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A pesquisadora que foi ao cerne do Bolsa FamíliaEnviado por luisnassif, sex, 18/11/2011 - 11:37Brasilianas.org entrevista Walquíria Domingues Leão, professora do Programa de pós-graduação em Sociologia da Unicamp sobre a pesquisa realizada por ela analisando os impactos do Bolsa Família na vida das mulheres. O trabalho de Walquíria Domingues Leão não possui estatísticas complexas, não recorreu a pesquisas com questionários fechados. Durante cinco anos ela foi ouvir mulheres em regiões tradicionalmente não assistidas pelo Estado – como o Vale do Jequitinhonha e o sertão alagoano, entre outras. Sua intenção foi avaliar os impactos sobre as pessoas da renda em dinheiro – tanto do Bolsa Família quanto do aumento do salário mínimo. Quis saber os efeitos sobre a vida pessoal, a cidadania, a maneira como as pessoas passaram a se ver. Em geral, os pobres são vistos como massa homogênea. Como tal, sujeitos a toda espécie de visão preconceituosa. Seriam pobres por serem preguiçosos; não poderia receber em dinheiro por não saberem fazer cálculo prudencial (calcular o dinheiro até o final do mês); gastariam em supérfluos e bebidas; as mulheres (que são as titulares do Bolsa Família) acabariam cedendo as senhas aos maridos. E assim por diante. Com forte formação de esquerda, Walquíria se surpreendeu ao perceber a extraordinária função social do dinheiro – especialmente para quem sai da zona da extrema pobreza. O primeiro mito a cair foi o dos cálculos para manuseio do dinheiro. Nos depoimentos colhidos, mulheres confessavam que na primeira vez que receberam do Bolsa Família, gastaram o dinheiro na primeira semana. Na segunda vez, já sabiam calcular para o dinheiro durar até o final do mês. Do mesmo modo, não encontrou mulheres que tenham cedido às pressões do marido para outras destinações aos recursos. Primeiro, porque tinham contrapartidas a apresentar: pesar as crianças no posto de saúde, apresentar atestados de frequência escolar dos filhos. Depois – como disse uma delas, em um relato que espalhou emoções no seminário: “Isso tudo não é mais para mim. São para meus filhos. Meu tempo já passou”. Em uma das melhores entrevistas da pesquisa, com uma senhora de Demerval Lobão, interior do Piauí, foi-lhe descrito o sentimento que se apossou dela quando descobriu que tinha “crédito” no comércio. Isto é, os comerciantes acreditavam nela. “Antes eu não era nada. Ninguém me vendia nem uma caixa de fósforos”. A renda monetária conferiu-lhes dignificação da vida, confiabilidade. A possibilidade de escolha – entre comer feijão ou macarrão, por exemplo – mudou sua percepção sobre a vida, a cidadania, os direitos, constatou Walquíria.
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Comentários + votados
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Demarchi
18/11/2011 - 12:58
Admirável e louvável o trabalho dessa professora, assim como de outros estudiosos do assunto, o que deve nos fazer admirar ainda mais a visão do ex-Presidente Lula, que já sabia ( sem nunca ter...
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augusto2
18/11/2011 - 13:35
Hm agora me lembrei que o BF quando começou, com FHC copiando o governador do DF, era de R$ 15,00
e nos ultimos meses antes da eleiçao de 2002, FH fez um esforço danado pra extende-lo ate 4...
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Grauninha
18/11/2011 - 14:22
Nassa, que entevista maravilhosa. Terminei de ver agora. Então segue uma critica ao formato do Blog: o post caiu e não dá para "cascavilhar" o tema como diz a Prof Aparecida Nogueira da UFPE com os...
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DanielQuireza
18/11/2011 - 14:48
Poderia explicar-nos melhor esse mal uso de quem o fornece ? O que seria isso ? Por quem ? Mal uso por parte de quem, Governo Federal, Municípios ou a CEF ?
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Lionel Rupaud
18/11/2011 - 19:09
Calvin,
Então seu psdb querido vai ter que pesquisar de verdade o por que da grande maioria dos brasileiros não ter entendido que as políticas dos 8 anos do fhc eram tão boas, e definitivas.
Pode ser...
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Math-Physics-LCLB
18/11/2011 - 12:31
Prezado Nassif
Apesar da utilização canalha para a consecução de sórdidos objetivos políticos-partidários da Pobreza miserável e Sub Saariana e Africana equatorial de muitos irmãos brasileiros...
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Jorge Bastos
18/11/2011 - 13:44
O problema do "bolsa família" nunca foi o bolsa-família em sí, mas sim o (mal) uso que se faz dele. Não pela massa da população que recebe, mas sim por aqueles que fornecem.
Só que o mal uso não é...
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Calvin
18/11/2011 - 14:47
Acho que o primeiro mito a cair foi o do uso de "food stamps", idéia do fome zero, que queria vigiar tudo que o pobre consome com o benefício. Cristovam foi o primeiro com o bolsa escola dele, a dar...
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Calvin
18/11/2011 - 21:02
Não precisa me esperar, vá buscar seu salário de patrulha de hoje. Desde quando Cristovam é do PSDB? Haja alfafa
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Prezado Nassif
Apesar da utilização canalha para a consecução de sórdidos objetivos políticos-partidários da Pobreza miserável e Sub Saariana e Africana equatorial de muitos irmãos brasileiros , o programa integrado Bolsa Família ainda é a luz de vela nestas trevas da fome pura e simples que ainda é dominante no Brasil .
Floresta!
Hm agora me lembrei que o BF quando começou, com FHC copiando o governador do DF, era de R$ 15,00
e nos ultimos meses antes da eleiçao de 2002, FH fez um esforço danado pra extende-lo ate 4 milhoes de familias,
mesmo fragmentado (sem integraçao entre os programas). Nesse tempo, né, nao era um diabolico esforço politico partidario...
E depois que passou a ser diabolico e politico partidario, virou o bolsa esmola.
Tao ruim que hoje é copiado em mais de quinze paises, entre eles o mexico, cuja eleiçao foi fraudada contra o candidato 'lulista' manuel lopez obrador.
Fico comovido com teu apoio ao BF.
Prezado,
Poderia explicar-nos o que seria essa atuação canalha e sórdia a que se refere ? E poderia dizer por quem ?
@DanielQuireza
Admirável e louvável o trabalho dessa professora, assim como de outros estudiosos do assunto, o que deve nos fazer admirar ainda mais a visão do ex-Presidente Lula, que já sabia ( sem nunca ter participado de pesquisas semelhantes ) dos benefícios que o bolsa família traria a essa camada da população e à economia do país. Ele sempre soube do enorme impacto que essa pequena quantia mensal traria às famílias e seu significado na perspectiva de melhoria de suas condições de vida.
Demarchi
O problema do "bolsa família" nunca foi o bolsa-família em sí, mas sim o (mal) uso que se faz dele. Não pela massa da população que recebe, mas sim por aqueles que fornecem.
Só que o mal uso não é motivo suficiente para não fazer, pois todas as tentativas que já foram feitas nessa área sofreram desse mesmo mal.
Como esse e muitos outros estudos já apontaram, essa ajuda é uma luz de vela para quem vive nas trevas. Não é a solução do problema, pois ele é muito maior do que apenas a pobreza. Mas não adianta esperar vários séculos para se encontrar a solução perfeita, se quando ela for encontrada não houver mais a quem salvar.
Poderia explicar-nos melhor esse mal uso de quem o fornece ? O que seria isso ? Por quem ? Mal uso por parte de quem, Governo Federal, Municípios ou a CEF ?
@DanielQuireza
Nassa, que entevista maravilhosa. Terminei de ver agora. Então segue uma critica ao formato do Blog: o post caiu e não dá para "cascavilhar" o tema como diz a Prof Aparecida Nogueira da UFPE com os amigos.De qualquer forma...
Concordo com ela. A entrevista aberta, se não é a melhor forma, capta a percepção das pessoas sobre tal questão ou temática. E eu pensando que era só na área de exatas que se cobrava o Método. Sou das exatas. Me chamou a atenção a sua sensibilidade, sinceridade como pesquisadora não presa a dogmas e no quanto foi afetada pela a sua pesquisa. Interessante. O Sujeito transdisciplinar que fala Bassarab Nicolescu. Também quando foi questionada das transformações na mulher (se a mulher transcende a sua realidade) a partir do BF e ela demarcou que a diversidade regional e cultural são fatores condicionantes (determinates ou limitantes?). Mais uma vez o Território demarcando seu espaço na subjetividade. Olha o Milton Santos, ai gente!
Sua pergunta foi muito interessante no segundo bloco. Se eu entendi era ao final saber se de agora podemos dizer se o BF é ou não um instrumento de transformação social. Interessante. Faço a mesma pergunta para outras realidades que não o BF. Deve-se acompanhar.
A questão da categoria pobreza (uma questão sobre modelos de gestão): nós fundamentamos o mundo nos movimentos do mundo rico, na lógica do mundo rico. E o que consideramos de rico vem de padrões mundo-globalizado. Os movimentos do sistema pobreza são tão ricos quanto os movimentos do sistema riqueza. As formas de ordenação, desodernação, hieraquia, interações, relações e estratégias. O que me faz abrir um parenteses para o pessoal das Ciencias Sociais: o quanto o Governo Lula reverteu a matriz do pensamento na pesquisa seja no campo social ou na área de exatas, e nesta, as engenharias. A pobreza se tornou objeto e sujeito das pesquisas academicas seja através de instrumentos como o BF, através das políticas de genero, através de categorias como a dos catadores ou através do impacto do social na pesquisa em si. A Oceanografia em 2010 fez o seu primeiro Simpósio fazendo esta interação. Então para linkar: Dá samba a eficiencia alocativa neoliberal, com a concepção de mundo cheio e vazio da economia ecológica e a boa vida de AmarTya Sen.
Walquiria fala que a extrema pobreza é um estado de solidão. Mas seguindo esta lógica acima, deste nivel de realidade que se abriu a partir de 2003 e proporcionou as ações já existentes e as potenciais o quanto a extrema pobreza saiu deste estado de solidão para a cooperação e deu um salto. Acho que é nisto que o Lula, Paul Singer e outros acreditam. Eu acredito nisso. As oportunidades abrem perspectivas de um novo rearranjo social atraves da cooperação.
Agradeço. Me deu vários insights no meu imbróglio metodológico.
Suco de Uva Nassa. A entrevista merecia Vinho, rapaz!
Região Serrana Fluminense:Vergonha!Vergonha!Vergonha!
Acho que o primeiro mito a cair foi o do uso de "food stamps", idéia do fome zero, que queria vigiar tudo que o pobre consome com o benefício. Cristovam foi o primeiro com o bolsa escola dele, a dar dinheiro direto para o beneficiário, via cartão e sem ter de beijar político. Todo o resto é engenharia de obra feita.
Calvin,
Então seu psdb querido vai ter que pesquisar de verdade o por que da grande maioria dos brasileiros não ter entendido que as políticas dos 8 anos do fhc eram tão boas, e definitivas.
Pode ser injustiça (o povo brasileiro é muito injusto), falta de sorte (só deu resultado quando a gente jpa não estava mais lá), ou pode ser que tudo era tão sofisticado que essas nbestas não entenderam nada das nossas explicações (iês oui care!).
Espero com muito interesse suas conclusões!
Não precisa me esperar, vá buscar seu salário de patrulha de hoje. Desde quando Cristovam é do PSDB? Haja alfafa
Michel de Certau chamava a atenção para a distinção entre estratégia e tática, dizendo que a segunda era características daquelas que NÃO detinham o poder, era a arte dos fracos. Pequeno parêntese para a história relacionada às táticas mobilizadas pelos beneficiários do BF não contabilizadas em índices sobre os impactos do Proagrama: mototaxista da cidade de Patos, Sertão da Paraíba, tem mulher e três filhos, todos inscritos no Programa, pouco mais de cem reais por mês de benefício. O que faz ele? Usa os recursos para pagar a prestação de sua moto usada, uma Honda 93. Essa é Bolsa Esmola da mulher do "Cerra".
Cada vez mais os comentarios sobre as materias desse e outros blogs se parecem com aquelas conversas de botequim em que cada um diz suas besteiras sem pensar. Uns chegam a ficar agressivos ou exibicionistas depois de uns tragos. Precisa mudar o formato, para ficar mais interessante para todos os leitores que não são afeitos a essas conversas fiadas no boteco da esquina. Por exemplo porque não se pedem as manifestações dos envolvidos na materia que porventura tenham acesso ao blog?. Em varios jornais europeus ja se faz isso com otimo resultado e diminue muito esse costume de dizer asneiras num espaço como esse tão valioso por quem busca informação de qualidade.
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