A piora no salário dos professores das Federais

Do blog Acerto de Contas

Salários dos Professores das Federais já estão piores do que no Governo FHC

Por Pierre Lucena

Durante o ano de 2011, as representações docentes se reuniram com o Governo Dilma com o objetivo de reorganizar a carreira, conforme foi pactuado no segundo Governo Lula. A ideia geral era de equilibrar a carreira docente com outras semelhantes no Governo Federal, a exemplo da carreira de pesquisador do Ministério da Ciência e Tecnologia e da carreira de pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Este texto se propõe a comparar os salários destas carreiras, desde o ano de 1998 até 2011, dentro de sua principal referência, que é o salário inicial de um pesquisador/professor com doutorado.

Metodologia

Para esta comparação, foram utilizados dados obtidos junto ao Relatório intitulado “Tabela de Remuneração dos Servidores Públicos Federais”, disponibilizado pelo Governo Federal em sua página do servidor.

Foram comparados dados de três carreiras distintas:

· Professor Adjunto 1 em Dedicação Exclusiva com Doutorado, das Universidades Federais, estando este na ativa e recebendo a Gratificação de Estímulo a Docência (GED); 
· Pesquisador do IPEA; 
· Pesquisador do Ministério de Ciência e Tecnologia, com doutorado.

Todas as carreiras tiveram como base o salário inicial, com as gratificações a que os servidores possuem direito, como a GED, durante o Governo Fernando Henrique. Esta gratificação foi incorporada posteriormente.

Para o cálculo da inflação foi utilizado o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), do IBGE, obtido junto ao banco de dados do IPEA.

O ano de 1998 foi escolhido como base pelo fato de ser o primeiro ano com o lançamento do caderno com os salários do Governo Federal.

Resultados

O que se vê no gráfico 1, com o salário nominal das três carreiras, é certa equivalência, estando inicialmente o pesquisador da carreira de Ciência e Tecnologia com salário abaixo das demais. O professor adjunto era o que percebia a maior remuneração em 1998 (R$ 3.388,31), quando calculado com a GED cheia (140 pontos).

Gráfico 1 – Salário nominal das carreiras, desde 1998.

clip_image002

Quando observada a evolução salarial das carreiras, verifica-se que os docentes das universidades federais tiveram seus salários reajustados bem abaixo das demais. O pesquisador do IPEA recebe em 2011, de salário inicial, aproximadamente R$ 13 mil, enquanto os docentes com doutorado pouco mais de R$ 7,3 mil. Os pesquisadores do MCT recebem pouco mais de R$ 10,3 mil. Quando calculado o percentual de distorção, verifica-se que para equiparar-se aos salários do MCT, seria preciso um reajuste no salário dos docentes por volta de 41,1%, e para equiparar-se aos do IPEA, seria necessário um reajuste de 76,7%.

Esta distorção se mostra ainda mais evidente quando descontada a inflação pelo IPCA, com base em 1998.

Gráfico 2 – Salário real das carreiras, descontada a inflação, desde 1998.

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Verifica-se que houve perda salarial dos professores quando descontada a inflação do período. O salário real do professor é 2,8% inferior ao primeiro ano da série (1998). As outras duas carreiras tiveram ganhos reais dentro deste período.

Quando colocado em Base 100, descontada a inflação do período, a distorção fica ainda mais evidente, como pode ser verificado no Gráfico 3.

Gráfico 3 – Salário real das carreiras com Base 100, descontada a inflação desde 1998.

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Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.

Dada a proposta do Governo de reajuste de 4% no próximo ano e posterior congelamento do vencimento, com discussão apenas em 2013, a perda em relação à 1998 é significativa, considerando a previsão de inflação de 6,5% para o ano de 2011 e 5% para os anos de 2012 e 2013. Caso a categoria aceite esta proposta, o Professor Adjunto 1 deverá receber por volta de 86% do que recebia em 1998, já descontada a inflação pelo IPCA, conforme pode ser visto no Gráfico 4.

É possível verificar certa estabilidade nos vencimentos dos professores, desde o ano de 1998. Não há ganho significativo do salário em nenhum momento, apenas a reposição da inflação, seja no Governo FHC, seja no Governo Lula.

Gráfico 4 – Previsão de salário real das carreiras até 2014 na hipótese de aceitação da proposta do Governo, com Base 100, descontada a inflação desde 1998.

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Fonte: organizado pelo autor, com dados do Governo Federal e do IPEA.

4 – Conclusão

A proposta oferecida pelo Governo Federal, além de não atender ao que teria sido acertado, de equiparação com a carreira do Ministério da Ciência e Tecnologia, ainda representa enorme perda potencial durante o Governo Dilma.

Os resultados mostraram que a realidade hoje é ainda pior do que em 1998, quando foi concedida a GED, para aqueles que a recebiam em sua totalidade, quando alcançado os 140 pontos.

5 – Referências

IPEADATA – www.ipeadata.gov.br 
Dados do Servidor – www.servidor.gov.br

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104 comentários
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DanielQuireza

Para mim salário de professor universitário é uma incógnita. Ninguem sabe direito quanto eles ganham. Ganham daqui, dali, de fundações, etc. Eu acho que deveria aumentar a transparência.

 

@DanielQuireza

 
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Roberto Andrade

Mais uma da série "vale tudo para não criticar um governo do PT"...

 
 
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Rafael Gonzaga

Dessa vez eu tenho que concordar com o Daniel Queiroz.

Ninguém pode dizer ao certo quanto um professor universitário ganha no total. São muitas as gratificações, cargos acumulados, bolsas, verbas de projetos das mais diversas fontes tanto do governo quanto do setor privado.

O que mais tem são professores dando consultorias, tradusindo e revisando livros estrangeiros, escrevendo seus proprios livros, indo viajar para congressos e por ai vai.

Isso em si não é ruim. Não sei se teve alguma lei aqui em São Paulo ou no final do governo FHC mas é notório que a mais de uma década o movimento grevista e sindical dos professores universitários deu uma arrefecida. Em 5 anos de USP tive 4 greves de funcionários e 2 de estudantes, mas nenhuma de professores.

 
 
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maurobrasil

Olá pessoal,

Sou professor de uma universidade federal e faço a seguinte ponderação:

É preciso lembrar que até o governo Lula, havia apenas quatro níveis na carrera dos professores com doutorado nas IFES: Adjuntos 1, 2, 3 e 4. Com Lula foram criados mais quatro níveis: Associados 1, 2, 3 e 4. Então não faz muito sentido avaliar a evolução dos salários dos professores tomando por base apenas a evolução do salário inicial da carreira, de Adjunto 1.

Seria muito importante ver a evolução do salário médio e para isso basta pegar a evolução do orçamento gasto com os salários dividido pelo total de professores das IFES. Tenho a impressão que o quadro será bem diferente da evolução do salário incial da carreira.

É claro que houve substancial aumento salarial com a criação dos novos níveis. A impressão que dá é que essa análise é enviesada e se destina principalmente a justificar uma possível greve dos professores nesse semestre.

 
 
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Vânia

Só para esclarecer, a diferença entre o salário de adj I para adj II, por ex., é de menos de 100 reais.

 
 
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maurobrasil

A diferença maior é da carreira de Adjunto para a carreira de Associado.

Para quem quizer ver a legislação, que é de fato muito confusa, é só clicar no seguinte link:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/Lei/L11344.htm

Abaixo o quadro apenas da Remuneração por Titulação:

c) Carreira do Magistério Superior - Valores da RT para o Regime de Dedicação Exclusiva (Redação dada pela Lei nº 12.269, de 2010)

 

Em R$

 

 

EFEITOS FINANCEIROS

EFEITOS FINANCEIROS

CLASSE

NÍVEL

A PARTIR DE

1o DE FEVEREIRO DE 2009

A PARTIR DE

1o DE JULHO DE 2010

 

 

APERF

ESPEC

MESTR

DOUT

APERF

ESPEC

MESTR

DOUT

TITULAR

1

297,40

629,19

2.529,29

5.865,99

435,34

794,01

3.032,07

6.968,43

 

4

 

 

2.524,80

5.591,44

 

 

3.030,97

6.967,33

ASSOCIADO

3

 

 

2.524,17

5.530,30

 

 

3.030,34

6.858,45

 

2

 

 

2.523,54

5.472,95

 

 

3.029,71

6.857,62

 

1

 

 

2.522,91

5.299,92

 

 

3.029,08

6.815,21

 

4

176,37

572,31

1.765,18

3.583,43

282,94

578,03

2.130,17

4.250,33

ADJUNTO

3

160,69

540,38

1.688,76

3.476,98

274,64

545,78

2.044,92

4.136,10

 

2

144,19

507,87

1.628,50

3.373,38

267,95

512,95

1.984,37

4.024,97

 

1

135,09

483,11

1.569,09

3.365,27

261,45

483,55

1.924,68

3.916,88

 

4

124,07

443,65

1.409,95

 

249,19

454,35

1.709,18

 

ASSISTENTE

3

118,83

424,90

1.408,84

 

243,23

442,37

1.672,92

 

 

2

113,98

407,54

1.407,73

 

237,45

432,10

1.630,44

 

 

1

109,40

391,13

1.406,62

 

231,84

422,12

1.592,90

 

 

4

101,00

361,04

 

 

221,25

403,30

 

 

AUXILIAR

3

96,92

346,44

 

 

216,12

394,16

 

 

 

2

93,07

332,68

 

 

201,66

375,82

 

 

 

1

89,43

319,64

 

 

187,32

357,72

 

 

 
 
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Vânia

Mais uma coisa, ressalto parte da matéria: 

Todas as carreiras tiveram como base o salário inicial, com as gratificações a que os servidores possuem direito, como a GED, durante o Governo Fernando Henrique. Esta gratificação foi incorporada posteriormente.

Para quem acha que o salário de professor doutor em "início de carreira" (vide adjunto I) está muito bom, lembrem-se que não se trata de um récem saído da graduação. Depois desta, ainda cursou mais 2 anos de mestrado e 4 de doutorado . Ou seja, quem inicia cedo nesse caso, está iniciando por volta de 30 anos... até chegar em Assistente 4, vão-se mais uns 20 anos.

 
 
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Vânia

correção: recém

 
 
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Renatomp

Caro Mauro,

vc tem razão, a criação de novos níveis melhorou a situação dos professores, mas é preciso reconhecer também que criação de novos níveis não é aumento salarial. O fato é que todos entram na carreira no nível adjunto I e isso, hj, significa que um novato estará ganhando menos do que ganhávamos em 1998. Faz sim sentido a comparação, pois revela que o salário inicial real hj é menor do que antes. Claro, não é possível comparar a situação dos associados, já que esta categoria não existia antes. Imagino que uma política de recuperação do valor real do salário inicial incidirá sobre o salário dos associados.

Abs

Renato

 
 
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Henrique Finco
 

Henrique Finco

 
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André LB

  Considerando o artigo, realmente é para concordar com você.

 
 
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Chico Pedro

Primeiro me admirava com essa "tendência"..

Depois comecei a achar preocupante..

 
 
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Filipe Rodrigues

Pois é Roberto, haja malabarismo do colunista...

 
 
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Calvin

Huá, huá, huá, impagável! Deve ser duro defender certas coisas só por causa do DAS!

 
 
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alfie

Concordo com Daniel. Não se fala, por exemplo, das aposentadorias dos professores de universidades públicas que são similares as dos congressistas, ou seja, bem diferente da média paga ao povo brasileiro. Não se fala de benefícios extras que existem em algumas universidades federais como residências oferecidas pelas instituição(ou seja, uma despesa a menos). Sabe-se também que alguns professores têm tempo para palestras pagas por outras entidades em outros locais/cidades. E no terreno das pesquisas, pouco ou nada se sabe sobre o custo-benefício. E no terreno das universidades gratuitas, conheço muito gente de posse formada em Direito ou sociologia em universidades públicas gratuitas; de lá saem para serem jornalistas, publishers de editoras que nada têm a ver com essas áreas, ou programadores de estação de TV no exterior. Quem pagou esses anos de estudos? O povo brasileiro que não recebe nada em troca. Isso tem que acabar.

 
 
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DR

Eu gostaria de saber em que tal crítica difere os pesquisadores do MCT e IPEA dos professores universitários. Será que são transparentes também?

No caso dos professores universitários, sabe-se que é exigida dedicação exclusiva e os sindicatos estão em cima para denunciar quem faça o contrário. E sabe-se também que é uma minoria ínfima de professores que atuam em fundações, geralmente da área de economia e administração, de onde parecem ser oriundos os pesquisadores do IPEA.

Gostaria muito de saber o porquê de pesquisadores do MCT e do IPEA receberem salários maiores do que professores universitários, que precisam ensinar & pesquisar. Vai ver, ensinar seja considerado um serviço inferior? Espero que não...

Talvez haja uma explicação mais lobbyca. Os pesquisadores do MCT estão morando na própria casa que define os salários dos pesquisadores. Os pesquisadores do IPEA são vizinhos do MCT (Setor de Clubes Sul, trecho 3, Brasília). Os professores? Espalhados Brasil afora. 

 
 
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Alfredo d'Avila

Em muitas Escolas de Engenharia, a da UFRGS, por exemplo, o professor presta assessorias cujas contrapartidas financeiras, em sua maior parte, vão para a conta báncaria do professor.....

 
 
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Anonimjoi

Se colocasse nessas contas os rendimentos via fundações, a média triplicava. Além disso, só que ganha isso é otário que não sabe bajular para ter um cargo, ganhar mil vezes melhor e  ainda o melhor ganho: ficar livre de ter de aguentar tudo quanto é aluno imprestável em sala de aula. Ainda hoje fui buscar o meu plano do semestre e apenas o idiota aqui e mais uns três, de mais de quarenta, ministram as vinte horas aulas só na graduação.

 
 
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Roger Keller Celeste

Sou professor da UFRGS,

Meu salário base (VB) é de pouco mais de 2mil reais!!! Quando o amigo acima fala em incógnita aí vai ela, satisfeito? 

Os valores que o nassif coloca (7mil bruto) inclui todas gratificações dadas.

Abs.

 
 
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José Guibson Delgado Dantas

Eu não ganho nada de fundações...só da UFAL - onde trabalho.

 
 
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Chico Pedro

É fácil o governo federal exigir piso salarial para estados que dependem dele..

Que são subservientes e paparicadores..

Queria ver - se fosse possível - os estados exigirem piso para os funcionários da União..

P.s: Fiz uma crítica em relação ao modelo federativo em outro tópico..

Um cidadão disse que agora o modelo é de parceria..

Caso venha aqui, digo o seguinte..:

Melhor do que fazer "parceria" é dar aos próprios estados e municípios condição para investir..

Não é da boa vontade do governo federal que precisam...

Mas da própria capacidade de realizar seus investimentos..

E que resolvam depois com seus próprios eleitores..

Hoje..

É o mesmo que o síndico do prédio decidindo o que fazer na cozinha da casa do "morador"..

 
 
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wannabe

Caro Chico,

Já disse num comentário meu, e vou repetir: a federação brasileira é uma farsa, mentirinha, conto de fadas. O que existe é concentração de dinheiro e aparelho estatal adequado em Brasília, e muitas responsabilidades, falta de transparência e investimentos nos estados, DF e municípios. As próprias Contituições estaduais são limitadas. Tem projeto de Lei na Câmara dos Deputados querendo regular semáforo. Pombas, isso lá é projeto federal? Sou a favor de mais recursos para os estados, DF e municípios, inclusive "vitaminando" órgãos de controle.

Toda essa concentração fiscal em Brasília cria, lógico, uma dependência eterna dos estados. A grande maioria simplesmente fecha a conta no vermelho, todo mês. Aí em Minas não é diferente, devo supor.

Abraços 

 

O fantasioso não é uma alternativa ao racional, pois baseia-se no delírio de uns e na ingenuidade de muitos.

 
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Paulo Paiva

Sinceramente,

Acho a reportagem/relatório tendenciosa - é dito que se ganha agora menos do que no período FHC, mas tudo é calculado em uma comparação com outras carreiras (IPEA e MCT), ou seja - o salário é meno em 'comparação' com estas carreiras (que podem ter subido mais), mas não comparado com seu valor real naquela época (1998) e agora. 

Sou professor federal antes do primeiro dia do governo FHC - ou seja 8 anos de FHC, 8 anos de Lula e 8 meses de Dilma - não creio que a questão salarial esteja resolvida, mas dizer que o salário real é igual ao de 1998 não reflete a realidade - já aviso que não sou economistas, mas lembro bem da minha capacidade de compra naqueles tristes anos e agora - não dá para comparar, por isso que se procura outros parâmetros de comparação (outras carreiras) para justificar. 

 
 
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Roberto Andrade

Paulo,

O estudo traz dois tipos de comparação. Uma, entre carreiras. Outra, entre o salário atual e o de 1998 para cada carreira.

Segundo o estudo, o salário atual dos professores, descontando a inflação do período, é menor do que em 1998. Fato que não ocorreu com as outras carreiras citadas no estudo.

 
 
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Paulo Paiva

Roberto,

Obrigado pela informação, talvez tenha feito uma leitura diagonal - o que não justifica, concordo - agora não dá para comparar a carreria de 1998 com a de 2011, na época o teto (sem falar em carreira de titular) era o Adjunto 4 - agora são mais 4 categorias - Associado 1 a 4. Ou seja, o salário inicial pode não ter aumentado ou até caído, mas o salaŕio médio com certeza subiu devido as novas categorias. Em 1998 a diferença de salário de um recém-doutor e de um doutor com 30 anos de serviço era mínima (mal passava de 200 reais). Com a nova carreira o salário inicial caiu mas o final (e acredito eu o médio) aumentou. 

Continuo achando a comparação não aplicável. 

Agora se quisermos comparar o salário a 2 anos e agora, aí sim vemos uma grande defasagem e perda pela inflação. 

 
 
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DanielQuireza

Então, para os professores das universidades federais foi pior, para o resto das carreiras foi melhor. Fora a expansão que houve nas universidades federais. Talvez essa expansão (grande aumento do número de professores) ajude a explicar as dificuldades de aumentos nos salários dos mesmos. Mas volto a repetir, para mim, os professores universitários bem como todos os funcionários públicos deveriam ter bem mais transparência em seus salários.

 

@DanielQuireza

 
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Paulo Paiva

Daniel,

Eu ainda acho (e sou professor federal) que melhorou sim - o fato de que o salário no ínicio de carreira pode agora ser um pouco menor do que foi em um momento bem pontual do governo FHC (ou seja logo após o aumento), mas não deve ser comparado com o momento atual (estamos numa época pré-reajuste). Mas o salário médio com certeza é maior hoje. São mais professores, o salário médio é maior, o salários da parte de cima da carreira  é maior, e 'talvez' o salário inicial seja igual - mas que me lembre o poder aquisitivo era maior (eu era jovem professor na época e lembro bem da 'pindura' em que eu vivia na época). 

Concordo com você em parte sobre a transparência - há algumas universidades que os professores tem embutido ganhos no judiciário em algumas causas e isto realmente varia de universidade para universidade. Mas na maior parte dos casos o salário líquido  (incluindo aí todas as gratificações) é de pouco mais de 5.000 reais. Alguns ganham insalubridade (mas a porcentagem é calculada em cima do salário básico (que é de menos de 2.000 reais, o resto é gratificação).

Portanto não é tão  fácil entender, mas os valores não variam muito disso (entre 5.000 e 6.000) de salário inicial para um doutor com dedicação exclusiva.  

 
 
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FEDOR

Caro amigo, vejo que vcs nao sabem fazer contas básicas, os salarios devem ser comparados com o poder de compra de uma moradia descente, quanto costava um apartamento ha 10 anos e quanto custa agora. por exemplo, um apartamento do mesmo padrao, ha 10 anos custava 100 mil, agora custa 400 mil, agora vcs entendem pq os salários estao muito baixos?. na atualidade, um profissor com o maior salario, nao pode comprar um apartamento descente, dos servicos de saude e educacao dos filhos nem se fale. ENTENDERAM RETARDADOS MENTAIS??

 
 
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Roberto Andrade

Qual foi o aumento do número de professores, Daniel? Você tem esse número?

 
 
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Paulo Paiva

ca de 50% maior (não tenho os numeros exatos, mas em 2008 eram 35%) e até o final do 2011 ca. de 50% - mas como muitos concursos ainda não foram realizados, não dá para fechar os números. 

 
 

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