A medicina baseada em evidências - 2

Por Claudio Moreira

Estou voltando hoje do 1o Congresso Brasileiro de Prática Clínica Baseada em Evidências no Rio de Janeiro realizado pela SMS-RJ. Um consenso entre os palestrantes é sobre as limitações dos ensaios clínicos. E que eles, na prática clínica, devem estar submetidos à experiência prévia do profissional de saúde e ao bom senso. Cerca de 20% da prática clinica tem alguma evidência na literatura. O que é obviamente benéfico (como o para-quedas) não necessita de ensaios clínicos.

O Dr. Feldman pode orientar seu paciente a tomar chá de gengibre sem peso na consciência, e sem receio de críticas dos defensores da medicina baseada em evidência. Mas se ele quiser encapsular, patentear e vender o pó de gengibre, seria interessante para o consumidor saber a real eficácia do gengibre. E se o SUS for comprar toneladas de cápsulas de gengibre para distribuir nos postos de saúde com o meu imposto, eu gostaria de ter certeza do benefício do mesmo.

Por fim todo o ano o BMJ publica algum artigo "inusitado", mas não esqueçam que o BMJ vive da medicina baseada em evidência. E como dizia um professor meu: "Medicina baseada em evidência é um modelo muuuuuito ruim. Mas até hoje não existe nada melhor." 

Por GalileuGalilei

O texto do Dr. Alexandre Feldman está muito bem escrito e, como todo sofisma, nos toma pela mão progressivamente levando-nos a acreditar que a lógica não tem lógica.

Aquilo que o Dr Feldman denomina, um pouco pejorativamente de "Medicina Baseada em Evidências", não pode e não deve ser tratada dessa forma simplista.

O Bernardo Aguiire, acima, já identificou a pobreza da analogia.

Afinal, paraquedas têm sido amplamente testados e mesmo estudados teoricamente em bases de resistência do ar, mecânica de gases e de flúidos, modelos computacionais, etc. Não se trata de simples emprego do bom senso transmitido boca-a-boca.

O que se procura com a busca de evidências é evitar que aquilo que eu considero bom-senso, seja baseado em minhas experiências, seja baseado em minha fé, ou má-fé, venha a tomar ares de ciência.

Em outras palavras, usando a analogia do Dr. Feldman, o que se deseja evitar é que eu, motivado por uma "revelação", íntima convicção, desejo de enriquecimento, ou outro motivo qualquer, divulgue que penas de avestruzes embebidas em cera líquida, ao esfriar, tornam-se excelentes substitutos aos caríssimos para-quedas.

Ah, sim... Certamente, a indústria de paraquedas, provavelmente nas mãos de um oligopólio, irá rapidamente me denunciar como charlatão, reforçando, assim, minha tese de que essa gente malvada está mesmo interessada em grandes lucros e não têm o menor interesse que eu, criador de avestruzes, divulgue um substituto bem mais em conta.

A frase: "É claro que o objetivo maior desse artigo foi demonstrar que existem aquelas informações baseadas na observação e experiência; informações baseadas em evidências; e, antes de mais nada, o bom-senso." é enganadora, pois observação e experiência não podem ser substituídos apenas pelo bom-senso. Este último, de caráter bastante subjetivo, é bastante sujeito a erros, conforme tanto a observação quanto a experiência comprovam. 

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38 comentários
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Ivan Moraes

"A frase: "É claro que o objetivo maior desse artigo foi demonstrar que existem aquelas informações baseadas na observação e experiência; informações baseadas em evidências; e, antes de mais nada, o bom-senso." é enganadora, pois observação e experiência não podem ser substituídos apenas pelo bom-senso":

Nao, nao eh, pois nao afirma que "observação e experiência não podem ser substituídos apenas pelo bom-senso" a ponto nenhum.

Vou ficar fora do assunto, mas nao fale em bom senso e discurse a respeito de paraquedas. Nao pega bem.  O artigo original a respeito de paraquedas era uma piada engracadissima, mas ilustrativa do fato evidente de observacao e experiencia esmagarem bom senso em nome da ciencia e ninguem poder mandar tirar o cavalinho da chuva sem se expor ao ridiculo "cientifico".

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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wagner aparecido nogueira

Boa tarde. E ainda há os homeopatas.  

 
 
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Emilio GF

Essa constitui um perigo muito maior. Gostaria de ter acesso a levantamentos que mostrassem quantas pessoas a homeopatia mata a cada ano. Pessoas morrem por que tratam-se de doenças, por vezes graves, com medicamentos inócuos.

Certa ocasião conheci um rapaz que sofria de sinusite e era tratado com homeopatia, por orientação da mãe. Sem combate apropriado, as bactérias alcançaram o encéfalo causando meningite. Essas bactérias que habitam nossas mucosas são resistentes à maioria dos antibióticos comuns, pois já desenvolveram resistência através de vários anos e em vários portadores. Enquanto o laboratório realizava o anti-biograma, ele entrou em coma.

Garotão forte e atlético, no esplendor dos seus 17 anos, safou-se com o antibiótico correto. E não ficou cego, o que não é incomum nesse tipo de infecção.

Homeopatia não deve ser confundida com fitoterapia (ou farmacognosia, um nome mais tradicional). O "medicamento" homeopático é diluído, em fase sólida ou líquida, tantas vezes que é impossível encontrar uma molécula sequer do princípio ativo empregado! Se a homeopatia estiver correta, toda a farmacologia, química, física e biologia estão erradas.

E pior, quem compra a homeopatia, leva junto todo um pacote de crendices que costumam acompanhar essa forma moderna de charlatinismo.

Certa ocasião, uma colega professora afirmou que seu "médico" homeopata desaconselhou que vacinasse os filho. Como prova da correção de sua decisão, relatou que nenhum de seus três filhos contraíra qualquer das doenças contra as quais se utilizam as vacinas obrigatórias.

Tentei argumentar que seus filhos não adoeceram porque a maioria das pessoas responsáveis vacina seus filhos, interrompendo a cadeia de transmissão.

Argumentação infrutífera, diga-se.

 
 
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Ivan

Só o fato de existir um congresso sobre medicina baseada em evidências já é preocupante. A medicina, como ciência que é, obviamente deveria ser baseada em evidências. O efeito placebo é bem conhecido e comprovado pela ciência. O problema é atribuir a determinadas substâncias efeitos sem a devida comprovação que os distinguam do placebo. O próprior caso da Homeopatia ser reconhecida como especialidade médica é matéria de discussões.

 
 
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João Prado

Sinceramente confio muito nos médicos, mas confio muito também na minha, falecida, vovó Iracy que conhecia ervas e chás como ninguém:

. Pra picada de marimbondo: vinagre
. Pra tosse seca: Xarope de guaco

E por aí vai. O avanço tecnológico da medicina trouxe enormes avanços, sem dúvida, mas o conhecimento empírico de séculos de experiência humana não pode ser jogado na lata do lixo por causa de vaidades acadêmicas. 

 
 
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Reynaldo L.

Esse é o problema:

Picada de marimbondo melhora com, sem ou apesar do vinagre
Tosse seca (caso não seja sintoma de algo mais grave) melhora com, sem ou apesar do xarope de guaco.

E quando a condição de saúde é algo cuja história natural é de piora progressiva sem tratamento adequado, com, sem ou apesar do tratamento da vovó iracy?!

 
 
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Ivan Moraes

Voce perdeu o ponto dele completamente, ate a ultima virgula.  Nao existe duvida que a picada de maribondo vai melhorar como nao existe duvida do que acontece na queda sem paraqueda.  O assunto era bom senso.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Reynaldo L.

Qual bom senso? O meu? O seu? O dele? O do Dráuzio Varella? O do Nassif? Do Noblat? Do Serra? Do RA?

 
 
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Ivan Moraes

O que voce perdeu foi so o dele, os outros nao entraram na conversa.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Reynaldo L.

Ha, tudo bem...é que bom senso cada um tem o seu, cada qual diferente do outro...aí eu me perdi no meio de tantos.

 
 
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Felis

Se não estou enganado, o Descartes, no "Discurso do Método", já dizia que o bom senso deve ser a coisa mais bem distribuída do mundo, pois todos se julgam possuidores dele.

 
 
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Ivan Bispo

Reinaldo L,

 

dizem que no Brasil foram realizadas várias biopiratarias, dentre elas, a anestesia. Você conhece o caminho pelo qual se chegou a anestesia? Sem trabalhar com estatisticas, após muita observação, os Índios chegaram a conclusão de que determinadas plantas serviriam para anestesiar. E foi só observando, depois utilizaram o bom senso.

 
 
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Reynaldo L.

Hãnh?!...desculpe, mas a anestesia não tem nada a ver com índios...e esse "dizem"? Quem dizem o que, onde?

 
 
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Ivan Bispo

Reinaldo L,

 

DIZEM: aqui tem um pouco da história e dos nossos medicamentos, descobertos a partir de observação indigena e do conhecimento indigena apropriado por não sei quem.

 
 
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Chico Pedro

Caro Reynaldo,

Tudo que você disse é verdade, mas das verdades todas você esquece de muitas.

Minha avó morreu com 92 anos de idade, sempre usando e abusando dos seus próprios remédios (inclusive sua dose de scotch diária).

Eu disse pra tratar câncer com chá de quebra-pedra???

Já entendi. Você é chato assim mesmo...

 
 
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Emilio GF

Olá, Reynaldo. Continuo minha inglória luta contra ambos os lados dessa questão.

É possível que o vinagre funcione nas picadas de marimbondos (vespas). Há algum tempo li um trabalho que mostrava a eficácia do vinagre como um primeiro tratamento nas ulcerações causadas por anêmonas, por exemplo.

Encontrei algo semelhante aqui:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8469205?dopt=Abstract

Quanto à ação nas picadas de vespas, não encontrei nada e estou sem tempo de procurar hoje. Na primeira tentativa no Google, em português, encontrei um auto de infração onde a reclamente é uma senhora chamada Vaniucha Mello Marimbondo Vinagre! rsrsrsrs

Continuo acreditando que muitas dessas alegações, aquelas que sobreviveram por séculos, podem ter efeito real.

E tenho absoluta certeza de que tais procedimentos e medicamentos devam passar pelas mesmas dez fases metodológicas para aprovação.

 

Abraços.

 
 
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Thomas Castilho da Silva

Falando em medicina e em evidência Nassif, você já viu essa série de videos? Outro dia você postou algo sobre uma conferência nacional sobre o uso de drogas, e acho que esse video vem bem a calhar. Abraços.

 

http://www.youtube.com/watch?v=uCiCnEzBPak

 
 
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Mario Abramo

Aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai....

Outro post querendo reduzir medicina baseada em evidência a ensaio de duplo-cego?

Que falta faz um cursinho de epistemologia nas faculdades de medicina... talvez servisse pra esses corporativistas e classistas não falarem tanta bobagem. E tem um momento que a ignorância deixa de ser inocente e passa a ser criminosa.

E ainda por cima querem ser chamados de "cientistas"...

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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Roberto Baginski

Prezado Mario Abramo,

 

concordo com você quando diz que há um momento em que a ignorância deixa de ser inocente e passa a ser criminosa.

É aquele momento em que água ou álcool que um dia esteve em contato com substânicas potencialmente mortais é oferecido como remédio sem nenhuma evidência séria de que funcione. É aquele momento em que o sistema público de saúde decide oferecer chazinho não testado em vez de algum remédio de verdade que tenha sido minimamente testado. É aquele momento em que, baseado no bom senso de mais de três milhões de chineses, alguém começa a receitar urina por suas maravilhosas propriedades curativas. 

Nestes momentos, tenho certeza de que a ignorância deixou de ser inocente e passou a ser criminosa.

 

Saudações evidentes,

Roberto Baginski 

 
 
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Mario Abramo

Baginski,

 Digo e repito e sustento em qq fórum que a atitude dogmática de reduzir medicina baseada em evidência ao teste de duplo-cego é um absurdo criminoso. Agravado mais ainda pela exigência de publicação de resultados em revistas de fator de impacto alto.

 Não tenho a menor idéia do que vc entende por experimentação científica. Um ensaio de duplo-cego pode ou não ser um experimento válido. Só é válido quando vc testa uma hipótese tendo controlado todas as variáveis e verifica se um efeito esperado ocorre ou não. O problema em Medicina (aqui com maíuscula) é que é quase impossível controlar as variáveis. No famoso discurso do Feymann na Caltech, ele descreve o problema de criar um experimento válido para um efeito simples. Muita gente esquece disso. E tenta fazer generalizações absurdas. Se isso é difícil com ratos, imagina com gente. Nunca vi nesses ensaios de duplo-cego dessas famosas revistas de fator de impacto alto nenhuma estatística sociológica sobre o grupo de ensaio e o grupo controle. Supõe-se sempre que estão nas CNTP.

 Com algumas doenças de etiologia conhecida, com agentes patológicos perfeitamente determinados, é possível esperar um determinado efeito de um determinado medicamento. Então, não vou tratar TB ou hanseníase com acupuntura, homeopatia ou floral. Posso até usar um tratamento complementar pra melhorar o estado geral do doente, mas é outra questão.

 Mas existem uma série de disfunções orgânicas que nem sempre tem um agente patológico determinado. Dismenorréia, por exemplo. Ou enxaqueca. Descartados problemas mais graves (e sim, aqui eu apoio sem dúvida nenhuma o diagnóstico e a prescrição exclusiva do médico), pq não usar algo que tem eficiência comprovada por milênios? Porque não se conseguiu isolar um PA direito? Mas quem disse que existe um único PA, e que na verdade, a combinação do fitoterápico não pode ser decomposta em elementos simples?

 É por isso que considero negar o uso de fitoterápicos de eficiência comprovada como omissão criminosa. E aí, cabe a pergunta: Cui bono?

 []s

Mario

 

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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Reynaldo L.

"É por isso que considero negar o uso de fitoterápicos de eficiência comprovada como omissão criminosa".  Esse é o problema Mario: o que seria "eficiência comprovada"? A publicação em revistas de alto impacto não ocorre somente para a satisfação da vaidade dos cientistas. Revistas de melhor impacto recebem maior quantidade de artigos, atraem revisores de maior competência, e maior número de submissões de publicação. Isso tudo faz que o processo seletivo possa ser mais rigoroso, e as pesquisas publicadas sejam de maior relevância. Fundamentalmente, uma pesquisa adequada, bem descrita  permite que seja possível a sua duplicação por grupos independentes. Assim, um grupo do Japão publica uma pesquisa no New England Journal of Medicine. Pesquisadores brasileiros podem usar a mesma metodologia lá descrita, e duplicar a pesquisa para verificar se chegam aos mesmos resultados. É assim que a Ciência se protege contra fraudes e manipulações.

ontrário do que se pensa, cientistas não acreditam que através da Ciência se chega a uma "verdade", eles estão permanentemente "desconfiados" em relação aos resultados alheios e aos próprios. É comum em uma mesma revistas ser publicado um artigo e nas páginas seguintes já haver uma contraposição a ela, com réplica e tréplica. Já na "visão" baseada na "tradição", ao invés da desconfiança, a fé é a regra: acredita-se no que se vê ou se faz como uma "verdade" absoluta que não pode ser contraposta (muito menos  pela Ciência, obviamente). É curioso com os grupos que criticam a Ciência se comportam exatamente da forma como pensam que a Ciência se comportam, e na prática exercem tudo da forma como criticam. Por exemplo: o autor do texto parece acreditar  piamente que gengibre é bom para enxaqueca (não estou entrando no mérito se sim ou se não), e não admite que essa sua "verdade" seja contestada. Realmente, é interessante. Eu chamo esta conduta de "medicina baseada em oráculos", em contraposição à "medicina baseada em evidências", já que os primeiros não precisam demonstrar ou colocar a prova a origem ou as propriedades das suas afirmações. É assim por quê eles querem que seja, e ponto final.

Abç. 

 
 
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Mario Abramo

Caro Reynaldo,

 Não sou, nem poderia ser,  contra medicina baseada em evidência. Sou contra considerar o ensaio de duplo-cego como único método de comprovar a eficácia de um medicamento. É bem diferente, e espero que vc leve isso em consideração em uma eventual resposta.

 Acho que vc concorda que uma cura é uma evidência. Vamos melhorar o fraseamento: o desparecimento de um estado mórbido anterior é um dado real, inquestionável. Se eu tenho uma dor (por exemplo, minha famosa síndrome do piriforme, ou melhor, síndrome do motorista-que-usa-carteira-no-bolso-de-trás), e essa dor desaparece, e continua desaparecida depois de anos, esse é um dado real. É uma evidência concreta.

 Se eu consigo estabelecer uma correlação entre essa cura e um determinado procedimento, então eu tenho uma "pista" de que esse procedimento é eficaz. Se essa correlação se verifica em uma grande quantidade de casos, essa pista fica cada vez mais sólida. Então, se após um mês de tratamento de acupuntura minha síndrome desaparece, depois de anos de sofrimento com analgésicos e antiinflamatórios cada vez mais fortes, o que aliviava apenas temporariamente a dor, eu posso considerar que a acupuntura curou o diabo do bicho. Não foi efeito placebo. E se foi remissão espontânea, sem a acupuntura ajudando o problema só estava se agravando.

 Se eu tomo chá de gengibre pra enxaqueca, a enxaqueca desaparece, e as crises diminuem, eu tenho uma pista bastante sólida de que chá de gengibre é bom pra curar enxaqueca, pelo menos para mim. Mas se, aliado a esse dado pessoal e intransferível, verifico que muita gente também melhora da enxaqueca com chá de gengibre e, mais ainda, se o chá de gengibre é conhecido há milênios como bom pra enxaqueca, então eu posso dizer que o gengibre tem eficácia comprovada para enxaqueca. Claro, se a enxaqueca for causada por um tumor, pode não funcionar. E pode não funcionar em outros casos também. E pode não funcionar dependendo da pessoa.   Ora, pouquíssimos medicamentos funcionam da mesma forma para todo mundo. E pouquíssimos medicamentos funcionam para tudo.

 Consigo descrever o mecanismo da cura de maneira formal? Não. Mas isso não é uma limitação do gengibre, ou da acupuntura, é uma limitação do conhecimento atual. Pode ser que um dia a gente venha a descobrir? Talvez. E talvez para isso a gente tenha que abrir mão de algumas crendices que fazem parte da base da ciência. Inclusive da bobagem de acreditar que a realidade "funciona" apenas e exclusivamente de acordo com a lógica formal peripatética. Taí a debacle do mapeamento do genoma humano pra não me deixar mentir. Não dá pra jogar todo aquele "lixo" pra debaixo do tapete.

[]s

Mario

PS: Não vou falar de revistas científicas nem da reprodutibilidade de experimentos in vivo em condições diversas daquelas originais. Acho que isso seria apenas desviar o foco da questão principal.

 

"Eu quase de nada não sei. Mas desconfio de muita coisa" Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas

 
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Reynaldo L.

Mario, obviamente MBE não se resume a Ensaios Clínicos Controlados Duplo-Cegos. Obviamente, relatos de caso, (você faz algo e melhora) e de séries-de-casos (várias pessoas fazem algo e melhoram) também são fontes de evidência, mas em um nível inferior. Digite no google "pirâmide de evidências" e se informará mais sobre isso, verá relatos de caso e séries de casos lá representados. Ambos são importantes para levantar hipóteses. Nos exemplos que citou, infelizmente a coisa não é tão simples. Imagine alguém com enxaqueca procurando um médico, acupunturista ou adepto do gengibre. A primeira consideração é: ele tem duas crises ao mês, e  procura ajuda quando a sua dor está (ou esteve recentemente) pior. Ele está com essa "memória". Dirá que tem dores "insuportáveis", "quase todos os dias". Está "acima da média", e com uma tendência natural a "regressão à média", não importa o que se faça. Existem estudos demonstrando isso (posso colocar as referências aqui se quiser).

gunda consideração é que uma consulta com um acupunturista ou adepto do gengibre provavelmente é mais "acolhedora" que o normal: o médico demonstra mais solidarariedade, ouve mais o doente, e dá uma certeza de melhora (pelo gengibre ou acupuntura), o que transmite confiança e contribui para a melhora. Também existem estudos sobre isso. Por exemplo, indivíduos divididos em 4 grupos, um com consulta positiva + pílula placebo (eu sei o que você tem, tome essa pílula que você vai melhorar), outro com consulta positiva + nenhum tratamento (eu sei o que você tem, e vai passar sozinho sem tratamento) outro com consulta negativa + ´pilula placebo ( não sei o que você tem, tome essa pílula que talvez melhore) e consulta negativa sem tratamento ( não sei o que você tem e portanto não posso tratá-lo). 64% dos grupos de "consulta positiva" melhoraram, contra em torno de 49% dos de"consulta negativa". Consulta positiva + nenhum tratamento foi melhor que consulta negativa + pílula placebo (32 a 21%). Esse artigo já é meio antigo, e pode ser baixado na íntegra ( Thomas KB. General practice consultations: is there any point in being positive? Br Med J (Clin Res Ed). 1987 May 9;294(6581):1200-2. PubMed PMID: 3109581; PubMed Central PMCID: PMC1246362. ). O efeito placebo também é real, fisiológico, visível em imagens funcionais do cérebro, e pode ser evitado através de um antagonista de morfina chamado de naloxone: Você faz o procedimeto placebo,  e além disso, em um grupo vc injeta naloxone IV, em outro soro fisiológico. No grupo do soro fisiológico ocorre o efeito placebo, no do naloxone ele é completamente inibido.  Além disso, há o efeito de remissão espontânea, já citado. Todos esses são inespecíficos, então, como saber se há efeito específico do procedimento? Somente com grupo controle, goste-se ou não. os pacientes são semelhantes, os procedimentos são controlados, o tempo e a forma de consulta também  são semelhantes, como o são o tempo e os critérios de avaliação. Se há efeito específico, o estudo vai mostrar, seja acupuntura (comparada com acupuntura falsa), seja gengibre (comparado com algo que se pareça com ele). Porque não fazê-lo então? Na minha opinião, por medo do resultado, ou por razões mercadológicas: onde existe um padrão de tratamento (por exemplo, para enxaqueca, fármacos profiláticos + abortivos da crise, e muito mais, como demonstarei ao final) , uma forma de se diferenciar e atrair pacientes talvez seja utilizar prátias não convencionais, escrever sobre elas e criticar a MBE. Com certeza encontrará eco. Porquê médicos "abominam" cura espontânea, perguntaram aqui; se o paciente diz que melhora com uma coisa tão simples e barata como o gengibre, independente do efeito, porque não recomendá-lo, mesmo que seja placebo, foi outra pergunta. A primeira resposta: porque não é ético receitar placebo. A segunda resposta: porque, como já disse, o pau que bate em chico, bate em francisco. Porque esse raciocínio vale para o gengibre e não para o último fármaco caro e não testado? Dividiríamos por preço? Barato pode, caro não? Com vários relatos de caso e série de casos publicados na revista leiga de saúde, dizendo que 10 aplicações de 5 mil reais cada, de tal  "remédio importado" melhoram a enxaqueca, como o SUS convenceria o Juiz de que seria um gasto criminoso (porque o dinheiro vai faltar em algum lugar)  temerário (já que o fármaco não foi testado) e perigoso (pelas mesmas razões?) se ensaios clínicos randomizados controlados duplo-cegos podem ser substituidos por relatos de caso e série de casos?!

Bem, finalizando, o texto a seguir foi extraído do documento de consenso da Sociedade Brasileira de Cefaléias, para tratamento da migrânea:

 

1.5. Tratamento não farmacológico – recomendações

Educação

– Fazer o paciente entender a migrânea como doença fundamentalmente biológica.

– Motivar a adesão da(o) paciente ao tratamento.

– Discutir com a(o) paciente a cronobiologia da migrânea.

– Discutir as opções de tratamento profilático associado ou não ao tratamento agudo.

– Explicar em linguagem acessível os mecanismos da migrânea e sua predisposição genética.

– Explicar a importância de se evitarem os fatores desencadeantes e agravantes comprovados para o seu caso particular.

– Explicar a importância e estimular o uso de um diário de cefaléia.

Os métodos a seguir foram avaliados com base na literatura existente e as recomendações fundamentadas em evidências científicas e opiniões consensuais de especialistas. Os métodos aqui não recomendados podem ser eventualmente utilizados em pacientes selecionados e motivados que demonstrem preferência ou benefício prévio com os mesmos.

a) Biofeedback e técnicas de relaxamento – Recomendado em casos selecionados (Evidência classe II). Obs.: Ineficaz na enxaqueca menstrual e particularmente eficaz em crianças.

b) Terapia cognitiva comportamental – Recomendada em casos selecionados (Evidência classe II). Obs.: Particularmente útil quando coexiste nível elevado de estresse e motivação da(o) paciente.

c) Dieta – Restrição dietética específica e individualizada está indicada apenas para pacientes com desencadeante(s) alimentar(es) comprovado(s) (Evidência classe II).

d) Acupuntura – Recomendada em casos selecionados. A acupuntura pode ter algum papel no tratamento dos pacientes com migrânea, porém a qualidade e a quantidade dos estudos que a recomendam não são plenamente convincentes. Deve ser considerada método auxiliar e de eficácia limitada e permanece à espera de novos estudos com metodologia adequada (Evidência classe II).

Projeto Diretrizes

Arquivos de Neuro-Psiquiatria Revista AMRIGS, Porto Alegre, 47 (4): 304-317, out.-dez. 2003 307

e) Psicoterapia – Recomendada em casos selecionados (Evidência classe III).

f) Fisioterapia – Recomendada em casos selecionados (Evidência classe III).

g) Homeopatia – Não é recomendada na profilaxia da enxaqueca (Evidência classe I).

h) Inúmeros outros métodos terapêuticos têm sido tentados para o tratamento da migrânea, porém, pela inexistência de informações científicas sobre sua utilidade, não serão citados. 

 

Observe que existem várias recomendações de terapias não farmacológicas, mas que foram de alguma forma testadas. Considero portanto criminoso dizer que médicos são preconceituosos, fechados, e que se comportam como garotos-propaganda de laboratórios. Ouso afirmar que, uma vez confirmado por ensaios clínicos controlados randomizados duplo-cegos publicados por grupos independentes, o gengibre estará nesta lista. Ouso ainda afirmar que, caso seus resultados sejam de tal forma drásticos, podem inclusive substituir todos os outros citados. E me questiono: se as pessoas confiam tanto no gengibre, por que não testá-lo? Se o autor do texto é um professor universitário com acesso a financiamento, porque não fazê-lo?

 

Abraço.

 
 
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Mauro_R

Esta discussao esta muito confusa pois esta misturando diversas questoes, laranjas com maças. Isto me lembrou de outro artigo "serio" publicado no BMJ em 2000 comparando maças e laranjas e acho (nao me lembro direito) arguindo que eles são parecidas em diversos quesitos.

Acho que nao é tao facil as pessoas que nao acompanham esta questao entender o grande cenario desta discussao. As questoes que o Dr. Alexandre Feldman colocou no texto dizendo que alguns "radicalizam" os conceitos da medicina baseada em evidencia é real e é discutido inclusive em congressos médicos. Ele logicamente se equivocou em dizer que o estudo sobre o paraquedas é sério. É lógico que não é. É somente um texto engraçado reforçando as obviedades da medicina baseada em evidencia como: ausencia de estudos sobre um medicamento/terapeutica não que dizer ausencia de eficacia do medicamento/terapeutica; nem todas as condições clinicas são passiveis de estudos clinicos randomizados (e nestas condicoes o profissional vai se guiar pela fisiopatologia da doenca, farmacologia do medicamento, experiencia previa etc.); etc.

Sobre a discussao da fitoterapia X Drauzio que me desculpem as pessoas que enxergam conspiração em tudo e dos que gostam discutir uma questao argumentando apenas sobre a etica do profissional, mas no geral eu diria que o Dr. Drauzio esta correto. Ele é oncologista e esta questao é real: sempre tem alguem que comenta que um paciente com cancer adiou/parou o tratamento para usar algum produto magico (bartatana de tubarao, vacinas do japao, fitoterapicos sem evidencia documentada, metodo canova etc.) e perdeu a "janela terapeutica" para ser curado. O Drauzio não é contra fitoterapicos (ele faz pesquisa com isso). A populacao deveria ter acesso ao atendimento a saude e poder ser tratada com o tratamento mais adequado (seja ele fitoterapico ou nao).  Em relacao as criticas do SUS ele as fez no contexto de justificar que o atendimento medico as vezes e tao ruim que é mais facil as pessoas buscarem fitoterapicos mesmo quando eles nem sabem direito o que elas tem e nem se aquele fitoterapico é o melhor para elas. O SUS tem diversos problemas, e o ministro Temporao é o primeiro a dizer que os dois maiores problemas são de financiamento e de gestao. Se os deputados do DEM e do PSDB tivessem aprovado a continuicao da CPMF anos atras o orçamento federal para a saude teria aumentado algo entre 25-50% e talvez o SUS estivesse hoje um pouco melhor.....

 

 
 
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carloslbf

Olha, está havendo uma radicalização equivocada em torno da questão - não se trata de ser 8 ou 80.

Nesse tópico interessantíssimo, acho que várias pessoas tem opinado brilhantemente a favor da medicina baseada em evidências (MBE), mas não conseguiram entender o cerne da questão - o de que a crítica não é ao método, à MBE em si, mas à crença irracional nela.

Acho que o Alexandre Feldman não acredita que a MBE é uma praga que veio acabar com a Medicina; e sim que fez somente uma crítica aos excessos (se ele acredita no contrário, discordaremos profundamente nesse aspecto - mas, como disse antes, não creio ser esse o caso).

Quanto ao tão falado artigo do paraquedas, o seu autor, Gordon Smith, possui diversos artigos publicados nas mais conceituadas revistas científicas - BMJ, JAMA, Lancet, The New England Journal of Medicine (vide o CV dele aqui); trata-se de um currículo brilhante, para dizer o mínimo; são todos artigos que, em tese, foram feitos com rigor científico, vide terem sido aceitos em todos esses periódicos - para os leigos terem uma idéia, qualquer profissional que consiga publicar um artigo apenas em qualquer um dessas revistas de enorme impacto na comunidade científica (médica) certamente seria aprovado com louvor em qualquer pós-graduação brasileira.

Não se enganem: existe uma ENORME PRESSÃO em cima dos médicos, por parte da indústria farmacêutica, no sentido de que receitemos determinados fármacos - em especial os fármacos novos (que ainda estão sob patente) - e existem já evidências de que muitos dados foram preparados deliberadamente, ou seja, artigos com dados manipulados (cito o artigo From Evidence-based Medicine to Marketing-based Medicine: Evidence from Internal Industry Documents, que mostra vários exemplos). A estatística é uma ciência que pode ser manipulada, desvirtuada. Depende de quem (ou do interesse de quem) interpreta os dados. E bons e maus profissionais existem em todas as áreas.

 

 

Sem querer me estender, o fato do Dr. Gordon Smith ter escrito o artigo do paraquedas, nada mais foi do que uma brilhante crítica à enfase desmedida que diversos pesquisadores tem dado a certos tipos de estudo. 

Vale a pena ler trecho de uma entrevista sua, em que explica o real sentido do "artigo" do paraquedas. A entrevista foi dada à Scientific American, extraída desse link (com grifos meus): 

(o entrevistador e entrevistado brincam um pouco com o tema do artigo, daí vem a pergunta...)

Steve: Okay, now [a] lot of our listeners would have probably thought that we have both lost our minds. So, let's talk about what the actual point of your publication was. There is evidence-based data and there is observational data, and let's talk about the real point of the article.

Smith: Yes, the real point of the article is that when assessing the very basis—whether a medical intervention is beneficial or non-beneficial, the current views of evidence-based medicine give a very strict hierarchy. And I suppose when you get into the most the purist amongst evidence-based medicine, [they believe] the uncertainty of any intervention which is[requires that any determination about it be] based on randomized controlled trial And the points that we are trying to make, the kind of—first of all, the obvious point is that there are going to be some situations that you simply can't address by randomized controlled trial. The second maybe is a slightly subtler point was in relation to the detailed discussion—you could conjure all sorts of possible explanations why the parachute seems to be effective, issues like socio-economic status, issues like pre-existing morbidities. There would be arguments that couldn't be current in the absence of direct evidence. We were suggesting that there was no substitute for having an element of common sense—and in the absence of randomized controlled trial data, you should reduce your scientific sense of the observational data. I guess, this of[is often] an overriding aspect that this is often [of] deciding whether the medical intervention is effective or ineffective; i[t']s a very, very complex question, and addressing very, very complex questions in a simplistic way can lead to a sub[par] results; and I guess that was really a fundamental message of our analysis.

Acho que ele concorda com o argumento de que a MBE é uma conquista inegável, e uma ferramenta hoje indispensável às boas práticas científicas, mas, como toda ferramenta, deve ser usada dentro de um contexto de conhecimento ciencífico mais abrangente, e não isoladamente. É essa a lição que devemos ter de toda essa discussão, na minha humilde opinião.

 
 
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danis

Excelente série de textos aqui no LNO desde Dráuzio vs Jaldo. Parabéns Nassif.

 
 
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Reynaldo L.

No espaço  das discussões sobre fitorerápicos e medicina baseada em evidências , uma boa parte dos argumentos contrários à necessidade de se realizarem testes científicos adequados em relação à práticas "tradicionais" discorre sobre o valor da "tradição", da "cultura popular", de que tais "práticas tem sido utilizadas há séculos", e por aí vai. Muitos ainda citam as maravilhas das medicinas "tradicional chinesa" e "indiana", que estão aí há milênios", etc.

Vejam o perigo da adesão acrítica a tais considerações:

  • Algumas espécies de cavalos-marinhos estão quase extintos no oriente. Cerca de 20 milhões de espécimes são capturados anualmente, e dos seus esqueletos secos extrae-se um pó para "medicamentos". Entre outras prescrições, é recomendado para impotência sexual, "problemas circulatórios" e renais.
  • Chifres de rinocerontes são usados para extrair um pó que é utilizado para "febre, delírios e convulsões.
  • Glândulas de cervos selvagens são utilizadas para "melhora a circulação", "infecções cutâneas" e "dor abdominal"
  • A bile de ursos negros é utilizada para doenças do fígado e cefaléias
  • ossos de tigre servem para tratamento de doenças reumáticas.

Enfim, é irrelevante se tal degradação da fauna trás benefícios ou não à saúde das pessoas, assim como se existem alternativas mais..."racionais(?)" de tratamento. o importante é que uma medicina tradicional de milênios não pode estar errada, e, obviamente, as ongs conservacionistas que tentam modificar tal situação com certeza estão a serviço da indústria farmacêutica, não é? Por supuesto!

 

 
 
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Ivan Moraes

"O Drauzio não é contra fitoterapicos (ele faz pesquisa com isso)":

Ou eh infiltrado ou nao eh, Mauro, o resto eh bagatelas.  Ou ele  vai na televisao e mostra todos seus amigos brancos pra provar que nao eh racista ou ele mostra pelo menos alguns amigos pretos.  Nao vai dar pra ficar no meio num meio essencialmente caricato, aonde pequenos gestos ficam gravados pra eternidade.

Pelo que ouvimos aqui no blog ate agora a respeito do programa ele mostrou todos os seus amigos brancos pra dizer que eh a favor dos fitoterapicos.

A posicao dele esta clara pra quem ate agora?  Quantos minutos foram dedicados ao SUS em relacao ao resto do programa?  (nao tenho acesso)

Constatacao triste:  vai ser falando contra sua especialidade que ele vai fazer sucesso, exatamente por causa da caricatura do meio, a televisao.  Ninguem vai colocar medico ou "cientista" na televisao pra falar de cha de hortelan.

Exceto se o assunto for Serra e suas burradas.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Mauro_R

Ivan,

Nao sei se compreendi muito bem o que voce esta dizendo. Mas vamos la....

O link do primeiro programa da serie do Drauzio (nao sei se sera um total de 4 ou 5) esta no blog - é link da globo nao sei se voce consegue acessar ai dos EUA.

Se eu fosse resumir o primeiro programa, ele esta vendendo a ideia de que não é certo essa ideia "que fitoterapico nao faz mal". Fitoterapico contem principios ativos como qualquer remedio: se nao for usado para o problema certo não funciona; em doses elevadas intoxica; e se a doença for grave e voce fica tratando com um fitoterapico ineficaz voce pode vir a morrer. Voce não acha que isso faz sentido?

O topico SUS ficou um pouco perdido no programa. Acho que é idéia era mostrar que como o atendimento a saude no Brasil ainda é ruim em diversas areas (e isso é dificil questionar, e não é culpa apenas deste governo, mas tambem dos anteriores e do congresso que nao resolve o problema do financiamento, alem do fato obvio que o nosso PIB nao se compara com os paises com bom atendimento publico a saude, como varios paises europeus, Canada, Australia etc.). Este atendimento inadequado pode levar a um uso nao adequado de fitoterapico (ele fazia um paralelo com uma fala do representante da OMS dizendo que os fitoterapicos em alguns lugares da Africa não são uma opcao são a unica possibildiade de tratamento).

O ministerio da saude tem um programa de praticas complementares em saude (que engloba homepatia, acupuntura, fitoterapia e outras praticas medicas e nao medicas) baseado nas recomendacoes da OMS (organizacao mundial da saude). Acredito que eles vao abordar isso tambem. E logico que alguns expoentes da medicina nacional sao contra......

E pelo que foi dito na reportagem da revista Epoca ele deve comentar nos proximos programas (vamos ver) a experiencia acho que da UNIP (que ele participa) com estudo de plantas na amazonia, alem dos projetos da Embrapa e de outras  universidades nacionais. 

Se voce ja leu algum dos livros que o Drauzio escreveu, ou a coluna que ele teve um tempo atras na folha ou ouvir pessoas falarem sobre ele vai ver que o Drauzio não parece ser do tipo de pessoa de ficar fazendo campanha pro Serra. Se a ideia era fazer propaganda pro Serra, realmente foi uma propaganda muuuuito subliminar. O Drauzio, as vezes, é meio incisivo em suas idéias e as pessoas as vezes encaram isso de modo errado. Se voce ja viu norte-americanos defendendo fervorosamente suas ideias, voce vai achar que o Drauzio até que pega leve.

 
 
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Ivan Moraes

Uau!

Obrigadasso, Mauro.  Ate agora nao deu pra decidir dos comentarios aqui ( vai fazer dois anos que a rede golpe na internet ja nao trabalha com iMacs e se eh em outra rede ainda nao deu pra saber) o que ele vai fazer na tv em termos da propria especialidade, era isso que eu tava querendo dizer.  Seu commentario ja esclareceu varias coisas.  Eh esperar pra mim ver...  (uh, pra ler os comentarios)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 

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