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A queda acelerada da taxa de fecundidade no BrasilEnviado por luisnassif, qui, 23/02/2012 - 11:26Da Pesquisa Fapesp Segundo pesquisa, fecundidade nacional cai cada vez mais e se concentra entre os adolescentes
Carlos Haag
Na Copa de 2050, segundo projeções demográficas divulgadas no ano passado pela ONU, os torcedores brasileiros terão de se contentar em cantar “222 milhões em ação, salve a seleção” em vez dos esperados “300 milhões em ação”. Isso pode soar como uma boa notícia para os que profetizam os perigos de uma “explosão demográfica” no país, mas a realidade é outra, e igualmente preocupante há várias décadas. A fecundidade feminina vem caindo rapidamente e se, em 1960, a taxa era de 6,3 filhos por mulher, esses números caíram para 5,6 (1970), 2,9 (1991), 2,4 (2000) e 1,9 em 2010. “A população brasileira já atingiu uma fecundidade abaixo do nível de reposição. Este declínio deu-se em todas as faixas etárias, estratos socioeconômicos e regiões do país. Outro aspecto a destacar é que a transição da fecundidade obedece a um padrão de rejuvenescimento, ou seja, a partir de 1991 são as mulheres de 20 a 24 anos que apresentam a maior taxa específica de fecundidade, o que correspondia em anos anteriores à faixa dos 25 a 29 anos. Também a participação relativa da fecundidade das jovens de 15 a 19 anos, na fecundidade total correspondente a todo período reprodutivo, passou de 9% em 1980 para 23% em 2006”, explica a demógrafa Elza Berquó, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), onde coordena a pesquisa Reprodução na Juventude e após os Trinta Anos. Analisando os diversos fatores que vieram influenciando a redução do tamanho da família no país, Elza cita que, antigamente, as famílias tinham muitos filhos, porque sentiam o efeito das altas taxas de mortalidade infantil e era preciso essa compensação para que houvesse sobreviventes que cuidassem dos pais na velhice. Com a Previdência Social, o Estado assumiu, em princípio, esse papel. Ao mesmo tempo, a política de crédito ao consumidor dos anos 1970 levou as pessoas a ter maiores aspirações de consumo e a pensar em como ajustar desejos de consumo e número de filhos. A grande mudança ocorrida na área das comunicações, em especial com a televisão, que chegou a um grande número de lares e lugares, acabou por influenciar, principalmente através das telenovelas, valores e estilos de vida, via famílias pequenas. Surgia também na época a pílula anticoncepcional, que certamente deu às mulheres oportunidade de regulação da fecundidade. Bônus Mas não há apenas a velhice a moldar a transição demográfica. “A pesquisa confirmou o início cada vez mais precoce da vida sexual, fruto de um mundo mais liberal em que a virgindade não é mais um valor. Mas isso não foi acompanhado por um maior conhecimento e utilização dos métodos contraceptivos”, fala Elza. Ainda que o conhecimento desses métodos seja universal entre as jovens menores de 20 anos, apenas 60% das sexualmente ativas usavam algum método para prevenir gravidez. Das não usuárias, 40% não sabiam onde obtê-los e uma em cada cinco engravidaram na primeira relação sexual, situação que chega a 68% para as jovens das classes D e E e 70% para as menos escolarizadas. Das jovens que engravidaram antes dos 20 anos, 78% dentre elas desconheciam noções básicas sobre fisiologia da reprodução e do período fértil no ciclo ovulatório”, conta a pesquisadora. O estudo sugere que os comportamentos sexual e reprodutivo são moldados pelas possibilidades estruturais e pelas normas culturais. Assim, as mais pobres e menos escolarizadas apresentaram menor percentual do uso de contraceptivos, o que realiza uma ponte direta entre gravidez antes dos 20 anos e pobreza com pouca escolaridade. Para a pesquisadora, ao mesmo tempo em que a gravidez jovem é indesejada, um indicador de “subdesenvolvimento”, a sociedade fechas as portas de acesso a métodos contraceptivos e criminaliza o aborto e a pílula do dia seguinte. “Há uma censura contra a gravidez na adolescência, mas não há o mesmo consenso em permitir o uso de certos métodos de interromper a gravidez”, avalia Maria Luiza. “As escolhas contraceptivas e reprodutivas estão sendo feitas em um contexto de ilegalidade do aborto e de pouca informação e provisão inadequada da contracepção de emergência no Brasil. Vale lembrar ainda o reduzido nível de implementação dos programas de educação em sexualidade nas escolas públicas. Qual seria a trajetória dessas jovens se as instituições melhorassem sua ação e o país tivesse oportunidade mais igualitárias?”, pergunta-se Sandra. Afinal, estar informado sobre métodos contraceptivos durante a relação sexual não garante seu uso adequado. “Nessa idade, há uma grande imprevisibilidade dos encontros sexuais e, logo, não há incorporação da contracepção ao cotidiano juvenil. Existe vergonha em falar com a família ou ir a uma farmácia para comprar preservativos. Já a pílula, com seus efeitos colaterais sobre o corpo das jovens que vivem numa sociedade que cobra formas perfeitas, a tendência ecológica dos jovens de não ingerir produtos químicos, e o esquecimento de tomar a pílula, determinam a gravidez indesejada”, avalia Eliane Brandão, do IMS/Universidade Federal do Rio de Janeiro. A tudo isso se reúnem as falhas no uso dos contraceptivos e o despreparo dos profissionais de saúde em atender jovens e explicar os métodos. A demógrafa também não concorda totalmente com a tese de que boa parte das jovens que deixou a escola ao se verem grávidas teria saído de qualquer forma ou já estavam fora dela antes da gravidez. “É pertinente perguntar por que isso ainda acontece numa sociedade em que as melhores oportunidades de emprego estão associadas a maiores níveis educacionais. Não há programas especiais para mães jovens nas nossas escolas e, ainda que não tenhamos dados concretos, temos que considerar que ser mãe quando já há tão poucas chances para pessoas com baixa educação terá consequências sérias nas vidas dessas adolescentes”, acredita a demógrafa. Uma jovem sem filhos tem 60 vezes mais chances de continuar na escola do que uma mãe da mesma idade e estrato social e econômico. Veja os infográficos:
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Comentários + votados
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AMoraes
23/02/2012 - 11:43
Taxa de fecundidade, segundo o IBGE, é "Nº médio de filhos que uma mulher teria ao final de sua idade reprodutiva" (http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/fecundidade.html). Não tem a ver com a...
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Erick M
23/02/2012 - 11:45
A velocidade com que se dá a redução da taxa de fecundidade é preocupante, porque ficaremos velhos antes de ficarmos ricos e esse Estado simplesmente não suportará o custo social que isso implicará....
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Vânia
23/02/2012 - 12:13
E eu que pensava que o post tratava de 'demografia X taxa de fecundidade', planejamento familiar, essas coisas, sabe? Nem percebi que era sobre o aborto e métodos de prevenção. Dá-lhe moralismo!
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Roberto Locatelli
23/02/2012 - 13:06
O planeta não aguenta muito mais tempo. Felizmente parece que foi acionado algum mecanismo biológico de proteção e as pessoas já não tem mais aquela obsessão de fazer filhos, filhos e mais filhos.
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Roberto Locatelli
23/02/2012 - 13:11
Estão desmatando a Amazônia para fazer pasto. Um absurdo! Com a redução da taxa de crescimento demográfico, talvez possamos reflorestar parte do território brasileiro.
Uma vez fiz um cálculo de...
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Nilson
23/02/2012 - 15:33
Erick, me considero pobre. E minha vida sexual está para ser resolvida !
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Cassius Oliveira
23/02/2012 - 15:49
Sei não, Roberto.
Acho que o problema do desmatamento está mais ligado à ganância do que à necessidade de mais alimentos para mais bocas.
Abraços.
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Nilson
23/02/2012 - 11:29
Nassif, não é falta de fecundidade do Brasileiro. Hoje só se faz sexo com camisinha. E aS MULHERES TOMAM PÍLULAS ABORTIVAS !!!!
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Nilson
23/02/2012 - 15:37
Se diminui a taxa de nascimento é lógico que há prevenção e aborto. Não vamos tapar o sol com a peneira.
ALô Monica Serra abortista no Chile. No Chile pode ?
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Nilson
23/02/2012 - 11:32
Os Brasileiros continuam fazendo sexo como nunca, apenas as mulheres tomam muito mais a pílula do dia seguinte, do dia anterior e do dia posterior. Só Isto.
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Michel
23/02/2012 - 12:05
Estranho. De onde as pesquisadoras tiraram tais dados? Cadê as referências, ou, a bibliografia desta pequisa de R$ 142 mil de investimento? Digo isto porque tal pesquisa já foi publicada aqui 5 meses...
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Roberto Locatelli
23/02/2012 - 13:42
Um vídeo do radical VHEMT - Movimento pela Extinção Pacífica da Humanidade. Não concordo com o movimento, mas esse vídeo retrata a realidade dos últimos séculos, principalmente o século 20.
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Gilson AS
23/02/2012 - 16:32
Pode haver risco na previdência social.
Existe uma relação ideal, que não qual é, que diz que para cada aposentado, deve haver mais ou menos três pessoas na ativa pagando a conta para o aposentado....
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Nassif, não é falta de fecundidade do Brasileiro. Hoje só se faz sexo com camisinha. E aS MULHERES TOMAM PÍLULAS ABORTIVAS !!!!
Nilson Fernandes
E eu que pensava que o post tratava de 'demografia X taxa de fecundidade', planejamento familiar, essas coisas, sabe? Nem percebi que era sobre o aborto e métodos de prevenção. Dá-lhe moralismo!
Os Brasileiros continuam fazendo sexo como nunca, apenas as mulheres tomam muito mais a pílula do dia seguinte, do dia anterior e do dia posterior. Só Isto.
Nilson Fernandes
Taxa de fecundidade, segundo o IBGE, é "Nº médio de filhos que uma mulher teria ao final de sua idade reprodutiva" (http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/fecundidade.html). Não tem a ver com a capacidade biológica de gerar filhos; se refere ao comportamento, considerando métodos e procedimentos contraceptivos.
A velocidade com que se dá a redução da taxa de fecundidade é preocupante, porque ficaremos velhos antes de ficarmos ricos e esse Estado simplesmente não suportará o custo social que isso implicará.
É preciso começar a pensar em uma política que permita aos cidadãos planejarem suas filhas, tendo algum conforto em ter filhos. Não gosto, nesse contexto, da palavra incentivo, porquanto trata-se de decisão muito íntima e pessoal, mas é preciso pensar em como facilitar essa decisão, talvez tornando menos caro os gastos próprios com a prole. Um dos poucos países que tiveram sucesso nesse aspecto foi a Noruega.
Erick
Erick, me considero pobre. E minha vida sexual está para ser resolvida !
Nilson Fernandes
Estranho. De onde as pesquisadoras tiraram tais dados? Cadê as referências, ou, a bibliografia desta pequisa de R$ 142 mil de investimento? Digo isto porque tal pesquisa já foi publicada aqui 5 meses atrás, mas c/ outra autoria:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/queda-da-fecundidade-brasileira-nao-e-solucao-e-problema
http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/arbache___mudanca_demografica_e_competitividade___ssrn-id1920282.pdf
O planeta não aguenta muito mais tempo. Felizmente parece que foi acionado algum mecanismo biológico de proteção e as pessoas já não tem mais aquela obsessão de fazer filhos, filhos e mais filhos.
Estão desmatando a Amazônia para fazer pasto. Um absurdo! Com a redução da taxa de crescimento demográfico, talvez possamos reflorestar parte do território brasileiro.
Uma vez fiz um cálculo de quanto território precisaríamos para atender à recomendação médica (absurda, a meu ver) de que todo adulto beba dois copos de leite por dia. Seriam aproximadamente 10 bilhões de copos de leite diários (2 x 5 bilhões de adultos). Resultado: precisaríamos de oito planetas Terra só de pastagens!!
Sei não, Roberto.
Acho que o problema do desmatamento está mais ligado à ganância do que à necessidade de mais alimentos para mais bocas.
Abraços.
Para mim, isto não é surpresa - o contrário seria. A meu ver à medida que um país, uma sociedade se move para o capitalismo pleno há uma deslocação das solicitações da espécie da reprodução de organismos para a reprodução do capital. Esta deslocação acontece, concerteza por vários factores, sendo que um deles, a meu ver, reside na própria natureza da reprodução do capitalismo. Ou seja, o capitalismo reproduz-se pela geração constante de novas necessidades materiais que por sua vez geram a necessidade de correr atrás da sua satisfação de modo que a ampliação constante da infraestrutura de necessidades materiais para a reprodução orgânica da espécie parece mostar uma tendência para o adiamento desta reprodução.
Poder-se-ia pensar que a subtracção de parte da vida humana da quase pura dedicação às solicitações da espécie orgânica realiza a emergência do indivíduo e até da cultura como segunda natureza, quer dizer, uma recriação da natureza movida pela duplicação da espécie - de um lado natural e de outro cultural, ou a espécie da perspectiva da necesidade de um lado e da perspectiva da liberdade de outro. No entanto a liberdade que é conquistada pela subtracção de tempo em relação à solicitação orgânica da espécie é capturada pelas necessidades de autorreprodução do capitalismo que assim assume a posição de primeira natureza alienada e não de segunda naturza livre. A reprodução orgânica da espécie, então, não é propriamente excedida mas deslocada como necessidade autorreprodutora do capitalismo, quer dizer, como necessidade autorreprodutora da classe dominante.
Como esta classe dominante se reproduz pela reprodução do capital que por sua vez se reproduz pela geração constante de novas necessidades materiais que as massas devem primeiro sentir a urgência e em segundo correr atrás, os filhos do povo passam a ser de um lado mão-se-obra e de outro consumidores. A mão-de-obra precisa de ser formada, quer dizer, criada de modo que os pais passam a ser chamados a correr atrás de constantes necessidades materiais duplicadas, em si e nos filhos - as dificuldades crescentes em recolher um estado de satisfação - que abra o campo para a reprodução de novas necessidades através dos filhos - implica uma poupança de recursos, quer dizer, uma poupança na natalidade. Não ter filhos é assim um acto perfeitamente enquadrado no capitalismo, ou seja, em face da incerteza económica a poupança impõe-se naturalmente.
No fundo, a meu ver, o problema de Marx com o capitalismo é que de um lado ele percebe que no capitalismo está em realização uma segunda natureza advinda não de mera solicitação natural mas da solicitação da liberdade, quer dizer no capitalismo aje o princípio da liberdade como especificidade humana mas do outro lado esta liberdade é alienada no próprio capital, quer dizer, na necessidade da sua autorreprodução que, sendo propriedade privada, volta a recolocar a espécie - agora como liberdade - como uma solicitação imposta [de fora] aos seres humanos. A liberdade passa a ser a da classe dominante que assim assume o lugar da espécie. O capital que tinha em si a génese de uma segunda natureza passa a ser a primeira, mas deslocada e não verdadeiramente superada - aqui no sentido hegeliano de aufhebung, quer dizer erguida para uma noção que a excede. O capitalismo que tem na génese o excesso da liberdade sobre a natureza, acaba, no entanto, por exceder este próprio excesso e o excesso do excesso da liberdade é a sua negação e o seu retorno à submissão a uma necessidade genérica - neste caso a da autorreprodução da propriedade capitalista.
Um vídeo do radical VHEMT - Movimento pela Extinção Pacífica da Humanidade. Não concordo com o movimento, mas esse vídeo retrata a realidade dos últimos séculos, principalmente o século 20.
Eu sou moralista sexual .
Nilson Fernandes
Se diminui a taxa de nascimento é lógico que há prevenção e aborto. Não vamos tapar o sol com a peneira.
ALô Monica Serra abortista no Chile. No Chile pode ?
Nilson Fernandes
A Eleonora disse aborto só pode na colômbia...
A Eleonora disse que só pode na colômbia...
Pode haver risco na previdência social.
Existe uma relação ideal, que não qual é, que diz que para cada aposentado, deve haver mais ou menos três pessoas na ativa pagando a conta para o aposentado.
Se o país envelhecer como fica ?
É claro que nessa conta não estão incluidos os roubos, desvio de verbas, e outras coisitas mais.
gAS
Cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é guiada pelos seus pensamentos. Salomão
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