A palavra do bispo do Xingu

Por Dom Erwin Kräutler


Carta aberta de Dom Erwin Kräutler à Opinião Pública Nacional e Internacional

Dom Erwin KräutlerDom Erwin KräutlerVenho mais uma vez manifestar-me publicamente em relação ao projeto do Governo Federal de construir a Usina Hidrelétrica Belo Monte cujas consequências irreversíveis atingirão especialmente os municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e os povos indígenas da região.

Como Bispo do Xingu e presidente do Cimi, solicitei uma audiência com a Presidente Dilma Rousseff para apresentar-lhe, à viva voz, nossas preocupações, questionamentos e todos os motivos que corroboram nossa posição contra Belo Monte. Lamento profundamente não ter sido recebido.

Diferentemente do que foi solicitado, o Governo me propôs um encontro com o Ministro de Estado da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. No entanto, o Senhor Ministro declarou na última quarta-feira, 16 de março, em Brasília, diante de mais de uma centena de lideranças sociais e eclesiais, participantes de um Simpósio Sobre Mudanças Climáticas que "há no governo uma convicção firmada e fundada que tem que haver Belo Monte, que é possível, que é viável... Então, eu não vou dizer prá Dilma não fazer Belo Monte, porque eu acho que Belo Monte vai ter que ser construída".

Esse posicionamento evidencia mais uma vez que ao Governo só interessa comunicar-nos as decisões tomadas, negando-nos qualquer diálogo aberto e substancial. Assim, uma reunião com o Ministro de Estado Gilberto Carvalho não faz nenhum sentido, razão pela qual resolvi declinar do convite.

Nestes últimos anos não medimos esforços para estabelecer um canal de diálogo com o Governo brasileiro acerca deste projeto. Infelizmente, constatamos que esse almejado diálogo foi inviabilizado já desde o início. As duas audiências realizadas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 19 de março e 22 de julho de 2009, não passaram de formalidades. Na segunda audiência, o ex-presidente nos prometeu que os representantes do setor energético, com brevidade, apresentariam uma resposta aos bem fundamentados questionamentos técnicos feitos à obra pelo Dr. Célio Bermann, professor do curso de pós-graduação em energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Essa resposta nunca foi dada, como também nunca foram levados em conta os argumentos técnicos contidos na Nota Pública do Painel de Especialistas, composto por 40 cientistas, pesquisadores e professores universitários.

Observamos, pelo contrário, na sequência a essas audiências, que técnicos do Ibama reclamaram estar sob pressão política para concluir com maior rapidez os seus pareceres e emitir a Licença Prévia para a construção da usina. Tais pressões políticas são de conhecimento público e motivaram, inclusive, a demissão de diversos diretores e presidentes do órgão ambiental oficial. Em seguida, foi concedida uma "Licença Específica", não prevista na legislação ambiental brasileira, para a instalação do canteiro de obras.

No dia 8 de fevereiro de 2011, povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e representantes de diversas organizações da sociedade realizaram uma manifestação pública em frente ao Palácio do Planalto. Na ocasião, foi entregue um abaixo-assinado contrário à obra, contendo mais de 600 mil assinaturas. Embora houvessem solicitado uma audiência com bastante antecedência, não foram recebidos pela Presidente. Conseguiram apenas entregar ao ministro substituto da Secretaria Geral da Presidência, Rogério Sottili, uma carta em que apontaram uma série de argumentos para justificar o posicionamento contrário à obra. O ministro prometeu mais uma vez o diálogo e considerou a carta"um relato que prezo, talvez um dos mais importantes da minha relação política no Governo (...) vou levar este relato, esta carta, este manifesto de vocês, os reclamos de vocês...". Até o momento, nenhuma resposta!

As quatro audiências -realizadas em Altamira, Brasil Novo, Vitória do Xingu e Belém- não passaram de mero formalismo para chancelar decisões já tomadas pelo Governo e cumprir um protocolo. A maioria da população ameaçada não conseguiu se fazer presente. Pessoas contrárias à obra que conseguiram chegar aos locais das audiências não tiveram oportunidade real de participação e manifestação, devido ao descabido aparato bélico montado pela Polícia.

Até o presente momento, os índios não foram ouvidos. As "oitivas" indígenas não aconteceram. Algumas reuniões foram realizadas com o objetivo de informar os índios sobre a Usina. Os indígenas que fizeram constar em ata sua posição contrária à UHE Belo Monte foram tranquilizados por funcionários da Funai que as "oitivas" seriam realizadas posteriormente. Para surpresa de todos nós, as atas das reuniões informativas foram publicadas pelo Governo de maneira fraudulenta em um documento intitulado "Oitivas Indígenas". Esse fato foi denunciado pelos indígenas que participaram das reuniões. Com base nestas denúncias, peticionamos à Procuradoria Geral da República investigação e tomada de providências cabíveis.

A tese defendida pelo Sr. Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de que as aldeias indígenas não serão afetadas pela UHE Belo Monte, por não serem inundadas, é mera tentativa de confundir a opinião pública. Ocorrerá justamente o contrário: os habitantes, tanto nas aldeias como na margem do rio, ficarão praticamente sem água, em decorrência da redução do volume hídrico. Ora, esses povos vivem da pesca e da agricultura familiar e utilizam o rio para se locomover. Como chegarão a Altamira para fazer compras ou levar doentes, quando um paredão de 1.620 metros de comprimento e de 93 metros de altura for erguido diante deles?

Julgo fundamental esclarecer que não há nenhum estudo sobre o impacto que sofrerão os municípios à jusante, Senador José Porfírio e Porto de Moz, como também sobre a qualidade da água do reservatório a ser formado. Qual será o futuro de Altamira, com uma população atual de 105 mil habitantes, ao ser transformada numa península margeada por um lago podre e morto? Os atingidos pela barragem de Tucuruí tiveram que abandonar a região por causa de inúmeras pragas de mosquitos e doenças endêmicas. Mas os tecnocratas e políticos que vivem na capital federal, simplesmente menosprezam a possibilidade de que o mesmo venha a acontecer em Altamira.

Alertamos a sociedade nacional e internacional que Belo Monte está sendo alicerçada na ilegalidade e na negação de diálogo com as populações atingidas, correndo o risco de ser construída sob o império da força armada, a exemplo do que vem ocorrendo com a Transposição das águas do rio São Francisco, no nordeste do país.

O Governo Federal, no caso da construção da UHE Belo Monte, será diretamente responsável pela desgraça que desabará sobre a região do Xingu e sobre toda a Amazônia.

Por fim, declaramos que nenhuma "condicionante" será capaz de justificar a UHE Belo Monte. Jamais aceitaremos esse projeto de morte. Continuaremos a apoiar a luta dos povos do Xingu contra a construção desse "monumento à insanidade".

Brasília, 25 de março de 2011.

Dom Erwin Kräutler

Bispo do Xingu e Presidente do Cimi – Conselho Indigenista Missionário.

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207 comentários
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Athos

Ninguém disse que não haveria impacto.

Essa discussão de novo? Isso já foi discutido! Ja houveram audiências públicas, dezenas delas.

 

Se ele diz que haverá impacto, porque não contratou uma empresa de engenharia para atestar o fato?

Porque não apresentam um laudo, seja ele qual for, para mostrar o impacto?

Fica um auê todo sobre a opinião de uma pessoa incompetente.

Espero que guardem as palavras deste senhor que não entende absolutamente nada sobre geração de energia, não entende absolutamente nada sobre regime dos rios , enfim, não entende absolutamente nada de nada.

 

PS. Vai semeando a influência religiosa Nassif... vai semeando pra depois ver o que vc vai colher!

 
 
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como? será que eu entendi direito? ..em nome da TUA verdade vc acha que o Nassif não pode dar voz a parte contrária? ..se isso ..pensei que esta prática era coisa do PIG ou dos Paulo Henrique do Bispo  ..mas percebi que não  ..ainda bem, antes tarde do nunca

OLHA, dificil nesta questão ter opinião bem formada  e INFORMADA ..ainda mais se não se esta debruçado no problema e vendo todos os interesses e TESES envolvidos, de forma transsparente

Sei que do me chegou, sei que foi o suficiente p/eu fazer alguns questionamentos, por ex:

-a usina de Belo Monte não é esta pérola toda que falam não, parece que em momentos de baixa ela irá operar somente a 11% da capacidade  ..e aqui se tornará extremamente cara

-sei tb que a PERDA na transmissão será enorme, face a distancia dos principais pólos consumidores

-sei ainda que uma usina fora de regular a vazão, tb deixa o entorno PARADO, afetando todo o meio ambiente, matando vidas, antes e depois do paredão

-sei mais  ..sei sim ..sei que  o impacto ambiental que haverá com o fluxo migratório será enorme, e o dano à floresta não será em um ponto, mas em todo o entorno, inclusive acompanhando as estradas de acesso por muitos e muitos anos

..Algumas  perguntas que  me faço e que ainda não me deixaram tranquilo foram..

-será que o governo não deveria TAMBÈM atacar o dsperdício, o consumo de porcarias  elétricas importadas da China - indo de arrozeira a fritadeira, e passando por iogurteira por exemplo ?

-será que ele já não poderia ter obrigado a sociedade ao uso de lampada de sódio, ao invés da de mercúrio e incandescente

-e afinal, como ficou o projeto da MARTHA que a cidade de Sp teria TODAS as suas lampadas de rua trocadas?  ..e depois falram do país inteiro?

-será que o uso de outras fontes de energia não poderiam tb compor o pacote de solução, o GÀS por exemplo, que hoje abunda e inclusive é JOGADO FORA nas plataformas  ..a eólica, a de biogás, geotérmica, de biomassa, de ondas enfim, INCLUSIVE A NUCLEAR e as termelétricas a óleo (que hoje sção MUITO menos poluentes  ..ainda mais com a pré sal vindo aí)

..sei não, pra um governo que não investe em pesquisa e racionalidade,  ..que tem soldados que acham uma temeridade oferecer a palavra ao debate  ..confesso, fica difícil também acreditar só na sua versão

a propóstio NASSIF, parabens por nos deixar ouvir todos os lados para que possamos nos manter minimamente bem informados  ..pq convenhamos, de VERSÂO OFICAIL e de puxa saco eu é que já estou de SACO CHEIO

ps - em tempo, normalmente sou contra as reservas indígenas  ..acho que os ídndígenas tem que virar cidadão, deixar de caçar na floresta etc , afinal, eles tb fazem parte dos HUMANOS que estão destruindo a Terra ..fui contra o exagero da raposa do Sol  ..pra mim acho que lá caberia um PARQUE que poderia abrigar os indígenas  que quisessem permanecer isolados ..pros outros, a solução fundiária teria que vir pra todos - aquelea soluçaõ que LULA tb não deu -  contra os latifundios, pró índios, sem terra e demais excluídos

..por outro lado sou daqueles que se preocupa com as espécies endêmicas, inclusive com a perereca que nosso glorioso presidente LULA desmereceu

 

 

 
 
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Tiago Mendonça

Prezado Romanelli,

Folgo em saber que nem toda a blogosfera se comporta como sentinelas dos interesses do governo, lançando mãos de comentários desrespeitosos e proferindo palavras de ordem que em nada contribuem, além de tornar cada vez mais autoritária, a nossa já debilitada discussão de idéias. Para a esquerda e para adireita, cada vez percebo mais raiva e menos argumento, mais palavras de ordem e menos reflexão.

Tais cidadãos esquecem de que a liberdade individual é conquista historicamente recente (algo de 300 anos) e veio à custa de muito sangue derramado. Esquecem também que no início dos anos 60 nossa liberdade indivudual sofreu um duro golpe, fruto da radicalização entre direita e esquerda, em que ambos os lados jogaram às favas preceitos básicos que regem um estado democrático de direito. De um lado o velho golpismo udenista aparelhado no militarismo conservador, na hegemonia midiática e nos preconceitos da classe média. De outro, as entidades de esquerda defendendo "reformas na lei, ou na marra". Venceu o lado mais forte, detentor do monopólio das armas e da imprensa.

Acho preocupante o rumo que o debate político está tomando na blogosfera.  Relmente a guerra eleitoral deixou marcas. Afora o ódio da extrema-direita, venho percebendo cada vez mais a radicalização da esquerda. Posições extremadas, de apoio inconteste ao governo, ou ao Lula. Não acho que o caminho seja por aí. Acho que o governo deve sofrer a pressão de uma sociedade civil organizada, à direita e à esquerda. Principalmente à esquerda. É claro que essa pressão existe, e quanto mais ela for qualificada, melhor.

O CIMI é uma organização séria, que nada tem a ver com os desmandos e falcatruas do Vaticano. Produziu ao longo de sua atuação institucional, importante documentação  indigenista. É uma das mais importantes organizações de defesa dos direitos dos povos indígenas, povos estes que, do estado brasileiro, sejam governos de esquerda ou de direita, conhecem somente sua face autoritária e destruídora.

Acredito Romanelli, que você poderia reavaliar sua posição quanto aos territórios indígenas. Porque quando diz que o "índio deveria tornar-se cidadão", ou "parar de caçar nas florestas", vc está negando a este índio o direito a viver sua própria cultura, direito este consagrado pela Carta Magna brasileira de 1988. O índio nasceu em seu território e nele faz a sua vida. mantém com seu território uma relação que ultrapassa qualquer entendimento jurídico de propriedade privada ou coletiva. Sua terra é o elemento aglutinador de sua cultura. Sem terra, o índio não pode ser pleno. Se eles estavam aqui antes do europeu, porque tem que modificar seu modo de vida deliberadamente? Somente para não atravancar o famigerado progresso econômico que leva a ruína nosso planeta Terra? O índio em condições dignas de vida, de posse de seu território, vive harmonicamente com ele, e causa um impacto ínfimo ao meio-ambiente, se comparado com um cidadão de uma grande cidade.

Não estou falando do índio garimperio, madeirerio ou minerador. Esse, infelizmente, já absorveu a doença do homem branco. Cabe questionar como se deu este processo. Estou certo que a condição de miséria e humilhação imposta aos indígenas ao longo dos século de nossa civilização nacional, contribuíram para que este índio optasse por seguir o caminho do mais forte, explorar seu território e passar por cima da vida. Foi este o exemplo deixado pela civilização brasileira às civilizações indígenas.

Recomendo, caro Romanelli, caso queira se aprodundar no tema, a leitura de Os índios e a Civilização, do saudoso Darcy Ribeiro. Por meio desta obra cinquetenária, pode-se acompanhar com mais detalhes o violento processo de expansão nacional sobre os antigos territórios indígenas.

Ademais, gostaria de felicitá-lo, e também ao bravo Luis Nassif, por manterem a chama da democracia acesa. Pois democracia sem debate e contraditório, não é democracia. E, infelizmente, tem muita gente por aí, "canhotos e destros", que gostariam de ver nosso país governado pela força de uma pretensa unanimidade, que como ensinou o controverso Nelson Rodrigues, sempre será burra.

 
 
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Sergio Saraiva

Mais um defensar da teoria do "bom selvagem".

 
 
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E você é defensor das práticas bandeirantes?

 
 
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Sergio Saraiva

Também não sou a favor de analisar as ações dos bandeirantes do sec XVII com a ótica do sec XXI.

Deixo isso para você.

Agora, acreditar que tem índio que teve contato com a civilização e que ainda está vivendo de caça e pesca ecorrendo pelado pelas matas armado de borduna, zarabatana ou arco e flexa é sonhar.

Quando duas culturas se encontram é impossível matê-las separadas. A que trouxer maiores vantagens será predominante, ainda que não haja imposição de uma sobre a outra por meio de dominação.

 
 
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raquel_

ainda que não haja imposição de uma sobre a outra por meio de dominação

Como não? Se uma se torna preponderante sobre a outra, é óbvio que é por meio de dominação.Ou vc acha que o índio passa a ter outra cultura simplesmente porque ele está afim de mudar os ares?

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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adauto

Por que uma cultura se sobreporia a outra..?

Luz elétrica, gás, telefone, um bom sofá e uma boa cama, rede de esgoto, roupas, sapatos, acesso a socorro médico, melhor alimentação e saúde, mais conforto, mais acesso a informação.

Tendo tudo isso por alguns dias , se ele optar continuar índio, tudo bem. Enquanto ele não viver isso, ele não estará apto a fazer a escolha. Só conhece um lado.

Vc quer que todo índio continue índio por toda a vida ..?

Porquê não vai lá viver a vida de índio então..?  Só é bom para eles...não é..?

 
 
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Pois é exatamente a demanda dos indios... uma simples consulta.

E nem isso o governo se dispos a fazer.

Inacreditável...

 
 
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Thiago M Silva

Dê aos índios: trem lotado, ônibus lotado, trânsito caótico, lojista desonesto, enchente, aquele técnico em eletrônica que nunca concerta eletrodoméstico direito.

A vida da nossa civilização tem vantagens e desvantagens, não dá pra ficar só com as vantagens. Os índios absorvidos pela nossa civilização não vão necessariamente dispor de todo esse conforto automaticamente. Precisam se adaptar ao que há de pior na nossa sociedade tb. Se o meio de vida deles já os satisfaz, pq mudariam?

 
 
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adauto

 

Ok, acho válido o seu argumento. Mas deixe o índio escolher.

Mas vc há de concordar comigo, que aquele que escolher aceitar o desafio de viver junto a sociedade consumista, vai ter muito mais condições de se tornar uma pessoa completa, com mais cultura, conhecimento, e atingir o seu potencial como ser humano.

Não diminuindo a cultura indígena.

 
 
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Thiago M Silva

Claro, deixe o índio escolher.

Depende do que vc chama de "pessoa completa". Acho q uns 90% das pessoas nem sabem do seu "potencial" por mais q acumulem cultura. Acho q temos muito a aprender c/ muitos povos indígenas, nas suas relações c/ a natureza, no conhecimento milenar, para NÓS nos tornarmos completos...

 
 
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adauto

 

Voltamos então ao que eu disse a ela: Porque será que as pessoas como vc não escolhem mudar de vida e ir morar lá como os índios, presos a suas próprias culturas..?

Essa é a pergunta que não quer calar.

 
 
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Thiago M Silva

Aí vc inverteu as coisas. Deixe que os índios escolham aonde querem viver. Acho muito difícil todos eles se adaptarem ao estilo de vida nosso, como alguns conseguem. Não nasceram na nossa cultura, natural que lutem para manter a deles. Pq serem servos no mundo capitalista, se podem ser senhores respeitados nas suas comunidades?

Eu e vc nascemos no meio dessa outra cultura, capitalista, "ocidentalizada". Temos acesso a outros conhecimentos, mas mesmo assim ainda temos muitos defeitos. Muitos. Não acho melhor nem pior que a vida de um índio, e não se trata disso. É apenas diferente.

 
 
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Tenso

O que vai acontecer quando não couber mais nada aqui?

 
 
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van

Nossa civilização assumiu um papel de hegemonia que está longe da realidade. Os índios não são um monte de silvícolas atrasados, que moram juntos, andam nus ou cheio de penas e urucum e seguem rituais complicados.

A idéia de que o índio é um ser inferior, usando como medida nossa escala, é totalmente descabida.

Os índios tem sua cultura a parte que deve ser preservada, como fonte importantíssima de nossa história. Como qualquer outra civilização.

Levi Strauss viveu numa tribo indígena durante um tempo para observar e deixar a constatação de que somos exatamente iguais aos índios, não somente fisicamente, mas nas nossas angústias, misérias, invejas e medo.

Essa comparação é fundamental para que possamos nos situar no mundo em que vivemos. E aprender a conviver.

 
 
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Jair Fonseca

Boa!

E a legendinha no canto do comentário vem sempre a calhar, ainda mais sobre esse assunto.

 
 
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Mas na verdade eu não voltei no tempo.

Questionei você, aqui no séc XXI, bancando o bandeirante... agora um envergonhado, mas ainda errando muito.

 

Para sua informação... os indios querem ser consultados.

 

Você acredita que tem o direiro de decidir por eles?

Quem lhe deu este direito?

 
 
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Tiago Mendonça

Acho importante pontuar que não é o modelo indígena de ocupação do território e de exploração dos recursos naturais que põe em xeque a permanência da espécie humana no planeta terra.

Vivemos uma gravíssima e subdimensionada crise ambiental, provocada pelo binômio "exploração insustentável dos recursos naturais/ acumulação desigual de riqueza", que vem sendo conduzida por nossa "brilhante" civilização ocidental, "suprassumo" de toda experencia humana no planeta Terra.

Antes de nos vangloriarmos, vamos olhar ao nosso redor e perceber o estrago causado por esse modelo. Quem sabe poderíamos aprender um pouco com os índios, com o que resta de sua cultura violentada pela "progresso"? Os índios são exatamente como nós. Isto significa que não são perfeitos. Estão longe de serem. Mas possuem uma relação mais orgância e equilibrada com o meio ambiente. Acho importante pensar esta relação e ver o que podemos aprender com ela. para que isso aconteça, deve-se preservar essas culturas. Cultura indígena está ligada à posse do território. 

Infelizmente, entre governo e sai governo, mantêm-se a tradição  da queima do "arquivo indígena". Quantos conhecimentos já foram perdidos, quantos estão por se perder?

Se estudarmos a história da relação índio / civilização ocidental, percebemos o quanto essa ideologia da adaptação, da integração do índio às "benesses" do progresso, justificou o violento processo de massacre de populações, roubo das terras indígenas e degradação ambiental.

É esse o modelo que queremos para o século XXI?

Não seria interessante avaliarmos outras possibilidades?

 
 
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Ivan Moraes

"como? será que eu entendi direito? ..em nome da TUA verdade vc acha que o Nassif não pode dar voz a parte contrária?":

SEU %4&#%($*&(&^!!!!!!  Roma, o Athos pede por um laudo tecnico e voce sai com essa de "sua"verdade" e "a verdade verdadeira"?

Tem mais, tem mais!  "BISPO"?

Do "XINGU"?

E voce nao notou nada de mais?!

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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adauto

 

Mas quem é que tem que provar que a mudança não trará mais custos(sociais e ambientais) do que benefícios .? O bispo..? ah, tá.

Antigamente(tempo do fhc, por exemplo) bispo do xingu me lembraria conflitos de terra, defesa dos pequenos produtores, etc...no mesmo linha do partido que está no

governo agora. Hoje, me parece que estão querendo demonstrar que ele representa um monte de desinformados. alienados, desinteressados no desenvolvimento e

seguidores de uma igreja decadente. O que mudou daquela época para agora..? Quem está no poder, e seus compromisso e interesses.

600.000 assinaturas versus o lobby das contrutoras. Que embate desigual.......

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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Gabriel

Pra quem pediu um laudo técnico.

 

http://www.fase.org.br/projetos/clientes/noar/noar/UserFiles/17/File/Belo_Monte_pareceres_Painel.pdf

Em relação à Belo Monte, cansei de tentar discutir nesse blog. Nesse caso existe não existe nenhuma analise crítica. Gosto muito das discussões políticas, mas nesse caso eu fico muito decepcionado com aqui.

Só lembrando que a energia eólica ainda tem um potencial de 150 MW e a reepotencialização das antigas hidrelétricas tem um potencial de 50 MW. Belo Monte tem um pontecial de energia segura de 7 MW.

Quem interessa essa construção?

 
 
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Ivan Moraes

(Gabriel, minha replica ficou acidentalmente na pagina 7, nao vou postar aqui de novo.  O relatorio eh lunatico.)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Mario Blaya

 

meu caro, quem será que acaba primeiro, o PT ou a igreja decadente?

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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whatever

Eu sei que vou ser apedrejado, mas pelo amor dos meus filhinhos, como diria o Silvio Luiz, houve...

 
 
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Os indios confirmam que não foram ouvidos.

Por que o governo, que afirma ter os Direitos Humanos como centro de sua política, sequer ouviu os indios?

 
 
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Thiago M Silva

"Ninguém disse que não haveria impacto."

É assim que vc quer justificar a obra??

 

"Se ele diz que haverá impacto, porque não contratou uma empresa de engenharia para atestar o fato?"

Será que é porque esse é o papel do IBAMA, que foi burocratizado pra emitir um laudo suspeito?

 

Se isso tem a ver com religião, o próximo passo é vc criticar  as crenças indígenas, né?

 

Isso tem a ver com o modelo de matriz energética escolhida pelo país: majoritariamente de hidrelétricas e ponto final, ninguém no governo quer discutir a quem realmente isso interessa. Investe-se pouco ou quase nada em energias alternativas e nesse ritmo nunca alcançaremos o potencial de geração de energia por fontes alternativas. É um modelo de interesse privado  e que ignora os atingidos pelas barragens. Enquanto não houver abertura ao diálogo pra realmente se investir em energias alternativas, vai existir esse conflito.

Se um dia invadirem a sua casa e vc tiver que provar que a casa é sua para os invasores saírem, daí talvez vc entenda o problema...

 
 
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José Honório

Thiago ... que argumento mais meleca! Partindo do seu princípio, nada pode ser feito no país ... estaríamos sempre invadindo casas. Olha, este bispo para mim procura holofotes como todos os bispos que se meteram em política ultimamente, partindo do grevista de Cabrobró e o opus dei de Guarulhos. Belo Monte já está sendo discutido ha mais de 20 anos e todas as questões foram exautivamente discutidas, inclusive com as comunidades indígenas. Procure se informar.

 
 
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Thiago M Silva

Tão exaustivamente discutidas com os indígenas que eles precisaram ir protestar dia 8 de fevereiro lá em Brasília.

 

Sobre outras fontes de energia, gostaria que vc comentasse meu post, mais pra frente, por favor.

 
 
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Adir Tavares

Mais um 'bispo' para torrar o saco! Vá para o inferno dar palpites para o capeta, 'bispo'!

 
 

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