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A polêmica do índice de inflação na ArgentinaEnviado por luisnassif, qua, 22/02/2012 - 10:49Do Valor Econômico Por César Felício | De Buenos Aires
O governo da Argentina promete dar no próximo mês o primeiro passo para tentar encerrar a polêmica sobre o índice de inflação no país, que se prolonga desde 2007. Uma pesquisa nacional de amostragem domiciliar, com 38 mil entrevistas, começará a ser feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) para servir como base para a elaboração de um índice de preços de caráter nacional. Desde uma mudança da gestão do órgão, o atual índice de preços da Grande Buenos Aires é questionado por oposicionistas, sindicalistas, empresários, economistas independentes e organismos multilaterais. Nem mesmo o governo o defende como uma bússola para a inflação no país. "Índice de preços é uma coisa, o custo de vida é outra e a inflação é uma terceira", disse em entrevista ao Valor a diretora-geral do Indec, Ana Maria Edwin. Mas a polêmica, que levou o governo a acionar judicialmente consultorias independentes que publicaram índices de preços divergentes, ainda deve durar. O novo índice só deve começar a ser divulgado entre o final de 2013 e o início de 2014. A criação de um índice com padrões internacionais é uma cobrança constante do FMI, reiterada na última reunião da direção do Fundo, no dia 1º de fevereiro. O aval de instituições como o FMI é importante para a Argentina voltar ao mercado internacional de crédito, do qual está fora desde o colapso econômico de 2001. Mas Edwin negou a motivação externa. "Não temos e nem nunca tivemos um indicador de caráter nacional, e esta é uma necessidade do país." No comunicado à imprensa após a reunião do início do mês, o FMI afirmou "lamentar a ausência de progresso em alinhar um índice de preços com padrões internacionais" e convocou o país a "implementar medidas específicas, dentro de 180 dias, para melhorar a qualidade dos dados". "Nossa questão é melhorar indicadores com problemas que se arrastam há muitos anos e que não foram inventados por nós e nem começaram em 2007. Eles [o FMI] sabem perfeitamente as ações que estamos desenvolvendo", argumentou a dirigente. Até 2005, o Indec divulgava um índice de preços, sem grandes questionamentos, formado por uma cesta de 818 itens pesquisados na região metropolitana da capital. Naquele ano, o então ministro da Economia Roberto Lavagna lançou títulos da dívida pública vinculados à variação inflacionária. Em fevereiro de 2007, pouco antes de deixar o cargo, o então presidente Nestor Kirchner, que seria sucedido pela esposa, Cristina Kirchner, determinou uma intervenção no órgão. O índice passou a ser calculado tendo como base 440 itens e, desde então, tem a credibilidade questionada. Segundo a direção do Indec, agentes econômicos passaram a trabalhar com cenários de expansão da inflação, para elevar a remuneração dos papéis, o que teria apressado a decisão de mudar o índice. A cúpula do Indec afirma que o índice anterior era suspeito. "Havia uma falta de transparência absoluta", comenta o diretor técnico Norberto Itzcovitch, para quem um sinal de que havia coisas erradas no Indec era o fato do índice não refletir o esforço do governo em exercitar controles na economia. "Em 2006, o governo começou a implementar uma política de preços, e isso não se refletia nos índices. Houve um acordo para se vender o pão a um determinado valor, por exemplo, e no índice o pão subia. Era um trabalho que não estava sendo guiado por critérios técnicos", afirmou. O diretor também devolve as acusações de manipulação e afirmou que os fundamentos das pesquisas eram irregulares. "A medição de serviços domésticos não era feita por amostragem probabilística, mas por uma consulta entre os amigos dos que trabalhavam no escritório. E esta era só a quinta variável em importância na cesta", ironizou Izcovitch. Nos últimos quatro anos, o Indec tornou-se um dos centros do debate político da Argentina, a ponto do jornal "La Nación" afirmar, em editorial, que o instituto havia se tornado "uma vergonha nacional". Edwin respondeu em um artigo publicado no jornal "El Tiempo Argentino" (que apoia o governo), em que afirmou no título: "A nação tem vergonha do jornal", referindo-se ao "La Nación". A réplica de Edwin foi reproduzida em cartazes que estão colados na porta do prédio do instituto. O índice de preços oficial acumulado em 2011 ficou em 9,5%, uma medição muito abaixo das estimativas com que trabalham a maioria dos agentes econômicos para elaborar sua estrutura de custos. Nas negociações sindicais, por exemplo, mesmo os sindicatos alinhados ao governo tentam obter reajustes entre 25% e 30%, algo que a diretora-geral do Indec vê com naturalidade. "Seria exótico um líder sindical ir negociar com o índice de preços na mão. As negociações sempre tiveram como base a produtividade de cada setor da economia, jamais a variação dos preços na capital do país" disse. A divulgação de dados discrepantes fez com que o governo argentino processasse judicialmente uma série de empresas de consultoria econômica, às quais acusa de interesses financeiros em inflar artificialmente o item. Desde o ano passado, para driblar a restrição, um grupo de deputados oposicionistas passou a divulgar no Congresso um índice médio da inflação medido por oito consultorias. Como possuem imunidade parlamentar, os deputados estão livres de sanções. Na medição extra-oficial, a inflação de 2011 foi de 22,8%. "Falam que a inflação varia de 20% a 30% ao ano, como se isso fosse uma verdade revelada, sem consultarem a ninguém a não ser suas próprias consciências. A oposição divulga um indicador que seria inapresentável em uma escola primária, uma média simples sem nenhuma base científica", disse Edwin.
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Comentários + votados
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aliancaliberal
22/02/2012 - 11:16
A definição popular de inflação impede a adoção de políticas sensatas por Frank Shostak
Em época de aumentos generalizados nos índices de inflação, os economistas tendem a explicar tal...
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Se já "administramos" (manipulamos) o nosso (basta ver o expurgo dos novos Contratos de Aluguéis sobre os imóveis com os preços 100% aumentados, que, também, "escapam" a expertise de nossos gênios do IBGE e FGV - trabalhando orientados pelo governo), que credibilidade temos para avaliar o dos outros. "OLHA O SEU RABO, COTIA", diria a bisa.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
A definição popular de inflação impede a adoção de políticas sensatas por Frank Shostak
Em época de aumentos generalizados nos índices de inflação, os economistas tendem a explicar tal fenômeno colocando a culpa em alguns fatores pontuais, como se o aumento no preço de um determinado produto pudesse gerar toda uma reação em cascata. Assim, os culpados preferidos dos surtos inflacionários são sempre a alta do petróleo causada por tensões no Oriente Médio, eventos climáticos como escassez ou excesso de chuvas, as pressões sindicais por maiores salários ou até mesmo a subida das tarifas aéreas, da energia elétrica e dos fretes.
A inflação é um aumento de preços?
O problema fundamental dessa confusão jaz na incapacidade de se definir adequadamente o que é inflação. A essência da inflação não é um aumento generalizado nos preços, mas sim um aumento na quantidade de dinheiro na economia, o que por sua vez provoca um aumento generalizado nos preços dos bens e serviços.
Como Mises explicou em seu ensaio, "Inflação: uma política fiscal impraticável",
Inflação, como esse termo sempre foi utilizado em praticamente todos os lugares do mundo, significa aumentar a quantidade de dinheiro (cédulas e moedas metálicas) em circulação, bem como a quantidade de depósitos bancários que podem ser utilizados por meio de cheques. Porém, as pessoas hoje utilizam o termo "inflação" para se referirem ao fenômeno que na verdade é uma consequência inevitável da inflação, qual seja, a elevação de todos os preços e salários. O resultado desta deplorável confusão é que não mais existe um termo disponível para explicar a causa desse aumento generalizado nos preços e salários. Não mais existe qualquer palavra disponível para assinalar o fenômeno que, até então, sempre foi chamado de inflação...
Se você é incapaz de definir corretamente um fenômeno, você não tem como lutar contra ele. Aqueles que se arvoram a capacidade de lutar contra a inflação estão na verdade lutando apenas contra a consequência inevitável da inflação: o aumento dos preços. Seus esforços irão inevitavelmente fracassar porque não se está atacando a raiz do problema. Eles tentam manter os preços sob controle ao mesmo tempo em que continuam decididamente aumentando a quantidade de dinheiro na economia, algo que necessariamente fará com que os preços continuem subindo. Enquanto essa confusão terminológica não for completamente extirpada, é impossível haver qualquer chance de se acabar com a inflação.
O preço de um bem é a quantidade de dinheiro pedida em troca dele. Assim, para uma dada quantidade de bens, quanto mais dinheiro houver na economia, maior será a quantidade de dinheiro gasta por bem, tudo o mais constante. Isso significa que, para uma dada quantidade de bens, um aumento na quantidade de dinheiro, tudo o mais constante, deve inevitavelmente fazer com que haja mais gastos monetários por unidade de cada bem — ou seja, um aumento generalizado nos preços dos bens.
Quando a inflação passa a ser vista como um aumento generalizado nos preços, então qualquer coisa que contribua para um aumento nos preços é chamada de inflacionária. As fontes da inflação deixam de ser o banco central e o sistema bancário de reservas fracionárias; as fontes da inflação passam a ser qualquer outro fenômeno não relacionado a essas instituições. Nesse arranjo, não apenas o banco central nada tem a ver com a inflação, como também, ao contrário, o banco central passa a ser visto com um guerreiro contra a inflação.
Assim, uma queda no desemprego ou um aumento na atividade econômica passam a ser vistos como um potencial detonador inflacionário, devendo ser restringidos pelas políticas do banco central. Alguns outros "detonadores", como aumentos nos preços das commodities ou nos salários dos trabalhadores, também passam a ser considerados como ameaças em potencial, devendo portando estar sempre sob o zeloso e atento escrutínio do banco central.
A definição popular não é capaz de explicar por que a inflação é ruim
Se a inflação é apenas um aumento generalizado nos preços, então por que ela é considerada uma notícia ruim? Que tipo de estrago ela faz? Os economistas convencionais dizem que a inflação — que eles rotulam como sendo um aumento geral dos preços — faz com que as pessoas saiam fazendo compras especulativas para se precaver contra aumentos futuros nos preços, comportamento esse que gera grandes desperdícios. A inflação, afirma-se, também corrói a renda real dos aposentados, pensionistas e dos assalariados mais pobres, além de provocar uma má alocação de recursos.
Apesar de todas essas afirmações sobre os efeitos colaterais da inflação, os economistas convencionais não nos dizem qual a real causa de todos esses efeitos ruins. Por que um aumento geral nos preços seria ruim para alguns grupos, mas não para outros? Por que um aumento geral nos preços prejudica o crescimento real da economia? Ou, como a inflação gera uma má alocação de recursos? Ademais, se a inflação é apenas um aumento nos preços, então certamente deveria ser possível compensar seus efeitos apenas reajustando a renda de todas as pessoas da economia de acordo com esse aumento generalizado nos preços.
Entretanto, se aceitarmos que a inflação é na verdade um aumento na oferta monetária, e não um aumento nos preços, então todas essas afirmações podem ser facilmente explicadas. Não são os sintomas da doença, mas sim a própria doença a causa dos danos físicos. Da mesma forma, não é o aumento generalizado dos preços, mas sim o contínuo aumento na quantidade de dinheiro na economia o que provoca os estragos na criação de riqueza da economia.
Aumentos na quantidade de dinheiro na economia possibilitam que as primeiras pessoas que recebem esse dinheiro recém-criado tenham seu poder de compra elevado. Sem que tenham produzido absolutamente nada, elas agora podem adquirir mais bens, gerando uma concorrência desleal com os reais produtores de riqueza da economia, aquelas pessoas que realmente precisam produzir algo para poderem adquirir outro bem em troca. Essa distorção altera a alocação de recursos na economia, privilegiando os reais beneficiários da inflação da oferta monetária (os primeiros a receberem o dinheiro recém-criado) em detrimento dos reais geradores de riqueza. É isso, e não o aumento dos preços, que gera a má alocação de recursos na economia.
As pessoas que primeiro recebem esse dinheiro recém-criado — um dinheiro que é criado do nada pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas fracionárias — podem agora desviar para si próprias uma maior fatia de toda a riqueza que existe na economia. Obviamente, aquelas pessoas que não recebem nenhuma parte desse dinheiro recém-criado, ou que recebem apenas uma parte e após muito tempo, irão descobrir que para elas sobrou apenas uma fatia mínima de toda a riqueza da economia. Ou, falando mais claramente, os preços de todos os bens já aumentaram antes de esse dinheiro chegar até elas, o que significa que houve uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos.
Ademais, os rendimentos reais caem não por causa do aumento generalizado dos preços, mas por causa do aumento na quantidade de dinheiro; em outras palavras, a inflação estimula o consumo acelerado dos bens, o que solapa a capacidade de produção da economia e, consequentemente, provoca um aumento dos preços para a menor oferta de bens restantes — o que, consequentemente, reduz o poder de compra das pessoas. O aumento generalizado nos preços é apenas a consequência de todo um processo destrutivo gerado pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.
Contrariamente ao senso comum, a preocupação do Banco Central em manter uma estabilidade de preços — ao, por exemplo, estabelecer um sistema de metas de inflação — pode gerar surpresas desagradáveis. Por exemplo, caso haja um forte aumento na produtividade simultaneamente a uma forte expansão monetária, os preços poderão se manter estáveis. Não obstante essa estabilidade, vários efeitos colaterais deletérios advirão dessa expansão monetária. Exatamente por isso é que os economistas, bem como as autoridades monetárias, deveriam centrar-se nas fontes da inflação monetária, e não nos sintomas da inflação.
Sobre isso, Rothbard escreveu,
O fato de os preços gerais terem se mantido estáveis durante a década de 1920 nos EUA fez com que os economistas de época cressem que não havia ameaças inflacionárias. Consequentemente, o evento da Grande Depressão surpreendeu-os por completo.
Conclusão
Quando o dinheiro é criado do nada e injetado na economia, ele adentra o sistema econômico por pontos muito específicos, de modo que as pessoas que primeiro o recebem se beneficiam às custas daquelas que o recebem por último. Exatamente por isso, essa inflação monetária jamais afeta os preços de todos os bens na mesma intensidade ao mesmo tempo. Tampouco o efeito é instantâneo.
Como o dinheiro se move de um mercado para outro, de um setor da economia para outra, sempre há um atraso entre a injeção de dinheiro e a subida dos preços. Quando o aumento da oferta monetária ocorre em períodos de aumento da produtividade, o aumento dos preços demora mais a ocorrer; quando o aumento da oferta monetária se dá em períodos de reduzida produtividade, o aumento de preços tende a ser mais rápido e perceptível.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=918
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
O PIB da Argentina cresceu 50% de 2003 e 2008 e continua crescendo em altas taxas, bem maiores que as nossas.
E o FMI está precisando que Christina lhe dê novamente uma banana como já fez Nestor Kirchner em 2003.
O FMI e o colapso da Argentina Por LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA
"Hegel teve razão quando disse que, embora se recomende aos governantes, estadistas e povos que aprendam, preferivelmente, através da experiência da história, a experiência e a história ensinam é que os governantes e os povos nunca aprenderam qualquer coisa da história nem se comportam de acordo com suas lições. Este é o caso da Argentina, onde a convulsão social e política era perfeitamente previsível e afigurava-se inevitável, como conseqüência da crise econômica e financeira em que ela se abismou.
A Argentina, sob o governo de Juan Domingo Perón (1946-1955), nunca ratificou a Carta da OEA e o Tratado de Bretton Woods, nem aderiu ao Fundo Monetário Internacional nem ratificou o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. Foi o Governo Provisório, chefiado pelo general Pedro Aramburu, que, em 1956, tomou todas essas e outras iniciativas, inclusive a de assinar uma série de acordos militares com os EUA, mediante os quais a Argentina aceitou o funcionamento permanente de uma missão militar norte-americana, no âmbito do Ministério da Defesa, com o objetivo de coordenar a uniformização dos armamentos a serem utilizados na defesa do hemisfério, e as esquadras de ambos os países passaram a realizar manobras conjuntas no Atlântico Sul. O general Pedro Aramburu, chefe do governo provisório (1955‑1958), recebeu logo depois crédito de US$ 100 milhões do Eximbank, US$ 75 milhões do FMI, US$ 50 milhões de bancos americanos e mais US$ 30 milhões da Standard Oil Co. . E executou uma série de medidas liberais, a fim de conter a inflação, restaurar a agricultura e garantir o ingresso de capitais estrangeiros.
Desde então, após a queda de Perón em 1955, a Argentina também foi sempre submetida, com breves interregnos, a políticas econômicas liberais e planos de estabilização, recomendados pelo FMI e pelos governos dos EUA.
(....)
Raúl Alfonsín, União Cívica Radical, venceu a eleição para a presidência. Mas, sem poder controlar a hiperinflação, passou o governo ao peronista Carlos Menem, em 1989, meses antes de terminar seu mandato. Menem nomeou Domingo Cavallo ministro das Finanças e tratou de reestruturar a economia argentina, segundo o modelo neoliberal. Sua política econômica, contrariando toda a doutrina de Perón, foi essencialmente a mesma defendida pelos liberais Álvaro Alsogaray, Adalberto Krieger Vasena e José Martinez de Hoz. E, apesar do êxito inicial no controle da inflação, deixou a Argentina, ao fim de dez anos, com uma distribuição de renda igual ou pior que em 1989, quando a hiperinflação pulverizava os salários dos trabalhadores. As taxas de pobreza, que subiram durante a hiperinflación de 1989, não decresceram aos seus níveis mínimos anteriores, apesar da estabilização monetária. E a situação financeira da Argentina também se configurou extremamente crítica. Sua dívida externa, da ordem de U$ 144,6 bilhões, ao fim de 1999, eqüivalia a cerca 50% do seu PIB, estimado em US$ 271, 9 bilhões (1998), e o progressivo e rápido agravamento dos “déficits-gêmeos” - o déficit nas contas externas (balança comercial e de serviços) e o déficit nas contas internas do governo – começou a gerar desconfiança nos investidores, tanto argentinos como estrangeiros, levando-os a suspender os investimentos diretos, em portfólio ou empréstimos.
A expectativa de um default nos pagamentos externos, ou seja, que a Argentina deixasse de cumprir seus compromissos tornou-se assim real, desde 1998, conquanto ela obtivesse do FMI um empréstimo stand-by da ordem de US$ 7.4 bilhões. O presidente Fernando de la Rua, que sucedeu Menem em 1999, mostrou, entretanto, que nada aprendera com a experiência nem com a história. Convocou Domingo Cavallo para tirar a Argentina do pántano em que ele a fundara. Os aumento dos impostos e os cortes orçamentários, exigidos pelo FMI, não reduziram, porém, a zero o déficit fiscal, e a insistência na sobrevalorização do peso, atrelado ao dólar pela Lei da Conversibilidade, provocariam necessariamente a explosão social e a instabilidade política. A crise dramaticamente se agravou, em dezembro de 2001, quando o FMI negou à Argentina novo financiamento, da ordem de US$ 1.264 milhões. Em meio de violenta explosão social, com as massas na rua, Domingo Cavallo, o artífice da crise, caiu do Ministério da Economia, Fernando de la Rua renunciou à presidência, o poder político implodiu e o esperado default aconteceu. “A essência deste modelo perverso terminou com a conversibilidade” - Duhalde declarou, considerando “esgotado” o liberalismo que levou a Argentina à bancarrota, ao caos, e tornara inevitável a pesificação, ou seja, o fim do currency board, que vinculara artificialmente o peso ao dólar, dando aos argentinos a ilusão de que estavam a viver no Primeiro Mundo.
Em agosto de 2000, Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil, dissera imprensa que não era possível deixar a Argentina em crise sem dar a ela condições de sobrevivência. E, aludindo ao FMI e ao governo dos EUA, acrescentou: “A Argentina fez tudo o que pediram. Agora vai ser punida ?”. Sim. A Argentina foi punida exatamente porque quase todos os seus governos, desde a queda de Juan Perón em 1955, fizeram sempre tudo o que o FMI e o Departamento do Tesouro norte-americano determinaram, embora a currency board (vinculação do peso ao dólar) fosse uma decisão da dupla Carlos Menem -Domingo Cavallo, porém aplaudida em Washington.
De fato, como o jornalista Paul Krugman escreveu, o “catastrófico fracasso” (catastrophic failure) resultou das políticas econômicas aplicadas na Argentina com o selo - “made in Washington”. E não sem razão o economia americano Jeffrey Sachs advertiu queo país que “segue a receita do FMI cegamente corre o risco de acabar num abismo”. “O que quero dizer é que, algumas vezes, isso significa não obedecer totalmente ao que o FMI determina” – enfatizou Jeffrey Sachs, salientando: “Basta olhar para a Argentina para ver o que acontece”."
"Argentina cresceu 50% de 2003 e 2008" assim como quase todos os países do mundo.
Das 10 metas do consenso de washington a Argentina mal executou 4 , isso esta longe de "feito tudo".
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
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