Ataque do Comando Vermelho foi para negociar

Do Blog de Carlos Amorim

Ocupado o QG do Comando Vermelho. Algo vai mudar?

Publicado em 28/11/2010 por Carlos Amorim

Às oito horas da manhã do domingo 28 de novembro – uma data histórica -, três mil policiais, soldados da Brigada Paraquedista do Exército, além de fuzileiros navais com 15 blindados leves, mais helicópteros de combate, invadiram o quartel-general do Comando Vermelho: o Morro do Alemão, no centro de um complexo de 14 favelas e quase meio milhão de moradores. Até as cinco horas da tarde, quando a ocupação se completava, a força milita ainda se impressionava com a calma aparente no bairro. Esperava enfrentar 600 traficantes fortemente armados, mas esse grande confronto, que resultaria em dezenas de mortos, simplesmente não aconteceu.

Utilizando a velha tática das guerrilhas, os bandidos se dispersaram e sumiram em meio à população. Deixaram para trás toneladas de maconha e cocaína, armas de guerra, dinheiro (60 mil dólares só numa mochila apreendida com um garoto) e as casas luxuosas dos gerentes do tráfico. Quase uma centena de pessoas foram presas, a maioria inocentes. A ocupação do Morro do Alemão encerra uma semana de violência desmedida no Rio de Janeiro. No domingo anterior, bandos armados começaram a queimar ônibus e carros por toda a cidade, num total de quase 100 veículos, semeando o pânico. No enfrentamento entre os criminosos e a polícia, 36 pessoas morreram e não há conta do número de feridos.

A batalha – e este é apenas um episódio numa guerra que levará décadas – produziu três resultados inéditos e surpreendentes: a reação solidária de todos os níveis de governo, com o governador aceitando a intervenção de tropas federais; a resposta indignada da população carioca, que colaborou com a força-tarefa inclusive nas favelas; a unificação das facções criminosas. A pergunta que se coloca é a seguinte: por que os bandidos tomaram a iniciativa do confronto, com a queima dos veículos, provocando abertamente o poder público? A explicação oficial é a de que eles estavam perdendo territórios para as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Difícil de acreditar, porque essas unidades existem apenas em 12 (agora 13) das mais de mil favelas cariocas – uma gota no oceano. Outra explicação: os bandidos estariam reagindo contra a transferência de suas lideranças para presídios de segurança em outros estados. Essa pode ser. Mas, como eles foram transferidos há muito tempo, soa estranho. A minha tese é a de que os ataques visavam criar uma moeda de troca para uma trégua na Copa do Mundo e nas Olimpíadas.

Todas as vezes em que o crime organizado promoveu esses levantes armados – e foram várias -, havia sempre uma pauta de reivindicações por trás dos atentados. Foi assim com os ataques do CV nos anos 1980 e 1990; com o PCC paulista em 2001, 2003 e 2006; com a Organização Plataforma Armada (OPA), em Salvador, em 2008. Quase sempre as reivindicações se destinavam a melhorar as condições carcerárias, especialmente porque tais facções agem de dentro para fora das prisões. Toda a chefia desses grupos está presa – e do lado de fora das celas os novos comandantes são da terceira geração do tráfico de drogas, jovens e cruéis, que não têm o mesmo senso de convivência comunitária que seus antigos líderes pregavam.

Esses movimentos reivindicatórios sempre foram mantidos em segredo pelos governantes, tratados em gabinetes, distantes da imprensa e da opinião pública. E quase sempre resultaram em acordos benéficos para o crime. Um exemplo escandaloso foi o de uma comissão do governo paulista que foi até o presídio de Presidente Bernardes se encontrar com o suposto chefe do PCC, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, em plena onda de atentados de 2006. Vou repetir: muitas das exigências das facções criminosas (visitas íntimas, aumento do banho de sol, fim dos espancamentos e dos castigos, melhoria da comida, transferência de presos doentes) foram atendidas, porque esses confrontos cobram alto preço político, particularmente com as rebeliões prisionais banhadas a sangue, como no caso do Carandiru, o mais emblemático de todos.

E agora, neste episódio do Rio de Janeiro, silêncio total as autoridades e da mídia. O governador Sérgio Cabral tomou a atitude corajosa de partir para cima do crime organizado. Alguns anos atrás, chegou a admitir que o Rio "vive um estado de guerra". E Cabral foi tão longe, que já não tem caminho de volta. A briga vai ser feia mesmo. Aliás, comente-se que a mídia aderiu completamente, sem qualquer tipo de questionamento. A capa da Veja, com foto de um soldado do Bope apontando uma arma, dizia: "o dia em que o Brasil começou a vencer o crime". Parece mais um desejo do que uma realidade.

O Brasil, que vive uma democracia avançada e de plenas liberdades, com um partido popular no poder, agora se equiparou ao México, onde o narcotráfico está vencendo a guerra, e à Colômbia, onde há uma guerra civil que já dura 56 anos e que resultou até agora em quase um milhão de mortos. Lamentavelmente, adentramos o perigoso pântano de uma guerra urbana de verdade. (Ver o artigo "As UPPs e o Estado de Direito", neste site.) Num dos meus livros, escrevi: "não quero ver a minha cidade ocupada por fuzileiros navais e paraquedistas – assim como não quero vê-la ocupada pelos meninos do tráfico". Poucos anos depois, o pesadelo chegou. (E o que aconteceria se o PCC aderisse ao levante?)

Outra questão que me preocupa: comemorando 25 anos de liberdades, podemos conviver com ocupações militares, com pequenos Estados de Sítio? É isso que a população quer? Certamente, é isso que a classe média, a maior vítima da violência, deseja – assim como é o mesmo que deseja a elite consumidora de drogas e cínica. Vamos também erguer uma força-tarefa para pegar os bandidos da Esplanada dos Ministérios e da Avenida Paulista? E os traficantes da orla de luxo do Rio, do Guarujá, Floripa, Vitória ou Salvador? Aparentemente, o braço armado do Estado vai continuar caindo sobre as "classes perigosas", os pobres em geral.

Quem acha que a batalha do Alemão vai acabar com o tráfico ou o crime, está enganado. O Comando Vermelho ocupava aquela área há quase 30 anos, inclusive com hotéis para receber seus fornecedores estrangeiros e seus sócios do PCC. Quanto tempo os militares ficarão por lá? Nossos governantes nem sabem direito o que é crime organizado. Os chefes do tráfico de drogas e de armas, da pirataria e do contrabando, não moram em favelas e não serão presos. O tráfico no Rio movimenta 100 toneladas de drogas por ano, com um faturamento de aproximadamente 700 milhões de reais. Quem vocês acham que são os agentes financeiros de toda essa grana, só no Rio?

Por que o governador Sérgio Cabral não aproveitou a ofensiva contra o crime organizado para atacar também as milícias, bandos armados formados por policiais e ex-policiais, que ocupam quase 100 favelas na cidade? Esses grupos paramilitares agem como forças auxiliares da polícia. A mais famosa dessas milícias – a "Liga da Justiça", da zona oeste – é comandada por um deputado e uma vereadora – pelo menos é isso o que garante o Ministério Público e a imprensa carioca. Mais uma: porque não aproveitou o momento de mobilização para anunciar um plano de reforma do aparelho policial e combate à corrupção entre as forças da lei? Estava na hora de fazer tudo isso? Não! Essa hora já passou há muito tempo! Depois do calor das emoções, tudo isso escorrega para o silêncio.

Ou seja: dispersada a pólvora e a fumaça, vai começar tudo de novo. 

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118 comentários
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Fernando Fonseca

Nassif,

Não sei se o ataque deles foi para negociar, mas estive agora a tarde na casa de minha mãe e o tiroteio era intenso pelos lados do morro da Saçu em Quintino.

Armas de grosso calibre vomitando a valer e a gente ouvia perfeitamente lá da casa dela (fica a uns 3 km),

Acho que eu já sei para onde foram os fugitivos lá do alemão.

Tomar a boca da Milícia em Quintino.

Bem, vender limonada é que eles não vão.

 

Um abraço.

Fernando

 
 
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Abel

Eu comentava anteontem, no trabalho, que tinha a sensação de estar vivendo um momento histórico no Rio de Janeiro - daqueles que as pessoas daqui há 20, 30 anos, vão perguntar: "onde você estava nesse dia?"

Tudo isso porque havia lido que os aposentados da polícia e dos bombeiros estavam se oferecendo como voluntários na Secretaria de Segurança Pública, para ajudar seus companheiros da ativa, que estavam indo para a linha de frente. Nunca antes na história do Rio de Janeiro houve tanta união em torno de um objetivo comum: acabar com o domínio territorial dos traficantes.

O Rio não é São Paulo. Aqui não tem acordo.  E nem banho de sangue houve - para imensa decepção de certa parte da imprensa (e seus leitores).

P.S.: isso foi só uma batalha; a guerra ainda não está ganha. Falta a Rocinha.

 
 
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Zeno

Concordo. O objetivo estratégico foi somente a ocupação do território, quem espera mais ou outra coisa como o "combate ao crime", "combate ao tráfico de drogas" ou a "prisão de bandidos" engana-se rotundamente. Beltrame deixou isso bem claro. Em geral as interpretações à esquerda e à direita estão se equivocando nisso. Esqueça a barbárie da queima de ônibus e automóveis, se há ou não alguma relação com a ocupação do Alemão, os estudiosos e investigadores talvez tenham algo a dizer. O fato é que o Estado precisava ocupar o Alemão, dado a sua posição geográfica estratégica quem domina o Alemão domina todo o subúrbio carioca, e foi isso que se fez. Diria-se que Beltrame age com "inteligência israelense", em sentido figurado obviamente. Ocupação do território é a síntese da novas atuações das forças de segurança daqui para frente. Qualquer comparação com os problemas de São Paulo em 2006 é disparate. E para a ocupação do território o uso dos blindados de desembarque dos fuzileiros foi fundamental. Com os blindados a polícia resolveu o assunto em dois tempos. Não haverá "décadas de combate", houve apenas dois dias, e pronto. Para o que se propôs fazer, foi feito. Ocupou-se, finalmente, o tal lugar. Um detalhe, as milícias não são enfrentadas militarmente. Milícia é o Estado degenerado, o Estado feito-máfia. O enfrentamento de milícias envolve o judiciário, e não exércitos.

 
 
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vicente neto

 Abel, em que mundo voce vive? O crime só proliferou  por causa da "inoperancia" do Estado e dos acordos da policia com os traficantes. E só agiram agora, para responder aos atentados ocorridos.  

 
 
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druida

Falta a Rocinha e centenas de outras comunidades. O assunto é bem mais complexo, estamos e seguiremos imersos em confrontos prolongados envolvendo várias facções criminosas, com negociações entre governo, polícia e essas facções -- estruturalmente, nada mudou exceto a forma de reconquistar territórios geográficos.

Veja, por exemplo, a excelente entrevista do professor da UFRRJ, José Claudio Alves: http://bit.ly/eyuXTp

 
 
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Marcelo Vagaba

Desculpe discordar de você, Abel, mas os aposentados e demais "voluntários" da invasão no morro do alemão não estavam querendo salvar a pátria, estavam atrás das riquesas em posse dos traficantes e dos moradores. Ou você acredita no que a rede Globo disse : "Os traficantes destruiram suas próprias casas e mobília para que os moradores não roubassem" ? Nas verdade, o correto seria "Os traficantes destruiram suas próprias casas e mobília para que os policiais não confiscassem".

Se quer um exemplo de polícia no Brasil, precisa visitar Belo Horizonte.

 
 
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oswaldo j. baldo

Posso estar enganado mas acredito que a maioria dos criminosos e seus chefes  estão foragidos.

Sairam para outras localidades e voltaram aos seus "negocios" em nova sede.

 
 
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flavio g.

Ai esta a grande derrota do trafico,  ele é um negocio, e o negocio foi assaltado.

Dentro do Morro do Alemão foram apreendidos 40 toneladas de Maconha, segundo o artigo, que eu não sei se esta certo, isso é quase a metade da drogas que comercializado por ano no rio.

Além das drogas foram aprendidas muitas armas, e principalmente tomaram o território do trafico.

Ou seja, se tomaram a mercadoria, e a loja. Com certeza o trafico ainda tem muito dinheiro, porém o golpe foi forte e pegou no rim. 

 
 
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erlania

Depois de ver toneladas de drogas e armas sendo apreendidas acredito que esta ocupação só atrasou os negocios das facções. Eles retornaram, com certeza!

è triste não sabermos com certeza o destino de toda essa droga apreendida, uma vez que estamos falando de milhões se não bilhões de dolares. Acreditar que a policia vai queimar tudo é o mesmo que acreditar em contos de fada, o governo neste exato momento precisa de muito dinheiro para cediar a copa, é porque só agora que estão precisando de dinheiro é que eles resolveram fazer esta ocupação.

Estranho.

 
 
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Luis Felipe

O ataque dos traficantes a cidade do Rio pode até ter sido para negociar. A resposta do governo, com a operação no Complexo do Alemão, foi "não tem conversa".  

 
 
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Thor

Mas a ideia da UPP não é justamente desvenciliar a necessidade (possível) de civilizar as favelas, da necessidade (quase que impossível) de acabar com o tráfico?

 
 
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Luis Jose Ariosto Pereira Silv ...

MARAVILHA, foi a vitória sem disparar um único tiro, isso só mostra como os traficantes são covardes, na hora do pau comer correm de mêdo, melhor ter sido assim, valorosos soldados brasileiros foram poupados para continuar a luta contra o crime

AGORA QUE O RIO FOI PACIFICADO, temos que fazer o mesmo em SAMPA, colocar o exército auxiliado pela Polícia do RIO, já que a polícia de SAMPA está comprometida pela corrupção, vamos varrer os criminosos da nossa PATRIA o quanto antes

OBRIGADO GOVERNADOR CABRAL, OBRIGADO PREFEITO EDUARDO PAES, OBRIGADO SENADOR MARCELO CRIVELLA, E PRINCIPALMENTE OBRIGADO PRESIDENTE LULA, o grande comandante da nossa Tropa de elite, ensinamos uma lição para os traficantes que os mesmos nao lhe esquecerão

Imaginem se o governador do RIO fôsse o " TANGA DE CROCHÊ" GABEIRA, eh preciso ser macho para enfrentar uma situação como foi essa guerra contra o tráfico

E a elite carioca está tremendo, agora vai aparecer todos os podres, aposto que os traficantes tem marcado todos os nomes de clientes, vai cair a casa de muita gente, ok

Não tirarão de nós o sonho da OLIMPIADA ou da COPA do MUNDO, nao importa o que diga o PIG

VAMOS para a vitoria!!!!! VIVA O BRASIL E OS BRASILEIROS DE VERDADE!!!!! VIVA NOSSA PATRIA!!!!! QUE ORGULHO DE SER BRASILEIRO HOJE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 
 
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mitcha

É tudo por causa da UPPs..

Não se engane...

Há mt tempo rola esse papo aqui no Rio, o sufoco que certas UPPS estariam gerando ao trafico.

Passaram as eleições e viram que não ia parar..

Pavão Pavãozinho tb pronto pra receber UPP.

E essas historia de uniao entre facções tb não está confirmada.

Tanto é que PEZÂO, lá do Complexo, não aceitou receber FB do Cruzeiro.. e ambos são do CV!

FB foi pra Fazendinha, ali do lado...

Rumores que Rocinha estaria recebendo traficantes não passam de boatos.

Rocinha é ADA, e pelo o que consta, o chefe de lá, NEM, não tem a mínima intenção de se misturar com CV.

 

Pode acreditar, Nassif... isso é resultado do sucesso das UPPs.

 
 
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van

"Tanto é que PEZÃO, lá do Complexo, "

kasjakajskajskajsk! mas o vice do Cabral não é o próprio PEZÃO?

PELOSCÉOS!f

 
 
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Durvaldisko

Gostei do tom otimista.Lembrou-me   os textos    dos esclarecidos escribas  do  recente período eleitoral e seus mobilizadores  blogs.Já decidiu   o que vais ser? Cicuta,fogo às vestes ou dirigir bicicleta na contra-mão  ?

 
 
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Mafalda

E por acaso dá pra resolver tudo de uma vez só? Então o governador tinha de fazer o quê? Não se resolve só com a ocupação, mas também não se resolve sem ela.

 
 
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renato batisteli

Penso que muita gente quer pensar com otimismo. Agora vai. O estado chegou para ficar. As favelas serão pacificadas. Mas, para a infelicidade geral da nação, diga ao povo que é o crime, a corrupção, as mesquinharias de uma penca de políticos, um caldo ruim de interesses escusos duro de tragar é que continuarão a cair sobre a cabeça de gente pobre, honesta e trabalhadora. A questão de fundo é saber como abreviar o tempo necessário para atingirmos níveis decentes de cidadania. Penso que será mais do que longo este tempo porque este é um percurso eivado de irresponsabilidades pela maioria dos ocupantes dos poderes em todos os níveis. Triste Brasil que se compraz com o circo   

 
 
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Luiz Sousa Junior

Esse artigo é favor do que mesmo?

 
 
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Waldemar

O Brasil derrota o Brasil. Para delírio do Brasil

por Luiz Carlos Azenha

A população brasileira vibra. “Forças de segurança” garantiram a vitória do Brasil contra… quem mesmo? O Brasil.

Finalmente, nossa gloriosa bandeira está hasteada em Iwo Jima.

A foto foi publicada no site do Sidney Rezende.

O discurso é grandiloquente: o território teria sido “libertado”, o “momento simbólico entra para a história”, é a “atitude emblemática”.

Na cobertura dos acontecimentos do Rio de Janeiro só está faltando aquela vinheta “Brasil!” que a Globo usa na Copa do Mundo.

Em uma única edição do Jornal Nacional, dois populares apareceram falando na vitória do “bem”.

É a negação, pela força, de que o “mal” também somos nós, brasileiros.

Ou fomos invadidos por uma força estrangeira de traficantes? Seriam seres extraterrestres os bandidos do Alemão? Seriam resultado de geração espontânea?

Por trás do heroísmo do BOPE, dos blindados que sobem o morro com a bandeirinha do Brasil tremulando, dos repórteres que usam coletes à prova de bala, por trás de todo o circo há uma guerra do Brasil contra o Brasil.

Os “ratos” que fogem pelo esgoto somos todos nós, brasileiros.

É nessa hora da “exceção” que reconhecemos o verdadeiro Brasil: o que clama pelo fuzilamento, o que nega direitos básicos elementares para os outros (inviolabilidade do domicílio, por exemplo), o que se concentra em soluções de curto prazo, o que esconde a miséria quando vai receber visita (o mais importante é ‘preparar o Rio’ para a Copa e as Olimpíadas).

A maconha, a cocaína e as anfetaminas amplamente consumidas nas festas e casas da classe média brasileira, afinal, aparecem lá por “geração espontânea”, do mesmo jeito que os traficantes do Alemão e da Vila Cruzeiro.

Como escreveu o Sakamoto, o Brasil perdoa o Brasil que usa métodos criminosos contra criminosos.

Como escreveu o Luiz Eduardo Soares, o Brasil busca as soluções fáceis, pirotécnicas, maniqueístas.

Para que tudo continue como está, eu acrescentaria. Para que o Brasil continue gastando mais com juros do que com saúde, educação e salários.

Para que, assim que a farsa acabar, os “heróis” de hoje sejam acusados de abalar as contas públicas, se continuarem a reivindicar a aprovação da PEC 300, a que visa criar um piso salarial para os policiais brasileiros.

Deveríamos ter vergonha de ter deixado as coisas chegarem onde chegaram. Deveríamos ter a decência de não usar o patriotismo onde cabe a vergonha.

 
 
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Lalo

O autor do artigo esqueceu-se de abordar a colaboração da população. Será que ela não conta? Será que o encaminhamento de soluções para o problema deve levar em conta apenas as teorias sociológicas sobre o tema e  desconsiderar o sofrimento da população que vive  diretamente sob o dmínio do medo? Pode até ser uma injustiça com seu autor, mas parecia Garotinho criticando a operação, aquele negócio de apontar mil problemas, indicar mil soluções para eles, e nunca fazer nada de concreto .  Eu prefiro ver com otimismo o quê foi feito até agora, inclusive as UPP's já instaladas.  

 
 
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Grauninha

Depois das bandeiras... alguém pensou nas galerias pluviais?

 

Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!

 
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Ernesto Camelo

Sem qualquer paciência.

Perdi a paciência com os textos que estão rolando na internet. Freixo, Sakamoto e até Azenha.

 Qual a dificuldade em admitir que no Rio de Janeiro estejam sendo dados passos importantes em termos de segurança pública? Qual a razão de tantas críticas às UPPs? Porque não admitir que as operações de retomada das áreas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão foram bem sucedidas?

 Da extrema direita, representada por Cesar Maia, à esquerda, por Marcelo Freixo, palavras que interpreto como de ressentimento e inconformismo.

Inconformismo de que existem sim governos municipal, estadual e federal trabalhando de forma integrada. De que esses governos, aos quais a direita e alguns setores de esquerda fazem sistemática oposição, podem executar com sucesso projetos de curto, médio e longo prazos.

Na quinta-feira, após a retomada da Vila Cruzeiro, o secretário Beltrame (Segurança Pública do RJ) declarou em coletiva de que só tinha recebido apoio da Marinha, pois o Exército recusava-se a participar. À noite o Comandante do Exército, que estava no Rio participando de uma formatura, foi convocado para uma reunião em Brasília. Na sexta-feira retornava ao Rio, ao lado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para participar da reunião com os comandantes da Marinha e da Aeronáutica, e com as polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro. O reforço de equipamento e de pessoal estava garantido. O presidente Lula se comprometeu em atender ao Estado do RJ com tudo que lhe fosse solicitado. E assim aconteceu.

A quem e porque isso tanto incomodada?

 Diz hoje o deputado Marcelo Freixo: “É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.”

 Como é que é? O deputado bem sabe que isso não é verdade.

 Alguns perguntam: “por que isso não foi feito antes?” Porque faltava vontade política, capacidade de execução, recursos, respondo eu.

 E os financiadores do tráfico, e as milícias, e o contrabando, e a pirataria? Que bom seria resolver tudo de uma só vez.

Em muitos aspectos as críticas se assemelham aquelas lançadas contra o programa bolsa família. Será que dá para pelo menos começar a resolver o problema, alimentando o faminto, ao invés de só questionar e criticar?

Os discursos repletos de platitudes, esses parece que vieram para ficar. E toma de “políticas estruturantes e convergentes, dentro de uma visão sistêmica, com perspectivas de sustentabilidade de médio e longo prazos”.

Em algum lugar li sobre a operação de hoje: “quero que revelem se as vítimas foram executadas com tiros na nuca”. Vítimas, que vítimas?

Existe uma linha de trabalho proposta e seguida no Rio de Janeiro em relação à segurança pública, e que tem nas UPPs seu elemento principal, com, a retomada de territórios, reurbanização, oferecimento de serviços públicos, reinserção social, e também com a renovação da polícia e da sua relação com o cidadão.

Pela sua dimensão, geografia, população e periculosidade, o Complexo do Alemão estava programado para daqui a alguns meses. Fatos extraordinários precipitaram a ação de hoje.

E isso foi feito com eficiência, com danos mínimos, sem chacinas ou acordos espúrios.

 A comunidade agradece, e a maioria dos cariocas também.

 

 
 
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Gunter Zibell - SP

O Maierovitch escreveu sobre a situação no RJ de um modo a meu ver mais ponderado, nem ufanista nem cético.

http://maierovitch.blog.terra.com.br/2010/11/28/policia-do-rio-e-forcas-armadas-passaram-no-vestibular-do-alemao/

 

Tutu, Zapatero, Cristina, Hollande, Obama já deram o recado : não vote em quem não se declarar favorável ao Casamento Gay

 
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Rafael Wuthrich

Discordo do grande Azenha, do hipócrita Freixo e de muitos outros que andam dando pitacos por aí. Como carioca, nunca vi nada igual. A primeira vez que vejo um plano de ação articulado entre as forças do estado para retomar territórios dominados. Mas então vem "comentaristas" criticando a solução de segurança, dizendo que ocorrerá um banho de sangue, que é tudo oportunismo, que os direitos dos cidadãos que moram nas favelas estão sendo desrespeitados...Estou louco? Quando que os direitos eram respeitados em um lugar onde o tráfico decidia a vida dos moradores por eles? Quando o estado, depois de décadas, resolve fazer algo efetivo, chovem as críticas dos "defensores de direitos humanos" que o ilustre Capitão Nascimento fala em "Tropa 2", nitidamente acreditando que tudo seria resolvido com um aperto de mãos. Se a estrutura estatal deve ser deselvolvida, que demos o primeiro passo. Só a classe média que quer? Pergunte aos moradores dessas áreas o que eles preferem.

 

 

Rafael Wüthrich

 
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João Maria Fernandes de Sousa

Onde que eu assino?

É por ai mesmo, todos, principlamente na blogosfera, estão carecas de saber quem são os financiadores e, principalmente, os clientes do tráfico (não se cheira cocaína ganhando pouco, pó é caro pra caraca), na outra ponta da corda são esses os co-responsáveis por todo esse estado paralelo e terrorista que se difundiu no Rio de Janeiro... é incompreensível essa posição de não admitir que a tomado pelo Estado da Vila Cruzeiro e do Alemão foram um duro golpe nos traficantes, o braço armado e operacional do tráfico carioca sofreu um grande revés nessa última semana, isso é fato pra ser comemorado por todos que desejam um Brasil para os verdadeiros brasileiros.

 
 
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Angela Novais

Não quero fazer apologia a derrota, longe disso. Mas temos que perceber, que o ataque  foi para negociar e a articulação, elaborada pelos que vivem em edifícios e palacetes luxuosos.

Afinal, negociando ganha-se duas vezes: continua-se com o lucro do tráfico e recebe-se previlégios como a proteção do anonimato.

 
 
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pablo lopes

igual foi em 94 e 95!!

 me lembro que as forças armadas foram para a rua para combatera marginalidade!!

ela diminuiu, mas depois de um tempou voltou e hoje ela ta forte!!

 ou a gente cria formas dessa fabrica fechar e arrumar emprego para esses emrpegados do tráfico, ou continuaremos a enchugar gelo!!

 
 
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Quadros

Infelizmente, sou obrigado a concordar com essas colocação. Aliás, na página de acesso ao portal Terra, uma das notícias (altos à esquerda) era de que as casas dos chefes do tráfico haviam sido invadidas pelos locais, com direito à foto de 2 meninos em uma piscina. Quer dizer, mudam apenas as moscas, ou nem isso? Muita pirotecnia por nada, afinal, não foi alterada a estrutura social, nem a polícia carioca admitiu novos milhares de recrutas; nem essa mesma polícia está treinando quem quer que seja; apenas a população sabe o que acontecerá em uma semana ou duas: tudo de novo, com regras mais rígidas de obediência e subserviência. Lastimável.

 
 
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Ivan Moraes

"Por que o governador Sérgio Cabral não aproveitou a ofensiva contra o crime organizado para atacar também as milícias, bandos armados formados por policiais e ex-policiais, que ocupam quase 100 favelas na cidade?":

Porque "milicia" por definicao eh de direita:  milicia de esquerda eh motivo de guerra no  continente inteirinho.

Milicia eh instrumento da direita tanto quanto a religiao.  Arsenal de guerra.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Uélintom

Algumas discordâncias do autor do texto.

Primeiro, desconfio de quem tem na manga o plano perfeito. Por onde começar? Primeiro reforma as polícias? Primeiro faz política pública? Como fazer política pública sem poder entrar nos locais? Essa discussão é do tipo que vai longe e não leva a lugar nenhum.

Não é possível saída pacífica para lidar com organizações criminosas armadas até os dentes. Como poderiam promover a não adesão de novos jovens ao tráfico com suas famílias reféns dentro da comunidade. A não ser que se propusesse a saída dessas pessoas da favela, para que seus filhos não fossem assediados pelos bandidos. Mas isso equivale dizer "quem não está contente que saia".

Reclamam que a classe média está feliz de ver a bomba estourar na favela e não no seu quintal, mas quem reclama também acha que o playboyzinho que fuma maconha e cheira cocaína é vítima, e consumo de droga um caso apenas de saúde pública. Ou seja, não sabe se fica mais chocado com o tanque-de-guerra na favela ou com o tapa na cara dada pelo policial no riquinho com maconha no bolso. É claro que violência desmedida, abuso de autoridade, cerceamento das liberdades individuais são coisas inaceitáveis, mas passar a mão na cabeça do usuário coitadinho é uma grande burrice. Não falo do cara que foi experimentar e em pouco tempo foi sequestrado pela química do que fumava ou cheirava. Esse é o infeliz do usuário (infeliz porque tem um problemão de saúde a enfrentar). A dependência é, sim, situação para as clínicas médicas, não para a delegacia. Falo do consumidor, do bacaninha que antes de ir à festa dá uma cheiradinha só para animar, do filhinho de papai que dá um tapa na facu, só para relaxar da prova difícil, dos pais cúmplices, que também deram uma fumadinha e acham que não tem problema uma fumadinha de vez em quando. O autor pergunta: cadê os donos daquelas fortunas, que não estão nos morros mas em condomínios de luxo? E eu pergunto, essa fortuna tem geração espontânea? É dinheiro de especulação financeira e imobiliária? Ou é transferência de dinheiro das classes B-A, A, AA, AAA para os traficantes?

Mas certamente há questionamentos relevantes no texto. E mais um deles é: após a implantação das UPPs, o que faz o Estado brasileiro nesses locais? Promove uma ocupação da saúde, da educação, cultura e do lazer dos jovens e das famílias nas comunidades? O Estado é quem tem o monopólio da violência, mas a violência não deve monopolizar as ações do Estado.

Resumo da ópera, em minha opinião: uma ação de força é necessária e inevitável. Evitados devem ser os abusos. O uso da força não deve ser tudo o que o Estado tem a oferecer a esses locais. Os consumidores de drogas também devem ser responsabilizados pelos recursos que o tráfico acumula - estou de saco cheio de ver filhinho de papai fazer manifestação contra a violência policial nas favelas e depois dar um beck sentado na grama.

 

 
 

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