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As mudanças no Banco CentralEnviado por luisnassif, qui, 09/12/2010 - 08:37Coluna Econômica A sabatina no Senado do futuro presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mostra mudanças sensíveis em relação ao estilo de Henrique Meirelles nos seus 8 anos de mandato – embora o próprio Tombini tenha sido peça relevante no período. Primeiro, demonstrou preocupação com o câmbio apreciado. Até pouco tempo atrás o BC insistia que não tinha metas de câmbio – que seria apenas uma derivada da política monetária. Depois, defendeu a utilização de outros mecanismos, além dos juros, para conter eventuais aquecimentos da economia. *** EumaÉ um avanço lógico, racional, mas que vai contra todo um sistema de interesses estratificado em torno de taxas de juros elevadas. Os objetivos do BC são preservados: seu papel continua sendo o de guardião da moeda, trabalhando em cima de metas de inflação. Mas há maneiras e maneiras de chegar à meta. Em todas elas a influência do BC é sobre o nível da demanda (das compras de empresas e indivíduos). Sempre que se julga que a demanda esteja aquecida, o BC atua para reduzir o ritmo de crescimento. *** Até agora, todo o peso da política monetária se dava em cima dos juros. A qualquer ameaça da inflação, aumentam-se os juros. Atinge-se o objetivo de moderar o crescimento e manter as metas. Agora, o BC recorre a outros instrumentos adicionais, como o aumento do compulsório (a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a depositar no BC), redução dos prazos de financiamento, exigências de aumento no capital das instituições financeiras. Todo esse conjunto de medidas têm o mesmo objetivo, de refrear a demanda. A diferença é que os juros definem uma distribuição não equitativa de sacrifícios: os detentores de liquidez ganham (e muito) com juros elevados; o setor real da economia perde, pela soma dos juros mais apreciação do real (já que juros elevados atraem capital de fora); e o Tesouro paga a conta. Recursos são desviados da saúde, educação, de investimentos, para pagar o aumento dos juros. *** Quando se distribui melhor os objetivos por diversos instrumentos de política monetária, a alta dos juros pode ser amenizada. Parte do custo fiscal dos juros pode ser compensado pelo compulsório. O rentista ganha menos, o Tesouro economiza mais. *** É por aí que se entende a grita de alguns porta-vozes do mercado financeiro, contra o uso do compulsório e dos limites de prazo. Os últimos dados do IPCA mostram uma elevação generalizada de preços, especialmente de alimentos e despesas pessoais. Mas a série de medidas anunciadas nas últimas semanas - aumento do compulsório, redução de prazos de financiamento, redução nas projeções orçamentárias - indicam a ênfase do governo em tirar essa responsabilidade única da taxa de juros sobre a demanda. Se tiver que aumentar, será sempre em dose menor do que se não se utilizassem outras ferramentas monetárias e fiscais. A resistência vem de toda uma legião de profissionais, em departamentos econômicos, na mesa de operações, na Tesouraria dos bancos, que só ganham em cima de operações com juros. E essa rede enredou há tempos o Banco Central.
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Comentários + votados
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Alberto Porem Junior
09/12/2010 - 08:53
Percebe-se claramente uma mudança de comportamento frente ao atual, do futuro governo Dilma quanto a vários apectos sócio-econômicos e políticos. É interessante ver os "especialistas" se debruçando...
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José Carlos Fix
09/12/2010 - 09:35
Continuo achando que não tocam no principal: a restrição ao crédito vai permitir aos bancos aumentarem seus spreads mesmo com a SELIC nas alturas! Uma vez mais, o "mercado" vai muito bem, obrigado....
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Luiz Lima
09/12/2010 - 10:20
Suponhamos que Tombini realmente seja o que os amigos mais otimistas esperam. Graças à completa submissão da política econômica aos interesses do mercado financeiro, ele ganhou de "presente" uma...
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CARLOS PINHEIRO JR.
09/12/2010 - 12:40
Alguns anos atrás, numa de suas campanhas presidenciais, Ciro Gomes foi duramente criticado pela mídia por dizer, numa entrevista, que o mercado "se danasse" caso não gostasse das medidas que...
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Percebe-se claramente uma mudança de comportamento frente ao atual, do futuro governo Dilma quanto a vários apectos sócio-econômicos e políticos. É interessante ver os "especialistas" se debruçando sobre as nomeações de Dilma e tentando explicar por exemplo a ida de Palocci para a Casa Civil e o controle do PAC ir para o Planejamento com a Miriam. Sobre o Tombini então chega a ser cômico o malabarismo verbal. Como Lula mesmo disse, "Dilma vai surpreender", e começa com o esvaziamento do PMDB.
Nassif, haverá nomes do mercado financeiro na Diretoria do BC?
..........A recuperação das economias avançadas, que representam parcela expressiva da demanda e da riqueza global, está se revelando mais lenta do que o previsto. Existe ainda muita incerteza sobre como vai evoluir a percepção de sustentabilidade de suas dívidas soberana e privada. Os impulsos fiscais e monetários adotados na fase mais aguda da crise por estas economias foram capazes de evitar uma nova Grande Depressão. Contudo, não conseguem hoje garantir a retomada do crescimento, o que impacta negativamente o desempenho da economia mundial......
Banco Central do Brasil/, 07/12/2010 10:47:00
http://www.bcb.gov.br/textonoticia.asp?codigo=2829&idpai=NOTICIAS
Brasília - Clique para acessar o discurso do diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Alexandre Tombini, na sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal para aprovação da sua indicação à presidência do Banco Central.
Brasília, 7 de dezembro de 2010, Banco Central do Brasil/Assessoria de Imprensa
Discurso de Alexandre A. Tombini na sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal para aprovação da sua indicação à Presidência do Banco Central.(pdf) 11pgs.
Banco Central do BrasilBrasília, 07 de dezembro de 2010.
http://bcb.gov.br/?APRES634273159827
Excelentíssimo Sr. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Senador Garibaldi Alves Filho.
Excelentíssimo Sr. Relator, Senador Aloízio Mercadante.
Excelentíssimos Senadores e Senadoras aqui presentes.
É com enorme satisfação que compareço novamente a essa digníssima Comissão, agora na condição de indicado à Presidência do Banco Central do Brasil......
............Nesse contexto, julgo importante ressaltar que o compromisso exigido pela Presidente eleita Dilma Rousseff ao me convidar para presidir o Banco Central do Brasil é de que essa Instituição, sob a minha liderança, caso minha indicação seja aprovada por Vossas Excelências, persiga de forma incansável e in transigente o cumprimento da missão institucional de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda.
Para isso, a Presidente eleita conferiu autonomia operacional plena ao Banco Central para perseguir o objetivo definido pelo Governo, por meio do Conselho Monetário Nacional, de meta de inflação medida pelo IPCA de 4,5% para os próximos 2 anos....
.....A estabilidade macroeconômica, condição necessária para o crescimento sustentável, não se conquista apenas mantendo a inflação baixa e estável. O compromisso com a estabilidade do poder de compra da nossa moeda é apenas um pilar do arcabouço da política macroeconômica que vem sendo adotada no Brasil nos últimos anos. Ela é complementada com um regime de câmbio flutuante, capaz de absorver choques externos, e com uma política fiscal responsável, com compromisso explícito de geração de superávit primário capaz de reduzir a relação dívida / PIB.
A política macroeconômica em vigor no Brasil, baseada nesse tripé de controle da inflação, câmbio flutuante e austeridade fiscal, tem se mostrado sólida e eficiente. Mais do que isso, tem produzido resultados extremamente positivos, contribuindo de forma decisiva para o crescimento econômico observado no Brasil nos últimos anos......
......Podemos afirmar que saímos maiores e mais fortes da crise financeira de 2008.
Passamos a integrar o principal fórum financeiro internacional - o Comitê de Estabilidade Financeira (FSB).
Passamos a integrar também o Comitê de Basiléia, instância máxima na definição dos padrões mínimos de regulação prudencial internacional.
Agora somos protagonistas, não mais espectadores.
O modelo de regulação e de supervisão do sistema financeiro adotado pelo Brasil hoje é referência mundial.
Contudo, temos consciência plena de que não podemos nos acomodar, pois crises financeiras surgem de forma lenta, e por vezes silenciosa. O aperfeiçoamento da regulação prudencial e da supervisão do sistema financeiro é um processo contínuo, sem fim. E precisa acompanhar as inovações que são incorporadas a todo dia no âmbito do sistema financeiro.....
......Atualmente, todos os municípios brasileiros são atendidos com algum tipo de serviço bancário ou financeiro. As instituições financeiras possuem mais de 20 mil agências; são mais de 50 mil postos de atendimento bancários e mais de 158 mil caixas eletrônicos. O Sistema Financeiro Nacional gerencia hoje mais de 142 milhões de contas ativas.
Contudo, não obstante a inclusão financeira ser uma prioridade, o Banco Central do Brasil é intransigente em exigir qualidade, eficiência, transparência, respeito às regras e aos clientes de todo o Sistema. E isso se aplica, principalmen te, aos clientes mais humildes.
Nesse sentido, há uma extensa agenda focada nessas preocupações. Inúmeras medidas já foram adotadas, como a regulamentação das tarifas bancárias em 2007 e das tarifas de cartão de crédito, adotadas há duas semanas.......
......A recuperação das economias avançadas, que representam parcela expressiva da demanda e da riqueza global, está se revelando mais lenta do que o previsto. Existe ainda muita incerteza sobre como vai evoluir a percepção de sustentabilidade de suas dívidas soberana e privada. Os impulsos fiscais e monetários adotados na fase mais aguda da crise por estas economias foram capazes de evitar uma nova Grande Depressão. Contudo, não conseguem hoje garantir a retomada do crescimento, o que impacta negativamente o desempenho da economia mundial.
Esse contexto coloca desafios bem conhecidos de gestão macroeconômica para o Brasil e para os países emergentes em geral, que estão crescendo em ritmo superior à média. É necessário discernir os aspectos temporários e permanentes, positivos e de riscos, desse contexto.
O nosso regime de câmbio flutuante tem cumprido bem o seu papel de absorver choques externos. Porém, em situações excepcionais, são mais do que justificáveis os usos de instrumentos macroprudenciais, principalmente para prevenir a formação de bolhas financeiras e de crédito. Enfim, para prevenir futuras crises bancárias e de balanço de pagamentos......
2010
Continuo achando que não tocam no principal: a restrição ao crédito vai permitir aos bancos aumentarem seus spreads mesmo com a SELIC nas alturas! Uma vez mais, o "mercado" vai muito bem, obrigado. Enquanto isso, os setores produtivos terão uma redução na demanda, de uma ponta, e aumento dos custos financeiros da produção, de outra.
Não seria mais fácil também - ou seja, adicionalmente às medidas em questão - ir baixando a taxa de juros básica. Duvido que haveria fuga de dólares, pois não temos outro mercado tão promissor e seguro no mundo atual. No máximo, diminuiria o ritmo das entradas e a pressão sobre o câmbio, também gradativamente. Além disso, investidor sabe muito bem decidir entre ganhar um pouco menos ou nada.
Muito bom que o BC comece a fazer uma avaliação mais ampla da economia, porém gostaria de tecer alguns comentários. Não vi ainda, pelo menos apresentado de forma didática pelos analistas de economia, um estudo ou uma explicação completa do que forma a inflação no Brasil. Pelo que entendi trata-se da somatória da variação de vários preços, dentre eles alimentos, vilão do momento, preços internacionais (commodities), preços administrados (energia, telefonia, aluguéis,...) e outros. Não consigo entender o papel da Selic nisto tudo, pois vejo atuando em somente algumas partes deste sistema complexo. Por exemplo, para mim, leigo, não consigo entender como o aumento da Selic ou do compulsório diminuirá o preço da batata. Se o problema são alimentos deve-se tomar medidas específicas para alimentos, como aumentar a disponibilidade, mesmo que recorrendo à importação. Se o problema são os preços administrados, deve-se desindexar a economia, pois parte deste valores estão refletindo as inflações passadas e passam ao largo das inovações tecnológicas que fizeram os preços de telecomunicações e energia diminuir. Não creio que este enxugamento aliado à Selic em 10,75% vai ter o efeito esperado. Por favor me expliquem.
Zoqui,
Já fiz as mesmas indagações em comentários anteriores: por que persiste a indexação de preços de maneira formal e informal contribuindo assim para uma inflação inercial? Formal, via preços administrados, a exemplo das tarifas de serviços públicos; informal, utilizada principalmente no setor de serviços, de uso intensivo de mão-de-obra, com base nos aumentos do salário mínimo.
Educação, por exemplo, componente de maior ou peso no orçamento da classe média, tem seus diversos preços majorados, invariavelmente, acima de dez por cento. Para piorar, o papai governo, como sempre "bonzinho", só admite deduzir em parte as despesas com esse item. Além da queda, coice.
O tal de preços administrados é a própria desmoralização do capitalismo, sistema que preconiza o lucro com risco. Mas, como disse Jobim, não o fardado, mas o genial Tom, no Brasil traficante cheira, cafetão se apaixona e prostituta tem prazer. E, acrescentaria eu, temos capitalismo sem risco.
Quanto entender os indicadores de inflação dou-lhe um conselho: nem tente! É coisa para iniciados na física atômica, genética molecular, mecânica quântica, teoria do caos, química fina, Rosa Cruz, maçonaria, KluxKluxKan. São uma ruma, cada um com uma metodologia e período de coleta diferente. Tome um doril e leia abaixo os principais:
IGP, IGP-DI, IGP-M, IGP-10, IPC-RJ, IPC-FIPE, ICV-DIEESE, INPC, IPCA, INCC, CUB.
Que belo texto Nassif. Mais um que lhe devemos! Bons comentários tambem... Serve, também , de "instrumento de trabalho", rsrs
Suponhamos que Tombini realmente seja o que os amigos mais otimistas esperam. Graças à completa submissão da política econômica aos interesses do mercado financeiro, ele ganhou de "presente" uma bomba-relógio que não mais pode ser desarmada. Como explodi-la, contendo os danos, passa a ser o problema. Já temos mercadistas apostando na desvalorização cambial iminente. Se ocorrer, pressionará a inflação e não será o enxugamento do crédito que irá deter o processo, pois tratar-se-á de inflação de custos. Por outro lado, o novo governo já vem anunciando que cortará despesas, ajudando a esfriar a atividade econômica - que irá se retrair num primeiro momento por conta do que terá de ser feito para conter essa inflação de custos. Não sei, não. Posso estar sendo pessimista, mas essa "freada de arrumação" vai doer, amig@s.
Alguns anos atrás, numa de suas campanhas presidenciais, Ciro Gomes foi duramente criticado pela mídia por dizer, numa entrevista, que o mercado "se danasse" caso não gostasse das medidas que ele tomaria se eleito. Ressalvado o arroubo retórico típico de Ciro, este é um ponto importante que raramente é mencionado. Um presidente é eleito para fazer o que julga ser melhor para o país e não para agradar ao mercado, especialmente o financeiro. E frequentemente, o que é bom para o sistema financeiro não é o melhor para o país. Como disse o Nassif, esse mercado monotematicamente pressiona pelo aumento dos juros para combater a inflação apenas porque isso lhe é mais vantajoso e lucrativo. Se Dilma conseguir romper esse grilhão que manieta a política econômica brasileira, será um feito notável.
O teste do novo presidente do BC vai ser em janeiro do ano que vem, na próxima reunião do Copom. Os entendidos dizem que todo novo presidente deve aumentar a taxa de juros na sua primeira intervenção, para sinalizar ao mercado que o BC vai manter sua independência em relação ao governo. Aí teremos um teste do grau de independência que podemos esperar do BC, em relação ao governo ou em relação ao mercado.
"Os últimos dados do IPCA mostram uma elevação generalizada de preços, especialmente de alimentos e despesas pessoais."
O IPCA mostra aumentos de preços, mas eles são persistentes? Tem origem no excesso de demanda no Brasil? O próprios juristas (aqueles que defendem juros altos) dizem que a inflação atual é por conta de elevação das commodities principalmente alimentos como trigo e milho. Se é elevação no mercado internacional, não adianta aperto monetário aqui. Só vamos desacelerar o crescimento e prosseguir no atraso.
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