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A transição de modelos de negócios no jornalismoEnviado por luisnassif, seg, 06/02/2012 - 08:44
Por Webster Franklin
Do Observatório da Imprensa A indústria dos jornais e o cipó do Tarzan Por Carlos Castilho em 04/02/2012 Tarzan pula de um cipó para outro ao se deslocar pela floresta. É um clichê para lá de conhecido, que inclui um movimento que passa despercebido pela maioria dos admiradores do personagem criado em 1912 porEdgar Rice Burroughs. É quando o herói das selvas africanas solta o cipó onde estava agarrado com segurança e pega o outro, na expectativa de que seja igualmente seguro. Na ficção, Tarzan nunca pega um cipó inseguro, o que o livra de tombos constrangedores, mas todo mundo sabe que é impossível saber de antemão qual é o bom e qual é o podre. A indústria dos jornais enfrenta hoje a mesma situação. Precisa abandonar um cipó seguro, o modelo de negócios baseado na receita publicitária, por outro cipó, um sistema cuja segurança ainda é uma incógnita. Tarzan não pode pensar antes de pular de um cipó para outro porque, se o fizesse, não sairia do lugar. Mas os jornais só querem o que for seguro, porque temem perder privilégios e bens, o que os leva a meditar sobre cada passo e tender ao imobilismo. Esta parábola serve para ilustrar o contexto da indústria da comunicação contemporânea, em especial a dos jornais. É impossível fazer uma escolha a prova de erros porque estamos em plena transição de um modelo de negócios jornalísticos para outro, que está sendo identificado na base da experimentação empírica, no erro e acerto. Portanto, não há como evitar o risco e muito menos a possibilidade de um fracasso. Aqui está a grande diferença entre Tarzan a indústria dos jornais. O mítico personagem das historias em quadrinhos e do cinema arrisca a cada troca de cipó. Já nossos executivos temem o risco, porque acumularam demasiado prestigio e fortuna. Estão mais presos ao passado do que dispostos a apostar no futuro. Já se esqueceram que os fundadores dos grandes impérios jornalísticos atuais fizeram uma aposta arriscada há décadas, e em vários casos mais de um século atrás. Não há como ignorar o risco e a incerteza na busca do novo modelo de sustentabilidade financeira na indústria da comunicação jornalística. A maneira de minimizar essa insegurança é o compartilhamento de experiências e de conhecimentos. Significa abandonar um comportamento baseado na competição e na exclusividade. O discurso dos executivos da indústria da comunicação endeusa o risco, mas o rejeita na pratica diária; coloca-o como parte integrante da filosofia corporativa, mas o demoniza na rotina das redações. O resultado é uma cultura comportamental conservadora que dificulta enormemente a experimentação e a inovação. Pela experiência e pelos conhecimentos acumulados ao longo dos anos, os donos e executivos de jornais deveriam saber disso mais do que qualquer outra pessoa nas redações. Mas a longa convivência com a busca do lucro seguro — e com os privilégios do acesso ao poder político — acabou por obstruir a sua percepção da realidade. E o que temos hoje são jornalistas e leigos tentando despertar os proprietários e responsáveis por veículos de comunicação para a sua responsabilidade social. A digitalização da mídia não eliminará os jornais impressos, apesar de já estar claro que eles perderão muitas de suas características atuais. A leitura em papel permanecerá essencial, embora sem a hegemonia e a exclusividade dos dias de hoje. Se os atuais donos de jornais não se derem conta disso, e da necessidade de apostar em novos formatos, outros o farão.
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Comentários + votados
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Ana Barbosa
06/02/2012 - 09:45
"Mas os jornais só querem o que for seguro, porque temem perder privilégios e bens, o que os leva a meditar sobre cada passo e tender ao imobilismo".
É por isso que os jornais precisam de um Serra ou...
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W K
06/02/2012 - 19:15
É absolutamente estranho dizer que empresários do setor de jornalismo não consigam enxergar nada à sua frente, como se diz neste texto. E a solução para eles está inteiramente dentro de casa!Não...
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Vou comprar pipocas, sentar no sofá e assistir ao suicídio da grande mídia. É o apocalípse !
Logo será a vez dos cabeças. Ley de Médios já !
E a "Veja na Cultura" que vai substituir o "Observatório da Imprensa" no horário das 22h nas terças-feiras. Terá sido coincidência?
"Mas os jornais só querem o que for seguro, porque temem perder privilégios e bens, o que os leva a meditar sobre cada passo e tender ao imobilismo".
É por isso que os jornais precisam de um Serra ou de um Aécio, por exemplo.
Arma-se um jogo de mão dupla que interessa aos dois lados. O “dono” do governo local garante a tiragem dos jornais através de “compras” (assinaturas, por exemplo) e em contrapartida os jornais se comprometem a jogar toda a sujeira do governante e seu governo para debaixo do tapete, adiando a tal transição.
Essa promiscuidade vem sendo praticada no Brasil, notadamente nos governos demo/tucanos.
Ainda assim não há garantias para os donos dos jornais (e revistas). O caso Arruda/Veja é exemplar e comprova que essa promiscuidade ajuda para o descrédito do veículo de imprensa envolvido e de toda a mídia.
O risco da transição, portanto, como assevera Castilho é inevitável.
A nossa midia anteriormente tinha uma diversidade de cipós para se segurar em todo o Brasil, atualmente restou só os originários de SP e de Minas, por isso que o Tarzan não para de gritar.
É absolutamente estranho dizer que empresários do setor de jornalismo não consigam enxergar nada à sua frente, como se diz neste texto. E a solução para eles está inteiramente dentro de casa!Não enxergam isso?
Explico: quem já passou por problema parecido e acabou se saindo relativamente bem é o ramo do rádio. Isso: as rádios receberam uma concorrência hiper-mega-giga-ultra-pesadérrima da televisão, que podia mostrar notícias com imagens. Aparentemente, num primeiro momento parecia que a televisão "mataria" o rádio, porém o que aconteceu foi que o rádio encontrou o seu nicho novo, por exemplo, se especializando (" radio que troca - ops, toca - notícia", rádio sertaneja, rádio gospel, etc.) e continua viva como sempre.
As rádios se tornaram muitíssimo mais ágeis do que as TVs, por exemplo, ao entrevistar alguma notoriedade qualquer: basta a rádio telefonar para ela. A TV tem que levar um caminhão imenso para "transmitir" uma imagem ao vivo, ou então só pode mostrar a entrevista no jornal da noite, já devidamente cortada no que não interessa ao dono do jornal, isto é, sem as surpresas ao vivo.
Ou seja. há dois caminhos: o primeiro é a especialização. Podia ser que um jornal simplesmente resolvesse ser o porta-voz oficial de um segmento específico da sociedade como os partidos políticos (hoje os jornais ainda professam o culto pré-bossa-nova - ai que saudade de qualquer coisa!)
E o segundo caminho é o modelo iTunes: vender uma assinatura para um leitor, onde ele é que escolhe o que deseja ver no seu jornal e ele é cobrado por cada tema que deseja ver ou ler. Eu, por exemplo, não me interesso por futebol, crimes e castigos policiais (o Mané das tantas deu facadas no vizinho por causa do latido do cachorro), astrologia, anúncios classificados de putas, de carros, de imóveis, etc., mas pagaria de bom grado em ter um noticiário do meu bairro, o que os políticos em que eu votei estão aprontando, problemas na minha cidade que podem me afetar (falta de água ou de luz, ruas interditadas, no meu estado, as relações do Brasil com países para os quais tenho certa afinidade, previsões meteorologicas por onde vou passar hoje, assuntos realcionados às faculdades/ niversidades que meus filhos frequentam, causos da profissão escolhida por eles, etc. Ah, e eu quero acessar este jornal no meu PC, no meu ifône, na minha tabuleta, e nesses lugares receber já marcado o que eu já li.
Pô, por que nenhum desses editores pensa assim? Não quer? Então vou procurar o que me interessa em outro lugar, ainda que eu ache chatérrimo ter que abrir uma dezena de sites.
E se esses editores não agirem rápido, acho que alguém vai montar um site onde se pode escolher os temas que um indivíduo quer saber.
Não custa lembrar que uma das várias causas do fim do comunismo na Europa Oriental (Alemanha Oriental, Polônia, Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia, etc.) foi simplesmente porque a elite dirigente daquela época não sabia se renovar.
Acho que o Marechal Deodoro (será que foi ele?) deve ter dado o tom que esses dinossauros comunistas precisavam entender: "Façamos a revolução antes que o povo a faça". O Gorbachov tentou, mas levou pedrada.
E pior de tudo - muitos desses editores trabalham em grupos empresariais que possuem emissoras de rádio, ou seja, tem experiência de sobra dentro da própria casa! Como não a aproveitam, são burros.
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