A lógica do parto humanizado

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A história do parto humanizado é muito forte.

Parte de um princípio que, dentro do processo normal de aumento da consciência social, irá se impor sobre a linha de montagem das maternidades. A mulher é a principal protagonista do parto. Portanto, tem direito a definir como quer ter o filho. A maneira de fazer é através de um plano de parto - uma relação de providências que deseja (ter um quarto semelhante ao seu, não tomar determinadas remédios para acelerar o parto etc).

Basta uma análise rápida do processo normal de parto para se dar conta do absurdo dessas linhas de montagem. Fora a cesariana - 80% dos partos em planos de saúde -, injetam-se drogas nas gestantes, para acelerar o parto, corta-se o períneo para alargar a saída do bebê (muitas vezes a seco), marca-se hora para a criança nascer.

friamente, só se mantem pela inércia: são processos medievais que afetam mulheres de todas as classes sociais.

A casa de parto humanizado - que visito agora - tem todas as características de uma maternidade, com exceção da UTI e da sala de cirurgia.

Há uma sala onde senhoras da região entretem as gestantes com trabalhos manuais e calor humano. Os quartos têm camas normais que são transformadas em camas de parto. Alguns deles dispõem de banheiras, para quem quiser dar à luz na água.

Existe uma ambulância permanente, para os casos de complicação no parto. Nesse caso as gestantes são transferidas para hospitais da região por enfermeiras especializadas.

Só se fazem partos de baixo risco. Se a gestante tem alguma complicação, não é recomendado esse tipo de parto.

O que causa espécie é a atitude do Conselho Regional de Medicina (CRM) e do Conselho Federal de Enfermagem.

O CRM não apenas não apoia essas iniciativas como pune com a cassação do registro o médico que participar de um parto desses. Com isso, existem médicos na Casa Ângela que participam dos trabalhos normais, mas não entram na sala de parto. Ou seja, o CRM prefere partos sem a presença do médico a abrir espaço para uma atividade que poderá comprometer uma das principais fontes de renda dos obstetras: a cesariana.

O mesmo ocorre com os conselhos de enfermagem. Apesar das enfermeiras terem curso superior completo, o conselho não dá registro de enfermeira às especialistas em parto natural.

Sem apoio público, a maior parte das gestantes que procura a Casa Ângela são usuárias de planos de saúde. Foi uma opção dura para a entidade, de reduzir a participação das gestantes do SUS, por absoluta falta de recursos e interesse das autoridades médicas paulistanas.

Um pouco da história da enfermeira Ângela

 

Angela Gehrke Nascida e formada na Alemanha, a parteira Angela Gehrke chegou ao Brasil em 1983 para trabalhar na área de saúde da Associação Comunitária Monte Azul e logo passou a se dedicar ao acompanhamento da gravidez, do parto e do pós-parto das mulheres da favela de mesmo nome, na zona Sul de São Paulo. Inspirada em sua formação com o médico obstetra francês Frederick Leboyer e comovida com a falta de acesso das mulheres da comunidade a serviços de saúde adequados, Angela passou a oferecer assistência ao parto e ao nascimento no ambulatório da Associação Comunitária Monte Azul.

A divulgação desse serviço sem precedentes entre as mulheres e adolescentes da favela e dos bairros adjacentes foi enorme, atraindo um número cada vez maior de interessadas. Com o tempo, a fama do parto humanizado oferecido por Angela na Monte Azul ultrapassou os limites da região e chegou até os bairros mais ricos da capital, de onde muitas mulheres passaram a se deslocar para ter seus bebês com a parteira na favela.

Primeira casa de parto Em junho de 1997, foi inaugurada a primeira casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul. A proposta da casa de parto era dar prosseguimento ao trabalho desenvolvido por Angela durante 10 anos no ambulatório da Monte Azul. Nesse período, ela realizou um total de 1500 partos normais, com baixos índices de intervenção, alto grau de satisfação das mulheres e nenhum caso de morte materna ou neonatal.

Em 1998, Angela adoeceu. No ano seguinte a casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul fechou suas portas. A parteira alemã, que se tornou uma das pioneiras do movimento pela humanização do parto no Brasil, morreu vítima do câncer em 2000. Seu trabalho constitui um importante legado que até hoje, mais de dez anos depois, continua inspirando mulheres de todas as classes sociais, profissionais de saúde e pessoas dedicadas à elaboração de políticas públicas em prol da humanização do parto e do nascimento no Brasil.

Casa Angela: o projeto O primeiro passo foi realizar um levantamento da situação da assistência materno-infantil na região em termos de oferta e de qualidade. Foram encontrados números alarmantes: taxa de cesárea por volta de 50%, taxa de mortalidade materna acima da média do município, além de altos índices de prematuridade e baixo peso ao nascer. Analisando diversos indicadores como esses, chegou-se à conclusão de que existia demanda por uma casa de parto na região.

Em 2004 o projeto foi apresentado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Na época, houve o entendimento de que, para garantir a manutenção do serviço, inclusive o custeio da equipe profissional, a Prefeitura incluiria a Casa Angela no Programa Saúde da Família por meio de um convênio entre a SMS e a Associação Comunitária Monte Azul. Em contrapartida a entidade, com a ajuda de parceiros internacionais, assumiu os custos com as obras de construção e a aquisição de equipamentos básicos e mobiliário. Em setembro de 2005 o projeto de edificação da Casa Angela foi aprovado pela Vigilância Sanitária. A construção inciou-se em 2006.

Casa Angela: a realidade A Casa Angela ficou pronta em 2008 e começou a funcionar parcialmente em março de 2009, com os primeiros atendimentos de pré-natal e pós parto.

 

 

 

No primeiro ano de funcionamento, de março de 2009 a março de 2010, foram realizadas 734 consultas de pré-natal e 369 de pós-parto (incluindo visitas domiciliares e orientação em planejamento familiar). Em 2008 a Casa Ângela também se tornou sede das reuniões do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil da Supervisão Técnica de Saúde M´Boi Mirim. Desde então, 1490 profissionais de saúde participaram de palestras e cursos de capacitação voltados à saúde materno-infantil, realizados pela Casa Angela.

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29 comentários
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Ivan Moraes

http://vimeo.com/groups/feminista/videos/6470608

(mas nao vi ainda)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Cláudio José

Obrigado a santa parteira que me botou no mundo!!

 
 
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foo

Aqui na Holanda o parto humanizado é levado muito a sério. É muito comum que as mulheres façam o parto no conforte de suas próprias casa. Hospital, maternindade, somente em casos de risco.

 
 
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Jose de Almeida Bispo

"CRM prefere partos sem a presença do médico a(...)

Ou seja, de máfia em máfia... la nave vá. E tome-lhe CANSEIs em nome da "étchica"; e indignação de vitrine contra a corrupção.

Um amigo meu resolveu passar metade de seu tempo de exercício da medicina até o momento usando um fusquinha amarelo, mesmo tendo um carro mais possante em casa. Cansou de tanta piada dos colegas, incomodados pelo fato dele "poder ter" e não ter e andar numa Hillux ou outro off-road. Há uns dez anos aposentou o coitado do fusquinha; rendeu-se à realidade.

Curandeiros high techs.

 
 
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motoboy

então já está humanizado. as mulheres em geral levadas por seus impulsos preferem cesária.

 
 
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Eduardo R.

 

Sou extremamente leigo no assunto.

Mas por que a cessariana é tão combatida?

Qual o probelma se o médico marcar uma data para o parto se no ultrassom mostra o desenvolvimento do bebê e que nascerá de modo seguro e confortável?

Já disse, não entendo nada no assunto, mas não estaria ocorrendo uma "demonização" do procedimentos? Será tão ruim assim?

 

Vamos questionar?

 

 

 

 
 
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Jaime

Eu também gostaria de saber qual dos tipos de parto tem menor risco *para o bebê*. Parece lógico que quanto menor o estress sofrido pelo bebê melhor para ele. Então o parto por cesariana teria essa vantagem.

Qual é a pontuação Apgar média de crianças nascidas por parto normal e por cesariana?

 
 
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Mel

E o para o bem da mulher nada? Já perceberam que nem se pergunta da mulher? Tudo bem, o bebe é super importante e temos que pensar em tudo de bom pra ele, mas por favor náo excluam a mãe. Ela tá sofrendo muito nessa hora, precisa de todo o apoio. Já vi histórias de hospitais, públicos claro, onde a dor da mulher é tratada como frescura. Tive dois partos normais e fui bem assistida, mas não é fácil não.

 
 
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Rabuja

Bem você disse que é leigo no assunto... heheheheh...

Mas ao invés de questionar não é aconselhável você se informar um pouco sobre o assunto antes?

 
 
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H. C. Paes

Minhas aulas de obstetrícia já vão longe, mas, por alto, vou explicar o que recordo.

Cesarianas são procedimentos operatórios. Envolvem mais risco intrínseco para a mãe, pois qualquer ruptura mecânica de tecidos introduz um risco de infecção e trazem um componente inflamatório.

Quem faz cesariana não ter filho de parto normal por um período de três anos, pois o útero pode romper ao longo da linha de sutura. Tampouco é recomendado que se tenha mais de três filhos.

Há, ao contrário do que se pensa, maior incidência de complicações pós-natais para o bebê, apesar de a diferença ser pequena.

O abdome feminino também leva mais tempo para se recuperar no caso de parto cirúrgico.

Rigorosamente, a cesariana é um procedimento com indicações claras: queda na vitalidade fetal no período do parto, pré-eclâmpsia, diabete gestacional, gêmeos (embora eu já tenha visto gêmeos nascerem de parto normal sem problemas)… até o feto invertido pode nascer de parto normal, embora a indicação seja de cesariana. O obstetra competente sabe desfazer nós de cordão umbilical sem risco algum para o feto. A indicação mais comum de cesariana deveria ser a rotura prolongada de bolsa (se não me engano, mais de doze horas, quando aumenta o risco de infecção puerperal, mas estou citando de cabeça).

Em caso de partos prolongados, sempre há a opção de induzir as contrações, ao invés de fazer cesariana (acho).

Com monitoramento constante da vitalidade fetal, não há risco algum em parto prolongado sem rotura de bolsa. O que se diz é que os obstetras adoram cesariana porque lhes permite ir dormir ao invés de ficar de plantão esperando o nascimento por via pélvica (o chamado parto normal).

 
 
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Barbara

Nao, o parto cesária não é natural e nem recomendado pra maioria das mulheres. É um cirurgia invasiva e milagrosa quando feita em casos de TOTAL EMERGENCIA. A criança nao sofre pela parto normal. Pelo contrário, o sistema respiratório dela é massageado e isso faz com que os fluidos q estao presentes enquanto está dentro do utero sejam expelidos, diminuindo assim a probabilidade de desconforto respiratório. (uma leve explicaçao, com certeza se quiser saber mais vai poder achar mto mais informaçoes como essa)

Vc já se questionou do pq das pessoas no Brasil acharem a UTI neonatal tao importante? Um médico nao tem como prever se a criança está pronta por um ultrasom, ou estimando o peso e tamanho da criança (ate pq essas medidas NUNCA sao exatas, a maioria das vezes esta errada e nao é pouco errada nao) Uma criança grande pode nao ter os pulmoes maduros e um criança pequena pode. O inicio de trabalho de parto é o sinal q o corpo nos dá de que a criança está pronta pra nascer. Médico nenhum, nao importa quao bom seja, pode prever isso. O trabalho de parto é uma cascata de hormonios q acontece no nosso corpo e quando interferimos com isso, tiramos o balanço natural das coisas. A criança pode ficar bem? pode....tem mta criança q nasce de cesária, vive e fica bem...mas se vc for pegar os numeros mesmo e for ver o pq de tantas crianças no Brasil estarem sendo colocadas em UTI e precisar ficar em observaçao, vai ver que tudo faz parte das cesárias eletivas feitas a partir de 38 semanas(mtas vezes por maes desesperadas q acham q a criança ta demorando pra nascer, ou morrem de medo da dor do parto e acham q um corte na barriga cicatriza melhor do que um parto normal)... 38 semanas é a idade gestacional q os medicos juram q a criança esta pronta pra nascer. Se o seu corpo entra em TP com 38 semanas é uma coisa...agora fazer cirurgia pra tirar a criança nessa idade, pq ela está "madura"de acordo com o seu obstetra super bruxo (pq ele sabe quando q a criança já está totalmente pronta pra nascer-como??o que inicia o trabalho de parto entao e faz com q algumas crianças nasçam antes e outras dps?como medir isso??) é um pouco demais pra minha cabeça.

Veja q as informaçoes q estou dando,são frutos de mto tempo de pesquisa, e dois partos normais, um natural...e agora caminhando pra um terceiro natural. É importante questionar sim e buscar informaçoes no lugar certo, sem se conformar com a primeira opiniao do seu fiel amigo e companheiro obstetra ou ate mesmo a segunda ou terceira opiniao(vivemos no país das cesarias, sua probabilidade de achar 80% dos medicos com a mesma opiniao erronea sobre cesarias salvadoras e mto grande). Ele pode ser um sonho de pessoa e ter tratado a familia inteira durante mtos anos,mas se ele te desencoraja a ter um parto normal, nao ajuda a mulher a se preparar pro parto digno, assusta a mulher com promessas de dor e sofrimento, eu fugiria e nunca mais olharia pra trás. Como fugi da obstetra da minha mãe, mto gente boa,mas mto cesarista por motivos de pura conveniencia.

E quanto a mulher, o parto humanizado pensa sim nela e no que ela quer. Se ela quer a anestesia, como ela quer que seja o seu parto....O plano de parto nao revolve apenas em volta da criança e sim mae-e-bebe. Por isso se chama humanizado.

Espero ter ajudado um pouco e despertado algum interesse pra pesquisar mais sobre o assunto.

B

 
 
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Monica Dávila

Eduardo R e quem mais tiver essa curiosidade.

Sou professora então perdoem se eu for didática demais.

Por que "demonizar" a cesárea? Não é uma questão de demonização.

É uma questão, para quem estuda um pouco a respeito, sobre adequação.

O marketing do PC (parto cesáreo) contra o PN (parto normal) é de que tudo corre maravilhosamente e que o PC não tem riscos, é tudo lindo, maravilhosos e fantástico, enquanto que no PN a mulher sofre, se descabela e "fica acabada".

Bom, a realidade e os estudos mostram que a coisa não é exatamente assim. O PN, para a mulher, pode parecer algo intenso demais para a modernidade, mas acaba assim que acabou. O trabalho de parto, com as doses adequadas de hormônios, esforços físicos musculares e todo o "rito" tem um importante papel fisiológico na recuperação pós-parto da mulher e no retorno do corpo da gestação.

Quer um exemplo prosaico?

Intestino de grávida geralmente é trancado. Muitas evacuam no trabalho de parto... E depois disso, voltam a ter o intestino funcionando como sempre foi. Já nas cesariadas, são 2 dias no hospital com as enfermeiras e o médico passando "e aí, já fez o número 2? Já foi no banheiro? Só libero depois que o intestino funcionar".

Já a cesárea...

Bom, existem as mulheres que "nem sentem" e cujos PCs são tranquilos, boa recuperação...

Mas a grande maioria (cerca de 70%) sentem dores profundas, dificuldades no pós-parto (ter um recém nascido não poder levantar peso  ou abaixar é algo bastante complicado, creia) e uma cicatriz em cerca de 7 camadas musculares. Aquelas que dizem "sair fazendo faxina 2 dias depois" podem até se sentir bem, mas ignoram que a cesárea é uma cirurgia considerada de grande porte e que deve ter o repouso adequado.

O PN e o PC são aquela: PN, demora, intenso e acabou e o PC, rápido, sem intensidade e demora pra passar...

Da mesma forma, há quem pense que o PC é "melhor para a criança", que não passa stress ou esforço.

Bem, o stress e o esforço, a ocitocina, o "aperto", tudo isso tem uma intenção fisiológica também.

É como dizer que crianças que correm como maluquinhas no recreio se estressam mais do que aquelas que ficam sentadas.

Os bebês têm os pulmões cheios de líquido na barriga. São "espremidos" no canal de parto e expelem isso.

O esforço passado no trabalho de parto faz com que eles venham atrás de energia depois do parto: amamentação.

Bebês raramente vem com "data de validade". Entrar em trabalho de parto garante que é o tempo necessário (seja antes ou depois das 40 semanas), enquanto que a cesárea marcada só garante que é a data que "alguém acha".

O fato da modernidade ter chegado a ultrassons, cálculos e exames de datação não quer dizer que aquele bebê está pronto com 38 semanas ou 40 semanas.

Tudo são estimativas e nem sempre elas condizem com a realidade.

O PN não dói tanto quanto dizem "o tempo todo". Mas um parto induzido com ocitocina na veia, esse dói. E muito. Porque é um acréscimo na dose.

A pior posição para parir é deitada de costas. Sabe aquela cena da novela, do filme, do imaginário popular?

Reduz em cerca de 30% a passagem do canal vaginal.

O trabalho de parto normal transfere uma quantidade de sangue materno para o bebê maior que um PC. Afinal, depois de cortar a barriga da mãe e tirar o bebê, não dá pra ficar ali esperando o sangue ser transferido, não?

O útero, num PN, contrai-se e vai diminuindo a aderência da placenta, depois de um tempinho ela é mandada embora. No PC, o médico tira a criança e depois raspa o útero, porque como não houve comando do corpo, a placenta continua firmemente aderida.

Em dados grosseiros, a mulher tem 20% de chance de morrer num PC e 4% de chance de morrer num PN (caso, aliás, que pode ser diminuído indo pra PC, quando é o caso). Os bebês nascidos de PN tem 4x MENOS chance de morrer que bebês nascidos de PC.

Com um bom manejo e um acompanhamento adequado, gravidez não é doença. É um "estado interessante". Medicalizar o parto, obrigando a mãe a cortar o períneo para passar um bebê com medo de que rompa (quando as pesquisas mostram que não melhora em nada as estatísticas de ruptura), a tomar hormônio para que "seja mais rápido" quando o bebê e a mãe estão bem (e passam a não estar por conta daquele "sorinho na veia"), ficar num hospital ao invés de casa...

São tantos os motivos para fugir do parto cesáreo e do parto "anormal" hospitalar...

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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Adaisis

Conheço o trabalho da Monte Azul. Eles atuam em varias frentes: saúde, educação, assistência a comunidade. Comunidade afastada, no extremo Sul da cidade de São Paulo. Conheço também a população desta região,  pois dou aulas em uma escola pública do bairro Horizonte Azul em m'boi mirm.

O trabalho na Monte Azul é muito importante para as pessoas da comunidade, oxalá houvesse mais pessoas e voluntários para atuar onde o poder público não age. Quem sabe um dia as coisas mudem e a sociedade, os governos olhem para este lado da cidade

 
 
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Portari

Caros,

O parto humanizado não dispensa nenhum cuidado ou avanço da medicina no campo dos exames pré-natais. Ele apenas prega a volta do protagonismo da mulher e do bebê ao ato de parir. Gravidez não é doença, é saúde, mas foi "medicalizada".

Excetuando-se as gravidezes de risco, não há necessidade de um médico para o parto. O parto normal, como o próprio nome diz, é uma ação natural do corpo feminino. É um processo que inclui dor? Claro que sim, mas não é doença e nem prejudicial para a mulher ou a criança.

Quem quiser conhecer o trabalho das parteiras, visite o dicionariodeoficios.blogspot.com . 

Abraços a todos,

 
 
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Demarchi

Conheci recentemente 2 médicos cujas esposas estavam grávidas e elas iriam fazer cezarianas.

Meus 2 filhos nasceram por cezarianas e se tivesse tido outros eu faria tantas quantas fossem possíveis, porque as 2 cirurgias foram bem tranquilas e de recuperação rápida. Talvez eu tenha tido também sorte na escolha dos médicos.

É uma opção pessoal, sem conhecimentos profundos sobre o assunto. Mas vejo cada vez mais comentários a favor da cezariana, apontando os riscos e danos dos partos naturais.

 

Demarchi

 
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geraldo a cassol

Sr. Nassif. Tenho o maior respeito por suas opinões em politica e economia, porém neste assunto estas simplificando, tipo os atores globais. 

Para falar com propriedade é importante além do conhecimento técnico, analisar e buscar a opinião dos vários atores envolvidos ( sou obstétra e  convido-o para acompanhar-me em um plantão muna maternidade pública, ganhadora de honrárias tipo Hospital Amigo da Criança, Maternidade Segura,   trata-se da Maternidade Darcy Vargas, em Joinville ( SC) .

Sou entusiasta do parto normal e na minha opinião é vergonhoso para a obstetrícia brasileira os nossos indices de cesareana. 

Como falei, sou obstétra, porém nesta especialidade atuo apenas no serviço público, pois no consultório desisti,  se dependesse da obstetricia e indicando cesareana apenas nas situações em que seria necessário, provavelmente não conseguiria sobreviver.

O assunto é tão complexo e com implicações tão grandes, tanto econômicas, quando em morbidade  que não tenho dúvidas, que seria um prato cheio para uma Brasiliana.

Só para citar  algumas das facetas envolvidas ( não obrigatoriamente pela orden) : interesse do médico;  formação médica deficiente, interesse da paciente, familares, vizinhos, amigos, etc; judicialização da medicina ( todo médico trabalha com medo e a relação médico paciente por incrivel que pareça é regida pelo código do consumidor ), desinformação, midia, nível cultural do nosso pais, etc...  

Quanto as casas de parto, fora de ambiente hospitalar, é um perigo para mãe e filho ( em obstetricia, quando tudo transcorre normal, não é necessário o auxilio de ninguém;   quando complica, não dispomos tempo para transporte ou improvisações  e para não termos repercussões as vezes fatais para mãe e/ou bebê; temos que agir de imediato. 

Quanto a categoria médica, não somos melhores, nem piores que o restante da classe média brasileira com curso superior.

Um grande abraço a todos 

Geraldo A. Cassol

 

 
 
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FabioREM

Geraldo, falou bem. 

Não sou obstetra, não tenho a vivência e mesmo o conhecimento que você tem nesta área, 

mas partos feitos em ambiente não hospitalar aumentariam bastante o risco tanto mãe como do feto. Muitas vezes o parto torna-se problemático em meio a ele, não é algo necessariamente que se anteveja ( embora, é claro, muitos partos sejam identificados como de risco com antecipação ) - muitos partos iniciam bem, e no meio o feto começa a entrar em sofrimento, o que exige procedimentos obstétricos alternativos imediatos ( cesariana, uso de fórceps, medicaçoes específicas, transfusao de sangue e derivados e outros), que obviamente serão melhor realizados em locais onde haja estrutura para isso. 

Imagina um feto entrar em sofrimento, e a equipe toda ter que transferir , de repente, a gestante para um hospital - esse meio tempo pode ser fatal para a gestante e para o feto. 

A cesariana é um procedimento cirúrgico que tem indicaçoes específicas - ela envolve diversos riscos, como qualquer cirurgia de grande porte. Fazer uma cesariana porque a mãe quer, parece ser muito questionável. É como alguém solicitar a um cirurgião que retire o seu apêndice, sem que ele esteja com apendicite, só por desejo do paciente. 

Sem falar nos riscos durante a cesariana, o pós-operatório de uma cesariana pode ser bastante desagradável para a mulher, seja pela dor, retenção de gases, problemas intestinais, risco maior de infecção. Recordo que minha irmâ, submetida a cesariana, passou maus bocados no pós-operatório - problemas que nao teria se fosse submetida a um parto normal. No caso dela, a cesariana foi bem indicada, ela realmente precisou do procedimento cirúrgico - estou só argumentando do ponto de vista das questões após o nascimento da criança, na comparação parto normal x cesariana. 

A mulher que decide por ela própria que fará uma cesariana, com o aval de seu obstetra , deve estar consciente que se por um lado não terá as famosas dores do parto, vai estar se arriscando a outros problemas mais sérios, para si mesma e para a criança. Estará "jogando" com uma série de riscos, evitáveis se passasse por uma parto normal. 

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mariazinha

Uma pessoa que disse, lá atrás: 'parto não é doença'[acho um absurdo essa argumentação meio que debochada. Já ouvi médicos dizerem à pacientes, como se fosse muito fácil parir]

Como assim! É doença sim e pode-se morrer dessa doença. Não refiro-me ao feto em si, ao nascimento que é maravilhoso; é uma doença na medida em que a parturiente e a criança correm riscos e perigos durante e após o parto. Um grande esforço é despendido durante o parto normal que pode causar acidentes muitas vzs. com morte até bem rápida. Já presenciei caso da mulher, depois do parto esvair-se, lentamente, sem a percepção do médico ou da enfermeira; alguém junto à ela percebeu e, imediatamente a enfermeira quis aplicar uma injeção ao que foi obstada pelo médico atento que tomou outras providências. Alí, uma mulher jovem e sadia com todos os exames e cuidados iria morrer do segundo parto, se não tivesse um médico por perto. Então deverá ser encarado como doença, sim, pois depende de muitos procedimentos médicos e cuidados imediatos, pois a mulher esta toda rasgada por dentro e por fora, muitas, levam mais de vinte pontos, algumas, rasgam da vagina até ao ânus, na força bruta, com médico, no bisturí, meio de lado; é preciso dizer a verdade, nua e crua. Não àtoa a porcentagem de mulheres que morriam durante o parto e após era enorme, há pouco tempo atrás; melhorou depois do atendimento com médicos. Não podemos regredir pois foi uma imensa  conquista na preservação das vidas de parturientes e dos nascituros. Outra coisa: essa de dizer: parto normal é mais seguro para a saúde dos dois sofredores acho meio relativo; o perigo existe ou não morreria tanta mulher e criança, hoje e no passado.

 
 
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Mariana Guimarães

Ah é? Parto é doença pra você?

Comer é doença? Porque vc pode comer e ter uma intoxicação e precisar de um hospital...

Andar de carro é doença? Porque vc pode andar e sofrer um acidente e morrer...

 

Quer dizer que só se deve comer e beber dentro do hospital na presença de um médico pq tem risco de ter uma intoxicação alimentar?

 
 
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Ang

A Organização Mundial da Saúde recomenda que somente 15% dos partos sejam cesarianas, justamente por maior risco à mulher. No Brasil, esse percentual é bem mais alto.

"A incidência de morte materna associada à cesariana é 3,5 vezes maior do que no método natural. “Os riscos são inerentes à própria cirurgia, a começar pela anestesia, em que a possibilidade de uma reação é imprevisível"

Fonte: http://portal.saude.gov.br/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=20911

Há também vários artigos científicos que discutem essa questão. Um exemplo: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n3/a002.pdf

 

 
 
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Bettina Koyro

Nassif, que bom saber da Monte Azul e da Casa de Parto!

Também sou "parteira" alemã. Conheci Angela Gehrke em 1984 quando fui voluntária na Associação Comunitária Monte Azul. Tinha 19 anos e curiosa, pedi a Angela que pudesse um dia acompanhar um parto no ambulatório. Foi a coisa mais marcante na minha vida. Num ambiente simples, sem estress, o pai da criança ao lado da parturiente, nasceu o bebê da maneira mais tranquila que podemos imaginar - nada de gritos, sangue...Angela foi uma pessoa abençoada, transmitindo segurança e paz a todos que estavam no quarto.

Ao retornar para Alemanha, em 1985 resolvi fazer o curso de enfermagem obstétrica em Berlin e não me arrependi. Depois de formada, trabalhei alguns anos em Berlin, realizando partos a domicílio e conheci o trabalho das parteiras na única Casa de Parto da cidade, hoje tem 9 Casas de Parto em Berlin e muitas outras no resto da Alemanha.

1993 comecei um trabalho financiado por uma ONG num minúsculo povoado na região Visconde de Mauá em Minas Gerais, longe de qualquer tipo de atendimento médico, onde fiz pré-natal, acompanhei puerperas e realizei mais do que cem partos naturais em 10 anos. A minha estatística é igual de Angela.:1% de cesárea e nenhum caso de morte materna ou neonatal! Aprendi muito com as parteiras locais, pois quando acabam os recursos da medicina convencional tem que apelar para recursos naturais e sabedoria dos "antigos".

Em 2003 me mudei com a família para Juiz de Fora-MG onde trabalhei durante 2 anos na Casa de Parto da UFJF - experiência incrível! A casa tinha três quartos aconchegantes, todas com banheiras para realização de parto na água! Infelizmente tal iniciativa causou a ira dos médicos da cidade e em 2008 a casa foi fechada por motivos até hoje não explicados a população de Juiz de Fora.

Defendo o parto normal, pela saúde da mãe e da criança e por ser uma experiência única na vida de nos mulheres e de nossos companheiros também. Nada compara se com o momento em que finalmente estamos com aquele pequeno serzinho nos braços a qual fomos capazes de dar à luz com as próprias forças. Tive dois partos normais e um deles em casa - para quem se prepara bem, sabendo relaxar e se movimentar durante as contrações, não existe dor insuportável!Existem riscos na gravidéz e no parto, bem sei disso, mas com um bom pré-natal (humanizado) podemos descobrir e encaminhar a gestante para atenção especializada e um parto de alto risco que não necessáriamente precisa ser uma cesárea.

O que vejo no Brasil é um alto número de cesáreas desnecessárias e a não aceitação de que  o processo do parto é algo misterioso que precisa do respeito e acompanhamento carinhoso dos profissionais de saúde e da família envolvida.

 
 
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Franklin Cunha

Considerada a melhor maternidade do mundo, na Chicago Lyning Hospital o índice de mortalidade materna por cesariana é 4 vezes  e o de morbidade é 10 vezes maior do que partos por via vaginal.

No Ceará, década de 60, o Professor  Galba Araujo instalou várias casas de parto no interior do Estado.

A própria comunidade com escassas verbas públicas construia a casa, onde existiam apenas dois medicamentos: soro glicosado e Methergin ( para casos de hipotonia uterina). Se houvesse necessidade de uma cesariana ( em um a dois % dos casos), a paciente era encaminhada para um hospital da cidade mais próxima. O aleitamento materno era de 100%.

As parteiras, se não tivessem maiores conhecimentos, eram enviadas a Fortaleza para se atualizar na Maternidade dirigida pelo Prof. Galba Araujo. Este também verificou que , as " femmes savants " eram líderes comunitárias, não só assistiam partos como assistiam as famílias no caso de complicações de relacionamento ( pais alcóolatras, filhos com dificulades emocioinais, velhos com alterações psíquicas, etc).

Segundo notícias que tenho, o projeto foi muito criticado por entidades médicas   e  creio que as casas de parto  não subsistiram.

 
 
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Aline Cristina Pavia

Se um médico pode ganhar 100 por um parto normal e 500 por uma cesárea, e se ele só vai perder 20 minutos do seu tempo fazendo isso, e se ele tem a complacência e endosso dos órgãos reguladores e do próprio CFM, pra que ele vai servir de "parteiro de luxo" num parto normal, onde a mulher fica berrando, descabelada, suada, por horas a fio, naquele banho de sangue?

Nós aqui no Brasil somos ultra-modernos!! Nós é que sabemos das coisas. Lá nos EUA e Europa cesárea eletiva pode dar cadeia e cassar registro do médico, mas lá eles são muito atrasados nessas coisas. Imagine! Uma criança sair pela vagina!! Não somos mais chimpanzés.

 
 
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ANA CRISTINA DUARTE

Sou obstetriz e atendo partos naturais, e encaminho para atendimentos mais complexos quando necessário (analgesia, parto operatório, etc).

Está muito fácil para cada ator dessa cena dantesca dizer "ah, mas é assim que as coisas funcionam, eu ganho pouco mesmo". Ou "ah, eu sou enfermeira, mas só tem emprego em centro cirúrgico de cesáreas, que eu posso fazer?". Ou "Nós do CRM não podemos obrigar um médico a fazer algo que ele não quer". Ou ainda "Nós do hospital privado não podemos fazer nada, os médicos é que fazem". Como não há punição nem incentivo, chegamos no ano passado a 52% de cesarianas e ao meu ver estamos caminhando rumo aos 100% se nada for feito em termos de lei e fiscalização.

O médico que diz que só faz cesárea no consultório particular, se tiver fiscalização, não vai mais fazer! Vai viver de cirurgia, consulta ginecológica, vai aprender a fazer laparoscopia e ultrasom para complementar a renda.

Os hospitais que tiverem fiscalização  na taxa de cesarianas, vão começar a proibir cesáreas eletivas sem indicação verdadeira.

E os médicos quando receberem uma gestante que diz querer uma cesariana sem indicação, vão mandar ela para o grupo de gestantes, para entender o que é que elas estão pedindo. 

Cada um faça a sua parte, que a coisa acontece!

Se cada um jogar a culpa nos outros e não houver leis nem fiscalização, vamos continuar nessa Casa da Mâe Joana. Cada um faz o que quer e o grande problema são as 2 casas de parto de São Paulo que atendem 2 (dois) partos por dia. Claro! A maior maternidade privada da cidade de São Paulo faz 40 cesarianas marcadas SEM INDICAÇÃO por dia! E o problema são as Casas de Parto?

Ora, por favor...

 
 
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Ric Jones

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Parabéns Nassif por ter se preocupado com esta questão. Sua metáfora - a linha de montagem - é utilizada por muitos pesquisadores da área da antropologia contemporânea (entre eles a prof. Robbie Davis-Floyd) que ainda nos lembra que o modelo de "esteira de produção" para o parto surgiu nos Estados Unidos na mesma época em que Henry Ford criava o mesmo modelo para a fabricação de automóveis. Dessa forma, minimizavam-se os custos e maximizavam-se os lucros. O preço, entretanto, era coisificar e objetualizar as mulheres, fazendo com que se tornassem tão importantes para o "sistema" quando um carburador ou um conjunto de parafusos. É importante se ter em conta que um recente estudo da FIOCRUZ, que ganhou repercussão na imprensa leiga, mostra que 27% das gestantes do serviço público e 17% daquelas dos serviços privados relatam algum tipo de abuso, seja verbal, físico ou moral. Não é à toa que tantas mulheres nos Estado0s Unidos preferem, de forma consistente e crescente, ter seus filhos em Casas de Parto ou na segurança de suas casas. Infelizmente, mesmo entre os obstetras, existe uma profunda e constrangedora desinformação sobre a questão do parto extra-hospitalar. Os GRANDES trabalhos RECENTES sobre segurança e parto domiciliar, por exemplo, demonsrtam de forma cabal que partos planejados em domicílio têm uma taxa igual ou menor de transtornos. Não é por outra razão que os governos de vários países europeus ESTIMULAM os partos fora do ambiente hospitalar. Chamar parto de "doença" sequer mereceria resposta, tão tola é essa afirmação. Ente4tanto, se considerarmos como enfermidade, talvez comer e evacuar (outras duas funções fisiológicas que, quando anômalas, podem causar a morte) só poderia ser realizadas em hospital, e na presença de um médico. Que dizer da atividade sexual, então? Ela causa MUITO mais mortes do0 que os partos, e nós ainda permitimos que as pessoas se amem nas suas casas, sem o auxílio de médicos? Quanta irresponsabilidade, certo? Eu pediria aos amigos que estão tratando deste tema que se informem um pouco mais desta questão tão importante, para que não façamos julgamentos baseados apenas em preconceitos, em "achismos", opiniões pessoais sem embasamento ou por pura incapacidade de enxergar a realidade sob um outro viés. Abraços a todos. Ric Jones (médico obstetra e parteiro)

 
 
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Ric Jones

Parabéns Nassif por ter se preocupado com esta questão. Sua metáfora - a linha de montagem - é utilizada por muitos pesquisadores da área da antropologia contemporânea (entre eles a prof. Robbie Davis-Floyd) que ainda nos lembra que o modelo de "esteira de produção" para o parto surgiu nos Estados Unidos na mesma época em que Henry Ford criava o mesmo modelo para a fabricação de automóveis. Dessa forma, minimizavam-se os custos e maximizavam-se os lucros. O preço, entretanto, acabou sendo o de coisificar e objetualizar as mulheres, fazendo com que se tornassem tão importantes para o "sistema" (não exatamente para os profissionais - vejam Charles Chaplin em Tempos Modernos) quanto um carburador ou um conjunto de parafusos. É importante se ter em conta que um recente estudo da FIOCRUZ, que ganhou repercussão na imprensa leiga, mostra que 27% das gestantes do serviço público e 17% daquelas dos serviços privados relatam algum tipo de abuso, seja verbal, físico ou moral.

é à toa que tantas mulheres nos Estado0s Unidos preferem, de forma consistente e crescente, ter seus filhos em Casas de Parto ou na segurança de suas casas. Infelizmente, mesmo entre os obstetras, existe uma profunda e constrangedora desinformação sobre a questão do parto extra-hospitalar. Os GRANDES trabalhos RECENTES sobre segurança e parto domiciliar, por exemplo, demonstram de forma cabal que partos planejados em domicílio têm uma taxa igual ou menor de transtornos, tanto para mães quanto para seus bebês. Não é por outra razão que os governos de vários países europeus ESTIMULAM os partos fora do ambiente hospitalar. Chamar parto de "doença" sequer mereceria resposta, tão tola é essa afirmação. Entetanto, se considerarmos parto como enfermidade, talvez comer e evacuar (outras duas funções fisiológicas que, quando anômalas, podem causar a morte) só poderiam ser realizadas em hospitais, e na presença de um médico. Que dizer da atividade sexual, então? Ela causa MUITO mais mortes do que os partos (infartos, DST, ou maridos que chegam antes do combinado), e nós ainda permitimos que as pessoas se amem nas suas casas, sem o auxílio de médicos? Quanta irresponsabilidade, certo?
Eu pediria aos amigos que estão tratando deste tema que se informem um pouco mais desta questão tão importante, para que não façamos julgamentos baseados apenas em preconceitos, em "achismos", opiniões pessoais sem embasamento ou por pura incapacidade de enxergar a realidade sob um outro viés. Abraços a todos. Ric Jones (médico obstetra e parteiro)

 
 
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Angela Rios

Parabéns pelo texto,por buscar a informação na fonte. Com certeza quem já viu ou viveu um parto humanizado e uma cesariana conhece bem a diferença...

Sou fisioterapeuta ativista pelo humanização e autonomia da mulher. Convido a ler meu blog: www.saudedamulher.net

 
 
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Monica Dávila

E vamos e venhamos: países subdesenvolvidos com alta taxa de mortalidade materna e infantil - 10% de cesáreas.

Países desenvolvidos com baixíssima taxa de mortalidade materna e infantil - 20% de cesáreas.

Brasil: país com alta taxa de mortalidade materna e infantil pós-parto - 78% de cesáreas no geral, 88% no sistema particular e cerca de 98% em alguns hospitais!!!

 

Risco de morte materna em PN: 4%

Risco de morte materna em PC: 20% (igual a de toda cirurgia)

Risco de infecção pós-parto ou hospitalar (Tanto da mãe quanto do bebê): 30%

Risco de infecção pós-parto em casa: 10%

Risco de trocarem o seu bebê na maternidade ou dele ser roubado: não sei a porcentagem, mas com certeza é bem mais alto do que em casa... :-)

 
 
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A. Natrielli

Ameaça velada do CREMESP aos obstetras que acompanham partos domiciliares em SP

Não só os médicos que atendem nas casas de parto vem sendo perseguidos pelo CRM, mas também os médicos que atendem a partos domiciliares sofreram recentemente uma ameaça por parte de tal conselho que publicou em sua revista o seguinte artigo http://www.cremesp.org.br/index.php?siteAcao=Jornal&id=1448 .  Ao não recomendar o parto domiciliar o CREMESP atinge não só os médicos, mas o direito das familias escolherem o local e o profissional mais adequado para nascimento de seus filhos. O próprio artigo do Conselho atenta para o fato de que o parto hospitalar não é garantia de redução no número de mortes maternas e nesse sentido parece que interesses corporativos estão falando mais alto nessa questão. Se o artigo deve ser considerado mera materia de jornal e "opinião", vamos entao ter claro com quem estamos discutindo e aqui dar nome aos "bois" que opinam em nome do CREMESP, pois se os responsaveis pela camara tecnica fossem outros as ideias tb seriam outras... Sao tres os nomes da camara tecnica do cremesp que aparecem no artigo: Krikor Boyaciyan e Silvana Morandini que são contra e Eurípedes Carvalho que apresenta argumentos favoraveis! Então quem nao recomenda o parto domiciliar???  A Câmara Técnica de Saúde da Mulher ?a Associação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) ?e a Associação Brasileira de Pediatria (SBP), ?Ou os distintos membros dessa camara? De qualquer modo, embora os argumentos apresentados sejam completamente desarticulados, carentes de evidencias científicas, dados de outros países ou recomendações da OMS, o artigo caiu mais como uma opiniao acabada em forma de decreto, pois após essa publicação em Sao Paulo já não temos nenhum médico que se disponha a acompanhar partos domiciliares.  Por tais razões, precisamos urgentemente que o CREMESP volte a discutir a questão do parto domiciliar, deixando ao arbitrio da parturiente e dos profissionais de saúde que a acompanham a decisão sobre esse tema.

 
 

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