Alemanha, Grécia e a Segunda Guerra Mundial

Por Sérgio Lamarca

De Le Monde

Teria a Alemanha uma dívida de guerra com a Grécia?

Chris Hondros/Getty Images/AFP
Angela Merkel, chanceler alemã, discursa na sede da ONU em Nova York em 21.09.2010
Angela Merkel, chanceler alemã, discursa na sede da ONU em Nova York em 21.09.2010

“Os alemães, que estão relutando em financiar um segundo plano de socorro para a Grécia, deveriam se lembrar de tudo aquilo que eles pilharam nesse país durante a Segunda Guerra Mundial [...] Com os juros, são 81 bilhões de euros que eles devem a Atenas. Essa é uma outra maneira de ver a Europa e sua história”.

O homem que diz isso não é um ex-resistente grego, nem mesmo um membro da oposição grega - ele nem grego é. Trata-se do eurodeputado Daniel Cohn-Bendit, interpelando na quarta-feira (15) os dirigentes alemães no Parlamento europeu após a recusa da troika europeia em conceder um segundo plano de ajuda de 130 bilhões de euros a Atenas.

Protestos na Grécia 

 
Foto 45 de 48 - 17.fev.2012 -Estudantes atiram objetos contra policiais que fazem guarda em frente ao Parlamento grego, durante manifestação contra as medidas de austeridade Thanassis Stavrakis/AP

“Eles tomaram o dinheiro grego e nunca mais o devolveram”

Teria a Alemanha uma dívida de guerra em aberto com a Grécia? A pergunta pode parecer absurda, mas ela tem o mérito de reposicionar a crise da dívida que tem atravessado o continente europeu em um longo período. Acusados de maus pagadores, sufocados por vários planos de rigor, enervados pelas decisões alemãs, há cada vez mais gregos relembrando o passado de Berlim.

No início de 2010, durante uma viagem pela Alemanha, Theodoros Pangalos, então vice-premiê, havia lançado uma bomba nas ondas da BBC: “Eles tomaram as reservas de ouro do Banco da Grécia, eles tomaram o dinheiro grego e nunca devolveram. É um assunto que deverá ser abordado algum dia”. Em dezembro do mesmo ano, o ministro grego das Finanças, Philippos Sahinidis, foi mais longe ao calcular a dívida alemã para com seu país em 162 bilhões de euros, comparando com o montante da dívida grega que chegava a 350 bilhões de euros no final de 2011.

Mais recentemente, foi a vez do herói da Resistência Manolis Glezos, 89, conhecido por ter retirado a bandeira nazista da Acrópole em 1941, de pedir pelo pagamento do empréstimo imposto à Grécia pelo regime nazista. “Com os prejuízos de guerra”, que Atenas ainda se reserva o direito de reivindicar, “São 162 bilhões de euros, sem juros”, calcula.

Quanto deve a Alemanha? 81 bilhões, como diz Cohn-Bendit? 162 bilhões, de acordo com as reivindicações gregas? 68 bilhões, como afirma o “Le Point”? Ou nada, como sustenta Berlim? A batalha de números que cerca esta questão é proporcional à complexidade da situação.

Estamos em 1941. No dia 6 de abril, a Wehrmacht invadiu a Grécia. Ela permaneceria ali até 1944. Em sua obra “Na Grécia de Hitler” [“Inside Hitler’s Greece”], o historiador Mark Mazower afirma que a Grécia talvez seja o país que mais sofreu com o jugo nazista - depois da Rússia e da Polônia - e que ela passou por uma “pilhagem sistemática de seus recursos”. Em 1941, os nazistas impuseram ao Banco Central grego, assim como fizeram em outros países, um empréstimo de 476 milhões de reichsmarks a título de contribuição para o esforço de guerra.

Esse “empréstimo” nunca foi pago, pela simples razão de que ele não figura no acordo de Londres de 1953 que determina o montante das dívidas externas contraídas pela Alemanha entre 1919 e 1945. Para não repetir os erros do tratado de Versalhes e poupar esse novo aliado do Oeste diante da ameaça comunista, os Estados Unidos consentiram em reduzir a dívida da Alemanha pela metade. Solicitou-se às vítimas da Ocupação que elas esquecessem seus pedidos de reparação. O objetivo estratégico dos aliados era edificar uma Alemanha forte e serena, e não arruinada pelas dívidas e humilhada.

Washington conseguiu sobretudo dos países beneficiários do Plano Marshall que eles desistissem de exigir imediatamente o que lhes era devido, adiando possíveis reparações para um reunificação da Alemanha como parte de um “tratado de paz”. “A partir daí, a Alemanha teve plena saúde, enquanto o resto da Europa sofria para curar as feridas deixadas pela guerra e pela ocupação alemã”, resume o historiador da Economia Albrecht Ritschl, professor alemão da London School of Economics, em uma entrevista ao “Der Spiegel” (em versão francesa no “Courrier International”). 

A Alemanha deu o calote três vezes

Esse adiamento permitiu que a República Federal da Alemanha vivesse um verdadeiro “milagre econômico”, o famoso Wirtschaftswunder, durante quatro décadas. E na hora de pagar a conta, Bonn deu um jeito de não honrar seus compromissos. O chanceler Helmut Kohl conseguiu de fato que o Tratado de Moscou de 1990 ratificando a reunificação não trouxesse a menção “tratado de paz”, uma das condições que figuravam no acordo de 1953 para possíveis pagamentos. “Era uma forma de continuar fugindo das reparações. “Na prática, o acordo de Londres de 1953 liberava os alemães da obrigação de pagar suas dívidas de guerra”, resume o jornal alemão.

Em outras palavras, o atual campeão econômico da zona do euro deu o calote três vezes ao longo do século 20: nos anos 1930, em 1953 e em 1990. “A Alemanha não pagou suas reparações após 1990 - com exceção das indenizações pagas aos trabalhadores forçados”, diz Albrecht Ritschl ao “Der Spiegel”. “Os créditos obtidos à força nos países ocupados durante a Segunda Guerra Mundial e os gastos associados à Ocupação tampouco foram pagos. À Grécia também não.” Mas “ninguém na Grécia se esqueceu de que a República Federal devia sua boa forma econômica aos favores consentidos por outras nações”, ele diz.

A República Federal indenizou a Grécia uma única vez: 115 milhões de marcos alemães (cerca de 58 milhões de euros). Foi em 1960, como parte de um acordo global com diversos países europeus e Israel. Desde então, a Alemanha acredita ter quitado sua dívida. Melhor ainda, ela não hesita em lembrar que ela “pagou desde 1960 cerca de 33 bilhões de marcos alemães em ajuda à Grécia, tanto de maneira bilateral como parte da União Europeia”. A isso se deve acrescentar que a Grécia recebeu mais de US$ 700 milhões da época como parte do Plano Marshall.

Cohn-Bendit: uma questão “moral” 

Só que nesse período de crise continental, nem todo mundo, inclusive na Alemanha, se satisfaz com os imensos favores concedidos a Berlim após a guerra. Sufocados por suas dívidas e pressionados por Berlim a aplicar os planos de austeridade, há cada vez mais gregos querendo dividir parte de seu fardo com seus antigos invasores.

A soma de 162 bilhões de euros mencionada vai bem além do pagamento do empréstimo forçado, estimado entre 54 bilhões e 81 bilhões de euros. Além disso, ela engloba os 108 bilhões avaliados durante a Conferência Internacional de Paz em Paris para a reparação dos prejuízos causados pelas tropas nazistas à infraestrutura econômica do país.

Já Daniel Cohn-Bendit se coloca em um “plano moral”: “Os alemães, que se dizem virtuosos, acreditam que os gregos pecaram e que eles devem pagar. Ora, os que mais pecaram foram justamente os alemães, cuja dívida foi apagada porque os americanos viram ali um interesse estratégico. Por que não considerar que salvar a Grécia é algo estratégico, em vez de fazer esse país se pôr de joelhos?”

Tradutor: Lana Lim

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19 comentários
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Francisco niteroi

A Alemanha conseguiu, com o Euro, tudo aquilo que Hitler e asseclas tentou com as armas. E é uma pena pois a idéia de integração, sempre sendo observadas as assimetrias, é muito boa. Mas o euro chegou em época de capitalismo financeiro selvagem transformando o mantra " o mercado pode tudo" em religião. Assim, nem se Zeus interferisse a Grécia sairá disto se permanecer no Euro. E a Alemanha que vá falar de competitividade, etc., sem o seu quintal de moeda única. Especialmente com os chineses que espera por ela em todas as esquinas do mundo.

 
 
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Francisco niteroi

Errata: chineses que esperaM

 
 
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Luis Campos

Creio que o ponto central é a destruição da Demokratia, a destruição do ícone representado pela Grécia. As duas torres destruídas nos EUA representavam o capitalismo do passado, e, como uma caixa de Pandora, precisavam cair para que o capitalismo sem fronteiras, agressivo, destruidor, pudesse se voltar contra o berço da cultura e da civilização que conhecemos. Tudo isso é uma metalinguagem, vocês compreendem isso, não é? Mas, se perceberem bem, aqui no que foi escrito, quanto da cultura clássica grega ainda está presente? Tudo que é devido a eles é impagável, impagável. Os próprios gregos, se tivessem herdado o menor parte da consciência de seus antepassados, correriam para Maratona e expulsariam os invasores na ponta das lanças de seus hoplitas ao verem sua liberdade real ameaçada. Diluiu-se a cultura, a inteligência, desmontou-se e inverteram-se a moral, a ética, o senso de dever para com a própria liberdade e o que sobrou em todo mundo ocidental? Um monte de povos sem vontade própria, governados por tiranetes travestidos de democratas, cheios de prioridades contrárias aos desejos de seus governados. É o fim da democracia? Permitiremos isso facilmente?

 
 
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alexis

Já vão tirar dinheiro da Alemanha! Isso já foi esgotado pelos judeus.

Alexandre o Grande, da Macedônia (no antigo norte da Grécia), também deve ter deixado alguns pregos por lá.

Direitos autorais de Platão, Aristóteles ou de Homero, poderiam ser cobrados pelo mundo afora. Cadê o ECAD!

O teorema de Pitágoras poderia pegar também os seus bons direitos autorais.

As escolas "Pitágoras" de Minas Gerais, etc, também poderiam fazer um vaquinha.

 

 

 

 

 
 
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Paulo Paiva

Peraí,

Está se falando de uma dívida de algumas dezenas de anos atrás - se for assim - se tudo que é passado não conta, então dívida de ontem também não existe.  É o mesmo raciocínio da "Lei da Anistia" - eu mando matar e depois me perdôo e aí vem aquela cantinela de que "passado é passado" 

 
 
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alexis

Então, qual o limite?

Um assassinato prescreve em 20 anos, acho.

Os direitos autorais cesam com 60 anos.

Alemanha virou papai Noel para os ganhadores da 2a guerra?

Nem a Merkel era nascida na época!

 

 
 
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Andre Araujo

No Oriente Medio o libanes é tido como esperto, o judeu mais ainda mais nenhum dos dois chega perto do grego, que enrola o libanes e o judeu,esse é mais um aplique grego , um

Pais que tem uma frota naval de 200 milhões de toneladas, a maior do planeta e nenhum armador grego paga um centavo de impostos à Grecia, aliás nem eles e nem ninguem na Grecia paga imposto, tem recorde mundial de funcionalismo publico e aposentadoria é mais cedo do que em Brasilia. Era um Pais destinado à quebra , agora vão culpar o mundo.

 
 
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alexis

Esse mar é uma beleza!

Barcos com bandeira de panamá e tripulantes da malásia.

Realmente André têm razão em relação às maiores atividades Gregas, a cabotagem inter oceânica e o turismo, e ninguém paga imposto mesmo.

Até na costa oeste dos EUA querem colocar navios "internacionais" na frente da Califórnia, para evitar problemas de imigração e de impostos.

 
 
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Ygor C.S.

E desde quando dívidas estatais, se o Estado ainda é o mesmo ou é o chamado Estado-sucessor (como a Rússia foi declarada ao fim da URSS), vão prescrever igual a crimes cometidos por seres humanos, pessoas físicas? Não é assim que funciona até onde eu sei. Uma dívida de guerra continua sendo paga - não só no caso da 2ª Guerra Mundial - mesmo décadas depois, da mesma forma que tratados onde terras são compradas de outros países (como os EUA e o Brasil fizeram no passado). Não existe isso de "ah, foi há tanto tempo". O que importa é que o devedor é o mesmo e é o legítimo representante do mesmo Estado do passado. Situação diferente seria se a Alemanha tivesse deixado de existir por completo e tivesse dado origem a outros Estados, nenhum dos quais considerado sucessor para fins de contratos e relações internacionais. Enfim, ficar comparando com crimes cometidos or gente comum não é o caminho para entender essa questão, pois Direito Internacional é um ramo separado do Direito justamente porque é bem diferente de se lidar com pessoas físicas. A não ser que a intenção sua seja mesmo só avacalhar o assunto.

 
 
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A.ALVARO GUEDES

 Para combater um Ferdinand Heinrich Von Cardozo

 Vamos de Papalulagalos  Dilmagopolus.

 
 
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rique

Em 1955, a Alemanha   promoveu   mundialmente   uma exibição   através  do seus  serviços    diplomáticos  no exterior,um mostra  sobre  o reerguimento pós-guerra ,  denominada , "Dez  anos Depois",ou  semelhante.

Era impressionante o  nível de reconstrução alcançado. Enquanto as nações vencedoras ,europeias,  debatiam-se  com restrições de toda  ordem,como o  Reino Unido, e suas  cadernetas de racionamento,França ,com problemas energéticos, a derrotada Alemanha  exibia saúde de vaca premiada. Conduzida  por Adenauer, o líder  escolhido  pelos EUA  para tornar o país num baluarte anti soviético,uma vitrine   do capitalismo. Graças as  tensões    produzidas pela divisão territorial e agravadas pela criação da RDA, a Alemanha Federal,foi inundada   com recursos  e privilégios  em oposição aqueles impostos  pelo irracional  Tratado de Versalhes,em 1919.

Quanto a  Grécia, foi abandonada à própria sorte,estrategicamente, por Stalin,por conta  da divisão   ideológica   acordada  entre os "quatro grandes"  de então,evitando  que os comunistas gregos tomassem o poder.

 

rique

 
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Klaus

Sim, concordo, mas lembremos do Plano Marshall que foi o incentivador dessa reconstrução!

 
 
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Fernando Antonio Moreira Marqu ...

O que é a Grécia sem seu povo? Seus aposentados sem condições dignas de sobrevivência, seus jovens sem ter oportunidade de trabalhar! Que mandem seus dirigentes entreguistas às favas e recomecem sem eles.


 


 
 
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Fernando Antonio Moreira Marqu ...

Este tipo de político cooptado pelo mercado, encantado pelo canto das sereias do neoliberalismo é a pior praga dos tempos modernos. Enriquecem entre si e afundam as nações e seus povos.


 


Lá esta praga está no poder. Aqui estão doidos para voltar...


 

 
 
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A C Santos

Seria muito interessante que os países Europeus pagassem tudo que pilharam das nações africacanas, sul-americanas, etc na época (muito recente) da colonização.


Porque será que o Le Monde esquece isto?


Depois das guerras, primeira e segunda, a França sempre pilhou a Alemanha, sob o pretexto de cobrar dívidas de guerra.


Também disto o Le Monde esquece.


Não que esteja todo desprovido de sentido o artigo, mas é hipócrita ao querer mandar a conta para outros, e se eximir das próprias culpas.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

Ressentimentos. Estava demorando a aparecer. Como se diz no ditado, farinha pouco, meu pirão primeiro. A engenharia americana pra derrubar o comunismo conseguiu derrubar-lhe; mas criou um monstro muitas vezes maior contra o capitalismo.  E agora é só observar quem serão os bodes escolhidos doravante. Judeus, o povo mais identificado que existe com o capitalismo? Migrantes do terceiro mundo "tomando" empregos no primeiro?

 
 
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Adjutor Alvim

A Alemanha se recuperou rapidamente porque o investimento de guerra criou uma indústria altamente modernizada com 1/3 de seus equipamentos com menos de 5 anos.

As indústrias onde este investimento se concentrou (ótica, quimica, engenharia fina, veículos e metais ferrosos) foram as bases do desenvolvimento posterior.

Os bombardeios aliados que destruíram imensas áreas residencias pouparam as principais plantas industriais.

Logo após colocar a rede ferroviária em pé, a Alemanha estava pronta para crescer.

A Grécia recebeu 160 milhões de dólares do Plano Marshall e em 1950 já tinha recuperado produção agrícola e industrial do pré-guerra.

Aliás, Grécia e Turquia foram os primeiros países a receber ajuda americana para evitar apoio popular a possíveis regimes pró-soviéticos. Essa ajuda, ampliada se transformou no Plano Marshall.

Mas a Grécia continuou em guerra civil entre os comunistas (abandonados por Stalin pelos acordos das zonas de influência) e a direita apoiada pelo Reino Unido.

Na minha opinião, a dívida da Alemanha não é com a Grécia e sim com a democracia.

Repito o que escrevi em 15 de fevereiro:

A hora da redenção alemã.

Esta crise é a grande oportunidade da Alemanha superar de vez sua culpa pelas duas guerras mundiais.

As economias da periferia européia não são competitivas.

Caso não haja ajuda externa sem condicionantes tão draconianas, suas populações vão ver seu nível de vida desabar.

E vão abrir espaço para o nacionalismo e movimentos extremistas de direita e de esquerda.

E vão comprar menos produtos alemães.

E vão ameaçar o consenso democrático do continente.

É uma crise que exige grandes ações.

Como foi o Plano Marshall.

Como foi a reunificação alemã.

Só que os trabalhadores alemães terão de contribuir com seus companheiros gregos, portugueses, espanhóis e italianos.

E contribuir que a produtividade da economia alemã seja estendida às periferias européias.

Só emprestar dinheiro para que continuem a comprar produtos alemães não será suficiente.

É necessário tornar a periferia européia competitiva.

Os trabalhadores alemães terão que entender que dependem do mercado europeu para manterem-se fortes mundialmente. E seu padrão de vida.

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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Morales

Toda a discussão é uma cortina de fumaça. Primeiro, porque a "ajuda" alemã está vinculada ao estrangulamento da classe trabalhadora grega. E vai direto para os bancos credores e para a oligarquia dominante grega, que é cúmplice do imperialismo europeu e do capitalismo financeiro nas falcatruas que provocaram a crise e deixaram os trrabalhadores gregos expostos a ela.


Segundo, porque obscurece a questão de que, tanto na Grécia, quanto na Alemanha, os interesses da camarilha exploradora, no poder (político e econômico), é diametralmente oposto aos interesses dos trabalhadores. Então, não é uma questão da Alemanha (toda a Alemanha) dever ou pagar à Grécia (toda a Grécia). Não foram os trabalhadores alemães que saquearam a Grécia, na II Guerra, foi o regime que foi elevado ao poder para suprimir a rebeldia dos trabalhadores alemães. E, na Grécia, caso fosse paga essa indenização, não seriam os trabalhadores os beneficiários dela, mas a plutocracia que se associou à burocracia neoliberal da União Europeia e à banca internacional e acabou por gerar a crise que aflige os trabalhadores.


Tomar como séria essa discussão é contribuir para a mistificação armada contra os trabalhadores gregos (e portugueses, espanhois, irlandeses, italianos, etc.) que objetiva a descarregar sobre suas costas os custos da crise provacada pela classe exploradora.  

 
 
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Jorge Moraes

Apoiadíssimo, "xará"!


De certa forma, países são invenções.


Tomar interesses específicos, interesses das classes detentoras de capital por "interesses nacionais" desserve à luta que realmente importa (a de classes).    


O comentarista expressa com argúcia e clareza a questão.

 
 

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