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A Síndrome de CarolinaEnviado por luisnassif, dom, 29/08/2010 - 18:06
Autor:
Weden
Por Weden
O país assiste a um processo de inclusão significativa de massas no mercado de consumo. E analistas da grande mídia insistem na tecla do “populismo como único responsável pela aprovação do atual governo”. Como se não bastasse, para alguns jornalistas aficionados, estas massas não cheiram bem. Mais do que isso: parajornalistas e blogs que cultuam a violência verbal xingam os supostos “idiotas e cegos que apóiam a situação”. Sem perceberem que estão ofendendo 78% da população brasileira e mais uns trocados (1). Acreditam-se, tais jornalistas, analistas e afins, Übermenschen (acima das massas e além da moral), e desejam mostrar que essas massas se dirigem ao abismo, enquanto lá do alto da montanha eles alertam. Sem perceberem que as tempestades chegam, primeiro, nas montanhas. E as avalanches também. Agarrada a bandeiras da Guerra Fria, a temores íntimos (sim senhores, os muros nos defendem das ruas, mas também materializam nossos medos, que, ademais, podem ser apenas efeitos subjetivos!), a grande mídia perdeu, em oito anos, mais tempo com Hugo Chavez, que com uma discussão séria sobre novos modelos de governança global. E eis que Lula aparece, de uma hora para outra, como “o cara”. Essa imprensa não viu os perigos do neoliberalismo (quem daria importância a queixume de esquerdistas?). Mas quando o neoliberalismo mostrou suas mazelas, imaginem só: muitos jornalistas torceram contra a economia do país, sem perceberem que esta atitude insana iria ser debitada na facção política que lhes rendia préstimos (2). Sucedem-se barrigas locais e barrigas globais (3). A rede, como fenômeno mundial, revelou novos atores nas atividades públicas de informação, opinião e análise. Recentemente, Clóvis Rossi referiu-se a ela como um clube fechado, de partidários, sem nenhuma pluralidade. E ele disse isso dentro da...Folha de São Paulo. A rede desestabilizou e reestruturou – para o bem e para o mal – a imagem pública das instituições políticas, jurídicas, científicas, expondo-as ao comentário e à apreciação contínua. O caso da adesão às loucuras de Gilmar Mendes (e sua rejeição aos homens da esquina) foi um dos muitos exemplos de como uma escolha impensada pode ser fatal para a credibilidade do jornalismo. Falsas investigações, denúncias seletivas, reportagens ficcionais, fontes viciadas, manchetes subreptícias, ilações perigosas, acusações sem provas, edições insidiosas, ocultações acumpliciadoras, parcerias pouco recomendadas... Tudo isso, além do fenômeno de rede, acabou acelerando a perda da “aura” do jornalismo brasileiro mainstream e suas fontes “autorizadas”. Se a perda da aura da obra de arte e do artista foi fenômeno atribuído às novas condições de produção (a reprodutibilidade técnica) acentuadas na passagem do século XIX para o XX; em contexto mais local, a aura de nossa imprensa foi ao lixo devido à rede e um bocado de irresponsabilidade. Em alguns espasmos de autoconsciência, alguns jornalistas perceberam isso (Josias de Souza: “Formadores de opinião de si mesmos”), mas com a mesma facilidade que respiram na superfície, submergem em suas crenças. Foram tantas apostas erradas e erráticas, que só podemos estar diante de uma síndrome: a Síndrome de Carolina. No vocabulário médico, síndrome é um conjunto de sintomas que apontam para um quadro clínico, geralmente complexo, multifatorial. No vocabulário buarqueano, a personagem, com os olhos fundos de um apresentador de último telejornal, guarda tanta dor que não existe (a Guerra Fria), tanto amor que não existe (a aposta apaixonada em personagens ultrapassados) e não percebe, apesar de todos os alertas, que o mundo passou na janela: a incorporação das massas ao mercado de consumo, o advento da rede, os deslocamentos de centros de poder no país e fora dele. Numa entrevista recente, Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, percebeu, um pouco tardiamente, que o discurso da oposição está envelhecido. Faltou dizer que o discurso da grande imprensa também está. Embora aqui e ali comece a despertar para o tempo que passou na janela. A retórica contraditória de Serra não é um sintoma de Serra, mas de todo um pensamento midiático que sucumbe ante as transformações violentas (pare eles) da sociedade brasileira e mundial, tal o grau de simbiose entre uma certa facção política e a grande imprensa no Brasil (4) Um pensamento que, em meio a espasmos, vacila entre chegar à janela e compreender o que está acontecendo e voltar para o quarto de dormir, para viver os sonhos de antes da aurora. Vai entender. ________________________ (1) Por questão de sobrevivência, teriam que compreender que boa parte deste apoio não é à pessoa de Lula; mas a um momento nacional que ele acabou por simbolizar. Mas que, logicamente, tem muito da mão do governo. (2) Prefiro “certa facção política”. Afinal, embora esta atitude se confunda hoje com a oposição em sua totalidade, não é isso que ocorre. O anacronismo não é uma virtude de bandeira, diga-se de passagem. O problema é que foi justamente o anacronismo daquelas facções da oposição o mais vocalizado pela grande mídia. Mas de certo os coronéis e os grupos corporativos que aderiram ao atual governo não podem ser vistos como bons exemplos de sensibilidade às mudanças do mundo. Antes muito pelo contrário. (3) No jargão jornalístico, barriga é a informação equivocada, geralmente causada por negligência profissional. (4) Há que se separar o joio do trigo. Este texto tão crítico não deixa de bem considerar os jornalistas que não se contentaram em ser bonecos de ventríloquo das direções e, independentemente, de suas posições políticas, não somente chegaram à janela, mas também se permitiram ir às ruas.
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Edson Joanni
29/08/2010 - 18:20
Volto a postar aqui o que escrevi no meu blog, por achar que serve para esta discussão:
O PEIXE E O JORNAL
Nestes tempos de jornais online, blogs, redes sociais, twitter, como fica o dito tão...
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danielquireza
29/08/2010 - 18:41
Além de falsa, essa análise é ignorante. Já que a definição histórica de populismo, desde Getúlio, é a do político que fez efetivamente concessões às classe mais desfavorecidas, mesmo sem deixar de...
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Cesar Luiz da Silva Pereira
29/08/2010 - 18:43
"Quem não sabe a verdade é simplesmente um cretino. Mas quem a sabe e diz que ela é mentira, esse é um criminoso" (Galileu Galilei).
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luka
29/08/2010 - 18:54
A velha mídia passará por renovação forçada. Os que se jogaram de cabeça na critica infundada não tem mais lugar. A velha mídia vai procurar sobrevida com profissionais da internet que estavam na...
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edna baker
29/08/2010 - 18:59
Parabéns Weden!! Análise escrita com conhecimento de causa e sensibilidade " e não percebe, que o mundo... e o tempo passou na janela" perfeito!!
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Celio Mendes
29/08/2010 - 19:05
Realmente uma excelente analise do momento atual, gostei especialmente desse trecho:
Em alguns espasmos de autoconsciência, alguns jornalistas perceberam isso (Josias de Souza: “Formadores de opinião...
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claudionor Damasceno
29/08/2010 - 19:20
Boa síntese, boa análise. É preciso que se diga que o Brasil parece estar decididamente saindo da caverna de Platão.
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neide
29/08/2010 - 19:29
O que você também não está vendo é que para se manter a coerência profissional tem que se arriscar gordos salários, isso alguns poucos Nassifs e Azenhas estão dispostos a fazer. Para muitos...
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Rafael Wuthrich
29/08/2010 - 19:34
Odeio corrigir erros de português, até porque cometo os meus, mas como é um erro que salta às vistas e crei que seja positivo te alertar, humildemente lembro-te que "excessão' não existe; é...
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Márcia Aranha
29/08/2010 - 19:35
Rarará... Até tú, Noblat?
Enviado por Ricardo Noblat - 29.8.2010 | 16h38mO tamanho da vitória de Dilma
Para vocês terem uma idéia da vitória de Dilma conforme se desenha...
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Rui Daher
29/08/2010 - 19:47
Sugiro leitura urgente de "Colapso do Populismo", de Octávio Ianni.
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Alexandre Weber - Santos -SP
29/08/2010 - 20:06
Weden parabéns pelo artigo, mostra um poder de síntese dos assuntos discutidos aqui no blog soberba, mais ainda, o que tu escreves não precisa de copydesk ,vai para o prelo direto.
Por outro...
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luzete
29/08/2010 - 20:22
saudade que eu tava desse menino!
e, como sempre, weden, análise perfeita. perfeita. você é muito bom, cara! (é um quase "o cara"!)
e deixo prá você um vídeo que mostra como este pessoal que sofre a...
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H. C. Paes
29/08/2010 - 20:39
Boa compilação, essa do Noblat. Vou usá-la para um exercício mental:
Que opções a oposição tem para, nas próximas quatro semanas, fazer o trem de Dilma ou do processo eleitoral descarrilar?
Supondo-...
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Abel
29/08/2010 - 21:34
Perfeito! Mas o preço a pagar pela hipótese "v" (o "suicídio do escorpião") é alto demais. Não acredito que mesmo José Serra se arriscasse a entrar numa gelada destas.
P.S.: os neocons do "Casseta e...
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Fernando G Trindade
29/08/2010 - 22:12
Parabéns a Weden pelo texto. Análise perfeita parar a simbiose grande mídia/candidaturaSerra.
Deve-se fazer exceção à TV Record que me parece está entendendo as mudanças, com a ampliação do mercado...
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Claudionor Damasceno
29/08/2010 - 22:15
Seria legal uma renúncia. Além de tudo, fujão! O curiculum do economista (?) ficaria mais brilhante, mais lustroso. Mas, já que ele esta vivendo uma esquizofrênica crise de identidade, ...
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Robson Porto
29/08/2010 - 22:48
OK, Mr. Sabichão, com ares de Marques de Pombal... Explica então pros pobres mortais aqui do blog soberba o MO do tal do Poder Real. Dê nome aos bois caso contrários vais parecer apenas mais um...
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Volto a postar aqui o que escrevi no meu blog, por achar que serve para esta discussão:
O PEIXE E O JORNAL
Nestes tempos de jornais online, blogs, redes sociais, twitter, como fica o dito tão popular entre os profissionais de comunicação, aquele que se invocava para sossegar um colega mais criterioso : "-Não se preocupe tanto, não seja tão perfeccionista, amanhã isso vai servir pra embrulhar peixe"?
É certo que os jornais impressos seguirão cumprindo esse papel, ainda que não seja o melhor papel para o peixe, e muito menos para o jornal. Mas também é certo que já não se pode usar esse dito como antes. Muita coisa mudou, e em pouco tempo, na maneira de informar e informar-se.
Temos visto e discutido exaustivamente o papel da mídia e seus profissionais, e já é consenso que mentiras e distorção de fatos tem pernas ainda mais curtas hoje.
O papel continua indo para o peixe, mas o que foi escrito nele (e também diretamente nos prompts) está lá, guardado em servidores por anos a fio, esperando que alguém o recupere, para o bem ou para o mal.
Muito mais gente tem hoje a oportunidade não só de informar-se, mas também de vasculhar sobre qualquer assunto, trazer de novo à tona fatos de interesse, verificar ao longo do tempo o tratamento que determinado jornal deu a um tema, acompanhar a evolução das idéias de um determinado colunista, comentar matérias em tempo real, enfim, exercer um tipo inédito de interação com os meios de comunicação.
Agora somos todos peixes, mas somos nós que escolhemos, e até fabricamos, dia após dia, o papel que vai nos embrulhar.
Nem SOPA nem PIPA! Abaixo a censura na Internet!
Além de falsa, essa análise é ignorante. Já que a definição histórica de populismo, desde Getúlio, é a do político que fez efetivamente concessões às classe mais desfavorecidas, mesmo sem deixar de lado as mais favorecidas. E não esse lugar-comum de achar que populismo é simplismente o candidato que promete coisas ao povo, que é carismático como o povo, etc...até porque se a definição fosse de promessas, todos os políticos, sem escessão, seriam populistas.
@DanielQuireza
Odeio corrigir erros de português, até porque cometo os meus, mas como é um erro que salta às vistas e crei que seja positivo te alertar, humildemente lembro-te que "excessão' não existe; é exceção.
Rafael Wüthrich
Opa, agradeço a correção, tinha ficado feio mesmo.
@DanielQuireza
Sugiro leitura urgente de "Colapso do Populismo", de Octávio Ianni.
Ruy, seria esse livro um daqueles que o Ianni escreveu com o Príncipe dos Sociólogos? E que Sua Alteza posteriormente mandou esquecer tudo aquilo que ele tinha escrito?
"Quem não sabe a verdade é simplesmente um cretino. Mas quem a sabe e diz que ela é mentira, esse é um criminoso" (Galileu Galilei).
A velha mídia passará por renovação forçada. Os que se jogaram de cabeça na critica infundada não tem mais lugar. A velha mídia vai procurar sobrevida com profissionais da internet que estavam na janela no momento exato e observando as massas. Somente eles conseguem traduzir os acontecimentos.
Não será uma mudança de posicionamento, será uma estratégia apenas para garantir a sobrevida de um mercado que sofreu radical modificação e eles negaram-se a perceber. As intenções continuarão mentirosas.
Parabéns Weden!! Análise escrita com conhecimento de causa e sensibilidade " e não percebe, que o mundo... e o tempo passou na janela" perfeito!!
Realmente uma excelente analise do momento atual, gostei especialmente desse trecho:
Em alguns espasmos de autoconsciência, alguns jornalistas perceberam isso (Josias de Souza: “Formadores de opinião de si mesmos”), mas com a mesma facilidade que respiram na superfície, submergem em suas crenças.
Volta o outra o Nassif publica no blog um exemplo de bom jornalismo, mas são com diz o texto "espasmos" pois nossa imprensa não consegue se desvencilhar da mediocridade.
Mas se pode produzir bons artigos então porque a imprensa decaiu tanto? Não temos bons profissionais? Não temos bons analistas? o próprio texto mata essa charada quando menciona os "perigos do neoliberalismo", para impingir o ideário neoliberal para um povo com tantas necessidades básicas que só um estado forte e presente pode atender foi necessário sublimar qualquer idéia contraditória, só havia um caminho, só havia uma opção, para se atingir o nirvana primeiro mundista era necessário se abrir mão de garantias e direitos sociais e torrar o patrimônio nacional na bacia das almas, quem não concorda-se com isso era um dinossauro, um caipira, um fracassomaniaco condenado ao rodapé da história. Tal convergência de pensamento midiático cobrou um preço alto para o jornalismo, a ausência de contraditório fez com que os veículos se alimentassem da própria ilusão que vendiam, o profissional que não se atrela-se ao "esquema" estava condenado ao ostracismo, exemplos não faltam de profissionais degolados nesse furor de criação do pensamento único da mídia, alguns aderiram relutantemente outros entusiasticamente mas no final só ficou na grande mídia quem no mínimo fize-se que não via que havia algo de muito errado.
O resultado final de toda essa histórica é essa melancólica campanha do Serra, irônico observar que quem tanto utilizou a imagem de dinossauro contra os adversários acabou virando um.
Quando o sorvete acaba não adianta raspar o pote.
Boa síntese, boa análise. É preciso que se diga que o Brasil parece estar decididamente saindo da caverna de Platão.
O que você também não está vendo é que para se manter a coerência profissional tem que se arriscar gordos salários, isso alguns poucos Nassifs e Azenhas estão dispostos a fazer. Para muitos desses tubarões que entraram nessa barca, depois que está dentro dela é mais fácil para consciência fingir que acredita.
Rarará... Até tú, Noblat?
Enviado por Ricardo Noblat - 29.8.2010 | 16h38mO tamanho da vitória de Dilma
Para vocês terem uma idéia da vitória de Dilma conforme se desenha pela mais recente pesquisa de intenção de votos do Ibope aplicada na semana passada depois de 12 programas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão::
1. Ela vence em todas as regiões do país (Sudeste, 44% a 30% de Serra; Norte/Centro-Oeste, 56% a 24%; Nordeste, 66% a 20%; Sul, 40% a 35%).
2. Ela vence nos maiores colégios eleitorais (São Paulo, 42% a 35% de Serra; Minas Gerais, 51% a 25%; e Rio de Janeiro, 57% a 16%).
3. O Estado onde Dilma vence com maior folga é Pernambuco ((71% a 17%).
4. Ela vence entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo ((58% a 22% de Serra). E entre os que têm renda de um a dois salários mínimos (53% a 26%). Empata entre os que têm renda superior a cinco salários (39% a 38%).
5. Ela vence em todas as faixas de escolaridade com uma diferença de 25% a 28%. E empata com Serra entre os que cursaram o ensino superior.
6. Ela vence entre os homens e entre as mulheres.
O que ainda deverá empurrá-la mais para cima?
Cerca de 12% dos eleitores ignoram que ela é a candidata de Lula a presidente. E dois terços dos eleitores acreditam que ela será eleita. Apenas 19% acreditam que o eleito será Serra.
Dilma abriu 24 pontos percentuais de vantagem sobre Serra. Está com 51%. Serra tem 27%.
Se a eleição fosse hoje, ela venceria direto no primeiro turno com 59% dos votos válidos (descontados nulos, brancos e indecisos).
Boa compilação, essa do Noblat. Vou usá-la para um exercício mental:
Que opções a oposição tem para, nas próximas quatro semanas, fazer o trem de Dilma ou do processo eleitoral descarrilar?
Supondo-se que ela seja capaz de tudo, sem deixar qualquer coisa de fora, as opções são as seguintes:
i. Golpe no sentido anos sessenta da palavra - por mais que os paranóicos estejam arrancando os cabelos com a visita de Serra ao Clube da Aeronáutica, essa opção pode ser descartada tranqüilamente, por vários motivos, a saber: a) O alto oficialato provavelmente está feliz com os novos orçamentos militares aprovados por Lula; b) o médio oficialato e a parte baixa da hierarquia provavelmente é leal ao presidente como comandante-em-chefe e ao estado democrático de direito, além de serem muito menos alienados do que eram nos anos sessenta, quando a educação formal e o nível de informação dos recrutas era bem menor; c) o capital estrangeiro está feliz com os ganhos proporcionados pela política monetária do BC a ponto de, segundo informam alguns, estar veladamente contrariado com os ataques (oportunistas) de Serra aos juros; d) a desestabilização institucional do Brasil, na conjuntura atual, poderia se espalhar para a América Latina inteira, com conseqüências imprevisíveis.
ii. Golpe à hondurenha, ou seja, deflagrado pelo judiciário - com Lewandowski, Peluso e Gurgel no comando, respectivamente, do TSE, do STF e do MPU, três legalistas honrados, a opção é remota. Além disso, o governo apontou a maioria dos juízes do STF e tem maioria no Congresso, ao contrário de Zelaya.
iii. Golpe à venezuelana, ou seja, deflagrado pelo PiG com apoio de setores reacionários das forças armadas e balizado por uma cortina de desinformação - não funcionou lá, por que funcionaria aqui, ainda mais agora, com o fortalecimento das mídias informativas virtuais?
Ou seja, as opções golpistas não vão acontecer, a despeito de toda a histeria.
iv. A "bala de prata" - pouco provável, ou já teria acontecido. Factóides não funcionam, ainda mais porque finalmente o PT começou a se defender com mais vigor, inclusive judicialmente, das acusações disparatadas da oposição via mídia. O problema maior é que Dilma saiu há pouco tempo da tecnocracia discreta para a política propriamente dita: não há fatos, tampouco suspeitas, contra ela. O quase nada que havia eram armações tolas que já caducaram, como Lina Vieira. Outros potenciais escândalos, como o suposto apoio de Dilma ao fiasco da BrOi quando em fase de estudos, são fracos demais (além disso, pode-se argumentar que Dilma estava simplesmente equivocada, e não agiu de má-fé) ou correm o risco de respingar na própria oposição. Talvez se eles tivessem acesso ao processo militar que o STM trancou fosse possível criar algum sofisma bem elaborado, mas haveria o risco maior de realçar a história de luta contra a ditadura e aumentar o apelo emocional que o martírio de uma adolescente torturada tem, e que os próprios publicitários do PT evitaram enfatizar na propaganda de campanha. Psicologicamente, é arriscadíssimo fazer um movimento desses perante uma audiência que já está emocionalmente inclinada a enxergar Dilma de forma positiva. Acho que é até por isso que a Folha não está insistindo muito em ter acesso ao material. Sem contar que, mais tarde, o processo poderia resultar numa onda de apoio a uma abertura total e irrestrita dos arquivos da ditadura. Acho até que essa razão deve ter pesado na cabeça do presidente do STM ao decidir barrar o acesso aos autos.
O que resta seria...
v. O esvaziamento da vitória de Dilma.
Como?
Com a desistência de José Serra e Marina Silva antes do pleito. Dilma se tornaria candidata única e a mídia poderia iniciar um período turbulento com a idéia de que o governo sufocou a oposição no Brasil. Vejam bem, filosoficamente uma vitória por W.O. é uma vitória tão legítima como qualquer outra, mas a filosofia importa muito pouco nessas horas. Ainda mais se os demotucanos não desistissem das campanhas estaduais e legislativas e o primeiro mandato de Dilma começasse em meio a uma campanha sadomasoquista da direita, em que eles atribuíssem a ela a cacetada que dessem em si próprios.
Não é muito diferente daquilo que a oposição venezuelana tentou ao boicotar as legislativas de 2005. O país segue aos trancos e barrancos - e há de se tirar o chapéu ao presidente Chávez por ter desarmado a maior parte dessas armadilhas - desde então.
Pensem numa desistência intempestiva de Serra. Marina ficaria numa posição difícil: concorrer como entidade figurativa apenas para legitimar Dilma ou desistir e ser inocente útil dos demotucanos? Se os dois desistissem, teríamos uma abstenção recorde e uma intolerável polarização do País. O gosto da vitória governista seria amargo. A imprensa escrita poderia formalizar a oposição que já faz e adquirir nova relevância como porta-voz de quem caísse na esparrela.
Vejam bem, não estou dizendo que vi indícios de que algo assim pudesse acontecer. Trata-se apenas de um exercício de pensar como o outro lado. O mais provável é...
vi. Nenhuma. Não há mais como fazer o trem de Dilma descarrilar. A oposição vai se concentrar em garantir São Paulo e Minas, em impedir um ocaso muito violento do PFL no Congresso, e Serra seguirá estoicamente em direção ao fim melancólico descrito por Marco Aurélio Garcia. As próximas declarações de Serra à imprensa serão cada vez mais desconectadas da realidade, quase autistas.
Bom, essas foram as hipóteses em que consegui pensar. Se alguém tiver mais, favor contribuir.
Perfeito! Mas o preço a pagar pela hipótese "v" (o "suicídio do escorpião") é alto demais. Não acredito que mesmo José Serra se arriscasse a entrar numa gelada destas.
P.S.: os neocons do "Casseta e Planeta" resolveram pegar no pé do Serra hoje, na coluna do Agamenon n'"O Globo". Em parte para disfarçar (são "neutros" e "democráticos"), e em parte porque a situação rende mesmo uma série de piadas (aquela de que o Serra cai tanto que vai acabar topando com os mineiros do Chile, por exemplo...). Amargas, mas... piadas.
Seria legal uma renúncia. Além de tudo, fujão! O curiculum do economista (?) ficaria mais brilhante, mais lustroso. Mas, já que ele esta vivendo uma esquizofrênica crise de identidade, batendo no Lula durante o dia e elogiando durante a noite, poderia encarnar um "Lula-Getúlio" e dar um tiro no peito. Ah, não, isso nunca ocorreria, isso é pra quem tem peito. Essa oposição é patética. Vai demorar uns bons anos para cairem na real e perceberem que a banda passou, assim como ocorreu na Venezuela.
Weden parabéns pelo artigo, mostra um poder de síntese dos assuntos discutidos aqui no blog soberba, mais ainda, o que tu escreves não precisa de copydesk ,vai para o prelo direto.
Por outro lado, e na essência do que escreveste, não penso que a mídia já teve poder no Brasil para construir algo, quando muito, força para chantagens e assassinatos de reputação.
O Poder real nunca passou pela imprensa brasileira, nem nas crônicas. Ela sempre foi o Circo da equação Pão & Circo.
Follow the money, follow the power.
OK, Mr. Sabichão, com ares de Marques de Pombal... Explica então pros pobres mortais aqui do blog soberba o MO do tal do Poder Real. Dê nome aos bois caso contrários vais parecer apenas mais um gaucho papudo. Grato.
Caro Robson, penso que existe um mal entendido entre nós, provavelmente provocado pelo meio de comunicação, que é frio, como o são as mensagens eletrônicas. Não sou dono da verdade e se sei alguma coisa é que eu sei que não sei nada. Deus tivesse me dado mais inteligência e sabedoria para melhor entender a alma humana e seu universo de sutilezas.
Quanto aos instrumentos de poder, eles são por natureza e segundo o Tao secretos, mas um ponto que não para de deixar rastro é o dinheiro, outra o uso do poder, assim,
Siga o dinheiro, siga o poder
Follow the money, follow the power.
saudade que eu tava desse menino!
e, como sempre, weden, análise perfeita. perfeita. você é muito bom, cara! (é um quase "o cara"!)
e deixo prá você um vídeo que mostra como este pessoal que sofre a síndrome de carolina está até pior do que este diagnóstico.
é inacreditável:
Willian Waak é o pior de todos os globais (exceto Kamel).
Waak é um golpista dissimulado.
Texto Brilhante!!!
Excelente, colei no meu blog, sem sua permissão.
Se não permitir, ups, já foi!
Entre veja,estadão,globo e folha e o lixo todss os inteligentes do Brasil preferem o lixo
O povo soberano está dando o seu recado.
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Parabéns a Weden pelo texto. Análise perfeita parar a simbiose grande mídia/candidaturaSerra.
Deve-se fazer exceção à TV Record que me parece está entendendo as mudanças, com a ampliação do mercado de massas e ascensão da chamada classe C.
Perfeito, Weden! Especialmente a finalização. Lembraria até outra mensagem também de mesmo teor: o "Pequeno perfil de um cidadão comum", do Belchior, especialmente quando ele diz "Era feito aquela gente boa, honesta e comovida, que caminha para a morte pensando em vencer na vida".
Clap! ....
...
Clap...
...
Clap! ...
...
Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!...
Weden!
Que bom que você está na área!
abraços
Maína J.
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