A termoelétrica a lixo de São Bernardo do Campo

Por Marcos Costa

Apesar do erro da manchete, que confunde São Paulo com São Bernardo, esta é uma notícia auspiciosa. A Globo Natureza deveria consultar seus livros de geografia antes de soltar uma manchete como esta.

Do G1

SP vai licitar primeira termelétrica movida a lixo do Brasil

São Bernardo do Campo abre processo nesta segunda-feira (6). Biodigestor vai eliminar resíduos e produzir energia para 200 mil habitantes.

Eduardo Carvalho 

O Brasil deve ganhar em breve sua primeira usina termelétrica movida a partir da queima de lixo. A tecnologia, empregada em 35 países, chega ao país atrasada na tentativa de resolver graves problemas relacionados à destinação dos resíduos sólidos.

A inédita unidade deve ser instalada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura vai apresentar nesta segunda-feira (6) o edital de licitação do projeto, orçado em cerca R$ 600 milhões, e que terá capacidade de processar até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW – suficientes para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

 Editoria de Arte/G1)

A legislação sobre o tema, que vigora desde 2010, proíbe o funcionamento de lixões nas zonas urbanas a partir de 2014 e obriga as cidades a criarem aterros sanitários.

Dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões.

Apesar da nova lei federal, as grandes regiões não têm espaço para aterrar de forma adequada as toneladas de lixo geradas diariamente.

Para solucionar a questão, o debate para a implantação de térmicas a lixo foi iniciado e começa a ter seus primeiros desdobramentos. A tecnologia, já empregada há décadas na Europa, tem o objetivo de tratar e recuperar energia do lixo orgânico, separar o que for reciclável e queimar o que não pode ser reaproveitado, transformando em luz elétrica.

“Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Aruntho Savastano Neto, gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Potencial
A discussão sobre este tipo de empreendimento no país ocorre paralelamente em vários municípios do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estado mais avançados no debate. “Cidades com população próxima ou acima de 1 milhão de habitantes têm potencial para receber uma usina térmica”, disse Sérgio Guerreiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no assunto.

Segundo a Cetesb, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo, receberam licenças provisórias. Santo André discute com a população a instalação de um complexo e São José dos Campos, no interior paulista, abriu para consulta pública o pré-edital do projeto. Existem ainda estudos avançados para a instalação de uma usina no litoral.

Os complexos brasileiros funcionariam com técnicas mistas, ou seja, haveria geração de energia pelo lixo orgânico e pela queima de resíduos contaminados. A implementação seria por meio de uma parceria público-privada.

O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados.

Polêmica
Entretanto, existe polêmica quanto à emissão de gases gerados a partir da queima dos resíduos. Nos complexos que poderão ser instalados no país haveria um grande aparato de filtros para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), além de substâncias como as dioxinas, que podem ser cancerígenas.

“Parece uma solução atraente, mas acaba transferindo o problema. Existe uma preocupação com a acomodação e diminuição na reciclagem, já que tudo pode ser queimado. Além disso, há o problema com as emissões. Temos que tomar cuidado com isso”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Para Sérgio Guerreiro, as cidades têm buscado adquirir este tipo de tecnologia, entretanto estão focando em investimentos errados. “Eles querem colocar usinas que tratam o lixo orgânico para gerar energia. Isso não é viável, é um preço absurdo e nenhuma cidade tem dinheiro para pagar por isso”, disse.

Enquanto uma prefeitura, com a de São Bernardo do Campo, paga atualmente R$ 60 para tratar a tonelada de lixo em aterros, na Holanda, por exemplo, o processamento em uma usina térmica chega a custar 90 euros (R$ 207). “No edital vamos escolher a empresa que nos oferece o menor preço para processar o lixo. A nossa previsão é que a partir de janeiro de 2012 as obras sejam iniciadas”, afirmou Alfredo Buso, secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo.

Mas para o especialista em térmicas a lixo, há chances de estes projetos não vingarem por aqui. “Existem vários trabalhos sobre o tema no Brasil, mas acredito que esta tecnologia não será adotada. As prefeituras não estão dispostas a pagar mais caro. Elas querem continuar com os processos baratos de hoje. Enquanto o país pensar desta forma, ninguém vai fazer nada”, disse Guerreiro.

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3 comentários
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Mario SSA

Prezados,

 

Acho que o G1 está com um pequeno descompasso, pois em Salvador, no Aterro Metropolitano Centro já existe uma termelétrica que utiliza o metano produzido no aterro para gerar cerca de 20MW de potência.

 

Sds Soteropolitanas,

 

Mário

 
 
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Dan Schneider

Prezado Marcos, a notícia só é auspiciosa para os vendedores dessa tecnologia.  A incineração de lixo é uma alternativa de tratamento mais cara e gera resíduos perigosos. É uma alternativa de tratamento que concentra ainda mais poder e renda, e investe contra a geração de postos de trabalho.  A notícia não é auspiciosa para os cidadãos de São Bernardo que irão pagar mais, por muitos anos, quando poderiam ter um outro modelo de gestão mais eficiente (como a Lei de Saneamento, aliás, determina; alô MP!); Que pena. São Bernardo, há muitos anos, foi inovador na gestão de lixo.

 
 
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Silvanete Sales

Como podemos aceitar isto!?

A Alemanha que é o maior fabricante de Incineradores no mundo, sabedores que são que não podem queimar plásticos pois formam os gases cancerígenos como dioxinas e furanos, foi flagrada tentando despejar um container de fraldas usadas descartáveis + embalagens de ração canina vencida no porto do Rio Grande em Agosto de 2010 (flagrado pela Polícia Federal). Eu ouvi uma entrevista que o Prof° Pimenta deu a Rádio CBN em 2010, que estava aprovando a instalação de uma incineradora em S.Bernardo do Campo, porém, na época ele disse que 4% do lixo não poderia ser queimado , pois são exatamente as fraldas descartáveis. Fiquei sabendo que o "PROFº PIMENTA" é o responsável pela escolha da "MELHOR TECNOLOGIA??", que é Diretor da FESP-SP, instituição que ele representa.

UM ABSURDO!!! Li recentemente uma matéria na revista TIME ASIA - cuja capa era JAPAN TOXIC - relatando os efeitos que as incineradoras estão causando na população - até barba estava crescendo numa mulher de 67 anos.

 
 

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