As discussões sobre o câmbio

Coluna Econômica

Em geral, as discussões sobre o câmbio ocultam os interesses, vantagens e desvantagens por trás de cada proposta.

O câmbio (ou seja, a cotação da moeda local em relação a uma moeda estrangeira) define dois parâmetros importantes na vida de um país:

1. O poder aquisitivo da população em relação aos produtos importados. Quanto mais valorizada está a moeda nacional, maior o poder de compra do cidadão.

2. A competitividade da produção nacional. Quanto mais valorizada a moeda nacional, mais caro será o produto interno em comparação com o estrangeiro. Com isso, haverá mais dificuldades em exportar e menos em importar.

Quando o câmbio se define pelas relações de troca.

Imagine que existam dois países, o país A e o B, apenas comprando e vendendo entre si. Se o país A exportar muito mais que o B, ele receberá mais moedas do B (ou dólares). Com excesso de dólares, ocorre uma apreciação da moeda do país A. Os produtos do país A encarecem, em relação ao do país B, permitindo um reequilíbrio no comércio entre ambos.

Na teoria, esse mecanismo de equilíbrio faz o seguinte:

1. Com o país A vendendo mais, sua moeda se valoriza e melhora o poder aquisitivo de seus habitantes.

2. Por outro lado, com a moeda do país B mais desvalorizada, ele consegue vender mais e recuperar o equilíbrio comercial.

***

Quando entram fluxos financeiros, o jogo se complica. Se as taxas de juros do país A são maiores que as do país B, haverá uma migração de dólares para o A. Com mais dólares entrando, ocorrerá uma valorização da moeda do país A – sem que tenha havido aumento das exportações. Com isso, seus produtos ficam mais caros, afetando o equilíbrio do comércio exterior. Ou seja, a apreciação da moeda não decorre do fato de sua economia ser competitiva (e exportar mais), mas fruto de um movimento especulativo.

***

Os efeitos de uma política cambial são os seguintes:

Quando o real está apreciado, melhora o poder aquisitivo da população. Passa uma sensação de bem estar. Melhora a popularidade dos governantes. Em um primeiro momento, ajuda a turbinar o mercado interno, com melhoria das vendas e do emprego.

Ocorre que esse movimento não é sustentável. Com o tempo, o real apreciado abre espaço para a entrada de produtos estrangeiros. O país fica com mais e mais dificuldades para vender para fora; e passa a sofrer internamente a competição dos importados.

Ou seja, ganha-se um presente à vista; e tem que se pagar um preço mês a mês, na forma de uma redução gradativa do dinamismo da economia.

Como consequência, abre-se um rombo nas contas externas.

***

Quando se desvaloriza o real, há também indicações e contra-indicações. Em um primeiro momento, ocorre uma desvalorização nos salários, no poder aquisitivo. Afeta o dinamismo interno da economia.

Depois, há impacto sobre os preços. Em um primeiro momento, aumentam os preços dos importados. Depois, impacta a cadeia produtiva dos produtos acabados. Finalmente, deflagra um processo nos setores internos para recuperar a margem perdida para os produtos exportáveis (que são beneficiados pela desvalorização), provocando inflação.

O pós-desvalorização - 1

No primeiro tempo, juros altos para segurar a inflação. Apenas no segundo tempo o jogo começa a embalar. Com o real desvalorizado, as empresas exportadoras recuperam o dinamismo e passam a vender mais para o exterior. No mercado interno, os produtos nacionais voltam a ficar competitivos em relação aos importados. Gradativamente a economia volta a embalar e novos empregos são criados e o país cresce de maneira sustentada.

O pós-desvalorização - 2

O problema é a intensidade da desvalorização. Se for intensa, tirará muito do poder aquisitivo do trabalhador e afetará o mercado de consumo interno. Além disso, o desarranjo na estrutura de preços trará alguns meses de dores-de-cabeça até debelar a inflação. Além disso, ainda há mecanismos de indexação que segurarão o resíduo inflacionário por algum tempo. Esse receio acaba emperrando os ajustes.

O pós-desvalorização – 3

O ponto central de insegurança é o arcabouço político brasileiro. Desvalorizações cambiais afetam bastante a popularidade de presidentes. E, desde a queda de Fernando Collor, tem-se um presidencialismo bastante instável, sempre sujeito a campanhas desestabilizadoras da mídia do eixo Rio-São Paulo. O próprio FHC sofreu muito no seu período de governo. Esse quadro intimida os governantes.

O pós-desvalorização – 4

Por isso mesmo, sempre que o quadro externo torna-se insustentável, dificilmente governantes tentam uma transição tranqüila para um novo regime cambial. A crise acaba se impondo, tornando as transições muito mais traumáticas. Foi assim em janeiro de 1999 – seis meses antes sabia-se que a desvalorização seria inevitável. Ou em 2002, com a crise das eleições. E será assim após a eleição de Dilma. 

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31 comentários
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DanielQuireza

Em vista de tudo isso, o ideal é que se consiga uma desvalorização lenta e gradual talvez até algo como 2,20 ou 2,30 em um prazo de uns 2 ou 3 anos, será que estaria de bom tamanho Nassif ? A questão é como se fazer isso.

 

@DanielQuireza

 
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Fernando Augusto Botelho

Concordo, e o meio é com uma redução lenta e gradual da Taxa Selic, mas aí é que esta o nó da questão, pois o BC interrompe o processo de redução, quando chega a um certo patamar, por pressão do mercado, e começa um processo de alta, também por pressão deste, manipulando as expectativas de inflação, e também o suposto PIB potencial, que o Nassif em alguma oportunidade poderia nos esclarecer se existe mesmo, e quanto ele seria realmente.

 
 
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DanielQuireza

É verdade. Por isso que o governo tem que ter o controle da política economica como um todo, inclusive do BC, tem que haver uma sintonia fina. Teria que ser algo do tipo: O governo com o controle, porém dando a impressão que o mercado é que continua controlando. Teria que ser alguem com a capacidade de fazer discursos mercadistas, para enganar a mídia, mas tomar atitudes de governo. Talvez com a ajuda do Lula ou quem sabe até do Palocci se consiga algo assim. Quanto ao PIB potencial é uma coisa muito teórica conceitual, pode até ser que exista, mas é uma coisa  muito dinamica e não estática como querem fazer parecer.

 

@DanielQuireza

 
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Raí

Nassif,não acredito que a eleição da Dilma vá piorar o já conturbado momento cambial brasileiro,e que algo parecido com o que ocorreu em janeiro de 1999,e em 2002,pois as condições agora,são totalmente diferentes daquelas épocas.

O Brasil hoje,ao contrário de 1999 e 2002,tem as contas correntes sob contrôle; Tem credibilidade na banca internacional; Tem reservas suficientes,para tentar segurar por um bom tempo,qualquer mudança no rumo da economia e no cambio,e tem o mais importante fator,para não sair por aí dando "canetadas"na política economica atual,que é a credibilidade interna e a confiança do consumidor.

Sem estas coordenadas,não há teoria economica que se sustente. 

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Nassif ... tem uma coisa que parece não fechar:

 

Se o cerno do problema cambial está na alta taxa de juros, como pode se esperar uma desvalorização da moeda seguida de juros altos pra conter a inflação?

 
 
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DanielQuireza

Exatamente. A meu ver a redução deve ser bem gradual e lançando-se mão de outros fatores para conter a inflação que não a taxa de juros. Só que isso só se conseguiria tendo efetivamente o controle do BC e podendo se fazer uma política economica afinada, o que não ocorre atualmente. Apesar de tudo é uma das críticas corretas de Serra. Mas mesmo se não for feito isso, não acredito em uma desvalorização tão elevada como em 2008, pois não teremos outra crise como aquela.

 

@DanielQuireza

 
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Ivan Moraes

"Por isso mesmo, sempre que o quadro externo torna-se insustentável, dificilmente governantes tentam uma transição tranqüila para um novo regime cambial. A crise acaba se impondo, tornando as transições muito mais traumáticas. Foi assim em janeiro de 1999 – seis meses antes sabia-se que a desvalorização seria inevitável. Ou em 2002, com a crise das eleições. E será assim após a eleição de Dilma":

No "por isso mesmo" a razao principal da falta de uma "transicao tranquila" esta excluida:  os insiders e "amigos" lucram gigantescas quantidades de dinheiro com as mudancas de cambio repentinas.  Eh pelo lucro deles que mudancas de cambio nao sao fase de transicao sem chilique:  tem que ser um deus nos acuda, sempre.

Quanto a "No mercado interno, os produtos nacionais voltam a ficar competitivos em relação aos importados", eles nunca foram.  Os brasileiros pagam carissimo por virtualmente tudo que compram.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
imagem de Anônimo

tio  ..a discussão tá fora de foco  ..tamo analisando o rabo  ..e o problema esta no cachorro

-No juros

-No tratamento facilitado pro capital especulativo e de CP

-Nas margens de especulação que se permite com que os agentes atuem frouxos e sem risco

-NA FALTA de uma política que trate de forma transparente o excesso de divisas que, já já, irá INUNDAR o país (tipo capitalização da Petrobrás, exportação da pré-sal, aumento do volume e do preço das commodities exportáveis que não tardam) 

..e por aí vai

..depois  ..e só depois nós devemos falar do cotôco

 
 
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Bucky

É inevitável a voloração do real, a economia em aceleração aliado a diminuição das desigualdades sociais e regionais (isso ajuda a criar uma base eficaz de consumo), muitas empresas virão ao Brasil, sem contar o petróleo da camada pré-sal.

Quanto fundo internacional para se evitar a doença holandesa, eu tenho um grande receio, imagine um fundo internacional em dólares, e depois por uma crise, por simples decisão ou ainda uma quebra da economia americana o dolar cravar uma desvalorização muito grande? Como ficaria este fundo? Eu sei que a criação deste fundo é muito importante, mas tenho receio.

 
 
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Pedro

Bem, em relacao aos juros e preciso considerar alguns fatores:

1- O capital estrangeiro (ou nacional, ilegalmente exportado) e remunerado a 10,75%aa. O nacional, a 8,6%aa (10,75% - 20% IR);

2- O padrao internacional sao os T-bonds de 10 anos do governo americano que estao em 2,6%aa.

3- O risco brasil esta em 220 pontos.

Portanto, pro capital estrangeiro ser adequadamente remunerado no Brasil, a taxa precisaria ser de 2,6 + 2,2 + 1,0 (risco cambial) = 5,8%.

Como se ve, esta uns 40% ACIMA. A desvalorizacao so nao e maior pq tem uma taxinha ai na entrada e na saida.

De qq forma, 8,6 - 5,8 = 2,8. 2,8/8,6 ~ 0,33. Ou seja, a taxa de equilibrio e 1/3 menor que a praticada no pais. Desta forma, o real se valoriza frente ao dolar em 1/3 em relacao a taxa de equilibrio. Como 1,76 + (1,76/3) ~ 2,33, pode-se afirmar que o real valor do cambio e 2,33 reais por dolar. 

Pra chegar la, e preciso trazer a Selic pra algo em torno de 5,75-6,00% aa.

No meu ponto de vista, e possivel casar a reducao da Selic com a expansao dos investimentos em infra-estrutura. Pra que isto aconteca, e necessario desenvolver o mercado de titulos privados (ou debentures) de investimentos em infra-estrutura.

Os bancos financiariam os investimentos e este seria securitizado. Cada titulo seria remunerado em 2/3 do valor da taxa de juros. Se o banco empresta a 4,5% aa, paga 3,0% aa e embolsa os outros 1,5%.

Desta forma o governo poderia trocar titulos atuais que rendem 8,6%aa (apos IR) por titulos casados.

O governo pagaria 5% e os outros 3-4%, seriam usados pra comprar titulos emitidos pelos bancos nacionais (uma forma de dar um ponta pe inicial neste mercado).Os titulos teriam seriam de medio e longo prazo (10-20 anos) e poderiam ser negociados em bolsa de valores, como acoes.

So que pra isto, o superavit primario tem que ser de 112-126bilhoes (8-9% da divida publica). Algo em torno de 4% do PIB. Pelo menos, por um periodo de 2-3 anos quando os titulos seriam trocados. Depois destas operacoes, o superavit poderia cair 70bi (5% da divida publica) ou 2,3% do PIB. Permtindo assim uma expansao do investimentos em torno de 42-56bilhoes ano.

Pra mim, o unico empecilho e operacional. Precisaria de alguem que contasse com a confianca tanto do mercado quanto do governo.

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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DanielQuireza

Parece ser uma proposta muito interessante. Realmente a resolução do problema passa muito mais por gestão operacional do que teorias pseudo-cientificas emitidas por "especialistas" engajados e cabeças de planilha.

 

@DanielQuireza

 
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ThiagoL

Gostei. Pela primeira vez vejo alguém apresentar uma proposta de solução e não apenas ficar alertando "o gato subiu no telhado, o gato subiu no telhado!".

 
 
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Pedro

Bucky,

Se o dolar comecar a cair, cair e cair, as empresas americanas ficam baratinhas e serao abocanhadas pelos estrangeiros. Portanto, o governo deles tera de fazer de tudo pra evitar isto. Inclusive, aumentar os juros. Mais, se os juros de um titulo caem, o seu valor de face sobe. Sempre lembrando que durante a crise, muitos investidores fugiram da bolsa e foram procurar o porto seguro dos titulos americanos.

Sobre o pre-sal, eu estava assistindo o programa da Dilma ontem e me espantei com uma afirmacao dela: "OS NAVIOS FABRICADOS AQUI NO ESTALEIRO ATLANTICO SUL AJUDARAO O BRASIL A VENDER SUAS RIQUEZAS PRA OUTROS PAISES, ESPECIALMENTE PETROLEO E GAS".

Eu juro que ouvi o pessoal falar na epoca da descoberta do pre-sal que o Brasil NAO IRIA EXPORTAR PETROLEO MAS SOMENTE OS DERIVADOS. Sera que mudaram de opiniao ou e por um curto periodo pra levantar fundos pra exploracao do pre-sal?

 
 
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Bucky

Pedro, existem americanos que defendem a desvalorização do dolar para que possam exportar mais, mas essa não é a questão, a questao é que a chance de se ter uma grande crise americana não é baixa, eles tem uma gigantesca divida interna. Se o nosso fundo internacional em dolares for perdido.. não vejo lado bom nisso.

 
 
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Júlio interiorrr

Essa farra dura 15 anos e o poder por trás dela extrapola o período eleitoral. Alguns ficam nas trincheiras imobilizados mas tentando não ceder terreno, como o Mantega e o Bresser. Mas é inútil, basta ver os valores envolvidos. Não dá prá encarar o lobby de 15 anos que em média desvia 200 bi por ano.  Acho infelizmente que para mudar vai ter que quebrar, vide Argnetina. Se quebrar  os nossos competidores também ganham (os nossos mercados) e piora para todos. Vai ser como a escravidão, só a história vai julgar os que já estarão mortos.

 
 
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Sergio Aranha

Para desatar o nó tem que fazer um ajuste fiscal severo até atingir superávit nominal (depois dos juros) nas contas públicas. Com a redução dos gastos do governo a pressão sobre a inflação reduziria e o BC poderia baixar os juros. Ao fazer isso o câmbio gradualmente se desvaloriza. Quando os jornais começaram a noticiar que a Dilma faria um ajuste fiscal duro no início do mandato surgiu alguma esperança. Já veio o desmentido que pode ter sido pela conveniência eleitoral. Essa decisão vai moldar o próximo governo. Se fizer o ajuste colherá ótimos resultados mais a frente. Se não fizer teremos mais quatro anos do cabo de guerra entre a Fazenda e o BC, juros elevados e câmbio apreciado com desindustrialização.

 
 
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Júlio interiorrr

E os interesses?

 
 
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jclop

Um dos problemas que o juros alto e a moeda apreciada traz, é a desindustrialização e o consequente desemprego inicial, nesta área

Uma das melhores coisas que Lula poderia fazer por Dilma, agora no final de governo, seria reduzir juros e desvalorizar o real.

Dilma depois, já outra administração, teria espaço, independência, tempo, todos esses tópicos necessários para mudanças de políticas, ao longo do seu mandato, e poderia intensificar ou reduzir essas medidas, sem o desgaste de haver implementado as iniciativas e ter que modificá-las. A oposição continuará por aí..

 

 
 
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Luiz Gonzaga da Silva

." O poder aquisitivo da população em relação aos produtos importados. Quanto mais valorizada está a moeda nacional, maior o poder de compra do cidadão."

Me lembro que no começo do plano Real, a relação Real/Dólar chegou a R$1,OO/US$O,89. Eu ia em lojas de disco e me sentia uma criança numa fábrica de chocolate. Na época estava em fase de transição de LP para CD e saía comparando "adoidado".  Caixas de CD's do ELP, The Who e muitos outros.  Tenho uma do Jethro Tull que é uma imitação de embalagem de charutos. Muitas vezes algumas pessoas me perguntam se fumo, então abro a caixa e mostro os CD's.

Agora, a muito tempo que não lia um texto tão didático sobre o câmbio. Perfeito.

 
 
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Túlio Carvalho

Em 1999, o mundo estava entrando na bolha da internet. O comércio internacional crescia.

O complicador que o Nassif sempre esquece é que o comércio internacional decresce neste momento, portanto há - além dos juros internos - outro "drive" para a queda do dólar, qual seja, a vontade do governo americano de desvalorizar sua moeda em relação a TODAS as moedas. Mas, apesar de ele se esquecer disso, isto só lhe dá mais razão quando questiona: pra quê uma taxa de juros tão alta?

O Meirelles diz: nós não poderíamos evitar a volta da inflação só diminuindo os juros. Sinto que ele tem razão também. A trajetória de juros tem que ser em degraus, tipo sobe e desce.

Quem acha que o ajuste do câmbio ocorrerá no ano que vem vai quebrar a cara, ou seja, perder dinheiro comprando dólar. O motivo do comércio internacional candente, a crise de 2008, deve ter efeitos ao menos até 2012.

 
 
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Rui Daher

Acabo de voltar de um "café da manhã-debate" oferecido pelo Banco Espírito Santo Investimento. Tudo muito bom, tudo muito bem, ótimas organização e gentilezas. A exceção ficou por conta dos palestrantes Cláudio Adilson Gonçalez (MCM Consultores) e Fernando Sampaio (LCA), que discutiram o tema "Perspectivas macroeconômicas no pós-Lula". Apresentados como de "matizes diferentes" exageraram numa mesmice "cabeça de planilha" enervante. Cláudio, um grosso. Se autodenomina neoclássico e confere aos pós-keynesianos, como classificou Sampaio, dificuldades cognitivas. Fernando, um banana acovardado pela agressividade do outro, e que diferente de seus artigos em jornais, concordou em praticamente tudo. Sempre um resguardo para o futuro em caso de concorrerem a algum trabalho. O primeiro fez de tudo: disse caber ao atual governo  um só mérito, de manter a política do anterior; salvamo-nos da crise porque FHC fez o PROER e segurou a inflação; nivelou Dilma, Marina - a quem tratou como Filha de Maria" - a Tiririca e Netinho de Paula. Enfim, um mal educado preconceituoso. Mostrou-se o tempo todo irritado com a vitória de Dilma, que não teria experiência política.

que ingressou no movimento aos 17 anos, formou-se em economia, foi secretária e ministra. E Sampaio, continuou neutro. Entendi o desespero de Cláudio vendo escapar-lhe pelas mãos o empreguinho que Serra lhe daria. Não entendi a covardia do outro, o de "matiz diferente". O croissant estava gostoso.  

 
 
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Ruy Mendes

Penso que o Governo de Dilma poderá fazer uma gestão para botar a "casa" em ordem, fazer todos os ajustes necessários e prepará-la para o próximo "ocupante" do Planalto 2014. Ela deverá encarar muitas encrencas (necessárias) com diversos setores da sociedade e não escapará de ver sua popularidade (virtual) cair logo nas primeiras medidas.
Por outro lado, se ela acertar e tiver sucesso, a curto prazo (contando com a sorte e com um cenário externo favorável), poderá se credenciar para mais um mandato e assim consolidar suas realizações (e as de Lula também).
Assim espero!

 
 
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Raí

Lembro-me muito bem,que no início da 1ª gestão do governo Lula,os economistas de plantão,estes mesmos que agora profetizam que a "bomba cambial"deve estourar,tambem prediziam e profetizavam que sem um choque na gestão desta coordenada,o governo Lula,não seria bem sucedida. Pssaram-se 4 anos e mais uma vêz,na época da reeleição do Lula,"os mesmos" ameaçavam que não escaparíamos de uma hecatombe espetacular na nossa política cambial,que certamente exigiria um choque nesta coordenada.

Nada daquilo aconteceu,e agora o Lula deixa uma herança relativamente contornável,no cambio,o que não exigiria nenhuma medida antipática na política economica,pois tudo está relativamente sob contrôle,e não deve mudar,com "canetadas"cujos resultados,o passado já demonstrou que não funciona.

O cambio deve ser deixado livre e flutuante,e obedecendo às ondas do mercado,fiscalizado porem não controlado com mão de ferro pelas autoridades.

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Leonidas de Souza

Não é preciso ser economista para saber que a questão do câmbio esta sendo empurrada com a barriga.

O governo não quer nenhuma turbulência maior até se saber o resultado das eleições, o que é compreensível.

Acho que até a capitalização da Petrobrás pode entrar nesse contexto.

Não sei que medidas já devem estar no forno, se uma intervenção drástrica ou vão seguir uma tragetória gradual, como tentou o FHC sem muito sucesso, acabou atropelado pelo Mercado.

O texto em questão é esclarecedor porque não faz como muitos analistas que se vê por ai, que focam apenas um lado da questão. Em economia, cada ação vai corresponder a reações em vários outros setores. Tão importante como o remédio, é a sua dose e o momento da sua aplicação.

Uma ação tecnicamente correta pode levar a resultados completamente diversos do pretendido, basta deixar um ponta solta.

Não sei se a intervenção se dará logo após as eleições ou vão esperar o novo governo assumir, mas que ela virá não tenho a menor dúvida, até porque a tendência é a situação ficar insustentável.

 
 
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Miguel A. E. Corgosinho

O cambio ao reduzir-se a duas estruturas diferentes, fecha a possibilidade de combinação de um fundamento científico que mereça consideração autentica da realidade. Se validar a primeira estrutura, como resultado da trajetória central, forma o alvo especulativo de confrontos diversos com a segunda estrutura, de modo geral.

 
 
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marcccio

Nassif,

nem de longe quero parecer um cabeça de planilha, mas a relação taxa de juros / valorização da moeda não é exatamente como se propõe... pelo menos não na análise histórica.

Uma olhada da série histórica da selic e do câmbio não mostra que a redução das taxas de juros levou a uma desvalorização do real... já demonstrei essa série histórica e nela vemos que nos últimos anos a taxa selic foi reduzida gradativamente...

apenas para abreviar... no final de agosto de 2007, o dólar estava cotado a R$ 1,96... no final de agosto de 2010 o dólar estava a R$ 1,76... ou seja houve valorização do real...

No último dia 1º, o copom manteve a taxa de juros em 10,75%, sendo que em setembro de 2007 essa taxa estava a 11,25% tivemos um redução mínima que não levou a nenhuma desvalorização do real... pelo contrário, tivemos um redução de quase 5% na selic e uma valorização de 10% no real...

A conta não bate... defendo que o segredo não é desvalorizar o real em si, para sim reduzir as taxas de juros e aumentar a alíquota de importação de manufaturados para venda final...

Assim, o crédito ficará facilitado, mas o preço dos produtos importados para venda final mais altos (aumentando a competitividade dos produtos nacionais no mercado interno) sem prejudicar a importações de outros produtos.

 

 

 

 
 
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Bruno Cabral

Se o problema do real valorizado é o juro do Banco Central, taxasse o capital especulativo no mesmo montante entre a SELIC e o juro internacional, ou seja, pela diferença real entre o juro interno e externo. Dai esse capital especulativo não mais virá, pois pagará imposto, entrando no pais apenas o capital de investimento produtivo E o capital fruto de exportações. Que tal, Nassif?

 
 
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Gunter Zibell - SP

Acho muito importante considerar o seguinte: a análise de efeitos deve ser feita por grandes segmentos. Não existe uma só "produção nacional" ou alguma homogeneidade entre exportadores. Fosse assim, não seria citada de vez em quando a "doença holandesa".

Além do risco de deficit em conta corrente, existe outro, alternativo : o dos bens primários, reforçados pelo petróleo, manterem justamente a valorização. Os mercados entram em equilíbrio, mas não necessariamente com maximização de produto no longo prazo. É por isso que é necessária a intervenção política com política fiscal.

Uma desvalorização também leva a enorme transferência de renda para os setores que não precisam de câmbio desvalorizado para exportar, notadamente o agronegócio e o extrativismo. Os quais também não gerarão empregos adicionais com isso (os empregos são o efeito esperado na indústria com uma desvalorização.) Um resultado evidente é a reconcentração de renda e o surgimento de um conflito redistributivo.

O ideal nessa situação, como se fala há tempos e há pouco o Luiz C. B. Pereira mencionou (Estadão, domingo passado), é a imposição de tributação à exportação desses itens. Poderá haver contrabando na exportação? Sim, mas é o único jeito. Uma tributação na exportação ajuda a evitar parte dos efeitos negativos na correção de preços internos.

Só que isso politicamente é difícil, pois afeta interesses da bancada ruralista, etc. Veja-se a dificuldade que C. Kirchner teve na Argentina, ela precisou recuar no imposto de exportação de produtos primários.

 

 

Em 2012 pense, vote, faça um Brasil anti-homofóbico!

 
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Flics

Uma correção Gunter:  não é verdade que Kirchner teve que recuar... o imposto sobre a exportação de produtos agrícolas (soja em primeiríssimo lugar) continua. Em 2208 a presidente Cristina Kirchener tentou aumentar tais impostos e não conseguiu, mesmo segmentando-os para favorecer os pequenos produtores. Mas o imposto continuou - e continua -o mesmo anteriormente.

Ainda hoje o complexo agro-mediático e a oposição, agora maioria no Congresso Argentino, ainda tenta eliminar a retenção sobre as exportações de soja, desfinanciando o Estado.

Mas concordo contigo... a desvalorização cambial - necessária para reestabelecer o equilíbrio das contas externas - se não vier acompanhada de retenções, é uma p.u.t.a. tranferência de renda para o setor primário que, além disso virá acompanhada pelo aumento no preços dos alimentos.

 
 
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Gunter Zibell - SP

Obrigado por comentar, Flics, não sabia disso. Então o correto seria dizer que C. K. recuou de aumentar os impostos. Abs.

 

Em 2012 pense, vote, faça um Brasil anti-homofóbico!

 

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