A nota de repúdio à ação na Cracolândia

Por Alexandre Ferreira

Caro Luis,

Segue para conhecimento e divulgação nota do Centro Acadêmico XI de Agosto - Faculdade de Direito da USP repudiando a ação violenta na Cracolândia. Coletamos assinaturas no meio acadêmico e na sociedade civil organizada. Assinam, entre outros, professores titulares da Faculdade de Direito, da FFLCH e da Psicologia da USP, além do diretor da Faculdade de Direito da USP, O ex-Ministro do STF Eros Grau, o ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Jr e o historiador Boris Fausto. A nota também conta com entidades da sociedade civil, como o Ministério Público Democrático  

Link no facebook: http://www.facebook.com/notes/xi-deagosto/nota-de-rep%C3%BAdio-%C3%A0-pol%C3%ADtica-de-dor-e-sofrimento-na-cracol%C3%A2ndia/110785715709787   Aguardo a resposta. 

Atenciosamente,
Alexandre Ferreira 

 

Diretor Geral do Centro Acadêmico XI de AgostoFaculdade de Direito do Largo de São FranciscoRua Riachuelo, 194, São Paulo - SP Telefone: (11) 8087-1365 e (11) 3111-4082 / 4083 http://www.xideagosto.org.br     

NOTA DE REPÚDIO À POLÍTICA DE “DOR E SOFRIMENTO” NA CRACOLÂNDIA

O Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), vem a público manifestar repúdio ao Plano de Ação Integrada Centro Legal, iniciado em 03 de janeiro de 2012 na Cracolândia, região central de São Paulo.

O plano é errado tanto na sua concepção, quanto no modo como é executado. Esse projeto envolve a ação da Polícia Militar na região, buscando inibir o tráfico de drogas e dispersar os seus usuários, que também seriam impedidos de se fixar em outros locais. A denominada “política de dor e sofrimento” visa provocar abstinência nos usuários de crack, a partir da qual, em visão equivocada, eles buscariam tratamento junto ao Poder Público.

Deve-se atentar, primeiramente, à fragilidade desse plano, pois parte do pressuposto que o sentimento de fissura do usuário em abstinência ocasionará seu interesse em buscar tratamento, ignorando os demais efeitos, como outros problemas de saúde ou reações violentas à abstinência. Ainda que essa política agressiva e desumana em andamento efetivamente gerasse busca por tratamento, a cidade de São Paulo não teria condições para atender os usuários, pois carece de estrutura adequada para tanto. E pouco se faz a esse respeito.

Diversos agentes do Poder Público também têm reiterado que a migração dos usuários a outras regiões será combatida, concluindo-se, então, que a operação será estendida para outros pontos da cidade. Transparece, dessa forma, a adoção de uma estratégia que somente expulsa os usuários de um lugar a outro, continuamente, em detrimento da oferta de alternativas reais de reabilitação que respeitassem verdadeiramente a dignidade dessas pessoas e visassem, de fato, recuperar sua saúde. 

A execução do plano é reflexo dos problemas em sua concepção. As autoridades afirmam que o crack é uma questão de saúde pública. A prática, entretanto, prova o contrário. A ação policial ostensiva, planejada e detalhada, reprime o usuário e contrasta com a nebulosidade do plano de ação referente à recuperação da saúde dessas pessoas. O alvo da polícia, que seria o tráfico, acaba sendo o usuário.  A eficácia no combate ao tráfico é mínima e o desrespeito aos usuários, enquanto seres humanos, enorme.

O Plano de Ação Integrada Centro Legal limita-se, portanto, à ação policial direcionada aos usuários e tem ensejado constantes violações aos seus direitos. É inadmissível, em um Estado Democrático de Direito, que agentes do Poder Público cometam repetida e sistematicamente atos de agressão física e moral contra os cidadãos, em claro abuso de autoridade e desrespeito aos direitos humanos. O combate ao tráfico de drogas não pode servir de pretexto para ignorar a necessidade de implementação de políticas públicas de saúde e assistência social para uma população marginalizada e doente.

A simples e violenta retirada dos usuários de crack do espaço público não resolve o problema de uma população já desamparada, que não tem outro lugar aonde ir e que sofrerá forte repressão policial para somente então, e em visão equivocada, perambular em busca de uma ajuda incerta.

Sendo assim, as entidades e pessoas abaixo assinadas declaram que

Não admitem que os usuários de crack, parcela vulnerável e marginalizada da nossa sociedade, tenham como tratamento estatal a ação policial repressiva no lugar da implementação de políticas de saúde pública e de assistência social;

Não admitem que essa população seja expulsa dos espaços públicos que ocupa, sendo forçada a uma migração permanente, em que não há real perspectiva de melhora de vida;

Não admitem que uma operação estatal seja realizada em desrespeito aos direitos humanos, e que agentes estatais cometam sistematicamente atos de agressão física, moral e patrimonial contra a população, de modo indevido e impunemente.

Centro Acadêmico XI de Agosto – Faculdade de Direito da USP

Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos

Centro Franciscano - SEFRAS

Clínica de Direitos Humanos Luiz Gama – Faculdade de Direito da USP

Instituto Luiz Gama

Instituto Pólis

Instituto Práxis de Direitos Humanos 

Instituto Terra Trabalho e Cidadania – ITTC

Movimento Ministério Público Democrático

Núcleo de Antropologia Urbana da USP 

Pastoral Carcerária

SAJU - Faculdade de Direito da USP

UNEafro-Brasil

 

Alamiro Velludo Salvador Netto – Professor Doutor do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP

Alvino Augusto de Sá – Professor Doutor do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e criminologia da Faculdade de Direito da USP

Alysson Leandro Barbate Mascaro – Professor do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP

Amando Boito Jr. – Professor da Unicamp

Antônio Carlos Amador Pereira – Psicólogo e Professor da PUC-SP

Antônio Magalhães Gomes Filho - Professor Titular de Processo Penal e Diretor da Faculdade de Direito da USP

Boris Fausto - historiador e professor aposentado do Departamento de Ciência Política da FFLCH - USP

Caio Navarro de Toledo - Professor do IFCH da Unicamp

Celso Fernandes Campilongo – Professor Titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP

Eros Roberto Grau – Professor Titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal

Dimitri Dimoulis - Professor de Direito Constitucional da Direito GV

Geraldo José de Paiva - Professor Titular do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP

Gilberto Bercovici – Professor Titular do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da Faculdade de Direito da USP

 

Jorge Luiz Souto Maior - Professor Associado do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

José Antonio Pasta Junior – Professor Livre-Docente da Faculdade de Letras da FFLCH USP

José Guilherme Cantor Magnani – Professor Livre-docente do Departamento de Antropologia da FFLCH-USP

José Tadeu de Chiara - Professor do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e tributário da Faculdade de Direito da USP

Lídia de Reis Almeida Prado - Professora Doutora do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP

Marcio Naves - Professor de Sociologia do IFCH – Unicamp

Marcio Suzuki - Professor da Faculdade de Filosofia da FFLCH USP

Marcus Orione - Professor Associado do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP 

Mario Gomes Schapiro - Professor da Direito GV

Mariângela Gama de Magalhães Gomes- Professora Doutora do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP

Miguel Reale Júnior - Professor Titular do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP e ex-Ministro da Justiça

Nádia Farage - Diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp

Otávio Pinto e Silva - Professor Associado do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP 

Paulo Eduardo Alves da Silva - Professor do Departamento de Direito Privado e Processo Civil da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto – USP

Ricardo Antunes - Professor de Sociologia do IFCH – Unicamp

Samuel Rodrigues Barbosa - Professor Doutor do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP

Sérgio Salomão Shecaira - Professor Titular do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da Faculdade de Direito da USP

Atualizado em 10/01/12, às 18:30

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9 comentários
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Adamastor

A propósito...


Ex-usuários pedem mais amor e menos violência na "cracolândia", em São Paulo

São Paulo – Ex-moradores da região da Luz, no centro de São Paulo, conhecida como "cracolândia", criticam as ações da prefeitura e do governo estadual contra usuários de drogas. Reunidos nesta terça-feira (10) na Casa de Oração do Povo de Rua, eles cobraram um tratamento humano para os adictos e afirmaram, baseados nas próprias experiências, que o caminho para superar o problema não passa pela violência, mas pelo afeto.

“Não é tratando a gente que nem lixo que resolve”, disse Marina, que deixou a cracolândia há 15 dias para começar um processo para se livrar do vício em crack. Ela conta que estava “muito louca” e não conseguia sair “daquele inferno”, mas pôde superar as dificuldades quando lhe ofereceram carinho. Ela reside agora em uma das casas de acolhida da Missão Belém, da Igreja Católica paulistana.

Os depoimentos, organizados pelo padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, coincidiram em indicar que se trata de um equívoco a postura ofensiva desencadeada na primeira semana do ano pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, e pelo prefeito da capital, Gilberto Kassab. Para os antigos moradores, a repressão comandada pela Polícia Militar fará a cracolândia simplesmente se deslocar de lugar, sem que seja verdadeiramente resolvido o problema de fundo.

“De onde chega a droga?”, indagou o padre Rogério Valadares, da Aliança de Misericórdia, que trabalha há dez anos na acolhida a usuários. “O que recupera não é remédio, não é clínica de recuperação. É o amor. É quando a pessoa redescobre o sentido da vida.”

Os ex-moradores da região acrescentaram que é um erro imaginar que um usuário de droga é uma pessoa “sem noção”, como dizem alguns agentes públicos, e indicaram que é preciso tratá-los com respeito e como pessoas conscientes. Padre Júlio apontou que existe necessidade de transmitir confiança para quem está em situação de adicção, e deixar de atuar como a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana. Ele acredita que os governos municipal e estadual cederam à tentação da solução imediata, que, na visão do líder religioso, não existe.

O padre vê sadismo no nome da intervenção, batizada pela prefeitura de Operação Sufoco, e cobra a abertura de centros de atendimento que funcionem durante todo o dia. “O problema não é matemático. O problema é humano. A solução não é de uma fórmula, é de uma postura”, cobra. “Não é mágica. Não temos solução para tudo, mas temos um caminho seguro”, afirmou padre Júlio.

A Polícia Militar argumenta que precisa usar táticas agressivas para “quebrar” o abastecimento da cracolândia. As ações dos últimos dias incluíram uso de disparos de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes. A corporação fala em uma estratégia de “dor e sofrimento” para mudar a região, que responde pelo principal plano urbanístico da gestão Kassab, o Nova Luz, que promete poder transformar a região com a concessão a empresas privadas do setor de construção de prerrogativas de desapropriações e outras intervenções.

Em entrevista coletiva concedida nesta semana, os comandantes da ação da prefeitura e do governo estadual indicaram que, dentro de um mês, começam a ser abertos os centros de assistência social no bairro. Em  60 dias, os de saúde passarão a funcionar, ainda segundo as fontes oficiais.

Recuperação

“Em vez de dor e sofrimento, precisa de paz e alegria”, diz Gilson, hoje com 35 anos, que morou no local durante seis e está há doze longe das drogas. Ele cursa o terceiro ano da Faculdade de Teologia e trabalha nas missões que retiram os usuários das ruas. A história de Gilson começou a mudar após uma madrugada fria em que alguém lhe colocou a mão no ombro e disse que lhe amava. 

“É uma prática de exorcismo muito forte alguém te abraçar e dizer que te ama”, reconhece Paulinho, que começou a beber aos 12 e foi viciado em cocaína entre os 17 e os 23. “Era músico, tinha plano de ser famoso, mas me frustrei com aquela vida. Estava a um passo de me abandonar de uma vez.” 

Pitter, que passou de usuário a traficante, ficou preso durante pouco mais de um ano. “Quando saí, achei que precisava recuperar o tempo perdido. Voltei para o tráfico”. Passou mais seis meses perambulando, a ponto de a família dá-lo como morto. Um dia, enfim, decidiu que tinha de mudar. Arrumou emprego e avisou os parentes. “O que me ajudou foi o carinho que minha família teve por mim. Se não fosse por isso, hoje estaria morto, com certeza.”

Gumercindo, hoje com 43 anos, passou mais de uma década e meia na cadeia e como dependente químico e morou cinco anos na cracolândia. Ele saiu de casa aos 13, cansado da violência praticada pelo pai contra a mãe. Ele aceitou ir para a casa de acolhida em Jacareí, no interior paulista, só para “engordar”, ou seja, para ter condição física de voltar para a rua, mas acabou mudando de ideia no meio do caminho. “Um dia, me abraçaram do jeito que eu estava. Dias sem tomar banho, o cabelo comprido. Aquilo foi me tocando. Eu me senti sendo gerado novamente”, relata. “Senti que tinha de doar a minha vida”, diz. Hoje, retira usuários da cracolândia que queiram receber ajuda. 

“Ter de fazer alguma coisa não significa fazer qualquer coisa. E não significa fazer a pior coisa”, complementa Júlio Lancelotti. “Não estamos pregando o messianismo. Estamos testemunhando que essas pessoas têm de descobrir um valor que as preencha. A violência não é a solução.”

 
 
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Rogerio0512

Ontem me parece que o Datena estava defendendo a ação na Cracolândia, mas os argumentos eram de desocupação para revitalizar a região degradada.


Essas pessoas precisam de um lugar, ou seja, ter para onde ir para poder conviver com a droga e o tratamento, antes de serem expulsas.

 
 
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Mario Blaya

 

 A violência não é a solução, sem duvida!

omissão da lei ou passar a mão na cabeça de pessoas viciadas  também não é! 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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ruyacquaviva

Só mesmo dois incompetentes e autoritários como o Alckmin e o Kassab para conceber uma ação dessas, onde nenhuma ação de assistência médica ou social foi sequer cogitada. São dois tiranos de aldeia sem estatura política sequer para ser síndico de prédio.

 

 
 
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Fernando Vidal

 O que esse Centro Acadêmico XI de Agosto - Faculdade de Direito da USP fez até hj para ajudar na questão dos viciados durante esses anos todos? aposto que nada! pra mim é querer aparecer.

 
 
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Rafael Gonzaga

Apoiado, o certo mesmo é deixar os viciados na rua e garantir o suprimento de drogas aos usuários. Isso sim dá certo, sempre deu e sempre dará. Não é preciso mudar nada. Deixem os mendigos e moradores de rua onde estão, eles são felizes lá.

Só mesmo os facistas do PSDB que fazem isso. Enquanto isso o bom, maravilho e perfeito governo federal, da competentissima Dilma está trabalhando em um plano secreto sem data para começar que planeja exatamente a mesma coisa que o governo higienista de São Paulo está fazendo, mas como são petistas eles são anjos encanados e tudo é bom e correto.

Não é isso companheiros? Opa, já ia me esquecendo... Fora PIG, queremos leis dos médios.

 
 
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alexandre toledo

Já esta começando a entender as coisas ...realmente o governo do psdb é fascista ...ok sei que estava sendo ironico mas sabe como é derepente deu uma luz e voce entendeu....

 

alexandre toledo

 
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Rafael de Andrade

Tá, e qual é a próxima piada, Sr. Comediante? Já que capacidade de propor algo você provou que não tem.

 
 
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maria rodrigues

 


Pois é, o tal Datena passou horas no seu programa de ontem defendendo a retirada dos viciados da cracolândia. Deve ter agrado muito prefeito e governador. Lá pelas tantas pôs dois números de telefones com a pergunta: "VOCÊ É A FAVOR DA CRACOLÂMDIA?" Como se tal pergunta fosse suficiente para alguma conclusão.  Por ser muito burrinho, quase analfabeto, falta-lhe Português e senso crítico pra fazer uma análise sobre o problema, resumindo a história em preto ou branco, claro ou escuro.


A retirada desses miseráveis da Cracolândia, da forma intempestiva que foi, está se assemelhando aos incêndios das favelas. Se em pouco tempo virmos que no local do prédio abandadonado da cracolândia vão erguer um espigão charmoso, teremos a resposta a tantos questionamentos.

 
 

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