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A "técnica da mentira"Enviado por luisnassif, dom, 12/09/2010 - 19:19Por Antonio Carlos Fon Essa técnica é velha. Eu a expunha nas aulas do curso de jornalismo investigativo que ministrava no Sesc no fim dos anos 90 como "a técnica da mentira". Antigamentem ela era usada apenas pelos serviços de inteligência e eu a explicava para que os jovens repórteres aprendessem a desmontá-la. Consiste, basicamente de contar uma mentira adaptando-a em torno de fatos reais. A mentira não pode ser comprovada, mas como os fatos parecem corroborá-la, ela acaba adquirindo ares de verdade. A forma de desmontá-la é fácil: basta checar todos os dados e não ser leviano ou ingênuo para formar opinião sólida baseado em evidências. No caso do Diego Escosteguy, para não lhe negar o benefício da dúvida, o caso pode ser mesmo de leviandade ou ingenuidade, ou seja, para um repórter, de incompetência; no caso de Veja, por seus antecedentes, fica claro que é má fé mesmo.
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Comentários + votados
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ali
12/09/2010 - 19:29
Só mais um jagunço . Esses jagunços jornalísticos sempre tem cara de almofadinha . não são como os jagunços do sertão com cara de bandidão. mas são a mesma coisa.
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Edimilson
12/09/2010 - 19:31
MÁ FÉ, termo de uma pesoa muito educada é claro, como eu não tenho tanta educação asim , eu prefiro, safadesa, que é coisa de safado e safado, na periferia tam tratamento especial,...
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Russo Salvatore
12/09/2010 - 19:50
Que tal a abril cultural mudar o nome para 1º de Abril cultural(?)?
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luisnassif
12/09/2010 - 20:41
Aqui tem gente que acredita em saci (sou um deles), em mula-sem-cabeça e em disco voador. Mas nesse spam, ninguém.
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danielquireza
12/09/2010 - 19:45
Pessoal, o que estou achando mais engracado nesses novos tempos é o comportamento do pessoal da velha mídia. No twitter quando interpelamos jornalista da velha mídia (afora o Noblat, que responde à...
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Régis Paiva
12/09/2010 - 19:46
Nassif:
Acabo de receber este e-mail abaixo e gostaria de saber qual o fundamento. Algumas pessoas já tinham me dito e agora veio este. Não voto na Dilma, aliás em nenhum deles, mas gostaria de saber...
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Só mais um jagunço . Esses jagunços jornalísticos sempre tem cara de almofadinha . não são como os jagunços do sertão com cara de bandidão. mas são a mesma coisa.
MÁ FÉ, termo de uma pesoa muito educada é claro, como eu não tenho tanta educação asim , eu prefiro, safadesa, que é coisa de safado e safado, na periferia tam tratamento especial, sempre fica com um ultimo furo, na região glutia.
"O cartaz é um grito na parede". O que nós, criaturas com QI maior do que o do Forrest Gump comprrendemos é que não importa o fato noticiado ou todos as incoerências, trapaças e distorções que as notíciasque saem nestas publicações abjetas -como veja e veja de s.paulo (antiga folha)- do PIG. O que esta raça quer é produzir manchetes de impacto para enfeitarem bancas de jornais e serem usadas na propaganda eleitoral do serra.
"A forma de desmontá-la é fácil: basta checar todos os dados e não ser leviano ou ingênuo para formar opinião sólida baseado em evidências."
Pode até ser fácil de ver, mas é difícil refutar ponto-a-ponto com tanta graça como o Celso fez no caso da Veja dessa semana. Por exemplo, essa passagem é demais:
"Ferorm…rapaz, eu não conseguiria inventar uma porra dessas se tentasse. O PT é o coletivo Borg. Quando o Lula tem uma idéia, o Dirceu dá um cheirinho nele, e já sai dali com aquela coisa de metalúrgico suado impregnada em seu corpo filocastrista. Quando encontra o Palocci, rola um olho no olho, um lance de pele, e ele dá aquela suada em jato pra cima do trostsko, que sai dali embebido para roçar a barba na barba do Genoínio e, porra, esses caras da Veja não podem sair publicando suas fantasias numa revista de família. Chat da Internet está aí pra isso mesmo."
Está lá no napraticaatoriaeoutrapontoorg
Esta é uma terceira nota desmentidno o panfleto paulista Veja, editado pelo destrambelhado Mr.
Roberto Civita, ou também conhecido como Robert Civita, o capo da Abril:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
VIA NET EXPRESS TRANSPORTES LTDA, empresa de direito privado inscrita no CNPJ 02.701.816/0001-78, por seu advogado abaixo subscrito, vem esclarecer o que segue:
Em reportagem veiculada pela Revista Veja e demais meios de comunicação, a empresa Via Net Express Transportes Ltda é citada em reportagens que circularam nesse fim de semana.
Cumpre esclarecer que o sr. Fabio Baracat nunca foi sócio, procurador ou gestor, e tampouco pertenceu algum dia ao quadro de funcionários da empresa, fatos esses que podem facilmente ser comprovados.
A Via Net Express não conhece o contrato apresentado na reportagem, não assinou esse suposto contrato, não conhece a Capital Assessoria, não conhece seus sócios, nunca manteve qualquer contato e qualquer tipo de relação comercial com a mesma.
Por fim cumpre informar que a Via Net Express não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços com o Correio, nem compra serviços de tranpostre aéreo nas aeronaves do Correio.
Para os transportes das mercadorias dos clientes da Via Net Express, esta utiliza as ofertas das cias aéreas disponíveis no mercado.
A Via Net Express, diante de todos esses fatos e principalmente das publicações envolvendo o seu nome buscará os esclarecimentos necessários, para em seguida adotar as medidas judiciais cabiveis.
São Paulo, 12 de setembro de 2010
Via Net Express Transportes Ltda.
Marcos Paulo Baronti de Souza
Pessoal, o que estou achando mais engracado nesses novos tempos é o comportamento do pessoal da velha mídia. No twitter quando interpelamos jornalista da velha mídia (afora o Noblat, que responde à galera) eles se fingem de mortos, fingem que nao é com eles e continuam twitando seus factóides. Esse pessoal é acostumado a escrever o que quer e a platéia tem que abaixar a cabeca. Nao suportam o contraponto, serem confrontados. Hoje mesmo questionei um jornalista relativamente famoso da velha e grande mídia e ele me respondeu por DM (direct message), nao teve coragem de expor as idéias a todos. Nao estou querendo dizer que todos tem que nos responder, alguns tem milhares de seguidores e seria impossível, porem deveriam pelo menos considerar o contraponto, a discussao.
@DanielQuireza
Nassif:
Acabo de receber este e-mail abaixo e gostaria de saber qual o fundamento. Algumas pessoas já tinham me dito e agora veio este. Não voto na Dilma, aliás em nenhum deles, mas gostaria de saber se este caso é verdadeiro, dado que ela será a próxima presidenta.
Abçs
No caso da Srª Dilma ser eleita Presidente do Brasil, quem será a pessoa que irá aos Estados Unidos para a fala habitual na Assembléia Geral da ONU, ou para discutir com o presidente americano sobre questões de comércio, por exemplo?
Resp.: A Presidente não irá, com 100% de certeza.
Então, repete-se a pergunta: Quem irá aos Estados Unidos no lugar dela?
Bem, você deve estar intrigado com esta pergunta meio sem sentido, não é?
Aqui vai a explicação:
Dilma Roussef foi condenada nos Estados Unidos pelo seqüestro do embaixador norte-americano, na década de 60 (Charles Elbrick) lembra ?
Juntamente com outras pessoas, tais como; Fernando Gabeira.
A pena é bem grande e não há como pensar em liberdade condicional.
Lá o crime não prescreve !
A questão secundária é que isto vale para outros 11 países.
Nós temos uma solução ideal para resolver esta questão: Não elegê-la presidente! Desta maneira ela poderá escolher lugares muito confortáveis para viver o resto da vida como por exemplo, Havana em Cuba, ou La Paz na Bolívia, o que resolverá vários problemas: os dela e os nossos.
Bem... talvez você seja um sábio e tenha uma boa idéia para resolver a situação. Por isto volto a perguntar:
Quem vai representar o Brasil nas viagens internacionais aos Estados Unidos e aos 11 países onde ela pode ser presa no próprio aeroporto onde desembarcar? TENHO CERTEZA ABSOLUTA QUE ESTA, VOCE DESCONHECIA !
P.S. - Só fico intrigado com uma coisa !
PORQUE A IMPRENSA NÃO DIVULGA ISSO PARA TODOS OS BRASILEIROS.
Aqui tem gente que acredita em saci (sou um deles), em mula-sem-cabeça e em disco voador. Mas nesse spam, ninguém.
Que tal a abril cultural mudar o nome para 1º de Abril cultural(?)?
11 de setembro sepulcural, da Abril
e essa "técnica da mentira" vem com efeito dominó! primeiro chega um que publica e empurra a primeira pedra; na sequencia outro confirma; e outro publica análise e questiona dando ares de verdadeiro; e outro comenta tudo e dá aval; e.... isso lembra até aqueles assaltos que um larápio empurra, outro dá a rasteira, um terceiro dá uma coronhada, um quarto pega a carteira e arremessa para o quinto que já está em cima da moto para fugir....
Eles jogam com uma tendência estúpida das pessoas que é "se todo mundo diz que é assim então só pode ser assim".
Nesse caso o "todo mundo" é a mídia.
Até parece uma idéia perfeitamente razoável de início, mas aí há de se lembrar que não faz muito tempo o "todo mundo" pensava que a Terra era plana.
É a mesma coisa que as imobiliárias fazem, cometem vários tipos de crimes contra os inquilinos e quando questionados falam "mas todo mundo faz assim".
Só que é como falar "Se todo mundo comete assassinatos, então cometer um assassinato é o certo... certo?".
Que os envolvidos por esta leviandeda paguem caro, sem se esconder atrás da liberdade de imprensa.
Para o tipo de jornalismo que esta feito, justifica-se o interesse de um grupo de não precisar de diploma.
Deduzo que vai acabar acontecendo com este foquinha o mesmo que aconteceu com aquele outro pilantra, o Márcio Aith, que foi da Veja para a Folha e logo após ter um de seus factóides devidamente desmontado por Nassif, assumiu - surpresa - a área de imprensa de Serra.
Estão transformando a profissão de jornalista na mais nojenta profissão existente no Brasil. Se eu fosse estudante de jornalismo começaria a colocar a boca no trombone; Veja, Folha, Estadão e Rede Globo estão desmoralizando vossa profissão antes mesmo que vocês cheguem ao mercado de trabalho.
Nassif,
É incrível como são ditas na propaganda política mentiras deslavadas e a justiça não se presta nem para suspender sua veiculação. No programa eleitoral do Serra, está se prometendo um salário mínimo de R$600,00 para o próximo ano, caso ele seja eleito. Ora, todos sabemos que o salário mínimo é estabelecido no ano anterior pelo Congresso, tendo em vista seu impacto em várias contas orçamentárias, e o orçamento deve ser sempre aprovado no ano anterior, sob pena de ser suspenso o recesso parlamentar. Então, como o Serra só seria presidente a partir de 1º de janeiro, e nesse pé, a lei salarial já estaria aprovada, É UMA MENTIRA DESLAVADA!!! Ou não é???
link:
http://noticias.r7.com/eleicoes-2010/noticias/serra-promete-salario-minimo-de-r-600-se-eleito-20100910.html
São 600,00 reais redondinhos, para dar credibilidade normalmente os numeros são quebrado e com algo após a virgula, são primários até no conto da "carroxinha".
Podem ser 600,00 reais ao fim dos quatro anos também.
Mais um jornalista "tentando se arrumar na vida". Claro, não pelos meios lícitos. Claro, não desempenhando um bom trabalho. Claro, não honrando seu MTB.
De inocente o periodista não tem nada. Se for, pede a conta amanhã e bota a boca no mundo. Mas o rapaz apostou na carreira. Pode um dia virar editorzão na Abril.
Se a mutreta der certo, é claro.
Jogou todas as cartas, né Diego?
Como uma das "Técnicas da Mentira" é a omissão do que não interessa ao interessado, não vai ser Fora de Pauta isso daqui (ESPANTOSO):
---texto citado de "Os Amigos do Presidente Lula"----
http://i31.tinypic.com/30ddmh3.jpg); background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; margin-left: 5px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 16px; font-size: 20px; line-height: 1.4em; color: #8b0000; background-position: 0% 50%; background-repeat: no-repeat no-repeat;">Folha escondeu nome da filha de Serra em 2001 sobre o vazamento dos sigilos bancários
Em 2001, o jornal Folha de São Paulo, publicou uma reportagem sobre o mesmo assunto que a revista Carta Capital resgatou essa semana.
O próprio jornal havia se aproveitado do "site" deixar estas informações abertas, para publicar uma lista de deputados que tinham passado cheques sem fundos.
A Folha disse que a empresa era Argentina, mas escondeu uma informação relevante: o nome da filha de Serra, sócia na época da empresa, ao lado da irmã de Daniel Dantas, presa na Operação Satiagraha.
Segue a matéria da Folha de S. Paulo, 31/01/2001:
"Site pode ser processado por divulgar dados sigilosos do BC"
"O site Decidir.com pode ser processado por ter divulgado na Internet informações sobre a ‘lista negra’ do Banco Central (BC), que reúne os nomes de correntistas que emitiram cheques sem fundos nas agências bancárias do país.
Segundo o gerente de Compensação do Banco do Brasil, Luiz Carlos Oliveira, a divulgação das informações ‘está em desacordo com a resolução 1.682 do BC, que proíbe a divulgação desses dados a terceiros’.
...
Ontem, a Folha revelou que 18 deputados federais figuravam na ‘lista negra’ do BC no último dia 18 de janeiro. Ao todo, esses parlamentares haviam emitido 153 cheques sem fundos.
O recordista, nesse grupo, é o deputado Pedro Canedo (PSDB-GO), com 41 registros. Há mais de quatro anos ele tem 11 cheques pendurados na agência 0005 da Caixa Econômica Federal. E, desde o último dia 10 de janeiro, outros 30 cheques foram devolvidos pela agência 2223 da Caixa, instalada na Câmara dos Deputados.
Falhas
A diretora Comercial do Decidir.com, Cíntia Yamamoto, reconheceu à Folha que seu sistema tinha falhas. ‘Mas isso foi sanado na última sexta-feira’, disse.
‘As pessoas estavam conseguindo se cadastrar, nos últimos 10 ou 12 dias, sem comprovar relação com o comércio. Agora reformulamos as regras de acesso à base de dados e isso não é mais possível’, afirmou a diretora.
Essas informações, a rigor, só poderiam ser conhecidas pelo correntista que emitiu cheques sem fundos, pelo banco que registrou a ocorrência e por empresas comerciais.
O site Decidir.com pertence à empresa argentina de mesmo nome, que também tem filiais no Chile, no México, no Peru, no Uruguai e na Venezuela.
...
Além dos nomes de deputados que emitiram cheques sem fundos, o site também fornecia dados (nome, endereço, CPF e data de nascimento) de outras autoridades...
Também eram públicos, para comerciantes e curiosos, os dados pessoaisde ministros de Estado (Pedro Parente e Aloysio Nunes Ferreira, por exemplo), artistas (como Chico Buarque) e até de vizinhos, se os interessados soubessem informar um único dado: nome completo do pesquisado. (A reprodução completa está no Observatório da Imprensa).---- fim do texto citado----
Nassif, o que eu pergunto, pois recebi o e-mail igual ao recebido pelo sr.Regis. Chefe de Estado perdeu a imunidade diplomática ?Ou isso nunca existiu?
Não é questão de imunidade diplomática, Dilma não participou, e a que eu saiba, quem não podia entrar nos EUA era - ou é, o Fernando Gabeira.
Os participantes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u397279.shtml
E Dilma com Obama aonde?????
Porque é que eu tenho que me incomodar se a Dilma pode ou não entrar em certos países? O que me importa é o trabalho que ela fará na Presidência... Esse e-mail é típico de gente que lambe as botas dos Estados Unidos, grande coisa poder ir ou não aos Estados Unidos, alguém alguma vez perguntou ao eleitor Norte-Americano se o Barack Obama poderia ir ou não ao Brasil? Eu não tenho a menor vontade de ir a Nova York, nem que me paguem a passagem, um lugar cheio de pessoas caretas, preconceituosas e racistas que vestem roupas com o dobro do tamanho do manequim, não tomam banho e parecem um bando de mendigos, o que é que eu vou fazer nos Estados Unidos?... Prefiro viajar para lugares mais interessantes.
A Dilma tem que viajar é pela América Latina, para tratar da nossa integração regional e de estratégias comuns para enfrentar o imperialismo.
Nassif, segui a dica que deram no seu twitter, sobre a Elizabeth Mazza.
Seguindo o roteiro da técnica da mentira, pego alguns fatos verdadeiros
1. uma mulher da VPR foi morta em 68
2. foi morta por outra mulher da guerrilha, por acidente
3. os integrantes da guerrilha não falam sobre o assunto, pra não complicar a vida dos envolvidos.
... e junto com fantasias da minha cabeça, pronto. Eis a bala de prata, a ser divulgada no JN da véspera. Dilma é assassina e até que se desminta o golpe eleitoreiro, o estrago está feito.
Imagino a lógica da Folha, repercutindo e tentando provar a existência da Chaleira de Russell, logo em seguida: "Já que não se pode provar que não é, é."
Após 30 anos, morte de militante ainda é tabu para a esquerda
Caso envolveu a estudante Elizabeth Mazza Nunes
MARIO CESAR CARVALHO
da Reportagem Local
(Folha de S. Paulo - 5/7/98)
O ex-guerrilheiro Pedro Lobo, 68, tem pesadelos com as torturas que sofreu em 1969, mas o que lhe tira o sono é uma cena que o faz sentir uma "tristeza profunda" 30 anos depois: ele está enterrando uma militante que morreu com um tiro acidental, mas não consegue lembrar o local da cova. "Como seria bom achar essa cova...", suspira Lobo.
A cova contém o segredo mais bem guardado pela esquerda que pegou em armas no final dos anos 60 no Brasil -a ossada de uma jovem morta acidentalmente, ao que tudo indica, por uma companheira. Foram 30 anos de segredo. O disparo ocorreu entre junho e julho de 1968. O livro "Mulheres que Foram à Luta Armada", do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, revelou o apelido da jovem -Beth.
Agora, a Folha revela a sua identidade: ela se chamava Elizabeth Conceição Mazza Nunes, tinha 21 anos e estudava na Escola de Sociologia e Política, em São Paulo.
Foi por decisão de guerrilheiros que viriam a formar a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que a morte virou segredo de estado e tabu.
"Escondemos essa morte porque a ditadura ia fazer um bafafá contra a gente se soubesse", justifica Lobo. "Iriam dizer: Olha a alma do terrorista como é que é! Mata o próprio companheiro e esconde o corpo."
Durante um mês, a Folha entrevistou familiares e amigos de Elizabeth e ex-guerrilheiros que participaram da operação de ocultação. A história que emerge é simbólica da paranóia que se instaura quando o regime militar resolve tratar inimigos políticos como inimigos de guerra e estes respondem a bala.
O resultado dessa paranóia é que só no último mês a família de Elizabeth descobriu as circunstâncias em que ela morreu. Zabeth, como era chamada, levou um tiro de uma mulher ligada à VPR.
"Vivemos uma longa história de sofrimento, esperanças, incertezas e mentiras", diz Mariza Mazza, 57, irmã de Elizabeth. Agora, a família só tem um desejo: recuperar a ossada da irmã morta, uma missão quase impossível, como se verá. Elizabeth foi parar no grupo que viria a formar a VPR porque era mulher de Alípio Antonio Nunes Neto, dirigente da organização.
Nunca foi guerrilheira, segundo Dulce Maia, 59, militante da VPR que participou de assaltos a banco e atentados a bomba.
Ledercy Gigante de Oliveira, 54, amiga de Elizabeth e hoje professora de sociologia em São Carlos (SP), conta que nunca conversou sobre política com ela: "A Zabeth nunca teve militância. Ela ia para minha casa enquanto o marido ia para reuniões. Tomávamos cerveja e depois o Alípio ia buscá-la".
À época da morte, em meados de 1968, o grupo guerrilheiro vivia uma escalada de ações espetaculares. Em maio, havia assaltado um hospital militar em São Paulo. No dia 26 de junho, arremeteu um carro-bomba contra o QG do 2º Exército, que resultou na morte do soldado Mario Kozel Filho.
A morte de Elizabeth ocorreu no período do carro-bomba. "Eram duas moças num apartamento. Uma estava lendo enquanto a outra manuseava um revólver. Repentinamente, o revólver disparou", descreve Dulce Maia, que diz não ter estado no local do tiro.
Ela lembra que providenciou um saco de dormir para embrulhar o corpo: "Ela estava em posição fetal, o que facilitou o transporte".
Pedro Lobo entrou em cena quando o corpo já estava no carro,um Volkswagen, segundo ele. Ele e outros três guerrilheiros pegaram a rodovia Raposo Tavares e depois de Cotia entraram à direita, numa estradinha de terra, ao lado da qual o corpo foi enterrado (leia mais abaixo).
Dulce não foi ao enterro -foi encarregada de destruir fotos do casamento e a frasqueira que Elizabeth levava. A organização decidiu que o viúvo Nunes Neto deveria sair do país. Foi Dulce quem levou-o à rodoviária de São Paulo para pegar um ônibus para o Rio, de onde embarcou para Paris.
O viúvo teria sido visto pela última vez em 1986, no enterro da mãe. Ex-guerrilheiros da VPR dizem não saber onde ele está hoje.
Após a morte, começou a fase das "mentiras" de que fala Mariza. A primeira versão que chegou à família, por intermédio da mãe do viúvo, dizia que o casal havia partido para Cuba. Nada mais foi dito. Foi um período desesperador para a família, segundo o contador Antonio Primo Mazza Junior, 49, irmão de Elizabeth. "Minha mãe chorava o tempo todo", conta.
No desespero, um conhecido da família levou uma foto de Elizabeth a Chico Xavier. Sua resposta foi: "Vocês devem rezar e esperar notícias pelas vias normais", segundo Mazza Junior. A família interpretou o enigma como um sinal de que ela morrera.
Em 1979, após a anistia, Mazza Junior procurou o advogado José Carlos Dias, da Comissão de Justiça e Paz, uma das principais fontes à época sobre desaparecidos, e ouviu outra versão: Elizabeth fora morta por militares na fronteira com o Paraguai, ao tentar sair do país em 1968, 1969. "Só em 1978 nos conformamos que a Beth estava morta", diz Mazza Junior.
Mariza, a irmã, foi a primeira a descobrir a verdade. Em 1986, durante o lançamento de um livro sobre a visita do filósofo Jean-Paul Sartre em Araraquara, onde Mariza vive, um professor da Unicamp chamou-a num canto e contou a história do disparo acidental.
Mariza diz ter ficado chocada -e não contou nada a ninguém.
Crente de que a irmã fora morta por militares na fronteira com o Paraguai, Mazza Junior cogitou entrar com um pedido de indenização junto ao governo. Mariza demoveu-o da idéia do pedido há um ano -contou-lhe a história do tiro acidental.
Mazza Junior diz que só teve certeza das circunstâncias em que a irmã morreu lendo uma reportagem da Folha de 3 de maio, sobre o livro "Mulheres que Foram à Luta Armada". "Vi o nome Beth e disse: 'É ela, é minha irmã'. Tive a confirmação da morte lendo a Folha". Ele não é espírita, mas acha que eram essas "as vias normais" de que falava Chico Xavier.
Corpo foi enterrado na região de Cotia
Reportagem da Folha acompanha ex-sargento da Força Pública na busca pela ossada de mulher morta há 30 anos
Pedro Lobo olha as árvores, busca um barranco de um metro,
mais ou menos, e balança a cabeça. Está na estrada do Pau
Furado, caminho de terra que parte do km 36 da rodovia Raposo
Tavares, tentando recompor o trajeto que fez há 30 anos para
enterrar Elizabeth Conceição Mazza Nunes.
Lobo parece comovido. "Enterrar um companheiro morto -foi
uma cena triste, chocante", lembra o ex-sargento da Força Pública
aposentado compulsoriamente em 1964. Ele saiu de São José dos
Campos (97 km de São Paulo) para tentar encontrar a ossada
junto com a reportagem da Folha.
Não é a primeira vez que Lobo busca o corpo que lhe tira o sono.
Em 1980, quando voltou do exílio na extinta Alemanha Oriental,
pegou o carro e foi até Cotia.
Não deu em nada a busca.
No caminho para a nova busca, Lobo descreve a estrada que
pegou com o Fusca, dentro do qual iam o cadáver e quatro
guerrilheiros. "Logo que nós saímos da Raposo tinha um barranco
alto. Depois, havia uma ladeira forte, bem íngreme. Aí tinha uma
bifurcação. Não me lembro se pegamos à direita ou à esquerda.
Só sei que a estradinha subia e descia o tempo todo. Era uma
serrinha."
Na primeira tentativa, falta o barranco alto na tal estradinha de
terra. A segunda é a estrada do Pau Furado, que liga Cotia a
Vargem Grande (Grande São Paulo).
Parte da estrada continua a mesma de 30 anos atrás -há
resquícios de mata atlântica e nem uma alma viva à vista. No final,
um vilarejo rural convive com um condomínio de classe média
alta, com casas em estilo montanhês.
"Acho que era essa estrada", diz no meio da mata quase fechada.
Desce do carro quando a estrada fica plana e fala com convicção:
"A região foi essa. O duro é achar o local exato".
Lobo lembra repentinamente que havia um roçado de milho do
outro lado do barranco onde enterraram Elizabeth. O milho estava
seco. "Era de noite, estava escuro, mas tenho certeza de que havia
um roçado na frente do barranco", conta.
A memória falha em outros detalhes. Lobo diz que pegou o carro
já com o corpo dentro na região da Lapa, zona noroeste de São
Paulo. Segundo ele, estavam no Fusca Onofre Pinto, Eduardo
Collen Leite, o Bacuri, e Yoshitane Fujimori, todos mortos
posteriormente.
Dulce Maia participou da etapa anterior da operação -a que
retirou o corpo do apartamento e colocou-o no carro. Ela diz não
se lembrar da presença de Fujimori e Bacuri no carro dos
guerrilheiros encarregados do sepultamento.
Foi um dos guerrilheiros que sugeriu a estradinha em Cotia. Com
um enxadão, abriram uma cova rasa a uns 50 metros da estrada,
segundo Lobo.
Recordação
Ele lembra que retirou um "anel com uma pedrinha" dos dedos de
Elizabeth, a quem não conhecia, e pediu a um dos companheiros
para encaminhá-lo à família. É a sua última lembrança sobre o
sepultamento.
Já na prisão, conta que foi torturado por policiais que sabiam da
história. "Muitos companheiros apanharam, mas ninguém contou
nada", afirma Lobo.
Hoje, ele lamenta não ter feito um mapa do local ou colocado um
marco sobre a cova. "É quase impossível localizar a cova", diz.
Mas Lobo não desistiu de localizar Elizabeth. "Queria devolver a
ossada para a família. Essa moça deu a vida para a revolução,
mesmo indiretamente. Vou fazer força para lembrar. Aí a gente
volta aqui". (MCC)
"Ela era a caçulinha, a mimadinha',lembra amiga
Cabelos louros, olhos verdes, pouco mais de 1,60 m de altura e
sempre sorridente -assim era Elizabeth Conceição Mazza Nunes,
segundo irmãos e amigos.
Elizabeth nasceu a 19 de setembro de 1946 em Tanabi (a 480 km
de São Paulo) numa família de classe média -seu pai tinha um
escritório de contabilidade. Era a mais nova das quatro mulheres
numa família de seis irmãos.
Quem a visse na adolescência em Tanabi mal poderia imaginar
que um dia estaria ligada a uma organização guerrilheira.
"Ela era a caçulinha, a mimadinha, sempre teve um ar de criança",
descreve a amiga Ledercy Gigante de Oliveira.
Elizabeth vivia em bailes e foi rainha do Carnaval no início dos
anos 60. "Era alegre, simpática, aparecia em qualquer ambiente,
era expansiva", relata a socióloga Zeila Fabri Demartini, 51, amiga
de infância de Elizabeth e professora aposentada da Unicamp.
Em 66, deixou Tanabi para estudar ciências sociais em
Araraquara, num instituto que hoje faz parte da Unesp.
De sua passagem por Araraquara, restou uma lembrança -o
programa da peça "Toda Donzela Tem um Pai que é uma Fera",
de Gláucio Gil, na qual atuava com Luís Antonio Martinez Corrêa,
irmão do diretor do teatro Oficina José Celso Martinez Corrêa.
Em 67, mudou-se para São Paulo devido à sua paixão repentina
por Alípio Antonio Nunes Neto, segundo Ledercy. Em janeiro de
68, os dois se casaram em Tanabi. Como Alípio era um militante
profissional e não tinha emprego, foram morar na casa da mãe
dele, em Moema (zona sudoeste de SP).
Pouco antes da morte de Elizabeth, o casal teve uma espécie de
lua-de-mel tardia, num apartamento de Ledercy. Foi,
provavelmente, em julho de 1968.
Foi a última vez que as duas se encontraram. "Ela estava
felicíssima porque podia ficar com o marido sem a presença da
sogra."
Quando soube que o casal teria ido a Cuba, a lorota que
encobertou a morte, Ledercy lembra o que disse: "Tenho dó da
Beth. Ela não tem estrutura para isso".
O irmão Antonio Mazza Junior tinha a mesma impressão. Já a
irmã Mariza Darci Mazza discorda. "Ela estudava sociologia,
sabia muito bem onde estava se metendo. Não era nada boba."
(MCC)
Envolvidos se dividem sobre divulgar o episódio
A morte de Elizabeth Conceição Mazza Nunes é um tabu entre
ex-guerrilheiros da VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária. O
episódio divide militantes até hoje: há os que são a favor e os que
são contra a divulgação do episódio.
Após 30 anos, quando o crime já foi prescrito, ex-guerrilheiros
que participaram do enterro com Pedro Lobo se recusam a falar
no assunto. Temem que a revelação de mais detalhes sobre a
morte comprometa pessoas que participaram do ocultação do
corpo.
João Quartim de Moraes, 56, ex-militante da VPR e professor de
filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é uma
das vozes contrárias à divulgação de todos os envolvidos no caso.
"Quando ACM (o senador Antonio Carlos Magalhães) é
considerado um benfeitor público, é legítimo que uma confraria
inorganizada de veteranos da luta armada faça um pacto de não
divulgar o que sabemos sobre as circunstâncias da morte da
Beth", defende.
O detalhamento, diz, pode complicar a vida de algumas pessoas.
Quartim de Moraes acha que a elucidação da verdade é positiva:
"O desejo da família de saber o que aconteceu é justíssimo".
Mas há um valor mais forte, segundo ele: "Vamos supor que o
Lula ganhe a eleição. Quem pode garantir que, num clima de
baderna, não poderá haver um golpe? Os militares até hoje nos
tratam como bandidos -esse valor é mais forte. Não vou revelar o
segredo", afirma, referindo-se à autora do disparo.
Ele diz, porém, não ter a consciência tranquila: "Não tenho a
consciência límpida porque nós deixamos essa família 30 anos
sem saber das coisas". O que o embaraça, também, é que
Elizabeth "não foi morta pela repressão".
Dulce Maia e Pedro Lobo têm uma posição oposta sobre a
divulgação do episódio. "Essa história deve ser contada por causa
das crianças. Ninguém sabe nada sobre os anos 60. Tentamos
fazer algo pelo Brasil e as crianças precisam saber disso", diz
Dulce.
Ninguém da VPR relatou o ocorrido à família porque não a
conhecia, segundo Dulce. "Por razões de segurança. Nem o nome
verdadeiro das pessoas nós sabíamos".
VPR
A Vanguarda Popular Revolucionária foi criada em março de
1968, ainda sem esse nome, e fez algumas das ações mais
espetaculares da guerrilha, como o assalto a um hospital militar em
São Paulo. A fundação oficial da organização ocorreu em
dezembro de 1968.
Um mês depois, a VPR conseguiria sua mais famosa adesão: o
capitão do Exército Carlos Lamarca fugiu com armas de um
quartel em Quitaúna (Grande São Paulo) para se unir aos
guerrilheiros.
(MCC)
Crimes já estão prescritos
A família de Elizabeth Conceição Mazza Nunes quer recuperar a sua ossada, mas não quer o envolvimento da polícia no caso,
como diz Antonio Mazza Junior.
Não precisa mesmo, segundo o advogado José Carlos Dias,
porque os dois crimes praticados estão prescritos.
O homicídio culposo, que pune crime não intencionais, como
parece ser o caso do disparo acidental, é punido com prisão de
um a três anos e prescreve em oito anos. A prescrição é contada
a partir da data do fato criminoso, segundo Dias, 1968, no caso
de Elizabeth.
A ocultação de cadáver também é punido com um a três anos de
prisão e prescreve no mesmo período do homicídio culposo.
Além disso, qualquer crime no Brasil é prescrito após 20 anos.
Ou seja, em 1988 a eventual punição ao tiro acidental já teria
caducado.
(MCC)
FONTE:http://prof.reporter.sites.uol.com.br/mortedemilitante.htm
Olha só abaixo um trecho retirado de um blog ligado a revista Veja. Na minha opinião é o expoente da hipocrisia.
É que estamos diante da aplicação de uma das teorias da comunicação, usada com desenvoltura por canalhas:
- espalhe a mentira:
- insista nela;
- faça com que ela pareça ter o mesmo peso da verdade;
- transforme tudo numa mera guerra de versões
Resultado: uma parte da opinião pública desiste do caso no meio do caminho e se conforma com a mentira. Para essa gente, não levar a mentira ao ar seria pior: todos ficariam expostos só à verdade. E a verdade não lhes interessa.
E para quem tiver curiosidade de ver o texto completo: http://t.co/6rMlXXS
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