A Ópera de Berlim e o aniversário de Hitler

Por Paulo F.

Do Diário de Notícias de Lisboa

Aniversário de Hitler obriga a alterar estreia de ópera

A Ópera de Berlim queria estrear a obra de Wagner, Rienzi, na data de aniversário de Adolf Hitler, mas um coro de protestos na alemanha levou à alteração da data.

O jornal britânico "The Independent" avança que a direção da Ópera de Berlim tinha planeado estrear a obra de Richard Wagner, Rienzi, a preferida de adolf Hitler, exatamente na data do seu aniversário, a 20 de Abril, mas o coro de protestos que se sucedeu após o anúncio obrigou à sua alteração.

A semana passada, o diretor da Ópera de Berlim, Christoph Seuferle, anunciou a estreia de Rienzi, no dia 20 de Abril, como parte do programa das celebrações dos 100 anos da instituição, mas o jornal alemão "Die Welt", após conhecida a data, liderou um coro de protestos ao escrever em editorial que "agendar uma estreia da ópera preferida de Hitler, para o dia do seu aniversário, não parece uma boa ideia".

Devido à forte contestação que se fez sentir no país, a direção da Ópera de Berlim acabou por ceder e alterar a data de estreia de para o dia seguinte, 21 de Abril.

1944 - Goebels discursa na Ópera de Berlin, sobre o aniversário de Hitler

A principal preocupação era que a data, inicialmente marcada, fosse usada pelos neonazis para promover as suas ideias e celebrar o aniversário do "Fuhrer" num espaço nobre da capital, muito conotado, historicamente, com o nazismo.

A ópera Rienzi era a preferida de Adolf Hitler, grande admirador do compositor alemão Richard Wagner, que ficou fascinado pela sua música quando a escutou na adolescência. Durante os anos em que governou a Alemanha com mão de ferro e aterrorizou o resto do mundo, o ditador nazi utilizou inúmeras vezes a música de Wagner nas suas ações de propaganda, considerando que o compositor representava o espírito alemão.

A ópera de Richard Wagner - Rienzi(Overture) 

A Ópera de Berlim também tem uma enorme carga simbólica, uma vez que, durante o Terceiro Reich, funcionou como bastião da cultura nazi e foi utilizada para apresentar grandiosas produções supervisionadas pelo então ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.

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7 comentários
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urbano

Pura ação de Marketing. A propaganda é uma atividade sem escrupulos e usa qualquer recurso para vender. Aonde chegamos!

 
 
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Paulo Villas

Hitler é uma providencial Geni da humanidade. À sua sombra floresceram alguns espécimes , que exalam o mesmo perfume  , protegidos pelo silêncio dos apedrejadores.

 
 
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Roque Citadini

 A ópera em Berlin vive um péssimo momento. Não dá pra ver quase nada. Os dois Teatros de Ópera( ex-oriental e ex-ocidental) tem produções caras , revolucionárias e péssima. Montagem moderna  chegando ao rídiculo (como Aida fazendo de uma doméstica americana e a entrada triunfal virando um concurso de comer tortas) e com cantores ruins. Estes diretores gênios são uma peste. Querem ser mais importante que Verdi, Puccini, Wagner etc e dá nesses lixos. Por isso ficam lançamento publicidade como esta. É só pra promover produção ruim. Quando for a Berlin vá comer marreco ou salsicha. Não perca tempo com os dois ( caros) Teatros de Ópera. 

 
 
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SáeBenevides

Só faltou, no convite, como obrigatoriedade do traje o uniforme de gala das SS. 

 
 
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luiz antonio antunes machado

Por muito tempo se perpetrou a grande asneira de vincular a música de Richard Wagner ao nazismo. Nada a ver. Se Hitler e seus bandidos "escolheram" (não tinham a menor legitimidade para isso) a música de Wagner para representar o "espírito alemão", é problema de quem acredita. 

Na verdade Wagner participou ativamente, e teve problemas políticos por isso, do movimento liberal de 1848/9. Identificá-lo com o movimento asqueroso do nazismo é um grande equívoco.

E o Roque está certo quanto às "invenções" de alguns diretores que querem reinventar a roda a cada montagem, movimento teatral comum na Alemanha, e também em outros lugares da Europa, infelizmente. Não tenho na da contra adaptações e aplicações modernas em ópera, ao contrário, creio que há espaço para montagens tradicionais e modernas. Mas avacalhações como o Roque citou, tenha paciência. O pioré  que essa mania de "criatividade" de vez em quando desembarca aqui em Pindorama também. 

 
 
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Carlos Francisco de Morais

Prezado, até a Enciclopédia Britânica dá de barato o anti-semitismo de Richard Wagner. O linque é este:

http://www.britannica.com/EBchecked/topic/633925/Richard-Wagner/282748/Wagners-anti-Semitism

Você podia aproveitar e ler este texto também:

http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/anti-semitism/Wagner.html

Agora, imperdível mesmo é este artigo de Milton Ribeiro:

http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/10/05/richard-wagner-e-o-nazismo/

 

O anti-semitismo de Wagner é tão inegável quanto seu extraordinário talento musical. Acho que vou ouvir de novo o Prelúdio de amor e morte...

 
 
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Pedro II

Afinal de contas, 67 anos depois, alguém poderia esclarecer quem foi ou foram os verdadeiros ganhadores da 2ª guerra mundial  ???? considerando-se o que esta acontecendo desde o final da  guerra, podemos concluir que os verdadeiros vencedores enfiaram pela goela abaixo da humanidade uma historinha muito mal contada, mas , que a forceps foi aceita   por todos, e o que estão lucrando com a " verdadeira estória" é brincadeira........ Esse papo de anti-semitismo é muito conveniente.....ou sera que não  ?????

 
 

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