A nova estrutura do jornalismo

Coluna Econômica

O sistema de informações brasileiro sempre obedeceu a uma lógica quase imutável. No centro da formação da opinião pública estavam alguns grandes jornais, revistas e emissoras de televisão do eixo Rio-São Paulo.

Na periferia, jornais e rádios regionais.

A notícia e/ou opinião nascia no centro e espraiava-se para os demais veículos, seja através da leitura desses veículos ou de agências de notícias. A partir daí, ganhava abrangência nacional.

***

TodoTodo país necessita de um sistema de informações sólido, objetivo, bem focado. É a partir das informações que empresários tomam suas decisões de investimentos, políticos afinam seus discursos, organizações sociais se mobilizam, prefeituras montam seus planos.

No entanto, na última década ocorreu uma notável degradação no centro desse sistema. Enquanto veículos regionais cresciam e ganhavam músculos, cada qual cobrindo sua realidade local, os veículos centrais entravam em grave crise de jornalismo.

Fui jurado do Prêmio Esso no seu cinquentenário. Me espantei com a diferença de qualidade das grandes reportagens. O jornalismo de reportagem, mesmo, já tinha saído do eixo Rio-São Paulo. Ótimas reportagens de jornais do interior de São Paulo, de Brasília, de Minas, de algumas capitais do nordeste. Com exceção de O Globo, nenhuma grande matéria de jornais do eixo Rio-São Paulo. Apenas factóides, dossiês.

Nos últimos anos, até O Globo perdeu completamente o antigo punch de reportagem que tinha. Tornou-se um jornal popular.

De todo esse núcleo central, apenas O Estadão manteve a qualidade jornalística. E a produção televisiva.

***

Como consequência da guerra santa desfechada pelos jornais contra Lula, houve um curto-circuito em todo sistema de informações que deveria nortear a opinião pública.

Foram cometidos enormes erros de avaliação, como não perceber que o país não iria cair na crise global, não entender o alcance de programas habitacionais, não captar sequer os ventos da opinião pública. Hoje em dia, apenas 5% da população condenam Lula. No entanto, jornais e emissoras cuja especialidade maior deveria ser captar esses sentimentos, foram atropelados por uma opinião que se fez ao largo da velha estrutura midiática.

***

A tragédia maior do fim do jornalismo ocorreu com a própria oposição.

Especialistas já alertavam que José Serra não teria chance em uma eleição presidencial, que a única possibilidade concreta seria uma chapa Aécio Neves-Ciro Gomes. Mas o centro do sistema ignorou os alertas e vendeu a falsa ideia de que Serra seria vencedor – baseando-se em pesquisas de ano atrás. A oposição será varrida do mapa devido às falsas análises que recebeu desse sistema de mídia velho, ancorado nos jornalões do eixo Rio-São Paulo.

***

Daqui para frente, esse modelo muda. E os jornais regionais terão um papel relevante, com o predomínio que tem sobre o público de cada cidade.

No centro da formação do sistema de opinião, haverá outros agentes, que começam a crescer cada vez mais: blogs, grandes portais de empresas de telecomunicações, novos projetos de jornal online que deverão nascer nos próximos anos. 

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30 comentários
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Chico Pedro

Bom, foi só dizer que coisas banais do Rio e de São Paulo tomam proporção exagerada entre nós para, coincidentemente, surgir esse grande texto.

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Só lamento que esse processo seja tão lento...E que até a mídia regional ter musculatura mais digna ainda vai levar muito tempo..

 
 
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Deus te leia, que já não aguento mais!

 
 
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Roberto Aracaju

É isso aí Nassif. A Internet será o futuro, não só dos jornais, mais de TV, principalmente por causa das possibilidades de interação que ela permite e pela rapidez em confirmar ou desmentir falsas nóticias.

Neste futuro, acho que você, Brizola Neto e PHA terão papel importante. Pense nisso e terá um excelente negócio pela grente.

 
 
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C. Brayton

Eu me lembro de ter essa mesma dica de, acho foi de Vianna, que contou a tése de um amigo dentro da Globo: Se realmente quer saber do equilíbrio de forças entre quem faz a cabeça do brasileiro, leiam as várias Tribunas dos Grotões. Ele tinha razão.

Lula tem 110% de aprovação. Aquele 150% lê jornais. Você ganha a pão agradando o leitor. Faça a aritmética.

Mas acho possível que a nova economia do notíciario também pode ter a ver com os primeiros ensaios de uma diversidade maior -- ou uma reação no sentido contrário.

Passou sem comentário aqui, por exemplo, mas o Estado de S. Paulo acaba de fechar contrato com o MSN -- Microsoft Network -- Brasil para ser o fornecedor exclusivo de notícias do portal. Virou o Estadão Intel Inside.

Me lembra da moda de rebatizar estádios históricos de beisból com o nome de patrocinadores, lá em casa. Candlestick Park virou não me lembra o que, iPhone Park. Só o bom e velho Yankee Stadium resistiu. Torcedor de Yankee e palmeirense-corintiano de lá. Tem opinião, é sentimental, tende a surtos de raiva. 

Os grande jornais e agências estão seguindo o modelo F1 -- cada centimentro do superfície coberto com adhesivos do anunciante. 

Entretanto, vemos um espectáculo grotesco de jornalistas fazedo bico de garotas de propaganda, como Marília Gabriela, a entrevistadora, aparecendo na TV dizendo «eu sou jornalista e acho esse banco o máximo!». Nelson Motta foi pioneiro nessa área. Estou tentando imaginar como seria se Roger Ebert, conceituado crítico de cinema, aceitou um cheque enorme de falar bem de uma empresa do grupo NBC-Universal -- que produz filmes e seriados de TV. 

Dines, o décano da OI, conta hoje um caso onde O Globo não permitiu isso a um colunista seu, mas acabou fechando um contrato de merchandising institucional com o mesmo anunciante.

Não faz muito tempo, não: um dia, Joelmir Beting informou às Organizações Globo que decidira aceitar convite do Bradesco para participar de uma campanha publicitária. A Globo não concordou, Joelmir insistiu, e o antigo contrato de ambos foi rescindido, tanto na TV como no jornal. Como disse o comunicado interno de O Globo, a aceitação de convites para fazer propaganda comercial "não é compatível com a publicação da coluna e contraria as Normas de Conduta do jornal.

Mas amanhã, como diria Chico Buarque, já é outro dia. As Organizações Globo fecharam acordo com o mesmo Bradesco para difundir merchandising (pela primeira vez) no Jornal Nacional. A cobertura nacional das eleições usará como veículo oficial um avião com a logomarca do banco e da Globo. Sempre que as reportagens entrarem no ar, aparecerá atrás dos apresentadores uma arte com o jato, ostentando o nome do banco

Eu nunca li as Normas do Globo. Alguém tem cópia?

Dines, um ser rabugento e splenético como sabemos -- não considero que estes serem vícios,  necessariamente --  ainda está capaz de botar o dedo no ferido. Estamos de volta ao Reporter Esso. O Jornal Nacional virá o Jornal Dell, o Canal Rural o Canal Cosan de Agronegócios. 

Não espero ver o espaço Nassif mudar o nome para algum fabricante de cavaquinhos -- Rozini? 

 
 
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Kika

Sei que está um pouco fora do tema, mas como estamos discutindo eleições segue aí. Vai acontecer um seminário e quem estiver no Rio pode participar. Seguem os dados:

 

O Conselho Federal de Estatística – CONFE, juntamente com o sistema CONRE, mais a Sociedade Brasileira de Estatística – SBE e o Sindicato dos Estatísticos – SINDEST estão organizando o SEMINÁRIO intitulado PESQUISA ELEITORAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A SOCIEDADE. Será realizado no dia 14 de setembro de 2010 no auditório do SINDEST (local provisório) situado na Av. Presidente Wilson nº 210, 8º andar. O seminário é aberto ao público interessado nos temas a serem discutidos. A programação abrangerá os aspectos éticos das pesquisas eleitorais e alguns temas controversos da metodologia dessas pesquisas. O evento se iniciará às 18 horas e obedecerá a seguinte programação:

PROGRAMAÇÃO

1 - 18 às 18h30min hs – SESSÃO DE ABERTURA; 
. CONFE – CONRE – SBE – SINDEST

2 - 19 às 20h15min hs - MESA REDONDA 1 -
. Ética E Estatística nas Pesquisas Eleitorais, coordenado pelo estatístico Ricardo Costa, com a presença de ilustres professores e jornalistas.

3 - 20h15min às 21h 15min - MESA REDONDA 2 –
. Pesquisa Eleitoral e os Modelos de Amostragem e Coleta de Dados, sob a coordenação do estatístico Antonio Duram, com a participação dos principais Institutos de Pesquisa.

4 - ENCERRAMENTO

CONSELHO FEDERAL DE ESTATÍSTICA
AV. RIO BRANCO 277, SALA 909
CENTRO –RJ
CEP:20040-904

http://www.conre3.org.br/forum/viewtopic.php?f=23&t=6322

 

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Alexandre Tambelli

Excelente Nassif!

     E cada vez mais o cuidado com a verdade prevalecerá. Temos, com o advento da Internet, a oportunidade de ouvirmos o acusado de tal coisa, de buscarmos fontes fidedignas em sites outros e estabelecer uma verdade nossa, a mais correta possível. E vemos uma notícia com as mais diferentes abordagens, sabendo se o Jornalista e o Jornal foi tendencioso ou não!

     Antes, como iríamos conferir a verdade das denúncias, em tempo hábil para não sermos teleguiados pela notícia, por exemplo, da Folha de São Paulo, contra o PAC, a Petrobrás, o BNDES, etc?

     E o interessante caso do IPEA que colocou antes do Jornal publicar as respostas a um questionário a eles endereçados, para não haver manipulação das respostas ao questionário pelo Jornal O GLOBO! A que ponto chegamos, pela falta de confiança gerada por esta mídia dos grandes centros urbanos.

     E o vídeo do Noblat contra o  candidato Hélio Costa, onde um próprio funcionário das Organizações Globo cria um vídeo para "desmascarar" o candidato que por anos a fio trabalhou na Globo; utilizando de fatos históricos que estão diretamente ligados à própria empresa onde trabalha. Bem sabemos que o "COLLOR" e a ideia do caçador de marajás foi fabricada, quase que diariamente, no Jornal Nacional na 2 metade da década de 80. Numa empresa séria, um funcionário que fala mal da própria empresa que trabalha, que denigre a sua imagem publicamente seria demitido sumariamente, não é verdade?

 
 
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josé ribamar de azevedo

Fiz uma pequena enquete com alguns amigos,  em uma atividade social, e constatei que a grande maioria tinha cancelado as assinaturas de jornais e Revistas (Globo, Folha, Estadão, Correio Braziliense, Veja, Época, etc). Eu mesmo já providenciei o cancelamento de todas as minhas assinaturas e por enquanto as que recebo  jogo na lata do lixo (assinatura dentro do prazo - felizmente terminando). Nos ultimos dias tenho recebido ligações destas empresas me oferecendo descontos para continuar como assinante e eu respondo que de graça em não quero mais. Se a grande maioria do povo brasileiro, consciente de que o Brasil mudou, tomar esta decisão em pouco tempo nos veremos livres deste  "jornalismo" que não passa de um lixo.

Ou mudam e começam a fazer Jornalismo ou fecharam suas portas.

Um abraço

Ribamar

 
 
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Pedro

Muda, não. Os tentáculos da Globo estão por toda a parte. E os jornais do interior, digamos, são reféns de algumas ditas associações de jornais (releases) e dos manda-chuvas locais. Santa Catarina e o Rio Grande do Sul estão nas mãos da RBS (apaniguada da Globo). Enquanto não regulamentarem e exigirem o cumprimento dos dispositivos constitucionais, nada mudará: o oligopólio é total. E vergonhoso.

 
 
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Antônio CDS

Nassif, 

Neste rescaldo, na Folha(?) o Carlos Melo já posta artigo arrasador sobre "nova estrutura da oposição":

http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/08/25/analise-oposicao-cafe-com-leite.jhtm

 
 
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Jorge Furtado

A leitura da Folha de hoje (Villa, Freire, Josias) dá mostras de que a direita paulista não pretende assumir sua responsabilidade no esfacelamento da oposição.

 

Espero que Aécio e Marina (quem mais?) ajudem a construir uma oposição que preste, o governo Dilma vai precisar.

 

 

(1) Fonte:

http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/pesquisas/2010/1turno/presidente.jhtm

 
 
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Sanzio

Se você diz que é assim, eu acredito. Empiricamente, no entanto, o que eu vejo nos jornais do interior de SP é um pastiche do que há de pior no jornalismo da Folha, Veja e quetais. O noticiário é todo ele chupado acriticamente dos jornalões da capital. Quando há uma opinião própria, é sempre alinhada com a desses jornais, com a desvantagem de ser mal escrita, com erros crassos.

O noticiário local, então, é de chorar. Se o jornal é de situação usa suas páginas para enaltecer os feitos das "autoridades", ainda que seja um discurso capenga, muitas vezes sem pé nem cabeça, de algum vereador, ou o fato do prefeito ter dado um jogo de uniformes para o time de futebol. Se é de oposição, usa as mesmas armas de difamação que a velha mídia da capital.

O resto é coluna social, divulgação de festas de peão ou da pamonha, e um monte de abobrinhas. Dia desses um jornal publicou um spam que roda na internet há mais de ano sobre a aproximação de Marte, que seria visto no céu do mesmo tamanho que a Lua cheia. Manchete de capa, cheio de ilustrações, dava o dia e a hora do evento. Mandei um e-mail contestando o absurdo, explicando porque isso seria impossível, etc., e não o publicaram. No dia seguinte ao suposto evento, bem como em todos os outros, o jornal simplesmente fez cara de paisagem. Nem um pedido de desculpas aos leitores.

Espero, sinceramente, que sua avaliação sobre mudanças no modelo esteja correta.

 
 
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Da baixada santista

Tenho a mesma percepção do comentarista acima.

Seria útil se alguns exemplos de jornalismo de qualidade fossem aqui apresentados, como os a que o Nassif aludiu quando mencionou o Prêmio Esso.

 
 
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bento de abreu

Nassif,

 

interessante hoje são as "coincidências" entre o artido do Roberto Freire na Folha, o do Bolivar Lamounier no Estado e o próprio editorial do Estadão. Todos falando do risco de mexicanização do Brasil, com o PT e PMDB virando um PRI brasileiro.

Acho que estavam na mesma reunião Bolivar e Freire quando viram a mexicanização do Brasil, e saíram com a mesma maravilhosa idéia de escrever um artigo sobre o tema.

A pergunta que não quer calar é: O que o Estadão estava fazendo lá?

 
 
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Lionel Rupaud

O editor do OESP estava bebendo a mesma garrafa de cachaça que o BL e o RF. Alias pelo teor da conversa, estou deduzindo que:

1 - foram várias garrafas,

2 - pelo teor da conversa (ou da ressaca), não era cachaça mineira, mas algum whysky falsificado, com rótulo do Paraguai e engarrafado em Osasco.

P.S. Estou lendo o manual de jornalismo investigativo a editora abril.

Abraço,

 

Lionel

 
 
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Paulo Vasconcelos

Onde estava esse pessoal quando o Serjão anunciava o projeto de 20 anos de poder. Não ouvi nenhum comentário destes senhores! O Roberto Freire está pendurado no estado "Mexicano" de São Paulo, afinal já são 16 anos no poder. O que ele tem a dizer sobre isso?

 
 
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Túlio Carvalho

O que ocorria era que a mídia dos grandes centros era mais aberta, menos bairrista. Esta birra com o presidente nascido em Garanhuns tornou estes jornais fechados, teimosos, não acreditando na popularidade do presidente.

Resultado: viraram bairristas. Mas bairristas de qual bairro? Do Champs Elysées. É o FHC mandando na mídia, e ela atônita sem ver qual seu futuro, pois não enxerga o fundo do poço.

 
 
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Erly Ricci

A produção deve ser caríssima, a do "JN no ar". Mas para fazer matérias medíocres, como as duas apresentadas até agora, não precisava de nada disso, uma vez que a estrutura da rede com as suas afiliadas é mais do que suficiente para fazer matérias especiais em todos os cantos do país. Se a intenção for a de produzir factóides, como pensamos, eu pergunto: e a preocupação com a credibilidade? Com matérias tão vazias e desprovidas de um mínimo de discernimento, a Globo pensa que vai fazer a cabeça de quem?

***

No peito das pessoas que assistem TV aberta o sentimento é motivado por um outro julgamento, o de que a dignidade pode ser alcançada com o trabalho, a igualdade e o sentimento de pertencimento já é um sonho conquistado.

****

Pesquisa do Cetic.br aponta um crescimento exponencial de bytes produzidos na mídia digital. O acesso a internet é muito maior hoje do que as audiências das redes de TV: cerca de 30% dos domicílios brasileiros possui computador de mesa e destes 66% têm acesso à internet via conexão banda larga, sem contar com os not books e a internet via 3G. E a universalização da rede é crescente, com acesso através das lan houses para quem não tem computador e nas escolas municipais e estaduais. O PNBL prevê que em menos de 10 anos todos os domicílios brasileiros terão conexão de fibra. A realidade é que as velocidade das transformações operadas pelo fantástico desenvolvimento da tecnologia permite e tende a expandir assustadoramente a comunicação para longe da velha e moribunda mídia.

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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AFF

Do Blog do SakamotoOs 10 Mandamentos da Imprensa no Período Eleitoral 16/08/2010 - 16:50 - Sem categoria 73 Comentários »

Regras. Todos precisamos de regras. Afinal de contas, sua ausência nos levaria ladeira abaixo direto à várzea pantanosa da barbárie, não é mesmo? Por isso mesmo, o Blog do Sakamoto traz a quarta aula do seu Curso de Jornalismo Prático colocando no papel regras para cobertura eleitoral que, apesar de serem amplamente conhecidas por jornalistas, não foram até agora publicadas. Talvez por falta de recursos para impressão. Mas como Moisés usaria um spam para divulgar os mandamentos se hoje vivesse (economizando as tábuas de pedra, preservando, assim, a natureza), um blog está de bom tamanho para o registro.

O Curso é elaborado em conjunto com amigos que são grandes repórteres e conhecem como ninguém o universo das redações, o funcionamento da mídia e os botecos que vendem pastel, sarapatel e buchada onde os candidatos se refestelam, ao tentar mostrar que, apesar de não parecer, são sim gente do povo.

Registre-se que é uma parte da imprensa que segue esses mandamentos. Mas, também se registre que eles não são monopólio de um grupo que segue determinada ideologia, de direita ou de esquerda, portanto as regras valem onde couberem.

Os 10 Mandamentos da Imprensa no Período Eleitoral

1 – Deve existir, pelo menos, um colunista fixo livre para fazer insultos, propagar preconceitos, soltar impropérios publicar boatos. Os textos desses colunistas não precisam ter relação com os fatos. Eles também não precisam responder por aquilo que assinam. Basta que escrevam com empáfia e mostrem comportamento arrogante diante de qualquer tentativa de diálogo.

2 – Fica estabelecido, em consonância com os interesses da maioria esmagadora da população brasileira, principalmente a parcela mais humilde, que o maior problema do Brasil durante as eleições é o Irã. O segundo maior é o Chávez. E o terceiro maior é a carga tributária.

3 – Os outros três problemas mais urgentes da nação são, pela ordem, 1) a falta de independência do Banco Central; 2) a presença de sindicalistas nos fundos de pensão; 3) o Márcio Pochmann continuar no Ipea.

4 – Será ignorada toda reclamação contra matérias mal apuradas, trabalho preguiçoso, reportagens parciais, cochilada no “pescoção”, dados incorretos e previsões não confirmadas. No limite, serão classificadas como “grave atentado à liberdade de imprensa” ou “impostura de um leitor militante de partido de esquerda/direita”.

5 – Dar-se-á imediata repercussão a toda denúncia veiculada por revistas semanais, independentemente do texto ter sido requentado, montado com evidentes erros de apuração ou estar em contradição com textos anteriormente publicados pelas próprias revistas.

6 – É terminantemente proibido dar declaração de apoio explícito a um candidato. O apoio velado, contudo, é permitido desde que em consonância com a escolha empresarial do veículo de comunicação.

7 – Nenhum candidato será verdadeiramente pressionado a se posicionar a respeito de qualquer projeto concreto de interesse dos assalariados ou dos mais pobres em entrevistas, debates, artigos ou editoriais. Temas como redução da jornada de trabalho, aumento da licença maternidade, taxação de grandes fortunas, correção dos índices de produtividade da terra, defesa do Código Florestal, entre outros, devem ser tratados como polêmica ou tabus.

8 – Toda reportagem longa a respeito da história, das idéias ou das propostas de candidatos não católicos deverá ressaltar suas crenças e apontar possíveis conflitos entre a religiosidade do candidato e o interesse público. Reportagens sobre candidatos católicos ou ateus que se declarem católicos estão dispensadas disso, uma vez que esta é a religião oficial do Estado laico brasileiro.

9 – Ganhará pontos o candidato que garantir ao repórter uma das seguintes aspas: “o meu governo vai aproveitar esse período de vacas gordas para fazer as reformas que o Brasil precisa, cortando custos”, “a CLT precisa ser atualizada e vamos trabalhar nisso” e “a Anistia foi para todos, portanto, não vamos mexer no passado”. Os pontos podem ser trocados por um close simpático e sorridente do candidato na matéria em questão ou por um Pirocóptero sabor morango.

10 – Reportagens a respeito dos programas de governo serão sempre enriquecidas com comentários de diversos especialistas, considerando a pluralidade de pesquisadores e estudiosos que se debruçam sobre diferentes temas. Por exemplo, em matérias sobre geopolítica, relações internacionais, História, democracia, diplomacia, república, capitalismo, socialismo, eleições americanas, Irã, Tabeban, Leste europeu, Afeganistão, cotas, ONU, Justiça, sociologia, OEA, Cuba, Tarso Genro, loteamento do Estado, Apartheid, Mercosul, Foro de São Paulo, Chávez, Estado policialesco, CUT, Farcs, gás na Bolívia, Polícia Federal, MST, Petrobras, dossiês, liberdade de imprensa ou Yoani Sánches, ouvir sempre o geógrafo Demétrio Magnoli. Na dúvida, consultar o Disk Fonte, das aulas 1 e 2 deste Curso Prático.

 
 
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AFF

Do Blog do Sakamoto

Disk Fonte: o jornalismo papagaio de repetição – Parte 2 15/06/2009 - 15:16 - Sem categoria 70 Comentários »

Dada o sucesso do “Disk Fonte”, este blog traz o Disk Fonte: o jornalismo papagaio de repetição – Parte 2 (a Missão), com sugestões colhidas em redações e entre os leitores deste blog.

São personagens com opiniões mais que conhecidas sobre determinadas temas, mas sistematicamente procurados por alguns veículos porque dizem exatamente aquilo que esses veículos querem ouvir. Esse joguinho viciado exige duas cenas de fingimento por parte dos veículos. A primeira é que o jornalista busca uma opinião independente, isenta. Falso. Nesses casos, muitas vezes os repórteres selecionam suas fontes já sabendo exatamente o que as fontes irão dizer. Citam só para dar um aspecto de isenção na “reportagem”. Na realidade, estão é dando uma opinião. Só que de forma terceirizada.

O segundo fingimento é não ver que uma parcela cada vez maior de leitores já percebeu como funciona esse joguinho viciado.

Aos nomes:

Contas Públicas? Disk Raul Velloso
(o economista critica os gastos. Qualquer gasto)

Telecom? Disk Ethevaldo Siqueira
(é o jornalista que mais conhece o fascinante mundo da telefonia privatizada, mas, ao citá-lo, só não diga que ele dá consultoria para empresas da área)

Previdência? Disk Fabio Giambiaggi
(aproveite e fale um pouco da perseguição que ele sofreu no “aparelhado” Ipea…)

Reformas estruturantes? Disk Scheinkman
(José Alexandre Scheinkman é o maior especialista nas “lições de casa” que o Brasil precisa fazer. É o nosso maior Chicago Boy)

PT-RS? Disk Rosenfield
(o filósofo Denis Rosenfield, da UFRGS, domina esse nicho há mais de uma década)

MST? Reforma Agrária? Disk Jungmann
(o deputado e ex-ministro Raul Jungmann só abandona sua cruzada quando o assunto é Daniel Dantas)

Educação? Disk Claudio Moura e Castro
(sabe tudo de ensino privado)

Bolsa Família? Disk Frei Betto
(você conhece alguém mais que esteve lá dentro e fala mal do programa?)

 

ABAIXO, AS FONTES DO POST ANTERIOR PARA QUEM NÃO VIU:

Questões trabalhistas? Disk Pastore
(O sociólogo José Pastore, mas sem dizer que ele dá consultoria para a Confederação Nacional da Indústria e a empresários que têm interesse direto no assunto)

Constitucionalismos? Disk Ives Gandra
(O respeitável jurista do Opus Dei não vacila jamais)

Ética? Disk Romano
(O professor de filósofia Roberto Romano) 

Questões sindicais? Disk Leôncio
(O cientista político Leôncio Martins Rodrigues)
 
Ética na política? Disk Gabeira
(O deputado federal Fernando Gabeira, que viaja bastante de avião…)
 
Ética dos juros? Disk Eduardo Giannetti
(O professor do Ibmec é quase um gênio)
 
Pau no governo Lula? Disk Marco Antônio Villa
(Historiador. Tiro e queda. Mais pau no governo Lula? Disk Lúcia Hippólito – com a vantagem de ser uma das meninas do Jô)
  
Relações internacionais? Disk Rubens Barbosa
(Ex-embaixador. Precisa diversificar? Disk Celso Lafer, o ex-chanceler)
 
Mercado financeiro? Disk Arminio Fraga, o ex-BC
(Não rolou? Disk Gustavo Loyola? Ocupado? Ah, então vamos no Disk Maílson mesmo)
 
Mercado financeiro mundial? Disk Paulo Leme
(O cara está em Wall Street, pô, sabe tudo…)

Segurança pública? Disk Zé Vicente
(Ele é durão, estava lá dentro, mas fala como sociólogo. E com a vantagem de não ficar falando em direitos humanos para qualquer “resistência seguida de morte”. É o coronel esclarecido…)
 
Partidos? PT especificamente? Disk Bolívar
(O cientista político Bolívar Lamounier, mas, por favor, não diga que ele é filiado ao PSDB)
 
Geografia? História? Demografia? Sociologia? Socialismo? Política? Geopolítica? Raça? Relações internacionais? Coréia? Pré-sal? Cotas? Mensalão? América Latina? MST? Pugilistas cubanos? Liberdade de imprensa? Farc? Tarso Genro? Disk Demétrio Magnoli
(Se te ocorrer algum outro assunto, ligue para ele também)

 
 
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Remindo Sauim

Perto do que tenho visto em alguns jornais regionais quando viajo, os jornais do Rio e São Paulo são verdadeiros anjos em relação ao antipetismo e antilulismo, usam todo o material do centro do país e mais o que produzim. Nos três estados do sul, o ódio dos jornais ao PT é de corar o Reinaldo Azevedo e a direção da Veja.

 
 
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luka

Falando em jornalistas é bom lembrar aos da linha barra pesada o que foi dito por aqui ao longo desses 2 ultimos anos. Foram avisados que iam por um caminho sem volta. Dito e feito. Os jornais já não recorrem aos analistas de então, as vozes mais radicais ja estão escondidas ou descartadas. 

E é só o começo. Não se trata apenas de estarem afastados da mídia. Trata-se de terem documentados os seus erros, suas previsões e seus perfis na blogsfera. É o descrédito com provas, um abalo nas próprias carreiras por obediência cega a um padrão que de jornalístico não teve nada.

 
 
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Alanna Kern

Sou completamente contra a visão de que a descentralização está degradando nosso sistema, diria até que está acontecendo exatamente o contrário. Informações que antes jamais seriam publicadas pelos grandes meios de comunicação estão sendo transmitidas para todos e em tempo recorde via internet. Isso, porém, causa uma certa preocupação para aqueles que antes detinham o poder de "manipular a opinião pública" - não estou falando no sentindo pejorativo da palavra manipular.

Mas, o que essas pessoas não percebem é que já deixamos de ser uma "massa homogênea" há muito tempo. Somos uma sociedade em que cada um tem sua individualidade, e o jornalismo está se encaixando nessa mudança. A decadência dos grandes jornais citados nesse texto ocorre exatamente por eles não conseguirem se encaixar nessa mudança, ou então, quando tentaram, não foram criativos o suficiente para procurar uma solução diferente das encontradas pelos jornais de interior - tendo em vista que a relevância à nivel nacional de um jornal como Folha de S. Paulo é muito maior do que os regionais.

Ao meu ver, está faltando aos grandes jornalistas desses jornais criatividade, jogo de cintura e mente aberta para mudanças.

 
 
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Henrique Nunes

Nassif e comentaristas,

Quanto ao jornalismo, considero, como alguns, que não podemos superdimensionar o que ocorre no interior, nem nas capitais fora do "eixo". Se o jornalismo de reportagem é revelado, nos prêmios, é porque ainda não é uma rotina, apenas algo mais apurado justamente em nome dos prêmios. Claro que eles obedecem à logica da valorização dos públicos e mídias locais, algo favorecido, paradoxalmente, até pela internet e outros processos recentes. Mas muita água precisa rolar. Os investimentos são gritantemente menores, e esse continua o "x", na minha opinião. Democratizar a comunicação, infelizmente, em relação à grande mídia, ainda depende de maiores invetimentos publicitários e de iniciativas próprias dos grandes grupos de comunicação dos estados "fora do eixo". Claro, passa também pela internet, pelas ONGs e associações, mas para efeito mais efetivo, digamos, depende de uma conjuntura mais ampla, "massificada" ainda.

E quanto à política, acredito que não dá, por outro lado, para valorizar a derrocada tão anunciada do Serra exclusivamente pelo papel da mídia do tal "eixo" ("do mal", dirão). A culpa é deles, o mérito é do PT. Senão fica igual a esses comentaristas de futebol, tão banais, repetindo sempre que o time tal está mal por isso e por aquilo, quando, na verdade, há fatores internos, tudo bem, mas há também fatores externos como a própria existência de bons adversários. No caso da Dilma, ela possui maus adversários, é verdade, mas seus méritos são mais do que evidentes e confortáveis. E não adianta propaganda, nem mídia nenhuma tentar burlar ou mentir  sobre constatações cada vez mais claras para a sociedade brasileira. Desculpe a ênfase, mas é que tenho ficado apenas lendo aqui, sem dialogar, e agora senti necessidade de expor um pouco do que acredito. Parabéns pela ousadia, mas acredito que possamos olhar mais longe.

 
 
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sergior

As notícias da Argentina mostram um caminho: lei de mídias, para efetiva descentralização da produção, da divulgação, da publicidade. Mas Lula, Dilma e o PT não têm coragem para tal. De outro lado, os blogs independentes ainda somente repercutem a grande mídia. Não produzem, salvo em raras ocasiões, conteúdo próprio. Tentativas de portais de blogs independentes ainda são muito incipientes (o blog do Rodrigo Viana se encaminha para isso). Mas a questão da produção de conteúdo próprio, não só de opinião própria, volto a dizer, é a grande dificuldade e exige recursos, montagem de equipes. Muitos se posicionam pela maior abertura ao capital estrangeiro nas empresas de mídia. A experiência brasileira em qualquer área mostra que essa é a resposta que nossa burguesia espera, Abril, Globo, FSP e Estadão à frente.

 
 
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José Luiz Rossi

Até o  mais emperdenido lulista achou que ele estava exagerando no otimismo qdo falou na "marolinha".Ele acertou!Será que ele tinha mais informações que os analistas(aí incluo os globais,sardembergs,leitões e quejandos)ou apenas  "feeling"?Acertou de novo na política externa(aí matou de inveja o príncipe).A economia navega em mares calmos,novo acerto.Desemprego em queda.Sua candidata,bem, deve emplacar no primeiro turno e tem mais...

Ditado chines:"Cavalo ganhou uma vez,sorte.Ganhou de novo,coincidência.Ganhou tres vezes,aposte no cavalo".

 
 
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Paulo Dib

Nassif, você esta tentando criar uma bolha num tubo de ensaio???

 
 
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Mariza S. K.

Há algum tempo venho acompanhando o blog e estou adorando. 

A internet cria espaço para um novo jornalismo , sim.  É a possibilidade de um jornalista , praticamente, ter seu próprio jornal.  

 

 
 
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rubens campante

Tenho dúvidas se a oposição foi de Serra pq a mídia a convenceu que este ganharia as eleições. O que acontece é que, no partido central da oposição, que é o PSDB, o grupo paulista de Serra, governador do estado mais importante do país, manda.

 
 
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José de França

Há uma enorme similaridade entre a crise entre o jornalismo antigo e a escola antiga.

Nenhum dos dois entendeu que:

1) As relações de poder na sociedade mudaram. O modo como estabelecemos relações com o Padre, o Professor, o Policial são outras.

2) O volume de informação a que nossas crianças estão expostas é imenso. Isto cria possibilidades de criticidade (por comparação) e também de ironia que as gerações anteriores não tiveram. Mais ainda pelo aprendizado das gerações anteriores com o mercado de consumo de massa e o ceticismo quanto à ´´felicidade´´ trazida pelo consumismo.

 

 
 
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Elbio

"não captar sequer os ventos da opinião pública. Hoje em dia, apenas 5% da população condenam Lula."

Talvez seja isso o que mais assusta, a unanimidade incondicional, às vezes exalando ressentimento e revanchismo, da mídia blogueira.  Destinada evidentemente a um público muito epecífico.

A unanimidade burra de que falava Nelson Rodigues.

Quem viver verá.  

 
 

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