As discussões sobre racismo

Hesitei antes de publicar este artigo. Primeiro, pelo fato de o episódio Heraldo estar sendo utilizado para tentar detonar o colega Paulo Henrique Amorim. Depois, pela presença de pequenos oportunistas, blogs que falam para públicos específicos e que sempre de aproveitam de momentos de vulnerabilidade para ataques pelas costas.

O artigo em questão é do José Roberto Militão, que o blog tem na maior consideração por suas posições corajosas e humanistas. Privar o blog do artigo significaria não dar luz a um ângulo relevante nas discussões do movimento negro.

Publico e reitero minha solidariedade a PHA, caso Heraldo à parte, pelo conjunto de ações que vêm sofrendo, visando sufocá-lo financeiramente.

O Movimento Negro apóia as ofensas racistas?

Por: José Roberto F. Militão - 28/2/2012

http://www.afropress.com/colunistasLer.asp?id=954

Ouso discordar com a devida veemência do artigo de Marcos Rezende, http://www.afropress. com/colunistasLer.asp?id=953., que na condição de militante do movimento negro, faz a defesa do polêmico jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM, que fez uma degradante ofensa racial contra um afro-brasileiro do porte de HERALDO PEREIRA, nosso principal jornalista que integra o primeiro time da principal rede de TV do Brasil. No artigo REZENDE outorga o direito de Paulo Henrique Amorim, que se encontra em "guerra" profissional e pessoal com a Rede Globo de TV, utilizar-se de uma ofensa racial contra o mais importante afro-brasileiro do jornalismo, advogado e professor universitário em nível de pós-graduação. Um jovem ainda, HERALDO PEREIRA, com trajetória exemplar, de office-boy a estrela do jornalismo nacional, jamais deixou de reconhecer o racismo no Brasil. PHA o acusa de ser um "negro de alma branca".

Apesar do racismo que conhecemos razão única da própria existência do próprio Movimento Negro que Rezende atua, HERALDO em 2002, foi destaque nacional, pois estava rompendo barreiras para orgulho de todos afro-brasileiros, pela primeira vez, um homem preto apresentava o mais importante jornal da TV brasileira: o Jornal Nacional. (http://www.terra. com.br/istoegente/ 174/reportagens/heraldo pereira. htm - Isto é Gente, 02/12/2002) “O sábado 23 foi um dia atípico na vida do jornalista Heraldo Pereira. Ele acordou por volta das seis horas, tomou café da manhã duas vezes e foi à igreja. O único hábito rotineiro foi a feijoada no almoço. Mesmo assim, não conseguia fazer o tempo passar. “Queria que o jogo começasse logo”, diz. Somente às 14h chegou à Rede Globo, onde apresentaria o Jornal Nacional em sua primeira participação nos rodízios de fim de semana. Sua estréia foi cercada de mais expectativa do que o normal: Heraldo se tornou o primeiro negro a se sentar na famosa bancada. “Sinto orgulho de ser negro e de apresentar o Jornal Nacional”, diz ele, que repetiu a dose nos dias 25 e 26. Num país de maioria negra como o Brasil, o fato não deveria causar espanto, mas são raras as oportunidades dadas às pessoas da raça. “O Brasil é racista”, afirma Heraldo Pereira, 41 anos. “Todo negro sofre preconceito. Ande atrás de uma mulher com bolsa para ver. Já passei por isso, passo e passarei”, diz.


A imputação de ofensas raciais degradantes como de "capitão-do-mato" ou "negro-de-alma-branca" feita por Paulo Henrique, da TV Record e do blog "Conversa Afiada" sob o pretexto de Heraldo não militar ostensivamente na defesa da segregação de direitos raciais é um absurdo.

Mais absurda a defesa do agressor, em nome do movimento negro. É um despautério. REZENDE foi inclusive testemunha de defesa judicial do acusado de agressão. Como se possível alguém aferir e testemunhar o foro íntimo de sentimentos, a não ser pelo que vem expresso em palavras e manifestações públicas. As palavras de PHA expressaram uma injúria racial contra HERALDO, aliás, reconhecida na retratação. As centenas, quase milhares de comentários de apoios ao ofensor, revelam o quanto a presença do afro-brasileiro ocupando o relevante destaque no jornalístico incomoda às elites, seja de direita ou de esquerda.

A falta de melhor argumentação para a defesa de cotas raciais conduz o debate ao confronto e ataques pessoais e aleivosias amorais dessa monta. Na defesa de políticas raciais, se tivessem, bastaria a boa argumentação que, como diz OBAMA, não pode ser na base do chororô e da vitimização que reduzem, ainda mais, a auto-estima dos afro-descendentes.

Infelizmente, consta que Heraldo também apóia as cotas sociais, porém, não é um militante da causa, razão do ataque raivoso e dos apoios suspeitos. Porém, ninguém, nenhum profissional de qualquer área tem o dever de engajamento em demandas políticas, quaisquer que sejam.

MILTON SANTOS, que muitos abusam de citá-lo, confidenciava aos interlocutores que ficava muito contrariado com a insistência para que ele fosse um militante do Movimento Negro e ele costumava brincar: “não sou obrigado a ser militante de nada além de minhas idéias que já são muitas.”

Talvez o único debate formal que MILTON participou como debatedor, ou um dos únicos, a convite do movimento negro anti-racista, tenha sido na nossa Comissão de Negros e Direitos Humanos da OAB/SP, em 1997, e ao aceitar o convite, impôs como condição a ressalva de que aceitava ir à OAB na condição de intelectual e não na condição de racial de ´negro´.

Em apoio a Heraldo, contra a segregação de direitos raciais, está o fato relevante dela exigir a produção artificial de raças estatais – raça negra para incluir e branca para excluir – com a legitimação estatal da classificação e hierarquia racial, além de trazer implícita a violação à dignidade humana de todos os afro-brasileiros com a presumida inferioridade declarada pelo estado.

Significando em médio prazo, liquidar com a auto-estima dos beneficiários como fizeram as leis raciais com os afro-americanos, além de induzimento a pertencimentos raciais e seus ódios inerentes e bem conhecidos, que não interessa ao combate do racismo.

O estranho ainda é que na mesma situação do Heraldo encontra-se mais de 2/3 dos afro-brasileiros que são contrários a segregação de direitos raciais, 70 milhões de pretos e pardos, que não aprovam às cotas raciais conforme a única pesquisa exclusiva publicada em 19/11/2008 - CIDAN/IBPS - realizada no Rio de Janeiro onde, desde 2001, vige lei de cotas raciais: 62,3% dos pretos e 64,1% dos pardos se posicionam contra as leis de segregação de direitos raciais. (essa pesquisa foi escondida pelos ativistas racialistas que a encomendaram): está aqui http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83 ). Somos todos “Negros de Alma Branca”.

Que Paulo Henrique, por motivos pessoais - histórico-profissionais - faça a ofensa racial compreende-se. Cabe à vítima, como fez Heraldo, levá-lo às barras dos Tribunais. Porém, totalmente equivocado que um pretenso líder afro-brasileiro que se propõe a combater o racismo faça a defesa dessa ofensa racial dirigida a importante personalidade afro-brasileira pelo simples fato dele e de milhões de outros não fazerem a apologia da segregação de direitos raciais.

A trajetória de Heraldo sem privilégios de berço e enfrentando toda a máquina racista que tão bem conhecemos, merece respeito e deve ser louvado por quem queira ser um verdadeiro anti-racista.

O artigo de Marcos Rezende, invocando as palavras do então radical Malcolm X que tinha o propósito de dividir a luta dos afro-americanos liderados pela doutrina pacifista do Dr. Luther King, não condiz com a realidade dos afro-brasileiros nem guarda fidelidade histórica.

O sonho sonhado pelo Doutor King era o fim das leis de segregação racial. O de Malcolm era o ódio e o confronto racial com a tese da revolução racial com o uso de todos os meios, inclusive da violência racial. Porém, o próprio Malcolm X, alguns anos depois, após sua peregrinação a cidade sagrada de Meca abandonou o radicalismo da Nação do Islã, renunciando ao radicalismo racial e declarou o arrependido de seus erros.

O mesmo radicalismo que ataca e destrói reputações de irmãos e que norteia Rezende neste episódio, inclusive atacando a afro-brasileiros que, tal como Martin Luther King queiram apenas a luta pela dignidade humana e nenhuma luta racial.

Para se compreender o grau de ódio que os discursos raciais produzem, ao desistir do ativismo pelo ódio racial, em sua famosa Carta de Meca dizendo que a partir dali passava a lutar pela humanidade dos afro-descendentes e pelos ideais socializantes de direitos universais.

Malcolm também foi rotulado de traidor dos ideais raciais – foi designado por coisas piores do que "negro de alma branca" - e acabou sendo covardemente assassinado por pretos radicais que, tal como Rezende, almejavam a qualquer custo, a condição de lideres "raciais".

Não é assim que faremos o bom combate ao racismo. Não será com a artificial criação de uma "raça negra" estatal, através da inescrupulosa manipulação estatística, violando a voz dos pesquisados com a soma dos auto-declarados pretos e pardos, retirando-lhes a identidade humana para a imposição de uma identidade jurídica racial. Não será assim que construiremos a igualdade e harmonia social que sonhamos.

Como dizia o saudoso Milton Santos, tantas vezes invocado em sua insuperável ausência: "nós não queremos pertencimento racial. Queremos apenas que sejamos considerados em nossa inteira humanidade. Não precisamos abrir mão de nossa "relativa" tolerância racial. Não preciso ser um afro-brasileiro, quero ser visto apenas como um brasileiro. Um brasileiro comum". Nas palavras de nosso maior intelectual afro-brasileiro neste vídeo: http://www.youtube.com/watch? v= xp9fPuYHXc

Como ativista contra o racismo considero inadmissível que o estado faça segregação de direitos raciais, pois isso implica na legitimação de "raças" estatais e da crença na divisão e classificação racial dos humanos o que vem na contra-mão da luta contra o racismo.

Somos a ampla maioria de afro-brasileiros, favoráveis às cotas sociais em que os pretos/pardos pobres competirão em igualdade de condições e dignidade com os demais pobres oriundos do mesmo ambiente social. Também é inadmissível que o movimento negro apóie quem desfira ofensas raciais, desqualificadoras, injuriosas, a qualquer afro-brasileiro que tenha dignidade.

Por fim é bom que se diga: suspeita-se, com razoáveis razões, que as cotas raciais por leis de segregação de direitos raciais que unem Paulo Henrique e Marcos Resende seja mesmo um projeto imperialista a cargo das Foundation's denunciadas desde 1998 no meio acadêmico.

Essas Foundation's, tem revelado a história com a revelação de documentos sigilosos do Governo dos EUA sempre foram o braço civil da inteligência norte-americana. Todo analista sabe que em cinqüenta anos o Brasil será uma potência mundial em disputa com os Estados Unidos.

O projeto ianque, então, seria nos retirar aquela relativa tolerância, uma vantagem demográfica que jamais conseguirão. O que justificaria os milhões de dólares, investidos todos os anos, desde 1990, nas universidades para formação de lideranças raciais, políticas e acadêmicas.

Configura-se, no apoio de Rezende em nome do Movimento Negro, com o alinhamento de um movimento social ao agressor de um digno afro-brasileiro, apenas o fato do ofensor ser aliado das políticas de cotas raciais de inspiração ianque.

A principal característica desse tipo de política pública em bases raciais é que foi inspirada no Brasil pelo progressista Senador Sarney, na época do PFL/MA. Portanto, além do patrocínio por milhões de dólares das Fords Foundation's, o esforço de racialização no Brasil conta com os vínculos reacionários e populistas da direita norte-americana, e de Sarney a Antonny Garotinho.

O próprio Paulo Henrique em sua defesa oral no processo movido por Heraldo, http://www.con versaafiada.com.br/brasil/2012/02/28/gilmar-heraldo-e-a-globo-quem-processa-pha/ ) confessa que ele próprio, residente por muitos anos nos Estados Unidos, onde foi convencido das vantagens das leis de segregação de direitos raciais, não se sabe ainda, se foi alguma Foundation ou se foi a própria CIA que o convenceu.

Neste episódio, de todo lamentável, com a palavra o "Movimento Negro".

O título original do artigo é "O movimento negro apóia as ofensas racistas a Heraldo Pereira?"

 

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108 comentários
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Valter de Souza

Odéio essa expressão "Afro-brasileiro". Quem não é "afro-brasileiro" é o que ?


Euro-brasileiro ?!?!


 


 

 

Valter Souza

 
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Erick M

Com todo respeito, acho que há uma implicância com certas expressões usadas pelo movimento negro. Nunca vi ninguém criticar quando alguém se define ítalo-brasileiro ou sino-brasileiro.

Afrobrasileiro inspira-se no afroamericano. De fato lá há mais razão que aqui, tendo em vista o seu patriotismo. Assim, o termo "afroamericano" tem por objetivo realçar a cidadania americana por parte dos negros.

No Brasil, suponho que pela falta de tradição patriótica, é mais comum o termo "afrodescendentes". Mas não há nada de lexicalmente errado com afrobrasileiro ou afrodescendente.

 

Erick

 
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Bento de Abreu

Também odeio o termo Afro-brasileiro, o certo pra mim é preto.


Como o próprio comentarista crítico diz, "a negação do negro", a plavra negro vem de negar, é úm termo muito pejorativo.


Outra coisa, a maioria da população africana não é preta, é de árabes da Argélia, Egito, Tunísia, etc...


 

 
 
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jefcandido

A palavra "negro" vem de "negar"? De onde saiu essa etimologia??

 
 
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joselitus_maximus

Até o direito de se chamar "africano" querem negar ao sujeito.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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klauss

Quando alguém se define ítalo-brasileiro ou sino-brasileiro significa que tem certeza da sua ascendencia e parentesco com imigrantes recentes que vieram da Itália ou China. A África contêm populações brancas antigas (norte africanos) e recentes (filhos de várias gerações dos colonizadores) que também podem ser chamados corretamente de "afrodescendentes" escancarando a imprecissão deste termo.

Quando se renega o uso da palavra "negro" como característica étnica reforça o pejoratismo e demonização do termo que não deveria existir, visto que ao contrário jamais nenhum brasileiro "branco" irá sentirse ofendido por ser chamado assim e estranhará o termo "eurodescendente" quando suas raizes já forem muito distante dos primeiros imigrantes!

Os brancos racistas estão certo em afirmar que a palavra "negro" é bom para definir algo ruim???

 

 
 
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Erick M

A população afrodescendente, infelizmente, não dispõe de dados precisos para "ter certeza" e informar de qual região da África vieram. É uma das muitas barbaridades que se cometeram ao longo da história.

Mas isso não lhes tira o direito de, ao menos, reconhecer o continente de onde vieram. É importante esse reconhecimento da origem, o estreitamento de relações com a África mãe. É importante que saibamos de onde viemos.

A política escravocrata selecionou escravos da África Subsaariana. São afrodescendentes mas poucos no Brasil, até porque não recebemos muitos imigrantes do norte da África. Então, quando falo em afrodescendente no Brasil, fica claro que me refiro aos descendentes da África Subsaariana.

Não há renegação da palavra "negro". Quem disse que uma coisa exclui a outra? Além do mais, afrodescendente é um termo mais amplo, já que, dada a miscigenação, nem todo afrodescendente é negro. Muitos têm até a pele clara, mas quase sempre algum atributo que revela sua ascendência afro.

 

Erick

 
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Ygor C.S.

O problema da expressão é que ela sugere que os que não são negros não são, por definição, afro-brasileiros, e isso esconde a história de nossos ancestrais (dos brancos e pardos mesmo, não só dos negros) e reforça uma ideia muito utilizada no passado para fazer os dominantes não se sentirem de modo algum "semelhantes" aos dominados, vez que seriam quase que "espécies" distintas sem o intenso contato genético que sabemos que há sobretudo no Brasil (e que anula qualquer possibilidade de que, geneticamente, brancos e negros brasileiros tenham qualquer diferença significativa). O negro é cor, e cor pode ter qualquer pessoa que nasça, mas associar a cor preta com "afrobrasileiro" traduz a falsa ideia de que origem é igual a cor e que a cor com que nascemos expressa fielmente de onde viemos e quem eram nossos ancestrais. É um tipo de divisão estrita e clara do tipo americano, no fundo aquela história de "iguais mas separados".

 
 
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Sergio Saraiva

Erik, a um enorme risco na expressão afro-american ou afro-brasileiro.

Um branco é  American, um preto é Afro-American.

Não, um branco ou um preto nascido nos Estados Unidos são, ambos, American e pronto.

O mesmo para o Brasil, somos todos brasileiros e pronto. Até os japoneses nascidos no Brasil são brasileiros, oras bolas. A origem dos ancestrais, se europeus, africanos, orientais ou nativos é o que menos importa na nossa nacionalidade. Destacá-la pode ser uma maneira de excluir.

 
 
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Erick M

Entendo sua crítica, mas discordo. O afro american é um american. Eles tiveram a preocupação em realçar sua origem afro no tempo em que afirmam sua cidadania americana foi exatamente para isso.

 

Erick

 
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Valter de Souza

Respeito sua opinião, mas discordo dela. E realmente tenho implicância, com a expressão afrobrasileiro ou afro-descendente, assim como tenho dessa ítalo-brasileiro (apesar de quase nunca ouvi-la).


Quando essas expressões são usadas há uma particularização étnica, em um pais com uma miscigenação de proporções continentais. Como disse o grande Darcy Ribeiro " fazer uma Austrália é muito fácil difícil é fazer um Brasil, Austrália é simplesmente colocar um monte de escoceses ou ingleses, que eles sai matando todos os indios. Já no Brasil não, a coisa é mais complexa...."


No Brasil aconteceu "mistura de vários elementos", daí surgiu um novo, o brasileiro, que é mais q ser afro, que ser euro, q ser ítalo. Pq no sangue de quem se julga afro ou ítalo tem muito mais q apenas esses 2 elementos.

 

Valter Souza

 
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Erick M

A miscigenação é fantástica, nos torna, provavelmente, o único país, verdadeiramente, multiétnico.

Mas a miscigenação não nos faz perder as nossas origens e nem é motivo para desvalorizá-las. Poxa, os descendentes de italiano, espanhol ou japonês - filhos das imigrações mais recentes -, mesmo quando são tambem filhos de brasileiros,  costumam valorizar suas origens, normalmente têm a dupla nacionalidade, não raro visitam o país de seus pais e avós. Por que aos negros seria negado esse igual direito? O homem tem o direito de valorizar suas origens, notadamente quando ela foi marginalizada ao longo da história.

 

Erick

 
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Ygor C.S.

Epa, já vi gente sim reclamando de expressões como "ítalo-brasileiro" ou "sino-brasileiro". Os americanos têm até um termo para esse tipo de coisa, o tal "hyphenated American", como se fosse preciso especificar a origem de alguns americanos (ou, no caso, brasileiros), mas estranhamente não se exige especificar a origem de outros americanos (ou brasileiros). Os brasileiros pretos não são os únicos afro-brasileiros, e boa parte dos pretos brasileiros são também, estritamente falando, euro-brasileiros, portanto o termo é inerentemente errado em termos lógicos (isto é, uma expressão tem significado diferente e mais abrangente que a outra, logo não serve como sinônimo) e só faz sentido para fins políticos (ou politicamente corretos). Acredito que deve ser meta do movimento negro não acabar com as palavras "negro" e "preto", mas fazer com que elas soem tão naturais e pouco polêmicas quanto a palavra "branco". Afinal, em termos estritos, o problema no Brasil é da identificação social que é associada à cor, e não a origem étnica dos ancestrais de uma pessoa. Não há conflito étnico em sentido estrito, mesmo porque, sendo o termo "etnia" mais amplo e focado em aspectos culturais (língua, hábitos, identidade, etc.), é absolutamente certo dizer que um branco e um negro no Brasil podem ser da mesma etnia, enquanto dois negros de regiões e culturas bem distintas podem não ser da mesma etnia. Acho que o "hyphenated" brasileiro deve ser desestimulado. Há brasileiros, brancos e pretos, amarelos e indígenas, e o que os distingue é a posição social predominante, por preconceito e/ou motivos históricos, em cada grupo, mas não se pode separá-los por ancestralidade (muitos negros, inclusive, são parentes ou até irmãos de brancos, portanto herdaram a mesma ancestralidade).

 
 
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Fabiano Lima

Odeio esse termo eu sou negro e ponto

 
 
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Klaus

Eu sou o Klaus. Não sei se sou preto, branco, marrom, rosa, amarelo, sou uma pessoa, um caráter, uma personalidade, sou uma carga cultural herdada dos meus pais. Minha cor? Continuo sem saber! Minha mãe alemã, meu pai pernambucano mulato, minha avó materna nascida na Romênia, meu avô filho de húngaros.... Que cor eu tenho? Para mim pouco importa, pois continuo sendo o Klaus.

 
 
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Ricardo Cavalcanti-Schiel

As projeções dos resultados da ampla pesquisa de mapeamento genético dos brasileiros, conduzida pela equipe do Dr. Sérgio Penna, da UFMG, indicam que cerca de 86% dos brasileiros teriam marcadores genéticos de origem africana. Ou seja, 86% dos brasileiros são "afro-descendentes". Eu me pergunto: isso serve para alguma coisa em termos de "afirmatividade"?...

Juntei à comunidade temática "Leis e Cotas Raciais", do nosso brasilianas.org, junto a outros textos do Militão, artigo sobre essa temática, que publiquei na coletânea "Divisões Perigosas", publicada há 5 anos sob a organização de Peter Fry e outros: http://www.advivo.com.br/documento/quando-nem-todos-os-cidadaos-sao-pardos

 
 
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Erick M

Outros demonstram que muitos que consideraríamos negro tem maior ascendência europeia que africana.

Eu pergunto: e daí? Todas essas pesquisas que supõem acabar com a noção de raça - como se sociologia e biologia fossem a mesma coisa - demoraram muito pra chegar. Teria feito muito bem se viesse impedir as doutrinas de legitimação da escravidão - se bem que encontrariam outras - ou para impedir o desenvolvimento do darwinismo social.

Mas não é justo que, justamente no momento histórico em que se consegue alguma reparação e consciência negra,  descobertas científicas sejam usadas para abafar isso. Essas mesmas descobertas são muito melhor utilizadas no combate ao racismo do que no combate a quem luta contra ele.

 

Erick

 
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Ricardo Cavalcanti-Schiel

Erick

O problema objetivo é muito mais simples que toda essa sua retórica. A questão é: REPARA QUEM, CARA PÁLIDA?

Não há, objetivamente, como determinar quem é negro no Brasil (nem quem é braco ou qual diabos seja o escaninho "racial" escolhido). E isso por uma razão muito simples: Não há como determinar objetivamente onde uma raça termina e outra começa. Raças são apenas construções retóricas. Mas o resultado do uso dessas construções não é outro que não uma apartação social arbitrária, delirante e irremediavelmente INJUSTA.

Falar de "reparação" nesse caso não é promover justiça, mas apenas entorpecer qualquer sentido de justiça em nome de um chauvismo étnico que se quer "ideologicamente correto". O discurso da "reparação" é algo da ordem do fanatismo; e não da racionalidade.

 
 
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Erick M

Ricardo, não há retórica. Apenas questionei o uso de pesquisas biológicas para negar um conceito social e qual o papel dessas pesquisas na luta contra o racismo. Essa dificuldade de distinção só se manifesta, agora, como barreira à luta contra o racismo; nunca foi dificuldade para segregar, para negar direitos, para descobrir "suspeitos" etc.

Dizer que há muita miscigenação é uma coisa, dizer que não dá para saber quem é negro/branco já é demais. O precoceito e as consequências do período escravocrata reproduzem-se em todos os afrodescendentes, mas variam de acordo com  os traços dessa descendência, notadamente a cor da pele. Poxa, visite, por exemplo, um curso de Medicina qualquer neste País e olhe seus alunos. Depois, vá a uma favela no RJ ou em SSA - concentro-me em duas cidades com muitos negros; o quadro será diferente nas favelas no Sul do país - e olhe a maioria de seus integrantes (encontrará, também, muitos parecidos àqueles que viu no curso de Medicina, mas concentre-se nos diferentes). Pronto, você já pode diferenciar negros e brancos.

Se a dúvida persistir, chame uma Polícia Militar - qualquer do país - e peça para identificar os suspeitos de  ter batido sua carteira. Agora, não tem mais erro.

 

Erick

 
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joselitus_maximus

"Euro-brasileiro ?!?!"

 

Achou ruim é?

O sujeito acha ruim ser chamado de "Euro-brasileiro" mas adora chamar os outros de "china", "ching ling", "polaco","crioulo","japa", "mouro","turco", "negão", etc, etc e etc...

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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joselitus_maximus

QUE CONVENIENTE.

 

Em um momento estamos discutindo o racismo no Brasil, 1 minuto depois estamos condenando o "Movimento Negro" à não-existência por ousarem discordar das conclusões míopes da Filosofia do Direito e por usarem um termo que alguns não gostam por motivos puramente pessoais.

 

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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J.Roberto Militão

 


                Válter,


                No Brasil o racismo, preconceitos e discriminações se manifestam pela cor (marca da pele) e não pela ´raça´ (origem de sangue). Portanto, para a eficácia do combate ao racismo devemos evitar a naturalização de suas expressões como ele se manifesta. Uso a identificação dos brasileiros pretos e pardos de ascendência africana como ´afro-brasileiros´ como recurso linguístico sem concessão ao falante racista.


                ´Negro´, no caso dos pretos e pardos, é uma dessas manifestações racistas, Nossos antepassados não se consideravam ´negros´. TAl designação somente se consolida, recentemente, a partir de 1900, e foi uma obra intelectual com base nas universidades onde prosperava o racismo e a eugenia.


              Não existe nenhuma etnia de ´negros´ na África nem no Brasil. A palavra ´negro´ também não é sinônimo da cor ´preta´.  Portanto, utilizo ´afro-brasileiros´ como um recurso de linguagem sem concessões aos ideais do racismo. Se eu te disser que é um afro-descendente você não saberá localiza-lo geograficamente. Pode ser africano, brasileiro, cubano, haitiano, norte-americano, jamaicano, peruano etc etc.


                 Quando me refiro a afro-brasileiros, não preciso especificar, você saberá que estou falando de pretos e pardos afrodescendentes naturais do Brasil. É isso.


                 A maioria dos comentadores, que querem ser anti-racistas, utilizam abusivamente da designação de ´negros´ que é a expressão racial consolidade pelo racismo. Tal designação designava apenas o ´escravo´, inclusive os índios eram ´escravos da terra´. Somente a partir de 1755, através de uma lei, é que ficou proibido chamar os índios de ´negros´, designação que ficava reservada aos ´PRETOS´ da Costa D´África destinados à escravidão, dizia o ´Directório do Índio´, em artigo 10, outorgado pelo Marquez de Pombal, por coincidência em meados do século 18, a data exata da criação do racismo como ideologia de classificação racial, com uma superior e as demais inferiores, quando então a ´raça de negros´ seria na concepção racista a ´raça inferior´.  Veja a lei pombalina na íntegra, aqui:


http://www.nacaomestica.org/diretorio_dos_indios.htm 

 

José Roberto F. Militão, adv. OAB/SP

 
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J.Roberto Militão

 


             P.S. >> Evidente que os ´INDIOS´ eram designados por ´negros da terra´ e não ´escravos da terra´...  rsss.


 


 

 

José Roberto F. Militão, adv. OAB/SP

 
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Roger S

Este texto é bem típico de um tucano, o caso de Militão, do diretório do PSDB-SP e cargos e tal, daí até se justifica a injuria de chamar PHA de agente da CIA, é cada uma,

PhA vai acionar estes veículos que o chamaram de racista, imagina só de repente a Globo virar a eterna defensora do movimento negro, quando na verdade PHA sim, tem se postado ao lado dos negros e injustiçados

http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/03/02/pha-processa-a-globo-de-novo/

 
 
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J.Roberto Militão

 


                 ROGER,


                 Os sentimentos em bases raciais geralmente entorpecem a mente por isso é que são sementes de ódios raciais. Você nem leu direito quem o que faço, já deduz que por ser contra a segregação de direitos raciais seja do PSDB um oposicionista do PT. A minha postura é de militante contra o racismo, qualquer racismo, e não o faço, jamais fiz disso minha profissão mas compromisso filosófico.


                 Sou filiado ao PSB - Partido Socialista Brasileiro de 1985 quando saimos todos do MDB, e integro sua direção municipal, sem jamais ter postulado nem assumido qualquer cargo remunerado. Nas disputas internas semper fui defensor das alianças com o PT. Fui consultor da prefeitura na gestão Luiza Erundina, então no PT, que nos honra no PSB,  quando criamos a Coordenadoria de Assuntos da população Negra - CONE, por indicação partidária, e dispensei assumir cargo remunerado. Su fundador da Comissão de Advogados Negros da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, sob a presidência de PEDRO DALLARI, então Deputado Estadual do PT, a primeira iniciativa dentro da OAB, sob forte resistência das direções estaduais e federal, onde ajudei nas formulações das propostas constituintes contra o racismo. Todos os cargos que exerci até hoje sempre foram sem remuneração, portanto, uma condição para não ser dependente de políticas raciais, apenas contribuindo para que o estado não faça o discurso da democracia racial e se omita para a promoção da igualdade.


                Você continuou lendo mal e não entendendo o que escrevi, pois precisa desqualificar minhas teses: não defendo a TV GLOBO, apenas constato que HERALDO se projetou com competência até chegar à bancada do principal produto da maior rede de TV do Brasil. Outra coisa, não acuso PHA de ser agente da CIA, mas de ter sido convencido da eficácia de políticas de segregação de direitos raciais e esse convencimento tem sido um empreendimento das Foudacion´s antigos braços civis da inteligência norte-americana. Sobre as razões das Foudacion´s, LIVIO SANSONE antropólogo da UFBA, já escreveu sobre essa tendência em 1998 e se tornou livro ´Negritude sem Etnicidade´, não sendo, pois, uma novidade acadêmica.


abraço.

 

José Roberto F. Militão, adv. OAB/SP

 
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Roberto Veiga

Foi PHA quem deu munição, e muita, aos que querem detoná-lo. Poderia ter dito que se excedeu num momento de cabeça quente. Pedir desculpas publicamente ao ofendido sem precisar ser obrigado a uma retratação humilhante.  Optou por negar o que salta aos olhos, como a mulher que tenta se explicar ao marido que achou um homem pelado no armario. Entre uma atitude digna (reconhecer o erro horrivel que cometeu) e tentar salvar a imagem do personagem que criou para si, não teve dúvidas. Como não há nada suficientemente ridículo que não possa ficar ainda mais ridículo, chamou em sua defesa militantes negros e  jornalistas amigos que só pioraram o que já era péssimo.

 
 
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Turco

PHA não tem porque pedir desculpas.

 
 
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Ivan Moraes

"Foi PHA quem deu munição, e muita, aos que querem detoná-lo":

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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William - S.Carlos

Compartilho da mesma opinião sua, Roberto.


 


Um pedido de desculpas e um pouco de humildade não fariam mal ao PH, mas acho que isso é difícil para o ego dele.


Qto a tentativa de sufocá-lo financeiramente, é irreal, é impotante lembrar que ele tem uma instituição riquissimas em suas costas.

 
 
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Jair Fonseca

Também concordo com o Roberto. PHA deveria reconhecer seu erro. Às vezes, até pessoas que seriam antirracistas assumem posturas racistas: ele discriminou um colega por ser negro, usando expressão ofensiva para ele.

 
 

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