A revolução no Cefet

Por daniel diniz

Prezado Nassif,

assunto que tem me chamado muito a atenção é a insistência do Serra na questão do ensino técnico.

Sou professor de um Instituto Federal, antigo CEFET, e tenho acompanhado uma verdadeira revolução nessas escolas. Mas é revolução mesmo! São inúmeras as vagas abertas todos os anos para efetivação de professores, expansão impressionante do número de alunos, fundação de inúmeros campi novos, dinheiro para obras de infraestrutura (salas de aula, laboratórios, etc), verbas para pesquisa, a transformação dos centros em institutos (gerando aumento substancial do número de graduações tecnológicas e licenciaturas inclusive), melhoria salarial, perspectiva de crescimento tanto vertical como horizontal, reforço da assistência estudantil (com melhoria dos restaurantes universitários e com bolsas alimentação e trabalho para alunos necessitados).

No ensino superior, também, o quadro é impressionante. Dias atrás conheci o canteiro de obras da Universidade Federal os Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em Diamantina, e - sem exagero - fiquei boquiaberto... Parecia a construção de Brasília dada a quantidade e o tamanho dos prédios. Um campus inteiro brotando do nada, no meio do interior do país. Tenho notícia de que isso se repete em várias universidades e inúmeras outras escolas técnicas.

Nossos alunos, além disso, dada a política de valorização profissional a que nós professores estamos submetidos nas escolas técnicas, contam com professores mestres e doutores nas mais diversas áreas do conhecimento, inclusive nas disciplinas básicas. Um técnico em mineração que formamos hoje, por exemplo, em nosso campus, além de cursar as disciplinas técnicas com excelentes professores, possui aulas de filosofia, literatura, matemática, história, geografia, dentre outras, com doutores ou doutorandos formados pelas melhores universidades brasileiras, num quadro que tem se expandido rapidamente nos últimos anos e que tende a ser massificado em caso de continuação da política atual.

Então vem Serra dizer, diariamente, que vai investir em ensino técnico como se tivesse descoberto um grande filão, uma grande ausência do atual governo e como se não soubesse que a política do governo FHC para as escolas técnicas foi homicida: transferia para municipios e iniciativa privada tal modelo de ensino - algo tão furado que nem mesmo o governo de São Paulo, sob Serra, adotou.

Além disso, Serra parece realmente que não compreende que o filho das classes mais baixas e média baixa, e inclusive seus pais, não desejam que o filho se forme apenas um técnico e migre para o mercado de trabalho. Isso foi assim no passado. Hoje, nosso aluno sabe que sairá de nossa escola e migrará para a universidade pública.

Há cerca de um ano eu conversava com uma aluna nossa, excelente por sinal, que dizia que ao concluir o curso de mineração faria vestibular provavelmente para engenharia civil, pois seu pai era pedreiro e ela pensava que, formando-se na civil ela poderia, com ele, montar algum tipo de negócio em que aliasse seu conhecimento ao expertise do pai. Ela não falava isso como um sonho inatingível; antes, era uma realidade, uma opção dentre outras. Ela sabe que pode escolher pois há universidades por perto e há sua formação que é sólida, numa escola pública (e por isso, inclusive, é tão importante ter bons professores nas disciplinas básicas).

O que Serra finge não perceber é que muitos até sairão da escola técnica e migrarão diretamente para as empresas, mas isso será opcional e não destino único. O que não percebe, ou finge não notar, é que seu discurso sobre as escolas técnicas não cola entre professores, alunos, pais de alunos, vizinhos e familiares de alunos e professores da rede de ensino técnico e tecnológico no Brasil atualmente, sobretudo por que essas pessoas são muitas e estão espalhadas dada a capilaridade que somente no quadro atual se alcançou. P

ara quem discursa, então, o candidato do governo que entre 1995 e 2002 quase desmontou essa mesma rede que hoje diz querer expandir? Por que acreditar naquele que participou de um governo que quase não contratou professores e negou sistematicamente melhoria das condições salariais e de trabalho aos técnico-administrativos e professores da rede federal de ensino técnico e tecnológico e não naquela que representa o governo que não apenas salvou o modelo, como lhe deu estatuto legal (que não possuía), lhe dobrou o número de escolas e mudou, radicalmente, sua qualidade? Por fim, por que Serra fala indistintamente sobre isso sem que ninguém o questione ou duvide de suas boas intenções? 

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30 comentários
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Gustavo Belic Cherubine

Daniel, olha só o que o PR fala sobre o ensino técnico! Estava há muito querendo postar esse artigo aqui e creio que chegou o momento.

No estadão não dá para questionar o que segue abaixo, mas aqui no Blog do Nassif, dá.

Em SP conheço as Escolas Técnicas Estaduais (ETECs), e se há algumas, muito poucas, excelentes, a maioria é precária. As empresas estatais (as poucas que sobraram...) não empregam e nem se articulam com as ETECs, e não sei da capacidade dessa gestão em aproximar os estudantes das ETECs com indústrias e comércio. Pesquisa na FAPESP? Duvido que alguma ETECs faça pesquisa e se articule com a FAPESP. Trabalho de extensão com USP, UNICAMP e UNESP, para formação do técnico e a possibilidade dele estudar na universidade em cursos regulares ou  extraordinários? Duvido que exista, e quem souber, compartilhe.

ETECs e os organismos de bacia, que em sua maioria vão começar a cobrar pelo uso da água, podendo financiar pesquisas, ações, trabalhos das ETECs de SP, eu duvido que existe alguma aproximação e "estratégia" construída ou em construção...

Seria excelente debatermos o ensino técnico aqui, pois os dados do PR são eloquentes, acentua do discurso do candidato que ele apoia de que ele(s) "fizeram primeiro" e é um tema que será usado no horário eleitoral daqui a pouco.

Então, em busca da verdade, seria excelente dichavarmos o assunto.

Ah, eu DUVIDO desse PR aí embaixo...

Abraço, Gustavo Cherubine.

http://www.paulorenatosouza.com.br/reportagemmanchete.asp?id=493

O dever de falar a verdade Barra separadora

Data - 2/2/2010

Fonte - " O Estado de São Paulo"

A ministra e candidata a presidente Dilma Rosseff “omitiu, falseou dados sobre o ensino técnico e mentiu,” segundo artigo do deputado federal e secretário da Educação Paulo Renato, publicado no jornal “ O Estado de São Paulo”. Para o ex-ministro da Educação, quem “ pretende submeter-se ao julgamento das urnas tem o dever de pelo menos começar a falar a verdade sobre os outros e sobre si mesma" e a mentira não pode ser utilizada como tática eleitoral. Eis o artigo na íntegra:

O DEVER DE FALAR A VERDADE

Paulo Renato Souza

Falar a verdade, não falsear informações não é uma qualidade. É obrigação. Vale para a nossa vida pessoal e mais ainda para a vida pública. Mentir não pode ser considerado uma simples esperteza, um pequeno truque, uma “tática” para ganhar uma discussão. Ou uma eleição.

Recentemente, usando um ato administrativo como palanque eleitoral, a candidata a presidente, Dilma Rousseff, afirmou que os tucanos não dão importância ao ensino técnico profissionalizante. Em contraste, citou as intenções do atual governo de criar novas escolas técnicas. Omitiu e falseou dados. Mentiu.

Basta analisar os números sobre a expansão do ensino técnico federal, desde o início do governo Lula, e compará-los ao desempenho de apenas um estado da federação, no mesmo período. Segundo as informações do Ministério da Educação, em 2003 o número de alunos matriculados nas escolas técnicas federais era levemente superior ao da rede de escolas técnicas de São Paulo: 79 mil no Brasil inteiro e 78 mil nas escolas técnicas estaduais paulistas. Seis anos depois, em 2009, o Estado de São Paulo registrava 123 mil alunos nas suas escolas técnicas, contra apenas 87 mil nas escolas federais. Assim, entre 2003 e 2009, a expansão das matrículas no governo federal foi de apenas 9%. Nesse mesmo período, o ensino técnico público paulista cresceu 58%, sob o comando de dois governadores do PSDB – Geraldo Alckmin e José Serra.

Uma vilania repetida desde a campanha eleitoral de 2006 afirma que o Governo Fernando Henrique teria proibido por lei a expansão do ensino técnico federal no país. Como Ministro da Educação que cuidou desse programa, posso afirmar: mentira pura. A Lei 9649, citada como “prova” pelos mentirosos, dizia que novas escolas técnicas deveriam ser criadas pela União sempre em parceria com os estados, o setor produtivo ou entidades não-governamentais.

Essas parcerias tinham duas vantagens. Primeiro, garantir uma vinculação maior e mais ágil entre as escolas técnicas e o dinamismo dos mercados de trabalho locais, onde os empregos são efetivamente gerados. Segundo, era evidente que, em geral, nossas escolas técnicas federais ofereciam um bom curso de nível médio, que preparava, gratuitamente, os filhos da classe média alta para ingressar na universidade, mas não atendiam nem aos filhos das famílias mais pobres nem às necessidades de formar técnicos de nível médio para o mercado de trabalho. Por incrível que pareça, o modelo tradicional favorecia os filhos dos ricos e prejudicava os filhos dos pobres.

Criamos o Programa de Expansão da Educação Profissional – Proep – e obtivemos financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além de criar novas escolas técnicas estaduais e comunitárias, canalizamos investimentos para modernizar as escolas técnicas federais existentes com equipamentos e laboratórios. Devido a esses investimentos as matrículas nas escolas federais cresceram 41% apenas nos dois últimos anos do governo FHC, marca quase cinco vezes maior do que a alcançada em seis anos de governo Lula. É preciso esclarecer de uma vez por todas que expandir o ensino não exige sempre criar novas instituições. Muitas vezes, basta aumentar a capacidade das existentes.

Por si só, esses fatos e números reiteram a falta de compromisso da candidata oficial com a verdade.
Na mesma linha, em recente debate radiofônico, o presidente nacional do PT acusou o governo anterior de “privatizar” o ensino técnico. Nada mais falso. Entre 1998 e 2002, aprovamos 336 projetos de escolas técnicas, sendo 136 para o segmento estadual, 135 para o comunitário e 65 para as escolas técnicas federais. Ou seja, 60% dos projetos financiados pelo Proep se destinavam à criação ou modernização de escolas técnicas públicas, federais ou estaduais. O ex-governador do PT do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, pode lembrar dos inúmeros projetos de escolas técnicas estaduais que financiamos e inauguramos juntos durante seu mandato.
Os projetos do segmento comunitário visavam à criação, com o apoio financeiro da União, de escolas administradas por entidades sem qualquer finalidade de lucro, tais como centrais sindicais – a CUT entre elas – sindicatos patronais e de trabalhadores, fundações municipais e entidades eminentemente filantrópicas e culturais, como o Projeto Pracatum na Bahia. Nada disso, portanto, pode ser associado à fantasia de “privatizar” o ensino técnico.

A partir de janeiro de 2003, primeiro mês do governo Lula, o Proep foi bruscamente interrompido. O presidente nem deve ter sabido disso na época. Obras ficaram inacabadas e muitos projetos nem sequer foram iniciados. Em 2004, o Ministério da Educação devolveu ao BID 94 milhões de dólares, não utilizados!

Como seria difícil explicar, na campanha eleitoral de 2006, por que havia parado o programa de expansão do ensino técnico, o governo federal retomou os 32 projetos do Proep (de um total de 232 interrompidos). Num passe de mágica, promoveu sua “federalização”, criando “novas” escolas federais ou “novas” unidades nas existentes. Embrulho novo em presente antigo. Isso foi tudo o que o Ministério da Educação fez pelo ensino técnico, em seus quatro primeiros anos de gestão, fato que a ministra Dilma, na hipótese mais benigna, parece ignorar.

Agora, em fim de governo, busca-se recuperar o tempo perdido lançando projetos a toque de caixa, no velho modelo de escolas técnicas que ofereciam ensino médio para os ricos e muito pouco ensino técnico para os pobres. Não é o melhor que o País poderia ter, mas ainda assim é melhor do que nada.

Quem muito fala dos outros é porque tem pouco a falar de si. Mas quem deseja o respeito da população e pretende submeter-se ao julgamento das urnas tem o dever de pelo menos começar a falar a verdade sobre os outros e sobre si mesma.

 
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Arthur Vinícius

Eu, como ex-estudante do ensino técnico no CEFET-MG (campus I, belo horizonte), tenho que reafirmar a existência de um enorme esforço para com os CEFET's pelo governo Lula. Enquanto eu estudava (2004-2006), o CEFET virou um canteiro de obras (refeitório, biblioteca - que maravilha), ganhava mesas-carteiras novíssimas para todas as salas, estava recebendo novos equipamentos para os laboratórios, novos (e bons) professores. Meu irmão estuda lá agora e se beneficia dessas obras que estavam inacabadas na minha época - além de não ter que gastar um centavo na compra de livros (todos alunos recebem os livros didáticos).

 

Sobre as comparações feitas entre FHC x Lula nesse quesito, me assusto ao ler tal artigo (postado no comentário), e peço permissão para citar um trecho do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), que compara os dois governos:

"Antes, contudo, os respectivos antecedentes. As verbas de custeio e de pessoal da rede federal de educação profissional e tecnológica foram recuperadas, à semelhança do que se fez com a educação superior. Em 1998, o orçamento do sistema atingiu cerca de R$ 856 milhões, a valores de 2005. Naquele mesmo ano, o orçamento do sistema, já recuperado, atingiu mais de R$ 1,2 bilhão. De 1995 a 1998, não foi autorizada a contratação de um único docente ou técnico para o sistema de 140 unidades. De 2003 a 2006, foi autorizada a contratação de 3.433 docentes e técnicos administrativos. Foi deflagrado o maior processo de expansão da rede. Um dado simples dá a dimensão do que tem sido feito na educação profi ssional. De 1909 a 2002, quer dizer, em quase um século, foram autorizadas 140 unidades federais de educação profissional e tecnológica no País, pouco mais de uma por ano. De 2003 a 2010, serão autorizadas 214 novas unidades federais, ou seja, teremos realizado uma ampliação de 150% do parque federal de educação profi ssional e tecnológica em apenas oito anos." (PDE, pág. 33) - http://portal.mec.gov.br/arquivos/livro/livro.pdf

Continuemos a discussão!

 
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Anselmo Ferreira

Daniel,

Endosso o que falou e ainda reforço: vide os problemas que FHC trouxe para as empresas com tais atos de insanidade.

Quanto ao Serra, ele está da forma como sempre esteve, procurando se apropriar de idéias e projetos alheios e nos tratando como imbecis.

Dia 3 de outubro eles vão colher os frutos que plantaram, tão certo como 2 mais 2 são 4.

 
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Rapha Feres

Muito interessante o texto.

So tenho ressalva com relacao a migracao dos alunos de curso tecnico direto para a faculdade, quando se diz no texto: "...não desejam que o filho se forme apenas um técnico e migre para o mercado de trabalho". Nao que seja negativo fazer faculdade, mas temos que ter cuidado para nao desmerecer e tirar importancia do trabalho nivel tecnico. No meu ponto de vista o Brasil carece muito mais de tecnicos bem formados que engenheiros (carece dos dois, mas de tecnicos com mais urgencia).

Ja trabalhei em locais onde determindada atividade que era exercida por engenheiros (e todos se gabavam de poder contar com engenheiros para realiza-la) seria desenvolvida por tecnicos de forma muito mais eficiente e menos dispendiosa.

Cada um com seu cada qual.

Fazendo um paralelo com o curso superior e o curso tecnico: vi no Fantastico ha algum tempo uma reportagem sobre pessoas que procuravam emprego como secretaria (trabalho de escritorio), mas nao queriam de forma alguma trabalhar como costureira (trabalho manual, mal visto pelos outros), mesmo havendo muito mais vagas, melhores salarios e planos de carreira.

A atividade nivel tecnico tem que ser incentivada e vendida como uma carreira a se seguir, com boa enpregabilidade, bons salarios, potencial de crescimento, e como algo nobre e util para o pais, sendo a faculdade uma das muitas "possibilidade" futuras para o tecnico.

 
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esouto

De fato, a tendência no Brasil é de exigir diploma superior até pra varrer as ruas. Trata-se de uma distorção lamentavel. Falta no Brasil ainda uma valorização do ensino técnico, como opção nobre de carreira. Na europa você pode ter um diploma de técnico, trabalhar menos de 40 horas semanais, e receber um salário decente. Por quê no Brasil não? Enquanto não pararmos com isso de demandar formação superior para qualquer emprego ou concurso, mais desvalorizados ficam os diplomas técnicos.

 
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Chato Feliz

Há sim pessoas q abertamente o questionam, como vc por exemplo. Ocorre q a essas pessoas não é dado nenhum espaço nos mesmos veículos q divulgam essas opiniões do Serra. É o de costume...

 
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RBerbara

Daniel está certo. Muitos de nossos ex-alunos, com doutorado, experiência internacional, artigos publicados e pleno domínio das ferrramentas de investigação, estão sendo contratados aos milhares (sim, milhares) para IFETS, universidades e institutos de pesquisa (a Embrapa, por exemplo, com seu PAC específico, encerrou uma mega operação de contratação de profissionais de pesquisa e apoio técnico). Ainda ontem se anunciou na SBPC um aporte de quase meio bilhao (R$) na rede de pesquisa brasileira. Tudo muito bem. Entretanto, alguns fenomenos merecem atenção urgente, em especial nos IFETs. Esses doutores recem-contratados encontram nas chefias professores que quase sempre tem apenas o MSc. Muitas vezes nem isso.

zao é o fato da rede de ensino técnico ter sido sempre relegada às traças (em especial no período FHC, onde Serra foi o Min. Planejamento e referendou toda uma política de desqualificação dos profissionais de ensino). O problema do mérito aferido pela titulação está gerando tesionamentos internos na rede entre os novos e os mais antigos. Por outro lado, os relatos que nos chegam dão conta da resistência dos doutores recem-contrados em se adequarem às demandas tradicionais de um IFET, dar classes para alunos de 15-18 anos por exemplo. Ou realizar uma pesquisa aplicada às condiçoes locais. Na rede IFET, eles demandam dar continuidade aos projetos que desenvolviam nas grandes Universidades onde se graduaram (muitas inclusive internacionais). Repito: inúmeras tensões estao sendo contruídas hoje na rede IFET que merecem atenção uma vez que estão levando a mudanças na própria filosofia do ensino técnico. Caso continue como está, elas se assemelharão em futuro próximo bem mais com Universidades tradicionais que com os antigos CEFETs. Se este processo é bom ou não, é outra história.

 
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Rafael Madeira

É com orgulho que digo que estudo no IFES, eu tenho uma graduação na área de engenharia, mas faço um curso técnico em Geoprocessamento, que acredito estar agregando mais do que uma pós graduação, devido a qualidade doscente e carga horaria elevada. Meus Irmão estudaram no ETEFES, no CEFET, e eu agora no IFES(Espírito Santo). Mas eu não deixo de ter uma certa crítica ao sistema IFES, apesar de ser investimento em educação o que para o país será um avanço, acho que as escolas técnicas deveriam continuar sendo escolas técnicas, os investimentos nelas deveriam ser centrados em ampliar a rede de ensino técnico, em qualidade, variedade e quantidade. O ensino superior deveria ficar a cargo das IFES(Instituições Federais de Ensino Superior). Vejo que transformar as escolas técnicas em instituições de ensino superior deve ter tido facilidades burocraticas e não deixam de representar um avanço para a educação e Ciência&tecnologia.

vejo também que nesse país temos ainda uma desvalorização social do técnico perante o graduado, o ensino superior deve ter uma função social na construção do país e hoje tem a função de atender aos anceios dos pais de verem seus filhos "Doutores", temos agravantes como o programa Universidade Para Todos, entre outros. Transformar as escolas técnicas em instituições de ensino superior, alimenta a idéia de inferioridade do técnico perante a graduação, sendo que ambos tem funções distintas, o país precisa de ambos, mas precisamos de uma quantidade de técnicos muito maior. Mais uma vez temos politicas de governo acima de politicas de estado

 
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Bel Brunacci

Daniel, parabéns por sua análise! Também sou de um CEFET; fiz parte do grupo de trabalho do MEC que analisou e aprovou os projetos de implantação das escolas nos estados de todo o Brasil e coordenei as negociações com quatro prefeituras do interior de MG para que suas cidades recebessem novas unidades do CEFET. Não entendo por que é que essa expansão não tem visibilidade na mídia, pois como vc disse, trata-se de uma verdadeira revolução na educação profissional de nível médio.

Quanto ao fato de os alunos egressos dessas escolas exercerem o direito de prosseguirem ou não nos estudos, tenho um dado interessante: nos cursos de engenharia do CEFET em que trabalho - são mais de 10 - a maioria dos alunos vem de cursos técnicos e trabalham como técnicos para poderem se manter no nível superior.

Também acho que, para esse quadro descrito por vc caracterizar uma política pública bem-sucedida, falta apenas a complementação com uma política de valorização do profissional de nível médio, para que aqueles que optarem por não cursarem o nível superior possam ter garantias de uma vida digna com o salário de técnico de nível médio.

Nesse quesito, a gente vê que Serra está propondo fazer algo que já existe - e muito melhor do que os tucanos fizeram em SP - mas a mídia se baba de satisfação ao reproduzir suas propostas furadas.

 
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mcn

Há várias questões importantes quando se discute o ensino técnico hoje, no Brasil.

Quanto esse tipo de formação impacta na inserção do jovem no mercado de trabalho?

Um jovem egresso de um Cefet vai para o  mercado ou usa esta formação de altíssimo nível como um trampolim para acessar a universidade pública?

Recentemente o professor Marcelo Neri publicou o estudo "A educação prtofissional e você no mercado de trabalho", com alguns dados interessantes:

1. A educação profissional contribui para melhorar a inserção no mercado:
-  Ganho de ocupação de 48%
-  Ganho de formalização de 38%
-  Ganho de salário de 13% (sendo educação tecnológica de nível superior = 23%)

2. Prêmio da Educação Profissional, em função da escolaridade:
-  Ensino Fundamental completo – ganho salarial médio de 2%
-  Ensino Médio completo – ganho salarial médio de 11%
-  Ensino Superior completo – ganho salarial médio de 42%

3. A educação profissional não substitui a educação formal, mas, quando combinada com esta, alavanca, de forma consistente, as oportunidades de inserção qualificada (indicadores de ocupação e formalização).

4. Quanto mais alto o nível do curso de Educação Profissional maiores são as oportunidades de empregabilidade.

5. Os resultados de eficiência dos cursos (egressos que trabalham na mesma área de formação) de, no máximo 64%, apontam para a necessidade de maior convergência entre a oferta de educação profissional e o mercado.

O jovem parece ser o principal protagonista da educação dele mesmo, mas parece não se dar conta das conseqüências futuras de suas decisões educacionais no presente, por exemplo: parar de estudar, continuar estudando ou complementar sua formação com a educação profissional. Daí a importância de um esforço de comunicação dirigido para fazer chegar aos jovens estas informações, a fim de subsidiá-los em suas decisões.

O estudo pode ser acessado aqui: www.fgv.br/cps/proedu

 
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Mota

Excelente o comentário de Daniel Diniz. 

Aqui na Bahia, que, vejam só, tinha apenas UMA universidade federal, a UFBA, que estava sucateada fisicamente e com falta de professores e funcionários, como resultado do projeto dos governos PSDB/DEM. 

Hoje a UFBA muito cresceu, ampliando os cursos já existentes e criando novos. 

Além disso, foram criadas DUAS novas universidades federais, a do Recôncavo da Bahia e a do Vale do São Francisco, que abrange BA e PE.

 
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Ronaldo

Daniel, seu comentário corresponde à realidade. Há anos eu desenvolvo alguns seminários técnicos pelo país. E, onde possível, em parceria com CEFETs. Durante o governo FHC eu assisti ao total sucateamento destes centros de educação. Os professores não tinham a menor motivação, em sua maioria buscavam trabalho em empresas privadas como meio de sustento, com prejuízo na sua função de ensinar, uma vez que os salários estavam congelados e assim ficaram por 8 anos. Os edifícios caiam aos pedaços. As coordenações das áreas possuiam, quando muito, um computador, que precisava ser compartilhado entre dezenas de professores e centenas de alunos.

Ao contrário, no governo Lula, estres centros começaram a ser recuperados. Salas de aulas foram reformadas ou novas foram construídas, com equipamentos modernos. Os professores foram encaminhados para mestrados e mestres para o doutorado. Vi surgirem centros de informática e bibliotecas equipadas para uso dos alunos; salas de conferências e auditórios, também muito bem equipados.

Isto quer dizer que está perfeito? Acredito que não. Muito há que se realizar. Mas é incontestável a radical transformação destes estabelecimentos nos últimos sete anos e meio.  

 
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Policarpo Quaresma

Bem,está semana o portal R7 irá sabatinar o candidato José Serra.É possivel enviar perguntas ao sabatinado,proponho que todos os que querem ouvir explicações do candidato sobre este assunto  que envie suas perguntas ao portal.Quem sabe não conseguimos obter respostas sobre quais são as verdadeiras "idéias" do presidenciável para o setor?

Vamos la!

 
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Bernardo

"Além disso, Serra parece realmente que não compreende que o filho das classes mais baixas e média baixa, e inclusive seus pais, não desejam que o filho se forme apenas um técnico e migre para o mercado de trabalho. Isso foi assim no passado. Hoje, nosso aluno sabe que sairá de nossa escola e migrará para a universidade pública."

Isso era uma coisa que tinha que mudar. Gastar dinheiro com cursos técnicos para depois o cara não exercer a profissão não é uma política inteligente. Acho que o técnico tinha que ser mais valorizado. Um dos problemas hoje no Brasil é que falta técnico em várias áreas porque muito migraram para o ensino superior.

 
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Alexandre Ferreira

Estudei tanto na ETE (Paula Souza) e no CEFET SP, nas gestões tucanas e sei o quanto era ruim a infraestrutura dada aos alunos, embora os professores eram muito bons.

Lembro que fiquei 3 meses sem aulas devido a uma greve no CEFET, no qual prejudicou e muito a minha formação.

Sem querer fazer campanha contra os tucanos, posso dizer que pelo que se vê em SP o descaso dado ao ensino publico básico é um exemplo do que pode vir na esfera federal com a volta deles.

Espero que o povo de SP tb verifique friamente qual a melhor opção para Governador pq mais 4 anos de PSDB não dá.

 
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Fabiano

De fato, até hoje existiam em trono de 110 escolas técnicas. O governo abriu mais 200 (os números são mais ou menos esses). Lula não só abriu mais escolas do qeu qq outro presidente como abriu mais do que em toda a história.

Essa conversa do Serra é para pegar desinformados (o que talvez seja a maior parte da população).

 
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ederfco

Bom artigo do Daniel.

Eu estudei na antiga ETFGO, em Goiânia. Não seria nada, sem passar por 4 anos de minha vida nessa escola. O ensino era muito bom. Além do conhecimento técnico, tinhamos a oportunidade de praticar esportes, teatro, artes, organizar-se no grêmio estudantil. A infraestrutura, comparativamente a outras escolas públicas, era muito boa: laboratórios, computadores, biblioteca com grande acervo de livros, quadra poliesportiva, teatro, laboratório de música e outros.

A escola era referÊncia na cidade. Brincavamos que, com a carteira estudantil da ETFGO, tínhamos crédito em qualquer comércio. Normalmente, tínhamos respeito quando dizíamos que estudávamos na Escola Técnica Federal de Goiás. Conheço várias pessoas que estudaram lá ,e hoje são Juízes, Promotores, Auditores, Engenheiros, Empresários e, lógico, Técnicos, bem sucedidos. Todos reconhecem a importância desta escola.

Estudei no período de 1997-2001. O período de declínio das Escolas Técnicas. Foi um período dramático. Peguei 3 greves, em média de 3 meses, durante os quatros anos que estive por lá. Foram anos de truculência, insensatez do governo Fernando Henrique e a sua tropa ( Serra, Malan e outros). Lembro que nas Assembléias de servidores, o povo se apavorava com o projeto do governo de municipalizar ou estadualizar as Escolas Técnicas. Foram lutas bravas para barrar esse projeto.

Infelizmente, o gov. FHC editou uma lei, nº 9.649/98, que impedia a construção de Escolas Técnicas pela União.

Então pergunto: é esse governo que a grande maioria da população quer novamente?  Como Serra desconstruirá a herança maldida de FHC? Herança corroborada por ele, inclusive, nos apectos mais obscuros, como sua relação familiar com Daniel Dantas.

É certo que uma parcela reduzida, abastada, está maluca para o retorno do estado mínimo do PSDB. Incluindo seu mecanismo de controle popular, a mídia. A velha mídia, como bem diz Luis Nassif.

 
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Natercia

Esse é um trabalho para o Stanley ou para a Namaria (onde anda?).

Para refrescar a memória do nosso emérito Secretário de Estado da Educação, pode-se , por meio dos documentos abaixo, visualizar a lisura da administração da Secretaria da Educação Média e Tecológica, na gestão do falecido Ruy Leite Berger. Ver também o caso do CEFET de Belém.

http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/806484.PDF

http://nelsondovale.no-ip.org/files/ra175085.pdf

http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/806484.PDF

http://www.ticontrole.gov.br/portal/pls/portal/docs/805965.PDF

http://nelsondovale.no-ip.org/files/ra175085.pdf

http://www.camara.gov.br/sileg/integras/20124.pdf

http://portal2.tcu.gov.br/portal/pls/portal/docs/806544.PDF

 

 
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Luiz Antônio

Faço uma crítica quando se fala em levar doutores para lecionar para cursos técnicos. Nem sempre, para não dizer,na maioria das vezes, o Doutor é o indicado. Teria que ser profissionais de empresas, pelo menos, que trabalharam em chão de fábrica, como engenheiros, que sabem todas as manhas da função e têm condições de transmitir aos alunos. Turma nova escola aqui no RS onde contrataram Doutores e eles nem sabiam o básico necessário, como no tratamento térmico de materiais e o que há nas microestruturas desses materiais. Tanto que pediram que um técnico que está estudando engenharia lhes desse assessoria. O ruim, é que não é avaliado quem sabem mais PARA A FUNÇÃO, mas pelo título.

O Senai fez e faz sucesso por contar com profissionais desse tipo.

 
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Bel Brunacci

Só que há grande diferença entre os egressos do SENAI e os dos CEFETs: a FORMAÇÃO, que ultrapassa a filosofia de formação de mão-de-obra para suprir as necessidades estritas do mercado.

 
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Natercia

Nassif,

Nada melhor do que associar o que se tem conhecimento a utilização do Google.

Veja isso!

Sob Paulo Renato, escola cria o bolsa-avacalhação

JOSIAS DE SOUZA

DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

FSP 03/03/2002

De Paulo Renato para a Folha, duas semanas atrás: "Eu era o candidato [à Presidência" com maior capacidade de agregar os aliados". Desagregado, o tucanato negou-lhe até bilhete para a disputa ao Senado. Ótimo. Pode, agora, perseguir objetivo mais modesto: desatar encrenca que, por omissão, ajudou a criar.

Deu-se o seguinte:

1) há nove meses, aportou em Brasília denúncia de funcionário de uma escola de Belém. Chama-se Cefet/PA (Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará). Integra rede de 72 escolas técnicas e agrotécnicas espalhadas pelo país. Pende do organograma do MEC;

 

2) acionada, a Secretaria Federal de Controle, órgão de auditagem do governo, destacou seis fiscais para vasculhar os arquivos do Cefet/PA. Documento de 27 de novembro de 2001 contabiliza os primeiros achados;

3) levantaram-se: a) gastos de R$ 3,9 milhões sem documentos que os comprovem; b) desvios de R$ 604 mil; c) vestígios de manipulação de concursos; d) de falsificação de documentos; e) contabilidade paralela...;

4) meticuloso, o trabalho reconstitui, por exemplo, compra feita em 2000. Gastaram-se R$ 60 mil em computadores. Os auditores foram à loja (Alves Elétrico e Eletrônicos). Deram de cara com um açougue. A nota, segundo o governo do Pará, é gelada;

5) sob a alegação de que o Cefet/PA sonegava dados, os auditores pediram, no próprio relatório de 27 de novembro, o afastamento do diretor da escola. Chama-se Sérgio Cabeça Braz. Exemplo de longevidade: 18 anos no posto;

6) os investigadores pediram também o afastamento de cinco auxiliares de Sérgio Cabeça. Recomendaram, por último, que Brasília nomeasse um interventor para o Cefet/PA;

7) o Ministério da Educação caminhou em sentido oposto. No apagar das luzes de 2001, confiou a um Sérgio cuja cabeça mal se aguentava sobre o pescoço uma missão de R$ 3,8 milhões: a implantação de escola técnica em Palmas (TO);

8) sobravam pretextos para que Paulo Renato sacrificasse Sérgio Cabeça. Estruturadas como autarquias, as escolas do MEC sujeitam-se ao controle do TCU. E o tribunal rejeitara as contas de Sérgio de 1991 e de 1997. Julgou-as, respectivamente, em 1997 e 2000, sempre sob Paulo Renato;

9) rezam a lei e o bom senso que administradores carimbados pelo TCU devem ser mantidos longe das arcas. O ministro, porém, piscou para o azar. Havia reconduzido Sérgio Cabeça à direção do Cefet/PA em janeiro de 1999 e em janeiro de 2001. Sob protestos dos auditores, permitiu que sobrevivesse aos fogos que saudaram a chegada de 2002;

10) Paulo Renato alega que só soube das suspeitas que rondavam o Cefet/PA em janeiro. Ruim. Sua assessoria soube antes. Só em 1º de fevereiro, sob insistência dos auditores, Sérgio Cabeça foi exonerado. O ministro manteve a escola, porém, sob comando da velha equipe. Nada de intervenção;

11) saído do forno há dez dias, novo relatório dos auditores revela: montou-se no Pará uma espécie de bolsa-avacalhação. Pelo menos R$ 1,2 milhão escorreu de contas da escola no Banco do Brasil para contas particulares;

12) o repórter descobriu que, entre os beneficiários, figuram dois nomões do time de Paulo Renato: Ruy Leite Berger Filho, chefe da secretaria incumbida de supervisionar as escolas técnicas, e Manoel Mendes de Oliveira, coordenador de Planejamento da mesma repartição;

13) na conta de Ruy Berger pingou um depósito de R$ 5.000, em 29 de dezembro de 1999. Ouvido na quarta-feira, ele disse: "Em princípio, não era para ter nada. Vou verificar". Na quinta, entregou a Paulo Renato carta na qual informa ter sido procurado pelo repórter e pede afastamento por 60 dias. A que se refere o depósito? Prefere não dizer. Há outros repasses? Assegura que não;

14) Manoel Mendes, subordinado de Berger, foi premiado com três repasses vindos de Belém, entre março de 1998 e junho de 1999. Somam R$ 8.000. Procurado, não deu resposta;

15) entre os sócios do bolsa-avacalhação destacam-se funcionários que serviram ao diretor Sérgio Cabeça e continuam na escola. Maria Auxiliadora Gomes Araújo, chefe de gabinete da direção do Cefet/PA, beliscou R$ 225.830. Foram 31 transferências, entre 1998 e 2000. "Não sei de nada disso", afirmou ao repórter;

16) Pedrina Wânia Mesquita Gomes, irmã de Maria Auxiliadora, também lotada na direção da escola, petiscou nove repasses: R$ 48.168,97. "Não tenho conhecimento";

17) o professor Francisco Solano Rodrigues Neto abiscoitou R$ 73.575,40, em 13 cotas. "Você me pegou de surpresa. Preciso averiguar";

18) até Wilson Tavares Von Paumgartten, que dirige interinamente a escola desde a exoneração de Sérgio Cabeça, figura, modestamente, na lista: R$ 1.000, em 17 de dezembro de 1999. "Não sei disso";

19) O diretor afastado Sérgio Cabeça e cinco ex-auxiliares contrataram o advogado Inocêncio Coelho Filho. Ele acusa os auditores de "agirem com parcialidade". Tenta responsabilizá-los criminalmente. Quer melar a investigação;

 20) na sexta-feira, Paulo Renato fez por pressão o que não fizera por convicção. Afastou Ruy Berger por dois meses, acomodou no lugar dele Pedro Paulo Poppovic, abriu sindicância e nomeou, finalmente, o professor Paulo de Tarso Costa Henriques para intervir em Belém. Manoel "R$ 8.000" Mendes foi poupado;

21) para reforçar o cheiro de queimado, o TCU informou que Ruy Berger foi condenado, junto com outras três pessoas, a devolver R$ 120.500 enterrados indevidamente num programa de "modernização" de escola técnica do Espírito Santo. É confusão velha. Vem de 1995. Mas Paulo Renato diz que ficou sabendo agora. Berger recorreu;

22) o TCU analisa caso idêntico ocorrido no Piauí, também em 1995. Pelas mesmas razões, Berger é réu num inquérito em Mato Grosso. Tenta-se reaver R$ 590 mil em gastos supostamente ilegais;

23) moral da história: em certos casos, Paulo Renato há de concordar, é melhor agir duas vezes antes de pensar.

 

 
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Anonimo0

Pelo que sei, sabes o que aconteceu: O PROFESSSOR DENUNCIANTE FOI DEMITIDO. E a turma toda não é tucana, mas petista.

 
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Celio Mendes

De todas as imposturas de campanha do Serra até agora essa é a mais cruel, o governo tucano foi particularmente incompetente no trato da educação pública, a aposta no ensino privado e  sucateamento do setor público foi a marca da gestão FHC, uma ironia para um individuo que construiu a carreira em cima do sistema público, esse pessoal confia no mito de que o eleitor brasileiro não tem memória.

 
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zurconil

Prezado Diniz, tenho um amigo, que é professor em uma universidade federal, e que me afirmou que o seu "post" é uma deslavada mentira. Segundo ele, a CEFET do Rio, que é uma das mais ricas, não está com essa bola no título professores, laboratórios e nem em currículo. Mais afirmações: " Pode ser que exista alguma obra de fachada para servir de propaganda, mas está muito longe do que este cara diz. A propósito, não acredito que o Serra vá fazer alguma coisa. Os cursos técnicos quase foram destruídos no governo Fernando Henrique. Mas dizer que eles agora estão ótimos é uma tendenciosidade escandalosa."

Pergunto: onde posso ter dados para contrapor essas afirmações. Abs. zurconil. 

 
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daniel diniz

Prezado,

De fato, uma estrutura que ficou anos a fio desguarnecida não se transforma absolutamente de um dia para o outro. O importante é o processo de transformação estar ou não acelerado. Falo, por exemplo, do Instituto em que trabalho. Nele, em nosso campus, na cidade de Ouro Preto, todas as salas de aula estão sendo reformadas, recebendo computadores e data-show (um por dala de aula). Há um prédio novo sendo construído para as graduações e dois já aprovisionados para serviços gerais e novo restaurante universitário. Já orientei alunos pelo PIBIC/CNPq, pelo PIBIT/CNPq (bolsa de iniciação científica do ensino médio) em projetos relacionados à unidade em que leciono, bem como possuo orientandos ligados à bolsa trabalho e bolsa monitoria. Sou professor de história e, então, montamos um Centro de Memória que recebeu estantes e prateleiras novas, dois computadores, sala, etc para funcionar. Todos os nossos alunos recebem material didático à farta (tanto o livro didático do MEC como material extra que produzimos na gráfica da escola, praticamente ilimitado e gratuito para o alunado). Possuímos estrutura esportiva invejável, boa parte dela reformada nos últimos anos. A melhoria salarial foi visível nos últimos anos. Quando eu ingressei, a cerca de dois anos, havia em minha área cinco professores efetivos, hoje são doze (mais que dobrou em dois anos!!!). Há quem se doutora em lugar estranho, como sugere um comentário abaixo? Há. Mas a maioria é sim pós-graduada nas melhores universidades brasileiras (em minha área de trabalho: Unicamp, UFMG, USP, UFV, por exemplo). É claro que muita coisa ainda precisa ser feita, muita mesmo. Mas me parece, efetivamente, que estamos no caminho correto. Agora, não posso falar pela unidade específica do seu amigo pois sabemos que existem, também, problemas específicos de gestão nas unidades que podem atrapalhar o processo (não sei se é o caso).

 
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Historiador

Olá a todos,

 

 Estudei no Cefet-RJ em 1992 e 1993 na turma de Construção Civil, no 1o. ano a turma enfrentou a falta de verbas (inclusive nas aulas práticas no canteiro de obras), reflexo do desastre da adminstração Collor, que graças à mobilização da sociedade civil (inclusive estudantes do Cefet-RJ) foi derrubada. Já em 1993 houve uma ligeira melhora com Itamar Franco como presidente, e o seu ministro da Educação, Murilo Hingel, mais sensível às demandas do instituto. A maioria dos meus colegas que se formaram em 1995 dizem que FHC foi péssimo para a escola técnica, pois ele separou o ensino técnico do médio e proibiu novas contrataçõs via concurso público, apelando para a famigerada terceirização. Além disso muitos dos formandos dessa época tinham dificuldades em arrumar emprego pois não havia a quantidade de obras que atualmente existem. Quanto a questão do nível superior, a grande maioria (inclusive este que vos fala), fez curso superior em várias áreas, mesmo aquelas que não têm nada a haver com a área técnica como História por exemplo.    

 
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Anonimo000

O MEC acaba de determinar que para efeito de concurso público curso tecnológico vale como superior. Em turma de mais 70 alunos de universidade pública que tenho, mais da metade desses não estão estudando para exercer a licenciatura de fato, mas assumir um emprego público. Havendo caso em que ele já foi até provado e tem adiado a nomeação por não ter ainda o diploma de nível superior.

 
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anonimo

O que estais delineando tem uma indução: pobre que se contente em fazer curso técnico e a elite faz curso superior. Sabe qual é o bom do engenheiro: ele só assina o projeto, mas é o técnico quem vai pegar no pesado. Sabe qual é o mais pesado nisso: lidar com peão. Se sair para tomar um cafezinho, quando voltar tem coisa para desmanchar e ser refeita. Enquanto isso, o engenheiro pode ir curtir sua casa de campos, tomar sua cerveja gelada, etc, etc, Se a jovem que voc~e citou fizer o que promete, eu tenho um palpide: ela vai ter o diploma de engenheira, mas não vai saber  colocar  uma viga da porta.

 
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Anonimo

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Como melhorar a Educação?

Artigo publicado em  28/07/2010 no jornal  VALOR ECONÔMICO

28-Jul-2010

 Depois, diga como é possível fazer tantas maravilhas como se diz aqui com ensino superior. E olhe que ainda não disseram que logo que os cefets foram transformados em institutos de ensino superior, quase todo mundo tirou título de mestrado. Alguns viajando de Campina Grande para ir asistir aula  em Fortaleza, saindo sexta pela tarde e na segunda seguite pela manhã já estava dando aula em.. Campina Grande.

 
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anonimo000

Hora do riso. Acabou de sair as vagas para docentes para os Institutos, antigos CEFET

  http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?data=03/08/2010&jornal=1&pagina=25&totalArquivos=84

Para quem  não lembra, o governo federal é petista e o ministro só deve se comportar como tal, e nisso é espetacular.

São Paulo - Governo PSDB, tem um grande quantitativo de escolas tecnológicas estaduais, as mais bem qualificadas universidades são estaduais, tem investido maiúsculo nessa área e o governo federal não tem nenhum projeto de peso para essa Estado que precise sequer desesperadamente de mão de obra. O trem bala ó não projetado para ficar circulando dentro do Rio porque a quantidade de gente que iria usar só para ir e voltar ao mesmo ponto, tornaria inviável financeiramente. Quantidade de docente que o MEC disponibilizou: a maior de todas, 271;

Pará - Goiverno petista, quase não há escola técnica estadual (isso por conta de mais de 2 milhões de anos de descaso), o atraso educacional é um dos maiores e o governo federal tem um dos projetos mais ambiosos para essa região: Belo Monte. Quantidade de docente disponível: 148 .

As minhas previsões: SP vai aparecer ter mais doutor concursado. No Pára, se preencher com graduado, vai ser mais do  que milagre. Pelo simpes fato de que há coisas que precisam de outras precedendo-as

 

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