A pseudo-ciência nas discussões sobre juros

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Já escrevi algumas vezes que o nível de câmbio atual é um empecilho incontornável para qualquer tentativa de transformar o enorme potencial do mercado interno brasileiro em alavanca para um salto chinês da economia.

Mas, dentro da estratégia gradual desenhada pelo governo Dilma no final de 2010, a vitória do Banco Central é insofismável. Reverteu totalmente as expectativas do mercado em uma aposta sobre os rumos da inflação.

É curioso como a suposta racionalidade do mercado acaba se adaptando aos dados da realidade.

Muitos economistas demonstraram a ineficácia da chamada metas inflacionárias em uma economia com os níveis de juros e, especialmente, de spreads bancários. Nos últimos anos a inflação brasileira teve pequeno componente de demanda (estrutural devido ao advento das novas classes de consumo), um forte componente de câmbio e de preços de commodities e um componente vicioso de inflação inercial – contratos e alugueres indexados por IGPM.

Uma análise isenta certamente mostrará a irrelevância da Selic, especialmente ante medidas que interferem diretamente no crédito – como as tais medidas prudenciais e outras ferramentas tradicionais de política monetária, como compulsório (a parcela de depósitos que os bancos precisam recolher ao BC). O efeito Selic --> crédito é irrelevante, tanto para consumidores finais quanto para empresas.

No entanto, o mercado trabalha com alguns fetiches, um dos quais é a taxa de juros neutra – aquela que permite a combinação máxima de crescimento com equilíbrio de preços.

Em fins de setembro, quando o BC deu início à trajetória de queda da Selic, houve uma crítica intestina, raivosa, da tal confraria da Selic – concentrada especialmente em consultorias privadas. O mote da discussão era o cenário do BC, prevendo deterioração da crise internacional.

Com a crise comendo solta, eméritos economistas garantiam que o mundo continuava igual e nada mudara nos últimos 45 dias para justificar a queda dos juros.

O BC ganhou a queda de braço, não necessariamente em função da crise internacional, mas devido ao fato de que o grosso da inflação anual se concentrara no último trimestre de 2010 e no primeiro de 2011, com a explosão internacional dos preços dos commodities. Assim, cada novo mês que entrasse, substituiria o mês correspondente do ano anterior, inflado pela explosão das commodities. Também houve o desaquecimento adicional, fruto do excesso de cautela do BC no início de 2011. O desaquecimento foi maior no final do ano, quando as empresas readequam seus níveis de estoque às novas expectativas do consumo. Durante algum tempo reduzem as compras até os estoques chegarem ao novo nível. Depois retomam o novo ritmo.

Em setembro, nenhuma palavra sobre a taxa de juros neutra.

A inflação refluiu, o BC venceu a guerra de braços. E, para a maioria dos analistas, não interessa a melhor previsão sobre inflação: interessa a melhor previsão sobre o comportamento do BC. Ganham quando acertam a trajetória da Selic, ou acertando ou errando junto com o BC.

Com o BC vencendo a guerra de braço e consolidando sua estratégia de derrubada da Selic, sua política tornou-se novamente previsível – aliás, um dos méritos do modelo de metas inflacionárias (dos poucos) é permitir essa coordenação de expectativas pelo BC.

No Valor de hoje, economistas de mercado pontificando sobre a taxa de juros neutra. E aceitando que deve ser menor, de 4,5% (acima da inflação) a 6%. As razões são a melhoria dos fundamentos da economia brasileira, sua maior previsibilidade etc. etc – todos fatores que já estavam na mesa em setembro, quando a confraria da Selic tentou alvejar o BC. Na época, nenhum deles se lembrou da melhoria dos fundamentos. Agora, lembram correndo. É o velho jogo: primeiro definem a conclusão; depois procuram as premissas.

No futuro algum historiador econômico ainda irá se debruçar sobre esses tempos loucos, sobre esses debates sobre taxa de juros neutra, sobre correlações entre Selic e inflação. E dará boas gargalhadas, sobre como foi possível amarrar tanto tempo um país inteiro, candidato a potência, a uma miragem teórica.

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13 comentários
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Juan Henrique

Eu não entendo nada de economia, mas me pergunto pq o BC tem que fica dando ouvidos a esse monte de pentelhos.

 
 
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maria lucia americo dos reis

Parabéns Luis Nassif pela análise correta das medidas tomadas pelo Banco Central. Sempre me perguntei, porque unicamente o Brasil se vale da elevação de juros, para combater uma situação de crise. Você vê os Estados Unidos. Quando o país entra em crise, o governo sempre tenta melhorar a situação de crédito dos consumidores, enquanto que aqui é paulada em cima de paulada. A única explicação é a utilização dos juros, para atrair investimento estrangeiro. Outra medida pouco inteligente, porque só faz atrair investimentos especulativos, que endividam o país sem nenhum retorno. As divisas que trazem são facilmente pulverizados a um menor sinalzinho de qualquer problema.

 
 
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Felipe S. Araújo

O problema é que quando a inflação sobe o governo esquece que a política fiscal também é importante para o controle da inflação. Deixar a responsabilidade da inflação somente com o BC é que nos levou a essa situação. No período eleitoral ficava o governo aumentando estupidamente seus gastos, alimentando a inflação, e o BC aumentando juros para contê-la. Não da mais para o governo apontar numa direção e o BC em outra. Nesse ponto acho que o governo Lula vacilou muito. Aparentemente essa situação está se revertendo no governo Dilma.

 
 
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aliancaliberal

Pq o desenvolvimento brasileiro é baixo e não sustentável a logo prazo pq não é baseado em poupança real.

Os efeitos de uma expansão de crédito não respaldada pela poupança por .

A criação de dinheiro pelo sistema bancário e sua materialização através de créditos concedidos via sistema de reservas fracionárias (criação de crédito artificial) produz na estrutura produtiva efeitos iniciais bastante similares ao aumento de crédito via poupança prévia voluntária.  No entanto, esse aumento artificial de crédito não diminui a demanda final de bens de consumo, diminuição esta que liberaria recursos para a manutenção dos diferentes agentes econômicos durante os processos produtivos.  A expansão artificial do crédito impulsiona um processo de desajuste ou descoordenação entre o comportamento dos agentes econômicos, gerando um exemplo típico de indução a um erro de cálculo econômico ou estimativa por parte dos empreendedores.

A descoordenação se manifesta, primeiramente, no surgimento de um período de grande otimismo em virtude do fato de os agentes se sentirem capazes de ampliar a estrutura produtiva sem o sacrifício de algum consumo — necessário para gerar poupança — e acúmulo prévio de capital, pois a expansão creditícia tem o efeito de fazer parecer que houve um aumento na oferta de bens presentes, os quais passam a ser demandados devido às taxas de juros artificialmente mais baixas.  Consequentemente, a movimentação da renda nas etapas produtivas (oferta e demanda de bens presentes), bem como a renda nominal em um período considerado, também é alterada.

Embora ocorra esse aumento inicial na atividade econômica e otimismo fruto da expansão creditícia artificial, tal situação é anômala e, portanto, insustentável.  Existem mecanismos microeconômicos que interrompem e revertem essa descoordenação "macroeconômica".  Tais mecanismos existem em função da reação espontânea do mercado frente à expansão creditícia artificial, pois toda agressão ao processo social — na forma de intervenção governamental, coação sistemática, manipulação de indicadores essenciais ou concessão de privilégios que ferem os princípios tradicionais do direito — dá lugar espontaneamente a processos de interação social que, movidos precisamente pela capacidade coordenadora da função empreendedorial, tendem a interromper e reverter a descoordenação e os erros cometidos. Vejamos quais são estes mecanismos:

a) Aumento de preço dos fatores de produção — ocorre devido a duas causas distintas que se reforçam mutuamente.  Por um lado, a maior demanda monetária por recursos originários (trabalho e recursos naturais) efetuado pelos capitalistas; por outro, a menor oferta dos fatores originários, pois não ocorreu a poupança voluntária prévia que os liberou.  O efeito conjunto, como não poderia ser diferente devido à interação entre oferta e demanda de fatores, é o progressivo aumento de preços no mercado desses fatores, o qual tende a se acelerar como resultado da concorrência entre os próprios empreenddores das diferentes etapas (e que é sustentado pelo crédito artificial disponível, que possibilita aos empreendedores pagar mais para conseguir os fatores escassos);

b) Posterior aumento nos preços de bens de consumo — os preços de bens de consumo aumentam de forma relativa em comparação ao aumento de preço dos fatores originários pelos seguintes motivos combinados:

1. crescimento da renda dos fatores originários de produção descrito anteriormente, o que causa um crescimento da demanda monetária por bens de consumo;

2. uma relativa demora na produção de mais bens de consumo final em função do aumento e da criação de novas etapas de produção;

3. devido à distorção do cálculo econômico, os empreendedores tendem a calcular seus custos em função do custo histórico e da capacidade aquisitiva de fatores a níveis anteriores ao início do processo inflacionário.  Isso leva ao surgimento aparente de bonança empresarial, pois a receita nominal aumentou mas os custos seguem aparentemente estáveis.

c) Aumento relativo dos lucros das empresas das etapas mais próximas do consumo final — o preço dos bens das etapas intermediárias aumenta de forma mais lenta que os preços dos bens de consumo final, o que se reflete no aumento dos lucros aparentes das empresas deste setor.  Além disso, os preços dos bens intermediários experimentam um aumento menor que o aumento dos custos de produção.  Essa combinação inicia um movimento espontâneo dos empreendedores para reconsiderar seus investimentos, retirando recursos de projetos mais intensivos em capital e redirecionando-os para projetos mais próximos ao consumo final;

d) Fim do Efeito Ricardo — o aumento de preço de bens de consumo mais que proporcional à renda dos fatores originários causa a queda do salário real.  Isto é o contrário do Efeito Ricardo e todas as suas consequências.  Os empreendedores tendem, assim, a substituir capital por trabalhadores, reduzindo ainda mais demanda por bens de capital, o que acaba por agravar a latente diminuição dos lucros descrita no item anterior;

e) Aumento das taxas de juros dos créditos artificiais a um nível até superior ao que vigente antes da expansão — o aumento se dá pelo efeito combinado dos seguintes fenômenos:

1. Incorporação das expectativas inflacionárias (ou perdas de poder aquisitivo da moeda nos empréstimos), causadas pela expansão creditícia artificial;

2. Os empreendedores, na medida em que já comprometeram importantes recursos em novos projetos de investimento, estarão dispostos a pagar taxas de juros mais altas se os créditos lhes proporcionarem a possibilidade de terminar os projetos — projetos estes que foram iniciados insustentavelmente em função da distorção do cálculo econômico.

f) Surgimento de prejuízos nas empresas relativamente mais distantes das etapas de consumo final: o inevitável surgimento da crise — a combinação dos efeitos anteriormente descritos resulta em prejuízos das empresas mais distantes do consumo final, fazendo-se necessário o encerramento dos projetos insustentavelmente empreendidos, retirando recursos das etapas mais distantes e redirecionando-os novamente para as etapas mais próximas do consumo final, as quais agora são relativamente mais viáveis economicamente. É o início da reestruturação da estrutura produtiva — ou seja, a recessão econômica.

A crise se manifesta, em resumo, por falta de poupança prévia e por investimentos errôneos e insustentáveis, pois a expansão creditícia artificial induziu os empreendedores a um erro no cálculo econômico.  Como resultado, numerosas fábricas encerram suas atividades, especialmente aquelas mais distantes das etapas de consumo final, o que provoca a demissão de muitos trabalhadores.  A sociedade é tomada pelo pessimismo e pela idéia de que se entrou em uma inexplicável crise econômica pouco tempo depois de um acentuado período de otimismo.

A crise faz com que a estrutura produtiva volte ao seu normal.  Ela se torna mais curta (em função tanto da destruição de etapas como da redução do tamanho de etapas existentes), menos intensiva em capital e, consequentemente, com uma menor produção de bens e serviços.  Ainda que a renda nominal continue igual à época da expansão creditícia artificial, sua distribuição variou em favor das etapas próximas ao consumo final.

Essa estrutura produtiva que resulta após o reajuste não pode continuar sendo igual à que precedia a expansão creditícia artificial, pois as circunstâncias mudaram sensivelmente.  Houve um irreversível consumo de capital, o que provoca uma diminuição na quantidade de capital per capita, na produtividade do trabalho e nos salários em termos reais.

Portanto, não existe nenhuma possibilidade teórica de que uma expansão de crédito bancário que não seja respaldada por poupança prévia permita reduzir os necessários sacrifícios que o crescimento econômico exige.  Como foi dito, toda agressão ao processo social dá lugar espontaneamente a processos de interação social que tendem a interromper e reverter a descoordenação e os erros cometidos.  Esta reversão, a recessão econômica, é benéfica no sentido de realocar os recursos escassos a projetos mais prioritários, possibilitando assim a retomada do crescimento econômico.  

No entanto, como a recessão não é desejável politicamente para os governantes, eles lançam mão de novas rodadas de expansão creditícia (parte substancial das quiméricas "políticas anticíclicas"), o que em verdade retroalimenta todo o processo de descoordenação e seus efeitos (dilapidação de capital e concentração forçada de renda), prolongando a crise econômica e dificultando a retomada efetiva e sustentável do crescimento econômico.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1222

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Jotaem

 Sabe, AL... o texto que você reproduz apresenta uma versão simplificada da teoria austríaca dos ciclos dos anos vinte de trinta.

O problema é que a simplificação leva a equívocos sérios. Há, no texto, uma articulação deficiente entre estoques (como reservas bancárias, etc.) e fluxos (poupança, investimento, etc.). E também confusões conceituais, como a assimilação de “poupança voluntária” a “poupança prévia” (prévia a o quê, aliás?).

O termo voluntário já é um pouco confuso nesse contexto, mas, enfim, faz parte da literatura da época e é consagrado. Agora,“prévia” remete a antecedência temporal, o que é um equívoco. É algo que faz sentido apenas numa economia muito simples: como se apenas fosse produzido trigo e, após a obtenção do produto, os indivíduos decidissem o quando desse trigo deveria ser plantado ou consumido.

Mas o que de fato importa no argumento do artigo é a articulação entre o setor monetário e o setor real, e, no âmbito dessa teoria, como identificar os critérios de neutralidade da moeda. Faça o seguinte exercício, no escopo da própria teoria austríaca: suponha um sistema de crédito puro, no qual não existem reservas e sequer banco central.

O sistema bancário, pode, assim, criar o volume de meios de pagamento (que aqui se reduzem a depósitos) que desejar (é o teu criticado sistema de reservas fracionárias levado ao limite). Os bancos estabelecem a taxa monetária de juros, segundo suas conveniências, ou seja, de acordo com sua apreciação dos negócios (como propõe a própria tese do free banking).

Admita que, para cada taxa monetária, os bancos atendem à demanda de empréstimos. Assim, o volume de crédito é determinado pela demanda. Suponha que os bancos praticam uma taxa monetária igual à taxa natural (a que equilibraria a “estrutura do capital”, etc.).

E aqui vem a pergunta: ocorre o ciclo austríaco? Se você responder não, onde fica a crítica ao sistema de reservas fracionárias?

 
 
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J.P.Vieira

Grande Nassif. Bom dia a todos! Alvissareiramente, o início do século mostra um avanço na condução da política econômica brasileira.  Os principais indicadores macroeconômicos e sociais mostram uma melhora considerável, incluindo significativa redução do índice de miséria, fato de notáveis consequências para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária e desenvolvida.


 

 
 

 
 
 

Fonte: CPS/FGV  com microdados da PNAD, e Censos /IBGE,  cf. elaboração de

Marcelo Néri, Centro de Políticas Sociais, www.fgv.br/cps


Isso só se tornou possível graças a um enorme esforço governamental, em vários âmbitos da política econômica e social. No entanto, para que essas ações sejam sustentáveis, faz-se imprescindível a contribuição e o respaldo da política monetária (responsabilidade do BC), dada sua participação fundamental no arcabouço político-econômico.


 


Também neste âmbito registrou-se um pequeno avanço. A figura abaixo registra que a TAXA DE JUROS tem se reduzido de forma consistente, embora gradativa, e que essa redução tem possibilitado o aumento das taxas de crescimento do PIB. Essa extraordinária melhora ocorreu sob absoluto controle da inflação, exceto pela recente e temporária recidiva (final de 2010/início de 2011), devida à forte elevação dos preços das commodities.


 


 


Portanto, o grande desafio próximo da política monetária brasileira é a mudança de qualidade, de modo que elevações temporárias da inflação não sirvam de pretexto para frear o desenvolvimento. Cabe à área econômica do governo zelar para que haja ganhos de eficiência sob autonomia operacional – que não se confunde com independência – harmonizada com a política maior requerida pela nação em seu processo político.


A verdadeira eficiência da política monetária estará em controlar a inflação sem comprometer os objetivos maiores da cidadania.


 

 
 
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Eduardo Petrucci Gigante

A China foi designada, pelo grande capital mundial, a tornar-se a fábrica do mundo. A India recebeu a incumbência de ser o escritório virtual, também mundial. Ao Brasil, generosamente, sobrou o papel de pagador de juros e remessas de lucros.


 


 

 
 
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Edmar Roberto Prandini

Nassif,

O ponto alto deste excelente texto está nas duas palavras finais: "miragem teórica". Em comentários e textos que tenho feito frequentemente refiro-me à "artefatos retóricos", com o mesmo significado empregado por você.

São recorrentes os argumentos dos estudiosos e autores da epistemologia acerca desses óbices à compreensão dos fenômenos e à sua inteligibilidade. É importante destacar, entretanto, que, por vezes, tais óbices, ou "miragens teóricas", como você denominou, são conscientemente empregados, com a intencionalidade deliberada de obliterar o debate em função de benefícios que não são comumente compartilhados.

Este é o caso, entendo eu, neste contexto.

 

 

Edmar Roberto Prandini www.twitter.com/edmarrp

 
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Paulo Villas

Vamos ver se entendi. Primeiro traçam-se os objetivos , se forem alcançados , constrói-se a teoria. Será difícil refutá-la a posteriori e antes que o façam estará  adotada como prática. A sua desconstrução será lenta e penosa , enquanto isso , o mercado estará pronto para dar qualquer explicação técnica sobre o assunto.

 
 
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wagner aparecido nogueira

Então, quem está certo? Aliança Liberal descreve o que acontece se coloca à disposição do consumo uma maior oferta de crédito. No Brasil, sempre foi esta a análise.

Agora, a realidade é que a administração de taxas de juros tão altas, o desistímulo à produção é que diminui a ofeta. Tudo por um controle inflacionário que se apresenta como uma comporta: Não importa se o acúmulo que a comporta impõe se contingencia lenta ou rapidamente, o que ocorre após o rompimento da barreira é que tudo o que foi contingenciado procura o "leito" natural por onde tudo deveria ter percorrido desde o início do processo.

A única, ou as únicas coisas que ficam, depois do ocorrido, seja qual for o espaço temporal em que se empregue as "teorias" que estamos acostumados a ser cobaias, são a falta de crescimento: a peda dos empregos e de uma melhor remuneração, o acúmulo de dívidas governamentais que tornam reféns toda a sociedade e seus herdeiros (nós e nossos filhos), enfim, olhando para trás, além de darmos risadas desses analistas de mercado, choraremos as perdas de nossas vidas, que eles tornaram improdutivas.

Não sou economista e graças a esta visão distorcida do capitalismo, não sou nada além de um iludido micro-empresário que vende o almoço para comer na janta!

Perdi o meu primeiro emprego em 1981 com a crise cambial e desde então me aventuro como micro-empresário e o que percebo é o desapego que nossos governantes têm com a relidade da produção, deixando-se levar por análises estatísticas e previsões econômicas financistas sem nenhum nexo com a produção e com a geração de renda e consumo.

A Europa e o Japão sairam da segunda grande guerra e depois de DEZ ANOS, já encontraram o caminho de uma sustentação econômica confiável. Nós, do jeito que economistas planilheiros atuam, nunca encontraremos esse caminho!

Poupança se faz com trabalho! Ou todos os economistas admitem que o capital nasceu com o BIG-BANG?

 
 
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aliancaliberal

"A Europa e o Japão sairam da segunda grande guerra e depois de DEZ ANOS"

Vc não esta contabilizando o capital humano que não deixa de ser uma poupança, afinal o TEMPO também é um fator de poupança, os Europeu "perderam" muito tempo no estudo e acumularam conhecimento.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Dois centavos no corajoso texto do Nassif.

Não enganam mais ninguém faz tempo, mas continuam explorando na cara dura. Por que o Brasil, os partidos políticos e o governo não fazem nada para mudar esta situação?

Pelo visto parecem que tem medo de que abram um buraco, do teto ao subsolo, do congresso e do palácio do planalto.

Vão ter de mostrar coragem e tomar atitudes contra os juros pornográficos que pagamos e que são motivo de riso e gozação no resto do planeta se existir a vontade política de lutar contra isto.

Contemporizando ou fingindo que não é problema deles é o reflexo da submissão, na sua essência, incorporado pela inteligência  nacional.

 Dilma acorda!

 

Follow the money, follow the power.

 
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robertog

Na real é uma variante do "cobra se der" dos bares & restaurantes menos "fidedignos". Se pegar, levo a grana para casa. Se não, peço desculpas pelo erro e saio assobiando. Com a importante ressalva que dos economnistas e comentaristas da coalizão do juro alto, nem isso a sociedade cobra. Seria muito bem vindo um observatório de acompanhamento da qualidade das previsões dos economistas e conexos. O Delfim já pôs o dedo na ferida num artigo recente. Mas seria realmente necessário um trabalho sistemático. E caso isso acontecesse, o pessoal do cobra se der seria capaz de invocar a "sagrada" liberdade de expressão para manter o direito de dizer qq coisa sem nenhum risco legal ou reputacional. 

 
 

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