A relativização dos Direitos Humanos

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Critico, e sempre critiquei, o monopólio de partido único em Cuba. Do mesmo modo acho inaceitável prisões de pessoas por "crimes de consciência", ou seja, somente porque seus agentes são contra o regime, estejam eles errados ou certos. Do mesmo modo que avalio como uma castigo(se é que podemos usar esse termo) desproporcional, se não injusto, o boicote que os EUA fazem à Ilha há cinquenta anos, ainda por conta de contensiosos da guerra-fria.

Agora, a partir daí ficar, de maneira cínica e hipócrita, como o faz a grande imprensa brasileira e alguns segmentos conservadores da sociedade, centrar fogo apenas em Cuba e esquecer, numa também instrumentalização ideológica criminosa da causa, é inaceitável .

Foram mais do que pertinentes as alegações da presidenta: direitos humanos não podem servir de munição para o anacrônico debate ideológico remanescente da guerra-fria. E, reconheçamos, não temos autoridade moral nenhuma para ficarmos tocando trombetas como se fóssemos uma Suécia abaixo do equador. 

Se temos instituições atuando de forma inteiramente independente, uma imprensa livre, organização sindical, ou seja, alguns instrumentos que nos permitem auto-denominarmos como uma democracia FORMAL, mesmo assim ainda estamos longe, muito longe ainda, de alcançarmos o ponto ideal de uma sociedade mais equitativa e justa. Mesmo porque ela só se consolida na prática e não em meras intenções.

E os contra-exemplos diariamente se sucedem numa prova inconteste das nossas deficiências tanto em termos de omissão, como em ação mesmo, como foi esse inominável caso de Pinheirinhos. E os que não sabemos ou que não recebem tanto foco como este citado?  E as prisões abarrotadas e degradantes, mais próprias para a Ilha do Diabo, para o qual o sistema penal francês no final do século XIX mandava seus condenados? E os milhares de abandonados moradores de rua? E a exploração do trabalho escravo, mesmo que de forma residual? São tantas as ignomínias que faltaria espaço para citá-las na totalidade.

Direitos humanos mão podem, nem devem, admitir relativizações. Ou a dignidade de um encarcerado por crime comum é menor que outro por razões políticas? Ou a perseguição que sofre uma blogueira cubana por contestação ao regime de Castro é menos torpe do que a que é feita a um similar aqui no Brasil por incomodar o Poder político ou econômico? Ou a "consciência" deve ser livre apenas para contestar regimes políticos? 

Comparar regimes políticos vá lá que seja. Clamar pela inserção na nossa política exterior de posições claras acerca do tema, nada contra. Não obstante, querer impor ao país um papel de feitor do mundo, de exator de  obrigações morais, impulsionados apenas pelo ranço ideológico, isso NUNCA. Tal expediente já foi tentado(aliás, ainda é) e o resultado esperado foi o inverso.

Os exemplos históricos são incontáveis. Primeiro a dita civilização ocidental judaica-cristã:

Na segunda-guerra, os EUA e a Inglaterra alardeavam nas suas peças propagandísticas, tipo "Por que lutamos?", que se batiam contra as tiranias e regimes que atentavam contra os direitos do Homem. Entrementes, em "casa", a pátria da liberdade segregava seus negros. Até para morrer estes eram "diferenciados": tinham que lutar em batalhões raciais. Já a Velha Albion se apegava a um império colonial anacrônico e esmagador de todas as liberdades nos continentes africano e asiático. O Brasil de Vargas, onde vicejava uma ditadura cruel, mandou pracinhas morrerem na Itália para combater.......as ditaduras. 

Já o lado que prometia um "Novo Homem" criou Gulags antes mesmos dos nazistas instalarem  os seus campos de extermínio. Massacrou milhões por conta de um ideário que nos conduziria no final ao paraíso terrestre.

E ambos assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos!

 

 

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38 comentários
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franklin

Nassif, fiquei sabendo hoje, que está marcado para dia 06/03 a Repetição de Pinheirinho, só que em Carapicuiba, numa comunidade chamada CAMPO DO BAHIA. Tem a mesma quantidade de gente ou mais que o Pinheirinho. Pode pegar informação da secretaria de Segurqança sobre isso?

 
 
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Geraldo Siqueira

            E quando o governo brasileiro condenou o golpe em Honduras, apoiando o presidente deposto Zelaya, a nossa imprensa caiu de pau,,,,,,no nosso governo!

            

 

Geraldo Siqueira

 
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Pedro Pereira

 


   Senhor JB Costa, obrigado por esta aula tão pertinente e lúcida, é por estes momentos significativos que este blog a cada dia aumenta no conceito dos seus frequentadores. Eu em particular tenho muito aprendido com o Sr. Luis Nassif e os diversos comentaristas.

 
 
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José Antônio Araújo

Bem dito JB Costa!!! Assino embaixo!!!

 

José Antônio

 
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René Amaral Jr.

Eu também!

 
 
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Luis Fraga

Idem ibidem

 

"Tudo que é demais, é muito meu filho" - Uma senhora muito velhinha do interior de Goias.

 
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Sérgio D.

Excelente texto.

Uma sensatez semelhante não se encontrar hoje em dia na grande mídia e, assim, o público geral ter dificuldades de de enxergar além do circo montado pelos mais freqüentes formadores de opinião.

 
 
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economista_frustrado

 Um regime que não permite ou limita a palavra dos seus críticos é inadmissível. A liberdade de crítica à atuação governamental é uma ferramenta inigualável no aperfeiçoamento do Estado e da própria sociedade. Não há bem estar imediato nenhum que justifique cassar a liberdade da palavra a quem critica o regime. Não interessa qual o País ou o tipo de sistema produtivo adotado.

Por outro lado, a malandragem daqueles que vivem em simbiose com a desgraça. Alimentam a hidra fingindo combatê-la. São na verdade irmãos siameses, que extraem o seu sustento e sua longevidade do radicalismo da platéia.

 
 
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Adjutor Alvim

Direitos humanos são, sim, relativos.

Variam de acordo com o contexto histórico e social que se situam.

E dificilmente são consenso entre todos os agentes componentes de uma sociedade.

A Declaração de Direitos do Homem da Revolução Francesa teve versões diferentes de acordo com quem tinha maioria na Assembléia.

Se uma religião obriga a uma mulher usar um traje, isto poderá ser visto como uma liberdade de opção religiosa pela mulher ou uma opressão das lideranças religiosas.

Se o direito à vida é um direito absoluto, qualquer estado que tenha pena de morte é anti-democrático?

Sob a ótica dos direitos humanos, onde se situa o aborto e como ele deve ser regulado?

O Brasil não deve julgar a política interna cubana justamente porque não podemos tentar impor nosso modelo de sociedade a nenhuma outra, assim como não podemos aceitar que nos imponham modelos externos.

A imprensa erra ao pressionar o governo brasileiro para que haja absolutamente dentro das regras ditadas por EUA e UE, sabidamente guiadas pelos interesses geopolíticos desses países e, muitas vezes, sequer seguidas por eles. A imprensa brasileira quer que nosso governo seja muito mais realista que o rei e é incapaz sequer de exigir que o governo brasileiro trate como ditatura, por exemplo, a Arábia Saudita.

Mas também erram PT/Lula e mesmo Dilma ao tratar o regime cubano com uma proximidade que extrapola os limites das relações entre estados. Uma coisa é Lula tratar com uma certa informalidade lideres como Bush/Obama e Fidel/Ahmandinejah, outra coisa é permitir que a simpatia, até compreensível, de nossa esquerda por Cuba transforme relações diplomáticas em relações quase que pessoais. Não vejo motivo da visita de Dilma a Fidel. Ela, ao contrário de Lula, não tinha relações próximo com o líder cubano que nem exerce mais funções no governo. Na minha opinião, uma simples mensagem de simpatia seria suficiente para demonstrar a solidariedade do povo brasileiro (e não pessoal de Dilma) com um lider historico.

 

 
 
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tnetz

Não, a Convenção de Viena sobre Direitos Humanos de 1993, cujo relator era brasileiro, afirmou que os direitos humanos são universais (portanto não relativos), indivisíveis, interdependentes e inter-relacionados

 
 
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Adjutor Alvim

São relativos no mínimo em relação à sua época. Ou seriam os direitos da convenção de 93 iguais aos da Revolução Francesa?

E o o direito ao aborto? É uma questão de direitos humanos? Como ele se apresenta de forma indivisível? E interdependente?

E o direito à vida nos países que tem pena de morte? Se fosse tão absoluto, os países que a praticam deveriam receber sanções, não acha?

 
 
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lpopi

[ Mas também erram PT/Lula e mesmo Dilma ao tratar o regime cubano com uma proximidade que extrapola os limites das relações entre estados] Isso se o Brasil já não tivesse mais de  R$ 1 bi emprestado para Cuba.


 


 

 
 
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Donizeti - SP

Excelente artigo JB, escancarou várias hipocrisias históricas e também da atualidade na matéria.


A Presidenta Dilma está se revelando, colocou o dedo na ferida dos hipócritas da grande midia nacional, em matéria de direitos humanos:  aqueles países que atiram pedra, tem o teto de vidro.


E na atualidade dos direitos humanos, nenhum país do mundo em um teto de vidro tão grande como os Estados Unidos, que na matéria praticam o : façam o que eu digo e não o que eu faço.


Os americos usam a ladainha dos direitos humanos para defenderem seus interesses politicos e economicos, nada mais que isso, falar em direitos humanos quem invadiu e destruiu a infraestrutura um país (Iraque) baseados em mentiras, capturou e enforcou seu dirigente, não pode dar lição para ninguém em questão de direitos humanos.

 
 
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Fabio SP

O Alckmin e o prefeito de SJC pensam do mesmo modo... 

 
 
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Haertel

Irretocável.

 
 
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Jotavê

Quando instrumentalizamos algo, seja lá o que for, reduzimos o valor intrínseco que essa coisa tem. É por isso que nos revolta, por exemplo, ver alguém tentando instrumentalizar a amizade que tem conosco para conseguir algo (um emprego, dinheiro, ou seja lá o que for). Se essa pessoa transforma a amizade em mero instrumento para atingir um certo fim, mostra com isso que não dá tanto valor à amizade em si mesma quanto àquilo que, por intermédio dela, está buscando conseguir.

É isso o que tem acontecido com a democracia. O uso ideológico que se faz dos valores democráticos acaba revelando o profundo menosprezo que muitas pessoas, no fundo, têm por esses valores. Não é acidental que muitas delas defendam retrospectivamente o regime militar, justificando a ditadura pela necessidade de combater o comunismo na América Latina. São os mesmos que saem por aí exigindo que Dilma Rousseff dê declarações a respeito de Cuba (quando nunca ninguém os ouviu, nem ouvirá exigindo dela ou de Obama declarações a respeito do regime da Arábia Saudita). 

O paradoxo é apenas aparente. Por trás da defesa da ditadura dos militares e da instrumentalização da luta pela democracia esconde-se exatamente a mesma coisa: um profundo desprezo pelos valores democráticos, e a crença de que aquilo que é realmente importante e decisivo na vida de uma nação é feito e decidido por poucos. A democracia é, para essas pessoas, apenas um mecanismo de legitimação movido a propaganda. O que os incomoda em Cuba não é de forma alguma a ausência da democracia, mas a presença de um regime econômico com o qual não concordam (com boas razões, talvez). Estivesse Fulgêncio Batista, e não Fidel Castro, no poder, ninguém se lembraria de pedir declarações condenatórias à presidente. Se alguma fosse feita, aliás, não duvido de que mais de uma voz iria insurgir-se contra tamanha falta de pragmatismo.

 
 
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Inforo

O que esta acontecendo com vc JV? é o 3º comentário seu que eu concordo em 24hs...kkk

Resumindo, para os "democratas" do norte, ditadura só são boas quando forem patrocinadas e sustentadas por eles. Ou se preferir, os presos dos outros são politicos, os deles são terroristas. Ou melhor, matar civis em outros países são danos colaterais, nos deles é terrorismo. Uma melhor ainda, genocídios praticados por aliado é segurança, por inimigos é barbárie. O comunismo só é bom quando tem 1,5 bilhões de consumidores.

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Jotavê (quarta-feira, 01/02/2012 às 21:51),


O tema do post "A relativização dos Direitos Humanos" de quarta-feira, 01/02/2012 às 20:19 bem desenvolvido por JB Costa trouxe bons comentários para o debate. Gostei particularmente do seu, mas tenho minhas ressalvas.


Não creio que a instrumentalização em si de algo reduz o valor intrínseco desse algo, Pode até o valorizar.


Exemplo: Sou a favor da igualdade, sou contra o liberalismo, mas me provaram cientificamente que o liberalismo é a única forma de alcançar a igualdade (Não creio que conseguiriam esse feito), vou então instrumentalizar o liberalismo para alcançar a igualdade.


Outro exemplo, tenho uma amizade que cultivo, creio e prezo. Estando em necessidade instrumentalizo a amizade. Não creio que assim a desmereço ou reduzo o valor intrínseco dela.


Outro exemplo. Vejo o Estado como um instrumento de dominação capitalista. Ao mesmo tempo percebo que o Estado pode ser instrumentalizado para que se possa superar o capitalismo. Enfim, creio que o Estado é instrumento de dominação dos poderosos, não gosto do Estado como instrumento de dominação e penso ser possível utilizar o Estado como instrumento de superação da dominação. De novo não considero que estou reduzindo o valor intrínseco do Estado. Ao contrário, aos meus olhos estou valorizando-o.


E menciono agora embora não tenha relação com o seu comentário a Lei de Godwin que na Wikipédia está assim:


“À medida que cresce uma discussão online, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou nazismo aproxima-se de um (100%)".


E este complemento:


"Há uma tradição em listas de discussões e fóruns que, se tal comparação é feita, é porque quem mencionou Hitler ou os nazis ficou sem argumentos".


O endereço na Wikipédia é:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Godwin


Lembrei-me desta lei quando li hoje, quarta-feira, 01/02/2012, na Folha de S. Paulo a coluna de Igor Gielow, intitulada "Dilma na ilha". Diz ele lá em um dos parágrafos:


"Não há esquerdista que não se derreta pela utopia dos Castro. Citar Guantânamo? OK. Quero ver agora a presidente falr contra as masmorras cubanas quando visitar Obama".


O que me chamou a atenção no parágrafo não foi a Lei de Godwin, mas a falta de lógica no argumento de Igor Gielow.Era como se Cuba tivesse as masmorras dela lá na ilha de Manhattan.


O texto de Igor Gielow foi no mesmo diapasão e como ele tinha que agradar os patrões ele tacou lá para terminar a coluna o seguinte no seu último parágrafo:


"Sempre que a cantilena começa, lembro-me daquela propaganda genial da Folha nos anos 80, em que avanços promovidos pelo nazismo eram elencados enquanto entrava em foco a imagem de Hitler. "É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade", dizia o reclame".


É talvez a empresa do jornal Folha de S, Paulo ou a agência de propaganda tenha intuído, ainda na década de 80 e, portanto, antes da Lei de Godwin, o que na década de 90 virou "tradição em listas de discussões e fóruns" e resolveu suspender o reclame antes que os outros percebessem que ela estava sem argumento. É claro que como um bom filósofo você pode alegar aqui que coube a mim mencionou Hitler primeiro e, portanto, é a mim a quem faltam os argumentos.  E você deve estar certo, pois realmente eu não tenho mais nada a dizer.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 01/02/2012

 
 
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Ricardo CP
 
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Fabio SP

Por acaso ele está em algum tipo de cárcere?!? Como o cubano estava?

 
 
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Eva

Obrigada Ricardo!

Estava mesmo querendo saber informações desse rapaz que faz greve de fome. As imagens que ele fez em Pinheirinho são mesmo muito fortes, assim como é forte o silencio e a hipocrisia da midia!

obrigada mesmo!

 

“O que me amedronta, não é o grito dos maus, mas o silêncio dos justos” Martin Luther King

 
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Ricardo CP

Que bom que a informação postada foi útil! Agora há pouco vi que até o Yahoo noticiou. Os blogs "sujos", incrivelmente, nada. Acho que temos agora é que convencer o bom rapaz a parar a greve de fome. O Pig não merece este sacrifício, a saúde dele é muito mais importante!

 
 
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Leo V

Importantíssimo divulgar o que de fato está por trás do massacre da torcida do Ahly no Egito.
Para quem não sabe as torcidas organizadas do Cairo estavam na linha de frente de enfrentamento com a polícia na revolução em curso no Egito (relato sobre esse contexto aqui: http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2011/11/brasileiro-relata-conf... )

Torcidas e política no Egito: um massacre

Muitos companheiros estão dizendo que isto é uma punição coletiva, organizada pela polícia, para se vingar dos torcedores do Ahly, que estiveram nas linhas de frente dos confrontos com a políciaPor Aldo Cordeiro Sauda


phpupuves-300xHoje, 1º de fevereiro, morreram 73 companheiros da torcida do Ultras Ahly, a maior torcida organizada do Egito. Foram assassinados pelos torcedores do Massry, um time de Port Said. Antes do jogo começar foram espalhados boatos em Port Said de que os torcedores do Ahly estavam armados e iriam atacar e destruir a cidade. De acordo com alguns jornalistas, estes boatos fizeram com que os torcedores do Massry, com medo de serem massacrados pelos torcedores do Ahly, se armassem para enfrentar seus inimigos. O Massry é um time relativamente pequeno quando comparado com o Ahly (o maior) e o Zamalak (o segundo maior).

Já fui a jogos com a torcida organizada do Ahly. Eles são extremamente pacíficos em relação às outras torcidas e muito politizados. Esta torcida está presente desde o início das mobilizaçõe na Praça Tahir e, ao lado da torcida Ultras Zamalak, promoveram uma fusão entre as torcidas organizadas e agora se apresentam como ”Ultras Freedom”, ou seja “Ultras Liberdade”. No início do jogo de hoje começaram a ofender do Marechal Tantawi, chefe da Junta Militar egípcia que preside o país.

O ataque aos torcedores do Ahly provocou uma reação da torcida do Zamalak. Alguns relatos contam que, em solidariedade aos que caíram, eles atearam fogo no Estádio do Cairo. Outros relatos informam que a torcida do Zamalak, principal rival do Ahly, falou que irá marchar até à cidade de Port Said para defender seus companheiros do Ultras Ahly que estão sendo massacrados pela polícia e pelos torcedores do Massry. É mais ou menos o equivalente à Mancha Verde [Torcida do Palmeiras] atear fogo no Pacaembu [estádio municipal de São Paulo] em solidariedade a um massacre da Gaviões da Fiel [torcida do Cortinthians] em um jogo contra o Sport Recife.

php7l29xx-300xMuitos companheiros estão dizendo que isto é uma punição coletiva, organizada pela polícia, para se vingar dos torcedores do Ahly, que estiveram nas linhas de frente dos confrontos com a polícia. O fato é que em todas a imagens podemos ver a polícia apenas assistindo ao massacre, o que é confirmado pelo relato de todas as testemunhas.

É provável que este episódio desencadeie um processo de vingança, porque, pela tradição familiar egípcia, é uma questão de honra vingar seus primos mortos. O massacre gera então um processo de destabilização das Ultras, importante grupo na Revolução Egípcia.

 http://passapalavra.info/?p=52090

 

Comentários

3 Comentários on "Torcidas e política no Egito: um massacre"

  • André Lima em 1 de Fevereiro de 2012 23:02 

    Isso é verdade? Só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Melhor explicar melhor por que guerra de torcidas já é coisa de cretino, neste nível então…
    Será q não é notícia plantada pra desmoralizar o povo egípcio? De repente uma torcida é de ricos e a outra de pobres. Tá muito esquisito isso aí.

  • Passa Palavra em 1 de Fevereiro de 2012 23:35 

    André Lima,
    Não está nos nossos hábitos divulgar falsa informação.
    A notícia é exata e nos foi comunicada hoje mesmo, a partir do Egito, pelo autor do texto.
    Quanto aos motivos do massacre, eles estão indicados no texto.

  • Passa Palavra em 2 de Fevereiro de 2012 00:56 

    Neste momento ocorre um ato em solidariedade aos mortos. Concentraram-se em frente a sede do clube, inicialmente com 300 pessoas, e foram caminhando até a estação de trem. Os relatos indicam que o ato não para de crescer e não sabemos ao certo quantas pessoas estão lá neste momento, agora o ato se dirige a uma delegacia de Polícia. Entre os manifestantes existe a certeza que o massacre foi obra de agentes provocadores.
    Apesar de alguns gritos contra Massry, a grande maioria dos cantos exige a execução dos generais que comandam a junta militar.

 
 
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Giovanini / RJ

Outro texto belíssimo foi escrito pelo historiador e jornalista esportivo Lúcio de Castro, da ESPN Brasil. Vale muito dar uma lida. Link logo abaixo

http://espn.estadao.com.br/luciodecastro/post/238103_A+BLOGUEIRA+QUE+VIR...

 
 
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leonidas

Texto muito bom.

 

leonidas

 
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veras

Porque até agora não foi dado destaque a essa notícia?


Do Viomundo

1 de fevereiro de 2012 às 9:23Adriano Diogo: “Depois de balear David pelas costas, a GCM atirou nele, de novo”

David com a esposa, Laura, no Hospital Municipal de São José dos Campos, onde está internado. Foto: Renato Simões

por Conceição Lemes

O Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana, da Defensoria Pública Estadual  e do Ministério Público Estadual (Condepe) promoveu na última segunda-feira mutirão nos galpões e igreja, que abrigam os moradores despejados do Pinheirinho. Aproximadamente 90 pessoas, entre conselheiros do Condepe, parlamentares e entidades de direitos humanos participaram.

“O que mais me chamou a atenção foi o caso do rapaz de 30 anos, baleado pela GCM [Guarda Civil Municipal]; está com a perna esquerda paralisada e corre o risco de ficar com sequelas”, denuncia o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo. “Se passaram nove dias e ele não foi ouvido nem tinha feito exame de corpo de delito.”

O rapaz é David Washington Furtado, 30 anos, natural de Recife, funcionário terceirizado da Prefeitura (calça ruas, assenta sarjetas e calçadas) e agora ex-morador do Pinheirinho. Foi baleado, na área externa do acampamento, quando se dirigia junto com a esposa (Laura)  ao posto de atendimento da Prefeitura para se cadastrar.

“É a história mais escondida de São José dos Campos”, observa Adriano. “Depois de balear David pelas Costas, a GCM atirou nele, de novo, quando já estava caído no chão. Uma barbaridade.”

Foi o próprio David que contou isso a uma comissão, que o ouviu  num dos leitos do Hospital Municipal de São José dos Campos, onde está internado.

Integrada por Adriano Diogo, Carlinhos Almeida (deputado federal PT-SP), Renato Simões (conselheiro do Condepe), Ivan Seixas (presidente do Condepe) e Antonio Donizete (advogado dos moradores do Pinheirinho), a comissão levou canseira de uma hora e meia da direção do hospital, administrado pela SPDM, para entrar no quarto de David. Não teve acesso ao prontuário, apenas  conversou com os  médicos.

– Ele vai ficar paraplégico?
– Não sei ainda. Acho que não, ainda não deu para fazer a eletroneuromiografia.

– Lesionou a medula espinhal?
– Ela não foi seccionada, mas o sistema periférico da vértebra está comprometido. Tanto que ele não consegue mexer a perna esquerda.

– Mas ele vai voltar a andar sem problemas?
– Não sei se vai dar ou não.

Nesta quarta- feira, será realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo audiência pública para discutir a situação dos despejados do Pinheirinho. Participarão ex- moradores do Pinheirinho, entidades e movimentos sociais, representantes do Condepe,da DefensoriaPública Estadual  e do Ministério Público Estadual.

 
 
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Roberto Locatelli

Por que essa mídia hipócrita não fala dos direitos humanos dos moradores de Pinheirinho? 6000 pessoas atacadas pela PM de Alckmin e pela guarda civil de SJC, numa verdadeira operação de guerra. Casas destruídas com os móveis e pertences dos moradores dentro. Animais de estimação mortos a tiros na frente das crianças que os amavam. E agora estão em depósitos humanos insalubres que o governador tem o desplante de chamar de "abrigos".

"Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão na rua. Nenhuma delas é cubana" - Fidel Castro.

Como a frase já tem alguns anos, provavelmente esse número subiu bastante, pois os banqueiros e especuladores ficaram ainda mais gananciosos.

 
 
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lmstefanini

Caro Jb. Direitos humanos são meios, infelizmente, de relativizar. É como uma ideologia dentro da ideologia, atuando no recorte de liberdades. Veja aqui um trecho da excelente entrevista do prof Costas Douzinas.

"Nas guerras humanitárias, sanções econômicas foram impostas várias vezes para proteger os países e as pessoas de seus maus governos. Direitos humanos e cláusulas de boa governança são rotineiramente impostas pelo Ocidente sobre os países em desenvolvimento como condição para acordos comerciais e de ajuda. Os direitos humanos são a ideologia após o final muito alardeado de ideologias, a utopia “última” após o final da história.

É por isso que precisamos pensar de forma crítica os direitos humanos. Seu triunfo é cheio de paradoxos e contradições. Em nenhum outro momento na história humana recente, fora da Segunda Guerra Mundial, tantas pessoas foram mortas, houve tanta fome, tantos foram torturados, submetidos a dominação e exploração. O fosso entre o Norte e o Sul e entre ricos e pobres nunca foi tão grande. As Nações Unidas informaram em 16 de outubro de 2010 que bem mais de um bilhão de pessoas não têm comida suficiente. A expectativa de vida é superior a 80 anos no norte da Europa, enquanto anos na África sub-saariana é de 33 anos. A renda per capita anual de um palestino é de $680,00 dólares e de $26,000 dos israelenses. Se os direitos humanos triunfaram, este é um triunfo afogado em desastre."

E neste link a entrevista completa.

 
 
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josé justino de souza neto

"Critico, e sempre critiquei, o monopólio de partido único em Cuba. Do mesmo modo acho inaceitável prisões de pessoas por "crimes de consciência", ou seja, somente porque seus agentes são contra o regime, estejam eles errados ou certos."

 

-Pois bem, sugiro que leiam abaixo:

 

Outra vez eleições em Cuba?

"Como se realizam as eleições em Cuba? Em primeiro lugar está proibido  terminantemente em Cuba que um partido, qualquer partido, o partido  comunista, apresente candidatos para as eleições. O partido comunista  cubano não apresenta candidatos para as eleições. Como se elegem os  candidatos às eleições? Eles se elegem desde a base. Cada cidade se  divide em circunscrições eleitorais de acordo à quantidade de habitantes  de uma zona. Nesta zona, em específico, o povo se reúne em Assembléia  e elege entre dois a oito candidatos - tanto a nível de município, o que  vocês chamam de vereadores, quanto a nível de província, o que vocês  chamam de estado, quanto a nível de Assembléia Nacional, que seria o  parlamento. Esses candidatos, ou esses postulantes, em número de dois a  oito, passam ao período eleitoral. Passam às eleições onde têm de  alcançar 50% mais um dos votos, para poder galgar cada um dos níveis,  município, província, Assembléia Nacional. Nestas assembléias do povo,  onde se elegem os pré-candidatos, qualquer pessoa de qualquer credo  político, de qualquer religião pode propor qualquer um, basta apenas que  a pessoa aceite ser candidato. Basta que ela aceite submeter-se às  eleições. Eleições que além disso, serão por voto livre (o voto não é  obrigatório), secreto e direto. "

http://www.cefetsp.br/edu/eso/culturainformacao/eleicoescuba.html


-Notei também esse trecho: 

"Ou a perseguição que sofre uma blogueira cubana por contestação ao regime de Castro(...)"

Sobre isto, vejam os detalhes neste artigo: 

"¿Quién es Yoani Sánchez?"

 

-Mais este, finalmente, só para não estender muito: 

"Ou a dignidade de um encarcerado por crime comum é menor que outro por razões políticas?(...)"

"Nota del gobierno cubano sobre la muerte de Wilman Villar Mendoza"

 

Os amestrados do Departamento de Estado que frequentam o blog diriam, certamente, que as informações vem de Cuba e de um site de esquerda. Eu digo: -É claro, ó estúpido! Uma das virtudes da internet é poder saber todas as versões. Enquanto a versão dominante era a dos criminosos de guerra de Washington, os direitões, os neo-fascistas, os oportunistas neo-liberais nadavam de braçada. O mundo mudou, babacas!

 
 
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Cafezá

JB, quando quer, toca bem esse tema, o dos direitos humanos. Não desafinou e manteve o ritmo.

 
 

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