Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
|
|
|
Brasilianas.Org |
|
As raízes do fundamentalismo árabeEnviado por luisnassif, sab, 12/02/2011 - 08:40
Por Alarcon
Caro Piragibe, em nome de Allah, que é o mesmo Deus das três grandes religiões monoteístas, de Oxalá, Shiva, Marx (representando aqui o ateísmo) e quem mais você queira, não me fale uma aberração destas. A Irmandade Muçulmana sediada no Egito tem tanto a ver com a Al-Qaeda quanto José Serra tem com a defesa da Petrobrás e do petróleo como patrimônios nacionais intocáveis. A Al-Qaeda, se tem mãe, ela é uma e somente uma, e exatamente a diametralmente oposta à que você citou. A Al Qaeda foi parida diretamente, e com a presença de uma única parteira, das entranhas da Secretaria de Defesa dos Estados Unidos da América. E a única parteira a colaborar para o evento chama-se Arábia Saudita. Deste casamento: Estados Unidos da América e Arábia Saudita -, nasceram quase todas senão absolutamente todas as manifestações de fundamentalismo radical no mundo Islãmico, como também guerras, conflitos religiosos, étnicos e tudo mais que assombra aquela vasta região do planeta e, por tabela, invade nossos piores pesadelos ocidentais. Há cerca de dois séculos, dois clãs: o dos Saud e o dos Wah'aab se uniram em busca da unificação e domínio da Península Arábica. A partir daí, depois de imensa sucessão de fatos, e não sem a - como sempre carcinogênica - interferência das potências ocidentais, afastando outras interferências como a Otomana por exemplo, isso vai redundar na unificação posterior dos reinos, salvo engano quanto aos nomes, de Hejas e Nejd na década de 30, consolidando a unificação do Reino da Arábia Saudita. Lá dos Wah'aab, permanece como herança até hoje o que é conhecido como Wahaabismo que é - da mesma forma que existem inúmeros similares nos mundos cristão e judaico - uma forma brutalmente radical de Islamismo. E é esta a filosofia que permeia o pensamento da Família Real Saudita, uma Monarquia Feudal, brutal, e estribada militarmente e protegida - em troca de exclusividade petrolífera - pelos Estados Unidos da América. Foi este casal (al-Mamlaka al-ʻArabiyya as-Suʻūdiyya & United States of America) que nutriu, educou, patrocinou e enviou um de seus mais prodigiosos filhos - Osama bin Laden -, para montar e comandar um exército de guardiães e proteger o acesso norte às fronteiras do Irã (em cujo extremo sul, por sua vez, se situa um dos principais canais de escoamento para o líquido viscoso que lubrifica e mantém a excitação deste casamento) do eventual estabelecimento de uma "cabeça-de-ponte" por parte de outro Impéirio, desta feita o Soviético, também "tarado" pelo tal líquido viscoso. Um outro filho querido da família, mais especificamente de um braço da família denominado The "Bush" Family, resolveu se tornar um menino muito desobediente e atacou a chácara de outro dos inúmeros filhos da família, a chácara Kuwait, estacionando perigosamente tropas bem à cabeceira da mãe Arábia, acordada de súbito do seu tranquilo sono sempre velado e garantido pelos Estados Unidos desde 1945. Na Arábia Saudita, como você deve saber, estão as duas cidades consideradas sagradas pelo Islamismo (Mecca e Medinah), assim como por cá temos as nossas como Roma e Jerusalém,. Há, portanto, uma resistência muito grande quanto ao estacionamento de tropas às proximidades de lugares tão especiais para mais de 1 bilhão de praticantes de uma religião que prega eloquentemente a paz como é o Islamismo. É por isso, que a Família Real Saudita se viu numa encruzilhada. Recebeu a oferta de socorro de seu amado parente Osama bin Laden e, ao mesmo tempo, a insistente e persistente oferta de ajuda por parte de seu velho concubino, os Estados Unidos. Achando as forças Talibã e assemelhadas insuficientes para rechaçar a ameaça iraquiana, os ibn Saud, acabam, muito a contragosto, aceitando a ajuda estadunidense desde que as tropas "infiéis" abandonassem o solo sagrado assim que o perigo eminente cessasse. E assim foi feito. E, desde então, Osama bin Laden, indignado ao assistir a maciça presença "infiel" armada em solo sagrado, bem como não menos indignado com o desprezo, humilhação e desonra a que fora submetido, se torna um inimigo da própria família que o gerou, nutriu e educou. Quanto ao outro filho, Saddam Hussein, ficou decidido que fosse deserdado e - após vigorosa campanha para angariar apoios - que fosse, por fim e definitivamente, castigado. É assim que passamos a conhecer os abusos do ditador (que, diga-se de passagem, nada tinha a ver com religião, coisa que o mesmo queria ver o mais distante possível dos seus domínios) sem, contudo, entretanto, todavia, que nos fosse dado conhecer a história inteira. Sabemos, por exemplo, que o exército iraquiano usou armas químicas e/ou biológicas contra a nação separatista do povo Curdo (que luta pelo estabelecimento de seu estado independente, em terras hoje sob o domínio não só do Iraque - como fica parecendo - mas também da Turquia, Síria e Irã). Apenas nos foram descaradamente surruipiados os fatos de que: a) as brutais armas usadas contra os Curdos eram de fabricação e fornecimento direto dos Estados Unidos e do Reino Unido; b) Que tanto os Estados Unidos quanto o Reino Unido continuaram fornecendo do mesmo jeito as mesmas armas ao Iraque mesmo depois do amplo conhecimento, no detalhe, sobre seu uso no massacre curdo. O resto da história nós conhecemos e temos as ações contra o Irã (que repetem absolutamente a mesma estratégia) para nos relembrar: I. Demonizamos o país e seus líderes usando os mesmos rótulos ou bandeiras de sempre: democracia, radicalismo, ameaça à paz, armas de destruição em massa etc etc; II. Como resultado dessa propaganda, passamos sanções contra o país (que todos sabém inócuas pois vitimizam avassaladoramente a população e fortalecem os governos) para buscarmos seu isolamento e o enfraquecimento de suas defesas; III. Quando o país estiver suficientemente isolado e enfraquecido, nós finalmente entramos. É o mesmo filme, remasterizado. Mas acho que não vai funcionar com o Irã porque: a) O Irã é uma nação consolidada, integrada, com forte espírito de nacionalidade e moderna; II. Por mais que "vendam" a idéia contrária, o Irã não é uma ditadura mas, apenas uma República Islâmica com instituições fortes e em pleno funcionamento, um regime diferente do nosso que nos cabe apenas respeitar, deixando o seu julgamento para quem de direito, os iranianos. O Irã não representa nenhuma ameaça seja á paz regional seja à paz mundial. Já o atque diuturno ao Irã e seu enfraquecimento, sim, representam. Um Irã forte, sem atacar ninguém como nos últimos 200 anos pelo menos, é essencial ao equilíbrio regional. Para colocar um pouco de freio nas ambições desmedidas, irresponsáveis e genocídas do casal supracitado, que já destruiu - só na última década - as vidas e a paz de mais da metade do Oriente Médio inteiro. E nem o Irã, nem a Síria, nem ninguém do chamado Eixo do Mal tem um milímetro de responsabilidade em tanta desgraça. Aliás, genocídio, promoção do fratricídio, suporte a ditaduras, derrubada de democracias, carnificinas, preconceito, miserabilização de povos e nações, estupro moral serial de tradições, culturas e religiões, saque a recursos naturais, disseminação do ódio como base filosófica, são pressupostos, métodos e tecnologias quase que de propriedade exclusiva do "Eixo do Bem". Se você está entre os que vivem aterroizados pela ameaça do terror, seus temores entretanto por certo não infundados. Pois o pior está por vir, e a galope. Se não chegou ainda, talvez seja a benevolente, parcimoniosa e generosa mão do Profeta intercedendo por nós. É uma bomba do tamanho do mundo inteiro e que, mais uma vez, foi armada e lá plantada e será detonada pelo mesmo Eixo do Bem e, como sempre, com a participação protagonista do mesmo casal, Estados Unidos da América e Reino da Arábia Saudita, irretratáveis, irretocáveis e incansáveis no cumprimento de seu destino institivo de parir homens-bomba e explodir pátrias-mãe. Há muito tempo, o Império Britânico deu sua contribuição coadjuvante ao exercitar seu incomparável talento para criar Estados "inimigos para sempre" (através de acordos, partilhas, tratados, convenções etc) ao insuflar e induzir a divisão da Índia em três contra todos os esforços do imortal Mohandas Karamchand "Mahatma" Gandhi. Nasciam, além da Índia, dois "paquistões", um dos quais se tornaria o atual Bangladesh - que está fora desta história e, aliás, lutando ferozmente por ter direito a uma história, qualquer que seja, desde que de vida sobrevivente. Depois, temos a Arábia Saudita financiando com fundos e mundos a difusão de seu mais radical dos pensamentos Islâmicos por todo o território paquistanês, como premissa ao seu apoio - e o do seu concubino Estados Unidos - a alguns ditadores do Paquistão. Como acarajé sem pimenta perde um pouco do apelo, em paralelo ao apoio à ditadura, e à disseminação do radicalismo, o casal também resolveu dar seu suporte ao Programa Nuclear do Paquistão - como forma de manter sob controle alguns vizinhos - unindo definitivamente o inútil ao desagradável. Por fim, os Estados Unidos invadem o Afeganistão e persistem anos a fio numa guerra absolutamente surrealista e irrealista, que é por característica intrínseca ao seu teatro de operações uma guerra que não respeita a fronteira entre os dois "tões", desestabiliza o pouco que resta do estado/governo paquistanês e coloca à total deriva um "belíssimo" arsenal nuclear bem no caminho da mesquita improvisada - sobre os escombros de alguma outra milenar - (que eles mesmos puseram abaixo com suas "armas de precisão cirúrgica' quando tentavam atingir algum palácio de Saddam a uns mil quilômetros de distância) - bem a meio caminho entre o resto de casa e o resto de mesquita onde os fanáticos que eles mesmos inventaram moram e vão rezar diariamente. Conter essa ameaça real eminente é uma das missões colaterais do Programa Nuclear do Irã que, infelizmente, nem mesmo eu a milhares de quilômetros defendo mais que seja pacífico. O Irã precisa e o mundo precisa que o Irã tenha armas nucleares o mais breve possível. Esta pelo menos é a minha opinião e a opinião - que tal qual a minha evoluiu e mudou totalmente nos últimos 10 anos - a opinião de quase 60% dos entrevistados (no Mundo Árabe, em países na sua maioria inimigos do Irã) em pesquisa realizada no final de 2010 pela Brookings Institution, um think tank dos EUA, respeitado tanto por Democratas quanto por Republicanos. Por isso, em nada me preocupa uma eventual islamização do Egito, ainda mais se sob a influência da "extremada" pacífica e pacifista Irmandade islâmica. Por isso, também, em nada me preocupa os assuntos internos à República Islâmica do Irã. Me preocupa sim, o Paquistão Fanático Desgovernado Atômico; o Colômbistão (e suas incontáveis forças miltares, paramilitares, metaparamilitares, parametamilitares e toda sorte de combinações similares possíveis, onde as FARC é dos males o menor) bem aqui ao nosso lado; a infinita prole explosiva do casal Tio Sam e Tia Ibn Saud; as cachoeiras de dinheiro descendo para desestabilizar a vizinha Venezuela e por conseguinte o continente inteiro; e nosso pre-sal, e a governabilidade para nossa Presidenta, e o combate à miséria e o fomento à educação e, enfim, nosso futuro. O mais longe possível, desejo que estejamos, de quaisquer interferências das velhas podres potências sempre amigas de sempre. Que cuidem dos seu povos, aos quais dedico meu mais profundo carinho e respeito. Mas que parém de tocar com seu dedo de SidaM (Midas, ao contrário) a vida dos outros povos e nações. E, quando se fizer ouvir o estampido paquistanês das bombas que os dedos de SidaM já há muito detonaram, é bem provável que, de sob algum escombro em chamas do planeta, me apareça alguém que consiga acessar essa página somente para escrever que "um maluco fanático com uma manchinha na testa explodiu o mundo" Axé. Que a paz - e a liberdade - esteja sobre o povo do Egito. E sobre todos os povos do mundo.
Faça seu login e aproveite as funções multímidia!
|
Comentários + votados
1
-
alexandre a.moreira
12/02/2011 - 09:08
Não dá para esquecer "As Cruzadas"...antes delas a única diferença fundamentalista entre Ocidente e Oriente talvez fosse a do preço da Seda em Veneza.
As Cruzadas colocarm "Deus" como protagonista do...
5
3
-
Diogo Costa
12/02/2011 - 09:29
Breve história do imperialismo, do colonialismo e do capitalismo nas idades moderna e contemporânea.
A disputa por matérias primas com custos baixos e a busca de mercados para...
5
4
-
Martim Assueros
12/02/2011 - 11:32
Uma história bem contada, este texto seu, Alarcom. Muito bom. E, agregados os comentários, completa-se por inteiro.
5
5
-
Heitor de Assis
12/02/2011 - 11:53
Alarcon, ótimo texto, leve na forma e profundo no conteúdo. De tudo o que tenho acompanhado, lido e ouvido sobre o Oriente Médio nos últimos tempos, resta a sensação de estar assistindo a retirada de...
5
6
-
José Antônio Araújo
12/02/2011 - 12:21
Caro Alarcon:
Parabéns e obrigado pelo seu texto!!! Você escavacou fundo!!! Muito diferente das historietas de um certo comentarista do blog cujas iniciais começam com "A" e terminam com "A" também...
5
7
-
a rodrigues
12/02/2011 - 12:50
Estamos vendo aqui algumas maravilhas da internet.
No meio a tanta "revolução" ao vivo pela televisão um texto tão brilhante e lucido.
A internet pode ser libertadora ou uma faca de dois...
5
8
-
José Antônio Araújo
12/02/2011 - 13:26
Heitor:
Perfeito!!! É isso aí!!! Assino embaixo!!!
Grato,
JAA
5
9
-
Ricardo R.
12/02/2011 - 13:29
Apenas aconselho a leitura dos trabalhos do saudoso Edward Said, principalmente o livro "Orientalismo".
5
10
-
Walter Serralheiro
12/02/2011 - 13:46
EUA prometem impedir que mudança no Oriente Médio ameace Israelhttp://www.defesanet.com.br/11_02/110211_04_rts_eua_om.html
Este "EUA prometem impedir" é muita petulância, não é mesmo.
O que irá...
5
11
-
van.
12/02/2011 - 14:13
Excelente! Triste é não ter nenhuma documentação deste encontro entre Roosevelt e o Rei Saudita. Será que realmente não teve sequer algum registro? Então como sabem como foi o acordo, para a...
5
12
-
Fatima-Bahia
12/02/2011 - 15:45
Muito bom!seu texto me deixou curiosa de saber quem é você?muito interessante sua abordagem e a forma de fazê-lo!!
um grande abraço
5
13
-
Patricio
12/02/2011 - 15:56
Meu, que é isso? Como tem gente que escreve bem!
Ainda não tinha lido um texto seu, Alarcon. Lavou a alma.
Gostaria de ler mais matérias com essa qualidade. Obrigado e parabéns.
5
14
-
Walter Serralheiro
12/02/2011 - 16:32
Prezado Alarcon
Você colocou os pingos nos is... Sem a babaquisse de um Eduardo Bueno, aquele humorista metido a historiador, você foi preciso, conciso e verdadeiro.
Como diria o All Gore, você disse...
5
15
-
Juliano Santos
12/02/2011 - 17:04
Que estilo empolgante o seu, Alarcon, parabéns.
Espero que o Jorge Furtado, que estava reclamando outro dia do nível do blog do Nassif, leia o texto. Mesmo discordando, tem que se adimitir sua...
5
16
-
Patricio
12/02/2011 - 17:36
Sr Sobral
Certo, na zona só tem prostituta velha. Mas que uma coisa tem a ver com a outra?
Nas conquistas que você se refere, o senhor se esqueceu do legado deixado pelos árabes, entre as quais a...
5
17
-
Marcelo Sobral
12/02/2011 - 09:44
Certo, as Cruzadas são um exemplo de campanha brutal pintada de justificativas sagradas. Mas cuidado em também retratar os povos árabes/islâmicos como pacíficos, bonzinhos e vítimas da ganância...
4
18
-
Francisco Ernesto Guerra
12/02/2011 - 09:47
Alarcon,
Gostei muito do comentário. Só não compreendi porque voce não deu importância a questão israelense, que é a maior das causas das agruras do OM, talvez mais até do que a ganância pelo...
4
19
-
Zilda
12/02/2011 - 10:45
Um sábado muito rico em matérias que informam e que formam também. Gostei.
4
20
-
Alarcon
12/02/2011 - 09:15
Perfeito amigo. Quem e porque fomos (nós) colocar Deus nessa história nada divina?
Sua análise do excesso de mão-de-obra é estupenda.
Vou até procurar o Mercador de Veneza (a peça do Sheik Speare)...
3 Carregando
Posts de hoje
Mais Lidos da SemanaTagsBanco do Brasil
bancos
banda larga
Bolsa Família
Bresser-Pereira
capitalismo
Casa Civil
Cidades
Crise
crise mundial
desemprego
Dilma Rousseff
Economia
Educação
Educação
Folha
Gestão
Gestão Pública
Habitação
impostos
investimentos
IPEA
moradores de rua
municípios
Mídia
oposição
PAC
Política
Políticas Sociais
Software
São Paulo
Tecnologia
telebras
Universidade
Universidades
|
Não dá para esquecer "As Cruzadas"...antes delas a única diferença fundamentalista entre Ocidente e Oriente talvez fosse a do preço da Seda em Veneza.
As Cruzadas colocarm "Deus" como protagonista do diálogo ocidente / oriente as custas de um "exedente de mão de obra na Europa" e estamos amargando isto até hoje, com a "fast foodização" deste processo pelos Ocidentais "modernos"
alexandre A. moreira
Perfeito amigo. Quem e porque fomos (nós) colocar Deus nessa história nada divina?
Sua análise do excesso de mão-de-obra é estupenda.
Vou até procurar o Mercador de Veneza (a peça do Sheik Speare) para ver se acho alguma inspiração.
Grande abraço Alexandre Moreira!
Certo, as Cruzadas são um exemplo de campanha brutal pintada de justificativas sagradas. Mas cuidado em também retratar os povos árabes/islâmicos como pacíficos, bonzinhos e vítimas da ganância ocidental. Seria interessante investigar como se deu a expansão do império árabe iniciada nos tempos de Maomé, com a tomada dos territórios e povos desde a Índia até a costa atlântica da África e Portugal, Espanha (Andaluzia) e sul da Itália. Essa expansão não deve ter sido nada carinhosa. Nessas histórias de conquistas, não tem virgem na zona.
Sr Sobral
Certo, na zona só tem prostituta velha. Mas que uma coisa tem a ver com a outra?
Nas conquistas que você se refere, o senhor se esqueceu do legado deixado pelos árabes, entre as quais a álgebra, o enriquecimento dos vocabulários espanhol e português, a medicina (Ibn Sina, Avicena), a música. Em Córdoba, sob seu domínio, floresceu uma experiência célebre de convívio pacífico entre as três religiões monoteístas. Os muçulmanos acolheram os judeus e toda sua carga cultural. Precisa citar mais? Que outros "conquistadores" deixaram legado tão rico?
Roma deixou o legado do saque aos povos a que submeteram. Os ibéricos destruíram muito de nossa riquezas naturais, entre elas a cultura dos povos originários. Os cruzados trouxeram o banho de sangue e o ódio religioso como jamais se conseguiu igualar. Os alemães nos deixaram a avassaladora engenharia da morte em massa. Os norteamericanos, a arma radiativa utilizada em Hiroxima e Nagasaqui. Os sérvios cristãos aperfeiçoaram ao extremo o estupro como arma de guerra em Kossovo. Israel não deixou por menos: deixou um rastro de racismo e de fósforo branco.
É imoral defender a vitória dos conquistadores. Porém, os danos sofridos pelos povos conquistados não são iguais, uns aos outros. Coloca-los num único balaio serve apenas para dignificar a brutalidade do império ianque (que é o patrocinador de todas as desgraças belicistas atuais).
Excelente! Triste é não ter nenhuma documentação deste encontro entre Roosevelt e o Rei Saudita. Será que realmente não teve sequer algum registro? Então como sabem como foi o acordo, para a eternidade? Duvideodó.
Breve história do imperialismo, do colonialismo e do capitalismo nas idades moderna e contemporânea.
A disputa por matérias primas com custos baixos e a busca de mercados para desovar o excendente de produção é o que ocasiona o surgimento de guerras, sempre disfarçadas em questões religiosas, morais ou de outras platitudes quaisquer... E na divisão internacional do trabalho, as potências centrais buscam a perenização da opressão através das trocas desiguais e combinadas, a luta incessante das nações é pela sua autonomia econômica, tecnológica e política. E é esta a luta que o imperialismo tenta destruir a todo custo hoje e sempre, seja no Egito, na República Democrática do Congo ou na Indonésia.
E aqui na América do Sul, percebemos hoje o quanto foi importante, eu diria fundamental, a criação da UNASUL (já em pleno vigor) e do Conselho de Defesa Sulamericano. Já fui mais pessimista, mas acredito que o atual Colombistão dentro em breve voltará a ser a nossa querida Colômbia! As ferramentas para isso estão postas, a América do Sul nunca esteve tão unida e disposta a caminhar de mãos dadas rumo ao desenvolvimento econômico. Não sem antes dar um bom chega-pra-lá na velha e carcomida "Doutrina Monroe".
Diogo Costa
Alarcon,
Gostei muito do comentário. Só não compreendi porque voce não deu importância a questão israelense, que é a maior das causas das agruras do OM, talvez mais até do que a ganância pelo petróleo.
Bom dia Nassif - Documentario bem interessante:
Zeitgeist: Addendum
Legendas em portugues
Um sábado muito rico em matérias que informam e que formam também. Gostei.
Uma história bem contada, este texto seu, Alarcom. Muito bom. E, agregados os comentários, completa-se por inteiro.
Martim Assueros
Alarcon, ótimo texto, leve na forma e profundo no conteúdo. De tudo o que tenho acompanhado, lido e ouvido sobre o Oriente Médio nos últimos tempos, resta a sensação de estar assistindo a retirada de um imenso véu, tecido pelas potências ocidentais sobre as cabeças dos povos árabes. Os motivos para a existência do véu são claros: o petróleo, desde a primeira metade do século passado, e os sionistas, desde a criação do Estado de Israel.
Heitor:
Perfeito!!! É isso aí!!! Assino embaixo!!!
Grato,
JAA
José Antônio
Caro Alarcon:
Parabéns e obrigado pelo seu texto!!! Você escavacou fundo!!! Muito diferente das historietas de um certo comentarista do blog cujas iniciais começam com "A" e terminam com "A" também... Não sai disso, fica no mesmo lugar...
Um abraço,
JAA (não esqueça que eu tenho um "J"...)
José Antônio
Estamos vendo aqui algumas maravilhas da internet.
No meio a tanta "revolução" ao vivo pela televisão um texto tão brilhante e lucido.
A internet pode ser libertadora ou uma faca de dois gumes.
Toda poderosa arma pode ser perigosa.
Gostaria que alguem colocasse aqui no blog a entrevista de Lobão ao ig.
Ele explica bem as verdadeiras posições de ministros que alguns comentaristas acreditam ser "libertadores".
Apenas aconselho a leitura dos trabalhos do saudoso Edward Said, principalmente o livro "Orientalismo".
Diga-se se o que vai abaixo é invenção ocidental, visando deturpar o islã:
Leis da Sharia:
Explique o que há de diferente entre a Sharia e as práticas da CIA e demais organizações ocidentais que trabalham para manter o Oriente Médio sob controle? Penso que, em termos de violência e desrespeito aos os padrões de civilidade que vomitamos da boca prá fora, os fundamentalistas islâmicos tem o crédito de , ao menos, serem francos.
EUA prometem impedir que mudança no Oriente Médio ameace Israel
http://www.defesanet.com.br/11_02/110211_04_rts_eua_om.html
Este "EUA prometem impedir" é muita petulância, não é mesmo.
O que irá acontecer? Nova frente, tipo Iraque, Afganistão e outras intervensões do tipo?
|_|0|_|
|_|_|0|
|0|0|0|
"Liberdade!, Liberdade! / Abre as asas sobre nós / E que a voz da Igualdade / Seja sempre a nossa voz..."
Eu não vivo "aterrorizada" por uma ameaça terrorista, mas me aterroriza o islã como referencial para o que quer que seja, uma vez que essa religião não faz a menor distinção entre o humano e o divino no plano político. Ou seja, o Estado tem que ser governado por religiosos que ali implantam a sharia. E a sharia é responsável por casos como os abaixo relatado. Entre os valores ocidentais e os islâmicos, sei direitinho de que lado fico... Temos muitas mazelas, muitas injustiças, muitos casos de violação a direitos humanos. Mas, pelo menos, graças a séculos de debates, idas e vindas, evoluções de pensamentos, as barbáries - entre nós - são reconhecidas como tais. Essa religião profundamente machista é um terror para as mulheres... coitadas de nós se a cultura se expandir e se tornar dominante. E a tal da irmandade mussulmana foi quem modernamente ressuscitou a jihad. E seus ideiais deram origem a grupos tais como o Hamas e o Hisbollah.
"Uma adolescente de 14 anos morreu após ter recebido 80 chibatadas em Bangladesh, como punição por ter tido um relacionamento com um primo que era casado.
A sentença tinha sido decretada por um tribunal religioso na cidade em que a jovem vivia, Shariatpur, no sudoeste do país, a 56 quilômetros da capital, Daca.
Hena Begum foi acusada de ter mantido uma relação sexual com seu primo de 40 anos de idade, que era casado. Ele também foi condenado a receber cem chibatadas, mas conseguiu fugir.
A adolescente desmaiou enquanto recebia as chibatadas e chegou a ser levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo seis dias após ter sido internada.
O caso teve grande repercussão no país e provocou protestos de moradores de Shariatpur. Há relatos na mídia de Bangladesh de que Hena, na verdade, foi raptada e estuprada pelo primo.
O imã (clérigo muçulmano) Mofiz Uddin, responsável pela fatwah (sentença) contra Hena, e outras três pessoas foram presas. O caso está sendo investigado."
Se vc se apiedasse e marcasse em cima, os crimes cometidos pelo Estado brasileiro - notadamente o Judiciário - contra a multidão de patrícios que são impiedosamente sacaneados todos os dias de suas vidas, não terias dito a merda que disse.
É o velho costume, comum aqui entre nós, latino-americanos, de repassar a culpa de seu atraso a outros povos ou nações. Os árabes, como os persas, sempre foram foram povos inteligentes. Estacionaram entretanto na Idade Média. Deixaram-se dominar por monarcas ou líderes religiosos que impediam a liberdade, e educação e o progresso. Exemplo claro é a discriminação sofrida pelas mulheres, o que não tem nada a ver com os Estados Unidos. Ainda há longo caminho a percorrer para o avanço social e político do Oriente Médio.
Caro ALarcon: religião que prega a paz?
Relembrando alguns dos preceitos da sharia:
1.A jihad*, definida como "guerrear contra não-muçulmanos para estabelecer a religião," é dever de todo muçulmano e chefe muçulmano de Estado (califa). Califas muçulmanos que recusem a jihad violam a Sharia e não estão capacitados a governar.
2.Um califa pode assumir o cargo a partir da tomada do poder, ou seja, através da força.
3. Um califa é imune a acusações de crimes graves, como assassinato, adultério, roubo, furto, embriaguês e, em alguns casos, estupro.
4. Uma porcentagem da Zakat (dinheiro de caridade) deve ir para a jihad.
5. A obediência às ordens do califa é obrigatória, mesmo se ele for injusto.
6.Um califa deve ser muçulmano, não-escravo e do sexo masculino.
7.O público muçulmano deve depor o califa se ele rejeitar o Islã.
Muito bom!seu texto me deixou curiosa de saber quem é você?muito interessante sua abordagem e a forma de fazê-lo!!
um grande abraço
Meu, que é isso? Como tem gente que escreve bem!
Ainda não tinha lido um texto seu, Alarcon. Lavou a alma.
Gostaria de ler mais matérias com essa qualidade. Obrigado e parabéns.
Minha fonte é o livro The Looming Tower: Al-Qaeda and the Road to 9/11, cujo primeiro capítulo conta a vida de Sayd Qutub e o surgimento da Irmandade Mulçumana. Realmente não lembro de referência direta entre a Irmandade Mulçumana e a Al-Qaeda, pois o autor preocupa-se mais com a biografia dos personagens. O perfil que surge de Sayd Qutub, o fundador e mártir da Irmandade Mulçumana, fez-me admirar as ditaduras egípcias desde Nasser por terem mantido o Egito, e o Mundo, longe de personagens tão sinistros. Assim com admiro o ditador Kemal Ataturk por ter tornado a Turquia o mais democraicamente viável dos países mulçumanos, justamente porque atuou com mão-de-ferro contra a antiga religião oficial.
É difícil mudar a opinião de alguém que diz que "o Irã não é uma ditadura mas, apenas uma República Islâmica com instituições fortes e em pleno funcionamento, um regime diferente do nosso que nos cabe apenas respeitar, deixando o seu julgamento para quem de direito, os iranianos".
Sou contra qualquer República Islâmica, Cristã, Judaica ou Umbamdista. Alguns países europeus mantém uma religião oficial, sem serem teocracias O Estado de Israel, finge que é uma Estado democrático com religião ofical, mas é uma teocracia mais branda.
Teocracia é pior forma de ditadura pois trata cidadãos fora da religião oficial como inimigos do Estado. Os EUA, por razões de Estado, apoiaram os unitas wahabitas da Arábia Saudita enquanto se opunham aos sunitas da Irmandade Mulçumana e aos xiitas do Irã; e dai?
Pessoalmente celebro a queda de toda teocracia, mais do que das ditaturas laicas. Prefiro o Xá aos xiismo dos Aiatolás, prefiro o Mubarak ao sunismo da Irmandade Mulçumanna. Prefiro muito mais a ditadura argelina que impediu, há 19 anos atrás, que religiosos chegassem ao poder depois de receberem uma votação maçica em uma eleição livre e democrática.
Se a vida de um cristão copta era difícil sob o regime de Mubarak, ela será impossível se a Irmandade Mulçumana chegar ao poder.
Portanto, reparem bem nas testas dos egípcios que chegarem ao poder. Elas definirão se virá uma ditadura muito pior ou se a democracia é possível agora no Egito.
Se eu fôsse um guarda de transito, vc perderia sua carteira.
Vade retro!
Prezado Alarcon
Você colocou os pingos nos is... Sem a babaquisse de um Eduardo Bueno, aquele humorista metido a historiador, você foi preciso, conciso e verdadeiro.
Como diria o All Gore, você disse uma Verdade Inconveniente. já que mesmo através de seu viés, tudo o que escreveu é a mais pura verdade.
Uma verdade que, na maioria das vezes, é escondida por ser vergonhosa.
Nos tempos em que vivemos é politicamente incorreto e até perigoso, dizer a verdade desta forma. Elogio também a sua coragem.
Paro por aqui, para que os meus amigos judeus, que são muitos e muitos deles grandes amigos, não venham querer bater boca comigo. Afinal, estou sendo politicamente incorreto ao elogiar o que você escreveu.
|_|0|_|
|_|_|0|
|0|0|0|
"Liberdade!, Liberdade! / Abre as asas sobre nós / E que a voz da Igualdade / Seja sempre a nossa voz..."
Que estilo empolgante o seu, Alarcon, parabéns.
Espero que o Jorge Furtado, que estava reclamando outro dia do nível do blog do Nassif, leia o texto. Mesmo discordando, tem que se adimitir sua eloquência
Eu, não sendo expert no assunto, faço uma reflexão disso tudo.
Que nós da periferia do Ocidente, já não tão periférica, não compremos das potências ocidentais (EUA,Israel, Europa) essa balela da guerra das civilizações, "ocidentais democratas esclarecidos x árabes totalitários fundamentalistas".
Juliano Santos
Postar novo Comentário