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Antonio Torres, o escritor e seu ofícioEnviado por luisnassif, seg, 06/06/2011 - 11:20Coluna EconômicaO grande escritor é ele e seu ofício solitário, ele com ele. Não ambiciona riqueza ou poder. Sua ambição é o reconhecimento dos leitores e dos iguais, os demais escritores. Muitos escrevem pensando apenas no reconhecimento posterior; outros ambicionam o reconhecimento imediato. Mas seu mote, sua seiva vital é o reconhecimento de seus pares. *** Um grande escritor não nasce, é construído ao longo de décadas e de livros, de personagens que cria, de tramas que tece, de sentimentos que explora, na solidão intermitente de seu quarto, raras vezes nos salões dos poderosos. Explora novas formas de conhecimento, a atualização permanente da leitura e da análise de pessoas e circunstâncias. Não busca a popularidade fácil dos jornalistas, a exploração do factual, do imediato, o atendimento da catarse dos leitores. O grande escritor ambiciona a eternidade. Para os de família quatrocentona, a eternidade pode ser um mausoléu no Cemitério da Consolação; para os muitos ricos letrados, uma fundação que leve seu nome; para o provincianismo brasileiro, um nome de rua. Para o grande escritor, deveria ser a Academia Brasileira de Letras (ABL). Mas não é. *** A ABL, a casa de Machado de Assis, que deveria ser a guardiã implacável dos valores da literatura, a defensora intransigente da meritocracia, a defensora dos escritores, o selo de qualidade, o passaporte final para a posteridade, é uma casa menor, em alguns momentos parecendo mais uma cloaca de fazenda do que um lugar de luzes e de letras. *** Ao preterir o escritor Antônio Torres em favor do jornalista Merval Pereira, a ABL demonstrou a pequenez não propriamente dela, mas de uma certa elite superficial brasileira, provinciana, atrasada. De pouco adiantou o fato de que os livros de Torres ajudaram o Brasil a ser mais conhecido por leitores da Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária. Ou o fato de dois livros seus – Um táxi para Viena D’Áustria e Essa Terra - traduzidos na França, terem levado o governo francês, em 1999, a lhe conferir o título de "Cavaleiro das Artes e das Letras”. *** Merval tem a visibilidade e o poder proporcionados pela Rede Globo. Tem moeda de troca – o espaço na Globo, podendo abastecer o ego de seus pares e as demandas da ABL. Poderia até ganhar prêmios jornalísticos, jamais a maior condecoração da literatura brasileira. Tem apenas dois livros, um de 1979, feito a quatro mãos, outro mais recente, mera compilação de artigos que escreve para o jornal “O Globo”. Mas representa poder – no caso, a mídia -, assim como, em outros tempos, o poder era o general Lyra Tavares, Getúlio Vargas, Roberto Marinho, aos quais também se curvou a ABL. *** De Merval, duas declarações de endosso. Da indescritível Nelida Piñon, enaltecendo seu... cavalheirismo. E a informação de que, dos acadêmicos, conhece apenas João Ubaldo Ribeiro – colunista de “O Globo”. *** Nos grandes jornais, nenhuma crítica. Inúmeros colunistas tiveram cócegas nos dedos, para denunciar o ridículo. Mas o corporativismo falou mais alto.
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Comentários + votados
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Orides
06/06/2011 - 08:10
A entrada na Academia Brasileira de Letras é um critério que uso para escolher os autores que leio.
Se é filiado, não leio.
A literatura já abandonou a ABL faz um bom tempo.
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Antonio Carlos Silva - RJ
06/06/2011 - 08:12
Pra mim está ótimo .
Merdal na abl, Gilmar Dantas no stf etc... . quanto mais lama melhor !
Um dia estas instituições renascerão das cinzas .
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antonio francisco
06/06/2011 - 08:21
jomarlov, você se refere ao val, de valor, não é? kkkk
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José Antônio Araújo
06/06/2011 - 08:30
Caro Nassif:
Na ocasião da notícia dessa eleição fajuta eu escrevi no meu comentário: "O ridículo sem limites..." Aproveito o seu post para salientar o que Freud falava de todos aqueles que se...
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Luiz Diogenes Filolau dantas
06/06/2011 - 08:44
Um bom parâmetro para leitura; não ler obras dos "imortais" da ABL. A eleição de Merval Pereira expõe a mediocridade daquele Casa. Tenho umas duas revistas de piadas do falecido comediante...
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antonio francisco
06/06/2011 - 09:09
Foi, mesmo, Mario Blaya, vou ser entrevistado por ele na Globo News qualquer dia desses. Como é que você ficou sabendo??
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antonio francisco
06/06/2011 - 09:13
O que li, num trecho em que se fala do imensurável Curt Meyer-Clason:
O poeta de Sentimento do Mundo lhe era especial: “Sua voz reservada, sussurrada, me lembrava Ingeborg Bachmann [escritora...
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droubi
06/06/2011 - 09:23
Nassif,
Para mim faltou no seu artigo também constatar outra obviedade: a inveja de mais de metade da ABL, que, como Merval, nunca fizeram uma única obra de literatura, e não suportam o sucesso de...
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Ivanisa Teitelroit Martins
06/06/2011 - 09:53
A votação na ABL passa por um escrutínio político que se acentua na escolha de perfis cada vez mais de centro-liberal. Aqueles que recusam são os verdadeiros literatos, são os escritores de nossa...
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Lenir Vicente
06/06/2011 - 09:54
A casa da Machado de Assis há muito tornou-se a casa da mãe Joana.Ali se pratica o exercício da bajulação.Não há lugar para verdadeiros escritores.
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José Joaquim da Silva
06/06/2011 - 10:18
Entre os "imortais" da Academia Brasileira de Letras estão José Sarney e Marco Maciel, no
passado tivemos Adelita e agora chega Merval pra reforçar a mediocridade.
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Silvio Torres
06/06/2011 - 10:18
"...indescritível Nelida Piñon..." é ótimo! Sintetiza e expõe o que é a ABL da maneira mais cruel e verdadeira possível.
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Nexus6
06/06/2011 - 10:38
O Merval precisa urgentemente ler o primeiro capítulo do livro "Por uma vida melhor". Principalmente em relação ao emprego do ponto:
"O mesmo Ministério da Cultura que apresentou em 2003 um projeto...
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Nilva de Souza
06/06/2011 - 10:56
Com a palavra, Prof. Hari Prado
5 junho 2011
A Academia redimidaFiled under: Artes — Hariovaldo @ 21:30 Tags: academia, eleição, merval, o globo
Passamos agora a comemorar a eleição de um...
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06/06/2011 - 11:23
Sim. Só o pensamento primário nao consegue enxergar qualquer assunto alem da politizacao primaria.
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Marcelo Rodrigues
06/06/2011 - 11:42
Sorte do Antonio Torres, ao menos no que concerne aos atuais acadêmicos, todos que entraram para a imortalidade da ABL morreram imediatamente para a literatura e nunca mais escreveram alguma coisa...
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Luiz Eduardo Brandão
06/06/2011 - 11:49
Por Um Pé de Feijão
Antônio Torres
Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (á nossa terra, feinha,...
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A mãe do Merval já intuía em 50% o que o filho dela seria.
jomarlov, você se refere ao val, de valor, não é? kkkk
MERVAL = Mercado de Valores de Buenos Aires.
A entrada na Academia Brasileira de Letras é um critério que uso para escolher os autores que leio.
Se é filiado, não leio.
A literatura já abandonou a ABL faz um bom tempo.
Um bom parâmetro para leitura; não ler obras dos "imortais" da ABL. A eleição de Merval Pereira expõe a mediocridade daquele Casa. Tenho umas duas revistas de piadas do falecido comediante Costinha. Se vivo poderia se candidatar com grandes chances.
Costinha tinha graça , pelo menos Sal.
Algo que Merval não tem!
Pra mim está ótimo .
Merdal na abl, Gilmar Dantas no stf etc... . quanto mais lama melhor !
Um dia estas instituições renascerão das cinzas .
Caro Nassif:
Na ocasião da notícia dessa eleição fajuta eu escrevi no meu comentário: "O ridículo sem limites..." Aproveito o seu post para salientar o que Freud falava de todos aqueles que se dedicavam às artes: sublimação. Como sempre, Freud não usou essa palavra em vão. Quis significar que os artistas através de suas obras "sublimavam" a dor fundamental da falta humana, mas aos seus apreciadores restava usufruir o sublime inerente às mesmas.
Não é o caso, não é?
Um abraço,
José Antônio
Caro Antonio Francisco: Claro que não. Não mesmo. Seguro que coração de mãe não se engana.
bom ao menos o Antonio pode ser grato ao merval por te-lo tornado conhecido!
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
Foi, mesmo, Mario Blaya, vou ser entrevistado por ele na Globo News qualquer dia desses. Como é que você ficou sabendo??
O que li, num trecho em que se fala do imensurável Curt Meyer-Clason:
O poeta de Sentimento do Mundo lhe era especial: “Sua voz reservada, sussurrada, me lembrava Ingeborg Bachmann [escritora austríaca] em suas leituras”. Depois de ouvir de Drummond que ele não tinha o menor interesse em entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL), Meyer-Clason o descreveu: “por não ser agressivo, recusar prêmios era sua forma de protestar.”
Em 1965, a ABL homenageou Meyer-Clason com a medalha de ouro Machado de Assis, como reconhecimento pela tradução de Grande Sertão: Veredas. Para o autodidata Curt Meyer-Clason, o segredo da tradução é fazer das cores da estranheza algo reconhecível.
http://www.substantivoplural.com.br/tradutor-curt-meyer-clason-completa-100-anos/
Nassif,
Para mim faltou no seu artigo também constatar outra obviedade: a inveja de mais de metade da ABL, que, como Merval, nunca fizeram uma única obra de literatura, e não suportam o sucesso de uma pessoa que escreva a verdadeira literatura, não uns poucos artigos de jornal.
Utilizando, agora contra o Merval, a metáfora do poste.
Fosse um poste concorrendo com o Antônio Torres, ganhava o poste. E é precisamente a este papel que Merval se prestou: Merval é um poste.
PET - Programa de Erradicação dos Trolls. Não alimente os trolls no blog!
luto.
Faz lembrar que há outros escritores, desse mesmo alto nível, que já escreveram até dois livros, que estarão nessa mesma disputa, a seguir. A elite se destacando. É muito importante para o futuro dos eleitores brasileiros, saberão distinguir os melhores livros. Aliás, não li nenhum desses livros, não tive tempo ainda, algumas revistas semanais e jornais diários, em que esses mesmos escritores e escritoras nos saboream com seus intelectos, estão com prioridades. É a necessidade de obter cultura.
A votação na ABL passa por um escrutínio político que se acentua na escolha de perfis cada vez mais de centro-liberal. Aqueles que recusam são os verdadeiros literatos, são os escritores de nossa língua.
Ivanisa Teitelroit Martins
A casa da Machado de Assis há muito tornou-se a casa da mãe Joana.Ali se pratica o exercício da bajulação.Não há lugar para verdadeiros escritores.
Entre os "imortais" da Academia Brasileira de Letras estão José Sarney e Marco Maciel, no
passado tivemos Adelita e agora chega Merval pra reforçar a mediocridade.
Perguntinha básica: fosse o agraciado, lulista, haveria este post?
Sem dúvida.
Quando a ABL abandonou a literatura pela política, perdeu o sentido.
Não, a ABL não abandounou a literatura à política. Apenas está enchendo o "tanque" com bio-combustível. A tradicional gasolina anda fora de moda, está cara, polui em maior grau, e estará escassa em médio prazo. Política, quando bem dosada, faz bem pra saúde.
E você acha que o agraciado é o quê?
Prezado Calvin,
Acho que você tem uma leve dificuldade na compreensão de textos em português. Provavelmente você deve dominar melhor o françês (é meu caso tambêm), o latim (para brigar com os papistas) ou o alemão (para brigar com Luther). Peça ajuda, você poderá ter participações mais claras neste blog.
Abraço huguenote,
Lionel
Pesquise o arquivo do blog. Combato exatamente esta dificuldade de compreensão por aqui com papel e lápis.....desenhando!
Nossa, nessa o Calvin foi "fondo"! Percebe-se mesmo o quanto conhece este blog. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Claro que sim. Por exemplo, se fosse o Professor Hariovaldo seria bem mais justo. Ele escreve infinitamente melhor que o Merval, que segundo o Mino, abarrota seus textos com o pronome "que"
Juliano Santos
"...indescritível Nelida Piñon..." é ótimo! Sintetiza e expõe o que é a ABL da maneira mais cruel e verdadeira possível.
O Merval precisa urgentemente ler o primeiro capítulo do livro "Por uma vida melhor". Principalmente em relação ao emprego do ponto:
"O mesmo Ministério da Cultura que apresentou em 2003 um projeto que foi considerado pelo cineasta Cacá Diegues uma manifestação stalinista oferece uma nova versão da Lei Rouanet, que tem o mesmo objetivo de direcionar os espetáculos culturais para 'compromissos sociais' que o governo considere adequados ao que imagina para o futuro do país." (do livro: O Lulismo no Poder)
"Especialmente sob a orientação de Frei Betto, que viria a ser seu assessor especial no Palácio do Planalto, deixando o governo desiludido (sic) com os rumos tomados pelo que deveria ser o programa estruturalmente transformador do governo Lula, o Fome Zero, substituído pelo Bolsa Família, de cunho acentuadamente assistencialista, sem grandes preocupações com mudanças estruturais da sociedade." (do livro: O Lulismo no Poder)
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"As várias ideias que compõem um texto precisam ser apresentadas de maneira que o leitor possa acompanhá-las. Por isso, é importante saber usar um determinado sinal de pontuação: o ponto [.]. (pag.13 - Por uma vida melhor)
"...Mas o texto não facilita o trabalho do leitor, e você, que tentou lê-lo, deve saber por quê. A divisão do texto em períodos, marcados com ponto, não ocorreu. (pag.18 - Por uma vida melhor)
"... uma cuidadosa divisão em períodos é decisiva para a clareza dos textos escritos. A língua oral conta com gestos, expressões, entonação de voz, enquanto a língua escrita precisa contar com outros elementos. A pontuação é um deles." (pag.18 - Por uma vida melhor)
A eleição ilegítima de Merval Pereira para a ABL
http://www.ipetitions.com/petition/mervalnaabl/
Capítulo 1 - Por uma vida melhor
http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/V6Cap1.pdf
Pois é, o Mino notou essa "característica estilística" da sintaxe "mervaliana". O desprezo pelo ponto substituído sempre e em qualquer circunstância pelo pronome "que".
Juliano Santos
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