A pouca solidariedade dos discriminados

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Nos últimos meses tenho conversado bastante com uma grande mulher, especializada em políticas de inclusão. E o que relata de sua experiência bate com o que tenho acompanhado por aí: em geral, não há solidariedade entre grupos de excluídos; a maioria se fecha em si, defende seus direitos mas é incapaz de avançar em uma bandeira geral, contra toda forma de preconceito .

Por exemplo, a comunidade dos surdos tem preconceito em relação aos deficientes mentais; a comunidade dos cadeirantes não se sensibiliza com outras formas de preconceito.

Recentemente tivemos um caso emblemático: uma senhora cadeirante e com nítidos problemas mentais ou emocionais soltando o verbo contra um PM negro; e este sem nenhuma sensibilidade em relação à situação da idosa. Uma prática de preconceito de mão dupla.

Anos atrás participei de um debate convocado pela comunidade negra, para discutir o livro de um professor da Bahia - que havia estudado na USP. Questionei o professor (um rapaz ligado à Fundação Ford) sobre os diversos preconceitos exarados em seu livro. Investia com fúria contra Luiz Mott por ter insinuado que Zumbi era gay. "Ser gay é defeito moral?", indaguei. Depois, mostrava um preconceito abundante contra portugueses e imigrantes brancos em geral.

Fui ao debate com meu amigo Almeida, militante negro dos anos 60, criado por iuguslavos sem nunca ter abandonado o orgulho da cor. Almeida foi a primeira pessoa a enfrentar o racismo do clube Esperia, em São Paulo, pulando na piscina - que era proibida a negros.

Existe um preconceito de setores de São Paulo contra nordestinos. No nordeste assisti preconceitos de grupos nordestinos contra negros.

O sábio Paulo Freire já dizia que o maior risco na luta contra a opressão, era o oprimido se apossar dos hábitos do opressor, para mudar de grupo.

Minha amiga dizia que os melhores grupos que encontrou, para práticas anti-preconceito, foram aqueles de bandeiras gerais: pela educação, pela saúde, pela inclusão. São ambientes onde o foco central são os discriminados, independentemente do tipo de discriminação que sofrem.

A melhor maneira de combater a discriminação é a inclusão do discriminado no ambiente social. Nunca fui a favor das cotas raciais: sempre considerei que a melhor política seria de cotas sociais. Posto que a maior parte dos pobres é negra, se contemplariam as duas pontas.

Passei a entender melhor a questão da cota racial em um brasilianas.org, quando um dos entrevistados - não sei se o grande frei Davi - mostrou que havia a necessidade, no ambiente universitário, de se ter o elemento negro, para que os demais colegas desde a faculdade aprendessem a conviver com a diversidade.

O mesmo acontece nessa questõ da inclusão dos deficientes na rede escolar. A APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) que tem um trabalho sumamente meritório, não é a favor da inclusão. Pretende que os deficientes fiquem confinados exclusivamente em escolas APAE.

Conheci inúmeras mães de excepcionais, que querem os filhos convivendo com normais. E recorrendo às APAEs para ter o atendimento especializado.

Em suma, a questão do preconceito é muito rica e complexa para se restringir a um restaurante boboca do Paraíso.

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59 comentários
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Fernando Curi

Na mosca. Na verdade as questões sobre o preconceito de um modo geral deva ser alvo de reflexão por parte de cada um de nós e de forma nua e crua. Tentarmos identificar, em nós mesmo, o quanto e de que forma somos preconceituosos, em pensamento e em ações, e que sirva de ponto de partida de correção de hábitos.

 

"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.

 
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zepelim

Um desavisado diria tratar-se dos tais seres humanos !

 
 
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JB Costa

Mas esse não é exatamente o estágio final da degradação do preconceito: a vítima negar sua própria condição, quando não tornar-se algoz dos seus iguais? Como se explica alguns negros tentarem por todos as maneiras espichar o cabelo ou alourá-los? Ou quando passam a utilizar "black is beaultiful" em camisetas para se auto-afirmarem? 

Se isso ocorre dentro dos próprios grupos sociais ou étnicos, imaginem fora deles. Os judeus foram perseguidos e exterminados por todo o mundo após a dispersão efetuada pelo Império Romano. Foram trucidados e queimados na Idade Média como os "assassinos de Jesus". No final do século XVIII e XIX sofreram o diabo com os pogroms no Leste europeu. Na segunda guerra quase foram à extinção com o holocausto. 

Pois bem. O que fazem atualmente com os palestinos? Por que a falta de empatia com esse povo haja visto a história de padecimento deles? Isso sem contar que os executores das tarefas mais nefastas nos campos de concentração eram feitas pelos kapos recrutados entre os póprios judeus em troca de algumas regalias. 

É por isso que sou a favor da cotas raciais. Nem que seja para lembrar o que realmente somos numa espécie de auto-expiação. 

 
 
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Ivan Moraes

"Mas esse não é exatamente o estágio final da degradação do preconceito: a vítima negar sua própria condição, quando não tornar-se algoz dos seus iguais?":

Comeco de ataque megalomaniaco:  Nao senhor, Costa!  Primeiro, reconheca que o gerente do restaurante nao sabe fazer o proprio trabalho, depois o resto!  Reconheca ou eu te denuncio!  E te persigo pelo resto da vida e...

Uh...  o momento megalomaniaco passou...  (:-)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Odd Eye

O gerente não sabe fazer o próprio trabalho, dado que ele foi instruído para expulsar pedintes e não negros.

Assim sendo, por mais que ele fosse preconceituoso, não poderia deixar de analisar outros fatores além da cor antes de executar as ordens superiores. Isso o torna, além de racista, incompetente.

Não vejo porque alguém discordaria.

 
 
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edisilva

Falando em cabelo, ontem escrevi no blog do Forte Cultural: "A Cultura negra começa a aparecer como tal. É o samba sim, mas é também a capoeira, a religião, a comida, a língua e tudo o mais que nos faz um povo diferente do português. Que nos deu uma identidade. Esta identidade é hoje preservada no cabelo, que não é mais "ruim" como se usava dizer, mas é somente cabelo. O negro tem orgulho de usar seu cabelo como quer. Pode ser liso? Sim, porque não? Mas pode ser "black power". Pode ser como ele quiser."

Existem várias formas de se ver cada questão.

Foi um texto sobre o filme "O Grande Desafio".

 
 
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Carlos Alberto Alves Marques

Não posso resistir e peço permissão para postar aqui o excelente texto do professor, escritor e jornalista Juremir Machado da Silva, no jornal Correio do Povo, sobre Ferreira Gullar, o hoje melancólico comunista arrependido, a serviço das forças e interesses que sempre combateu em seus melhores anos.

˜Ano-Novo, vida velha. Ferreira Gullar foi um baita poeta. O seu “Poema Sujo” é arte das grandes. Foi artista engajado, mas a sua poesia conseguia ir muito além dos clichês bem-intencionados dos revolucionários. Hoje, certamente para ganhar a vida ou sentir-se vivo, escreve “crônicas” na Folha de S.Paulo. O seu primeiro texto de 2012 mostra o grande poeta transformado num cronista de meia pataca destilando lugares-comuns conservadores para felicidade de leitores conformistas que se acham cult ou muito críticos. Um mingau azedo polvilhado de certezas sem amparo dos fatos. Por exemplo: “A América Latina vive hoje, por determinadas razões, a experiência do neopopulismo, que tem como principal protagonista o venezuelano Hugo Chávez. É um regime que se vale da desigualdade social para, com medidas assistencialistas, impor-se diante do povo como seu salvador. Lula seguiu o mesmo caminho, mas, como o Brasil é diferente, não conseguiu o terceiro mandato. A solução foi eleger Dilma para um mandato tampão”. Como prova? Apenas o seu ranço.

Nada mais conservador do que um ex-comunista. É a síndrome do ex-fumante ou do ex-drogado, o cara que cria uma fundação para pregar a moral que não viveu. Para ser colunista nos jornalões brasileiros, é preciso, em geral, ser muito conservador ou transferir capital de um bolso para outro, usando a fama de uma atividade como base para o exercício de outra. A direita domina amplamente os chamados espaços de formação de opinião na imprensa. Há jovens que sobem logo ao trono, adotando ideias reacionárias e velhas que, enfim, conquistam novos prêmios, espaços e adulações repetindo fórmulas gastas pela mídia soberana. Ao não buscar um terceiro mandato, Lula frustrou os seus críticos, tirou-lhes – para adotar o atual tom clichê de Ferreira Gullar – o pão da boca e deixou-os por aí a jogar conversa fora. Aquele que foi um poeta maior, de imagens desconcertantes, agora termina suas análises mal-iluminadas com uma frase formalmente constrangedora: “Temo pelo que possa acontecer à Argentina, nas mãos de uma presidente embriagada pelo poder”. Pobre poeta, embriagado pela sua mediocridade. Embriagado pela mediocridade do poder da mídia. Enquanto isso, na mesma Folha de S.Paulo, um cronista de ofício, Carlos Heitor Cony, depois de algumas temporadas sentenciosas, faz o caminho inverso: termina de envelhecer bem, disseminando um ceticismo levemente irônico de dar inveja a um Machado de Assis. Assim: “Que venham as tempestades da natureza, contra a qual pouco podemos. Quanto às tempestades provocadas pelos escândalos e pela corrupção da qual estamos fartos, não custa apelar para o fervor de nossas preces”. Como cronista, Ferreira Gullar é um Neymar improvisado de lateral. Há quem confunda ter criticado o stalinismo, na época da queda do muro de Berlim e das ditaduras do Leste europeu, com louvação ao capitalismo sem regulação, esse que quebrou a Europa e parte da economia dos Estados Unidos. Pois é, o poeta Ferreira Gullar perdeu-se em corsos, comícios, discursos a granel. Vai ver que é a coincidência do nome com outro maranhense: José Ribamar.”

 

 
 
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Renata Garcia

Adorei o texto Nassif!

Trabalho na e educação e justamente com inclusão de deficientes em escolas regulares. Adorei o que vc falou sobre a APAE e olha que a APAE é uma das que mais mudou. Há centenas de instituições que para não perder o seu "quinhão" , mantém crianças e jovens que poderiam estar nas escolas regulares segregados, e convencem as famílias que isso é o bom, isso é o certo. 

 
 
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Natalia Rosa

Oi, eu não concordo com a inclusão de crianças com deficiencia mental nas escolas da forma que é feita. Penso que deveria ser feito de outra forma. Testemunhei pessoalmente cenas constrangedoras em escolas públicas onde estas crianças estavam sendo supostamente incluidas. Os professores não tem preparação nenhuma para lidar com crianças especiais e não tem paciência nem tempo para dedicar a elas, em sala com mais de 30 ou 40 alunos. O resultado é uma falsa inclusão, que cria nos pais a ilusão de que seus filhos são iguais aos outros, porque frequentam a mesma escola e na criança especial provoca isolamento (sim, porque elas sofrem bulling! Ou esperavam o que?) e por outro lado como não conseguem acompanhar o conteúdo do curriculo, ficam dessestimuladas, acanhadas e se sentindo diminuidas, além de não conseguir desenvolver seu potencial. Um dia esta estupidez vai acabar e as pessoas voltarão a ter senso comum. Não é fazendo de conta que não existe que se resolve um problema!

 
 
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Ivan Moraes

Eu nunca tive preconceitos diki me envergonharia --de fato eu os escrevo na testa em letras vermelhas, so que em letra bem pikinininha ou nao cabem todos eles.

Isso NAO quer dizer que eu discrimino QUALQUER pessoa.  Quer dizer que eu tenho opiniao, nao que eu discrimino.  Todo paulista que eu ja encontrei na vida era racista ponto final.  Se outro tipo existe eu nao os encontrei pessoalmente, so na internet mesmo.  Nem assim eu os discriminaria.

O que voce esta descrevendo nao eh caso de "pouca" solidariedade, Nassif!  Eh caso de pouco contato --de bolhas isoladas de pessoas que nunca pensaram abrangentemente o bastante.  Isso eh a definicao dos paulistas!

Quanto ao restaurantinho bocoioh, eu NUNCA ouvi falar de um gerente de restaurante agindo assim:  se nem o trabalho esta definido na cabeca dos observadores e comentaristas eles terminam falando tudo menos que o gerente nao sabe ser gerente.  EH IMPORTANTE.  Ele pode ser idiota, discriminatorio, burro, egoista, insuportavel, mas tem que fazer o trabalho --mas no thread em questao ninguem sequer deu sinais ainda de entender o que um gerente de restaurante faz e eu tou perdendo a paciencia la.  AAAAHHH TOU!

 

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Ritinha

 

 "Todo paulista que eu ja encontrei na vida era racista ponto final. "

Ivan,

Então "ter opinião" virou eufemismo de ser preconceituoso?

Não sei em qual lugar vive e por andas  para encontrar tantos paulistas racistas. Aliás, duvido que só tenha encontrado paulista racista, deve ter encontrado de outras regiões também. Provavelmente, pela sua postura e falta de boa  vontade com nós paulistas, deve  ver e sentir tudo ampliado quando o assunto é com nós aqui. Sabe aquela coisa que dizem de mulher no trânsito?  Então quando uma comete uma bobagem  alguém com aquela pontinha de preconceito logo diz: "só podia ser mulher...", sem nunca dizer a mesma coisa para o homem que também faz o mesmo tipo de bobagem. Pois bem meu caro, embora a gente se negue a aceitar, isso que você tem se chama preconceito e devemos lutar contra ele, mesmo que tenhamos tanto ponto final(sic) dentro da amplitude deste complexo livro da vida.

Deixa eu lhe explicar uma coisa:  ninguém nasce com  DNA de um lugar para ter características racistas, por tanto, ninguém ao nascer em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo está automaticamente com características que lhe faça racista, idiota, inteligente etc.  Seguindo este seu raciocínio então teria que concordar com muitos europeus  que dizem  "toda mulher brasileira é puta e todo travesti é brasileiro". 

Aliás, a minha experiência neste blog comprova o contrário. O que eu leio, e de forma constanteg,  é justamente  preconceito contra paulistas. ah, mas ter este tipo de manifestação não lhe deve parecer tão ruim né?

Pela minha experiência, o grande vetor do preconceito é a ignorância.  Então eu lhe convido para vir em São Paulo e passar por vários lugares, conversar com pessoas, ir na periferia, centro e até os jardins.  Uma das coisas irá notar de imediato é que não encontrará tantos paulistanos na capital. Quer alguém que mostre a cidade e os seus becos problemáticos, outros nem tanto? Pois bem, eu lhe mostro. Eu lhe recebo aqui e prometo lhe dedicar um final de semana. Tenho certeza que sairá daqui com outra opinião.

Em tempo. Sou paulista/paulistana e não sou racista e tento não ter preconceito. Afirmo que tento, porque os meandros do preconceito pode estar lá escondidinho sem que saibamos. A luta deve ser constante, pois em todos os momentos, neste nosso Brasil inteiro, alguém pode estar sendo discriminado pela cor da pele, classe social, sexo, preferência sexual, religiosa etc. E eu, que já fui discriminada por ser mulher e agora por se paulista, mas estranhamente não pela cor (sou mestiça de branco com preto), vou sempre me manisfestar contra isso.

P.S. o convite que lhe fiz é sério.

 
 
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Ney Henrique

De novo essa história daquela mal educada Nassif?

Primeiro que ela nao era cadeirante ... e segundo eu nao sei de onde que voce tirou que ela é maluca! Que ela e taum maluca quanto a maioria dos elititas, fato! Mas eu pago pra ver se algum medico diagnosticou desequilibrio mental pra aquela mau-educada!

 

Parte da desmobilizacaum dos excluídos vem dessa mania besta de ficar relativizando tudo!

Aquela senhora é uma asquerosa e ponto!

 
 
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Jonatas Machado

Concordo em GNG. Pra mim também pareceu que aquela senhora não é maluca coisa nenhuma. Não sei de onde o Nassif tirou isso.

 
 
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Raquel Freire

Uma coisa é certa: Nos diferenciarmos dos outros enquanto sujeitos de direitos só fortalecerá ainda mais a discriminação. Vamos pensar nisso!

 
 
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Odd Eye

Sinceramente, essa história de alegar que o Zumbi era gay é mais um daqueles casos de falar que toda personalidade era gay para dimiuí-la.

É o mesmo que fazem com Hitler, Nixon, Lampião, etc. Não gosto dele então vou chamá-lo de gay. E vou procurar na história algum elemento que dê a entender que ele tem tendência para ridicularizá-lo.

Eu diria inclusive que esse tipo de alegação deriva do preconceito contra gays das próprias pessoas que inventam essas histórias.

Mas a análise sobre a pouca solidariedade dos discriminados é perfeita. Já vi isso muito na vida, sendo mestiço (de negro, branco e índo, tendo bisavós portuguesas, negras e indígenas), considerado negro e me deparado com membros de outras minorias racistas.

Porém, eu diria que o preconceito contra negro deriva do preconceito contra pobre. Noto que quando as pessoas descobrem minha profissão e onde eu trabalho, mudam completamente o tratamento. Olham pra mim, acham que sou pobre. Quando descobrem que não sou, já disseram até que eu não sou negro (apesar de que não sou mesmo negro, nem branco, nem índio, até eu começar a trabalhar ninguém nunca tinha dito isso).

 
 
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joselitus_maximus

"Porém, eu diria que o preconceito contra negro deriva do preconceito contra pobre."

 

Tem muitas histórias de pessoas que interagem com alguém que têm preconceito contra pobres e são tratadas normalmente até revelarem que são pobres.

Agora, histórias de pessoas que interagem com alguém que têm preconceito contra negros e são tratadas normalmente até revelarem que são negros? Meio difícil, né?

 

Essas pessoas que mudam de atitude no meio da interação é que marcam na memória. As pessoas que lhe evitaram por você não ser branco você sequer percebe. Assim como as pessoas que falam pelas costas.

 

Aí fica essa impressão que o preconceito contra negro deriva do preconceito contra os pobres, que um seria pior que o outro.

Mas é mito, são coisas separadas.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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motoboy

quem paga a maior parte das cotas raciais é o povo com seus impostos.  o povo na sua grande maioria é formado por diversos tipos de grupos discriminados. são discriminados bancando discriminados. solidariedade pura mas que por falta de divulgação aberta e honesta é quase que totalmente incosciente. mas é.

 
 
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maria rodrigues

 


Morando no RJ, tive por muito tempo uma empregada muito negra, e com as características de africana. Pois bem, ela mesma disse-me certa vez que não gostava de negro.Se pegava o trem, buscava sentar-se próxima de brancos. Ali eu vi que existia preconceito de negros com negros.


Até hoje não sei se, por exemplo, se os negros bem sucedidos no football, ou em qualquer profissão,preferem a  distãncia de pessoas da sua cor, pelas escolhas amorosas. Não concluí ainda se nesses casos está explícito o preconceito do negro contra o negro. Não concluí, porque como eles ficam ricos muito cedo, participando de outros mundos, onde os negros são poucos, pode ser natrual as escolhas de loiras de olhos verdes.

 
 
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Ivan Moraes

(Faltou especificar o que isso tem a ver com o assunto!)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Natalia Rosa

Não entendi... por causa do cara ser negro tem obrigatoriamente que namorar uma negra? Que namore quem ele escolher! Preconceito é ficar policiando com quem devem namorar os outros...

 
 
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joselitus_maximus

Na nossa sociedade, pessoas ricas basicamente podem fazer tudo o que querem.

E desses, muitos aproveitam a chance e assim o fazem.

Acredito que pessoas assim acabam revelando os preconceitos e desejos de nossa sociedade, de maneira amplificada.

A nossa sociedade quer carro, casa própria, comida boa. Esses "ricos" compram carrões, mansões e banquetes.

Praticamente todos esses "ricos" namoram brancas de padrão de beleza europeu.

Não prova nada, mas não deixa de ter significado.

 

E um pouco de reflexão sobre porque alguém sempre toma a mesma atitude em certas situações, repetidamente, não é "policiamento". Padrões de repetição chamam a atenção, seja em ciências sociais , filosofia ou  psicologia.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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edisilva

Abaixo um texto que copiei do site da Revista Áfricas e coloquei no blog do Forte Cultural. Site interessante o da Revista Áfricas.

Que homem gosta realmente de mulher preta nesta sociedade!?

 
Revista Africas14/12/2011 por Este é um texto inacabado e a idéia é torná-lo um texto coletivo. Por isso gostaria que quem lesse continuasse esse desabafo. Fique a vontade para me mandar a opinião por e-mail (preta_dss@hotmail.com) ou através do comentário.“Realmente fico me perguntando se tem homem nessa cidade que goste de mulher preta. Pergunto-me e só vejo que a pergunta faz sentido quando estou do lado das irmãs de cor. Quando dialogo sobre o assunto com as amigas brancas, em geral, a coisa fica no tom do “isso é coisa de sua cabeça”. Mas não é não. E também nem tudo é da área do “quando você se sente bonita as pessoas te notam”. Não é só isso…”.(Mônica Santana 20/07/2009 , Salvador-Bahia – Retirado do blog: Eu sou Amélie Poulain -http://eusouamelie.blogspot.com/).Relendo esse desabafo da Mônica fiquei pensando em quantas de nós, irmãs pretas, tivemos essa sensação de “Não Lugar” durante a nossa vida? Quantas de nós lutamos diariamente contra as feridas provocadas pelas manifestações do racismo em nossa auto-estima? Quantas de nós já choramos diante do espelho nos sentindo feias, desejando ter nascido como as princesas dos contos de fadas? Quantas de nós já se perguntaram qual é o nosso lugar nessa sociedade? Como somos vistas, entendidas, compreendidas e amadas pelos homens dessa sociedade?Faço meus o desabafo da Mônica: “Será que tem homem nessa sociedade que goste realmente de mulher preta?” Sei que muitos que lerem esse texto acharão que o que eu escrevo é exagero.Mas quando questiono se existe homem que realmente goste de mulher preta nessa sociedade me refiro ao gostar de forma simples e pura. Um gostar que não nos faça sentir mercadoria barata ou um pedaço de carne. Um gostar que não seja baseado na reprodução das visões estereotipadasque há século nos rotula como objetos sexuais , ótimas amantes, submissas a todos os tipos de violência e exploração. …Associando-nos a palavras do tipo: excitação, desejo, paixão, atração, promiscuidade, casualidade, diversão, descompromisso…Quantas de nós, mulheres pretas, ao conhecer um cara, seja ele branco ou preto, não se perguntou se ele se aproximou apenas para uma transa rápida e nada mais? Quantas de nós já não se sujeitou a tentar manter um relacionamento que nos violenta emocionalmente por acreditarmos que jamais teremos coisa melhor? Quantas de nós já ouvimos frases do tipo:“Gosto de você, mas não vou largar minha namorada ou minha esposa…”“Gosto de você, mas ninguém pode ficar sabendo que estamos juntos…”“Gosto de você, por que você é muito gostosa…”“Gosto de você, mas não quero ter filhos com você, nem vou te assumir…”“Gosto de você, mas nesse momento não quero relacionamento serio…”“Gosto das mulheres pretas, porque elas são mais fogosas na cama…”“Gosto das mulheres pretas, pois elas possuem essa cor do pecado… esse gingado…”“Gosto das mulheres pretas, pois elas possuem uma beleza exótica que me atrai”E dessa forma muitos dizem que gostam das mulheres pretas…. Essa é nossa realidade, independente se estamos entre homens brancos ou pretos, machistas ou politizados, do senso comum ou dos movimentos sociais… Percebemos, com tristeza, que apesar dos discursos lindos, nossa realidade continua estereotipada.Como diz Gislene Aparecida dos Santos em seu livro: Mulher Negra, Homem Branco -Um estudo sobre o feminismo negro “Nem todas as mulheres pretas (gatas borralheiras dessa sociedade) poderão virá cinderelas… Algumas serão as Irmãs mas que mesmo se mutilando (mudando suas características físicas e psicológicas em um ato desesperado de aceitação social), jamais serão escolhidas pelos príncipes encantados…Seja ele Branco ou Preto….::::::::::::::::::::::::::::::::PELENEGRA

 
 
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Nilva de Souza

Este não é o meu caso, Nassif. Sempre militei em várias frentes de inclusão social. Mas, como sou negra, também sempre percebi que, mesmo entre os não incluídos, de qualquer "espécie" ou categoria, os negros  são em maior número e continuam discriminados, independentemente da situação. Cansei de ver negros deficientes físicos perderem vagas para brancos. Aliás, nas triagens é muito comum o(a)s responsáveis comentarem : nossa, que criança linda, ela tem olhos claros, a tia vai te ajudar, passando direto pelas crianças negras. Cheguei a comprar briga quando vi que as atendentes passavam crianças "mais bonitas" à frente de outras.

Então, chega deste papo. É muito mais fácil generalizar e cuidar de "causas maiores".Deve-se lutar pela inclusão de todos, mas atentar para as especificidades de cada caso.

Que o digam as crianças negras nos casos de adoção.

 
 
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Erick M

Eu acho que nenhuma outra característica de nossa sociedade é mais racista que o nosso padrão de beleza: essencialmente branco, não apenas em cor de pele, mas em características de rosto e cabelo. É algo tão brutal que esse é o mesmo padrão procurado, em si e em outros, mesmo pelos negros.

 

Erick

 
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Edmar Roberto Prandini

Perfeita, Nilza, a sua colocação.

Sou branco, sem nenhum risco de possuir qualquer gota de sangue negro em meu corpo, mas não tenho a menor dúvida de que as cotas precisam ser raciais também.

Já discuti muitas vezes sobre isso, inclusive aqui no Blog do Nassif, com o Militão, e em nenhum momento encontrei um único argumento que me deixasse minimamente em dúvida a este respeito.

Minha formação familiar sempre se deu na periferia das cidades, acompanhei inúmeros movimentos sociais, participei de vários deles, vivenciei a criação de grupos do movimento negro, convivi com as tensões políticas no seio desse mesmo movimento, mas nada conseguiu me demover dessa posição: as cotas raciais são uma necessidade para buscarmos a reparação da dívida de nossa sociedade com os afrodescendentes.

Obs: fui casado com uma negra.

 

Edmar Roberto Prandini www.twitter.com/edmarrp

 
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alirio

Carecemos de um estudo aprofundado sobre as formas de preconceito, suas gradações, qualidades e regiões onde ocorrem.

Enquanto não estudamos, ficamos no terreno da opinião, nas considerações baseadas em nossas próprias experiências. Todos sabemos que qualquer pobre, pedinte, não importa a cor da pele, mas sim a aparência, que se aproxima de um estabelecimento comercial é barrado ou expulso, tratado como incoveniente.

Lembro-me do Graciliano Ramos, a tratar do preconceito. Não achei o original, que deve ser fácil para qualquer um que frequenta esse espaço, mas apenas isso:

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Venta-Romba
Este capítulo é irmão de “Um Cinturão”. Nele, ficamos sabendo que o pai de Graciliano Ramos havia sido escolhido para juiz substituto. Torna-se, portanto, uma autoridade. Em certo dia, um mendigo, Venta-Romba, entra inadvertidamente na casa do protagonista, chega até a sala para pedir esmola. Causa tumulto. A mãe rispidamente pede para que ele se retire. O pobre fica atrapalhado, sem reação, estático. Foi pior, pois aquilo foi interpretado como uma afronta. Imediatamente chega o pai, com um soldado, determinando a prisão do invasor. A pífia figura apenas pergunta o porquê de o doutor estar fazendo aquilo, o porquê de estar sendo preso. Mal-estar. Mas não havia como voltar atrás. Tinha que se demonstrar autoridade. E o coitado foi levado para a prisão. A partir desse episódio, aumentou a desconfiança do protagonista nas autoridades e na justiça. E também foi a partir daí que se tornou um filho desafiador e desrespeitador.

 
 
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alirio

"Ofereceram a meu pai o emprego Juiz Substitiuto, e ele o aceitou sem nenhum escrúpulo. Nada percebia de lei, possuía conhecimentos gerais muitos precários. Mas estava aparentado com senhores de engenho, votava na chapa do governo, merecia a confiança do chefe político - e achou-se capaz de julgar."

Assim começa a narrativa do "Venta-romba".

Uma injustiça cometida, uma discriminação marcante na vida de um escritor, gerou um dos maiores e mais dramáticos textos de nossa literatura.

 
 
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Ed Döer

Um caminho para se avançar nesse ponto seria, pegar a ideia geral daquela "cartilha gay" que gerou polêmica e construir algo voltado para o combate ao preconceito como um todo e não apenas um tipo específico. Seria uma forma de "quebrar" com a tese do Nassif, do que vale é a "minha bandeira" e construir uma sociedade onde haja respeito pelo próximo, independente de quem for. Falar em tolerância me parece um equívoco, pois tolerar passa a ideia de que é um esforço grande e sofrível lidar com o "outro", feito apenas por força ou imposição de terceiros, quando tal convivência deveria ser algo completamente natural.

 
 
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Erick M

Esse relato me lembra o filme Crash no limite.

 

Erick

 
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Sobre deficientes......Neste final de ano, foi a formatura de minha filha.....ponto alto ....um rapaz, deficiente, colega de turma, se formando....a mãe, emocionada...chorava sem parar...os alunos, emocionados, gritavam o nome do amigo que aprenderam a respeitar e amar.....nós, convidados.... batíamos palma de pé.......dado comum....TODOS chorávamos.....foi muita emoção. 

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 

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