Pergunta: era para ser um piada? Ele pediu algum dinheiro ao MinC? Em caso afirmativo, apresentou algum projeto? Qual seria? Com que objetivo? As críticas e piadinhas sobre o caso me fazem lembrar de uma das considerações de Hamlet, matutando se vale a luta ou é melhor acabar com a agonia: "o achincalhe que o mérito paciente recebe dos inúteis". (Na tradução do Millôr.)

      Chega a ser constrangedor ter que relembrar aos mais jovens que Maria Bethânia é uma das maiores artistas brasileiras de todos os tempos. Seus incontáveis discos e shows são um valioso patrimônio nacional, seu trabalho de divulgação de dezenas de compositores brasileiros ao longo de sua carreira são uma herança que ela deixa ao Brasil. Bem vale alguns barris do pré-sal. Talvez tenham sido os show de Bethânia, lá nos anos 70, meus primeiros contatos com a poesia de Fernando Pessoa e também com a prosa-poética de Clarice Lispector. Vai aqui, a ela, meu muito obrigado.

      Da Folha de São Paulo, 17.03.11 
      Polêmica sobre blog é equívoco, diz diretor 
      Cineasta Andrucha Waddington defende projeto de Maria Bethânia, do qual participa, após críticas na internet 
      Ministério autorizou captação de R$ 1,3 mi para site com vídeos da cantora e afirma não haver irregularidade 
      MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO

      O cineasta Andrucha Waddington, que vai dirigir os vídeos do blog O Mundo Precisa de Poesia, considera "um equívoco" a polêmica em torno da decisão do Ministério da Cultura, que autorizou, anteontem, a cantora Maria Bethânia a captar R$ 1,3 milhão para o projeto. 
      O texto prevê produção e veiculação de vídeos diários de 1 minuto em que Bethânia vai interpretar poemas. O plano é que sejam colocados no ar 365 vídeos. A coordenação deverá ficar a cargo do sociólogo Hermano Vianna. 
      Noticiada ontem pela colunista Mônica Bergamo, na Folha, a aprovação da captação do dinheiro, via Lei Rouanet, teve repercussão e críticas nas redes sociais -estava entre as mais comentadas pelos brasileiros no Twitter. 
      "Se fosse documentário ou filme para ser visto por cinco mil pessoas no cinema, ninguém estaria reclamando", diz Waddington. 
      "Parece que internet não é um meio válido. Lá [no blog], os vídeos vão ser vistos por milhões, e de graça. Preciso trabalhar com uma equipe, com o mesmo padrão de qualidade dos meus filmes." 
      O cineasta estima que cerca de R$ 3.500 sejam usados por episódio, contando aí despesas com som, assistente de direção, produtor, ilha de edição, mixagem e pós-produção de imagem. 
      Ele não revela seu cachê. 
      Procurada, Bethânia não quis comentar o caso. Mas seus sobrinhos, Jorge Velloso e Belô Velloso, saíram em defesa da cantora no Twitter. 
      "Não falei com minha tia ainda, mas já adianto que ela pensou de verdade em levar cultura para vocês. Que ingenuidade", escreveu Belô. 
      Jorge postou: "Caetano está errado. Lobão não tem razão! Nunca!". Referia-se ao inspirador de "Lobão Tem Razão", de Caetano. Lobão foi um dos que atacaram a decisão do MinC. 
      "Gerar projeto de poesia é muito bacana, mas as pessoas beneficiadas com essas leis são sempre as mesmas", disse Lobão à Folha. "O que fica bastante patente nesse movimento todo é que há uma parada chapa branca para a MPB. Na outra gestão, flagraram projetos de um milhão para DVD de Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Claudia Leitte. Viva a Bahia!" 
      O MinC declarou, em nota, que "a aprovação, que seguiu estritamente a legislação, não garante, apenas autoriza a captação de recursos" e que os critérios "são técnicos e jurídicos". 
      O texto do ministério dizia, erroneamente, que a captação seria feita via Lei do Audiovisual -horas depois, o órgão soltou outra nota com a correção. 
      PARÓDIA 
      Entre as críticas à decisão do MinC, estava o Blog da Bethânia, uma paródia do projeto. "Criei o blog porque não recebi uma bolada do MinC e achei injusto", disse o autor do site, o publicitário Raphael Quatrocci, 28. "O humor é a melhor forma de demonstrar indignação." 
      Segundo ele, o blog teve cerca de 50 mil acessos ontem.

      A assessoria de Bethânia disse que acha "absurdo" o conteúdo do blog falso. 
      Colaborou RAFAEL CAPANEMA 
      

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cartelsbuz

Nassif e colegas,

se é pra ser justo, qquer cantor q vendeu, por ex., mais q 1 milhão de cópias de seus discos/cds/dvds somados, deveria ter uma verba de 1,5 milhão para fazer site com sua "obra".

ou não estamos falando de sermos justos com TODOS????

por que alguns são mais "Bethania" q outras?

já pensaram q maravilha? umas duzentas pessoas com sites financiados pelo ministério para descrever sua PRÓPRIA OBRA???

narciso, narciso, onde estás q não te mostras???

como era do ditado preferido do Maluf, tão criticado pelos "progressistas"?
Aos amigos TUDO, aos inimigos a lei???

não sei pq, mas acho q isso está se repetindo mais do q deveria...
(hipocrisia é uma merda!!!)

 
 
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Charlie

Saiu na Folha esse artigo?

Quem diria...

 
 
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raquel_

Hipocrisia, no mínimo.

Criou toda a confusão escondendo informações e agora quer pagar de imparcial publicando um artigo criticando algo manipulado por ela mesma. Ridículo.

Vem cá, tbm publicou um texto discutindo sobre a Lei Rouanet?

Se aproveitar da exposição de uma pessoa pública para vender jornal é mole, quero ver colocar discussão séria em pauta.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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carolina mello

Não vamos criminalizar quem se utiliza da Lei como o colega do comentário acima fez. Usemos do bom senso: precisa de 1,3 para postar vídeos em um blog? Não precisa. O MinC poderia ter aprovado o projeto com um valor muitíssimo menor. O projeto é vergonhoso, foi feito de maneira a não se gastar dinheiro com o que poderia ser mais oneroso: o custo com equipamentos é um dos menores (R$ 5 mil) e não consta pagamento de direitos autorais dos poemas (o que nos faz supor que os direitos serão cedidos). A Conspiração Filmes foi pega de cuecas. Maria Bethânia pode ter sido usada, e sai com a imagem arranhada desse vexame.

 
 
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Luiz Alves

Não se trata de ilegalidade, mas de imoralidade.
É inadmissível usar recursos enormes para um blog de poesia.
Por acaso a Bethânia e o Andrucha são poetas? Estas pessoas públicas não conseguem verbas privadas ou de empresas estatais.
Porque logo num orgão mineterial?
E os poetas de verdade tem espaços e recursos do Minc, para os seus projetos?
A isto se chama tráfico de influência, porque se não tivessem nome famosos não teriam teria aceito o projeto.
Que lógica infame e sem vergonha, e de muita cara-pau.
Falta é muita ética!

 
 
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Virgílio Siqueira

Há uma nuvem branca e ágil que avança

e uma tempestade negra que reage.

As leis são para todos; mas há os que sequer as alcançam!

Não há ilegalidade. Mas há o que discutir!

 
 
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alfie

Há um erro em denominar de macartismo a forte reação ao projeto cultural de Maria Bethânia. A perseguição movida nos anos de 1950 nos EUA pelo senador Macarthy , a celebre caça às bruxas, contra artistas e criadores(especialmente de Hollywood), era movida por razões (equivocadas) ideológicas. A reação ao blog é contra o desperdício de dinheiro público. Sim, é público, porque esse um milhão e meio será obtido com a renúncia fiscal, será um dinheiro  que em vez se tornar imposto capaz de beneficiar a saúde pública, a educação, vai para um projeto discutível, carissimo como muitos já provaram, especialmente o cachê de Bethânia (500 mil). O prjeto está dentro da lei, mas a forma... Vai com muita sede ao pote. Se são blogs-vídeos de dois minutos no máximo, ficou provado que é possivel realizar quatro ou cinco por dia. Nessa média e incluindo pesquisas, o projeto vai tomar , no máximo, cinco meses da artista. 100 mil por mês? 30 mil seria bem pago, mil por dia inclusive não trabalhado. E se faz em um meio,  a internet, que ainda não está a o alcance d amaioria do povo brasileiro. Ela não é a única acomodada na lei  Rouanet. Mas, quem está na chuva pode se molhar. E Bethânia manchou seu prestígio,acabou exposta por algo desnecessário que reflete ambição material e super-ego. Outras atrizes (atrizes mesmo) com Fernanda MOntenegro, Esther Goes, Nathalia Timberg poderiam se revezar, seriam mais apropiadas para declamar. É verdade que a mídia se omite em relação a outros casos de desperdício de dinheiro público em nome da arte, da cultura. Marcos ST aponta um caso, do filho do jornalista Ricardo Noblat. Desconhecia. Mas conheço os vários anos de Ricardo na rádio do Senado onde produzia um programa de jazz a 40 mil por ano. Ele mesmo confessou. A pergunta que ninguém fez: por que o senado tem que financiar um programa de jazz, qual a relevância para o povo? Era nosso dinheiro que alimentou o ego, o gosto do Noblat. AGora, caem de pau em Bethânia. Paciência, é a bola da vez como foi Guilherme Fontes com  o inacabado filme .Chatô. Ele foi condenado a devolver dinheiro aos cofres públicos (cerca de 30 milhões).  Devolveu? A mídia não diz, a mídia esqueceu dele. `E a  lei  Rounat continua proporcionando essa acomodação de que fala a atual ministra da Cultura (o caso Bethânia não é sua culpa). Precisa ser reformulada. Chega de dinheiro indo pro ralo para satisfazer generosamente os egos de alguns.

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Alfie (sábado, 19/03/2011 às 14:53),

Fiz algumas observações ao seu texto no sábado, 19/03/2011, e elas tinham o conteúdo como as que eu envio agora, mas como eu estava na caixa de comentários de outro post e outro blog e enviei sem querer o email que havia escrito e não tinha salvo o texto que preparara, acabei perdendo-o, pois para onde eu o enviei o blogueiro o excluiu da caixa de comentário (O Blog é do Alon Feuerwerker e o post é "Melhor aguardar" de quinta-feira, 17/03/2011).

Bem, o que eu queria dizer é simples. Para mim a patrulha contra Bethânia assemelha-se à que Joseph McCarthy fizera nos Estados Unidos. Não sou contra a patrulha. Penso que quem faz a patrulha é que corre maior risco de ser mal visto. A menos que quem sofra a patrulha seja realmente do mal. Não é isso que me faz comparar o patrulhamento que se faz contra Bethânia com o a campanha que Joseph McCarthy moveu nos Estados Unidos.

A semelhança da campanha que Joseph McCarthy moveu consistia no fato de ele se colocar contrário ao apoio e ao patrocínio ou mesmo o emprego público assegurado a artistas em geral e funcionário público em particular que não adotassem o mesmo credo dele. O que Joseph McCarthy combatia era que o exercito americano, por exemplo, prestasse apoio logístico a um cineasta (Diretor ou produtor esquerdista).

Aqui o fato que distingue é que a campanha contra Bethânia não é movida contra a ideologia de esquerda. Há, entretanto, uma campanha contra a ideologia do Blog de Bethânia. Se fosse um blog de uma associação de favelados creio que o financiamento seria visto com olhos menos críticos.

Agora a questão de considerar o incentivo a um blog de uma artista como desperdício de dinheiro público cabe bem em duas ou três teses, uma contra outra a favor e outra muito antes pelo contrário.

Eu particularmente sou a favor do aumento da receita e por isso sou contra os incentivos fiscais. No entanto, sou a favor de que se use o sistema tributário para apoiar iniciativas, desenvolver procedimentos, induzir comportamentos, etc. seja do conjunto da sociedade, seja dos indivíduos, seja de associações, empresas e órgãos de qualquer natureza. O desconto no Imposto de Renda para saúde e educação, o incentivo para as empresas interessarem em operar em áreas mais inóspitas tudo isso conta com minha aprovação. Penso também que o Estado deve ter uma preocupação maior com a cultura. Em um país imenso como nosso não há como prosperar junto às camadas mais populares o interesse pelos valores da cultura de elite que só por ser de elite não deve ser rejeitada.

Assim, penso ser do interesse do Estado financiar, não todos, mas aqueles aprovados após uma análise, os projetos visando a divulgação da cultura elitista como imagino que a Bethânia irá nortear o blog dela. Direitistas como Nelson Rodrigues, menos direitistas como Fernando Pessoas e até mesmo racista como Monteiro Lobato este até já bastante incorporado a cultura popular precisam de mais divulgação. É preciso que a cultura elitista desses e de outros autores alcance uma quantidade maior de pessoas e a internet parace-me um bom instrumento para isso ainda mais se o governo conseguir implantar uma banda larga popular. E é o governo que deve criar o incentivo para que projetos desse nível possam ser implementados.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 21/03/2011

 
 
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Fabio (o outro)

Vá pro inferno , desgraçado autor deste texto.

 

Vamos à farra ! Não há nada de errado nas aposentadorias precoces e cumulativas concedidas a deputados e ex-governadores. Não há nada de errado nas passagens aéreas concedidas às esposas de deputados para viajarem a Paris. Não há nada de  errado com um funcionário do Senado servir de garçon na casa dos Sarneys.

 

Tudo está sob o mais sagrado manto da legalidade !

É imoral ! São milhões de reais em impostos que não vão para os cofres do governo para serem aplicados na promoção de shows de astros da música. É subsídio vergonhoso sim ! Sob o discurso vagabundo de que é promoção cultural.

A Bethânia, Caetano, Marisa Monte , e toda essa turma, são ótimos . Têm muito talento. Mas não é justo, não é certo custear a atividade deles com dinheiro público, sob o discurso de que isso é promoção cultural. Igualmente a produção desses filmes devem ser custeadas com dinheiro público.

É preciso por um basta nisso. É preciso acabar com essa hipocrisia. Essa turma que vá ganhar ganhar e produzir seus shows com seus próprios recursos.

Se querem promover a cultura , que essa grana seja aplicada na modernização das escolas, bibliotecas, e espaços culturais. Não dessa forma hipócrita.

Não se trata de ideologizar o debate, dizer que é uma perseguição de direita ou de esquerda. Não é nada disso.  Essa lei é um lixo.  Deve ser revogada !

A Bethânia não é uma espertalhona como diz, mas é mais uma a fazer parte de um grupo de pessoas que pressionam o Estado a lhes conceder privilégios.

 
 
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Fransa

P/ Fabio (o outro),

Correto seu comentário.

Parece que estão pedindo desculpas pelos outros!

Será que TODOS são culpados?

 

 
 
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Marcos Antônio

Um único filme em Hollywood pode custar 250 milhões de dólares!

Os filmes nacionais ficam na casa de poucos milhoes de REAIS!

Quando seremos competitivos?

O que queremos para nossa cultura?

Devemos ter coragem de perguntar o que queremos para nossa INDÚSTRIA CULTURAL!

A qualidade de nossos filmes ainda é muito precária!

Temos qualidade, TALENTO?

Sim temos.

Mas se acharmos que a produção de 360 vídeos por 1.3 milhão é muito devemos esquecer essa tal indústria cultural e sermos todos produtores independentes!

Produzindo em fundo de quintal nossos discos, nossos livros e nossos videos!

Incentivar a produção de filmes em celulares pois assim fica tudo bem baratinho!

Produzir música dentro de computador, não pagar músicos!

É mais barato!

 

 
 
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Fuhgeddaboudit™

Prezados Marcos e Fernando,

Temos um exemplo marcante e conclusivo no destaque da TV brasileira, perante o mundo, que, gostem ou não "os progressistas de ocasião" e/ou "os que não gostam dos Marinho (como eu)", não pode ser apagado, jamais; "O PADRÃO GLOBO DE QUALIDADE".

Mas, isto, lhe custou muito dinheiro nos juros de financiamentos, de valores não cobertos pelos patrocinadores. E, para tentar igualar-se e, quase "clonar" programas e estilos (até a voz do locutor nas chamadas de intervalos), a principal concorrente, "R7", teve que se envolver em estranhos malabarismos em financiamentos externos, contestados pela Promotoria Pública de São Paulo como fruto de operações triangulares, a partir de remessas ilegais/evasão de divisas e repatriamento maqueados de empréstimos, feitos por um grupo de pessoas, ligado à emissora de TV, com juros abaixo de mercado, em verdadeira concorrência predatória, contra a "Vênus Platinada", que levou duas novelas a mais de 100 países, divulgando o nome do Brasil de forma digna e honrosa.

Apenas, como exemplo, quando o SBT tentou produzir suas primeiras próprias novelas (e, obviamente, sem nenhum êxito) ficaram claros os motivos: a pequena quantia de dinheiro investido.

Enquanto a Globo investia em um grupo de " 10 figurinistas" por novela, o SBT investia em "2" e, daí, por diante (os números podem não ser exatamente estes. mas, a aberração, proporcional, será, sempre, próxima disto, o que dispensa preciosismos numéricos). E, o, ainda, mais importante: os salários, na GLOBO, eram bem maiores.

Diante desse exemplo, quero crer que, para Bethânia fazer algo de alto nível, o valor de R$ 1.300.000,00, ainda, é pequeno.

SEM MEDO DE SER FELIZ !

 

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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GalileoGalilei

O linchamento é óbvio no blog calhorda daquele blogueiro idem daquela revistinha não menos.

O linchamento também é óbvio no blog do blábláblat.

Pode ser, até, que tenham alguma razão. Mas linchamento, por favor, "me incluam fora dessa".

 
 
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GUILHERME 1972

FILHO DE NOBLAT DESCOLA R$1 MILHAO

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2011/03/filho-do-noblat-descola-quase-r-1.html

NOBLAT TAMBEM GOSTA DE UMA MAMATA!!!!!!!!!!!!!

 
 
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motoboy

bethania não tem nada a ver com globo, infelizmente para os naftalinas que acham que tem.

 
 
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Nonato Amorim

http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/03/19/filho_do_noblat_descola_quase_r_1_milhao_na_lei_rouanet_igual_a_maria_bethania_95370.phpFilho do Noblat descola quase R$ 1 milhão na Lei Rouanet, igual a Maria BethâniaPOSTADO ÀS 12:09 EM 19 DE Março DE 2011

 
 

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