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A maneira profissional de combater o crackEnviado por luisnassif, seg, 09/01/2012 - 09:10Atualizado às 10h10 Usuário de crack deve ser introduzido logo ao sistema de saúde Para especialista, acolhimento sem respaldo médico é "constrangedor" Por Bruno de Pierro, da Agência Dinheiro Vivo Na última terça-feira (3), a Polícia Militar de São Paulo iniciou uma operação para reprimir o tráfico de drogas na região da Cracolândia, no centro da capital. A primeira etapa consistiu na remoção de dependentes que se aglomeravam na região e na limpeza das ruas, com caminhões-pipa. A iniciativa foi batizada de Operação Sufoco, e depois da dispersão dos dependentes químicos, a polícia fecha o cerco para identificar na multidão quais são usuários e quais são traficantes. Os primeiros, se não suportarem a abstinência ou não encontrarem outros locais para obter crack, espera-se que aceitem a assistência social; e o últimos serão presos. A medida tem sido criticada por especialistas, por promover a dispersão de usuários, que se espalham por outros pontos da cidade. Além disso, a ação ocorre antes da inauguração de um complexo voltado para usuários de crack, com equipamentos de saúde. Segundo a PM, a assistência virá numa próxima etapa. Em comunicado na semana passada, o prefeito Gilberto Kassab disse que a medida não é “enxugar gelo” e que “já é um avanço elas [as pessoas doentes e dependentes] estarem numa região que tem polícia”. Para falar sobre o assunto, Brasilianas.org ouviu o psiquiatra, ex-presidente e atual consultor da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, Carlos Salgado. De Porto Alegre, Salgado explicou a experiência do CAPS-AD que coordena em Venâncio Aires, município do Rio Grande do Sul, e defendeu a reestruturação dos albergues. “Simplesmente fechar albergues, porque eles são ineficientes ou mal organizados, ou mesmo incompetentes, é uma atitude bastante ingênua”. Confira. BrasiliaBrasilianas.org - Existe hoje no país alguma iniciativa que sirva de modelo no combate ao crack no território urbano? Carlos Salgado - Acho que infelizmente não. Existem vários esboços de iniciativas, inclusive entrando novamente na política federal, com a presidente Dilma repetindo o que havia dito o presidente Lula, com investimentos e aporte financeiro para uma série de ações, no caso mais recente no nível da assistência. Mas não há nenhum programa consistente focado no uso do crack, que tenha merecido alguma atenção maior. São várias tentativas, e, em geral, elas andam um pouco e são interrompidas, ou são inconsistentes, com algumas coisas que o governo federal tem feito; e aí o resultado acaba sendo bem pobre. A lógica da iniciativa colocada em prática na cidade de São Paulo coloca, basicamente, que primeiro deve ser feita a descentralização do território tomado pelo crack. Depois, é feita a seleção daqueles que são traficantes e aqueles que são meros usuários. E estes, por fim, serão pressionados a buscar ajuda devido á abstinência. Há equívocos nessa abordagem por etapas? A proposta geral é esta, uma sequência de ações, que poderiam ser em blocos, mas parece que a proposta é mesmo sequencial, e começa com medida repressiva para dispersar o tráfico. Sem dúvida que a relação entre uso e disponibilidade é íntima. Reduzindo a disponibilidade, a pessoa tende a usar menos e os mais dependentes vão procurar em outros pontos de venda, e os menos dependentes vão tolerar a diminuição da disponibilidade. Em si, é uma medida feliz, faz sentido: reprimir o tráfico, reduzir a disponibilidade, diminuir o uso e, portanto, os problemas. No meio do caminho, porém, observando as pessoas mais dependentes, que sofrerão mais com a indisponibilidade da droga, vão se expor mais e buscar em outro ponto. E o traficante também tenderá a migrar para outro ponto, a não ser que o crime organizado que chega até o usuário seja desorganizado e abordado verticalmente. Parece-me que esse tipo de medida, de ir ao campo direto de venda, é das mais ingênuas, porque não é o traficante da ponta que determina se a droga estará plenamente disponível ou não, mas sim o sujeito que organiza a produção e coloca no mercado uma grande quantidade de droga. Mais do que pela ação policial direta, mas sim pela inteligência da polícia é que se poderia reprimir, e aí sim teríamos um resultado mais efetivo. Mas já é um começo, uma ação inicial este de se abordar no território de conflito? Existe a repressão, diminui-se a disponibilidade da droga, o usuário mais afoito vai seguir correndo atrás da droga e, no meio do caminho, tem-se uma reorganização daquele ambiente. E aproveita-se esse momento de reorganização para se introduzir o assistente social, que faz a abordagem inicial do indivíduo, contando com uma hipótese que é verdadeira que é a de que o indivíduo que é usuário é ambivalente, ou seja, ele gostaria, também, de se ver livre da compulsão. E aí ele fica mais sensível à abordagem quando a droga está menos disponível. Mas mais importante é introduzir o representante do sistema de saúde, desde que ele tenha respaldo, ou seja, para onde ele possa conduzir o usuário de droga. Caso contrário, ele fica numa posição bem constrangedora, o que é o mais comum nessas abordagens de rua. Essa abordagem, da forma como é praticada no país, consegue absorver as demandas sociais, emotivas e psicológicas do usuário? Qual a experiência em Porto Alegre? Olhando para o que estamos acompanhando, e como nós da ABEAD somos ouvidos com o propósito de formular políticas públicas - apesar dessa nova administração federal estar ouvindo menos a associação -, observamos que, claramente, a intenção é reduzir custos. Aliás, reduzir custos em saúde de uma forma geral e, em dependência química e saúde mental, muito mais ainda. A idéia é começar a oferecer um profissional lá na ponta, que seja mais viável para o admistrador público, e que não necessariamente seja o mais adequado para a demanda do indivíduo usuário de droga. Nesse sentido, vemos armada uma organização, no nível federal, da nação como um todo, de várias ações que nos parecem bastante ingênuas. Realmente, o sujeito que dá o suporte, o primeiro atendimento, tipicamente é um profissional pouco preparado. Bem intencionado, certamente, e entusiasmado e guiado pela ideologia de que qualquer profissional bem intencionado pode ajudar o dependente químico, e não precisa ser um modelo medicalizado ou com a presença de um profissional médico, o que está errado. É um problema médico, e tem que ter um aporte. E aí a resposta do governo federal, às vezes implícita, é a de que isso é muito caro. Claro que é muito caro! Para dar uma boa atenção em cardiologia, por exemplo, a gente precisa de cardiologistas, não dá para fazer acolhimento de indivíduos que estão infartando. Acolher é uma pequena parte do processo, o que acaba sendo tomado como um todo. E o dependente do crack é um paciente que demanda uma atenção muito intensa e realmente, e infelizmente, medicalizada. Mas e a experiência no Rio Grande do Sul? O que tenho acompanhado aqui de nossa experiência é um serviço no interior do Estado, um CAPS-AD (Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas) do qual sou supervisor. É um serviço organizado, com equipe multidisciplinar, numa cidade do interior, chamada Venâncio Aires, que fica na região fumageira (grande produção de tabaco), por ironia. Lá, temos uma equipe completa, com psiquiatra e um time inteiro, até o estagiário de psicologia, de educação-física; todo mundo trabalhando integrado, com reuniões semanais. Um serviço montado nesses termos, não importa o nome que ele tenha - seja Ambulatório de Dependência Química, seja CAPS-AD -, é um modelo bem estruturado em que os profissionais de diversas áreas interagem, respeitando os campos de ação um dos outros. É um caminho multidisciplinar,e que não borra as margens e as fronteiras de um profissional com o outro. O psicólogo consegue agir plenamente, o psiquiatra, a assistente social, os técnicos de enfermagem, o professor de educação-física, até o porteiro tem uma instrução, para tolerar, manejar os pacientes. Essa é a proposta original de um ambulatório com nível de complexidade crescente; no caso do CAPS-AD já é de uma complexidade maior, pois é bem especializado. No caso do CAPS-AD de Venâncio Aires, a equipe conta com uma retaguarda razoável de atenção hospitalar, que está crescendo, e também, lá outra ponta, unidade terapêutica, para aqueles indivíduos que se desintoxicam e precisam de atendimento de longo prazo. è portanto um ambiente modelar, e que tenho certeza que em algumas cidades do interior de São Paulo tem sido reproduzido. Esse sistema falha quando tiramos desse sistema o psiquiatra, um psicólogo, um enfermeiro, fazendo a equipe emagrecer. Aí a coisa não funciona. Em São Paulo, no ano passado, a prefeitura realizou um desmonte de vários albergues para sem-teto. Qual a importância que os albergues tem na organização do território e na condução de iniciativas como essa? Essa é uma questão bastante relevante. Quando temos um ambiente estruturado, as relações humanas funcionam melhor. Exemplo: uma escola bem estruturada, os alunos difíceis são melhor conduzidos; quando a escola é mais frágil, com direção mal estabelecida, esse aluno difícil se torna mais difícil. Voltando para a grande comunidade, aquele indivíduo que dentro do tecido social está mal sustentado, mal engajado, não tem seu foco de presença, por exemplo o sem-teto, o indigente - e dentre esses indivíduos, há casos psiquiátricos que são banidos do grande hospital, ou então saem do programa De Volta para Casa, do SUS, e voltam para a rua - muitos apresentam psicopatologias. Quando mantemos um ambiente razoavelmente organizado, aumentam as chances desses indivíduos chegarem a alguma forma de reorganização de sua vida. Então, simplesmente fechar albergues, porque ele são ineficientes ou mal organizados, ou mesmo incompetentes, é também uma atitude bastante ingênua. Preparar, equipar e treinar equipes dentro desses albergues, ou outras formas alternativas, isso sim é feliz. Acredito que no país inteiro há várias iniciativas equivocadas, em termos até de respeito ao indivíduo que procura ajuda. Mas em lugar de fechá-las, a primeira atitude do poder público é de equipá-las, adequá-las e fiscalizá-las, para que possam chegar o mais próximo possível das determinações da Anvisa, que são claras e bem interessantes. O senhor falou de um modelo medicalizado. Em contrapartida, temos outro modelo, também exitoso, que é o das organizações anônimas, como Álcoolicos Anônimos e Narcóticos Anônimos. Nessa abordagem, temos o doente falando de sua doença com outros doentes, tirando do foco a figura do especialista e da autoridade médica. Clinicamente, essa questão é mais relevante do que já conversamos até agora. A relação do indivíduo com o álcool, o tabaco e outras drogas é de natureza complexa. Envolve a variável fundamental, que é a disponibilidade, ou seja, é uma doença que depende totalmente do ambiente, sem a droga o sujeito não consegue ser dependente; mas nos seus desdobramentos, realmente tem uma complexidade muito grande: questões econômicas, questões do indivíduo e, claro, questões ambientais facilitadoras ou inibidoras do uso. Do ponto de vista da terapêutica, a gente também tem um arsenal variável, adaptável e ajustável a um dado indivíduo. Por exemplo, eu sou um psiquiatra que atende em clínica privada, já atendi pacientes do SUS por 13 anos dentro de um hospital público, e o modelo é o mesmo. è preciso oferecer mais de uma opção, atendimento de grupo, atendimento individual, diagnóstico esclarecedor da condição e também o grupo de auto-ajuda. O grupo de auto-ajuda, muitas vezes, para alguns indivíduos, acaba sendo o melhor recurso, mesmo para indivíduo muito sofisticado, muito rico, com todas as outras opções. Agora, esse percurso, que é objeto de relato, é interessante, porque não é que o indivíduo tenha falhado em todos os outros recursos. na verdade, é um acúmulo de tentativas que leva ao desfecho final. Eu recebo pacientes que passaram nas mãos de vários outros colegas, e eles me dizem “o outro doutor tentou me ajudar e não conseguiu”. penso que, na verdade, cada um conseguiu um pouco, pois como é complexo e repetitivo [o tratamento], quando se acumula várias tentativas, na maioria das vezes o desfecho é positivo.
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Comentários + votados
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José Carlos Lima
07/01/2012 - 07:53
Mais do que pela ação policial direta, mas sim pela inteligência da polícia é que se poderia reprimir, e aí sim teríamos um resultado mais efetivo.
Os governadores e prefeitos estão totalmente...
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fmenezes
07/01/2012 - 08:07
As vezes a gente compartilhando “experiencias” (neste caso principalmente informacao) a gente alimenta o debate, gera ideias e chega a algumas conclusoes e solucoes:
Aqui em Munique – Alemanha,...
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José Antônio Araújo
07/01/2012 - 08:17
Menezes:
Muito bom e muito oportuno o seu post. Colocou em pratos limpos a prática de uma política de "redução de danos" a qual eu venho defendendo aqui no blog.
Parabéns e obrigado!!!
Um abraço,
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Sanzio
07/01/2012 - 08:38
Se fosse apenas UM caso de violência do poder público contra um cidadão já seria condenável. Ocorre que foram CENTENAS de casos, basta ler os jornais, passear pela internet ou mesmo prestar um pouco...
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aliancaliberal
07/01/2012 - 11:05
Fmenezes, pq "eu" deixaria de usar drogas?
Melhor pq "eu" ainda não sou um drogado?
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Ivan Moraes
07/01/2012 - 12:21
"causa de UM drogado que não tem a menor noção do que faz":
Nao, por causa de milhoes de casos no mundo todo. Militar faz eh isso ai mesmo, agressao aos pobres.
Me acorde o dia que eles...
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DanielQuireza
09/01/2012 - 09:20
É, pelo jeito Caçab, Xuxu e a PM estão mesmo tentando promover uma "limpeza étnica" na cracolandia.
É bom eles tomarem cuidado dom Haia...
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DanielQuireza
09/01/2012 - 09:25
Talvez seja por ai mesmo.
Quem quer se matar azar. Quem tem grana e usa cocaina problema da pessoa, é pouco inteligente, azar.
Agora, bem diferente é a situação de quem usa crack nas ruas. É um...
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alfredo machado
09/01/2012 - 09:33
Caro fmenezes:
Tudo em paz?
O seu comentário é excelente.
A experiência ( por sinal, bastante pragmática) que você e sua esposa acompanham ao vivo na Alemanha deve servir de inspiração para todas as...
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RWLEITE
09/01/2012 - 09:57
Proyecto completo en: lefthandrotation.com/museodesplazados/ficha_luz.htm El centro de São Paulo es un foco de resistencia política. Bairro da Luz, estigmatizado como "cracolandia" por el poder...
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Antonio Rodrigues do Nascimento
09/01/2012 - 10:29
Deviam ter "morrido com o drogado', né não Blaya? Afinal, o quê menos preocupa a dupla Alckmin-Kassab é a situação e o destino das pessoas. Querem "limpar a cidade" e não poupam ...
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Dê
09/01/2012 - 10:38
Realmente AL....é uma vida invejável.......quem não gostaria de viver assim, não é mesmo?? Tenha dó.....seu comentário é de dar calafrios. O Menezes postou uma excelente forma de tratar...
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Cláudia Stefani
09/01/2012 - 11:09
Por que, como suas perguntas demonstram, você consegue se alienar sem precisar de drogas.
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DanielQuireza
09/01/2012 - 13:14
Sem dúvida, concordo plenamente.
Agora, todos sabemos que dando porrada e promovendo "limpezas etnicas" é que não é uma boa solução...
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Sanzio
07/01/2012 - 07:40
Um bom relato sobre o profissionalismo no trato com os usuários de crack. Achei excelente a forma com que a repórter da Folha abordou o assunto, acompanhando um dos casos atendidos pela Defensoria...
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Mario Blaya
07/01/2012 - 08:04
e por causa de UM drogado que não tem a menor noção do que faz vai se criticar a operação toda!!!
a campanha para a prefeitura de São Paulo será muito facil para quem não for o candidato do PT,...
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Um bom relato sobre o profissionalismo no trato com os usuários de crack. Achei excelente a forma com que a repórter da Folha abordou o assunto, acompanhando um dos casos atendidos pela Defensoria Pública na cracolândia. Por essa razão, não vou me queixar por não ter mencionado em nenhum momento os nomes dos responsáveis pela ação que resultou no drama do morador de rua, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Na mão de Deus
Fernando dos Santos Deus, craqueiro, com chumbo no corpo e atropelado, sobrevive
LAURA CAPRIGLIONE
DE SÃO PAULO
Usuário de crack, 31 anos, o morador de rua Fernando dos Santos Deus tinha ontem a clavícula direita fraturada, a cabeça e as costas em carne viva, o rosto com um rasgo que lhe ia da têmpora direita à orelha, hematomas por todo o corpo.
Santos Deus afirma que foi atropelado por um carro da Força Tática da Polícia Militar na madrugada de ontem, entre 2h e 4h da manhã.
Local: cracolândia, região central de São Paulo.
Dentro do carro, segundo o morador de rua, estariam policiais que fazem parte do contingente mobilizado há quatro dias na operação contra o consumo de crack.
Santos Deus disse que os soldados não lhe prestaram socorro e que teve de esperar ferido, jogado na rua, durante pelo menos uma hora, até a chegada da equipe do resgate do Corpo de Bombeiros.
Relatos idênticos foram ouvidos ontem durante todo o dia pela coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, Daniela Skromov de Albuquerque. Instalada em plena cracolândia, em uma base móvel, ela recolheu denúncias de maus-tratos contra os usuários de drogas.
TESTEMUNHAS
A moradora de um edifício vizinho contou que o atropelamento aconteceu quando um grupo de dependentes reunidos para comprar e fumar crack estava sendo dispersado pelos policiais.
Santos Deus teria tropeçado na guia da calçada, e caído. "A viatura passou duas vezes por cima dele", disse ela. Outros usuários de crack repetiram o mesmo enredo.
Nenhum testemunho mencionou o número do carro oficial ou suas placas.
A Defensoria Pública também colheu relatos de moradores da cracolândia sobre uso de gás pimenta para dispersar concentrações de usuários, xingamentos, humilhações, "constrangimentos ao direito de ir, vir, permanecer e circular", além de ter fotografado duas pessoas com marcas de agressões recentes "causadas, segundo as denúncias, por PMs ou guardas civis metropolitanos", explicou a defensora Daniela.
Ontem à tarde, a Folha encontrou Santos Deus sozinho na portaria do pronto socorro do Hospital do Servidor Municipal, à espera de atendimento. Ele não apresentou documentos, não disse onde mora, não falou sobre familiares vivos ou mortos. Seu nome pode nem ser o que declarou.
Colocado em uma cadeira de rodas, com a cabeça enfaixada, um tufo de algodão pregado na altura da orelha, camiseta dura por causa do sangue coagulado, a roupa colada nos ferimentos, gemendo de dor, a toda hora ele ameaçava cair do assento.
Só com muito esforço conseguia se comunicar, assim mesmo de forma confusa. E caía no sono todo o tempo.
Uma atendente na portaria do hospital explicou que o morador de rua estava ali dentro, sem atendimento algum, porque tinha saído "voluntariamente" do hospital.
Outra atendente, percebendo que ele não podia ter saído se estava dentro, dispôs-se a encaminhá-lo, enfim, para tratamento.
Levado à sala do raio-X, Santos Deus surpreendeu os médicos com sua radiografia -além de confirmar a fratura no ombro, viu-se que o jovem tinha uma incrível constelação de pontos (brancos na chapa) dentro do corpo, na altura da pélvis e espalhados por todo o tórax.
Eram bolinhas de chumbo, usadas dentro da munição de balas calibre 12. Santos Deus já tomou um tiro da arma usada até para matar elefantes -e sobreviveu.
O médico receitou-lhe anti-inflamatório, analgésico e antibiótico e deu-lhe alta. Com o ombro enfaixado e tudo o mais doendo, Santos Deus, entretanto, não conseguia se levantar da cadeira de rodas do hospital.
REJEITADO
No serviço social do Pronto Socorro, a funcionária explicou que nenhum albergue municipal aceitaria um hóspede naquelas condições -da orelha dele quase 12 horas depois, ainda saía sangue.
Santos Deus, sem ter para onde ir, voltou para dentro do pronto socorro, onde deve ter passado a noite.
A assessoria de imprensa do Comando Geral da PM disse à Folha que a denúncia do atropelamento e da eventual omissão de socorro por parte dos policiais da Força Tática será investigada pela Corregedoria da instituição.
e por causa de UM drogado que não tem a menor noção do que faz vai se criticar a operação toda!!!
a campanha para a prefeitura de São Paulo será muito facil para quem não for o candidato do PT, afinal o historico de ir contra ações de sucesso dos outros e a marca do partido, basta ver a derrota acachapante que o Lula teve quando criticou o plano real, agora critica a pacificação da cracolandia!
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich
Se fosse apenas UM caso de violência do poder público contra um cidadão já seria condenável. Ocorre que foram CENTENAS de casos, basta ler os jornais, passear pela internet ou mesmo prestar um pouco mais de atenção à matéria antes de escrever: "Relatos idênticos foram ouvidos ontem durante todo o dia pela coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, Daniela Skromov de Albuquerque".
A direita até produz alguns cidadãos minimamente civilizados, mas, infelizmente, a maioria é estúpida e defensora da violência contra os mais fracos como método de resolução de problemas sociais.
"causa de UM drogado que não tem a menor noção do que faz":
Nao, por causa de milhoes de casos no mundo todo. Militar faz eh isso ai mesmo, agressao aos pobres.
Me acorde o dia que eles cercarem Wall Street, viu?
Me acorde o dia que militares comecarem a serialmente matar banqueiros.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
O blablablaya, voce nao leu o post, ne?
Deviam ter "morrido com o drogado', né não Blaya? Afinal, o quê menos preocupa a dupla Alckmin-Kassab é a situação e o destino das pessoas. Querem "limpar a cidade" e não poupam recursos tais como incêndios criminosos em favelas, localizadas em regiões palatáveis ao mercado imobiliário, ou violência sem limites contra moradores de rua viciados em crack. Não há porque reclamar. O lema da operação na cracolândia paulistana é "vamos fazê-los sofrer". Não pretendo demonizar alguém como você, que representa o pensamento médio de parte da população paulista, inclusive de famílias infelizes e desorientadas que têm entes queridos cujas vidas estão sendo devastadas pelo crack. São presas fáceis para a demagogia eleitoreira agravada pela falta de profissionalismo em matéria de saúde, segurança pública e assistência social da direita bandeirante.
É, pelo jeito Caçab, Xuxu e a PM estão mesmo tentando promover uma "limpeza étnica" na cracolandia.
É bom eles tomarem cuidado dom Haia...
@DanielQuireza
Mais do que pela ação policial direta, mas sim pela inteligência da polícia é que se poderia reprimir, e aí sim teríamos um resultado mais efetivo.
Os governadores e prefeitos estão totalmente despreparados para impedir a interiorização do crack. Esta é a grande novidade nas cidades do interior. Estive numa cidadezinha no interior do MA e vi como o crack está avançando com incrível velocidade em cidades do interior. Os traficantes, altamente experientes em viciar e, assim arrumar consumidores, infiltram em meio a comunidade, fazem amizades, jogam bola, etc etc. Através da amizades o cachimbo de crack vai passando de mão em mão. Muitos jovens não tem a minima noção do que estão usando. Observando a situação pessoalmente, lembrei-me que, na minha infância, o fetiche era o cigarro, um meio de auto-afirmação e socibalilidade. Hoje é o crack. Foi muito triste ver jovens tão bonitos tendo crises de abstinências tais como desmaios e tremedeiras que lembram a epilepsia. Em casos mais graves o prazer de ficar com uma garota é substituido pelo cachimbo.
Foto colhida na web
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
As vezes a gente compartilhando “experiencias” (neste caso principalmente informacao) a gente alimenta o debate, gera ideias e chega a algumas conclusoes e solucoes:
Aqui em Munique – Alemanha, existe uma ONG (que minha esposa como psicologa acabou de fazer estagio por 3 mese, porisso tenho informacoes) que trabalha com os drogados daqui.
Pode acreditar, tem muito, mas MUITO drogados poraqui. MUITO MESMO!
Esta ONG tem numa cidade de 1 milhao e meio de habitantes, 3 restaurantes ponto de encontro para os drogados e alcoolatras se encontrarem todos os dias.
Em cada um destes restaurantes recebem diariamente uma media de 100 drogados/alcoolatras diariamente.
Estes sao os drogados/alcoolatras que nao desejam se tratar. Estes querem se drogar ate a morte. Eh isso mesmo!!!
Os pontos de encontro/restaurante, servem almoco diariamente a precos muito baixos. So nao pode consumir droga no local e nem bebida alcoolica. Vendem tambem cafe e refrigerante a precos muito baixos. As vezes abaixo do custo. Claro que praticamente tudo sao doacoes coletadas pela ONG.
Esta ONG nao deseja convencer o drogado/alcoolatra a mudar de vida, apesar da mesma ONG tambem ter varias clinicas de recuperacao na cidade e no estado da Baviera. O motivo eh atrair os drogados/alcoolatras e manter uma relacao de confianca com os mesmos.
Um dos maiores objetivos da iniciativa eh tentar minimizar as contaminacoes de doencas transmissiveis por agulha (AIDS e Hepatite) , ajudar os drogados/alcoolatras em assuntos burocraticos de moradia e renda e tambem objetivo de diminuir o maximo possivel a violencia causada por estes pobres coitados quando estao desesperados na necessidade da droga.
Para ajudar na burocracia, moradia a ONG tem varios profissionais da area de Assistencia Social para apoiar diariamente os mesmos.
Para diminuir a contaminacao (AIDS, Hepatite) a ONG distribui diariamente centenas (as vezes milhares) de agulhas, seringas, colher de prata, material de limpeza, vitamina pra misturar na droga, etc, etc. Tudo que eh necessario para se “drogar com seguranca” no que diz respeito a contaminacao. Tambem fornecem testes gratuitos de AIDS e Hepatite 3 a 4 vezes ao ano. Tambem tem palestras de medicos explicando como a contaminacao acontece, etc, etc.
Agora o mais arrepiante pra nos. A ONG com objetivo de minimizar ao maximo a violencia causada pela dependencia fisica, empresta dinheiro (tudo oficial e legal) para os drogados/acoolatras comprarem drogas e bebidas. E podem acreditar: Os caras pagam direitinho as dividas. A inadimplencia eh proximo de zero. E isso eh para evitar que alguem tenha que cometer pequenos roubos pelas ruas para conseguir dinheiro pra comprar drogas.
A grande maioria desses condenados, eh sustentada pelo governo e ganham mensalmente uma ajuda de custo de vida. Pelo que aprendemos, o dinheiro eh gasto praticamente nos 2 primeiros dias no pagamento das dividas, drogas e alcool. No resto do mes acabam se drogando com ajuda de amigos, etc, etc.
Numa visao mais globalizada, entendemos que estas acoes acabam sustentando o trafico de drogas que traz drogas de varios lugares do mundo, inclusive Brasil. Mas de qualquer forma eh com este tipo de acao, que o nivel de violencia baixissimo eh mantido no “primeiro mundo”.
Nao seria o caso de pelo menos tratar os condenados paulistanos com um pouco mais de carinho?
Menezes:
Muito bom e muito oportuno o seu post. Colocou em pratos limpos a prática de uma política de "redução de danos" a qual eu venho defendendo aqui no blog.
Parabéns e obrigado!!!
Um abraço,
José Antônio
Fmenezes, pq "eu" deixaria de usar drogas?
Melhor pq "eu" ainda não sou um drogado?
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
Quer dizer que você escreve esse monte de m.... sóbrio?
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Realmente AL....é uma vida invejável.......quem não gostaria de viver assim, não é mesmo?? Tenha dó.....seu comentário é de dar calafrios. O Menezes postou uma excelente forma de tratar e de como encarar o drogado. Mesmo porque estamos falando da vítima!!!! Sim....o drogado, não passa de uma vítima que precisa de tratamento...
Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....
Por que, como suas perguntas demonstram, você consegue se alienar sem precisar de drogas.
Talvez seja por ai mesmo.
Quem quer se matar azar. Quem tem grana e usa cocaina problema da pessoa, é pouco inteligente, azar.
Agora, bem diferente é a situação de quem usa crack nas ruas. É um problema social. "Limpeza étnica" que Caçab e Xuxu estão querendo fazer não vai resolver não.
@DanielQuireza
Caro fmenezes:
Tudo em paz?
O seu comentário é excelente.
A experiência ( por sinal, bastante pragmática) que você e sua esposa acompanham ao vivo na Alemanha deve servir de inspiração para todas as instâncias diretamente envolvidas nesta questão.
Considero muito boa, a abordagem que governo e as ONGs alemãs (estas, certamente mais sérias que as daqui) conseguem para tentar minimizar o problema das drogas, pois é capaz de atingir diversos pontos sensíveis, tanto aos usuários quanto aos demais cidadãos.
Agora, resta saber se os do patropi terão humildade suficiente para copiar o que presta, e parar de fazer o que não presta.
Um abração
Obrigado, Menezes!!!
Vou aos comentários justamente por pessoas como você, que vem trazer informações diferentes, enriquecendo o debate com conhecimento específico, ou com a experiência de outros lugares ou de outras práticas. Muito bom mesmo!!! É terrível acompanhar os debates promovidos pelas provocações de blaias, esquecidos e liberais...
Todos pregam, "não alimente os trolls", mas muitos não conseguem. É realmente difícil, muitas vezes, em especial, assuntos polêmicos como a regulamentação do uso e abuso de drogas.
Grande abraço!!!!
Batendo firme na incompetência...
"Tudo me é lícito mas nem tudo me convém" Contra o Preconceito e a Discriminação, o repúdio e a Lei.
Menezes, muito bom o seu relato.
Me fez lembrar dessa entrevista com a simpática Professora Gilberta
(a jornalista é um desastre)
http://www.youtube.com/watch?v=K6kRpsoqeC8
Seria importante na abordagem do usuário veriaficar sua formação escolar e profissional pois me parece que na maioria não tem nem o ensino fundamental e não possuem uma profissão . Assim se comprovando chegariamos a primeira conclusão de que são individúos alijado do mercado de trabalho e sem uma educação que lhes permitiria entender o perigo das drogas .
No processo de recuperação destes viciados , alem da educação formal e profissional teriam que ser dada a oportunidade do emprego com um acompanhamento para reintegra los na sociedade . Seria o caso de se aplicar na educação , o que a muito não é feito , se resolveria de uma vez várias problemáticas . A maioria dos paises desenvolvidos aplicam mais de 10%do PIB , nós ainda estamos atrás de vários paises atré mesmo aqui na América do Sul , o Chile , Uruguai , Argentina ,Venezuela , não aplicamos nem 5% do PIB.
Proyecto completo en:
lefthandrotation.com/museodesplazados/ficha_luz.htm
El centro de São Paulo es un foco de resistencia política.
Bairro da Luz, estigmatizado como "cracolandia" por el poder público, resiste a un intento de gentrificación en tentativa desde los años 70. El último capítulo en la historia de la política urbana del centro histórico de São Paulo, la última estrategia, es el exterminio. Bajo el nombre de Proyecto Nova Luz, más del 30% del barrio amenaza con ser desapropiado y demolido como parte de un plan para transformar la zona y expulsar a sus actuales moradores, aquellos que luchan hoy por afirmar la existencia de ese territorio y de su cultura.
...
http://vimeo.com/32513151
Quer saber de uma coisa? A gente perdeu para as drogas faz tempo! E não estou falando só de Brasil, estou falando do mundo mesmo. Ninguém vai conseguir acabar com elas, seja lá qual for o plano mirabolante para isso.
Drogas como crack dominam as mentes e ainda oferece lucro para quem vende. Então por que acham que haveria uma maneira certa de combatê-las? Alguns paises já se renderam a situação invevitável, escolheram tutelar o dependente para as coisas não ficarem pior.
Caso fosse governante eu nem sei por onde começaria. A situação da cracolândia é arrepiante.
Sem dúvida, concordo plenamente.
Agora, todos sabemos que dando porrada e promovendo "limpezas etnicas" é que não é uma boa solução...
@DanielQuireza
Marcos FerrazPergunte à eles porquê formou-se a cracolândia...
Prefeitos da Cidade de São Paulo da década de 90 para cá.
Luiza Erundina de Souza
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01/01/1989 - 31/12/1992
Paulo Salim Maluf
01/01/1993 - 31/12/1996
Celso Pitta
01/01/1997 - 25/05/2000
Régis de Oliveira
26/05/2000 - 13/06/2000
Celso Pitta
14/06/2000 - 31/12/2000
Marta Suplicy
01/01/2001 - 31/12/2004
José Serra
01/01/2005 - 31/03/2006
Gilberto Kassab
31/03/2006
Solução é:
Educação, educação, educação, educação, educação...
Estou contigo ,estou contigo , estou contigo , estou contigo. Enfim uma voz sábia neste deserto de ignorancia , so com muita educação vamos superar nossos problemas....
Depois daquela matéria no Estadão, no Estadão! não foi em nenhum blog sujo, fica difícil defender essa operação. Alias não se pode chamar isso de operação. É uma tremenda lambança.
Acho que com essa de "procissão do crack" os tucanos chegaram ao limite da sua incompetência. Nem o Estadão aguentou.
Juliano Santos
O que devemos fazer agora é cuidar de nossas crianças e jovens,preecher suas mentes com coisas boas e importantes para que não se tornem morardores da "cracolândia".Quanto aqueles que já moram lá não sei, só sei que com violência não se resolve nada,se resolvesse usariamos o caminhão-pipa para fazer uma limpeza nos politicos corruptos do Brasil que não fazem nada para resolver essa situação.
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