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A inteligência estratégica de DilmaEnviado por luisnassif, sab, 04/02/2012 - 06:18Por Marco Antonio L. Do Sul 21 Dilma e a arte de fazer a fisionomia de uma época Eneas de Souza A Dilma tem uma inteligência estratégica que une, tanto na concepção como na prática, a Grande com a pequena política. Não é um jeito trivial, não, é uma força de ser. Tem a vocação de um pensamento nítido que não vacila no gesto. O que parece ser uma ligação da teoria com a prática: o conhecimento está irmanado com uma velha idéia grega, a do kairós, que quer dizer o senso de oportunidade. Nela há uma fraternidade dialética entre a idéia e a hora da ocasião. E o efeito deste movimento é o melhor possível – até agora, ao menos – pois a surpresa dos opositores, o aplauso dos adeptos e a indiferença dos que “não gostam e não entendem de política” se expressam numa aprovação inédita do país à presidenta. voutraVou tratar da sua presidência de uma maneira rápida e sintética. Sei que a questão é vasta. Mas começo por colocar na roda e na pauta alguns aspectos que tenho por relevantes. Deixo para mais tarde uma melhor e mais ampla análise sobre a política da Dilma. Aproveito a sua viagem a Cuba para fazer uma pequena reflexão sobre este ano e um mês que tivemos de seu trabalho. O que se pode dizer sobre o assunto? Lula e Dilma, a soma de um projeto de poder A primeira coisa que gostaria de salientar é a continuação do lulismo, num agora lulismo-dilmismo. Parece incrível que as pessoas não notem este prosseguimento. E não notam. E não notam porque avaliam que a Dilma, para ser continuação do Lula, teria que ser uma cópia. Ela não é uma imitação, isso já ficou abusivamente claro. Portanto, é um continuar com qualidade própria. E quando Dilma faz algo diferente do que pensam que Lula faria, querem destacá-la dele. Esse país não está sabendo pensar. Como dizia um velho professor da direita na faculdade de Economia, “unir sem confundir” é preciso. Relacionar e diferenciar. Ver que a realidade tem uma solda e uma luz que põe os pontos do mundo no seu lugar. Pois Lula e Dilma fazem parte do mesmo jogo. Um projeto de poder. Um projeto de poder nacional para transformar tanto o capitalismo financeiro e o neoliberalismo político como a condição do Brasil e da população brasileira. A estratégia da Dilma vai se fazendo, continuando e transformando a escultura de Lula, tanto na geopolítica como na geoeconomia. Não podemos deixar de salientar que com a Dilma houve um aumento de força neste projeto de poder. Juntos, Lula e Dilma, constroem um acréscimo de plasticidade na trajetória petista. Duas estrelas valem mais do que uma, tem mais céu e mais presença no combate político, tanto partidário, quanto entre nações. O lulismo se dilata, se fortalece, se adensa com o aporte da Dilma. Por isso, digo lulismo-dilmismo. A dança da geopolítica e da geoeconomia A crise do capitalismo pôs em questão o capitalismo financeiro e o neoliberalismo, e dividiu o eixo único do poder americano em dois, o novo eixo de Tio Sam e o eixo chinês, que se encontram num longo processo de constituição. Pois, na confusão do baile, a estratégia do Brasil, nesse momento, navega com algumas peculiaridades. A primeira coisa a constar é que o país tem que flutuar no jogo político, seja por causa da proximidade do comércio exterior com a China, seja porque os Estados Unidos trabalham em formas disfarçadas de protecionismo, seja porque os chineses têm ações predatórias nas relações com os outros países (África e mesmo América Latina, por exemplo), seja porque os americanos têm formas financeiras devastadoras. E por aí nós vamos.
O Brasil já mostrou que é um player médio no jogo internacional das nações, mas que não tem capacidade de organizar nem a geopolítica, nem a geoeconomia mundial. Dada a evolução da crise atual, aquela presença exuberante de Lula e do Brasil nos últimos anos não poderia continuar. Cabe aproveitar pequenas intervenções para marcar pontos, para segurar campos conquistados, aguardando o ressurgimento criativo no futuro para novos avanços. Trata-se, logo, de manter e reforçar a nossa posição. Assim, faz a Dilma. O discurso na ONU, a presença no G-20, a viagem à China, etc. Contudo, o horizonte da geoeconomia e da geopolítica mundial está a indicar que deve-se ir além de um reforço do estado atual do país. O salto sobre a crise passa por ordenar uma determinada região do mundo. A China arruma a Ásia e o Brasil amalgama a América do Sul, talvez a América Latina.
No caso brasileiro, a expansão da presença do Brasil no colorido continente sul-americano carrega um processo que projeta integrações produtivas, aduaneiras, integrações de infra-estrutura, de transporte, integrações educacionais e culturais, etc. O espaço deste itinerário adquire uma potencialidade altamente desejável e promissora. E essa flor, esse girassol, amadurecerá plenamente quando o rosto escuro do protecionismo chegar. Ele abrirá uma nova etapa da crise mundial – talvez no fim de 2012, quem sabe no decorrer de 2013. Nesse quadro, a integração regional será absolutamente decisiva para esses países. A América do Sul passa a ser, nessa paisagem, uma jogada geopolítica e uma jogada geoeconômica. Trata-se de uma oportunidade semelhante àquela que o Brasil teve por ocasião da crise dos anos trinta, só que agora num território continental. Dilma está com essa bola toda.
No campo geoeconômico, o principal norte é o futuro da economia mundial. No meu modo de ver, toda esta crise econômica serve para pautar a passagem de um padrão de acumulação de capital para outro, esse novo centrado na expansão das tecnologias de comunicação e informação, de novos materiais, das ciências médicas, etc. Essa passagem é longa e demorada, cheia de convulsões e rebuliços. Basta lembrar o que foi a crise da Grande Depressão. Portanto, temos um longo caminho a percorrer. Todavia – cabe salientar um ponto decisivo – o Brasil parece já estar neste futuro. Não pelo lado da fronteira tecnológica de vanguarda, mas pelo lado de uma certa infra-estrutura desse padrão. O Brasil vai de energia, de alimentos e de minérios. Contudo, é fundamental não ficar nessa primarização: o desenho da economia brasileira deve traçar um planejamento para a área de inovações e de tecnologia. E isso que daria ao país uma posição melhor na nova divisão internacional do trabalho.
É o curto prazo que está envolto num terreno de incertezas e de ameaças. Pois, se as contas do governo vão bem, o Brasil, como um atleta de salto triplo, se prepara – e essa é uma das preocupações da Dilma – para bloquear os efeitos da crise européia, para encarar as múltiplas facetas e repercussões do protecionismo variado, para conter o expansionismo complicado dos chineses. E, no entanto, o Brasil também não pode deixar de considerar as perspectivas de uma expansão do mercado interno. A vitamina virá de um programa de investimentos (PAC, Minha Casa, Minha Vida, por exemplo), acompanhado do consumo da classe mais necessitada, através dos gastos dos programas sociais do governo. E, como ampliação do mercado interno, pode-se apostar em tentativas de superar as questões vinculadas ao que se chama de desindustrialização da economia produtiva por causa do efeito chinês. Completa o espelho da incerteza atual os temores da repercussão da crise européia, o que Guido Mantega chama de guerra cambial, o tratamento mais consistente da taxa de juros e da atração insistente dos capitais financeiros pelo Brasil, etc. A novidade estratégica de Dilma Pensem os leitores, dispam seus preconceitos, e pensem mais atentamente o que Dilma está construindo no subtexto de sua presidência. De um lado, a unificação do Estado, que ela trabalha desde os tempos da Casa Civil e cujo maior êxito é a convergência do Banco Central com o governo. E de outro lado, dar uma cara nova à política, o que está se constituindo, a meu ver, como uma surpreendente novidade da área. Ousamos dizer que ela tenta mudar politicamente a política, introduzindo o campo dos valores como uma passagem de nível, como uma tarde de sol num inverno social. Vou tentar explicar. A política é conflito, combate, diferença, tensão, discórdia. Perspectivas opostas, basicamente, valores distintos. Nela jogamos com a alteridade. Tudo aí se complica pois está presente a figura do outro. O outro é meu adversário, pode ser meu inimigo. O outro me escapa. Não sou capaz de fazer com que ele faça o que eu quero a não ser que ele esteja disposto a querer o mesmo. Na política contemporânea, houve o incremento de um padrão onde os valores da chantagem, da corrupção, da violência, por exemplo, predominam. O poder pelo poder. O realismo político passou a ser: se o outro não tem valores, ah! meu caro, eu também não preciso ter. Não preciso assumir valores coerentes, afirmativos, de uma cultura crítica, de um desenvolvimento social, da busca de um bem estar, da construção de um bem comum. Logo, valores coletivos, valores da dignidade, da legitimidade, da solidariedade, da liberdade, da fraternidade, da democracia. Valores para um poder criativo. Posso, pelo contrário, assumir os valores da força, da violência, da porrada, da prepotência, do ludibrio, do engano, do engodo, da burla, do exercício único do mando como o valor que interessa. Houve assim uma espécie de abolição de valores de um tipo em detrimento de outro no quadro da modernidade do jogo político. Dilma vem articulando nos seus atos um conjunto de valores que não responde automaticamente aos atos dos adversários, ao menos, no mesmo nível deles. E isso tanto no jogo político partidário, parlamentar e ministerial como no jogo político da mundialização. Se duvidam, vejam o tema da corrupção de ministros e dos ocupantes de segundo escalão do governo. Ou a questão dos direitos humanos nos planos nacionais, como nos casos do Irã, de Cuba e dos Estados Unidos. Memorável o seu encontro com as madres de Mayo na sacada da Casa Rosada. Memorável também a resposta em Cuba sobre a questão dos direitos humanos. Todos os países cometem delitos, disse ela. O Brasil, Cuba e os Estados Unidos. Chamou a atenção para Guantánamo, que curiosamente os “defensores” dos direitos humanos não falam. Com atitudes como essas, Dilma vai compondo uma cesta de valores que passam pelas já citadas questões da corrupção e dos direitos humanos, como também pela presença das mulheres em cargos públicos de destaque, como a obstinação na erradicação da miséria, como a civilidade no trato da política. E assim, a viagem no campo dos valores vai se fazendo. Gostaria de chamar a atenção para o tema da corrupção. Trata-se de algo profundo. O capitalismo financeiro fazendo de tudo – homens, coisas e valores – um negócio, corrompeu fortemente as relações humanas e políticas. A política se tornou, em muitos momentos, um caso de compra e venda, de chantagem, misturando favores políticos e cargos. Dilma tem se dedicado a reverter essas coisas. E fez da chantagem, inclusive midiática de denúncia da corrupção, uma forma de alavanca para romper com estas práticas. E fez de tal forma que baliza a própria base do governo na escolha de ministeriáveis, como também provoca a elevação ética no campo da política. Faz dos valores um componente do político, de tal forma, que cria um ambiente, uma atmosfera que vai transformando e enfatizando a política. Os valores tornam-se um ponto de referência em qualquer negociação. Ou seja, o combate principal se dá entre valores, embora, na sua prudência e astúcia, Dilma sempre saiba que a política é relação de forças, imposição de vontade. E que o menos ruim é melhor que o péssimo. E só se sabe isso quando se joga com valores. A união da grande e da pequena política Essas pequenas considerações servem para mostrar que a estratégia da Dilma é capaz de unir a Grande e a pequena política. Porque se Dilma se dedica a desenvolver a política, a estratégia e o projeto nacional – uma herança do governo Lula – ela não a defende somente em nome da política e da economia, mas a sustenta em nome de valores, que é a única forma capaz de fornecer critérios para decidir tanto no ar da Grande política como no solo da pequena política. Dilma age com valores que lhe permitem dar uma distinção à política na floresta agreste do capitalismo selvagem. E essa transformação tem sido feita progressivamente, sem alarde. E, de repente, as pessoas tomam consciência da energia e da sutileza da Dilma. A sua estratégica envolve uma concepção de valores como um toque sutil no combate pela metamorfose da política. São valores que não deixam de ter contundência, pois a política é um jogo pelo poder, é a arte de fazer a fisionomia de uma época.
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Comentários + votados
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Assis Ribeiro
04/02/2012 - 06:55
Das várias análises que já li sobre a política e o governo Dilma esta é a mais profunda e precisa.
O Brasil tem mudado, tem procurado avançar nos aspectos democráticos, e tem conseguido, mesmo com a...
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Sem mas com
04/02/2012 - 07:11
[ Esta lavagem cerebral não atinge os da "senzala" que não têm acesso a esses meios e portanto possuem uma mente mais limpa para refletir o que acontece no Brasil] Que visão mais estúpida como esses...
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Widmark
04/02/2012 - 07:27
O comentário do Assis Ribeiro é brilhante e concordo com a análise que é uma das mais precisa e profunda, direi também que é das mais lúcidas e brilhantes e o coroamento do ...
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Assis Ribeiro
04/02/2012 - 07:56
Como você consegue igualar o significado de mente limpa com o de mente vazia?
Significado de Limpo
adj. Sem mancha; asseado; desembaraçado de imundícies.
Significado de Vazio
adj. Que nada contém;...
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Assis Ribeiro
04/02/2012 - 08:22
Obrigado aos irmãos do blog pela força.
O comentário ácido, parcial e manipulado, do cidadão, serve para mostrar como a intolerância tem se manifestado de forma rasa e mesmo pueril.
Quando não se tem...
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Raí
04/02/2012 - 09:00
O têxto do Eneas de Souza, e o comentário sobre sua profundidade, feito pelo Assis, representa ao pé-da-letra, o pensamento quase unânime, da maioria dos comentaristas deste blog.
Hoje realmente vai...
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Ozeas Corrêa Lopes Filho
04/02/2012 - 09:26
Como seu leitor normalmente silencioso, poprém diário e, pelo respeito a sua análise destaco, porém, a questão da coerência política sobre a questão dos direitos humanos.
Da mesma forma que a base...
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Wilson Braga
04/02/2012 - 10:02
Caro Ozeas,
PÁ resposta da Presidenta, em Cuba, pelo que entendi,foi uma alfinetada na mídia conservadora que exige comentarios sobre direitos humanos em Cuba porém não fariam a mesma exigência nos...
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Alan Souza
04/02/2012 - 10:28
Troll que chega aqui com ofensas e ataques pessoais só merece uma coisa: o botão "denunciar".
Troll que argumenta até diverte a gente, por isso a gente atura. Mas troll que já chega mostrando a...
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Anderson_Link
04/02/2012 - 10:48
Post com visão interessantíssima e comentário do Assis fechando o post: está bonito de ver!
Abraços
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José Carlos Lima
04/02/2012 - 12:01
Edmundo, concordo que pessoas lutadoras tem fim triste, Erundina por exemplo, para não perder o apartamento financiado tivemos que fazer uma campanha de arrecadação para pagar um valor determinado...
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m.cubiak
04/02/2012 - 13:16
4 DE FEVEREIRO DE 2012 - 8H15
Pochmann pressiona Dilma: "O Brasil pode ousar mais"
“Hoje não temos instituições que entendam e representem o novo Brasil que se constrói. E não sei se...
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fabiano joel duarte
04/02/2012 - 15:32
Nassif: espero ler com mais atenção o interessante artigo postado: "Dilama e a arte de fazer a fisonomia de uma época" ( A inteligência estrátégica de Dilma) de Eneas de Souza. Parece-me que o...
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Romualdo
04/02/2012 - 07:58
Bom dia Assis,
Síntese perfeita!!! Felizmente a senzala não vê, não lê e por isso não dá importância à "grande mídia...
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Fuhgeddaboudit™
04/02/2012 - 09:19
AVE DILMA ! (XXI)
Não concordo em vincular os méritos de DILMA às ações de LULA. Este, se tirou 10 milhões da miséria, tirou o direito ao Sonho da Casa Própria de pelo menos 30 milhões, aí...
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Raí
04/02/2012 - 10:26
Bom dia Fuhge.
Meu caro, esta cantilena de que a Dilma herdou uma dívida maldita e impagável, é "chôrumelo" e não tem embasamento técnico.
Tambem lí muito, acêrca da inexperiencia do Lula, logo que...
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Raí
04/02/2012 - 10:37
Ozeas, sua comparação entre o que ocorreu entre as decisões diplomáticas(ou falta destas)nos casos Battisti e a posição do governo brasileiro para com uma blogueira direitista, e um prêso comum, que...
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alext4e
04/02/2012 - 09:14
Belo artigo! Eu ainda continuo achando que esse mandato da Dilma será melhor do que os dois do Lula, não por ela ser melhor, mas por pegar o país em melhores condições do que Lula pegou. Meu medo...
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alfredo machado
04/02/2012 - 08:11
Sem mas com não cadastrado:
Como pode você, encoberto por este nome de araque, ou seja, praticamente um desqualificado, pinçar o trecho de um comentário de colega que tem nome e sobrenome conhecido,...
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Das várias análises que já li sobre a política e o governo Dilma esta é a mais profunda e precisa.
O Brasil tem mudado, tem procurado avançar nos aspectos democráticos, e tem conseguido, mesmo com a enorme resistência das forças conservadoras que temem a mudança do "status quo", prevendo a perda de vários privilégios já solidificados no conceito da "casa grande e senzala", portanto, um trabalho árduo de mudanças que está sendo levado adiante frente a persistência de Lula e Dilma.
Esse avanço, esta mudança, dentro de uma sociedade já tão acostumada, desde os tempos da sua colonização, aos favorecimentos, ao jogo do faz de conta, à submissão completa aos desejos dos nossos senhores da "casa grande" quase sempre em prejuízo aos da senzala, faz o autor deste belíssimo texto afirmar: - "Esse país não está sabendo pensar."
Naturalmente que ele deve estar se referindo àquela classe que lê sempre os mesmos jornais e revistas e que reproduzem, sempre, o que pensa e o que quer ler os senhores da "casa grande", os eternos leitores destes meios de informação.
Esta lavagem cerebral não atinge aos da "senzala" que não têm acesso, e não confiam nesses meios e, portanto, possuem uma mente mais limpa para refletir sobre o que acontece no Brasil, as suas espectativas com a nação e não ficam presos ao condicionamento típico dos formadores e tomadores de informação da grande mídia que não pensam na nação e sim do que podem tirar dela.
Esses que ainda têm capacidade de refletir fora do "condicionamento", do "mainstream", sabem que o Brasil tem avançado e evoluído nos aspectos abordados no Post e por isso deram amplas vitórias à Dilma e Lula. Esses da "senzala" sabem pensar o Brasil pois, "sentem" o Brasil e não ficam presos aquilo que chamamaos "roda presa" de conhecimento.
Essa é a grande sabedoria de Lula, de Dilma e da senzala. E, ai, dão banho de bola nos "senhores da casa grande"
Assis Ribeiro
Bom dia Assis,
Síntese perfeita!!! Felizmente a senzala não vê, não lê e por isso não dá importância à "grande mídia comprada e tendenciosa".
Parabéns, por este comentário de alto nível.
Romualdo
AVE DILMA ! (XXI)
Não concordo em vincular os méritos de DILMA às ações de LULA. Este, se tirou 10 milhões da miséria, tirou o direito ao Sonho da Casa Própria de pelo menos 30 milhões, aí incluídos os 10 milhões que sairam da pobrezam com o aumento de preços, que só no Rio de Janeiros, de 2008 para cá, atingiu a 159% (divulgado, aqui) e, em Sao Paulo, 120%. Isto deveu-se a liberação desmedida e não monitorada de R$ 50 bilhões para a contrução de moradias, que focava às classes carentes e de baixa renda (vou repetir esta ladainha todos os dias, pois mostrou a incompetência de LULA diante dos preceitos elementares de economia), com pico nos anos de 2009/2010 (vésperas das eleições), permitiu aos incorporadores e construtores "fazerem fortunas com o dinheiro de Fundos Sociais". Aposto que dos 50 Bilhões, se devidamente auditados, eles levaram R$ 10 Bilhões "na maior" e estão, até, hoje, comemporando a incompetência governamental. Aassim, dezenas de milhões de brasileiros, ficarão escravizados, agora, aos aluguéis e, nos novos contratos já estão pagando de 25 a 30% de aumento. Que tentem segurar, os que, ainda, detém contratos antigos e pagar apenas a correção do IGPM. Rezem para não ser despejados. Com os preços dos novos Contratos, como base nos valores atuais dos imóveis, terão de ir para a "periferia da periferia".
Dessa forma, DILMA herdou uma herança maldita e, em um cenário mundial totalmente diferente do Paraíso que Lula flutuou, DILMA ROUSSEFF, precisará pisar em muitos espinhos para abrir op seu caminho. Mas, graças aos céus, temos uma ESTADISTA na presidência; a primeira e única, mesmo levando em conta os Presidentes, até, então.
AVE DILMA !!!
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Meu Caro,
Bom seria se não houvesse amanhã. Pobre Dilma: será amnhã o Lula hoje.
Abraço.
Edmundo, concordo que pessoas lutadoras tem fim triste, Erundina por exemplo, para não perder o apartamento financiado tivemos que fazer uma campanha de arrecadação para pagar um valor determinado pela Justiça pq a prefeitura orientou a população no dia da Greve Geral, o que foi acatado pela "Justiça" como sendo anúncio que não era de interesse da prefeitura e sim da CUT. Veja só. Quanto a Dilma, a presidenta não tem vista curta, vê longe, dá prá notar que ela trata o país como que fugindo do imediatismo, o que é bom, um grande erros dos nossos governantes é administrar tendo em vista que seu mandato dura 4 anos quando na verdade o Estado continua independentemente de seus governantes.
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Bom dia Fuhge.
Meu caro, esta cantilena de que a Dilma herdou uma dívida maldita e impagável, é "chôrumelo" e não tem embasamento técnico.
Tambem lí muito, acêrca da inexperiencia do Lula, logo que ele assumiu o cargo de Presidente, que com o Brasil arrazado, pelo política neo-liberal do FHC, agonizava, e precisava de um "choque"para sair daquele marasmo, e teve empresário, que até fez campanha, pela retirada de seus pares, das parcerias que o país requeria, e que "queimou a língua"antes de morrer numa nação em crescimento e com perspectiva.
Este seu "lenga-lenga" do hipotético êrro da atual política habitacional da anterior e desta atual administração, vai "queimar-lhe a língua" tambem, não que eu tôrça por isso, afinal, sou seu amigo, mas que vai acontecer isto, ah vai !
Salve(ou Ave) Dilma !
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Liga não, Raí. Assim como as crianças e os índios, os oligofrênicos também são inimputáveis.
Post com visão interessantíssima e comentário do Assis fechando o post: está bonito de ver!
Abraços
Como você consegue igualar o significado de mente limpa com o de mente vazia?
Significado de Limpo
adj. Sem mancha; asseado; desembaraçado de imundícies.
Significado de Vazio
adj. Que nada contém; que só contém ar
Assis Ribeiro
Sem mas com não cadastrado:
Como pode você, encoberto por este nome de araque, ou seja, praticamente um desqualificado, pinçar o trecho de um comentário de colega que tem nome e sobrenome conhecido, atitude bem simples que você não é capaz de exercitar, e a partir dali tentar pontuá-lo a partir de dez palavras dignas de um febeapá?
A sua opinião sobre o texto é fácil de ser imaginada, pois pessoas como você, que conheço aos pontapés, sempre escorregadias na hora de falar e bastante orgulhosas dos antolhos que mantém pregados no rosto desde o dia em que nasceram, não costumam falhar e não dão chance de decepção a quase ninguém que os conheça de verdade, pois não se preocupam em disfarçar a intolerância que faz moradia em suas mentes imundas.
Dos inúmeros espécimes que conheço com esta sua característica, normalmente são endinheirados (rico é outra coisa), só pensam no próprio umbigo e estar na espreita é o usual estado de graça. De uma discussão, fogem como o diabo da cruz, uns infelizes.
Reapareça com nome decente (tem que ter um, nem que seja um sinfrônio da silva da vida) e, caso seja capaz de sair da sombra, emita opinião (algo pouco frequente no grupelho) sobre o texto que te deu dor de barriga.
Troll que chega aqui com ofensas e ataques pessoais só merece uma coisa: o botão "denunciar".
Troll que argumenta até diverte a gente, por isso a gente atura. Mas troll que já chega mostrando a ferradura tem que ser denunciado.
Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!
O comentário do Assis Ribeiro é brilhante e concordo com a análise que é uma das mais precisa e profunda, direi também que é das mais lúcidas e brilhantes e o coroamento do Lulismo-Dilmismo "dão banho de bola nos senhores da casa grande". Muito prazeroso começar o dia assim. Valeu Nassif!
Widmark
Obrigado aos irmãos do blog pela força.
O comentário ácido, parcial e manipulado, do cidadão, serve para mostrar como a intolerância tem se manifestado de forma rasa e mesmo pueril.
Quando não se tem justificativa equilibrada sobre temas abordados reagem com virulência desmedida e irracional.
Abraços a todos.
Assis Ribeiro
O têxto do Eneas de Souza, e o comentário sobre sua profundidade, feito pelo Assis, representa ao pé-da-letra, o pensamento quase unânime, da maioria dos comentaristas deste blog.
Hoje realmente vai ser um grande dia !
Alem da matéria sobre a retirada daquele ex-morador de rua de Porto Alegre, e sua ascensão á condição de cidadão, esta análise sobre o Lulismo-Dilmismo, é perfeita !
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Belo artigo! Eu ainda continuo achando que esse mandato da Dilma será melhor do que os dois do Lula, não por ela ser melhor, mas por pegar o país em melhores condições do que Lula pegou. Meu medo será o seu segundo mandato, a copa do mundo e as olimpíadas. Esses dois eventos me parecem como dois cavalos de tróia.
Alex
Como seu leitor normalmente silencioso, poprém diário e, pelo respeito a sua análise destaco, porém, a questão da coerência política sobre a questão dos direitos humanos.
Da mesma forma que a base militar de Guantánamo é uma absurda violação, os presos políticos cubanos também são, a propósito, como qualquer outro preso político é.
Se, “Socialismo é Paz, Democracia e Liberdade”, Cuba, China, Venezuela e Coréia do Norte estão desqualificados para empunhar essa bandeira.
Sobre a morte do dissidente cubano, o que mais me causa espécie é a falta de compromisso intelectual e acadêmico com essas questões, pior, no final, quem aparece ainda vem com o velho discurso da morte de um “meliante”, “contra-revolucionário” etc, etc, etc.
Há que se enfrentar essas mazelas dos regimes de frente, de cara limpa e de forma severamente crítica, acusando as violações que por lá acontecem também; um erro não justifica o outro, não é por que há a prisão americana de Guantánamo, ou congêneres, que se possa pretender justificar prisioneiros por crime de opinião em qualquer outro lugar, afinal, o próprio Fidel um dia foi um revolucionário, que ao vencer sua guerra, se tornou a fonte do poder, ou seja, quem ganha a guerra passa a ter o direito não só de contar a história, mas de escrevê-la conforme sua conveniência.
O silêncio da Dilma, infelizmente se fez omissão criminosa; no caso Cesare Battisti, condenado pela morte de 4 pessoas na década de 1970, quando era ativista da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), bem me recordo, o governo brasileiro “fez das tripas coração” para garantir a permanência do italiano em solo pátrio, sob a premissa que Battisti era um perseguido político, o que causou um desconforto internacional com a Itália, o que certamente um dia ainda teremos que saldar essa conta, todavia, quando se tratam de questões violadoras de direitos humanos nos países alinhados, nenhuma nota, nenhuma palavra, tudo em nome da autodeterminação e soberania dos povos.
Uma última reflexão me ocorre em furtivo devaneio: que regime tão bom, justo e democrático é esse, que não resiste a um punhado de esfarrapados terroristas, “financiados pelo imperialismo norte-americano”?
Portanto, colocando o discurso no verbo certo:
"Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Então eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral"
Deixa ver se eu entendi, já que eu violo, tu violas e ele viola, então, já que todos nós violamos, que cada um cuide da sua e não se fala mais nisso.
Uma pecha desnecessária, para uma presidente que tem no currículo as marcas de vítima da tortura e ditadura; a propósito, da “pedra” citada, me vem na cabeça a velha imagem de que tudo são flores quando deixamos de ser vidraça, ou ficaria melhor se dizer: aos amigos toda compreensão, aos inimigos a acusação como justificação.
Ozeas, sua comparação entre o que ocorreu entre as decisões diplomáticas(ou falta destas)nos casos Battisti e a posição do governo brasileiro para com uma blogueira direitista, e um prêso comum, que se tornou mártir em Cuba,não têm semelhança, já que na decisão Presidencial(e consentida tambem pelo Poder Judiciário) no caso Battisti, foi devido ao fato, dele estar residindo(legalmente por fôrça de acôrdos internacionais) no Brasil, e os outros casos, serem ações de cunho interno, de uma nação soberana, quando ninguem tem o direito nem o dever(diplomáticamente falando) de opinar, nem de criticar.
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
No caso de Cuba, Dilma faz o que a esquerda brasileira sempre criticou nos "estadunidenses": interesses econômicos antes de tudo.
Meu caro, tudo funciona na base "dos interesses economicos".
O que criticamos na política estadunidense, é que esta funciona assim: Se o país é parceiro, e aceita a ingerencia do seu Depto de Estado, tem tudo; Se não segue esta cartilha, não tem nada, e ainda tem contra sí, um embargo economico, que contraria a tão propalada economia globalizada, que atende pelo sonoro nome de economia de mercado.
O Brasil considera Cuba, dentro das limitações da ilha, como um parceiro a ser considerado como tal, e naturalmente quer aumentar com este Estado soberano,a relação comercial, porem sem querer "esmaga-lo".
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Caro Ozeas,
PÁ resposta da Presidenta, em Cuba, pelo que entendi,foi uma alfinetada na mídia conservadora que exige comentarios sobre direitos humanos em Cuba porém não fariam a mesma exigência nos EUA, em relação a Guantanamo. Quanto ao Battisti, nada a ver com Dilma. Assunto tão complexo que nem o STF conseguiu se entender.
Excelente artigo.
Dilma não nos decepcione, continue a cultivar os valores democráticos imbuídos do mais alto espírito republicano e que a ética social encontre em ti sua mais fervorosa e intransigente defensora.
Por outro lado, lhe falta o traquejo com o congresso que já derrubou o Collor, engessou o Itamar e emparedou o Lula, não acredito que ela consiga escapar, por favor, surpreenda-nos.
Acorda Dilma!
Follow the money, follow the power.
Vou postar de novo: Mapa Astral Hermético de Dilma Roussef, interpretado por um anti-petista:
www.deldebbio.com.br/2010/12/14/mapa-astral-de-dilma-roussef/
2 Stellium, um em Sagitário (facilidade para formular regras a partir da realidade) e outro em Capricórnio (disciplina), mais Marte em Virgem (workaholic) e ascendente em Aquário (facilidade para entender inovações e captar as tendências a partir dos 30 anos), e Caput Draconis em Touro (facilidade com recursos, orçamentos e tudo relacionado a bens materiais a partir dos 45 anos) = estrategista e presidente nata, nos melhores aspectos do Mapa dela.
Este mapa mais compromete,com aquele Saturno dominante em Leão, do que ajuda. Pelo visto ela não escapará do Congresso.
Caput Finis Governus est.
Follow the money, follow the power.
Algumas observações, que me afloram, sem muito aprofundamento:
"Esse país não está sabendo pensar"
Muito poucos pensam o País. Nem entro no mérito dos conteúdos, dos produtos desses pensamentos. Nem tenho a ousadia de pretender que apareçam Joaquins Nabucos, Sérgios Buarques de Holandas ou Caios Prados Júniores (mais uma vez, sem discutir o mérito) mas, que a pretensa "Intelligentzia" saia da rasteira repetição dos '"ensinamentos" da Direita Multinacional. Felizmente, os poucos que pensam o País estão do lado que me parece estar colaborando para nosos novos caminhos.
"Um projeto de poder."
Mais que um projeto de poder, vejo um Projeto de País. Com erros e acertos (mais esses que aqueles), mas que caminha, com evidentes resultados positivos. Falta-nos uma oposição que "Pense o País" e apresente um "Projeto para o País". Se chegarmos a um indesejável pensamento único será por absoluta omissão e incapacidade das oposições
"A dança da geopolítica e da geoeconomia"
O Mundo gira e a Lusitana roda. E há políticos, jornalistas, economistas, et caterva que vivem na década de 1950. Parecem até com alguns amigos argentinos que mantém retratos de Evita e de Perón em lugar de destque em suas residências.
"Apresença do Brasil no colorido continente sul-americano."
Fundamental, prioritária, indispensável, se queremos sair da submissão ás "grandes potências"., se quisermos ser donos de nossos destinos. A consolidação de uma "União Sulamericana", com todas as grandes dificuldades impostas pelos legítimos interesses de cada país, de suas peculiaridades, etc. é tarefa dura, mas que vem sendo conduzida com coragem pelo LulaDilmismo.
"...o Brasil também não pode deixar de considerar as perspectivas de uma expansão do mercado interno."
Aí, brilharam a competência e o destemor de Lula. Uma lição aos opositores e ao Mundo. Política que Dilma mantém e que, espero, continue a trazer resultados positivos.
"A política é conflito, combate, diferença, tensão, discórdia. Perspectivas opostas, basicamente, valores distintos. Nela jogamos com a alteridade."
A política é, também, a arte do possível. A arte de conciliar interesses opostos. Lula procurou ser um presidente de todos os brasileiros, o que desagradou a certos setores das esquerdas e mesmo do PT. Para mim, fez a coisa certa, sem trair seus princípios básicos. Dilma faz muito bem, seguindo o mesmo catecismo. É presidente do Brasil e dos brasileiros e não de uma facção. Há caminhos melhores? Então, que se apresentem. É o que todos queremos.
Saudações democráticas!
O que acho incrível é que Dilma conseguiu transformar a principal arma da mídia, o denuncísmo, em algo a seu favor e que incrivelmente tem favorecido também aos partidos e veem-se obrigados a fazer alterações com base em responsabilidade e capacidade técnica.
Embora ninguém confie nos partidos, o fato de colaborarem lhes tem sido benéfico.
Além do mais, é incrível como o denuncismo ficou algo corriqueiro, a´te desimportante, pelo fato da mudança ocorrer sem maior estardalhaço.
Dilma não faz marola e vai deslizando no mar.
Das análises que eu já li sobre o Gov. Dilma e a própria Dilma, essa é mais uma versão que se parece com outras.
Faltam análises que não sejam uma defesa apaixonada (muito válida e que eu respeito) ou uma réplica de um somatório de apontamentos que a mídia marrom faz: lula e dilma parecida; política externa de dilma; dilma faxineira etc.
Márcio Cubiak Mestrando em Desenvolvimento Regional FURB - Blumenau
Faça-as, pois.
digo como um leitor, não 'produtor' de análises. mas, como isso não me isenta de apresentar algo, segue abaixo análise do Pochmann.
Márcio Cubiak Mestrando em Desenvolvimento Regional FURB - Blumenau
4 DE FEVEREIRO DE 2012 - 8H15
Pochmann pressiona Dilma: "O Brasil pode ousar mais"
“Hoje não temos instituições que entendam e representem o novo Brasil que se constrói. E não sei se interessa às velhas elites ter um Estado que opere de forma transparente”. A constatação é de um veterano conhecido nosso, Márcio Pochmann, mestre e doutor em economia, presidente, desde 2007, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).“Nós podemos ser mais ousados”, aconselha ele em relação às transformações vividas pelo Brasil.
Por José Dirceu, em seu blog
Para Pochmann, as principais marcas desse subdesenvolvimento são o atraso tecnológico e a desigualdade na produtividade do trabalho em diferentes setores da atividade econômica. Contrastando com áreas que competem em pé de igualdade com o primeiro mundo, o país possui o que o economista chama de “estoque de pequenos segmentos em atividades praticamente associadas à subsistência”.
Em sua visão este é apenas um dos desafios colocados ao Estado brasileiro. Outra questão levantada é que o país ainda não conta com instituições que entendam e representem o novo Brasil que se constrói com a ascensão social de milhões de brasileiros. Nossas velhas estruturas precisam ser revistas. E Pochmann se pergunta: “Onde e como o Estado brasileiro deve atuar mais?” Há, pelo menos, duas propostas na mesa. De um lado, oferecer serviços de boa qualidade a todos; de outro, garantir recursos para que o cidadão de classe média os compre diretamente.
Confira abaixo a conversa que tivemos com este professor de fala mansa, cujo baixo tom de voz não esconde a pressa que ele tem em sanar o subdesenvolvimento ainda presente em grande parte do país.
Muito se tem falado – o IPEA inclusive – sobre os 30 milhões de pessoas que ascenderam socialmente no Brasil nos últimos anos. Por que são chamados, agora, de classe média? Quem ascendeu foram os trabalhadores. Você diria que os trabalhadores que o Lula liderou viraram classe média?
Esse debate não é meramente conceitual. Vivemos um momento de alteração profunda na estratificação social brasileira. Essa mudança resulta da ascensão da base da pirâmide social. A classe média não se percebe exatamente pela renda. Classe média é um padrão de consumo, de estudo, de futuro. As pessoas devem ter a clareza de que a agenda de políticas nas quais o Estado deve atuar difere quando se fala de classe média ou de classe trabalhadora. A classe média não necessariamente está preocupada com políticas universais.
Outro aspecto importante é que esses milhões de brasileiro que emergiram não encontram uma estrutura institucional de representação dos seus interesses. É importante que os sindicatos, as associações de bairros, os partidos políticos identifiquem como construí-la para este novo segmento, porque ele poderá, inclusive, liderar a maioria política da organização do país nos próximos anos.
Como você vê as transformações sociais em curso e que consequências terão?
Isso é não um fato inédito: o ciclo de expansão dos anos 30 aos anos 70, demarcou também uma mudança profunda na estrutura do país. Em 70 a transformação foi maior e mais profunda do que a que vemos hoje. Naquela época, a ascensão deu-se com gente que saía do campo, analfabeta, que não conhecia água encanada, eletricidade e que veio para a cidade. Na década de 70, a formação da classe trabalhadora no Brasil se deu nessas características, um quadro que difere bastante do que ocorreu na Europa. Lá, o sujeito tinha um pedaço de terra, perdeu a terra e foi para a cidade trabalhar na fábrica, ou na mineração, o que era muito difícil. Houve um brutal estranhamento das condições de vida, que era rural e passou para urbana. Na Europa, a cidade era muito pior do que o campo. No Brasil, não. A cidade, apesar das dificuldades, era melhor.
Mesmo assim, essa população tinha suas demandas...
A questão é que a percepção desse “lugar melhor” durou apenas um determinado tempo, até as pessoas se darem conta de que onde moravam não tinha ônibus, água encanada direito, eletricidade. Isso vai levar, nos anos da ditadura, a uma oportunidade de reorganização da sociedade. Nesse momento, foram importantes os sindicatos, as associações de bairro, as comunidades de base e a formação dos partidos que lideraram a transição. Essas organizações não têm o mesmo papel hoje. A ascensão social de hoje é muito mais assentada no trabalho. O emprego é que está movendo a estrutura da base da pirâmide social. Os programas sociais são importantes, evidentemente, mas o grosso do recurso que promove a mudança dá-se por meio do emprego, do salário mínimo.
Quem é esse brasileiro que ascendeu socialmente nos últimos anos?
É um grupo muito heterogêneo. Boa parte é urbana, mas tem grupos com origem rural. Se você pegar o Norte e Nordeste, quem ascendeu foi o brasileiro de baixa escolaridade, não-branco, que migra para a região metropolitana. Se você pegar o Sul e o Sudeste, o movimento é outro: há mais brasileiros brancos, pessoas com mais escolaridade, com concentração nas cidades médias. O fenômeno é menor nas grandes cidades.
Para essas pessoas é preciso propor seguro saúde privado, escola privada, capitalização para a previdência privada. A classe média clássica tem essas três coisas. E isso no Brasil se dá mal e precariamente, porque o seguro saúde é muito ruim, a previdência privada pode um dia quebrar e a escola privada que esse brasileiro paga cobra R$ 300,00 de mensalidade. Ou seja, não entrega uma educação de qualidade.
Para essas pessoas, o Estado pode fazer uma “política de voucher”, ao invés de dar o serviço diretamente.
Isso já ocorre no Brasil de hoje. Há o desconto no Imposto de Renda sobre esses serviços para as classes média e alta para que comprem os serviços privados de saúde e educação. No fundo, quem se dirige a esses brasileiros e os chama de classe média quer criar duas sociedades no Brasil: uma, onde o Estado cuida de muitos; e outra, onde quem cuida das pessoas é o capital privado.
A discussão de classe média envolve uma outra questão muito importante: qual é o papel do Estado que queremos. Onde e como o Estado vai atuar mais. Se oferecendo serviços de boa qualidade a todos, ou se garantindo recursos para que o cidadão de classe média os compre diretamente. O Brasil é um dos poucos países do mundo em que o orçamento público financia a educação e a saúde privadas da classe média e dos ricos.
O papel do Estado está na mesa, ainda, quando se questiona a transferência de renda do Bolsa Família. Há preconceito quando se alega que o Estado está transferindo recursos para os pobres sem nenhuma exigência em troca. Na verdade, com os programas sociais, os pobres passam a receber uma parte – ainda pequena – do que contribuem na forma de impostos, uma vez que no Brasil os impostos, em termos proporcionais à renda, são pagos pelos pobres.
Universalizar os serviços públicos é o caminho mais adequado?
Na minha opinião, a tese que se construiu na transição da ditadura, de universalização das políticas, é muito mais adequada. Nós não temos um Estado de bem-estar social completo. Mas já contamos com estruturas que foram construídas a partir da Constituição Federal – complexo educacional, de assistência, de saúde – comparáveis as de qualquer país desenvolvido.
E quando afirmo isso, eu me refiro apenas à estrutura do Estado. Ainda faltam os recursos. Nós não vamos financiar uma saúde de boa qualidade para todos com 4% do PIB. Os EUA gastam 18% do PIB com saúde e ainda têm 40 milhões de pessoas fora do sistema. Nós somos o único país da América – tirando Cuba – que tem uma estrutura de saúde comparável à dos EUA, a despeito dos problemas que temos, que não são pequenos.
Qual o papel do Estado no desenvolvimento do país hoje?
Nós não temos um padrão de intervenção do Estado no Brasil. Temos ações. E algumas atuam, de certa maneira, de forma invertida. Se pegarmos programas na área social, eles são mais voltados para as regiões e os segmentos mais pauperizados do Brasil. Por exemplo, os serviços de educação e saúde espelham uma certa proporcionalidade da população. Mas o mesmo não se dá na ação dos bancos públicos. Se olharmos a intervenção bancária, veremos que os bancos públicos estão concentrados apenas onde está a riqueza. Ou seja, estamos falando de padrões distintos. Temos o mesmo Estado, mas não se vê uma intervenção bancária tendo como objetivo todas as regiões do país. O mesmo ocorre com as universidades, embora a expansão recente da rede tenha caminhado no sentido inverso disto. Ainda hoje, boa parte das federais está nas áreas mais ricas do país.
Quando o governo faz uma grande obra no meio da Amazônia, mais de 70% de seus recursos voltam para o Sudeste, porque insumos, equipamentos e mão de obra especializada são de lá, o que reforça a desigualdade entre as regiões. Como reverter essa tendência?
O IBGE ainda não publicou os dados da composição do PIB. Mas irá demonstrar outra realidade, relativa à expansão do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste do país. Estas regiões têm crescido muito mais que a média nacional.
É verdade. Há Estados com 14% de crescimento ao ano. No Tocantins e em Goiás o crescimento tem sido muito alto. Mas você diria que, para minimizar as desigualdades regionais dá mais resultado um programa como Bolsa Família ou a construção de uma estrada de ferro? O desenvolvimento regional pode ser induzido com mais infraestrutura, ou os programas sociais são mais efetivos? Ou se trata de chegar com as duas opções juntas?
No caso das desigualdades regionais é uma falsa questão se é isso ou aquilo. É preciso chegar com um pacote. Não existe o social sem o econômico e vice-versa. E, também, sem o político. Esses segmentos que emergem certamente farão diferença no contexto político. Hoje não temos instituições que entendam e representem esse novo Brasil que se constrói. Não sei se interessa às velhas elites nessas localidades ter um Estado que opere de forma mais moderna e transparente.
A base econômica desses Estados já mudou. Não é mais agroexportadora, baseada na monocultura. No sul do Maranhão e do Piauí já é outra coisa. Em Pernambuco, Bahia, Sergipe também.
Sem dúvida. Essa primeira década do século XXI está trazendo novos elementos. O ciclo de expansão urbano industrial da década de 30 a 80 tinha a imagem de que o Brasil era uma espécie de trem e que a locomotiva era São Paulo. A perspectiva dos governos estaduais foi repetir a referência de São Paulo. O ápice disso foi o regime militar construir na Zona Franca de Manaus uma mini São Paulo no meio da floresta Amazônica.
Hoje, essa perspectiva mudou. Nós contamos com Estados que têm sua própria dinâmica e não querem mais ser São Paulo. Daí a necessidade da transformação do papel do Estado para favorecer essa dinâmica, que não é só econômica. É preciso pensar a estruturação do espaço territorial e, ao mesmo tempo, o fortalecimento das instituições. Os novos segmentos que surgem no bojo desse crescimento regional diferenciado estão resultando na formação de novas elites regionais. Veja o debate mal feito sobre a divisão do Pará. O pleito da divisão do Estado em três resulta da efervescência de novas elites que estão surgindo em diferentes regiões do país, em cidades médias e pequenas, e que não encontram representações adequadas no sistema tradicional.
Eu gostaria de falar agora da economia do país e dos estrangulamentos que influenciam um desenvolvimento sustentável. Os juros são um problema. Mas não é só isso. Se nós não fizermos um programa tecnológico de 50 anos em 5 anos - e educacional também, já que, apesar dos avanços na educação, nós ainda estamos no século passado nesta área - será muito difícil superar nossos problemas. É lógico que depende muito da política macroeconômica. Precisamos de recursos e sabemos que eles existem: o país já tem um PIB respeitável e a arrecadação está aí… Mas se gastamos R$ 236 bi anualmente com juros, estamos promovendo a concentração da renda, transferindo renda para a poupança e, em parte, para o exterior, o que é mais grave.
É impossível o Brasil enfrentar os próximos 15 anos sem uma grande mudança tecnológica, como fizeram a Coreia e a China. Nosso desenvolvimento tem andado a passo de tartaruga. Tecnologicamente ainda estamos na década de 90. Enquanto isso, a China fez uma revolução tecnológica em 20 anos; a Coreia em 30. O Brasil está chegando atrasado porque ficamos de 1983 até 2003 patinando, por falta de maioria no país. O presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma maioria, uma coalizão, mas que não deu certo. Seu projeto era destinado para apenas 1/3 da população. No longo prazo, não era sustentável politicamente. A inversão desse caminho, com a nova maioria que se constrói a partir de 2002, foi para que o povo brasileiro coubesse inteiro no Brasil. Hoje se repete aquela discussão: em relação aos aeroportos, há quem diga que a população não cabe neles.
Passamos de 30,6 milhões de passageiros aéreos em 2002 para 67 milhões. O objetivo é que tenhamos 100 milhões de passageiros em 2014. E é bom lembrar que o presidente Lula reformou todos os aeroportos, só não os que o TCU e a direita não deixaram – Goiânia, Vitória e Cuiabá...
O fato mais marcante é que hoje mais pessoas viajam de avião do que andam de ônibus interestaduais. Mas, voltando ao desenvolvimento tecnológico que você mencionou, o final do século XX foi muito difícil para o Brasil, ainda que, do ponto de vista político tenha sido sensacional: abandonamos a ditadura e elaboramos a Constituição Federal de 1988. Mas foram anos desfavoráveis para enfrentar o estágio econômico em que o Brasil se encontrava nos anos 80. O ajuste feito nas finanças públicas brasileiras marginalizou os investimentos na infraestrutura. Somente muito recentemente o país está se recuperando. As marcas do nosso subdesenvolvimento são o atraso tecnológico e a desigualdade na produtividade do trabalho em diferentes setores da atividade econômica.
E isso repercute diretamente nos salários.
O mercado de trabalho reflete a desigualdade da estrutura produtiva. Temos 40% dos brasileiros ocupados em atividades com produtividade muito baixa. Por outro lado, temos setores que competem em situação melhor, inclusive, do que alguns países ditos desenvolvidos. Contam com uma estrutura média até razoável. O problema é esse estoque de pequenos segmentos em atividades praticamente associadas à subsistência. Isso exigiria uma ação profunda do Estado para alterar o patamar tecnológico em que se situam.
Tem o BNDES, uma estrutura muito importante para o financiamento de grandes empresas. Mas falta o financiamento para as pequenas empresas. Não é tanto um problema de falta de recursos, mas de dificuldade de a pequena empresa ter acesso ao financiamento. E tampouco é um problema do banco, mas da forma como essas pequenas organizações operam. A socialização das novas tecnologias às pequenas empresas tem um papel fantástico. E exige uma reinvenção do Estado.
Como resolver o desnível de produtividade entre as empresas no país?
Precisamos rever os fundos setoriais, cuja forma de organização foi importante no passado. A forma que mantêm hoje, no entanto, é muito fragmentada e impede um grande impulso de recursos a determinados setores. O outro desafio é o educacional. Nessa dita sociedade do conhecimento o principal ativo é o próprio conhecimento, o que implica uma mudança estrutural. As pessoas terão de estudar a vida toda. O que requer uma reestruturação do sistema educacional, tal como o conhecemos.
As grandes empresas já se deram conta da importância de se ter o conhecimento ao longo da vida. Elas vêm avançando, cada vez mais, nas chamadas universidades corporativas. Se pegarmos as 400 maiores empresas que operam no Brasil e somarmos os recursos que gastam com a capacitação de seus empregados, eles equivalem já a 1% do PIB (R$ 20 bi) – ou 20% de tudo o que gastamos com educação pública no Brasil. Mas, como fazemos para as médias e as pequenas terem capacitação permanente?
Sim, mas e no resto do mercado de trabalho?
É preciso mudar a relação capital-trabalho. Hoje, há no país uma estrutura nas relações de trabalho que motiva o rompimento do contrato ao longo do tempo. Temos uma rotatividade que atinge quase a metade dos trabalhadores. E, dos demitidos, somente 1/3 consegue se reempregar no mesmo ano.
Esse quadro de alta rotatividade leva a empresa a não investir na qualificação do seu trabalhador. Não há a garantia de que aquele recurso usado para melhorar a capacitação da mão de obra resultará, de fato, em um investimento. Uma vez qualificado, o trabalhador poderá ir para o concorrente. O trabalhador, por sua vez, não sabe em que se capacitar. Onde investir em sua formação. Hoje ele está trabalhando na indústria metalúrgica, amanhã no comércio, depois no transporte...
Foram tomadas medidas para debelar esse problema?
No caso das relações do trabalho, o movimento foi no sentido de abandonar as leis de flexibilização do mercado de trabalho. Elas estavam acirrando ainda mais esse processo de rotatividade. Também foram tomadas medidas do ponto de vista da regulação do trabalho autônomo, aquele trabalhador por conta própria. Introduzimos a lei do empreendedorismo individual.
Você se refere àquela pessoa que vende pipoca, legaliza-se e paga R$ 1,00 de ICMS por mês, recebe CNPJ e, com ele, consegue empréstimo para comprar máquina, equipamento? O país já conta com 2,5 milhões de empresas assim. Isto porque essas pessoas têm consciência de que precisam se legalizar para ter crédito e para se aposentar. A previdência pública no Brasil, comparada aos demais países da América Latina, é informatizada, funciona muito bem. É a única que paga um salário mínimo, pelo menos, todo mês.
O Estado foi fazendo modificações na previdência. Somos a 2ª maior previdência pública do mundo. A 1ª é a da Índia. E o sistema é muito bem estruturado, informatizado. Se lembrarmos, alguns anos atrás, os problemas que existiam de filas... Isso desapareceu. O Estado fez mudanças que elevaram, inclusive, a sua produtividade.
As pessoas não entendem, mas em vários setores, o Estado tem uma produtividade maior do que em vários setores da iniciativa privada. As universidades federais no Brasil, por exemplo, são melhores que as privadas. Em média, os hospitais públicos são melhores que os privados.
É importante lembrar que a maioria dos hospitais privados foi criada na década de 70 com dinheiro do Fundo de Atendimento à Saúde (FAS). Os interessados iam à Caixa Econômica Federal, pegavam milhões e construíam um hospital. O Instituto Nacional Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS) contratava o serviço. Com isso, o Brasil montou uma estrutura enorme de hospitais privados, construídos com dinheiro público, os quais, depois de 1988, venderam seus serviços para o SUS. Em resumo, o risco e o capital eram nosso e o lucro era deles...
Mas vamos falar da crise internacional. O IPEA divulgou estudos em que manifesta a preocupação de que o agravamento da crise reverbere no Brasil. Na sua avaliação esse perigo é iminente ou vamos contornar os riscos e tocar nossa economia como fizemos até agora?
O Brasil tem sido muito ativo nos períodos de crise do capitalismo. E não é diferente agora que o país vem aproveitando de forma muito positiva as oportunidades que a crise da hegemonia global estabelece.
Estamos diante de uma transição do centro dinâmico do mundo, dos EUA para a Ásia, principalmente para a China. Nós não sabemos como se dará essa transição. As experiências históricas de transição do centro dinâmico que ocorreram no passado deram-se, geralmente, acompanhadas de grandes conflitos mundiais. As duas guerras mundiais não deixaram de ser também uma expressão da tensão da superação da crise da hegemonia inglesa entre a Alemanha e os EUA. Será que essa transição que vivemos será tranquila? EUA e Europa vão aceitar o esvaziamento do seu setor produtivo, a convivência com o desemprego, o retrocesso social, a ampliação das desigualdades, tranquilamente, enquanto a China continua exitosamente o seu percurso de expansão?
A decisão do governo Obama de retirar as forças militares do Oriente Médio - possivelmente aceitando o predomínio do islamismo na região, para realocá-las prioritariamente na Ásia - é uma nova postura dos EUA. Foi noticiado há pouco que o governo inglês aceita que a Inglaterra possa ser a grande praça financeira da Ásia. Esta pode ser uma outra reacomodação de forças e do papel da Europa neste novo mundo.
Você mencionou que em outras crises o Brasil obteve um desempenho positivo. A que períodos se refere?
Neste momento, guardadas as devidas proporções, o país repete situações ocorridas durante a Grande Depressão de 1873 a 1896, e as depressões de 29 e 39, no século passado. Foram momentos de ruptura na dinâmica do capitalismo global, cujas oportunidades o Brasil soube aproveitar. Essas transformações fizeram com o que o país aproveitasse a onda dos fluxos comerciais internacionais.
Na década de 1880, nós tivemos transformações importantes no Brasil do Império. A sociedade ainda era muito primitiva. Mesmo assim, tivemos uma sucessão de reformas como a política, de 1881; a laboral, com o fim da escravidão, em 1888; a ruptura com o Império e a construção da República, em 1889; a Constituição Federal relativamente avançada, em 1891. Havia, inclusive, uma elite emergente provinda dos abolicionistas - Rui Barbosa entre outros - que tinha uma visão clara das necessidades de mudanças do país, da transição de uma sociedade agrária para outra industrial.
E em 1929?
Nós entramos com o café que, a despeito de postergar o fim da sociedade agrária, criou as bases da industrialização na década de 1930. Na depressão de 1929 houve a construção de uma maioria política nova, liderada por Getúlio Vargas, uma frente muito ampla – de comunistas a fascistas. Essa maioria também soube, do ponto de vista político, promover uma coordenação que viabilizou o país fazer uma transição profunda para um país urbano e industrial. Infelizmente essa maioria política que governou o país de 1930 até a década de 1970 não foi democrática. A maior parte do período se deu sob o autoritarismo do Estado Novo e da ditadura militar. Não fizemos uma reforma no Estado do bem-estar social.
O que se deu durante a crise da dívida externa, nos anos 80?
A crise da dívida externa de 1981-1983 foi fundamental para romper com a maioria política que vinha governando o país de 1930 a 1970 e início dos anos 80. A partir daí, nós permanecemos por quase duas décadas sem uma maioria política estável. Ainda assim, foram feitas construções de maiorias pontuais na transição para a democracia e na elaboração da Constituição Federal de 88, a mais avançada que nós já tivemos.
O que representou a eleição presidencial de 2002?
Ela estabeleceu os parâmetros para a construção de outra maioria. Uma maioria que não aceita “voo de galinha” que era a performance da economia do Brasil, sobretudo, nos anos 90. Nesta perspectiva, vemos a decisão do Banco Central (BC) de reduzir a taxa de juros, quando aparentemente não estaria claro o patamar de queda da inflação, como muito importante. Ela, inclusive, foi entendida pelo mercado financeiro como uma ruptura na trajetória do BC.
Buscar a redução da taxa de juros, de certa forma, é o compromisso das forças políticas que estão em torno do governo Dilma e que estiveram nos dois governos Lula. Ao mesmo tempo, essa maioria tem uma articulação muito grande com os chamados setores perdedores dos anos 80 e 90, que foram os trabalhadores e as pequenas empresas. Estes também não aceitariam a regressão vivida nos anos 90.
E quais as consequências da crise de 2008?
A crise de 2008/2009 encerra um ciclo. O Brasil rompeu com o que se fazia desde a crise da dívida externa, desde o último governo militar do Figueiredo e que foi repetido até o segundo governo de FHC e no início do governo Lula. Frente a uma crise, todos diziam que quando os EUA tossiam, nós pegávamos aqui uma pneumonia. Porque nós internalizávamos a crise internacional. Nós aumentávamos os juros, os impostos, não aumentávamos o salário mínimo, não ampliávamos as políticas sociais. Mas a partir de 2008, nós fizemos diferente. Demorou, mas houve redução dos juros, isentamos e reduzimos, de certa forma, a carga tributária, ampliamos o salário mínimo e as políticas sociais. Tudo isso fez com que o mercado interno passasse a ser o principal dínamo do próprio enfrentamento da crise. Essa solução veio para ficar.
Como está o Brasil posicionado internacionalmente? A China, por exemplo, compete com o Brasil no mercado externo e no interno. As medidas adotadas até aqui são utópicas e defensivas. Não há uma estratégia em relação à China nem por parte do empresariado brasileiro, nem por parte do governo. A China sabe o que quer, já o Brasil...
A transição que o Brasil e a América Latina fizeram ao focar não somente os EUA, mas também as outras nações, deu um espaço muito grande às relações comerciais com a China. E nesse contexto, o problema não é a China, é o Brasil, que não sabe bem o que quer. Os chineses sabem. Das 500 maiores corporações do mundo hoje, os chineses querem ter 250. E o Brasil quer ter quantas? Entendo que a postura do BNDES está correta, mas não está claro onde nós vamos chegar. Queremos ter presença em quais grandes empresas e em quais setores estratégicos?
No ano 2000, o comércio com a China representava praticamente 2% das nossas exportações. Hoje, aproxima-se dos 20%. É uma mudança grande. E se projetarmos essa tendência no tempo, em 2020, talvez 60% das nossas exportações estarão concentradas na China. Esse é um movimento que precisa ser melhor avaliado. O Brasil precisa de um plano estratégico que defina o seu reposicionamento no mundo. Uma medida ousada seria melhor utilizar o Fundo Soberano para comprar empresas estrangeiras, como têm feito os chineses e os indianos.
Este é o momento. São oportunidades que estamos deixando de aproveitar. Nós somos um país muito internalizado, diferentemente da Coreia e de outros países da Ásia. Aqui, quando as multinacionais decidem aumentar as exportações que fazemos a partir do Brasil, o fazem a partir de outras praças que não necessariamente estão identificadas com os nossos interesses nacionais. Mas temos condições, ainda, de fortalecer a estrutura produtiva nacional.
Outra medida ousada é rever o papel do Brasil no continente sul-americano. A China está reconstituindo suas relações econômicas com os demais países da Ásia, e mantém uma relação importante com o Japão. O Brasil precisa tomar decisões sob essa perspectiva. Ter uma reunião com os presidentes, ministros da área econômica e de produção sul-americanos, buscando defender a sua produção aqui.
Houve aquele sopro que foi a reunião da UNASUL, mas depois…
Estamos em um novo estágio do capitalismo. A trajetória de concentração do capital está clara. Temos empresas maiores do que países. E dada a situação de que estas empresas não podem quebrar - porque se o fizeram levarão os países à bancarrota - o próprio sistema econômico é uma associação dessas empresas com os Estados nacionais. Neste sentido, o Brasil teria uma melhor condição de aproveitar o espaço sul-americano para defender e ampliar o seu mercado e se reposicionar no panorama internacional. A agenda externa é muito importante. É estratégica para redefinir o Brasil nos próximos anos.
E a agenda interna?
Temos uma agenda interna que está sendo formatada de forma pontual, talvez não de uma maneira mais organizada. O quadro ainda não está claro porque a agenda de transformações exige um maior revigoramento da maioria política no país, o que ainda não está bem estabelecido. Nesse novo desenho mundial, o papel do Estado se torna muito maior, tanto do ponto de vista da sua capacidade de enfrentamento da desigualdade, quanto de sua capacidade de fortalecimento do setor produtivo.
É uma coisa estranha que, em um país como o nosso, com mais de 190 milhões de habitantes, haja apenas 170 bancos. Os EUA têm mais de 7 mil bancos, a Alemanha mais de 3 mil. Nós precisamos ter bancos mais vigorosos para operar não só dentro do Brasil, mas também lá fora.
Tirando os públicos que somam 50% do mercado (e são os que nos salvam), nós temos apenas três bancos: Itaú/Unibanco, Bradesco – brasileiros - e o espanhol Santander. Essa questão do sistema bancário é gravíssima e os juros são altos só por isso, não tem concorrência.
O discurso tucano em 1994/1995 para defender a privatização no setor financeiro era de que o setor bancário brasileiro era ineficiente porque tinha muito banco público. Não que não houvesse problemas nos bancos públicos, mas não precisava jogar a água suja com a criança dentro. Diziam que também era um mercado bancário constituído apenas de bancos nacionais. Então, tivemos a abertura, a presença de outros bancos e a privatização. Nós tínhamos mais de 240 bancos em 1995, hoje temos menos de 170 bancos. A privatização levou à redução, a um encolhimento do número de bancos, e a presença dos bancos estrangeiros nos tornou dependentes de recursos internacionais.
De forma geral, os bancos internacionais não deram certo no Brasil.
Não há nada que justifique, por exemplo, que nós não tenhamos um bom e grande banco para apoiar as micro e pequenas empresas no Brasil. O Japão tem um banco de pequenas empresas, por exemplo. Um banco para a agricultura familiar. Você poderia ter bancos comunitários em cada município. Temos mais de 500 municípios no Brasil que não têm agência bancária, por exemplo. E os bancos operam de forma centrada no Sudeste. A poupança do Norte e Nordeste vem parar no Sul e Sudeste do Brasil. Não existe o compromisso de aplicação do recurso no local onde ele é captado. O tema do financiamento do desenvolvimento brasileiro é fundamental para a sustentação do crescimento do país a longo prazo.
O Brasil já tem uma maioria política que pode aproveitar essas oportunidades para fortalecer a pujança brasileira, combinada com o enfrentamento da herança que temos do ponto de vista do atraso social. Hoje, nós podemos ser mais ousados.
Márcio Cubiak Mestrando em Desenvolvimento Regional FURB - Blumenau
to chegando agora. Colocaram as palavras "Dilma" e "inteligência" na mesma frase? O importante é ter saúde.rs
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