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A volta dos cabeças de planilhaEnviado por luisnassif, seg, 29/11/2010 - 14:36As anotações em negrito-itálico-sublinhado são minhas. Há muito a discussão econômica midiática se converteu na arte de juntar argumentos para garantir os ganhos do setor representado. Mas às vezes se extrapola. Há anos os cabeças de planilha insistem em todo tipo de falácia para desviar a atenção do câmbio. Desviam a discussão para fatores menos relevantes, invertem os argumentos alegando que o problemas das contas externas brasileiras é falta de competitividade, não de câmbio (como se o câmbio não fosse o instrumento para compensar falta de competitividade). Mas, dentre todos os bordões, falácias e boutades, poucas vezes li algo tão primário como o artigo abaixo. O Valor é o melhor jornal brasileiro, ainda. Mas abusa da má escolha de colaboradores. Do Valor Guerra cambial: qual é o inimigo? Gino Olivares | Há um intenso debate sobre as taxas de câmbio. A contribuição brasileira foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, em setembro, falou de "guerra cambial". Na visão do ministro, haveria um esforço deliberado de diversos governos de desvalorizar suas próprias moedas para ganhar competitividade, e o Brasil estaria sendo prejudicado por essa ação externa. Porém, a análise da evolução da taxa de câmbio real nos últimos anos sugere que o principal inimigo do país nessa "guerra" é doméstico e não externo. O G20 se reúne para discutir a guerra cambial. Um conjunto cada vez maior de países adota medidas contra o livre fluxo de capital, as relações entre China e EUA se deterioram em função do fenômeno. E o craque diz que o problema cambial é doméstico. A apreciação cambial brasileira não é um fenômeno recente. Usando as estatísticas calculadas pelo Ipea, a valorização desde 2002 é de aproximadamente 33%, trajetória que só foi interrompida brevemente em 2008. Assim, deveríamos procurar entender os motivos da significativa valorização dos últimos oito anos, e não apenas dos últimos meses, para identificar os verdadeiros "inimigos". Para isso, nada melhor do que nos basear na teoria econômica. Em termos teóricos, são quatro os fatores considerados como os principais determinantes da taxa de câmbio real: termos de troca, passivo externo líquido, gastos do governo e diferencial de produtividade entre os setores produtores de bens comercializáveis e não comercializáveis (o efeito Balassa-Samuelson). Intuitivamente, termos de troca mais favoráveis, menor passivo externo líquido, maiores gastos do governo, e maior diferencial de produtividade entre os setores produtores de bens comercializáveis e não comercializáveis estariam todos associados a uma taxa de câmbio real mais valorizada. Empiricamente, os trabalhos têm priorizado a análise de painéis de países, com resultados robustos e compatíveis com as previsões da teoria. Vejamos o que aconteceu no caso brasileiro. Desde 2002 o país tem se beneficiado de termos de troca favoráveis, resultado do surgimento de um grande demandante (China) dos produtos que exporta. No período 2002-2010 essa variável registrou incremento de pouco mais de 23%. Já o passivo externo líquido (como proporção do PIB) caiu de 41,7% em 2002 para 29,7% na última informação disponível (junho deste ano). Essa redução foi consequência de uma bem conduzida estratégia de redução da vulnerabilidade externa do país. Ambos os fatores contribuíram para a apreciação real do período; mas não parecem ser "inimigos". O gasto público e indicadores de produtividade são os verdadeiros vilões a serem combatidos Sobre o gasto do governo, o economista Fabio Giambiagi ilustrou neste mesmo jornal os problemas que o país tem. Segundo ele, a despesa primária do governo central (como proporção do PIB) passou de 19,5% em 2002 para um valor estimado de 22,7% em 2010, resultado de um crescimento a uma taxa equivalente ao dobro da taxa de crescimento do PIB. Essa trajetória deve ter contribuído de forma significativa para a valorização cambial brasileira. Eis aqui um sério candidato a "inimigo". Fantástico! O cabeção conseguiu descobrir uma causa sem consequência. O mero fato das despesas terem crescido mais do que o PIB não indica nada. É a mesma coisa que afirmar genericamente que batida de automóvel provoca ferimentos graves e colocar no mesmo baú batidas a 20 km e a 200 km por hora. Quais os mecanismos que transformam os gastos públicos em apreciação cambial?
Resta falar sobre o diferencial de produtividade entre os setores produtores de bens comercializáveis e não comercializáveis. Não temos informação disponível sobre esse diferencial; mas outros indicadores podem nos ajudar como os disponíveis no relatório "Doing Business 2011" (DB2011) do Banco Mundial, divulgado em novembro. Esse relatório avalia a facilidade de se fazer negócios em um país, característica que tem relação com a produtividade do mesmo, pelo menos no que tange ao custo de produzir no país na comparação com o resto do mundo. O Brasil ocupa a posição 127 entre 183 países, tendo caído três posições com relação ao resultado do ano passado; sendo que na avaliação dos ganhos acumulados nos últimos cinco anos, o país ocupa a penúltima colocação, superando apenas a Papua Nova Guiné. Temos aqui mais um sério candidato a "inimigo". O câmbio serve justamente para compensar as diferenças competitivas entre duas economias. O fato da economia brasileira ser menos competitiva do que outras economias é argumento a favor da desvalorização cambial, não da valorização. É um cabeção sem tamanho! Em resumo, a apreciação cambial brasileira não é um fenômeno recente. São quatro os fatores que determinam a evolução do câmbio real: termos de troca, passivo externo líquido, gasto do governo, e produtividade. Nos últimos anos os quatro registraram movimentos compatíveis com a apreciação cambial registrada. A melhora dos termos de troca foi consequência de um choque externo favorável e a redução do passivo externo líquido foi resultado de uma bem sucedida ação de política econômica. Não deveriam ser considerados "inimigos". Já o gasto público e indicadores de produtividade têm registrado forte deterioração e se constituem nos verdadeiros "inimigos" a serem combatidos. Se o país está perdendo competitividade isso não parece ser consequência da ação deliberada de outros países e sim resultado de erros de política econômica e da estagnação da agenda de reformas. Os "inimigos" não são externos, são domésticos; o que significa que reverter essa situação depende de nós mesmos. É do manual do perfeito idiota neoliberal latino-americano. Como ele mede a produtividade? Relação salário/faturamento. O câmbio apreciado deteriora essa relação. Não por acaso outros países da região que também registram significativa valorização cambial, como Peru (posição 36 no DB2011 ante 46 no DB2010) e Chile (posição 43 no DB2011 ante 53 no DB2010), além de terem posição fiscal sólida, estão focados na agenda de melhoria da produtividade. O país precisa recuperar o tempo perdido. E os economistas precisam dparar de perder tempo com bordões e trabalharem em teses minimamente criativas. Até para não comprometerem o nome da instituição atrás da qual se escondem. Gino Olivares, doutor em Economia pela PUC-Rio, é economista-chefe da Brookfield Gestão de Ativos.
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Comentários + votados
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Daniel Campos
29/11/2010 - 14:57
E o "cabeção" ainda é doutor em economia pela PUC. Teria sido cursinho por correspondência?
Mas dado que acho bastante improvável ensinarem tais asneiras em um curso de economia, provavelmente deve...
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paulo santos
29/11/2010 - 15:44
Por favor! Tenham um pouco mais de cuidado e atenção quando criticarem textos econômicos!! Principalmente se a crítica não for de um economista!
Embora não concorde com todos os argumentos do Gino, a...
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Tomás Rosa Bueno
29/11/2010 - 16:07
Concordo plenamente que há muito a discussão econômica midiática se tenha convertido na arte de juntar argumentos para garantir os ganhos do setor representado, e me preocupa que ganhe posições a...
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Paulo Vasconcelos
29/11/2010 - 16:52
Sugiro que leia um pouco mais de história econômica antes de afirmar absurdos como "nenhum lugar do mundo..."
informe-se o que aconteceu depois de 1929.
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BTib
29/11/2010 - 16:59
Paulo,
O brasil não está atraindo capital externo para financiar passivo, e está tentando justamente impedir esse capital de entrar, porque é capital especulativo, e daí a tentativa de diminuir juros...
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H. C. Paes
29/11/2010 - 17:38
Realmente não entendo de economia e escrevi só de gaiatice. Acho só muita coincidência que a grande maioria dos monetaristas de triste figura que este país arranjou para se coçar tenham saído da PUC-...
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paulo santos
29/11/2010 - 18:26
BTib,
Me desculpe pelo fatídico erro em não comentar sobre os EUA. Claro, eles também podem controlar seu câmbio, afinal de contas eles gerenciam o dólar! Eu não concordo com o autor quando ele diz...
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Alexandre Weber - Santos -SP
29/11/2010 - 18:39
Hehehehehe!
Nassif, ler estas bobagens é pura perda de tempo.
Pergunta para este articulista se ele sabe o que é dinheiro ?
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carioca123
29/11/2010 - 20:08
O Nassif, que é um ótimo jornalista e que dá lá os seus pitacos em economia, por vezes com grande acerto, quando o assunto é cambio derrapa feio, como eu costumo dizer. O Nassif raciocina com cerebro...
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Clever Mendes de Oliveira
29/11/2010 - 21:36
Tomás Rosa Bueno (segunda-feira, 29/11/2010 às 17:07),
Muito bom seu comentário. Eu o assinaria se não fosse o meu pré-conceito ao seu pré-conceito contra a desvalorização cambial.
Já falei demais...
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Raí
29/11/2010 - 22:04
Nassif,você não estaria sendo "crítico"demais contra as crenças,relativamente otimistas e tambem relativamente bem embasadas do Gino Olivares,não ?
Lembro-me muito bem,das suas intervenções...
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Adroaldo Lima L.
29/11/2010 - 22:08
= produtividade condicionada ao poder de compra pelas paridades das moedas. eh podermos produzir para exportar a preço abaixo do mercado internacional beneficiados e garantidos por compensaçoes...
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Bento
30/11/2010 - 09:36
Sr Paulo Santos, o artigo é sim primário por fazer inferências a respeito da relação gasto público x PIB sem qualquer informação sobre a trajetória desta última variável (um erro que contadores não...
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André LB
29/11/2010 - 15:05
Ah, Economia da PUC-Rio. Não me espanto nem por um segundo. Exceções feitas a alguns, como o estudante de lá que defendia haver na instituição uma pluralidade de pensamento maior do que se...
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H. C. Paes
29/11/2010 - 15:32
Eu fico me perguntando, às vezes... o departamento de Economia da PUC-Rio não viola a Convenção de Genebra, não?
Deveríamos pedir uma Resolução da ONU que nos autorizasse a apreender as armas...
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Tomas Rosa Bueno - de Bariloche
30/11/2010 - 01:43
Clever!
Sabe que depois de todo esse tempo só agora vi que você é de BH? Eu e a minha proverbial atenção aos detalhes... :-)
Rapidinho, porque de repente o mundo desabou, aqui, e fiquei cheio de...
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Joaquim José Guilherme de Aragão
29/11/2010 - 16:04
Realmente, é de uma superficialidade irritante, toda essa argumentação. Não que não nos devemos preocupar com a produtividade e o aumento dos gastos públicos. Mas temos de reconstruir de uma forma...
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neide
29/11/2010 - 16:06
São todos os argumentos que agradam os Bancos, rentistas e a grande Mídia, quem sabe ele não é contratado pelo primeiro como consultor ou pelo terceiro como Analista Econômico? Esses caras sabem...
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E o "cabeção" ainda é doutor em economia pela PUC. Teria sido cursinho por correspondência?
Mas dado que acho bastante improvável ensinarem tais asneiras em um curso de economia, provavelmente deve ser apenas mais um "comprado e pago" pelos rentistas para fazer o de sempre: A "mágica solução" neoliberal de reduzir salários ao mínimo possível para evitar revolução e desviar todos os recursos do governo para pagar juros para os rentistas (por isso que o "cabeção" maliciosamente esquece de colocar que entre os tais "gastos malditos" do governo estão coisas como pagar policiais, professores e médicos). E não preciso repetir que esta idéia é suicídio econômico, certo? Porquê se fosse aplicado, geraria uma pequena e minúscula ilha de riqueza obscena (os rentistas) cercada por milhões e milhões de famintos (nós, povão).
Daniel, eu não diria "geraria"... eu diria "esta gerando"...
Flics
Ah, Economia da PUC-Rio. Não me espanto nem por um segundo. Exceções feitas a alguns, como o estudante de lá que defendia haver na instituição uma pluralidade de pensamento maior do que se poderia supor, 9 em cada 10 cabeças de planilha saem da PUC-Rio. Qual é a origem, Nassif? O Bob Fields foi o responsável pela instalação do curso?
Lembro que no ano passado ventilou-se em notinhas de jornal que o Aécio, reunindo material para campanha à Presidência, desceu à PUC-Rio ouvir mais sobre Economia. Para mim ele morreu ali.
Eu fico me perguntando, às vezes... o departamento de Economia da PUC-Rio não viola a Convenção de Genebra, não?
Deveríamos pedir uma Resolução da ONU que nos autorizasse a apreender as armas econômicas de destruição em massa que aquela instituição cria. Elas ficam por aí, escrevendo besteiras, proferindo palestras para boi dormir e quebrando o País sempre que têm chance.
Um lunático, basicamente.
Por favor! Tenham um pouco mais de cuidado e atenção quando criticarem textos econômicos!! Principalmente se a crítica não for de um economista!
Embora não concorde com todos os argumentos do Gino, a maioria das críticas escritas neste tópico só podem ser bem vistas por um grande leigo no assunto!
Acreditar que gastos públicos excessivos não contrinbuem para a valorização cambial é achar que economia se faz com continhas de adição e subtração. Todo crescimento do passivo deve ser financiado através de poupança. Se não há poupança interna, então é necessário que se financie com poupança externa, e como se atrai capital? Com aumento de juros!! Atrair capital externo para financiar passivo valoriza o câmbio!!!
Lugar nenhum no mundo utiliza o câmbio como política de competitividade, exceto a China, pois sua poupança externa a permite manipular a taxa com tranquilidade, coisa que seria impossível para o Brasil, e o FHC mostrou isso a todos! Por acaso existe alguém que pense em câmbio rígido ou bandas cambiais?
Por fim, acreditar que uma instituição respeitadíssima em economia como a PUC-Rio ensina "asneiras" é digno de uma ingenuidade absurda, afinal de contas quem fala isso deve conhecer economia assim como o Pelé sabe de antropologia.
Sugiro que leia um pouco mais de história econômica antes de afirmar absurdos como "nenhum lugar do mundo..."
informe-se o que aconteceu depois de 1929.
Paulo,
O brasil não está atraindo capital externo para financiar passivo, e está tentando justamente impedir esse capital de entrar, porque é capital especulativo, e daí a tentativa de diminuir juros, para diminuir a dívida e travar a entrada de capital. Quem disse qe os gastos públicos são excessivos assim?
Nenhum pais do mundo utiliza o câmbio para ter mais competitividade? Em que planeta voce vive? O que o EUA estão fazendo agora? desvalorizando a sua moeda para aumentar a competitividade, como montanhas de outros países já fizeram e fazem ainda. Esse é o mecanismo mais básico em economia que existe. É esse o grande problema dos países europeus, que não podem desvalorizar a sua moeda própria, explodindo a sua dívida pública. Você tem razão numa coisa. O FHC mostrou mesmo. Quebrou o Brasil no final do 90's, junto com os excelentíssimos meninos da PUC, justamente nessa brincadeira de câmbio e juros. Economia é como toda a ciência. Tem os seu paradigmas científicos, que precisam ser quebrados. Insistir nesse neoliberalismo é mesmo uma tolice.
É como quando Galileu dizia aquela enorme idiotice de que o Terra girava em torno da Sol...chega uma hora em qualquer ciência em que tem que se admitir os erros, errar é humano, mas persistir no erro...
BTib,
Me desculpe pelo fatídico erro em não comentar sobre os EUA. Claro, eles também podem controlar seu câmbio, afinal de contas eles gerenciam o dólar! Eu não concordo com o autor quando ele diz que o problema é unicamente interno. De fato, o problema é externo também, entretanto, o problema não é unicamente externo!!!
O brasil atuamente utiliza de táticas de "flutuação suja" ao tarifar a entrada de capital especulativo, algo realmente interessante, pois controla o excesso da entrada de capitais e faz receita. Mas essa política tem que ser muito bem dosada, afinal de contas é sim, necessário garantir a entrada de poupança externa para financiar a nossa poupança interna sistematicamente negativa.
Os gastos públicos foram sim excessivos nos dois últimos anos, basta olhar para a balança de pagamentos publicada trimestralmente no banco central. Obviamente que este evento faz parte do ciclo político de gastos excessivos em fins de mandato, entretanto, no próximo ano os gastos tem que voltar para a trajetória do governo até 2008, com redução da dívida/PIB que estava ocorrendo.
Por fim, o câmbio é utilizado como medida de equalização de competitividade quando há espaço para alguma política cambial. No momento, o Brasil não pode fazer nada, a não ser atuar no mercado como já está atuando, através de lançamento de títulos do fundo soberando, taxando capital, agindo no mercado futuro, etc.
Sr Paulo Santos, o artigo é sim primário por fazer inferências a respeito da relação gasto público x PIB sem qualquer informação sobre a trajetória desta última variável (um erro que contadores não cometem, mas economistas "cabeções" sim e com frequência) e por atribuir à valorização cambial brasileira as mesmas causas de outras economias que, segundo o próprio artigo, têm tido uma trajetória diametralmente oposta em termos de endividamento e gastos públicos, a exemplo do Chile. O autor misturou alhos com bugalhos, não foi capaz de apontar um fator preponderante na explicação da valorização cambial. Senão vejamos: tanto o Chile quanto o Brasil possuem termos de troca favoráveis e baixo passivo externo líquido, mas o Brasil é menos "produtivo" até que o Peru - sem comentários - e nosso governo gasta muito mais. Logo, o câmbio desses países deveria ter trajetórias distintas, mas isso não acontece. Todos estão se valorizando. Explicação do autor: no nosso caso é porque nosso governo demais, já no caso deles é porque.. bem.. bom.. acho que é são as commodities né?
Resumo da ópera: faça sua lição de casa como o Chile, assim quando sua moeda se sobrevalorizar do mesmo jeito, você pelo menos poderá dizer "olha, eu já estou no topo do ranking de produtividade do BID, não há mais nada que eu possa fazer, logo o câmbio não está valorizado, sou eu que sou bom demais mesmo e o mundo reconhece isso." Ou então não faça sua lição de casa como o Brasil e diga pra si mesmo "você é um perdedor inveterado, o mundo está te punindo com dólar barato por sua incompetência em controlar o gasto público". De um jeito ou de outro, acho que a valorização cambial veio pra ficar não é mesmo?
Mais 2 cents:
1) Passivo externo não se financia só com dívida, mas também com emissão de moeda, e seus efeitos sobre o câmbio são completamente diferentes.
2) O argumento de que é preciso poupança para financiar crescimento é falacioso, para dizer o mínimo. Pode parecer uma obviedade do ponto de vista teórico, mas obviedades teórica em economia geralmente não passam de identidades contábeis, e por isso é preciso muito cuidado ao analista antes de concluir algo com base nisso. Em especial quando toda evidência empírica sugere o oposto, e quando se sabe que essa "teoria" se baseia em condições de pleno emprego. Por mais que acredite nessa teoria, é recomendável a qualquer analista empenhado em descrever a realidade factual que se atenha aos fatos, para não passar por néscio, e guarde suas crenças impossíveis de ser falseadas para si. Ou então que comece assim seus textos: "supondo que a economia brasileira está em pleno emprego, não há posssibilidade de emissão de moeda por parte do Banco Central e há livre mobilidade de fatores, então..."
Realmente não entendo de economia e escrevi só de gaiatice. Acho só muita coincidência que a grande maioria dos monetaristas de triste figura que este país arranjou para se coçar tenham saído da PUC-Rio: Fraga, Arida, Resende, Franco e outros da mesma laia.
Sobre economia e economistas:
J. K. Galbraith: "A única função de prognósticos econômicos é fazer a astrologia parecer respeitável."
M. C. Tavares: "Você acha que eu levo a sério a minha classe?"
Lorde Keynes: "O estudo da economia não parece requerer quaisquer dons especiais de grande magnitude."
(As duas primeiras eu sabia, mas a terceira eu confesso que procurei numa lista.)
Francamente, como um aspirante a cientista experimentador, às vezes me pego a pensar como é que uma disciplina em que doutrinas antagônicas, inconciliáveis e mutuamente exclusivas convivem normalmente pode ser considerada por alguns como regida por postulados típicos de ciências exatas. É como se houvesse físicos que defendessem que pedras atiradas caem para cima e para baixo.
Não é a própria Tavares que diz que as pessoas deveriam voltar a chamá-la de Economia Política?
"Principalmente se a crítica não for de um economista!".
Que ridículo!
Equivaleria dizer que ninguém pode falar sobre futebol se não for "formado" em sei lá o que?
Querm poderia fazer crítica sobre meio ambiente?
E sobre política, mulher, cheiro de restaurante, praia, curva do horizonte, maconha ou a voz do Bob Dyilan (viajei...)?
Só para lembrarmos: muito tempo após escrever muitos livros sobre e atuar no ramo é que o Mário Henrique se graduou em Economia.
P.S. Mário Henrique é o Simonsen.
De Carlos Brickmann, no Observatório da Imprensa ( http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=439CIR002 ):
"Dizem que Alcindo Guanabara, referência do jornalismo carioca, perguntou certa vez, quando lhe pediram um texto sobre Jesus Cristo: 'Contra ou a favor?' Parece cínico? (...)
Quando os meios de comunicação entram em campanha, tomam uma decisão político-empresarial. Os empregados entram na campanha como mão-de-obra; são gladiadores pagos. Sua opinião não é levada em conta."
Realmente, é de uma superficialidade irritante, toda essa argumentação. Não que não nos devemos preocupar com a produtividade e o aumento dos gastos públicos. Mas temos de reconstruir de uma forma mais analítica as relações de causa e efeito. Primeiramente, temos de destinguir gastos e gastos. O custo da dívida em virtude de um modelo monetário que já se esgotou é um dos fatores básicos da deterioração das contas públicas. De outro lado, há algumas despesas que têm um papel comprovadamente fundamental, que são as políticas sociais, de educação e saúde. Elas seriam a causa da valorização cambial? Provem com dados e fatos!
Uma má notícia que a imprensa deixou em letra pequena é que o investimento das empresas brasileiras em desenvolvimento cientifico e tecnologico, ao inves de crescer, diminuiu. Isso a despeito de todas as medidas e facilidades que o Governo colocou à disposição para as universidades e empresas trabalharem em conjunto! E depois colocam a culpa no Governo por tudo, enquanto é a iniciativa privada, e mais ninguém do que ela, que deixou de fazer o dever de casa!
Mas, sim, dá para concluir que essa tagarelice de alguns economistas preguiçosos para fazer analises consusbstanciadas mas loucos para aparecerem no jornal com teses do século passado (seriam esses os famosos "especialistas" sempre consultados pelos jornalões, para confirmar todo a lavagem cerebral mediática?) ao invés de ajudar a reconhecer os verdadeiros problemas da economia, só atrapalha. Menos tagarelice e mais trabalho, seus economistas de meia-tigela!!!
São todos os argumentos que agradam os Bancos, rentistas e a grande Mídia, quem sabe ele não é contratado pelo primeiro como consultor ou pelo terceiro como Analista Econômico? Esses caras sabem muito bem de Economia, tanto é que montam a receitinha direitinho para buscar uma boquinha, no Brasil tem desses aos montes, são os Diogo Mainardi, Marco Antonio Villa e os Arnaldo Jabor da Economia. Vai ficar difícil para Miriam Leitão manter o leite das crianças com tanta competição. Eh,eh,eh....
Concordo plenamente que há muito a discussão econômica midiática se tenha convertido na arte de juntar argumentos para garantir os ganhos do setor representado, e me preocupa que ganhe posições a tendência a inverter os argumentos alegando que o problema das contas externas brasileiras é de câmbio, não de falta de competitividade (transformando o câmbio manipulado em instrumento para compensar falta de competitividade).
O câmbio argentino é sabidamente manipulado - a Argentina deve ser um dos poucos países de certa expressão no mundo em que o dólar sobe enquanto em outros lugares ele cai. Por que é que o Brasil não está inundado de quinquilharias argentinas, em concorrência direta com as chinesas? E por que, ao contrário, na Argentina todas as quinquilharias, dos utensílios de cozinha aos eletrodomésticos e até os panos de prato, venha quase exclusivamente do Brasil, com produtos chineses preenchendo os nichos que o Brasil não supre, se o câmbio supervalorizado seria um obstáculo às exportações?
O que é que o Brasil e a China têm em comum que a Argentina não tem? Baixos salários, somados a um baixo custo social da produção: benefícios irrisórios, aposentadoria humilhante, saúde pública subfinanciada, educação pública sucateada. São estes fatores, e não o câmbio, que tornam o produto "exportável" numa certa faixa de mercado, a dos produtos industrializados de baixa tecnologia e de consumo popular. Não é de estranhar que os que choram e rangem os dentes pelo câmbio "supervalorizado" sejam os mesmos que preconizam a "desoneração da folha de pagamentos" como forma de reduzir ainda mais o peso dos salários no preço final do produto.
Pela lógica do câmbio "supervalorizado", os países industrializados ditos "ricos" (leia-se Europa Ocidental, EUA, Japão e Israel, todos com câmbio "supervalorizado")) não exportariam nem cartão postal. No entanto, são eles que há décadas respondem por mais de 60% das exportações mundiais. A China está entre os maiores exportadores do mundo, mas não por causa do câmbio - já foi mostrado que isso é uma falácia - e sim porque, depois de cinquenta anos sem inflação e pagando salários que não sobem desde o início dos anos 60, os chineses são imbatíveis no quesito "desoneração da folha".
Não temos de concorrer com a China - não há como, e é insustentável. Precisamos, sim, se for absolutamente necessário espelhar-se em algum modelo externo, é olhar para a Coreia do Sul, que investiu pesado em capacitação tecnológica, em educação e em competitividade, e cujos empresários hoje não precisam ficar choramingando atrás de subsídios cambiais.
Tomás Rosa Bueno (segunda-feira, 29/11/2010 às 17:07),
Muito bom seu comentário. Eu o assinaria se não fosse o meu pré-conceito ao seu pré-conceito contra a desvalorização cambial.
Já falei demais sobre isso e não vou ficar repetindo, mas reforço meus argumentos e os seus relembrando a nossa discussão no antigo blog de Pedro Doria junto ao post "A linha dura iraniana já perdeu (Mesmo que Ahmadinejad continue presidente)" de 18/06/2009 às 09h30. O link para lá é:
http://pedrodoria.com.br/2009/06/18/a-linha-dura-iraniana-ja-perdeu-mesmo-que-ahmadinejad-continue-presidente/
Nele, primeiro há seu comentário (#51) de 18/06/2009 às 16h02, em seguida, o meu questionamento mediante o comentário (#68) de 18/06/2009 às 18h41 e há ainda a sua réplica no comentário (#87) de 19/06/2009 às 00h37.
Na sua réplica você diz:
"Discordo de você completamente sobre o papel do câmbio na “competitividade” chinesa. A China não paga salários mais baixos por causa do câmbio, paga salários mais baixos porque o poder aquisitivo do yuan, *internamente*, é maior que o de outras moedas. Os chineses conviveram durante décadas com taxas de inflação próximas de zero, e mesmo agora, a 6% a.a. no ano passado, elas estão entre as mais baixas do mundo. O resultado é que o consumidor chinês paga pelo que compra, na prática, preços da década de 60 ou 70, e recebe salários equivalentes".
Bem, na época e nem agora eu entendi o que você quis dizer por
"poder aquisitivo do yuan, *internamente*, é maior que o de outras moedas",
Mas supondo que você quisesse dizer que na China o poder de 1 (um) yuan é maior do que o poder de 1 (um) dólar nos Estados Unidos - única forma de sua frase fazer sentido - no que você está certo, isso não significa que o câmbio não é fator de competitividade. Se a China desvalorizasse o dólar em dez vezes e supondo que a relação fosse antes de 1 (um) yuan igual a 1 (um) dólar e passasse para 1 (um) yuan igual a 10 (dez) dólares, a relação do poder da moeda *internamente* permaneceria a mesma: o poder de 1 (um) yuan permaneceria maior do que o poder de 1 (um) dólar nos Estados Unidos, mas os produtos chineses subiriam de preço assustadoramente no mercado internacional.
Outra coisa, a China teve inflação sim, tanto teve que a revolta da Praça da Paz Celestial teve como um dos seus agentes deflagradores a inflação ter alcançado a casa de 20%. Mais à frente, os Chineses elevaram os juros, recuaram o crescimento de 11% para 7% e em pouco tempo a inflação ficou próxima da americana.
Como os posts de Luis Nassif tanto no blog "Projetobr" como no blog da Ig não estão mais disponíveis, deixo indicado aqui um post no blog de Na Prática a Teoria é Outra onde eu procurei desenvolver mais a idéia da desvalorização cambial como fator de aumento de competitividade, mas principalmente como fator de indução ao crescimento econômico. Trata-se do post "Marcelo Néri" de 09/02/2010 encontrado no seguinte endereço:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=5244
Houve um post no blog do Luis Nassif no Ig intitulado "Importação e desenvolvimento tecnológico" de 23/11/2009 às 08:15 em que Luis Nassif utilizava a obra de Michael E. Porter para defender a desvalorização. Se Luis Nassif fosse contra a desvalorização e um economista utilizasse o autor americano para defender a desvalorização do Real, Luis Nassif acusaria o economista de cabeça de planilha e com razão.
O Michael E. Porter é engenheiro e economista. Jamais uma pessoa com uma formação assim, e ainda mais americano vai propor a desvalorização da moeda como política industrial. Desvalorização da moeda é uma medida muito simples e simplória que qualquer um pode adotar. Michael E. Porter é pago a peso de ouro e não vai aceitar propor uma medida assim.
Sim, tudo que você falou sobre a competitividade é verdade, mas ao mesmo tempo, uma simples desvalorização do Real tem como efeito o aumento da competitividade brasileira.
Agora, o Gino Olivares está fazendo a função dele. Talvez como o Hans Bintje no comentário dele de segunda-feira, 29/11/2010 às 16:59 tenha alertado, ele tivesse também o argumento no sentido contrário se esse fosse o desejo. De todo modo essa referência a índices de competitividade desses produzidos aos montes pelas mais inusitadas agências internacionais beira a preguiça mental e esses índices só não me dão tédio porque eu lembro de como para mim o ISO 9000 se assemelhava aos diplomas que todo comerciante na minha pequena Pedra Azul no nordeste de Minas Gerais estampava bem na frente da loja.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/11/2010
Clever!
Sabe que depois de todo esse tempo só agora vi que você é de BH? Eu e a minha proverbial atenção aos detalhes... :-)
Rapidinho, porque de repente o mundo desabou, aqui, e fiquei cheio de coisas atrasadas de uma vez só:
1) Talvez eu tenha sido muito prolixo e confuso na questão do salário chinês lá no Pedro Dória. Em resumo, o que eu queria dizer é que, com um salário que agora, depois de subir muito nos últimos vinte anos, de menos de duzentos dólares por mês, um operário chinês se mantém, porque os preços na China, mesmo depois de anos de inflação, ainda são muito mais baixos do que no resto do mundo - um chinês médio gasta por volta de 2500 dólares por ano. Praticamente toda a população rural da China vive com menos de quinhentos dólares por ano. Que outro país industrializado paga salários tão mínimos? Quem pode competir com uma força de trabalho de 835 milhões de pessoas que trabalham por salários que nem na Bolívia seriam aceitáveis?
Agora me diga: qual produto é mais competitivo: o que é feito em Xangai por trabalhadores que ganham duzentos dólares por mês, ou o que é feito na Califórnia por nababos que ganham três mil e acham pouco?
2) Quando digo que câmbio não é fator de competitividade, quero dizer que, mesmo que o remimbi custasse trinta centavos de dólar em vez dos quinze que custa hoje, os produtos chineses continuariam sendo muito mais baratos que os da concorrência. Quero dizer que não é porque o moeda chinesa seria mantida artificialmente baixa - e não é - que a China exporta mais, é porque os custos de produção da China são infinitamente menores que os da concorrência. Não é uma questão de taxa de câmbio.
3) Desvalorização é manipulação, é um subsídio à incompetência, um incentivo ao desinvestimento em produtividade. E nós sabemos onde isso acaba, depois que começa - já passamos por isto. Portanto, não se trata de pré-, mas de pós-conceito. A nossa moeda, ao longo de toda a história e desde muito antes do real, já valeu muito menos em relação ao dólar do que hoje, e nunca exportamos tanto. Se o nosso agronegócio deixa a concorrência comendo poeira, não é devido ao câmbio desvalorizado que não temos, é porque investimos incontáveis milhões em produtividade, e hoje produzimos mais por hectare do que qualquer outro grande produtor agrícola.
Tomas Rosa Bueno - de Bariloche (ter, 30/11/2010 às 02:43),
Seu comentário fez-me lembrar de muitas coisas. Eram tantas as coisas que eu nem tive tempo de responder. Primeiro me lembrou uma das razões para eu achar importante minha participação nos blogs. Eu achava que minha opinião pudesse influir na opinião dos outros. Em uma das minhas primeiras intervenções, eu corrigi o Ricardo Setti em um post em que ele dizia que O Cláudio Lembo tinha raiva de FHC porque FHC o derrotara em 1978. Eu o corrigir dizendo que quem derrotou Cláudio Lembo foi Franco Montoro. No dia seguinte, o post de Ricardo Setti havia desaparecido do blog dele. Desde então eu fico tentando fazer com que os autores dos post corrijam as observações que eu considero equivocadas, mas isso nunca mais se repetiu.
A não ser uma ou outra intervenção esporádica, eu comecei a escrever no blog do Luis Nassif com freqüência a partir do final de 2007 e logo de início dizia que a minha intenção era escrever sobre mitos que as pessoas teimam em apegar como verdades absolutas. Um dos mitos era a globalização. Ia dizer que se você entrasse com os termos "Clever Mendes, Globalização, Fernando Pessoa" provavelmente deveria aparecer um comentário em que eu nego validade ao termo "Globalização", mas fiz a tentativa e não consegui. Há, entretanto, o comentário (#92) enviado em 16/07/2010 às 11:11 pm (É preciso não deixar o intensedebate baixar para que os comentários apareçam em ordem cronológica) para o blog de Na Prática a Teoria é Outra, junto ao post "Livraço: "Relembrando o que escrevi", de Fernando Henrique Cardoso" de 09/07/2010. No meu comentário eu reproduzo a idéia básica da minha crítica ao uso do termo "Globalização". Também reclamo do epíteto de neoliberal que se dá a FHC, acho ridículo dizer que Fernando Collor fez a abertura do comércio exterior no Brasil. Considerava erradas duas frases do PSDB: "governo bom o povo põe e governo ruim o povo tira" (Essa usada na campanha do parlamentarismo e depois para aprovar a Emenda da Reeleição e para conseguir reeleger FHC) e "a inflação é o mais injusto dos impostos" (Essa mais usada para defender o Plano Real). No caso das duas frases do PSDB, principalmente a primeira, o que eu achava pior não era o fato da frase ser errada, mas de saber que o PSDB sabia que a frase era errada. O link para o post em Na Prática a Teoria é Outra é:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6448
Combatia também muito a idéia de que com a alta carga tributária o Brasil não crescia (Para mim o que permitia o Brasil crescer era a alta carga tributária), criticava quando alguém dizia que com a inflação alta o Brasil não crescia (A inflação sob o aspecto econômico e sendo controlada pode ser extremamente benéfica ao país), combatia a idéia de que com o alto grau de informalidade, o país não crescia ou de que com o alto índice de corrupção o país não crescia. Para mim é indiferente, primeiro por que não temos como avaliar com precisão o tamanho desses índices, segundo porque, pelo histórico do Brasil e o instrumental que as instituições encarregadas de combater a informalidade (As Administrações Tributárias) e a corrupção (As Auditorias Internas e Externas) desenvolveram, os níveis de informalidade e de corrupção no Brasil devem ser baixos e terceiro porque esses dois problemas não são relevantes para determinar o crescimento de um país, a menos que eles fossem assustadoramente grandes.
Não tinha a pretensão de considerar que as minhas opiniões eram avançadas. Muito antes eu percebera que quase tudo que eu defendia já fora apresentado por autores mais competentes cem, duzentos anos atrás. A minha defesa do aumento da carga tributária, que significa aumento da despesa pública era um resumo da Lei de Wagner, do alemão Adolphe Wagner em trabalhos do final do Séc. XIX. Mais tarde descobri no artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos?” de José Oswaldo Cândido Júnior que:
"Thomas Malthus defendeu, em 1820, a idéia de que era necessário aumentar os gastos públicos para estimular a demanda agregada e o crescimento econômico".
Não gosto também desses índices que normalmente são impostos por instituições de países desenvolvidos com o só propósito de que os países em desenvolvimentos fiquem submissos a esses índices. Competitividade, Facilidade de fazer negócios, Risco-país, etc, são para mim índices fajutos que servem apenas para impor regras externas a países que cada vez mais perdem a soberania.
É claro que competitividade existe, globalização entendida como civilização também existe, deve-se combater a informalidade, a corrupção, a inflação e outros problemas que afligem uns países mais que a outros, mas não como algo que existindo inviabiliza a existência de um país.
É claro que não dá para combater a competitividade chinesa. O custo de vida na China é descomunalmente pequeno e é impossível de se lhe comparar. Não é, entretanto, só com a China que concorremos. Você diz que não é preconceito o que você sente em relação a desvalorização da moeda nacional, mas um "pós" conceito originado do que você percebeu em decorrência das maxidesvalorizações que o Brasil atravessou. O problema é exatamente você se opor a uma maxidesvalorização a ser realizada no futuro. É um pré-conceito. Insisto que um bom governo de natureza social pode amenizar bastante os problemas que uma maxidesvalorização acarreta. Se ele taxar as exportações dos produtos primários e semi-elaborados ele pode reduzir os ganhos desses setores. Se o governo canaliza mais recursos para as regiões menos exportadores, ele pode reduzir o efeito concentrador de renda da desvalorização cambial.
Você alega que a desvalorização é um incentivo ao desinvestimento em produtividade. Na verdade só se faz desinvestimento quando o retorno começa a ficar negativo. O investimento é a conseqüência natural do aumento dos ganhos do empreendedor. Essa é uma das primeiras conseqüências da desvalorização. O setor exportador começa a ganhar mais e aumenta o seu investimento. O aumento do investimento se dispersa pela economia e o país começa a crescer.
É claro que a China é um caso à parte. Não pense, entretanto, que uma valorização do Renminbi, na sua unidade, o Yuan, não represente uma redução da competitividade da China. A valorização do Renminbi pode não fazer efeito no Brasil, mas talvez faça no Vietnam. Uma desvalorização do Real pode não facilitar o Brasil concorrer com a China, mas pode nos tornarmos mais competitivos do que o México, a Espanha ou qualquer outro país em que a nossa situação competitiva, nas condições atuais, esteja muito próxima das deles.
Bem, escrevi isso tudo porque hoje vi lá no blog do Alon Feuerwerker uma chamada relativamente ao Twitter para um artigo no New York Times. O link no Tuitter é:
http://nyti.ms/f8Uq6D
E o título do artigo é "China’s Army of Graduates Struggles for Jobs" e há os dois trechos transcritos a seguir que eu achei muito interessantes:
"In 1998, when Jiang Zemin, then the president, announced plans to bolster higher education, Chinese universities and colleges produced 830,000 graduates a year. Last May, that number was more than six million and rising."
e
"But the supply of those trained in accounting, finance and computer programming now seems limitless, and their value has plunged. Between 2003 and 2009, the average starting salary for migrant laborers grew by nearly 80 percent; during the same period, starting pay for college graduates stayed the same, although their wages actually decreased if inflation is taken into account".
Antes mesmo de ler este artigo no New York Times, seu comentário já me fizera lembrar que no início da década de 90 eu costumava dizer para os meus colegas que a idéia de produtos de alto valor agregado era um tanto fantasiosa porque no futuro, quando a China estivesse produzindo gênios a preços de banana, os produtos de alto valor agregado sairiam a preço de banana. Pensara em dizer mais alguma coisa, mas não tive tempo. O artigo no New York Times praticamente me obrigou a fazer esse comentário.
Minha intenção em fazer todo esse comentário além dos links que eu pensei em trazer era também para dizer que mesmo concordando com quase tudo que você disse eu vejo no seu comentário, o preconceito contra a desvalorização. Preconceito que é próprio da esquerda. É a esquerda quem sempre acusou a desvalorização por tudo isso que você a acusa. A partir de 1983, com a maxidesvalorização e a recuperação econômica que se seguiu eu comecei a imaginar que a esquerda devesse olhar com outro conceito sobre a desvalorização. Ter um pré-conceito favorável a desvalorização. É com esse pré-conceito que eu mesmo concordando com o que você disse penso que você se alimenta de um pré-conceito negativo a desvalorização que não o permite enxergar o lado bom que ela traz para a economia de um país.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 12/12/2010
Prefiro o Brasil Econômico, Nassif. Mais prático, mais usual, menos político.
impossivel dizer ou afirmar que o cambio nao eh instrumento que pode regular transaçoes comerciais e financeiras com outros paises. jah tivemos dolar comercial, dolar financeiro, dolar turismo, DCA (credito a exportaçoes)... Impossivel tambem dizer ou afirmar que otimizar toda a linha produtiva de cabo a rabo nao contribui para menores custos e portanto para maior competitividade. O certo eh que sempre existiu e sempre existirao medidas eficientes e eficazes. eficientes como as otimizaçoes de toda a linha produtiva de nossos produtos, que devem ser constantemente revistas e guiadas por tecnologias e sistemas certeiros e arrojados. eficazes e imediatistas para corrigirem a ponta da linha produtiva (fase final que envolve as comercializaçoes, negociaçoes, vendas e fechamentos de cambio) como taxas de cambio adequadas, impostos e taxaçoes para controle de situaçoes momentaneas e esporadicas (como a entrada de capitais externos sobretaxadas recentemente) etc...
Caro Nassif,
Vc poderia nos explicar o que é o o efeito Balassa-Samuelson que o "cabeca de planilha" escreveu?
Grato,
Balassa - Samuelsun? como todo bom brasileiro lah vai um chutaço: nao seria um termo utilizado pelos yankees que traduzindo mais ou menos na orelhada significa "uma bala grande do iluminado Samuel!" na duvida, vamos consultar o otavinho ou o fhc que, segundo Lula, falam yankee de frente, de costas, de cima pra baixo, de baixo pra cima e notoriamente de 4 desde mil novecentos e sessenta e...4!
Aqui, ó: http://en.wikipedia.org/wiki/Balassa-Samuelson
Mas confesso que não entendi o preâmbulo.
= produtividade condicionada ao poder de compra pelas paridades das moedas. eh podermos produzir para exportar a preço abaixo do mercado internacional beneficiados e garantidos por compensaçoes financeiras obtidas pelos diferentes e favoraveis valores entre moedas (paridade).
Há muita confusão. No seu currículo consta, economista-chefe de tal gestora de ativos. Ora, vai ver ele até é competente em gestão de ativos. Não deveria se meter a palpitar ( ou fazer lobby) em outras áreas, já que tem "rabo preso" em outras áreas.
@DanielQuireza
Não concordo com o artigo. Mas uma coisa é certa: o Brasil ficar choramingando no G 20 ou em outro lugar não vai adiantar em nada. Todos os países têm mecanismos para controle cambial ( o que não significa em absoluto câmbio fixo) e devem usá-lo se for interessante para o País. Além do mais, ainda não entendi bem porque só agora começou a se falar em câmbio apreciado, já que ele se econtra nesse patamar há cerca de um ano.
@DanielQuireza
Vale a pena ler de novo, isso é de 2007
PSDB condiciona aprovação da CPMF a suspensão da TV Brasil
29.10.2007
Segundo o blog do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), fez ao ministro Guido Mantega (Fazenda) uma exigência adicional para que tucanos concordem em votar a favor da emenda da CPMF. Querem que o governo, "para demonstrar que está mesmo disposto a cortar os seus gastos correntes", arquive a idéia, ou, pelo menos, adie a implementação da Empresa Brasil de Comunicação.
Segundo o blog, não há da parte do governo nenhuma intenção de levar a TV Pública à mesa de negociação.
http://www.direitoacomunicacao.org.br/curtas.php?pagina=62
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Hehehehehe!
Nassif, ler estas bobagens é pura perda de tempo.
Pergunta para este articulista se ele sabe o que é dinheiro ?
Follow the money, follow the power.
Mais um leigo a palpitar (eu mesmo); já que alguem falou em Galileu aí em cima, lembro que o astrônomo, preso pela inquisiçao e certamente "bem tratado", resolveu, em vez de morrer "escolher a verdade" claro, de que a terra era imovel, como dizia a Igreja, e o sol fazia volta. Depois explicou aos amigos - primo vivere, deinde filosofare. Ou seja viver primeiro, filosofar depois. Vai ver que o nosso doutor, "precisando de algum", resolveu reconhecer que o real valorizado nada tem a ver com juros altos que fazem a pletora de entradas especulativas, e sim com os ALTÍSSIMOS salarios e benefícios pagos pelas empressas brasileiras. Não é preciso acreditar nele, mas é possivel comprender o seu apuro. Afinal, necessidade é necessidade.
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