Belo Monte e o impasse dos ambientalistas

Atualizado com questionamentos

O Escriba - Bora discutir Belo Monte sem falcatrua?

Ok, vamos discutir Belo Monte? Mas que tal fazermos isso com base em dados reais? Sim, porque qualquer discussão baseada em suposições, falseamento, mentiras, não vai levar a lugar algum. Só vai desvirtuar o debate e promover mais ignorância. Então, a partir dos dados fidedignos, podemos nos posicionar contra ou a favor e, melhor, podemos exigir que se cumpra o combinado. Foram décadas de discussão sobre o projeto, que foi alterado para atender muitas das demandas, como não-alagamento de terras indígenas, diminuição dos impactos na região, melhoria das condições de vida das populações das cidades do entorno.

Não podemos cair na 'esparrela' das Reginas Duartes da vida, que aparecem aqui e ali pontuando com a cara constrita que estão "com medo". Ainda mais quando a causa do medo é informação deturpada. O pior é ver ambientalista tarimbado alimentando essa falcatrua, comemorando por exemplo o sucesso de um vídeo de artistas que em vez de jogar luz sobre o assunto, prefere fazer terrorismo barato, com base em informações defasadas, falsas até - chegaram a afirmar que o Parque Nacional do Xingu, que fica mais de 1.300 km ao sul do local da usina, poderá ser inundado!! Pô, aí não, vai... muita apelação! (não acredita? Veja aqui a distância de um para o outro)

Como bem disse o Gilberto Camara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), recentemente em seu blog, os ambientalistas estão perdendo a oportunidade histórica de conseguir avançar, exigindo que o governo e a iniciativa privada promovam a sustentabilidade em seus projetos. Em vez disso, estão apelando para o obscurantismo, a desinformação, o marketing raso, e com isso perdem credibilidade. Uma pena. Quando sentam para discutir e negociar honestamente, conseguem boas vitórias - como a moratória da soja, que envolveu sojeiros da Amazônia, Greenpeace e até o McDonald's. É assim que funciona numa democracia moderna: os diferentes sentam à mesa, colocam seus argumentos, 'senões' e 'poréns' e tentam chegar a um denominador comum. Isso foi feito com Belo Monte, tanto que o projeto mudou da água pro vinho nesse meio tempo e hoje tem tudo para ser exemplo para outras obras do tipo que virão - e virão, não tem pra onde correr - para a Amazônia.

Mas enfim, vamos aos fatos sobre Belo Monte, que estão longe do bicho-papão pintado por aí:

* O lago de Belo Monte terá 503 km2, dos quais 228 km2 já são o leito do próprio rio Xingu. E boa parte da área restante já está desmatada por criadores de gado, agricultores e madeireiras ilegais. O desmatamento efetivo por conta da usina, portanto, é muito pequeno se comparado com o tamanho do empreendimento, a energia que fornecerá e os benefícios que trará à região. E o lago, uma vez criado, servirá para proteger o entorno de cerca de 28 mil hectares (280 km2), já que vira uma Área de Preservação Permanente (APP).

* É normal que empreendimentos hidrelétricos, e quase todas as fontes de geração de energia, tenham uma capacidade de geração e um fator de potência - ou seja quanto dessa capacidade será possível gerar em média em um ano. No caso de Belo Monte, que tem capacidade instalada de 11.233 MW, a geração média é de 4.571 MW, ou 41%. Esse número é o suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o Brasil. Ao longo de sua elaboração, o projeto Belo Monte foi modificado para restringir os impactos que poderia causar ao meio ambiente e à população da região, reduzindo-se a área de inundação prevista em 60% em relação ao projeto inicial. Isso diminuiu a geração média de energia, mas foi importante para a diminuição do seu impacto.

É pouco? Nem tanto. Dá uma olhada nos dados que este blog compilou sobre a média em outros países (na China é 36% e nos EUA, 46%) e mesmo no Brasil, em outras usinas já em operação, como Itaipu, Tucuruí.

* A média nacional de área alagada é de 0,49 km2 por MW instalado, em Belo Monte essa relação é de apenas 0,04 km2 por MW instalado.

* 70% da energia a ser produzida por Belo Monte destinam-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e apresenta o segundo menor valor por MW / hora entre todos os empreendimentos elétricos dos últimos 10 anos (R$ 78 por MW/h). Aquele papo de que a energia de Belo Monte beneficiará apenas esta ou aquela empresa, é balela, lenda. A energia gerada pela usina será conectada ao SIN e, com isto, gera energia para todo o país. O mesmo acontece com TODAS as demais usinas construídas por aqui.

* Há duas maneiras de se construir uma usina hidrelétrica: basear-se exclusivamente no critério de eficiência, em que tería que dispor de um lago enorme, como era o projeto original de Belo Monte de 1980, alagando amplas regiões, ou um sistema energeticamente menos eficiente - o de geração de energia em cima da corretenza do rio, denominado fio d'água - justamente para privilegiar questões ambientais. Belo Monte é desse segundo tipo, não sendo tão eficiente como a média das hidrelétricas brasileiras (na faixa de 50%) justamente em respeito a questões sociais e ambientais.

* Nenhum índio terá que sair de suas terras por causa do projeto e os ribeirinhos que serão realocados vivem, em sua maioria (quase 7 mil famílias), em palafitas nos igarapés de Altamira, em condições sub-humanas. O governo pretende realocar essas famílias para condomínios habitacionais que ficam em torno de 2 quilômetros de distância de onde estão hoje. São cerca de 18 mil pessoas. A promessa do governo é que essas pessoas receberão casas em locais totalmente urbanizados, com saneamento básico, postos de saúde, escolas e locais de lazer, tudo antes do final de 2014. É anotar e cobrar.

* Substituir a energia de Belo Monte por eólicas e energia solar parece fácil, mas é praticamente impossível. Precisamos de 5 mil MW por ano de energia adicionada ao sistema para garantir o mínimo necessário para que o país continue se desenvolvendo e gerando emprego e renda, e garantindo a inclusão de milhões de brasileiros que hoje estão à margem de todo e qualquer consumo. Isso não é possível, no curto/médio prazo, com eólica e solar. O Brasil até tem investido bastante nessas duas formas de geração de energia, somos o país que mais tem atraído empresas do setor para cá, mas é coisa para médio-longo prazo. Enquanto isso, fazemos a transição - mas com energia de baixo impacto e limpa, como a hidrelétrica. Nenhum outro país do mundo consegue isso - EUA, China, Europa, Ìndia, todos estão fazendo investimentos em energia renovável (eólica, solar, etc) com base numa economia sustentada por energia suja - nuclear, térmicas a carvão ou óleo diesel.

Para se ter uma ideia, para ter o mesmo potencial energético de Belo Monte, seria necessário instalar mais de 6 mil aerogeradores, de 3MW cada, ocupando uma área de 470 km2 - ou quase o tamanho do lago de Belo Monte (503 km2).

Bom, tem muito mais coisa para se pontuar, mas já tem um bocado aí pra refletirmos, né mesmo? As coisas nem sempre são tão simples como querem fazer crer uns e outros, nem o diabo é tão feio.

Tem mais informação boa circulando por aí, seguem algumas dicas - quem quiser indicar outros bons textos, coloca na área de comentários que acrescento à lista abaixo:

Belo Monte: vídeo de globais é teatro

Os Belos e Belo Monte

Prefeita de Altamira fala sobre Belo Monte

Belo Monte: Os fatos sobre a vazão reduzida na Volta Grande

Eu não assino petições contra Belo Monte

Por Carlos Bérgamo

Caro Nassif,

sou engenheiro eletrico com especializacao em Energia renovavel.  Eu respiro Fator de Capacidade e formas alternativas e renovaveis de Energia.

Gosto muito de seus textos, porem nao posso deixar te dizer que faltou conhecimento nesta dissertacao.  Acho importante que seus leitores tenham informacoes corretas para se posicionarem:

1) O Manual de estudo de inventários da Eletrobrás rege que todos os estudos de aproveitamentos hidroelétricos sejam desenvolvidos tomando por base um Fator de Capacidade de 55%.  Após este estudo de inventário os projetos normalmente otimizam este FC.

2) Não faz nenhum sentido a sua comparação com as hidroelétricas do país, pois temos alguns dinossauros da epoca militar como Balbina e Samuel.

3) A média de Fator de Capacidade das eólicas cadastradas no leilão da EPE é de 54%.

4) Uma turbina eólica de 1,6MW(padrao) utiliza em média 30ha.  Ou seja, para produzir a mesma coisa que Belo Monte precisariamos de [4.571/(1,6*54%)]*30 = 159 mil hectares.

5) O uso da área por usinas eólica não compromete o uso atual.  Ou seja não faz nenhum sentido comparar este impacto através do uso de área.  Assim como não faz sentido comparar o impacto ambiental de eólica com hidroelétricas, mesmo se forem PCHs

6) O Brasil perde uma grande oportunidade de desenvolver este projeto daqui a 20 anos quando, no meu entender, não teremos outra opção.

Comentário

O artigo é de Jorge Cordeiro.

Vídeos: 
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144 comentários
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Paulo Kautscher
 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

 
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Joyce

Nassif,

acredito que vale a pena colocar esse vídeo, feito por Barbara Miyaji, não a conheço (encontrei por acaso no youtube), mas o que ela disse tem fundamento.

http://www.youtube.com/watch?v=ZeR8kbhXXkM

Obrigada.

 
 
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Alan Souza

Só uma dúvida: quem é Barbara Miyaji?

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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Luiz Seixas

A Bárbara Miyaji é legal, e tem também um vídeo do pessoal de engenharia civil da Unicamp:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gVC_Y9drhGo

 

LS

 
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Eliane Santos

Tudo bem, ví o vídeo da outra face da moeda, mas porque a gente

não pode comentar, sobre o vídeo, dar nossa opinião? Tudo bem, existe muita polêmica

sobre o assunto, a gente tem que ouvir todos os lados, até mesmo para se

formar uma opinião, baseado em conhecimento sobre o assunto ok?

Mas eu nunca ví artistas mobilizados por qualquer coisa contra o desenvolvimento

ou contra o povo. Enfim, vou ficar buscando informações de quem sabe sobre o assunto.

Obrigada pelo espaço.

 

 
 
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maurobrasil

Repito um post antigo meu sobre Belo Monte, da época da campanha eleitoral:

A relação energia/área alagada de Belo Monte

Do Nassif 21/04/2010 - 07:00

Por Mauro

Nassif, por favor dar destaque: Belo Monte tem uma das melhores relações entre potência instalada e área alagada. Abaixo os dados que coletei de Belo Monte, das três maiores hidrelétricas em funcionamento no Brasil e das duas hidrelétricas do Madeira:

Usina: Potência (MW) / Alagamento (Km2)

1) Belo Monte (Pará): 11.233 / 516 = 21,77
2) Jirau (Rondônia): 3.450 / 258 = 13,37
3) Santo Antônio (Rondônia): 3.150 / 271 = 11,62
4) Itaipu (Paraná): 14.000 / 1.350 = 10,37
5) Tucuruí (Pará): 8.370 / 2.850 = 2,94
6) Ilha Solteira (São Paulo): 3.444 / 1.195 = 2,88

Perceberam que Belo Monte é disparada a que tem a melhor relação custo/benefício ???

Fontes:

1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte

2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Jirau

3) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_Santo_Ant%C3%B4nio

4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Itaipu

5) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Tucuru%C3%AD

6) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Ilha_Solteira

Clique aqui para ir à matéria

Para acompanhar pelo Twitter:clique aqui

 
 
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maurobrasil

Para os que gostam de mencionar a baixa potência efetiva de Belo Monte, segue abaixo a tabela com esse aspecto incluído. O fator de capacidade de Belo Monte é estimado em 41% (4500MW/11000MW), enquanto o fator de capacidade médio das usinas brasileiras em funcionamento é de 56% conforme a seguinte fonte:

http://en.wikipedia.org/wiki/Hydroelectricity

Usina: (Potência (MW) / Alagamento (Km2)) X Fator de capacidade

1) Belo Monte (Pará): 11.233 / 516 = 21,77 X 0,41 = 8,93
2) Jirau (Rondônia): 3.450 / 258 = 13,37 X 0,56 = 7,48
3) Santo Antônio (Rondônia): 3.150 / 271 = 11,62 X 0,56 = 6,51
4) Itaipu (Paraná): 14.000 / 1.350 = 10,37 X 0,56 = 5,81
5) Tucuruí (Pará): 8.370 / 2.850 = 2,94 X 0,56 = 1,65
6) Ilha Solteira (São Paulo): 3.444 / 1.195 = 2,88 X 0,56 = 1,61

 
 
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maurobrasil

Os argumentos contra a construção de Belo Monte deveriam ser muito mais forters contra a construção das hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau, uma vez que as relações custo/benefício dessas duas novas usinas, apesar de bem melhores do que as usinas mais antigas, são piores do que Belo Monte, que tem a melhor em relação ao custo/benefício!!!

Por que não houve e não uma reação tão intensa em relação às hidrelétricas do Madeira?

Ou seja, criticar Belo Monte é no fundo criticar hidrelétricas em geral, pois se a melhor de todas hidrelétricas é ruim, imaginem qualquer outra...???

Além disso, o Carlos Bérgamo tem que se informar melhor, pois o fator de capacidade médio das hidrelétricas brasileiras é um dos maiores do mundo:

Canadá: 59%

Brasil: 56%,

Noruega: 49%

EUA e Rússia: 42%

Índia: 43%

China: 37%

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Hydroelectricity

 

 

 

 
 
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jorge cordeiro

Dei uma atualizada no post, com um vídeo que foi produzido esta semana, colocando alguns números sobre Belo Monte no papel - preto no branco. Até agora, nenhum ambientalista veio contestá-lo...

http://www.interney.net/blogs/oescriba/2011/11/22/bora_discutir_belo_monte_sem_falcatrua/

 
 
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Jair Fonseca

Aproveite para atualizar a coisa com o texto acima do Bérgamo.

 
 
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Jaime Balbino

Se tem uma coisa que este vídeo dos globais serviu foi para elevar o debate sobre Belo Monte.

O vídeo foi tão chocantemente ruim que causou desconfiança e fez o ativismo a favor da usina sair do armário.

Eu, que já tinha sido a favor e tinha me convencido do contrário com base numa solução mista de usinas de bagaço de cana, micro-hidrelétrica e outras fontes alternativas, acabei aderindo 100% a Belo Monte por conta da reflexão sobre o conteúdo e interesses do vídeo.

Observe que no vídeo há informação errada, apelações em demasia, gente fingindo que tira a roupa, argumentos imbecis (como de construir hidrelétrica em deserto e de afetar os índios do Xingu) e interesses ocultos que se revelam na escolha dos atores de uma única emissora.

Cabe a nós divulgar o máximo possível a informação de qualidade, a favor e contra.

 
 
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Regis Mesquita

Paulo,

uma discussão que pode e deve ser feita é sobre a confiança das pessoas no que falam os atores da Globo. Afinal, o vídeo só conseguiu se tornar mega popular por causa das pessoas que estão representando nele.

Fiz um texto sobre isto, que fala sobre a patologia do vínculo. Peço licença ao Nassif para dar aqui o link:
Atores da Globo tem a confiança da classe média brasileira (a patologia do vínculo)
http://www.psicologiaracional.com.br/2011/11/atores-da-globo-tem-confian...

Abraço,

Regis Mesquita

 
 
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Jorge Nogueira Rebolla

COPPE/UFRJ

http://www.un.org/esa/dsd/susdevtopics/sdt_pdfs/meetings2011/transport/b...

Segundo este estudo o melhor fator de capacidade para a geração de energia elétrica no Brasil está no estado do Rio Grande do Norte, variando de 32% a 41,5%.

Neste outro estudo da própria COPPE/UFRJ

http://www.cresesb.cepel.br/publicacoes/teses_doutorado/200704_dutra_r_m...

Vimos que o fator de capacidade na geração de energia eólica na alemanha (usinas já instaladas) é inferior a 17%, no reino unido de aproximadamente 23,5%.

Portanto me parece que para os 54% citados aplica um velho ditado: é muita banana por um tostão... que tal citar a fonte...

Como já foi dito e repetido as centrais eólicas necessitam de um back-up permanente devido a sua geração intermitente e grandes oscilações. O velho pague DOIS e leve UM.

O fator de capacidade de Belo Monte menor que o mínimo exigido citado é provocado pelas próprias exigências dos ambientalistas, aceitas pelo governo, com a redução da área do reservatório e a consequente diminuição da água armazenada. Para solucionar isto é fácil... não é preciso pensar muito.

Considero que qualquer um tem o direito de se opor a Belo Monte por qualquer motivo, porém utilizar a viabilidade de substiuir a barragem por centrais eólicas com a atual tecnologia é pura e simples má-fé!

 
 
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Válber Almeida

Para o capital não existe pecado ou crime, a não ser não converter as riquezas naturais em capital. Por isso, quando se pergunta: existe crime ou pecado em construir Belo Monte? A resposta, para os ambientalistas, é SIM, existe, porque estão querendo tranformar a floresta e os rios em capital, com impactos devastadores para as sociedades tradicionais que ali habitam. Mas, quando a resposta é dada pelos representantes do capital, ela é NÃO, não existe, crime é manter toda esta riqueza natural em seu estado presente, e não importam os impactos socioambientais, o importante é que essas riquezas se convertam em capital. Por isso, desde há muito, o debate deixou de ser sobre se Belo Monte será ou não tecnicamente menos danosa que as demais hidrelétricas construídas na Amazônia e no Brasil, mas qual tipo de crime ela irá perpetrar no seio da sociedade: se um crime contra o capital ou um crime contra a sociedade e o meio ambiente amazônico. Ela deixou de ser um simples projeto voltado para o aprofundamento de um modelo de desenvolvimento historicamente negligente, conservador e retrógrado e passou a ser um projeto de poder, uma disputa entre o poder hegemônico do capital, que pretende consolidar o seu projeto de poder na região, projeto, diga-se, tipicamente colonial, e uma sociedade civil -que novamente não está sendo ouvida e que vê seus direitos e interesses massacrados perante a fúria do dinheiro- destituida de poder na Amazônia. O que está em questão, portanto, é se mantemos ou não o modelo colonial de ocupação econômica da Amazônia. A se guiar pelo que se vê aqui neste blog, o capital já venceu, e a sorte dos despossuídos da floresta e dos rios é o que menos importa, já que o Deus dinheiro absolve todos os crimes e pecados que se cometem em seu nome. 

 
 
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Jair Fonseca

Isso aí, Válber. E em vez de vídeo de globais, e números e sei-que-lá, que tal ver vídeos do povo que vive lá e sofre por perder seu lugar? Coloquem-se no lugar dessa gente e pensem: e se fosse com a gente? Ia achar bom perder sua terra, sua casa, e todo seu habitat? Isso é a vida das pessoas que moram lá.

 
 
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Jair Fonseca

Segue um vídeo bom sobre o assunto. 

 
 
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O grande problema desta questão é que os ambientalistas pensam em Brasil mas visualizam EUA e Europa. Faltam incluir 17 milhões de brasileiros......São 17 milhões que vivem a margem da sociedade sem condições dignas de vida. Outro ponto importante...quando os ambientalistas pensam em ribeirinhos eles não conseguem visualizar problema ambiental mas eles estão lá. O ribeirinho toma posse de uma faixa de terra próximo aos rios e braço de rios, lá promove a queimada, o desmatamento, causa erosão, polui aquele local. A queimada, método usado, esgota os nutrientes da terra. O ribeirinho faz tudo isso pois é obrigado a plantar, para sua subexistência, em terras inclinadas e que apresentam grandes dificuldades para sua realização. Tirando os ribeirinhos deste local e dando terras planas, um ponto de luz etc...ele poderá ter uma bomba d'água elétrica, poderá contar com formas melhores e mais eficazes de plantação ......

Outro ponto, o Brasil precisa aproveitar este momento totalmente favorável.....para isso, é preciso gerar mais empregos, melhorar infra estrutura, financiar a saúde, criar escolas, faculdades,.....e por aí vai....para tudo isso, é necessário energia. Então existe sim uma falácia quando se diz que BM será destinada às empresas.....sim uma parte irá atender as empresas, necessário para o desenvolvimento do Brasil que ainda está bem longe do consumismo desenfreado visto em países do primeiro mundo. Mas também, irá atender pessoas necessitadas que terão condições de melhor suas vidas.....isto não é consumismo, é atender necessidades básicas de sobrevivência, é dar condições de evolução......a energia de BM também promoverá a inclusão.....

O Brasil, o país "pessoa juridica", precisa de renda, renda para financiar o crescimento e a inclusão. Para obter esta renda, é preciso dinheiro do PIB, dos impostos e por aí vai novamente.......este dinheiro vem da produção....mas sem energia não aumentamos a produção.....mas, como um ciclo, o aumento de produção é necessário para gerar empregos, dinehiro para que o país não só inclua mais brasileiros mas principalmente consiga bancar toda sua estrutura.....INSS, SUS, Luz Para Todos, PAC e tantos outros programas.....

Agora pergunto, quem são os ambientalistas para dizer não para todos estes brasileiros que precisam ser incluídos??

Energia Eólica é uma falácia sim....é cara, muito cara, e ainda precisa de um sistema de back-up....e na Amazônia então só pode ser piada.....

 

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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Reginaldo Moraes

É mais ou menos isso, mas nem tanto isso: eles pensam no Brasil e visualizam alguma coisa que pensam que é ou foi a Europa e os Estados Unidos. Basta olhar a história desses dois gigantes para ver que destroçaram o meio ambiente e continuam a destroçá-lo. E o pior é que nao se contentam em destroçar seus territórios: destroçam o resto. Vide África, Ásia. Aliás, até agora nao entendi inteiramente o que significa ser ambientalista nem o que abrange este termo tão vasto.

 
 
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camilacamila

Concordo com vocês, Valber e Jair. Belo Monte não é apenas uma questão de quantos megawats gera ou deixa de gerar. Ou melhor, é muito mais do que isso. Não é só uma questão de flora e fauna, tampouco é uma discussão que se restrinja a Belo Monte. Vejo as defesas de Belo Monte, que gosto de ler para tentar me informar melhor, centradas apenas em Belo Monte e na produção de energia. Ao pensarmos pela via do Capital, Belo Monte é fundamental. Porém, há gente que não pensa por essa via - embora isso possa, aos das cidades, parecer estranho.

 
 
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palomino

Pois é, Válber. Belo Monte é necessária para o capitalismo, porque capitalismo precisa de mais energia para expandir ainda mais a produção e atender à crescente ânsia do consumo. O mundo já tem capacidade produtiva o bastante para satisfazer, senão todas as nossas necessidades, boa parte delas. Mas a produção continua a se expandir. E expande-se sem que a população empobrecida tenha acesso aos bens produzidos, ou mesmo saia dos grotões do exército industrial de reserva. É preciso fazer o país crescer, é preciso fazer as pessoas se matarem de trabalhar, é preciso produzir mais e mais, não por uma necessidade nossa, mas por um imperativo irracional da economia capitalista. Se há o capitalismo, vai haver Belo Monte, sofra quem sofrer. Acreditar que vamos seguir numa economia capitalista com base na energia eólica ou no consumo sustentável é besteira. Precisamos destruir a Amazônia porque precisamos de muita, muita energia para produzir a quantidade abissal de porcarias que vamos jogar no lixo em quinze dias. Questionar a construção de um empreendimento das proporções de Belo Monte é questionar a lógica do próprio capital.

 
 
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Zé das Couves

Excelente texto, porém perfeitamente inútil.
O ecologismo virou uma espécie de religião,seus seguidores são imunes a qualquer argumento racionai.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

E esses neo-udenistas aí escondidos atrás do ambientalismo, aí é que é brabo. Eles são racionais. São tão racionais que simplesmente não estão aí para ouvir; estão aí para fazer politicagem travestida de ambientalismo; atrapalhar o governo. Travar. Vivemos a mesma situação do efim da era getulista: a direita entreguista resolveu que quer continuar numa colônia e não num país. E que fará todo o possível para manter o país como colônia. Dentro da lógica stirizada por Raul Seixas:

 
 
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Vânia

"Super sincero conhece ativista em manifestação"

 
 
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Vânia

Ontem o vídeo não foi.. Como o post subiu novamente, aproveito para anexar mais uma vez. Por garantia, segue o link logo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=f0rGnIaM3XI

 
 
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atenir

O texto não é só útil, mas extremamente real e pertinente.
Esse discurso vago de ambientalista, é coisa de gente que não tem argumento e muito menos noção da complexidade do projeto.
Argumento sem números e dados concreto é poesia, coisa que não cabe no projeto de belo monte.

 
 
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Jair Fonseca

Poesia é o que há, rapá!
Você acredita em conto de fadas?

 
 
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Jair Fonseca

Não há "números" aqui, nem sei se esse vídeo é um "dado concreto". Estava num link do colega Eduardo, lá na página dois deste. Gostaria que alguém explicasse, ou trouxesse "dados concretos", quem sabe "números" sobre isso, que contradiz o conto de fadas, sem nenhuma poesia.

 
 
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ciro hardt araujo

Estou copiando e enviando a minhas filhas adolescentes, que receberam o tal dos "artistas" (confesso que me surpreendi com o marcos palmeira...).

Impecável, apesar da possibilidade dos mais renitentes bradarem com toda certeza: CHAPA BRANCAAAAAAA!!!!!!

Só senti falta das fontes das informações do texto.

Abraço e obrigado,de mais um que não dispõe de conhecimento nem de tempo pra procurar tudo o tempo todo (entendo a opção da Fausto...).

 
 
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jorge cordeiro

Ciro, os links de várias informações citadas no texto estão no post original, que infelizmente não são copiados quando o Nassif coloca o texto aqui. Vc pode acessá-los pelo post original, ok?

http://www.interney.net/blogs/oescriba/2011/11/22/bora_discutir_belo_mon...

abs!
Jorge

 
 
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ciro hardt araujo

Muito obrigadíssimo, Jorge.

O acesso a fontes primárias é fundamental para se poder pensar, por isso sempre peço, quando a informação me parece boa.

Vou repassar.

É duro fazer frente a conservadores e ambientalistas de ocasião ou simplesmente bem intencionados...

Abraço

 
 

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