As emissões de gases do setor elétrico

Por Gustavo Belic Cherubine

"Enquanto na média mundial a geração de eletricidade responde por 28,8% do total das emissões, o setor elétrico nacional totaliza apenas 1,2% das emissões nacionais. Os maiores emissores brasileiros são os setores “mudanças no uso da terra” (desmatamento, agricultura e pecuária), com 79,6%; “transportes”, com 6,1%; e “processos industriais”, com 3,6%."

Do Ambiente Energia

Da Agência Ambiente Enegia – O setor elétrico brasileiro é um exemplo a ser seguido pelos países e setores econômicos que precisam enfrentar os desafios relacionados às mudanças climáticas.  De acordo com estudo do Instituto Acende Brasil, apesar de o país ser o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa (GEEs) global — atrás somente de China e Estados Unidos —  os setores nacionais responsáveis por esta posição são muito diferentes do perfil típico mundial.

Enquanto na média mundial a geração de eletricidade responde por 28,8% do total das emissões, o setor elétrico nacional totaliza apenas 1,2% das emissões nacionais. Os maiores emissores brasileiros são os setores “mudanças no uso da terra” (desmatamento, agricultura e pecuária), com 79,6%; “transportes”, com 6,1%; e “processos industriais”, com 3,6%.

“Mudanças Climáticas e o Setor Elétrico Brasileiro” é o tema da 6ª edição da série White Papers do Acende Brasil. O estudo sustenta um conjunto de propostas para redução das emissões de GEEs com base no reconhecimento de que, quando se dispõe de recursos limitados, o esforço deve ser concentrado nos setores onde, com o menor investimento, é possível obter os melhores resultados.

O estudo também detalha as lógicas de planejamento e expansão do setor; a realidade e a posição comparativa brasileira de emissões de GEEs em relação a outros países; e as diversas políticas públicas relacionadas ao tema: o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, a Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas, e Políticas Estaduais sobre Mudança do Clima. Clique aqui para ver a publicação na íntegra.

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22 comentários
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Richard Jakubaszko

Cherubini,

lamento informar, mas conforme publiquei em meu blog no domingo, foi "Cancelado o aquecimento na Europa", e, por tabela, as mudanças climáticas: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2012/02/cancelado-o-aquecimento-na-europa.html

Tudo isto porque a Europa e Norte andam muito gelados: veja aqui, o desmentido de 16 importantes cientistas, entre eles o Nobel de Física de 1973, publicado no Wall Street Journal, semana passada: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2012/01/cientistas-desmentem-o-aquecimento.html

Mas ontem saiu a pá de cal nessa história mentirosa do CO2, publicada no Build, tabloide alemão com 16 milhões de exemplares de tiragem, e que também reproduzi no meu blog: http://richardjakubaszko.blogspot.com/2012/02/agora-midia-alema-desmistifica-o-co2.html

Portanto, há que se ter cautela com essa história de aquecimento ou de mudanças climáticas. O planeta caminha, pelo andar da carruagem, para um governo supranacional, com punições terríveis aos emissores de CO2 e equivalentes. Vem aí, portanto, uma ameaça de uma ditadura internacional, muito pior do que a do mercado financeiro.

Precisamos ser mais responsáveis na divulgação de dados sobre essa enorme falácia do aquecimento e das mudanças climáticas. Barbas de molho!

 

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

Richard, pois é, temos uma oferta considerável de opiniões sobre a questão ambiental.

A questão do aquecimento entra aí.

Muitos poderão dizer que a notícia e a pesquisa que trouxe ao blog é pró-Belo Monte e que a ACENDE está a serviço dos interesses do setor elétrico.

Podem dizer que a pesquisa não olhou para impactos sociais e ambientais negativos do setor elétrico.

Ainda outros vão querer dizer que a pesquisa revela que o Brasil tem uma situação energética privilegiada, que temos que ocupar mesmo a Amazônia com mais usinas e o modelo de desenvolvimento que elas representam.

Acompanho estudos, dados, pesquisas e o que há de mais atualizado na área das mudanças climáticas.

O estudo do INPE, que olhou para a região metropolitana de São Paulo é um deles:

http://www.intercambioclimatico.com/pt-br/2011/03/19/vulnerabilidade-das...

Você trouxe mais opiniões.

Eu fico com a cautela.

Leia abaixo.

Não é possível que você aceite a ideia de que não estamos afetando o bioma chamado Terra.

Abraços, Gustavo Cherubine.

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2012/fevereiro/nao-basta-so-o...

"Bráulio Dias: Um país como o Brasil, que ainda tem dois terços de seu território cobertos por vegetação nativa (metade do país coberto por florestas), tem que ser entendido como um ativo ambiental importante, que deve ser usado com juízo para gerar benefícios à sociedade como um todo, em vez de ficar dilapidando rapidamente, de forma predatória e sem responsabilidade.
Os estudos dão conta de que, se as devidas providências não forem adotadas, um terço das espécies estará extinto nas próximas décadas. Isso em razão da conjugação das mudanças climáticas, que estão gerando climas extremos, completamente diferentes dos habituais para as espécies, com o processo de degradação do meio ambiente que já vem sendo registrado há séculos, como desmatamento, desertificação, queimadas, poluição, entre outros. Isso somado ao fato de que a população continua crescendo, então, vai precisar de mais energia, água, roupas. A alta da demanda e o consequente consumo acabam pressionando demais a biodiversidade."

 
 
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Sergio Saraiva

Tolos os que crêem que que o frio no hemisfério norte nega o aquecimento global.

Antes, o confirma.

Um dos efeitos do aquecimeno global é uma intensificação do ciclo das águas.

No hemisfério sul chuvas torrenciais, no hemisfério norte nevascas inauditas.

Tudo confirmando as previsões relacionadas ao aumento do efeito estufa.

Um onda de frio no hemisfério norte como nunca se viu convivendo com o contínuo derretimento polar.

Nada de se espantar. O mundo conviverá cada vez mais com extremos dos polos para o centro do planeta. O porto seguro passará a ser as zonas tropicais em detrimento do que eram até há pouco tempo as chamadas "zonas temperadas" ou sub-tropicais.

O que virá depois? Não sei, só os paleontologistas que estudaram a atmosfera primitiva têm essa informação. 

É prudente ouví-los.

 
 
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Jorge Nogueira Rebolla

As mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global antropogênico existem apenas nos modelos escatológicos dos sacerdotes da seita verdista.

Embora o volume de CO2 continue aumentando as temperaturas não.

Períodos de extremo frio na europa ocidental e mediterrânea são recorrentes, como as secas e as inundações.

O clima da Terra sofre oscilações constantes. Entre as eras glaciais os ciclos com variações de aquecimento e arrefecimento se sucedem.

O vapor d'água e os aerossóis foram desprezados nas modelagens dos profetas do caos ambiental. A influência do campo magnético do sol sequer foi cogitada.

A única verdade sobre o AGA é que se trata de ideologia e não ciência. O risco de um apocalipse provocado pela interferência humana foi a "causa" escolhida pelos adeptos do governo global para criarem o seu mundo novo. A ameaça da catástrofe ambiental facilitaria em muito a sua consolidação, visto que as pessoas aceitariam ceder os seus direitos e garantias para construir um futuro sem esta ameaça.

Felizmente esta onda maligna perdeu o ímpeto e esta refluíndo. Menos em países como o Brasil totalmente imbecilizado pelos deformadores de opinião da mídia.

 
 
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Louzada

Tem certas "modas" que só pegam por aqui em terra Brasilis.

E quanto a afirmação do Gabrielli ontem no Sem Sensura.

"Exite petróleo para os próximos 350 anos" 

 
 
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Sergio Saraiva

Rebolla, o que você sabe sobre físico-química das soluções?

Nossa atmosfera é uma soução gasosa.

Como é possível por dois séculos despejar milhões de toneladas de carbono, enxofre e particulados na atmosfera e crer que tudo continuará igual. Ou que milhões de toneladas são uma insignificância. Estamos dotando nossa atmosfera do necessário para que ela acumule cada vez mais calor. É física, não é ideologia.

Estamos voltando aos poucos à atmosfera primitiva, aquela antes da grande catástrofe há 60 milhões de anos que sequestrou grande parte do carbono que queimamos agora.

Há dois modelos para descrever a tragédia ambiental que virá. A do sapo fervido e a da gota de derrama o copo.

A do sapo fervido é uma analogia com a imagem de um sapo jogado em uma bacia de água quente.Ele simplesmente pulará fora. Mas se colocarmos o sapo com a água de sua lagoa em uma banheira e formos aquencendo continua e gradualmente ele irá lentamente se adaptando e não sairá da bacia. Quando as condições não permitirem mais a vida morrerá fervido sem reagir.

A da gota que derrama o copo é igualmente trágica, mas mais espetacular. É possível encher um copo até o seu limite gota a gota. Por muito tempo nada acontecerá até que uma única gota a mais derramará o copo. Ou seja, a gota a mais não guarda relação com o efeito que provoca, o efeito catastrófico e repentino não se dá pela gota a mais e sim pelo comulativo de tantas gotas não percebidas.

Escolha a sua a sua tragédia.

 

 
 
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Sergio Saraiva

Mais um detalhe Rebolla,

Você estranha que as emissões de carbono aumente e as temperaturas não acompanhem seu rítmo proporcionalmente.

As temperaturas têm aumento sim, mas não no rítmo das emissões. Por que?

Dois fenômenos têm nos protegido por enquanto.

Dispersão dos gases. É um fenômeno conhecido dos físicos e dos químicos. De um peidinho no cantinho de uma sala grande, vai demorar um tempinho, mas logo a sala toda estrá fedendo. De 1800 até os anos 80 dos século passado os únicos grandes queimadores de carbono estavam no hemisfério norte. Mais precisamente, a Europa Ocidental, os EEUU e uma parte da URSS. Eles queimavam e o restante da atmosfera do planeta dispersava. De la´para cá entraram em cena outros grandes queimadores de carbono no leste. Índia, China, Japão, Coréia do Sul e por aí vai. Em puco tempo já não haverá tanto espaço para dispersão e o efeito estufa aumentará exponencialmente. Imagine então com um rápdo crescimento econômico no leste europeu, oreinte médio, África e Ámérica Latina, todos queimando carbono em suas térmo-elétrica para gerar eletricidade.

O outro fenômeno que por enquanto nos protege é o ciclo das águas. Creio que 70% do nosso planeta seja coberto por oceanos. A água de lá evapora e chove sobre a parte de terra. Isso ocorrerá cada vez mais com o aumento do aquecimento global. Ao chover essa água toda lava a atmosfera. O ciclo das chuvas é o grande lavador de gases do planeta. Bem parecido com os lavadores de gases industriais. Por isso não há uma relação 1:1 entre emissões gasosas e aumento da temperatura do planeta. Pois bem, o carbono, NOX e SOX retirados da atmosfera quando chegam aos oceanos se transformam em ácidos. Estamos lenta e gradualmente acidulando os nossos mares. Águas mais ácidas impedem a formação das carapaças de calcáreo dos corais e outros animais dotados de exoesqueleto calcáreos, tais quais as ostras. Esses animais são a base da cadeia alimentar marinha. Eles morrem, o mar todo morre. Ou seja, antes da tragégia terrestre teremos uma tragégia marinha.

Rebolla isso físico-química e não ideologia.

 
 
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Richard Jakubaszko

Saraiva, vc está enganado, ou se engana por gosto.

Emite-se 200 bilhões de toneladas de CO2 equivalente anualmente no planeta inteiro. Há divergências dos cientistas, esse total pode ter um viés de 30% para mais ou para menos, dadas as dificuldades de se medir isso, e não tem nada a ver com dispersão por ventos. O problema do CO2 é urbano, nas grandes cidades. No campo é uma dádiva, pois CO2 é o alimento das plantas. Saiba que 97% do total de 200 bilhões de CO2 é emissão da natureza, ou seja, de matéria orgânica decomposta, florestas, vulcões, queimadas naturais, solos degradados; e apenas 3% das emissões são de responsabilidade antropogênica, ou seja, emissão de dióxido de carbono por automóveis e caminhões, aviões, navios, fábricas, queimadas, churrascos, respiração humana, flatulência bovina e suína, e até de matéria orgânica em decomposição, seja dos lixões das grandes cidades ou dos arrozais asiáticos, pois o arroz é a lavoura (a irrigada) mais plantada no planeta.

Ora, se 3% apenas das emissões são antropogênicas, por que se deseja reduzir esse volume sem o consequente "travamento" da economia? Siga o dinheiro que vc vai encontrar a resposta, especialmente da parte dos fabricantes de usinas nucleares, que desejam substituir as usinas térmicas movidas a combustíveis fósseis (no hemisfério norte). Não faziam isso de frente porque eles tinham Chernobyl, e agora Fukushima, mas encontraram no IPCC e nos ambientalistas amigos defensores da "causa" ambiental". Adiantaria alguma coisa reduzir 1% das emissões? Quem sabe 1,5%? Isso significaria reduzir 50% das emissões antropogênicas...

Veja, de 1.750 até 2.000, a presença de CO2 na atmosfera aumentou de 290 ppm para 340 ppm, mesmo tendo toda a era industrial ativa e presente... Se somarmos o metano (que vc precisa multiplicar por 23 vezes para obter "CO2 equivalente", ou o óxido nitroso, que multiplica por 240 vezes para termos o mesmo CO2 equivalente), mesmo assim a conta é insignificante, e é isso que os cientistas estão gritando lá fora, e só agora começaram a botar a boca no trombone, conforme postei em meu blog, apesar de não ser de hoje que falo no assunto. Estou escrevendo um livro, é o meu quarto livro, na verdade, vai se chamar "CO2, a grande farsa do século XXI". Talvez seja inútil a esta altura do campeonato, porque vozes muito mais importantes que a minha estão aparecendo, mas a grande mídia não repercute isso. Preferem vender a desgraça... O professor e climatologista Luiz Carlos Molion, da Univ Federal de Alagoas já se comprometeu comigo a escrever um dos capítulos do livro.

Bom, na minha opinião, e de muitos cientistas, não há aquecimento, e não existem mudanças climáticas, acredite nisso quem quiser. Mas sou ambientalista, por outro problema: é que o planeta está com 7 bilhões de bocas, e mostra incapacidade de atender as necessidades de consumo de tanta gente, especialmente em alimentos, que é a minha praia e o meu expertise como jornalista. Onde há terra (China, África e Austrália) não há água, e agricultura não se faz sem água, pelo menos a extensiva, o que exlui milho, soja, arroz, cana, trigo, canola, sorgo, feijão etc. Mas vai ainda faltar um monte de coisas, como alguns minérios importantes e vitais. Já o petróleo, como disse ontem o Gabrielli, tem para mais de 350 anos à frente. Dizer que ia acabar foi só uma jogada de marketing pra vender mais caro, e todo mundo acreditou..., porque o ser humano prefere acreditar na notícia ruim. Petróleo tem origem no amálgama de várias fontes, inclusive carbono, do cerne do planeta, ainda muito aquecido. Tem lugar de onde saem vulcões, ou água quente, e em outros sai petróleo... Não haveria matéria orgânica suficiente, de milhões de anos atrás, acumulados, pra fazer tanto petróleo...

É isso, saiba que CHONSP ( de Carbono, Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Enxofre e Fósforo) é a sigla da vida, são os 6 elementos básicos da vida, sem eles não haveria vida como a conhecemos no planeta. E a atmosfera do planeta é composta de 79% de Nitrogênio e 20% de Oxigênio, e o Carbono representa só 0,035% do total. Vc acredita que 0,035% do total modifique o todo? Só vc e a velhinha de Taubaté, e, claro, os meus coleguinhas ambientalistas que trabalham em jornais e nas TVs...

 
 
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Oswaldo Conti-Bosso

Caro Richard,

Concordo contigo.

Colocquei um poist agora sobre o assunto

A ciência no pedestal, quando “Paradigmas” viram “Paradogmas”

Miguel de Unamuno:

“As variações da ciência dependem das variações das necessidades humanas, e os homens de ciência costumam trabalhar, quer queiram, quer não, consciente ou inconscientemente, a serviço dos poderosos ou do povo, que lhes pedem confirmação de suas aspirações.”

Filosofia da Ciência, Rubem Alves, p. 150.

É pouco provável que a essas alturas os cientistas não tenham conhecimento dos fatos dos últimos anos, mas o cerco ideológico, o medo de perda de recursos internacionais e a subserviência ao poder, ao sistema econômico hegemônico, em contraposição a realidade dos fatos, coloca a ciência no pedestal da vergonha e da humilhação como a muito tempo não se via. Aparentemente só não temos mais as fogueiras, como as enfrentou Giordano Bruno, mas o texto que Galileu teve que assinar em 1632,  continua atualíssimo, na mais absoluta falta de vergonhosa do mundo científico:

 “... Tendo diante de meus olhos o Santo Evangelho, e tocando-o com minhas mãos, juro que sempre acreditei, acredito e, com a ajuda de Deus, acreditarei no futuro em tudo o que é afirmado, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e Apostólica... Que devo abandonar por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do mundo e é imóvel e que a Terra não é o centro do mundo e se move, e que não devo crer, defender ou ensinar a dita doutrina de qualquer maneira, seja verbalmente ou por escrito..”

Yochai Benkler:

“Vivemos em um mundo construído por uma motivação humana em torno de modelos enganosos, incorretos. Temos quatro décadas de refinamento requintado de sistemas a partir de nossos locais de trabalho, para um sistema bancário, para as nossas estruturas de rede, que são todos construídos em torno desse núcleo e fundamental erro, ...., o erro básico não é que às vezes temos interesses-próprio, isso é correto, o erro básico é a ideia de que podemos corretamente modelar e construir nossos sistemas assumindo que faremos isso muito bem, e desenhando nossos sistemas se for  construído de acordo com um modelo que assume que parte de nossa racionalidade é interesse-próprio, que estaremos nos aproximamos de quem somos, ao dizer que somos mais ou menos uniforme, mais ou menos auto-interessado, nós não estaremos indo muito errado,....”

 

Ulrich Beck, sociólogo alemão:

(...) “O que quer dizer afinal mudança climática? É a modernização reflexiva, estúpido! (Latour, 2008) Ou para colocar a questão de outra forma: Como criar um  ecologização da modernidade?”

(...) “So what is climate change all about? ‘It’s reflexive modernization, stupid!’ (Latour, 2008) or, to put it in the form of a question: How to create a greening of modernity?” (Urich Beck, 2010).

           

 

Engenharia de idéias e dos laços sociais: “A vida é o que acontece com você, enquanto você está muito ocupado fazendo outros planos”.

 
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ali hosni

Longe de mim ser eco chato, mas o cara manter um blog para desmentir aquecimento global é estranho.

O que existe são 3 correntes: 

1- Controversia

2- Controversia

3- Controversia

Isso de citar UM inverno rigoroso como "prova" de que nao existe aquecimento é usar de má fé e mau uso da informação em ciencias.

Por outro lado, existem fenomenos, cuja observação atravessa decadas (como exige a boa pratica em experimentação) que nos indicam que há sim algo errado com a atmosfera. O mais evidente é a diminuição das geleiras, o aumento do nivel dos mares, e outras mais.

Do jeito que foi colocado por este senhor, a coisa é tão suspeita como os argumentos dos eco chatos. 

 

 

ali

 
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Richard Jakubaszko

Ali,

não mantenho o blog pra desmentir aquecimento ou mudanças climáticas. Faço isso por pura diversão. Meu blog, como jornalista, é para debate das questões do agronegócio, especialmente comunicação e marketing da área, da qual sou especialista há mais de 40 anos. Portanto, sua conclusão é apressada. Tenho mais de 600 posts publicados, e apenas uns 50 ou 60 sobre as questões do clima, mas o faço isso desde 2007, quando comecei o blog, e tenho sido coerente. Tudo porque os biodesagradáveis dos urbanos ecochatos botaram a culpa dos problemas ambientais no agronegócio, o que não é verdade. Os urbanos cospem no prato em que comem...

Antes de tudo, também sou um ambientalista, mas não sou malthusiano, este recomendava aos líderes de 2 séculos atrás pra "deixar os pobres à propria sorte, pois se matariam em guerras ou de fome". O que acontece hoje é exatamente isso, os ambientalistas são malthusianos, e querem frear o desenvolvimento nos países emergentes, fazendo com que a gente pague indulgências (e o mercado de carbono, o que é? Não é isso?) pelas emissões dos países desenvolvidos. Pura hipocrisia! E oportunismo do mercado financeiro...

Como alguns cientistas, agora, resolveram botar a boca no trombone, eu estou muito feliz, porque antes eles ficavam quietos, com medo das represálias e de serem assassinados pela mídia, no tocante às suas reputações, evidentemente.

Portanto, não tem nada de estranho, como vc, apressadamente, insinuou, lamento dizer, de forma leviana. Discuta a ideia, debata o argumento, e não levante falso testemunho sobre seu oponente quando estiver num debate, isso é infantil, além de demonstrar fraqueza de caráter e pouca cultura.

 
 
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atenir

Caro Richard, os ambientalistas são contra o agronegócio, mas se alimentam todo santo dias graças a ele (o agronegocio).

São uns hipócritas, nada mais. Contudo, acabam prejudicando a todos nós, infelizmente. Vide os créditos de carbono: a maior e mais absurda hipocrisia criada pelo 1º mundo para empurrar nos países em desenvolmento.

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

Atenir, os ambientalistas são lutadores históricos por um mundo mais digno.
Ao mesmo tempo que surgia no planeta a luta pelas liberdades, direitos civis, dos indígenas, das mulheres e a revolução cultural da década de 60, os ambientalistas somam esforços para dimunuirmos desigualdades e violências.

E perceba abaixo como não pode haver radicalismo, seja da parte que for.

Gustavo Cherubine.

“Esse relatório é diferente de muitas iniciativas que representam mera maquiagem verde”, diz Roberto Smeraldi, diretor de Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, integrante desse projeto. “Ele não divulga boas ações ao público, e sim informação operacional, padronizada e comparável para os investidores.”
"Apesar de ainda não estarem na liderança mundial em seus setores, Natura, Marfrig, JBS e Fibria tiveram destaque. Recusaram-se a responder: Cikel, Irani, Brazil Foods, Arantes Alimentos, Caramuru, Coamo, Frigorífico Mercosul, Imcopa, Independência, Margen, Minerva e Petrobras."

http://ef.amazonia.org.br/2012/02/grupo-de-soja-do-pais-vira-referencia-...

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Grupo de soja do país vira referência ambiental
aldrey · 7 de fevereiro de 2012 · Comentar
TAGS  biocombustíveis, commodities, meio ambiente

Relatório diz que Grupo André Maggi tornou-se “amigo do verde” Grandes fundos de investimento pressionam para que empresas se enquadrem em critérios ambientais

Um grupo formado por alguns dos maiores fundos de investimento do mundo reconheceu o trabalho socioambiental do Grupo André Maggi, maior produtor individual de soja do planeta e antigo alvo do Greenpeace.

O reconhecimento ocorre em um contexto de pressão dos fundos de investimento sobre empresas globais para que reduzam ao máximo sua “pegada florestal”, sob pena de perda de investimentos.

Antes de decidirem onde aplicar, esses fundos agora querem saber o grau de exposição das grandes companhias a cinco tipos de commodities: soja, óleo de palma, madeira, artigos derivados da pecuária e biocombustíveis -tanto na produção como na cadeia de suprimentos.

Setenta dos maiores fundos de investimento, que administram juntos US$ 7 trilhões, contam com um “guia” que monitora os maiores grupos globais, conhecido como Forest Footprint Disclosure (FFD) e usado como referência por instituições do porte do Barclays Capital.

No ano passado, a Lingui Developments, da Malásia, por exemplo, foi cortada da carteira de investimentos do fundo de pensão dos funcionários do governo da Noruega. Motivo: não se enquadrava aos critérios socioambientais definidos pelo fundo.

A Folha teve acesso exclusivo à terceira edição do relatório, que será divulgado mundialmente hoje.

BRASIL EM DESTAQUE

Das 357 empresas que receberam a solicitação do FFD para revelar suas práticas em relação às florestas, somente 87 aceitaram. No Brasil, entre as 18 convidadas, somente 5 foram analisadas.

Pela primeira vez, uma companhia brasileira chegou à liderança em seu setor: o Grupo André Maggi. Em 2006, a empresa foi alvo de uma campanha do Greenpeace, que a acusou de estimular o desmatamento na Amazônia à medida que aumentava sua produção para garantir as vendas aos países da Europa.

Desde então, investiu em obter uma certificação internacional para a produção. Em junho de 2011, fechou o primeiro contrato, embarcando 85 mil toneladas de grãos certificados para a Holanda.

“Esse certificado é a confirmação de nosso compromisso com uma produção responsável”, disse Waldemir Ival Loto, presidente do Grupo André Maggi. Segundo ele, o primeiro passo foi dado em 2007, com uma fazenda.

O “grau de investimento” dos fundos não significa que a empresa seja totalmente “verde”. Garante apenas que ela está empenhada e aberta a monitoramentos externos.

“Esse relatório é diferente de muitas iniciativas que representam mera maquiagem verde”, diz Roberto Smeraldi, diretor de Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, integrante desse projeto. “Ele não divulga boas ações ao público, e sim informação operacional, padronizada e comparável para os investidores.”

Apesar de ainda não estarem na liderança mundial em seus setores, Natura, Marfrig, JBS e Fibria tiveram destaque. Recusaram-se a responder: Cikel, Irani, Brazil Foods, Arantes Alimentos, Caramuru, Coamo, Frigorífico Mercosul, Imcopa, Independência, Margen, Minerva e Petrobras.

Frase

“Esse relatório é diferente de muitas iniciativas que representam mera maquiagem verde”
ROBERTO SMERALDI diretor de Amigos da Terra-Amazônia Brasileira

Por: Julio Wiziack
Fonte: Folha de São Paulo

 
 
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Louzada

Caro Richard

Seja bem vindo ao debate e ao Blog

Seu surgimento por essas bandas no Nassif,  é muito oportuno.

Não cultivo nem um pé de couve, sou um urbano que sonha um dia ir pra roça, enquanto isso, procuro defender aqui no Blog o SATANIZADO Agronegócio. O pessoal aqui é romântico, acha bonito, ser "ecológico" beber água em PET e defender a agricultura familiar e não se dá conta, que a agricultura familiar é a grande responsável pelo uso inadequado de agrotóxicos.

Os "biodesagradáveis" (não sei se foi vc o primeiro a cunhar esse termo aqui no Blog, se foi meus parabéns é muito espirituoso) não são maioria, mas são barulhentos, ocupam o maior espaço.

 O Gustavo Be...    está longe de ser um biodesagradável é um cara do bem e nos brinda com ótimas fontes de informação 

Já te acusaram de interesseiro, um dia vão te chamar de Trolll, vai vir chumbo grosso, mas não ligue, siga em frente

 
 
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Richard Jakubaszko

Louzada,

tô por aqui faz tempo, tenho até um blog na comunidade do Nassif, faz tempo, e que anda meio "desativado", é sobre questões ambientais, mas ando distante por causa de alguns malcriados que preferem dizer desaforos e tentam desqualificar os oponentes quando discordam das ideias, pois não têm ideias para contrapor... A internet seria maravilhosa para a gente debater e trocar ideias, mas tem gente que prefere brigar, sem nem saber a razão...

 
 
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Oswaldo Conti-Bosso

alguns vídeos prô cê, divirta-se:

Laboratório CERN - europa, agosto de 2011:

Aquecimento por "CO2" ou "astro rei" (SOL)

CERN Releases Details About its CLOUD Climate Change Experiment

Enviado por TheAutoChannel em 30/08/2011

Dr. Jasper Kirkby talks about the results of the study that indicates solar activity has played a larger role in…

ContinuarSvensmark: The Cloud Mystery (2007)

Wikipedia:The Cloud Mystery

The Cloud Mystery is a documentary by Danish director Lars Oxfeldt Mortensen. It explores a controversed theory by Danish scientist Henrik Svensmark on how galactic cosmic raysand solar activity may affect cloud cover, and how this might influence global warming.[1] Also known as 'Klimamysteriet' in Danish.

This documentary presents the polemic viewpoint of scientists who do not consider global warming is caused by anthropogenic production of carbon dioxide. It argues that cloud cover change caused by variations in cosmic rays is a major contributor to global temperature increase, and it claims that human influence and the effect of greenhouse gases have been exaggerated.

Mistério das Nuvens (The Cloud Mystery)

 

The great global warming swindle

BBC: The UK's Channel 4 premiered the documentary on 8 March 2007

Wikipedia:

 

Engenharia de idéias e dos laços sociais: “A vida é o que acontece com você, enquanto você está muito ocupado fazendo outros planos”.

 
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Sergio Saraiva

A gente é pobre mas é limpinho.

 
 
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luiz valentim

não adianta ser-mos altamente consumidores de energia: bloguinho, chuveirinho quente , carrinho na garagem ,ar condicionado SPLIT último tipo, TV 3D etc e tal.


ISSO É PURA INSENSIBILIDADE , O QUÊ IMPORTA??^


É TER-MOS A CORAGEM DE ENCARAR OS DESAFIOS BRASLIEROS: EDUCAÇÃO DIGNA


ÁGUA E ESGOTO TRATADO PARA TODOS(UNIVERSALIZAÇÃO)


QUALIDADE DE VIDA E CONDIÇÕES DE MORADIA DIGNA PRA TODOS ,PRINCIPALMENTE PARA OS VINTE MILHOES DE AMAZÔNIDAS(CABOCLOS E RIBEIRINHOS) QUE SÓ SÃO LEMBRADOS POR XAATOS ECOS URBANOIDES ALTAMENTE CONSUMIDORES DE MATÉRIA PRIMA E DE MAIOR "PEGADA ECOLÓGICA(QUE É O QUANTO DE LIXO E MATÉRIA PRIMA ESSES ECO URBANOIDES GASTAM PRA TER UMA VIDA MANEIRINHA E MODERNINHA.

 
 
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ali hosni

Senhor Richard: 

Talvez para sua surpresa, faço parte do "agronegocio". (aliás palavra pavorosa).

Talvez tambem, talvez (depois desta mensagem) o senhor entenda o que eu detesto :   os extremismos.

Porque cegam a razão. 


Simples assim. Cegam a razão a ponto do senhor não responder minhas observações sobre a boa pratica cientifica e de informação, que aliás foi o fulcro de meu comentario. Quem usa um blog para comparar UM inverno rigoroso como "prova" de que o aquecimento não existe, é tão tolo quanto os ecochatos,e não merece que ninguem o ouça.

Consequentemente, pra mim o senhor é igualmente tão chato como um eco. Quem sabe, um agrochato.

 

 

 

 

ali

 
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Richard Jakubaszko

Se vc faz parte do agronegócio (também acho, é um palavrão feio), talvez seja por isso que o setor vai tão mal de imagem...

Saiba que os mares não subiram, as geleiras não derreteram, apesar disso ter sido anunciado há quase 20 anos pelo IPCC e por alguns comunicólogos apoiados em cientistas que agora começam a ser desmentidos e desmascarados, remember os e-mails divulgados pelos hackers no episódio da East Anglia. A própria Science Magazine divulgou o erro de ter publicado em 2007 a famosa foto de 2 ursos "perdidos e isolados" em cima de uma enorme pedra de gelo flutuante, por ser uma fotomontagem...

Vc não apresentou nenhum argumento científico, pelo contrário, citou inverdades divulgadas pela mídia, e só foi malcriado...

 
 
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Jose Mayo

Meus prezados,

A desmistificação do "consenso" sobre as mudanças climáticas, e do "97% de meia dúzia" que lhe dava respaldo, não tem qualquer relação com os fenômenos climáticos regionais de dois dias atrás ou algumas semanas. Tem fulcro na lógica e na história, na ciência não politizada, na resistência de alguns bravos que, contra vento e maré e sob sério risco de mancharem ou terem manchadas as suas reputações, inclusive a profissional, não abandonaram os postulados cartesianos em pró do lucro fácil, tanto pecuniário quanto social, proporcionado pela "pajelança" eletrônica das modelações catastrofistas e das "verdades algorianas", cuja divergência com a realidade fática é mais que patente e, a cada vez mais, confirmada.

Não é que os defensores do AGA tenham errado em alguma coisa... É que não acertaram nada!

Entretanto, isto não é razão para que a divergência de opinião seja causa de discórdia ou justifique a argumentação "ad hominem"; existe espaço para a discussão civilizada e, já que do "tempo" falamos, basta que lhe demos tempo e teremos resultados, afinal, como dizia aquele presidente esquisito (mas a frase não é delle), "o tempo é o senhor da razão". 

Saudações

 

"Um fósforo só não tem energia para queimar um bosque inteiro, mas pode começar o incêndio." (sobre as ideias, Jose Mayo)

 
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A. Alvaro Guedes

Eis a causa do alvoroço Rio+20: agenda “reenfocada” preocupa ambientalistas

Um sopro de ar fresco parece estar sendo lançado sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentado, a Rio+20, que será realizada em junho próximo, no Rio de Janeiro. A julgar pela listagem dos “assuntos críticos” contidos no chamado Draft Zero, o documento elaborado pelas autoridades brasileiras para estabelecer a agenda do evento e, não menos, pelas reações negativas do aparato ambientalista a ele, é possível que o bom senso e o realismo estejam começando a se manifestar de uma forma mais incisiva nessa área crucial para a determinação do futuro próximo de toda a Humanidade.

Igualmente, é possível que a tradição diplomática brasileira em relação aos temas ambientais, que se manifestava no início da década de 1970, por intermédio de luminares como o embaixador Araújo Castro e intelectuais do porte de Josué de Castro, que alertavam sobre as intenções subreptícias do Establishmentanglo-americano, esteja renascendo em resposta às pretensões de “congelar” o desenvolvimento sob pretextos ambientais.

Agregue-se a isto o fato de o secretário-geral da conferência, Sha Zukang, ser um veterano diplomata chinês sem qualquer vínculo explícito com o movimento ambientalista e habituado aos embates estratégicos internacionais. As duas edições anteriores do conclave, em Estocolmo (1972) e no Rio (1992), foram encabeçadas pelo magnata canadense Maurice Strong, o “executivo-chefe” do aparato ambientalista internacional em suas primeiras décadas de existência e, ainda hoje, um dos seus principais dirigentes.

No sítio da conferência, os dois temas gerais do evento são descritos como sendo: a) uma economia verde no contexto do desenvolvimento sustentado e da erradicação da pobreza; e b) o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentado. Sobre o “desenvolvimento sustentado”, a seguinte definição é oferecida:

O desenvolvimento sustentável enfatiza um enfoque holístico, equitativo e com visão de longo alcance, para o processo de tomada de decisões em todos os níveis. Ele enfatiza não apenas um forte desempenho econômico, mas também a equidade intrageracional e intergeracional. Ele se baseia na integração e numa consideração equilibrada de objetivos e metas sociais, econômicas e ambientais, tanto nos processos decisórios públicos como nos privados.

A mera inclusão da erradicação da pobreza entre os objetivos gerais para o evento, como tem sido ressaltado pela presidente Dilma Rousseff, em suas manifestações a respeito, sugere uma inflexão nas diretrizes que geralmente norteiam tais eventos.

Já o Draft Zero lista sete “assuntos críticos”: empregos, energia, cidades, alimentos, água, oceanos e desastres. Vale registrar a ausência de um maior destaque para temas onipresentes na agenda ambientalista, como as mudanças climáticas, o desmatamento e outros. Vejamos algumas referências aos assuntos selecionados.

- Empregos: “A recessão econômica tem cobrado um preço, tanto na quantidade como na qualidade dos empregos. Para os 190 milhões de desempregados e os mais de 500 milhões em busca de emprego nos últimos dez anos, os mercados de trabalho são vitais, não apenas para a produção e geração de riquezas, mas igualmente para a sua distribuição. As ações econômicas e as políticas sociais para criar empregos que proporcionem ganhos são críticas para a coesão social e a estabilidade. É também crucial que o trabalho seja orientado para as necessidades do ambiente natural. (…)”

- Energia: “A energia é central para quase todos os grandes desafios e oportunidades com que o mundo se confronta atualmente. Seja para os empregos, segurança, mudanças climáticas, produção de alimentos ou aumento de rendimentos, o acesso à energia para todos é essencial. (…)”

- Cidades: “(…) Os desafios comuns para as cidades incluem os congestionamentos, falta de fundos para prover serviços básicos, escassez de moradia adequada e infraestrutura declinante. Os desafios enfrentados pelas cidades podem ser superados de maneiras que permitam a elas continuar a prosperar e crescer, ao mesmo tempo em que melhoram o uso dos recursos e reduzem a poluição e a pobreza.”

- Alimentos: “É hora de repensar como cultivamos, compartilhamos e consumimos os nossos alimentos. Se praticadas corretamente, a agricultura, a silvicultura e a pesca podem proporcionar alimentos nutritivos para todos e gerar receitas decentes, ao mesmo tempo em que apóiam o desenvolvimento rural centrado nas pessoas e protegem o meio ambiente… Uma mudança profunda do sistema alimentício e agrícola mundial é necessária, se quisermos alimentar os 925 milhões de famintos de hoje e as 2 bilhões de pessoas adicionais esperadas para 2050. O setor de alimentos e agricultura oferece soluções chave para o desenvolvimento e é central para a erradicação da fome e da pobreza.”

- Água: “Água limpa e acessível a todos é uma parte essencial do mundo em que queremos viver. Existe água potável suficiente no planeta para se atingir este sonho. Mas, devido a processos econômicos ruins ou às deficiências de infraestrutura, a cada ano, milhões de pessoas, a maioria delas crianças, morrem de doenças associadas à disponibilidade inadequada de água, saneamento e higiene . A escassez e a má qualidade da água e o saneamento inadequado têm impactos negativos na segurança alimentar, nas opções de vida e nas oportunidades educacionais das famílias pobres em todo o mundo. (…)”

- Oceanos: “Os oceanos do mundo – a sua temperatura, composição química, correntes e vida – movimentam os sistemas globais que tornam a Terra habitável para a Humanidade… Uma administração cuidadosa deste recurso global essencial é um aspecto chave de um futuro sustentável.”

- Desastres: “Os desastres causados por terremotos, inundações, secas, furacões, tsunamis e outros fenômenos podem ter impactos devastadores nas populações, ambientes e economias. Mas a resiliência – a capacidade de os povos e lugares suportarem esses impactos e se recuperar rapidamente – permanece sendo possível. Escolhas inteligentes nos ajudam a recuperar de desastres, ao passo que escolhas ruins nos tornam mais vulneráveis. Estas escolhas se relacionam à maneira como cultivamos os nossos alimentos, onde e como construímos as nossas casas, como funciona o nosso sistema financeiro, o que ensinamos em nossas escolas e outras questões. (…)”

De fato, até há pouco, tais ênfases no saneamento, nos problemas da urbanização, na resiliência e, sobretudo, na erradicação da pobreza e no impacto da organização financeira global nos problemas que se configuram como impactos ambientais, não eram comuns em documentos com temas ambientais. Nem, tampouco – e sobretudo -, na estreita vinculação dos temas ambientais aos problemas socioeconômicos que afetam diretamente o bem-estar e os níveis de vida das populações. Como explica o embaixador André Correa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty: “O Brasil não quer que a nova governança seja de meio ambiente, e sim que ela seja voltada para o desenvolvimento sustentável, ou seja, que acentue que o meio ambiente deve estar no contexto social e econômico (O Estado de S. Paulo, 1º./02/2012).”

Segundo ele, o governo brasileiro pretende fazer da conferência um G-20 voltado para discussões sobre o futuro, na qual caberiam, inclusive, debates sobre a melhor maneira de se enfrentar a crise financeira global.

Evidentemente, essa guinada não está agradando aos ambientalistas, habituados a décadas de concessões aos discursos alarmistas sobre catástrofes planetárias iminentes, a necessitar de ações emergenciais e da submissão das agendas socioeconômicas e de desenvolvimento tecnológico aos seus ditames ideológicos e, geralmente, cientificamente infundados. Com a divulgação do Draft Zero, começaram os protestos sobre uma alegada “falta de foco” das propostas brasileiras, oriundas, principalmente, da Europa.

Na conferência “Em direção a uma nova governança mundial de meio ambiente”, realizada em Paris, em 31 de janeiro, líderes políticos e ambientalistas criticaram as ambições nacionais. Segundo o correspondente do “Estadão”, Andrei Netto, os europeus querem mesmo acentuar as discussões dos temas ambientais. A França, por exemplo, prefere que a Rio+20 se concentre em negociações diplomáticas para a criação de uma Organização Mundial de Meio Ambiente.

“Quanto mais falamos sobre crescimento verde e menos sobre governança, mais estamos perdendo o foco”, protestou a ministra do Meio Ambiente Nathalie Morizet.

Com ela, fez coro o presidente da Câmara de Comércio Internacional (ICC), Gerard Worms: “Lutar contra a pobreza é importante, mas não é o mesmo que lutar pelo meio ambiente. A causa já é muito vasta e avança pouco. Ou se mantém o foco ou não se avançará.”

Em suma, tratam-se de sinais promissores de que uma mudança de rumo potencialmente decisiva pode estar em curso, quanto à percepção da questão ambiental por altos escalões do governo brasileiro, aí incluídas as prioridades que devem ser conferidas aos requisitos socioeconômicos e infraestruturais do desenvolvimento. Cabe, pois, aos demais setores da sociedade, interagir com ela e trabalhar para que se consolide.

http://www.alerta.inf.br/rio20-agenda-reenfocada-preocupa-ambientalistas/

 

  

 
 

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